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domingo, 21 de junho de 2026

Rua de Barros Queirós que foi Tv. de S. Domingos

Sobre o sítio de S. Domingos refere Norberto de Araújo o seguinte:
S. Domingos — Dilecto — é uma crónica viva de Lisboa, com as suas imediações da Praça da Figueira, com o seu trânsito obrigatório, pela Rua Barros Queiroz e Calçada do Garcia, formigueiros de gente, que desce dos Anjos, dos bairros novos, ou de Sant'Ana velha. [...] [Araújo: 1939]

Rua de Barros Queirós que foi Tv. de S. Domingos (até 1926) |1970|
Na direcção do Largo de S. Domingos.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

A antiga Travessa de S. Domingos é actual Rua de Barros Queirós, em homenagem a "Tomé José de Barros Queiroz" — como refere Velloso no seu utilíssimo livrinho sobre as ruas de Lisboa:
Domingos (travessa nova de S.) primeira á esquerda na rua nova do Amparo, indo da rua do Amparo e finda na rua nova de S. Domingos, freguezia de Santa Justa 2 a 56 e 1 a 69. [Velloso: 1869]

A este topónimo foi inicialmente acrescentada a legenda «Ilustre cidadão, vereador da 1ª Câmara Municipal Republicana de Lisboa - 1926». Mais tarde, por parecer da Comissão Municipal de Toponímia em reunião de 19/05/1950, retiraram-se dos letreiros as palavras “Ilustre Cidadão – Vereador da 1ª Câmara Municipal de Lisboa – 1926” e acrescentou-se a partícula “de”.

Rua de Barros Queirós que foi Tv. de S. Domingos (até 1926) |1970|
Perspectiva tomada da R. Dom Duarte com a R. da Palma.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Vendedeira ambulante de bolos

Chegada com seu burrico às ruas da Baixa Pombalina, a vendedora de bolos começa a preparar o equipamento necessário para montar o estaminé para a venda.

A Baixa de Lisboa, também chamada Baixa Pombalina ou Lisboa Pombalina por ter sido edificada por ordem do Marquês de Pombal, na sequência do terramoto de 1755, cobrindo uma área de cerca de 255 ha. Situa-se entre o Terreiro do Paço, junto ao rio Tejo, Rossio e a Praça da Figueira, e longitudinalmente entre o Cais do Sodré, o Chiado e o Carmo, de um lado, e a Sé e a colina do Castelo de São Jorge, do outro.

Vendedeira ambulante de bolos |1922-02-22|
Rua Augusta esquina com a Rua de Sao Nicolau. As portadas em ferro que se vêem ao fundo pertenciam ao antigo edifício do Banco Português do Atlântico, entretanto demolido.
Nota(s): local da foto não está identificado no arquivo.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Rua Augusta com a Rua da Betesga — ou como “meter o Rossio na Betesga”

O prédio que faz gaveto para o velhinho rocio e fica entre as ruas Augusta e da Betesga ocupado pela «Camisaria Confiança», e pelo Hotel Internacional, não pertence ao Rossio, mas sim às ruas Augusta e da Betesga. No antigo edifício havia há cento e cinquenta anos (c. 1880) uma tabacaria que ficou celebre por ser o poiso certo de João de Deus e de alguns dos melhores espíritos d'essa época. [Castilho: 1935]

Rua Augusta com a Rua da Betesga: cena de rua |1922-08-20|
Confluência da Praça de D. Pedro IV com as Ruas da Betesga e Augusta).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A «Camisaria Confiança», sucursal da Fábrica Confiança, foi fundada em 1883, com sede na Rua de Santa Catarina, Porto. Actualmente é um hotel de charme, o Internacional Design Hotel, antes «Hotel Internacional» que sucedeu a um antigo «Hotel Camões», do qual aproveitou a belíssima fachada. Este edifício foi projectado pelo arq. J. C. P. Ferreira da Costa em 1909.

