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domingo, 28 de junho de 2026

Rua Carlos Testa

Passada a pequena Rua Carlos Testa, à direita, chegamos ao cruzamento da Avenida António Augusto de Aguiar com a Rua Marquês de Fronteira. [Araújo: 1939]

Essa serventia, anunciada por edital em 1903, já consta na planta topográfica de 1909, elaborada por Júlio António Vieira da Silva Pinto. [Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa,, Comissão Municipal de Toponímia, Lisboa, 2000]

Rua Carlos Testa |1958|
Ao fundo nota-se a Av. Antonio Augusto Aguiar. Perspectiva tirada do Largo de S. Sebastião  da Pedreira onde os eléctricos da circulação davam a volta para Duque de Ávila.
Legenda no abandalhado amL: «Mudanças de linha dos eléctricos em São Sebastião da Pedreira»
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

N.B. O topónimo homenageia Carlos André Testa (1823–1891) que seguiu a carreira naval até alcançar o posto de contra-almirante, sendo responsável pela renovação da frota portuguesa na segunda metade do século XIX.

Rua Carlos Testa |191-|
Perspectiva tomada da Av. Antonio Augusto Aguiar no sentido do Largo de S. Sebastião da Pedreira. O prédio de gaveto encontra-se demolido.
Alberto Carlo Lima, in Lisboa de Antigamente

domingo, 14 de junho de 2026

Rua dos Anjos e a Avenida que também o foi

Anjos (rua direita dos) principia no largo do Intendente, indo da rua do Bemformoso e finda no largo de Santa Barbara, freguezia dos Anjos 2 a 244 e 1 a 215. [Velloso: 1869]

Luís Pastor de Macedo, na sua obra Lisboa de Lés-a-lés, descreve do seguinte modo o remoto historial deste topónimo:
Nome por que actualmente é conhecida parte da antiga estrada de Santa Bárbara. Em 1712 Carvalho da Costa designa-a por rua acima da Igreja até o lugar de Arroios, incluindo também nesta designação a actual rua de Arroios. Passando depois a ser denominada rua Direita dos Anjos, fixou-se a sua extensão por edital do governador civil de 1 de Setembro de 1859, a qual ficou compreendida entre os largos do Intendente e de Santa Bárbara. (...).

Rua dos Anjos |1907-07|
Antiga Rua Direita dos Anjos; ao fundo vislumbra-se a Av. Almirante Reis [vd 2º imagem]
onde continuavam os trabalhos de desmantelamento da antiga igreja dos Anjos. 

Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): A primeira referência que se faz a uma Avenida que "ligasse a Igreja dos Anjos (a antiga) e as portas de Sacavém (em Arroios)" pertence a Ressano Garcia, numa sessão da Comissão de obras da Câmara no ano de 1877.
Assim, em 1903, foi aberta a Avenida dos Anjos (1895) — troço da Palma até à Alameda — depois Avenida Dona Amélia (1903-1910), que viria a ser mais tarde designada por Avenida Almirante Reis (05/11/1910). Foram destruídos vários quarteirões nesta área permitindo por outro lado, a construção de novos e mais modernos edifícios o longo da recente e ampla avenida. (Unidade Projecto Mouraria, 2009).

Rua dos Anjos no cruzamento Avenida Almirante Reis |1940|
A antiga igreja dos Anjos situava-se na esquina da Rua dos Anjos e em parte do leito onde assenta hoje a Av. Almirante Reis [onde se vêem os carros eléctricos]. À dir. nota-se parcialmente o edifice que albergou a afamada Pharmácia Bezelga.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Calçada de São Francisco

Deste alto do Monte Fragoso — recorda Norberto de Araújo — , depois Alto de S. Francisco, dominava o mar e parte da Baixa, como ainda hoje, a despeito das altas construções urbanas. O sítio era ideal, na expressão de hoje.
A edificação da Igreja dos Mártires (1147-48), e, depois, a do Convento de 5. Francisco (1217), [e que emprestou o nome a esta serventia] logo nobilitaram o local através do espírito religioso, e da sua consequente projecção social.
Pelo decorrer dos séculos XIII e XIV S. Francisco engrandeceu-se, e os palácios nobres surgiram, timidamente, aqui e ali.
O Terramoto varreu tudo, e nas reedificações e urbanização nem vestígios ficaram desse «Bairro de S. Francisco. [Araújo: 1939]

Calçada de São Francisco, 17 |c. 1957|
Encimando a imagem nota-se o Palácio dos Condes de Vila Franca (ou Bessone). À esq., detrás
Nota(s): Inaugurada em 1914, a carreira 28 teve várias versões e desdobramentos. 
 Entre 1947 e 1973 - R. CONCEIÇÃO (Rossio, no serviço nocturno, domingos e feriados) - PRAZERES (na foto).
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Rua do Arco do Cego que foi Estr.

