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domingo, 12 de abril de 2026

Divertimentos no Parque Mayer

O Parque Mayer foi inaugurado em 15/6/1922, substituindo e incorporando a função lúdica da Feira de Agosto (criada em 1908, na Rotunda), uma das últimas "feiras típicas" da capital, com petiscos, comércio e diversões. Inicialmente, apresentou-se em instalações precárias de madeira (“barracas”), mas situava-se numa zona mais central e frequentada. Com o tempo, transformar-se-ia num moderno e popular recinto de diversões ao ar livre, pretendendo emular o que se fazia em Paris (Luna-Park, Magic-City), Madrid (Retiro), Barcelona (Grande Parque), Sevilha, etc. (...). Mais tarde, esta componente seria ampliada e aperfeiçoada pela Feira Popular de Lisboa (1943).

— Não deixem de ver a célebre Cadeira Eléctrica: Uma grande atracção internacional!..

Divertimentos no Parque Mayer |1943-05-02|
Começou por funcionar com  atracções várias, como a "Cadeira Eléctrica", o circo do El Dorado, e combates de boxe e luta-livre.”,
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Situado junto à Avenida da Liberdade, do lado ocidental — num espaço que pertenceu aos jardins e espaços adjacentes do Palácio Mayer — entre a Rua do Salitre e a Praça da Alegria, este recinto viveu o seu apogeu entre as décadas de 30 e de 70 do séc. XX.
Sobre o novel Avenida Parque, ou feira do Parque Mayer como também era designado, lia-se no Diário de Notícias: “Quando ontem entrámos na feira, lembraram-nos imediatamente alguns detalhes pitorescos das antigas feiras do Campo Grande e das Amoreiras, dos nossos melhores bons tempos. E lembrou-nos isso no meio daquele ruído moderno e caprichoso, num recinto onde as barracas têm todas, pelo menos, limpeza, algumas bom-gosto e muitas, se não a totalidade, um ar de sedução irresistível.” (15/6/1922)
 
Divertimentos no Parque Mayer |1943-05-02|
 Os cavalinhos ou carrossel.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Divertimentos no Parque Mayer |194-|
Tômbola dos cigarros, onde o objectivo era atirar argolas para que caíssem sobre os maços de cigarros expostos. À esq., ao fundo, ficava o chamado Estádio Mayer. [Dias; 2007]
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Entre as diversões que passaram no Parque Mayer, destacam-se as "barracas dos tirinhos", os bailes (de fim-de-semana, ou de carnaval), os circos Royal, El Dorado e Luftman, as "barracas” do "Porto de Lisboa" (miniatura animada da Ribeira) ou de "fenómenos” como a "mulher transparente” e a "mulher-sereia" e as pulgas amestradas, o labirinto e a roleta diabólica, a laranjinha, a "Cadeira Eléctrica", as “variedades”, o jogo do quino, o jogo clandestino (para os mais aventureiros), os carrosséis e os fantoches, o Pavilhão Infantil, os "carrinhos de choque", a patinagem, os combates de boxe (Belarmino engraxava sapatos na Rua do Salitre), a luta greco-romana e a luta livre. 
[Expressões Artísticas Urbanas.Ferro,Lígia, ‎Raposo,Otávio, ‎Sá Gonçalves,Renata de, 2017]

Divertimentos no Parque Mayer |1943-05-02|
 Engenho de experimentar forças.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 29 de março de 2026

A Kermesse de Paris no Avenida Palace Hotel

No Largo D. João da Câmara — antigo de Camões — cujo nome se refere, não ao poeta dos Lusíadas, mas ao dr .Caetano José da Silva Souto Maior, o Camões, corregedor do bairro do Rossio no reinado de D. João V (séc.. XVIII), destacam-se a Estação do Rossio (1890) e o o Avenida Palace Hotel (1892), elegante construção em estilo francês, ambas do risco do arquitecto José Luiz Monteiro e com uma «passagem» entre eles.

A Kermesse de Paris, considerada durante muitos anos a melhor e mais cara loja de brinquedos de Lisboa, foi fundada nos finais do século XIX por Thomaz J. Sá Dias. A loja sita na então Rua do Principie — depois 1º de Dezembro (1911) — estabeleceu-se no piso térreo do recém-inaugurado edifício do Hotel Avenida Palace.