Rua Augusta com a Rua da Betesga: cena de rua |1932-03-28|
Na confluência da Praça de D. Pedro IV, vulgo Rossio, com as Ruas da Betesga e Augusta (da Figura do Rei), um sinaleiro tenta orientar o trânsito numa manhã de segunda-feira soalheira, alegre, barulhenta e de gente sempre agitada. 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto está erradamente identificado no arquivo: «Na rua da Prata, os automóveis voltando para a rua da Conceição»

N.B. No que à «Betesga (rua)» diz respeito», sem se saber ao certo quando este topónimo se fixou na memória de Lisboa, a sua origem está ligada à configuração do arruamento, pois Betesga, palavra de origem obscura, designa uma rua muito estreita, uma ruela ou viela. Por isso surgiu a expressão popular “Meter o Rossio na Rua da Betesga” – aludindo ao contraste entre a amplitude da Praça de D. Padro IV, vulgo do Rossio, e a estreiteza da Rua da Betesga.

Rua Augusta com a Rua da Betesga: cena de rua |c. 1951|
 O ângulo E. do Rossio dá passagem para a R. da Betesga, antigamente muito estreita (de onde o prolóquio meter o Rossio na Betesga), mas alargada e regularizada após 1755, e a qual, limitando ao S. a Praça da Figueira, vai ter, pelo lado E., ao Poço de Borratém.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Esquina da Rua Augusta com a Rua da Conceição

Sobre a Rua da Conceição refere a Portaria de 1760 que «Assim se denominará a segunda das referidas seis traveças, e nella se acommodorão os Mercadores de logens de retroz», pelo que não é estranho que o arruamento também tenha sido vulgarmente conhecido como Rua dos Retroseiros ao longo do século XIX.

A 6 de Setembro de 1918, é autorizada a constituição do Banco Industrial Português, como sociedade anónima de responsabilidade limitada. A escritura de constituição de sociedade foi celebrada em 14 de Fevereiro de 1920, com um capital de 5.000 contos, elevado em Março de 1923 para o dobro. Em 5 de Novembro de 1925 abre falência.

Esquina da Rua Augusta com a Rua da Conceição |1930-01-12|
Banco Industrial Português
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto está erradamente identificado no arquivo

domingo, 4 de janeiro de 2026

Elevador de Santa Justa e a formidável audácia do seu construtor

Quando há tempos se celebrou o centenário do nascimento de Eiffel, o famoso realizador de tantas obras de engenharia que assombraram o Mundo, no último quartel do século XIX, houve quem lhe atribuísse também a construção do elevador de Santa Justa.
Não é verdade.

O popular ascensor instalado no centro da Baixa é obra de um engenheiro português que, se não alcançou a fama de Eiffel, nem por isso é menos digno de ser recordado com simpatia e admiração por todos os portugueses.
Chamava-se ele Raúl Mesnier Ponsard (1848-1914). A origem francesa do seu apelido não invalida a sua qualidade de português. Embora descendendo de pais franceses, nasceu em Portugal (Porto) e aqui realizou toda a sua obra que é notável e merece ser lembrada.
Raúl Mesnier nascera com decidida vocação para a engenharia. Feitos os seus cursos com raro brilho, dedicou-se a pequenos inventos e aplicações mecânicas, tendo publicado diversas obras e realizado alguns aperfeiçoamentos em armas de fogo.
Mas, na realidade, ele nascera para dar vida às construções audaciosas que dominam o espaço, e essa tendência em breve se deveria manifestar.
Animado de ardor juvenil, traçou planos extraordinários, ideou construções grandiosas, tudo destinado a vencer as distâncias, a galgar as alturas.
Portugal, país montanhoso, acidentado, de grandes depressões e vertiginosas alturas, e Lisboa, em especial, construída sobre sobranceiras colinas, eram o campo em que a sua actividade e os seus projectos melhor podiam encontrar aplicação.
De princípio a sua energia, a sua audácia e o seu enorme espírito de iniciativa esbarraram contra a rotina, destino a que raramente são poupados os grandes inovadores. Consideraram-no doido, visto as suas concepções excederem a esfera das ideias de então.