Entre o Campo Pequeno e Arroios existiu um arco de pedra, — e esse arco, chamado, não se sabe porquê «Arco do Cego» deu o seu nome a esse troço de estrada que, nos subúrbios da Lisboa setecentista, ia do largo ou terreiro de S. Jorge até ao Palácio Galveias. [Araújo: 1939]

Rua do Arco do Cego |1961|
Junto ao jardim sito na Rua Costa Goodolfim.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Enquanto topónimo, o Arco do Cego surge na cartografia de Filipe Folque, em 1858, como Estr. do Arco do Cego,

Rua do Arco do Cego |1966-03|
Prédios (ainda existentes) defronte do edifício-sede da CGD.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Avenida Fontes Pereira de Melo

Esta artéria, que homenageia António Maria Fontes (1818-1887), estava integrada no Plano das Avenidas Novas, do Eng.º Ressano Garcia, aprovado em 1888 pela Câmara Municipal de Lisboa, seguia as ideias urbanísticas do séc. XIX, aplicando os princípios higienistas de combate à insalubridade das densas vilas da industrialização, definindo um traço regular formado por quarteirões uniformes, numa sequência de eixos estruturantes articulados por rotundas. 

Avenida Fontes Pereira de Melo |1969|
O Mercado 31 de Janeiro no sítio das Picoas data de 1924. Neste local funcionou até meado da década de 1950 o Matadouro Municipal de Lisboa depois edifício-sede da Portugal Telecom — «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades».
Artur I. Bastos, in Lisboa de Antigamente

Neste plano, a Avenida Fontes Pereira de Melo constituía o elemento de ligação do conjunto das ruas adjacentes ao Parque da Liberdade (hoje Parque Eduardo VII) com o núcleo Picoas – Campo Grande.

Avenida Fontes Pereira de Melo |1959|
Antiga Rua Fontes, junto a Av. António Augusto de Aguiar (esq.); obras do metropolitano.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Cruzamento da Rua Áurea com a Rua da Santa Justa: a «calçadinha do tijolo»

Tijolo (calçadinha do) denominação dada pelo vulgo á parte que vae da antiga rua nova do Carmo até á rua Aurea, na então travessa de Santa Justa. [Velloso, 1869]

A Senhora D. Alzira, uma querida e muito simpática idosa com os seus oitenta e oito anos, portuense de gema, criada no seio dos mais simples e desfavorecidos habitantes da Invicta, acompanhada pelo marido, o Senhor Alfredo, uns anos mais jovem, davam início a mais uma madrugada na venda de jornais, junto à montra da ourivesaria Torres [antiga Casa de chapéus e modas Jsyme Pinto, vd. 2ª imagem], no cruzamento da Rua de Santa Justa com a Rua Áurea, precisamente no local de acesso ao Elevador de Santa Justa.
(Alexandre Nunes, Antologia do presente, passado e futuro, 2015)

Cruzamento da Rua Áurea (vulgo do Ouro) com a Rua da Santa Justa |1922-08-18|
O Marco Postal que se observa na imagem — um dos primeiros a ser colocado
nas ruas da capital — é um modelo de 1895. 

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

No tempo do Livro das Grandezas de Lisboa (1620) havia na cidade «40 calçadores de calçadas».
 