Hotel Avenida Palace |c. 194-|
Praça D. João da Câmara, Estação do Rossio e Rua 1.º de Dezembro
Inaugurado em 1892 com o nome de Grande Hotel Internacional, só no ano seguinte se passou a chamar Avenida Palace Hotel.
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Algumas lojas imprescindíveis da minha infância, todas de brinquedos, eram a Biaggio Flora, na Rua Áurea, a Panchito na Av. Guerra Junqueiro, o Bazar do Parque, Arcadas do Estoril, o Pinóquio, nos Restauradores, que, no Natal, tinha um Pai Natal à porta com um cavalinho de peluche que se podia montar e tirar fotografias, e a Kermesse de Paris, que ficava na base do edifício do Hotel Avenida Palace, entre os Restauradores e o Teatro Nacional D. Maria II, com uma selecção incrível de marionetas. [Memória de uma Epifania e outras histórias, Maria João Vaz, 2023]

 

Kermesse de Paris |1912|
Praça D. João da Câmara
A loja de brinquedos funcionava nas arcadas do piso térreo do Avenida Palace Hotel.
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

N.B. Por Edital municipal de 7 de agosto de 1911 a Rua do Príncipe e Largo da Rua do Príncipe passaram a denominar-se Rua Primeiro Dezembro, a data da Restauração em 1640.
Quanto ao Largo D. João da Câmara, até 1924, era o Largo de Camões, já assim denominado em 1858 no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque.

Hotel Avenida Palace |1961|
Grupo de turistas junto à entrada S. do Hotel Avenida Palace e à Kermesse de Paris.
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Rua Augusta com a Rua da Betesga — ou como “meter o Rossio na Betesga”

O prédio que faz gaveto para o velhinho rocio e fica entre as ruas Augusta e da Betesga ocupado pela «Camisaria Confiança», e pelo Hotel Internacional, não pertence ao Rossio, mas sim às ruas Augusta e da Betesga. No antigo edifício havia há cento e cinquenta anos (c. 1880) uma tabacaria que ficou celebre por ser o poiso certo de João de Deus e de alguns dos melhores espíritos d'essa época. [Castilho: 1935]

Rua Augusta com a Rua da Betesga: cena de rua |1922-08-20|
Confluência da Praça de D. Pedro IV com as Ruas da Betesga e Augusta).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A «Camisaria Confiança», sucursal da Fábrica Confiança, foi fundada em 1883, com sede na Rua de Santa Catarina, Porto. Actualmente é um hotel de charme, o Internacional Design Hotel, antes «Hotel Internacional» que sucedeu a um antigo «Hotel Camões», do qual aproveitou a belíssima fachada. Este edifício foi projectado pelo arq. J. C. P. Ferreira da Costa em 1909.

Rua Augusta com a Rua da Betesga: cena de rua |1932-03-28|
Na confluência da Praça de D. Pedro IV, vulgo Rossio, com as Ruas da Betesga e Augusta (da Figura do Rei), um sinaleiro tenta orientar o trânsito numa manhã de segunda-feira soalheira, alegre, barulhenta e de gente sempre agitada. 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto está erradamente identificado no arquivo: «Na rua da Prata, os automóveis voltando para a rua da Conceição»

N.B. No que à «Betesga (rua)» diz respeito», sem se saber ao certo quando este topónimo se fixou na memória de Lisboa, a sua origem está ligada à configuração do arruamento, pois Betesga, palavra de origem obscura, designa uma rua muito estreita, uma ruela ou viela. Por isso surgiu a expressão popular “Meter o Rossio na Rua da Betesga” – aludindo ao contraste entre a amplitude da Praça de D. Padro IV, vulgo do Rossio, e a estreiteza da Rua da Betesga.

Rua Augusta com a Rua da Betesga: cena de rua |c. 1951|
 O ângulo E. do Rossio dá passagem para a R. da Betesga, antigamente muito estreita (de onde o prolóquio meter o Rossio na Betesga), mas alargada e regularizada após 1755, e a qual, limitando ao S. a Praça da Figueira, vai ter, pelo lado E., ao Poço de Borratém.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Rua da Escola Politécnica, 51-55: «Casa das Tesouras»

De acordo com o olisipógrafo Matos Sequeira — reportando-se a uma noticia de um jornal daquela época — terá sido por volta de 1858 que foi construído o edifício dito «das onze portas» (risco do arquitecto Pezerat), dez das quais ficam no lado direito desta rua e uma na Rua do Monte Olivete.
Nele se instalou por volta de 1890, uma famosa alfaiataria de homens, de seu nome «Casa das Tesouras», de José Clemente e que forneceu Lisboa, até aos anos trinta do séc. XX, de capotes, sobretudos,  gabões e fatos de homem. Encerrou em 1935.
(Claus-Günter Frank, Lisboa: À descoberta da metrópole portuguesa, 2019)