Corte vertical do Elevador de Santa Justa, segundo projecto inicial do eng. Raúl Mesnier Ponsard

Mais tarde, quando a sua reputação já estava firmada, Raul Mesnier comprazia-se em recordar que tendo nesses primeiros tempos solicitado o auxílio do então poderoso banqueiro Moura Borges pouco faltara para que este lhe batesse.
Mesnier soube, porém, persistir e venceu. Os capitais, vencida a primeira desconfiança, começaram a afluír seduzidos pela audácia e clareza dos seus projectos. Assim se formou a base material indispensável à realização dos seus arrojados planos.
Em 1880 foi encarregado de dirigir a construção do elevador do Bom Jesus do Monte, em Braga, que foi o primeiro que se construiu no nosso País. Dois anos depois, as obras estavam terminadas, e eram feitas as experiências que alcançaram o mais lisonjeiro êxito, assegurando assim o futuro do novel engenheiro.
A seguir, em 1884, foi construído, sob o seu projecto, o elevador da Calçada da Glória. A este seguiram-se os do Lavra, da Estrela-Camões da Bica, e do Largo do Município, também conhecido como elevador da Biblioteca ou elevador de S. Julião,
Finalmente, no princípio deste século, Raul Mesnier empreendia a realização do elevador de Santa Justa ao Carmo que pode ser considerado o capítulo mais notável desta prodigiosa actividade desenvolvida no espaço de vinte anos apenas.

Elevador de Santa Justa (ou do Carmo)
A Torre de Santa Justa, como soberbo Miradouro.
Postais ilustrados, post.1902, in Lisboa de Antigamente

De facto, a construção deste ascensor foi a que mais contribuiu para consagrar os inegáveis méritos deste ilustre engenheiro. Mais de trinta anos volvidos sobre a sua inauguração, a enorme construção metálica não manifestava o mais leve sinal de velhice. Ainda hoje, a sua enorme torre e o extenso viaduto que liga esta às ruínas do Carmo, suscitam de quem visita Lisboa um olhar de admiração pelas suas proporções grandiosas. Décadas de progressos mecânicos incessantes nada diminuíram ao ascensor a sua primitiva imponência.
Começaram as obras com a construção da enorme torre metálica que, partindo das Escadinhas de Santa Justa, junto à Rua Áurea, se havia de erguer até ao nível do Largo do Carmo, ou seja, a uma altura de 32 metros aproximadamente.
Realizada esta primeira parte da obra e de modo que honra a indústria portuguesa, uma outra não menos complexa restava fazer estabelecer a ligação entre o tabuleiro da torre e a faixa de terreno situado a par das ruínas do mosteiro do Carmo. Para tal, tornava-se necessário lançar entre os dois pontos um viaduto e essa operação fizera surgir uma série de incidentes que só o engenho e persistência de Raul Mesnier lograriam vencer.
Este viaduto, como é sabido, partindo do tabuleiro da torre, passa sobre a Rua do Carmo, mais adiante sobre um prédio que era ao tempo propriedade do conde de Tomar, e vai desembocar no terreno que contorna as ruínas do museu do Carmo e estabelece ligação com o largo do mesmo nome.
Ora o problema seria de solução relativamente fácil se sobre o prédio em questão se pudesse estabelecer um ponto de apoio para o viaduto.
Mas, ou por insuficiente resistência do edifício ou por oposição do proprietário, o certo é que essa ideia não pôde ser posta em prática. Necessário se tornou por isso construir os fortes pilares que se encontram situados ao começo das escadinhas, junto à Rua do Carmo.