Este trecho entre as duas artérias era chamado, por volta de mil oitocentos e troca o passo, de «calçadinha do tijolo», devido ao pavimento ser de tijolo. No início da década de 1920, podia ver-se, a nordeste, a Tabacaria Mendes & Rodrigues (à esq. na 1º imagem e actualmente Perfumaria Vogue) e, a sudeste, a Relojoaria Batalha [v. aqui], que ainda actua no mesmo ramo, agora com o nome Relojoaria Suíça — qualquer delas já encerradas. [Dias: 1998]

Cruzamento da Rua Áurea (vulgo do Ouro) com a Rua da Santa Justa |1922-08-20|
A calçadinha do Tijolo, assim chamada, por ser toda ladrilhada; ha quarenta annos, ainda se notavam na calçadinha velhissimos tijolos postos a pino, que o progresso substituiu pelo macadame.» [O recreio: 1890]
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 20 de julho de 2025

Largo do Rato que foi «Praça do Brasil»

Conforme refere Norberto Araújo, nas suas «Peregrinações em Lisboa», «só os dísticos municipais e os letreiros dos eléctricos dizem Praça do Brasil; título pomposo com o qual a República portuguesa nascente em 1910 quis consagrar a República irmã mais velha de Além Atlântico».

O nome desta zona tem origem na alcunha que popularizou o esquecido patrono do Convento Trino, que domina o largo, e até finais do século XIX o único edifício de características nobres fundado em 1621 por Manuel Gomes de Elvas, influente cristão-novo de Lisboa. Depois da sua morte continuou a ser apadrinhado pelos seus descendentes, um deles, Luís Gomes de Sá e Meneses, tinha por alcunha “o Rato”, alcunha que se apegou ao convento e estendeu-se ao largo fronteiro.

Largo do Rato |1937-04-08|
Antiga Praça do Brasil, antes Largo do Rato, antes Rua do Rato, antes Rua Direita do Rato. Mais tarde, por edital de 23/12/1948, regressou ao topónimo Largo do Rato. |
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

«Desce a Rua das Amoreiras, deserta. Ao entrar no Rato é como se entrasse noutra cidade, noutro dia. Todas as pessoas e veículos que não estavam nas ruas vazias estão aqui, num mar de cabeças onde flutuam os carros parados, eléctricos, autocarros. Centenas, milhares de pessoas, a andar para todos os lados e paradas a conversar, numa azáfama de feira». (NOGUEIRA: 2012)

Largo do Rato |194-|
Perpectiva tomada da Rua das Amoreiras.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Rua de Dom Vasco

Este topónimo já aparece — como "Calçada" — nalgumas cartas topográficas, em 1892, e em antigos escritos a propósito do combate aos incêndios citadinos, em que os sinos das igrejas indicavam, pelo número de badaladas, a freguesia do incêndio, e que aqui transcrevemos: «No ano de 1862, davam-se 33 badaladas na igreja da Boa Hora, em Ajuda, com o posto da guarda na Calçada de Dom Vasco».
(CRUZ (Francisco Inácio dos Santos).— memoria sobre os differentes meios de atalhar os incêndios..., 1850)

A carreira nº 18 — Praça do Comércio-Ajuda — foi inaugurada em 1927.
Perspectiva tomada da Tv. da Boa Hora à Ajuda.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B.  Dom Vasco Manuel de Figueiredo Cabral da Câmara) (1766-1830). Em 1805 recebeu o título de conde de Belmonte. Foi porteiro-mor da Casa Real, Fidalgo da Casa Real, morgado de Ota, de Belmonte e de Santo André, pertenceu ao conselho de D. João VI, foi gentil-homem da sua câmara, presidente da Junta da Administração do Tabaco e deputado da Junta dos Três Estados do Reino.

terça-feira, 25 de março de 2025

Panorâmica sobre a Rua Pascoal de Melo


Os cenários da Cidade, tomados do alto, poder-se-iam chamar os Telhados de Lisboa — diz Norberto de Araújo —  o grande enamorado de Lisboa e a quem vamos sempre seguindo. 
Há os miradouros de panorama extensivo, que abarcam todas as distâncias E há os miradouros suspensos sobre a cobertura confusa do casario: só se distinguem empenas, mansardas, telhados, campanários pequeninos, a ramagem tímida de um quintal. 
E tudo se amalgama na intimidade dos planos. Perdem-se as linhas do trânsito, os portais fidalgos, as belas varandas de renda, as bocas sombrias dos casebres. 
Destes cenários desgrenhados a poesia ascende, sem ritmo, num pitoresco desconcertante de acaso. 
— Põe-se de poleiro o galo alfacinha! 
[ARAUJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 212, 1943]