Rua da Escola Politécnica, 51-55 |1922-05-03|
«Casa das Tesouras»: Moderníssimo prêt-à-porter do séc. XIX.
Nos baixos deste enorme prédio de dez vãos, fica(va) a Farmácia Albano e a Leitaria Camélia de Ouro. 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Esta artéria –  refere Mestre Norberto de Araújo, a quem vamos sempre seguindo –  , rasgada como larga serventia entre as quintas do Noviciado da Companhia de Jesus e a de D. Rodrigo, fazia a ligação do sítio da Cotovia com o de Campolide, que começava — onde veio a ser o Rato. Antes do Terramoto a rua tinha duas designações para cada um dos seus troços: Rua Direita da Fábrica das Sedas até ao Palácio dos Soares (depois Imprensa Nacional), daí para diante até à actual Praça do Rio de Janeiro [desde 1948 corresponde à Praça do Príncipe Real] era Rua do Colégio dos Nobres, designação que sucedeu à de Rua Direita da Cotovia. Em Setembro de 1859 passou toda a artéria a ser Rua da Escola Politécnica. [Araújo: 1939]

A mágica da «Casa das Tesouras», publicidade

domingo, 16 de novembro de 2025

Profissões de antanho: o cauteleiro

— Quem é que se habilita à sorte, é o 1469 que anda amanhã a roda!

É profissão que jamais acabará. É vê-los por aí, sobretudo pela Baixa, oferecendo a fortuna a toda a gente. No nosso tempo, a cautela, cremos que a vigésima parte do bilhete inteiro, vendia-se por três vinténs!
E não havia barbeiro que, pelo Natal ou Páscoa, não tivesse colado no espelho, em frente do freguês, o bilhete da sorte, para que bem o observasse e comprasse enquanto lhe escanhoava os queixos.
O grande actor Estêvão Amarante, criador admirável de tantos tipos populares de Lisboa, também fez o cauteleiro num quadro de revista, cantando um fado que ficou, como todas as suas criações, na alma do povo, imitando um cauteleiro que era muito conhecido pelo pregão harmonioso e nostálgico com que oferecia a Sorte Grande!

— Quem é que se habilita à sorte, é o 1469 que anda amanhã a roda!

Profissões de antanho: o cauteleiro |entre 1908 e 1914|
Largo de Dom João da Câmara, antigo «de Camões».
Ao fundo observa o afamado Café Suisso.
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente

Nesse tempo, e hoje também, os cauteleiros apregoam por Lisboa e por todo o País, mas sem a cantoria de então.
A dada altura apareceu pelas ruas da Baixa, sem apregoar, um cauteleiro fardado, que oferecia o jogo quase sempre pelos estabelecimentos. Exibia boné agaloado a ouro, sobrecasaca preta com botões amarelos, galões dourados na gola e pasta debaixo do braço, cautelosamente segura por corrente. Era um indivíduo gordo, à volta dos quarenta anos e que, no seu jeito amável, aconselhava, como quem conversa, a jogar na lotaria. Hoje os cauteleiros usam boné de pala e a profissão, aparentemente, deve ser rendosa. Haja em vista o desafogo de certas casas de lotaria! 

— Quem é que se habilita à sorte, é o 1469 que anda amanhã a roda!

Profissões de antanho: o cauteleiro |1922-3-8|
Calçada do Duque com a Rua da Condessa.
Legenda no arquivo: «O coxo das cautelas na Escadinhas do Duque»
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O cauteleiro coxo que me maçava inutilmente? Questiona-se o Desassossegado Bernardo Soares. O velhote redondo e corado do charuto à porta da tabacaria? O velho sem interesse das polainas sujas que cruzava frequentemente comigo às nove e meia da manhã? O dono pálido da tabacaria? O que é feito de todos eles, que, porque os vi e os tornei a ver, foram parte da minha vida? Amanhã também eu me sumirei da Rua da Prata, da Rua dos Douradores, da Rua dos Fanqueiros, [e das Escadinhas do Duque, porque não?]. Amanhã também eu me sumirei da Rua da Prata, da Rua dos Douradores, da Rua dos Fanqueiros. Amanhã também eu — a alma que sente e pensa, o universo que sou para mim — sim, amanhã eu também serei o que deixou de passar nestas ruas, o que outros vagamente evocarão com um “o que será dele?”. E tudo quanto faço, tudo quanto sinto, tudo quanto vivo, não será mais que um transeunte a menos na quotidianidade de ruas de uma cidade qualquer.
(Fernando Pessoa / Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 1931)

Profissões de antanho: o cauteleiro |início séc. XX|
Aguadeiro e cauteleiro junto ao fontanário do Largo Trindade Coelho, antigo de S. Roque. 
Ao centro vê-se a Coluna mandada erguer pela colónia italiana, comemorando o casamento do 
Rei Dom Luís I com Dona Maria Pia de Sabóia em 1862.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
(DINIS, Calderon, Tipos e Factos da Lisboa do meu tempo (1900-1974), p. 276, 1986).