Elevador de Santa Justa (ou do Carmo)
Na «enorme torre de metal pintado de cinzento, o grande elevador» que «tem qualquer coisa de impressionante, de juslesvernesca, um ar de máquina para visitar a lua»...
Postal ilustrado, post.1902, in Lisboa de Antigamente

Por outro lado, a Câmara Municipal opunha-se a que nas obras a realizar fossem empregados tapumes ou andaimes que prejudicassem o trânsito intenso das importantes artérias interessadas.
Nestas difíceis circunstâncias, Raul Mesnier lançou mão dum processo curioso, cuja extrema simplicidade mais põe ainda em evidência as admiráveis faculdades do ilustre engenheiro.
Fez em primeiro lugar construir os pilares sobre o local em que ainda hoje se encontram, mas montados sabre uma espécie de charneira provisória que, após as obras terminadas, desapareceu para dar lugar ao fundamento fixo que hoje têm.
Nesta altura, os pilares, repousando sobre o seu pedestal articulado, achavam-se inclinados sobre a Rua Áurea e apoiavam-se contra a torre metálica já construída.
No sentido da altura da torre e fixado pelo meio ao pilar foi então construído o viaduto ou ponte com 25 metros de comprimento e cerca de vinte toneladas de peso.
O lançamento do viaduto fazia-se então da forma mais fácil possível: os pilares, que como dissemos se achavam inclinados e apoiados à torre eram puxados do Largo do Carmo até atingirem a posição vertical. Ao mesmo tempo, o tabuleiro que se encontrava ligado pelo meio aos pilares no sentido vertical era puxado do alto da torre pela extremidade inferior o que o obrigava a descrever um arco de círculo até ficar na posição horizontal estabelecendo assim a ligação entre a torre e o Largo do Carmo.

Elevador de Santa Justa (ou do Carmo)
A ponte, com decoração neo-gótica, tem 25 metros de comprimento.
Postais ilustrados, post.1902 e 1950, respectivamente., in Lisboa de Antigamente

Fixou-se o dia 31 de Agosto de 1901 — um sábado para a realização da difícil manobra. Foi de sensação em Lisboa o acontecimento. A complexa operação teve início às duas horas da tarde, presenciada por uma multidão ansiosa que de todos os pontos da Baixa e sobre os telhados vizinhos seguiu atenta as diversas fases da manobra.
Tudo correu como o grande engenheiro previra, demonstrando-se, assim, a justeza dos seus cálculos.
Durante cerca de três horas e meia a pesada massa de ferro descreveu os movimentos previstos até que a ligação se fizesse.
Pouco passava das cinco horas e meia da tarde quando a comunicação se estabeleceu. Foi um operário de nome Luiz Pinto de Oliveira a primeira pessoa que atravessou o viaduto, calcorreado depois por algumas gerações de passageiros desejosos de se furtarem às fadigas duma subida a pé pelo Chiado.
Para que nada faltasse a este espectáculo, que teve a assisti-lo alguns milhares de curiosos, foi ele interrompido por um incidente que, sem ter consequências, produziu enorme emoção. Foi o caso que em determinada altura da trajectória da ponte se notou que um fio eléctrico interceptava a passagem desta, de tal modo que o movimento não poderia continuar sem quebrar o fio, o que não se faria sem riscos para os que assistiam à manobra.
Uma extraordinária cena teve então lugar ante o pasmo de quantos acompanhavam as diversas fases do lançamento do tabuleiro. Viu-se dois aprendizes de cerca de quinze anos de idade saltarem para o tabuleiro que oscilava no espaço e, apoiando-se nas réguas metálicas que o formavam, treparem em direcção à extremidade superior a fim de desembaraçarem a ponte do imprevisto obstáculo. O fio eléctrico, porém, ficava nesse momento sob a face inferior do tabuleiro e, portanto, fora do alcance dos audaciosos aprendizes.
Um deles retrocedeu com o fim de buscar ferramenta, mas o outro mais destemido, passou o cinto em volta duma das réguas da ponte e fazendo dele apoio, debruçou-se no espaço, colheu o fio com as mãos e fê-lo passar para o lado oposto do tabuleiro, deixando desimpedido o caminho à enorme massa metálica que em breve retomava o seu vagaroso movimento. Chamavam-se os dois heróis desta aventura Luiz Pinto e Luiz Burra, «dois luízes de bom quilate», como então dizia o Diário de Notícias comentando o facto. Bem possível é que ainda vivam e que se ufanem dessa temerária proeza que deixou suspensa de emoção durante alguns momentos quási toda a Lisboa de há trinta anos.