Panorâmica de Lisboa  [Inicio do sec. XX]
Legenda (clicar na imagem para ampliar):
¹ Rua Pascoal de Melo; ² Av. D. Amélia, hoje Almirante Reis —  o 1º quarteirão, na esq. baixa, é hoje ocupado pela Cervejaria Portugália; ³ Rua António Pedro; ⁴ Rua Passos Manuel — Jardim Constantino, de onde vem o eléctrico; ⁵ Rua Aquiles Monteverde  — desembocando no viaduto sob a Pascoal de Melo; ⁶ Largo de Dona Estefânia; ⁷ Rua de Arroios, passando a (antiga) Igreja de S. Jorge de Arroios na Rua Alves Torgo até à Rua José Falcão; 9 Rua José Falcão; ¹º Praça Duque de Saldanha; ¹º Rua Marquês de Fronteira e nela o Palacete Mendonça.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Rua de São João de Mata: a Santíssima Trindade

Subamos, com a linha eléctrica, o primeiro troço da Rua de S. João da Mata e prossigamos uns passos pela Rua Garcia de Orta, antiga de Santíssima Trindade, e logo encontramos as entradas da Rua de S. Félix e dos Remédios. [...]
Aquelas Ruas da Santíssima Trindade, S. Félix e S. João da Mata, têm uma única origem: a do Convento das Trinas, da Ordem da «Santíssimas Trindade», fundada por «S. João da Mata», e por «S. Félix», e de que há pouco te falei.
A explicação é aceitável; hoje a designação da Santíssima Trindade foi substituída pelo nome do grande botânico português, Garcia da Orta, e as tradições religiosas não se sentiram afrontadas. [Araújo, 1938]

Rua de São João de Mata |1956|
Cruzamento com a Rua Garcia de Orta
Nota(s): Criada em 1904, o Eléctrico 25, tornou-se a maior carreira de circulação de Lisboa, ligando a Baixa da cidade à Estrela.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

João de Matha (1160-1213) foi um monge francês, fundador juntamente com São Félix de Valois, da Ordem da Santíssima Trindade (também conhecida como a Ordem Trinitária).
Este topónimo aparece pela primeira vez, nos registos paroquiais, em 1757.

Rua de São João da Mata |1902|
Esquina com a Rua de Santos-o-Velho
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

domingo, 19 de janeiro de 2025

Avenida da Liberdade esquina com a Rua do Salitre

Até ao fim do Século XVIII, Lisboa, a pouco e pouco, segundo um plano de larga visão, ressurge, mais bela, mais ampla, mais moderna. E desde então, com breves intervalos de espera, que as vicissitudes da Nação impõem, é uma marcha constante, um aumento sucessivo na população e na superfície urbanizada. As invasões francesas, a saída da Corte e, depois, as lutas civis da primeira metade do Século XIX já se desenrolam numa Lisboa bem diferente da que o Terramoto fizera desabar.
 
Avenida da Liberdade |post. 1935|
Esquina com a Rua do Salitre; sanitários públicos vulgo «Chalet Xixi».
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

E logo que, com a Regeneração, o liberalismo entra numa fase construtiva de fomento, a capital beneficia também do impulso renovador, que tem Fontes Pereira de Melo por arauto e animador. Rosa Araújo faz romper a Avenida da Liberdade (1885), novos bairros se rasgam, as portas da cidade deslocam-se mais para o norte. No início deste século as Avenidas Novas são uma realidade, o porto de Lisboa cresce em movimento e importância.
(CAVALHEIRO, António Rodrigues, Lisboa, 1953)

Avenida da Liberdade |post. 1950|
Esquina com a Rua do Salitre; Palácio Mayer
Para os leitores menos informados, a casa de pasto "Ribadouro - Vinhos e Azeites" instalou-se na Avenida em 1921. A cervejaria com o mesmo nome foi inaugurada em 1947.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Rua de São Pedro de Alcântara que foi «da Torre de S. Roque»

Nesta Rua de S. Pedro de Alcântara — que neste troço se chamou, durante tempo, «da Torre de S. Roque» e «da Torre do Relógio» — , e no prédio n.º 7 a 11, nasceu em 28 de Janeiro de 1800 António Feliciano de Castilho, e aí morreu em 18 de Junho de 1875; em 28 de Janeiro de 1900 foi colocada na fachada do prédio a lápide que estás vendo (ainda lá se encontra).  [Araújo: 2017]