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Ruas Saraiva de Carvalho e Domingos Sequeira

Passada a confluência das ruas de Ferreira Borges è Domingos Sequeira, a Rua Saraiva de Carvalho aproxima-se do seu lanço mais antigo, onde ainda aparecem uma ou outra casa de modesta construção de há cento e tal anos, pátio tipo setecentista desfigurado, no n.º 212 [ao fundo], e umas notas dispersas de poesia urbana antiga. Não oferece, porém, qualquer espécie de interesse em monumental ou em pitoresco. 
[ARAUJO, Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 62, 1939]

Ruas Saraiva de Carvalho e Domingos Sequeira |1961|
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

N.B. No último quartel do século XIX, as Ruas de Santa Isabel e de S. Miguel da Boa Morte passaram a constituir um arruamento único com a denominação de Rua Saraiva de Carvalho, através da publicação do Edital de Municipal de 16/11/1885, em homenagem ao jurisconsulto Saraiva de Carvalho.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Lojas de Antanho — alfaiatarias das Ruas de São Nicolau, dos Sapateiros e dos Correeiros

Foi a Travessa de São Nicolau, atribuída pelo decreto pombalino de 5 de Novembro de 1760 que fixou denominações às ruas da Baixa lisboeta. A denominação deriva da proximidade à antiga igreja de S. Nicolau que foi reedificada pela primeira vez em 1280 e após o Terramoto, quase foi construída toda de novo, com obras que decorreram de 1780 a 1850.

Ruas de São Nicolau e dos Sapateiros |c. 1910|
Alfaiataria Royal House: "Alfaiataria Especial de Fatos para Homem Suprema Elegância"
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Para a Rua dos Sapateiros define o diploma o seguinte: «Nesta Rua he a que medeia entre a Rua Augusta, e a Rua Aurea. Em hum lado della se devem arruar os sapateiros, porque só costumaõ arrar-se os que servem a Plebe; e o outro lado se deixar livre para os Misteres do Povo assima referidos».

Ruas de São Nicolau e dos Correeiros |c. 1910|
Alfaiataria Ingleza
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no abandalhado amL
 

A Rua dos Correeiros (vulgo Travessa da Palha), que foi destinada aos ofícios de Seleiros — recorda-nos Norberto de Araújo nas Peregrinações — ainda hoje [em 1939] subsistentes —, e que se chamou também da Correaria Nova, e Nova dos Correeiros, deve a designação oral, sobrevivente, à vizinhança com o Largo e Praça da Palha.

domingo, 8 de junho de 2025

Avenida da República com a Av. Duque de Ávila

O topónimo Av. Duque de Ávila foi atribuído pela CML por edital de 20 de Novembro de 1902 à nova via pública que ligava a velhinha Estr. do Arco Cego (troço da actual R. de Dona Filipa de Vilhena (1922) à Rua Marquês de Sá da Bandeira.  Actualmente liga esta artéria à Rua Alves Redol.

A «Patisserie Versailles» ocupou a loja do edifício projectado em 1919 pelo arqº Manuel Norte Júnior que se destaca pela sua verticalidade. Com planta rectangular, rés-do- chão e 5 pisos e com telhado a 2 águas. Teve como construtor José Tomaz de Sousa.
Em 1922 Norte Jr. projectara o luxuoso salão de chá em estilo Luís XIV, chamado «Versailles» (e dito «pâtisserie»), que drenava todo o bom tom da Avenida da República e seus limites mais que a «Paulistana», aberta abaixo, em 30, com serviço de bar americano mais à moda, oferecido aos clientes em balcão de bancos altos. [França: 1992]

Avenida da República com a Av. Duque de Ávila |post. 1961|
Gaveto com a Av. Duque de Ávila: nota-se o Colégio Académico, e o edifício projectado pelo arq.º Álvaro Machado, em 1904 onde está instalada a Patisserie Versailles. 
Gonçalves, F., in Lisboa de Antigamente

Fundada em 1922 por Salvador Antunes, um português com formação em pastelaria francesa e apaixonado pela Art Nouveau, a Patisserie Versailles, tem o nome do famoso palácio francês e o seu interior parece mesmo uma sala saída deste. [Santana: 1975]

Avenida da República com a Av. Duque de Ávila |1959|
Obras de mudança de carris. 
Benoliel, Judah, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Lojas de Antanho: Tabacaria Marecos

Casa fundada em 1908 (antes Sapataria Coimbra), propriedade de José Rodrigues Marecos, dono da Tabacaria Mónaco [desde 1916], na Praça de D. Pedro IV, 21.