Elevador de Santa Justa (ou do Carmo)
O último piso ergue-se a uma altura de 41 mt.
Postal ilustrado, post.1902, in Lisboa de Antigamente

Uma única nota discordante se registou neste surpreendente espectáculo de que Lisboa inteira falou durante muito tempo. Foi o protesto dos lojistas da Rua Nova do Carmo contra a escolha da hora para a manobra que em seu entender deveria ter-se realizado durante a madrugada. A enorme afluência de curiosos fizera paralisar, por completo o trânsito nas imediações do ascensor, dificultando o comércio e justificando esta "aclamação" a que os jornais da época fizeram referência.
Como dissemos, o lançamento da ponte realizou-se, no meio de grande pompa, em Outubro de 1901, na presença de el-rei D. Carlos. Em Junho do ano de 1902, teve Raul Mesnier a alegria de ver inaugurar-se o elevador que de então para cá tantos serviços tem prestado. E a caranguejola, como ele se comprazia em chamar-lhe, funcionou sempre às mil maravilhas.

Elevador de Santa Justa (ou do Carmo) quando ainda funcionava a vapor
 Um dos mais interessantes atractivos de Lisboa, de onde se abrange uma panorâmica que foge à vista do observador.
Postais ilustrados, post.1902, in Lisboa de Antigamente

N.B. Raúl Mesnier Ponsard (1848-1914), o homem que mais elevadores construiu em Portugal, é uma figura curiosa que mereceu ser recordada e que tem jus à nossa admiração.
O sonho de toda a sua vida foi sempre construir esses engenhos destinados a vencer as alturas. E morreu levando consigo o projecto, admiravelmente utópico, de reunir as sete colinas da cidade por gigantescos transportadores aéreos que passeassem no espaço, entre uma e outra extremidade da capital, os que assim pretendessem deslocar-se...==

Elevador de Santa Justa (ou do Carmo)
Autoria do engenheiro Raoul Mesnier du Ponsard e do arquitecto Louis Reynaud, foi inaugurado na tarde de 10 de Julho de 1902, fazia a ligação entre as Rua do Ouro e de Santa Justa e o Largo do Carmo. 
Postal ilustrado, post.1902, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
Arquivo nacional, 1940. Gazeta dos Caminhos de Ferro, 1902.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, 1939
JANEIRO, Maria João, Lisboa: histórias e memórias, 2006.
COSTA, Mário, O Chiado pitoresco e elegante, 1987
Guia de Portugal: 1924.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Lojas de Antanho — alfaiatarias das Ruas de São Nicolau, dos Sapateiros e dos Correeiros

Foi a Travessa de São Nicolau, atribuída pelo decreto pombalino de 5 de Novembro de 1760 que fixou denominações às ruas da Baixa lisboeta. A denominação deriva da proximidade à antiga igreja de S. Nicolau que foi reedificada pela primeira vez em 1280 e após o Terramoto, quase foi construída toda de novo, com obras que decorreram de 1780 a 1850.

Ruas de São Nicolau e dos Sapateiros |c. 1910|
Alfaiataria Royal House: "Alfaiataria Especial de Fatos para Homem Suprema Elegância"
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Para a Rua dos Sapateiros define o diploma o seguinte: «Nesta Rua he a que medeia entre a Rua Augusta, e a Rua Aurea. Em hum lado della se devem arruar os sapateiros, porque só costumaõ arrar-se os que servem a Plebe; e o outro lado se deixar livre para os Misteres do Povo assima referidos».