Rua de São Pedro de Alcântara em 194- e 195-, respectivamente
Descubra as diferenças
 
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A Igreja de S. Roque foi construída no sítio da antiga ermida manuelina, na segunda metade do século XVI, sendo seu arquitecto Afonso Álvares, mestre-de-obras de D. João III. Porém, quem terminou a sua construção foi o arquitecto Filipo Terzi, responsável pela cobertura e pela antiga fachada maneirista. De formato rectangular, a igreja é composta por uma só nave, uma capela-mor pouco profunda, e oito capelas laterais, sendo este modelo tradicionalmente designado por "Igreja-salão". [Carriço: 2017]

sexta-feira, 26 de abril de 2024

Avenida da República, 87-97

As Avenidas Novas representam o desenvolvimento urbano que causou a expansão de Lisboa para norte em finais do século XIX e ao longo da primeira metade do século XX.
Pela designação de Avenidas Novas entende-se uma série de avenidas e ruas largas e arejadas que se recortam entre as antigas estradas do Arco do Cego e S. Sebastião da Pedreira, e ao N. do Parque Eduardo VII [antigo Vale do Pereiro ], Andaluz e Praça José Fontana [antigo Largo do Matadouro].
Em 1910 a maior parte dos arruamentos estava concluída, compondo uma malha ortogonal de ruas e avenidas largas com passeios e praças arborizadas segundo os mais modernos conceitos urbanísticos, naturalmente destinadas às classes sociais mais abastadas. 

Avenida da República, 87-97 |1965|
O edifício localizado no número 93A-E situado no gaveto com a Av. António Serpa foi demolido.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Este novo percurso de ascensão da cidade, vindo da Baixa e desembocando no Campo Grande, foi desde logo habitado pela burguesia emergente, que aí começou a construir os seus palacetes e prédios elegantes, tão típicos Lisboa do primeiro quartel do século XX.

Avenida da República, 95-97 |1959|
Antiga Av. Ressano Garcia (1910)
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): imagem corrigida (invertida 
no abandalhado amL).

É disto exemplo o prédio situado na Avenida da República, 97-97-C. Este imóvel (ao fundo e à dir. na 2ª imagem), bem como os dois imediatamente anteriores, estavam em vias de classificação como conjunto desde 11/12/1981. Um deles foi entretanto demolido, e a classificação dos dois prédios restantes passou a correr de forma individual, de acordo com as distintas características de cada um.
(IGESPAR, IP, 2011)

Avenida da República, 87-97 |1962|
John F Bromley, in Lisboa de Antigamente

domingo, 17 de março de 2024

Antiga Rua Martim Moniz antes das demolições efectuadas na Baixa da Mouraria

Na Baixa da Mouraria, onde o passado e o presente se entrelaçam, encontramos o Martim Moniz, encravado entre o Borratém, a Rua da Mouraria, o começo da Rua da Palma, a encosta que leva ao Hospital de S. José, o início da Rua de S. Lázaro e as traseiras de S. Domingos. Com as demolições na Baixa da Mouraria, parte da Rua da Palma foi derrubada e, com ela, o velho Teatro Apolo, antes chamado do Príncipe Real (D. Carlos), apenas pouparia o bairro da Mouraria e a Ermida de Nossa Senhora da Saúde.

A ocupação humana deste lugar remonta a 8 mil anos atrás como povoado neolítico da encosta de Sant ' Ana, situado na margem do Regueirão dos Anjos, no vale da Mouraria. Porém, somente a partir da Idade Média a fixação humana neste local se tornou mais significativa. No século XIV a área correspondente à praça actual era atravessada pela Cerca Fernandina (1373-1375), estrutura muralhada que delimitava a cidade e da qual ainda hoje restam vestígios na zona, como a Torre do Jogo da Péla.

Antiga Rua Martim Moniz antes das demolições efectuadas na Baixa da Mouraria |c. 1949|
Actual Praça de Martim Moniz
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local e a data da foto não estão identificados no arquivo (FCG)

A intenção de unir o núcleo histórico à cidade em expansão, e as medidas higienistas e embelezadoras do regime político de então, determinaram as demolições empreendidas nas décadas de 40 e 50 do século XX. Desaparecia uma dezena de ruas, becos e pátios e com eles uma parte significativa da memória da cidade.