Desde que me entendi até aos vinte e cinco anos, morei no sítio mais concorrido de Lisboa, isto é, no funil por onde passava tudo que Lisboa tinha de óptimo e bom, no primeiro andar por cima da tabacaria Marecos, na rua do Principe, hoje 1.º de Dezembro, nos tempos em que ainda não existia a estação do Rossio nem o Avenida Palace. (Barbosa, Sempre Fixe, 1927)

Lojas de Antanho: Tabacaria Marecos |1910|
Rua Primeiro de Dezembro, 124 antiga «do Príncipe» 
Á porta da Tabacaria Marecos, na Rua 1.º de Dezembro, frente ao Avenida Palace , cavaqueando desprendidamente com a rapaziada desse tempo, onde havia estudantes, actores, jornalistas, amadores tauromáquicos, e alguns exímios tocadores de guitarra...  [Freire: 1945]
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

A serventia parece que fora chamada pelo vulgo, no tempo de Pombal, depois do Terramoto — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , Rua Nova das Hortas e Rua das Hortas (e que constituiria referência oral à Horta da Mancebia ou a horta dos terreiros do Duque de Cadaval ou dos Condes de Faro, mais para Norte). Antes de 1755 a Rua tinha já o traçado sensivelmente idêntico ao de hoje, e chamava-se Rua de Valverde – lindo nome. ==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 85)

Rua Primeiro de Dezembro |entre 1926 e 1929|
À esq. — no edifico que acabou demolido em 1952 — observam-se as fachadas da Tabacaria Marecos e do Café Suisso tornejando para a Praça D. João da Câmara. 
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

N.B. Por Edital municipal de 7 de agosto de 1911 a Rua do Príncipe e Largo da Rua do Príncipe passaram a denominar-se Rua Primeiro Dezembro, a data da Restauração em 1640.

domingo, 27 de abril de 2025

Lojas de Antanho: Freire-Gravador

O jornal diário A Capital: Diário Republicano da Noite, na sua edição de 29 de Junho de 1916, dedicava um longo artigo às mais antigas e tradicionais lojas da Baixa, mais precisamente aquelas situadas na Rua Áurea, vulgo do Ouro. Sobre a história do estabelecimento denominado Freire Gravador — e respeitando a grafia da época — o texto rezava assim:

No outro quarteirao para o lado do Rocio fica o Freire-Gravador casa de larga fama, como se sabe, que teve a precede-la n'aquelle mesmo sitio, um ourives de importancia. A casa Freire, pelos seus producros em ferro esmaltado, entre os que se se distinguem nas melhores taboletas que se fabricam e Portugal; pelas sua fábrica de carimbos, que nao tem rival, pelas suas officinas de gravura, notabilissimas, occupa, entre as suas congeneres, uma situação de privilegio.==
(A Capital: diário republicano da noite, Guimarães, Manuel, 1868-1938, ed. com., N.º 2106, 26 Jun. 1916)

Lojas de Antanho: Freire-Gravador |1932-03-03|
Rua Áurea (vulgo do Ouro), 158-64 com a Rua da Victoria, 90-96
Fund. 1882 — propriedade de Aires Lourenço Costa Freire. 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Os anúncios pitorescos do Candeias do Intendente, do Clemente dos Gabões, do 92 da Rua Nova do Almada, do Freire Gravador ou do Mergulhão dos Cordões de Oiro, admirá-lo-iam decerto muito mais do que o reclamo do francês António la Fissière, alfaiate dos tafuis que dizia fazer e alugar fraques e os mais hábitos da modernice, ou do sapateiro que intitulava o seu estabelecimento de Real Fabrica de Botas Elásticas porque nela se servem ambos os sexo, e se acha a famosa invenção dos canhões postiços.

 

A unica fabrica
“Este anúncio é um labirinto, um novelo, uma teia!.
que ha completa na Europa
      ** PREMIADO
      COM 3  * * * *
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ra repartições e companhias,
carimbos de metal, borracha
e  para  lacre,   numeradores,
timbragem a côres, ouro, em
relevo, monogrammas e bra-
sões,  prensas, balancés, cu-
nhos,  alicates para sellar  a
chumbo,  fabrica de chapas
esmaltadas em metal e ferro,
gravura em pedra e seus an-
neis, lithographia,  typogra-
phia, papelaria ferragens, bi-
lhetes, trabalhos superiores,
é a casa ==============
A. L. FREIRE GRAVADOR
o qual  tem feito viagens  de
estudo á Allemanha, Austria,
Inglaterra, França, etc, é um
estab elecimento de  muitos
artigos. Preços baratissimos
com os quaes ninguem pode
competir =============
Mandam-se as encommendas
para a provincia á cobrança =