Ruas de São Nicolau e dos Correeiros |c. 1910|
Alfaiataria Ingleza
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no abandalhado amL
 

A Rua dos Correeiros (vulgo Travessa da Palha), que foi destinada aos ofícios de Seleiros — recorda-nos Norberto de Araújo nas Peregrinações — ainda hoje [em 1939] subsistentes —, e que se chamou também da Correaria Nova, e Nova dos Correeiros, deve a designação oral, sobrevivente, à vizinhança com o Largo e Praça da Palha.

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Cruzamento da Rua Áurea com a Rua da Santa Justa: a «calçadinha do tijolo»

Tijolo (calçadinha do) denominação dada pelo vulgo á parte que vae da antiga rua nova do Carmo até á rua Aurea, na então travessa de Santa Justa. [Velloso, 1869]

A Senhora D. Alzira, uma querida e muito simpática idosa com os seus oitenta e oito anos, portuense de gema, criada no seio dos mais simples e desfavorecidos habitantes da Invicta, acompanhada pelo marido, o Senhor Alfredo, uns anos mais jovem, davam início a mais uma madrugada na venda de jornais, junto à montra da ourivesaria Torres [antiga Casa de chapéus e modas Jsyme Pinto, vd. 2ª imagem], no cruzamento da Rua de Santa Justa com a Rua Áurea, precisamente no local de acesso ao Elevador de Santa Justa.
(Alexandre Nunes, Antologia do presente, passado e futuro, 2015)

Cruzamento da Rua Áurea (vulgo do Ouro) com a Rua da Santa Justa |1922-08-18|
O Marco Postal que se observa na imagem — um dos primeiros a ser colocado
nas ruas da capital — é um modelo de 1895. 

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

No tempo do Livro das Grandezas de Lisboa (1620) havia na cidade «40 calçadores de calçadas».
 
Este trecho entre as duas artérias era chamado, por volta de mil oitocentos e troca o passo, de «calçadinha do tijolo», devido ao pavimento ser de tijolo. No início da década de 1920, podia ver-se, a nordeste, a Tabacaria Mendes & Rodrigues (à esq. na 1º imagem e actualmente Perfumaria Vogue) e, a sudeste, a Relojoaria Batalha [v. aqui], que ainda actua no mesmo ramo, agora com o nome Relojoaria Suíça — qualquer delas já encerradas. [Dias: 1998]

Cruzamento da Rua Áurea (vulgo do Ouro) com a Rua da Santa Justa |1922-08-20|
A calçadinha do Tijolo, assim chamada, por ser toda ladrilhada; ha quarenta annos, ainda se notavam na calçadinha velhissimos tijolos postos a pino, que o progresso substituiu pelo macadame.» [O recreio: 1890]
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 26 de janeiro de 2025

O Hotel Francfort de «Santa Justa»

Ora, Dilecto, enfiemos pela esquerda da Rua de Santa Justa, onde, n.ºˢ 70-72, está o Hotel Francfort (de Santa Justa, chamado).
Este Hotel, mais antigo do que o seu irmão do Rossio, foi fundado em 1867, por D. Joaquim Silva, e coube em partilhas a um filho, João Narciso da Silva, já falecido, como o do Rossio coube a Artur Silva, outro irmão. Por morte, o ano passado (Setembro 1938) ) da viúva de João Narciso, a propriedade do Hotel transitou para herdeiros menores; o estabelecimento que desde 1932 está em regime de administração, consequência de uma crise comercial, é hoje dirigido por Vítor Marques Simões, representante dos credores, e parente das duas crianças, herdeiras.

O Hotel Francfort de «Santa Justa» |190-|
Rua de Santa Justa, 70-72 com a Rua Augusta
Situado no Centro da Cidade Instalações Modernas Recomendado para Grupos
e Excursões Preços desde Esc. 30$00 - 150 Quartos.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

O Hotel foi muito ampliado e beneficiado em 1914, e ocupa dois prédios, ambos da Condessa de Casal Ribeiro, um com frente para a Rua de Santa Justa e laterais para as Ruas Augusta e do Arco Bandeira [actual dos Sapateiros], e outro nesta última rua. 
Nota(s): encerrou no final da década de 1970.