Antiga Rua Martim Moniz antes das demolições efectuadas na Baixa da Mouraria |c. 1949|
Actual Praça de Martim Moniz
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local e a data da foto não estão identificados no arquivo (FCG)

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Assentamento de linhas de tracção eléctrica: Alcântara

A 5 de Junho de 1897 foi assinado um contrato entre a Câmara Municipal de Lisboa e a CARRIS para substituir o sistema de tracção animal por um sistema de tracção eléctrica por condutores aéreos.
No ano de 1900, iniciaram-se os trabalhos de modificação e assentamento de linhas, de instalação da rede aérea e de construção na zona de Santos da Central Eléctrica Geradora destinada a fornecer energia para o novo sistema de tracção. A 31 de Agosto de 1901 foi inaugurado o serviço de eléctricos.

Rua Prior do Crato, 134 |c. 1900|
Assentamento de linhas de tracção eléctrica.
Nota(s): local da foto não está identificado no arquivo da Carris.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Rua Presidente Arriaga, 124 |c. 1900|
Assentamento de linhas de tracção eléctrica.
À esq. nota-se a Igreja de São Francisco de Paula e, bem ao fundo à dir., vislumbra-se o Convento de S. João de Deus (GNR).
Nota(s): local da foto não está identificado no arquivo da Carris.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 24 de dezembro de 2023

A tracção eléctrica: o carro do fio e os guarda-fios

A tracção eléctrica — registava Alfredo Mesquita em 1903 — serve já hoje a cidade de Lisboa em todas as direcções. É um dos seus mais importantes e mais recentes melhoramentos. 

As nossas ruas estreitas não justificam de certo o emprego exclusivo dos condutores aéreos para a transmissão da energia eléctrica, sendo naturalmente indicado o sistema misto de condutores aéreos e subterrâneos como o mais adequado ás condições em que se encontram os arruamentos. Sob o ponto de vista estético, não se enriqueceu também a cidade com o emaranhado dos fios, que em muitos locais atingem o aspecto de verdadeiras redes, em outros o de enxugadouros.
 
Largo do Chiado |1926|
A tracção eléctrica:  o  "carro do fio" e os "guarda-fios". Igreja de Nossa Senhora da Encarnação.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Não é menos certo que os acanhados passeios das principais ruas comerciais, reservados ao trânsito dos peões, foram prejudicados com o pejamento á circulação que lhes resulta de terem sido destinados a alicerces das desgraciosas colunas a que se prendem os fios da rede. Mas é grande verdade, também, que o regímen da tracção eléctrica fez esquecer em absoluto, e com incontestável satisfação dos habitantes de Lisboa, o antigo regímen das mulas dos americanos, dos solavancos dos Ripert, das molas desconjuntadas do Jacinto, do Florindo, do Salazar e da Luzitana. . . E hoje a vista de alguma d'essas já raras carriolas, que ainda se arrastam pelas ruas da cidade, oferece um contraste deplorável a par d'um carro eléctrico comodo e veloz.

Praça do Comércio |1927-03-30|
Guarda-fios levantando as linhas.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A fábrica geral da electricidade está situada em Santos, nos terrenos conquistados ao Tejo. Tem uma área de 6.200 metros quadrados adquiridos ao Estado em hasta publica, por 62:000^000 réis. Sendo o terreno formado por aterro moderno, as fundações foram dispendiosíssimas. Está tudo assente em estacaria e num monólito de cimento que suporta os edifícios e máquinas.==

Avenida 24 de Julho |c. 1927|
À esq. nota-se a Estação geradora de Santos.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
MESQUITA, Alfredo. Lisboa, pp. 526-527, 1903.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Rua da Misericórdia, 81: travão partido, eléctrico desarvorado

Esta artéria tinha-se denominado Rua do Mundo (1910), para perpetuar o nome do jornal que estava sediado neste arruamento e ainda antes designava-se Rua de São Roque (1889). Inicialmente designada Rua Larga de S. Roque, em memória da Igreja e Convento de São Roque que era também o topónimo inicial de Bairro Alto de São Roque e Rua da Misericórdia — a partir de 1937, em referência à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, com sede no Largo Trindade Coelho.
 