Em tudo se tem avançado, até nisto. O progresso no tocante às tabuletas vai de vento em popa e de velas inchadas. Desde o «Sempre por bom caminho e segue» dos «Armazéns Grandella» à Única Loja que Vende Barato de que se ufanam em letras pintadas tantas lojas de Lisboa, todas únicas, já se vê; da firma Faria & Filhos a que pertence uma botica ao Bom Sucesso (veja-se a coincidência!) a um Silva & Mata alfaiates que representa, evidentemente, uma vingança daquela aranha que foi morta por sete, há de tudo nas tabuletas e fachadas de Lisboa, a desafiar a crítica mordaz [...] encontra-se, porém, matéria para variadas e desenfastiadas cogitações filosóficas. Experimente-o, comigo, o paciente leitor. As casas de vinho, tabernas e botequins, como naquela no caminho para o alto de S. João, com a famosa legenda de «Reparem à ida, à volta cá os espero», que é um convite pagão de folia fúnebre para os carpideiros da praxe!==
(SEQUEIRA Gustavo de Matos). RELAÇÃO de Vários Casos Notáveis e Curiosos Sucedidos em tempo na cidade de Lisboa e em outras terras de Portugal, p. 58, 1925)

Lojas de Antanho: Freire-Gravador |c. 193-|
Rua Áurea, 158-64 com a Rua da Victoria, 90-96
Na última página deu com um grande anúncio, dois palmos de mão ancha, representando,
ao alto, à direita, o Freire Gravador, de monóculo e gravata, perfil antigo, e por baixo, até
ao rodapé, uma cascata doutros desenhos figurando os artigo fabricados nas suas oficinas, 
únicas que merecem o nome de completas, com legendas explicativas.
(SAMAGO, Jose O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984)
AFG, in Lisboa de Antigamente

N-B. Aires Lourenço Costa Freire, natural de Penela. Alcançou rapidamente uma boa reputação nacional, tendo além da sua loja na Rua Aurea (A. L. Freire-Gravador), um armazém na Calçada de S. Vicente e uma fábrica no Beco dos Clérigos, no bairro de Alfama em Lisboa. Mais tarde, muda a sua fábrica para estrada Paço de Arcos-Cacém. Aires Costa Freire detentor de grande fortuna, foi benemérito tendo construído um bairro para os seus trabalhadores no Dafundo, Algés, e cujas habitações ao fim de uns anos reverteriam para os próprios. O estabelecimento terá encerrado na década de 1960. (arquivodigital.cascais.pt)

Lojas de Antanho: Freire -Gravador, oficina |1932-03-03|
Rua Áurea, 158-64 com a Rua da Victoria, 90-96
Fund. 1882, por Aires Lourenço Costa Freire, fechou portas década de 1960.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

terça-feira, 1 de abril de 2025

Café Chave d'Ouro: o maior café do Rossio (1916-1959)

O Chave d'Ouro foi não só o maior, mas também um dos mais emblemáticos cafés e salões de chá do século XX lisboeta, orgulhando - se na imprensa de fazer o chá e o café com água do Luso. Aberto ao público em 1916, tomou o espaço de uma antiga loja de ferragens, da qual reteve o respetivo nome comercial. Na segunda metade dos anos 30 foi totalmente remodelado pelo arquiteto Norte Júnior, autor da decoração original, na qual se destacara o enorme anjo que então decorava a fachada deste estabelecimento. O novo Chave d'Ouro abriu as suas portas em Fevereiro de 1936, tendo merecido uma página inteira no Diário de Lisboa, que realçou as suas «duas rentes — Rossio e Primeiro de Dezembro — sete andares, nove pavimentos, central — o grande café — galeria de café; salão de bilhares, salão de chá, restaurante, esplanada, cinco bares [...] » e até «11 400 lâmpadas».¹

Café Chave d'Ouro: o maior café do Rossio de 1916 a 1959 |1923-05-10|
Praça D. Pedro IV, 33-38
Nota(s): Esta fotografia integra a reportagem "A Festa da Flor" em Lisboa. Foi coroada do melhor êxito,
sendo importantes os donativos alcançados", publicada no jornal 'O Século' de 10 de Maio de 1923.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Eram 5 da tarde e o Café Chave d'Ouro, no Rossio, no topo superior da grelha da Baixa, o coração da cidade , estava cheio de gente. Ainda não fazia frio e as janelas estavam todas abertas. Laura van Lennep tinha-se sentado ao pé de uma dessas janelas e olhava repetidamente para a praça. Tinha diante dela a pequena chávena de café que pedira há hora e meia, quando chegara, mas os empregados não a incomodavam. Já estavam habituados.