O Hotel Francfort de «Santa Justa» |1914|
Frentes sobre as ruas de Santa Justa e dos Sapateiros.
Pires Marinho, in Lisboa de Antigamente

 — Esse Sanches Lucena é um idiota! Ora que arranjo fará a esse homem, aos sessenta anos, ser deputado, passar meses em Lisboa no Francfort, abandonar as propriedades, deixar aquela linda quinta... E para quê? Para rosnar de vez em quando "apoiado"! Antes ele me cedesse a cadeira, a mim, que sou mais esperto, não possuo grandes terras, e gosto do Hotel Bragança. (Eça de Queiroz, ln A Ilustre Casa de Ramires, 1900)

O Hotel Francfortde «Santa Justa», salão de jantar e vestíbulo |1914|
E na Baixa, no «Francfort de Santa Justa, que arvorava, por então, a pequena fama de um hotel correcto (...), uma população heteróclita arrastava-se, lá ao fundo, na sala de pavimento de mosaico poligonado, abandonando-se nos cadeirões de couro negro , entre a exuberância dos ramos das aspidistras». [Cláudio: 1992]
Pires Marinho, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 53 1939.
A Arquitectura portuguesa ; revista mensal da arte arquitectural antiga e moderna, 1914.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Edifício central da companhia dos telefones de Lisboa

Edifício situado no gaveto da Rua Augusta, 254-262, com a Rua de Santa Justa, 54-60, que serviu, entre 1888 e 1905, de sede da Anglo-Portuguese Telephone Company em Portugal. A mansarda, cujo projecto indica ter sido acrescentada em 1888, surge em foto tirada do elevador de Santa Justa [vd. 2ª imagem], provavelmente da primeira década de 1900.

Rua Augusta com a Rua de Santa Justa |c. 189-|
Edifício central da companhia dos telefones de Lisboa 
A estrutura em madeira visível nesta foto era uma grande caixa sobre o telhado
do prédio que servia de central de cabelagem dos telefones. A central funcionou neste
edifício até 1905.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O pedido de alteração do telhado mostra nas peças gráficas o desejo de substituir somente as águas-mestras por novo material, esclarece o material que revestia as águas-dobradas, e que se observa na 2ª imagem, reza assim:

No 4º andar e mansarda, onde se pretende faser estas obras, esteve installada a “Companhia dos Telephones” que mandou demolir algumas divisões interiores a fim de obter uma grande sala em cada um dos pavimentos, assim como fez construir o telhado em condições especiais para o seu serviço, e coberto com folha de ferro. Pretende agora o proprietario tornar estes dois pavimentos habitaveis, fasendo-lhes novas divisões e construindo novo telhado com inclinação regular e coberto de telha.
 Na actualidade, este edifício encontra-se revestido com telhas canudo, inseridas após 1980, o que não permite a observação in loco para levantar informações complementares. 

Rua de Santa Justa |c. 1903|
O edifício da Telephone Company (3º à esq.) após as alteração do telhado e mansarda.
Castelo de S. Jorge; elevador de Santa Justa
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Este modelo de cobertura surgiu em França e ganhou notoriedade através das obras de dois arquitectos do século XVII: François Mansart (1598-1666) e o seu sobrinho-neto Jules Hardouin-Mansart (1646-1708), cujos sobrenomes se tornaram na nomenclatura usada para o modelo arquitectónico (Machado e Moura, 2017).
Em Lisboa, a mansarda surge no léxico arquitetónico português no século XVIII, importada de modelos franceses. [Mateus: Cadernos do Arquivo Municipal, 2022]