Rua da Misericórdia, 81 |1910|
Travão partido, eléctrico desarvorado
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Avenida Duque D’Ávila, esquina com a Rua de Dona Estefânia

Quem passa hoje pela Avenida Duque D’Ávila, nº 23, na esquina com a Rua de Dona Estefânia, na zona das Avenidas Novas no coração moderno de Lisboa, não se apercebe à primeira vista que aqui se situou a Casa dos Estudantes do Império (CEI). O edifício foi totalmente renovado, alteado e pintado de amarelo – e quase ninguém conhece a função que o prédio teve entre 1944 e 1965.
A história da Casa dos Estudantes do Império é uma ironia em si mesma. Apadrinhada pela Mocidade Portuguesa e financiada pelo Ministério das Colónias, iria ser, durante duas décadas, o principal foco de agitação anticolonialista na metrópole. Fundada com o objectivo de formar a elite intelectual do ultramar, acabou por ser tornar central na consciencialização política de muitos que combateram o regime salazarista.

Avenida Duque De Ávila, 23, esquina com a Rua se Dona Estefânia |1961|
Casa dos Estudantes do Império
Fernandes, Augusto de Jesus, in Lisboa de Antigamente

Por aqui passaram nomes como Agostinho Neto e Lúcio Lara (Angola), Amilcar Cabral (Guiné-Bissau), Marcelino dos Santos (Moçambique) e Alda do Espírito Santo (São Tomé e Príncipe).
A Casa dos Estudantes do Império foi encerrada por intervenção da PIDE em 1965.

Avenida Duque De Ávila, 23, esquina com a Rua se Dona Estefânia |1966|
Casa dos Estudantes do Império
Fernandes, Augusto de Jesus, in Lisboa de Antigamente

domingo, 21 de maio de 2023

Rua Marquês de Fronteira que foi Estr. da Circunvalação

Por decreto de Setembro de 1852 a cidade passaria a ser circundada por muro alto e contínuo, feito propositadamente, até junto ao rio, tendo por únicas passagens, portões de ferro. Chamava-se Estr. de Circunvalação e para efeitos aduaneiros estava guardada pela Guarda Fiscal.
A estrada passava pelo Arco do Carvalhão (Arco pertencente às Aguas Livres) Rua D. Carlos de Mascarenhas — Rua Marquês de Fronteira — actual Avenida Duque de Ávila — Rua Visconde de Santarém — Largo do Leão — Rua Carrilho — Rua Morais Soares — Alto de S. João — Avenida Afonso III (sendo novo o último troço, evitando-se a Calçada das Lajes) Xabregas.

Rua Marquês de Fronteira |1927|
Antiga Estrada da Circunvalação
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Legenda da foto no arquivo: «O carro celular com o preso (José Júlio da Costa), a caminho da Penitenciária de Lisboa»

A artéria perpetua a memória de D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto (180 –1881), 8º conde da Torre, 5º marquês de Alorna e 7º marquês da Fronteira. Após a Vilafrancada viveu exilado para depois fazer toda a campanha das lutas liberais, tendo-se reformado no posto de marechal-de-campo. Foi também governador civil de Lisboa (1846-1851), par do reino e deixou 5 volumes das suas «Memórias do Marquês da Fronteira e Alorna».

Eléctricos na Rua Marquês de Fronteira |1960|
Dístico de 1903. Paragem junto a Rua de Campolide.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Rua Ferreira Borges com a Rua de Campo de Ourique

Arruamento construído no prolongamento da Rua D. João V, situado entre a Rua Silva Carvalho e a Avenida Engº Duarte Pacheco. Também designado por sua Rua A da urbanização das Amoreiras e antiga Rua dos Pousos (1859).
Aquele que no seu Panfleto Mágico ousou avisar «É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir» – o escritor José Gomes Ferreira — , desde o próprio ano da sua morte que está perpetuado na artéria de Campo de Ourique que liga a Rua Joshua Benoliel à Avenida Engº Duarte Pacheco.

Rua Ferreira Borges com a Rua de Campo de Ourique |1966|
A esq., a Rua José Gomes Ferreira (Poeta 1900-1985) e, acima, o Liceu Francês Charles Lepierre (1952). À sua direita, a Estação da Carris, demolida em 1981 para dar lugar ao Complexo das Amoreiras, inaugurado em 1985. Em frente, os terrenos e reservatório da EPAL.
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente

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