Café Chave d'Ouro: o maior café do Rossio entre 1916 e 1959 |c. 1940-50|
Praça D. Pedro IV, 33-38
Anote-se o anjo esculpido em pedra de lioz e ferro, projecto de Fausto Fernandes. Á dir. observa-se a afamada Joalharia Lory. 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Distraidamente, ia ouvindo a conversa duma mesa de refugiados que falavam francês com forte sotaque. Os dois homens tinham visto camiões do exército na Baixa, de manhã cedo, e desenvolviam uma fantástica teoria de invasão que não contribuiu nada para acalmar Laura. Não podia suportar a inércia daquela gente, que sabia vir de uma pensão a três prédios da sua, na rua de S. Paulo, por trás do Cais do Sodré. Tinha-os ouvido na rua, corrigindo-se mutuamente acerca de aristocratas que tinham conhecido em festas, como se isso tivesse sido na semana passada, e não noutro país e noutra década. Estava desesperada por não ter cigarros, e o homem que ia mudar a sua vida, que tinha prometido mudar a sua vida, não chegava.²

 

Café Chave d'Ouro: o maior café do Rossio de 1916 a 1959 |1959|
Praça D. Pedro IV, 33-38 
Frontaria estilo Art Déco após remodelação, em 1936. e onde se destacam as grandes chaves pintadas de ambos os lados da entrada no dia em que foi encerrado.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ WILSON, Robert W, Último Acto em Lisboa.1941
² SANTOS, João Moreira dos, Roteiro do Jazz na Lisboa dos anos 20-50 : guia ilustrado de 40 espaços históricos dos primórdios do Jazz em Portugal 2012.

sexta-feira, 7 de março de 2025

Lojas de Antanho: F. H. D' Oliveira & C.ª (fund. 1895)

Por delib. da Câmara de 09/09/1878 e edital de 13 do mesmo mês e ano, foi dada a denominação de Rua 24 de Julho à parte do aterro ocidental construída no prolongamento daquela Rua, que começando na praça de D. Luís terminava no caneiro de Alcântara.

«F. H. D' Oliveira & C.ª (Irmão)» Casa fundada em 1895, loja de madeiras e materiais de construção e cantaria.
Madeiras nacionaes e eetrangeiros. Cantarias lagedoe e cascõcs. Fábticas de cal, ladrilhos. mosaicos, polvora e exploração de pedreiras no AIvito - Aleantara e Paço d'Arcos. Exportação para Africa,Bratzil eIlhas.  Escrpitório, Rua Vinte e Quatro de Julho,. 632.

Lojas de Antanho: F. H. D' Oliveira & C.ª  fund. 1895  |c. 1909|
Antiga Rua Vinte e Quatro de Julho, 630-632, a
ctualmente Avenida 24 de Julho, 150-152.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Em 2 de Janeiro de 1931 muda de ramo de negócio com a inauguração de um novo stand como representante dos automóveis "De Soto" e camiões "Fargo".

Avenida 24 de Julho |1965|
Enquadramento do edifico n.º 150-152 junto ao cruzamento com a Av. Infante Santo; "Hotel Residencial Infante Santo" inaugurado em 1957, propriedade da firma F. H. D' Oliveira.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

domingo, 24 de novembro de 2024

Rua da Prata, 257: Ourivesaria da Moda

Ourivesaria fundada em 1906 por António Esteves de Araújo, mantém-se na mesma família há 4 gerações. No interior, o ex-libris da casa, uma fonte em prata maciça com 2 metros de altura, dá-nos as boas-vindas. Especialistas em peças tradicionais portuguesas, o destaque vai para as jóias em filigrana, feitas artesanalmente com fios muito finos em ouro ou prata.
António Esteves de Araújo viera do Minho aos 11 anos à procura de melhores condições, tendo trabalhado numa mercearia até aos 16 anos altura em que passou a trabalhar na Ourivesaria do torreão do Mercado da Praça da Figueira. Depois disso entrou na Ourivesaria da Moda passando a decidir os seus destinos. Nos anos quarenta expandiram o espaço ocupando uma manteigaria na Rua da Prata [na dir. baixa] e uma loja de vidros na Rua de Sta. Justa, ficando assim com 4 montras para a Rua da Prata e 2 para a Rua de Sta. Justa. Nos finais dos anos 50 adquiriram um deposito de tabacos o que permitiu nova ampliação do lado da Rua de Sta. Justa. Chegou-se assim à loja actual. [circulolojas.org]

Rua da Prata, 257: Ourivesaria da Moda |191-|
Esquina com a Rua de Santa Justa, 34
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

domingo, 29 de setembro de 2024

Igreja de São Domingos

S. Domingos — Dilecto — é uma crónica viva de Lisboa, com as suas imediações da Praça da Figueira, com o seu trânsito obrigatório, pela Rua Barros Queiroz e Calçada do Garcia, formigueiros de gente, que desce dos Anjos, dos bairros novos, ou de Sant'Ana velha. [...]

Junto do templo dominicano, assentava, crê-se que já antes de se erguer o Convento, a pequenina ermida de N. Senhora da Purificação, da Escada, de grande nomeada na Lisboa velha; o seu lugar era onde está a Casa de Candeeiros, que foi de Tomé de Barros Queiroz, bom cidadão de Lisboa (...)»

Igreja de São Domingos [c. 1910]
Rua Barros Queirós; Largo de S. Domingos; Ginjinha do Rossio
A velha Igreja de São Domingos ficava junto à ermida de Nossa Senhora da Escada, também conhecida por Nossa Senhora da Corredoura, por ficar próximo do sítio deste nome, actualmente a Rua das Portas de Santo Antão, e cuja construção datava dos princípios da monarquia.
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Tendo sido lançada a primeira pedra no ano de 1241, e alvo de sucessivas e diferentes campanhas de obras que lhe foram alterando e adicionando a traça primitiva, data de 1748 a reforma efectuada na capela-mor pelo arqº Ludovice, acabando por ser a única zona do templo poupada ao terramoto de 1755. Seguidamente, a igreja foi reconstruída por Manuel Caetano de Sousa, que reaproveitou o portal e a sacada sobrejacente pertencentes à Capela-Real do Paço da Ribeira.
Em termos formais, esta Igreja conventual denuncia uma arquitectura barroca, de planta em cruz latina. Enquanto que exteriormente é caracterizada pelas suas linhas simples, o interior ainda revela alguma da sua notória riqueza ecléctica. Assim, serão dignos de realce, não apenas o aspecto grandioso de todo o espaço interior, como os próprios mármores e pinturas, infelizmente hoje desaparecidos.

Era notável a sua riqueza em alfaias preciosas, havendo uma imagem de prata maciça, que saía em procissão num andor do mesmo metal, alumiada por lâmpadas também de prata. As pinturas dos altares, os paramentos, os tesouros, tudo desapareceu durante o terramoto de 1755, salvando-se unicamente a sacristia e a capela-mor, mandada fazer por D. João V e riscada pelo arquitecto João Frederico Ludovice, em 1748 - homem que projectou o colossal Convento de Mafra. A capela-mor, toda de mármore negro, e em cujas colunas se vêem, junto à base, medalhões delicadamente cinzelados, que também avultam sobre os nichos laterais.
 
Igreja de São Domingos |Inicio séc. XX|
Perspectiva longitudinal do interior da Igreja
A Capela-mor, edificada em 1748 por Ludovice e acabada por João António de Pádua é rematada
por um arco de volta perfeita que marca a outra extremidade da abóbada de berço e possui quatro
grandes colunas sem capitel que delimitam o receptáculo do Sacrário com porta de bronze. O conjunto
é rematado por formação escultórica ladeando o registo central, duas mísulas com as estátuas de
S. Domingos e S. Francisco. Nas paredes laterais, janelas ao nível do grupo escultórico superior.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Em 13 de Agosto de 1959, um violento incêndio destruiu por completo a decoração interior da igreja, onde constavam altares em talha dourada, imagens valiosas e pinturas de Pedro Alexandrino de Carvalho. A igreja recebeu obras e reabriu ao público em 1994, sem esconder as marcas do incêndio, como as colunas rachadas. Ainda que destruída, é uma igreja que sobressai pela policromia dos seus mármores. 
Actualmente é a igreja paroquial da freguesia de Santa Justa e Santa Rufina, em plena Baixa Pombalina e foi classificada como Monumento Nacional. Expõe metade do lenço usado por Lúcia no dia 13 de Outubro de 1917 (a outra metade encontra-se no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Fátima) e ainda o terço usado por Jacinta Marto no mesmo dia.

Igreja de São Domingos, abside e torre sineira |c. 1950|
Rua Dom Duarte cruzamento com a Rua da Palma  e Rua Barros Queirós
Numa passagem para a sacristia, com entrada pela Rua da Palma, encontram-se os túmulos do grande pregador dominicano Fr. Luís de Granada (m. 1588) e do reformador da ordem Fr. João de Vasconcelos (m. 1652). Esta igreja tem ainda uma cripta abobadada e dotada de lambris de azulejos, onde está o túmulo de D. João de Castro, capelão de D. João. 
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa», vol. XII, p. 80, 1939.
CARRIÇO, Hugo Miguel, Informação sobre igrejas de Lisboa, 2017.
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