Rua de Santa Justa |1960-70|
O edifício da Telephone Company é 2º à esq. com o desaparecido Hotel Francfort à frente.
Panorâmica sobre a encosta do Castelo, tirada a partir do topo do elevador de Santa Justa
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

domingo, 24 de novembro de 2024

Rua da Prata, 257: Ourivesaria da Moda

Ourivesaria fundada em 1906 por António Esteves de Araújo, mantém-se na mesma família há 4 gerações. No interior, o ex-libris da casa, uma fonte em prata maciça com 2 metros de altura, dá-nos as boas-vindas. Especialistas em peças tradicionais portuguesas, o destaque vai para as jóias em filigrana, feitas artesanalmente com fios muito finos em ouro ou prata.
António Esteves de Araújo viera do Minho aos 11 anos à procura de melhores condições, tendo trabalhado numa mercearia até aos 16 anos altura em que passou a trabalhar na Ourivesaria do torreão do Mercado da Praça da Figueira. Depois disso entrou na Ourivesaria da Moda passando a decidir os seus destinos. Nos anos quarenta expandiram o espaço ocupando uma manteigaria na Rua da Prata [na dir. baixa] e uma loja de vidros na Rua de Sta. Justa, ficando assim com 4 montras para a Rua da Prata e 2 para a Rua de Sta. Justa. Nos finais dos anos 50 adquiriram um deposito de tabacos o que permitiu nova ampliação do lado da Rua de Sta. Justa. Chegou-se assim à loja actual. [circulolojas.org]

Rua da Prata, 257: Ourivesaria da Moda |191-|
Esquina com a Rua de Santa Justa, 34
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

domingo, 24 de março de 2024

Rua Nova do Almada, à Boa Hora

À direita, sul, desce a Rua Nova do Almada, artéria já existente desde 1665 — recorda Norberto de Araújo — ainda que, precisamente, não arruada e rectificada, como depois de 1755 o foi. Deu o nome à Rua Rui Fernandes de Almada, que foi presidente do Senado Municipal.

À semelhança das outras ruas do Chiado, também esta artéria foi conhecida pelas suas magnificas lojas de que se destacavam o «Eduardo Martins», a «Casa Batalha» e a «Pastelaria Ferrari», desaparecidas aquando do incêndio de Agosto de 1988.
Até aos anos 50, do século XX, também ali esteve a Igreja da Conceição Nova construída em 1698 e restaurada depois do Terramoto de 1755. O arquitecto da reconstrução foi Remígio Francisco de Abreu.

Largo da Boa Hora |1908|
Cruzamento das ruas Nova do Almada e de São Nicolau (esq.)
Vendedor ambulante de gelados
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): Foto erradamente catalogada no abandalhado amL como Rua do Loreto.
Rua Nova do Almada |1918|
Junto ao Largo da Boa-Hora
Luís Pastor de Macedo adianta que a Rua Nova do Almada foi criada por carta de lei de 17 de Junho de 1787.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Aqui temos o Largo da Boa Hora, com seu sinistro casarão do Tribunal, o repulsivo Tribunal da Comarca de Lisboa, actualmente em obras, mas que continuará. a ser, mesmo asseado e limpo, um aleijão, simulacro ridículo de um vago Palácio da Justiça — que, parece, nunca veremos de pé.==
(ARAÚJO, Norberto de, «Peregrinações em Lisboa», vol. XII, p. 90, 1939)

N.B. O topónimo Boa-Hora provém do Convento da Boa-Hora que hoje conhecemos no local como Tribunal da Boa-Hora.
A designação São Nicolau deriva da proximidade à antiga Igreja de S. Nicolau que foi reedificada pela primeira vez em 1280 e após o Terramoto, quase foi construída toda de novo, com obras que decorreram de 1780 a 1850.

Rua Nova do Almada |1967|
Junto ao Largo da Boa Hora
Vasco Gouveia de Figueiredo, in Lisboa de Antigamente
Rua Nova do Almada |1965-03|
Junto ao Largo da Boa Hora com a Rua de S. Nicolau
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

domingo, 19 de novembro de 2023

Camisaria Maison de Blanc

Cena de rua


Um polícia sinaleiro orienta o trânsito no Rossio, na esquina com a Rua Primeiro de Dezembro, onde esteve instalada a afamada Camisaria Maison de Blanc. Em 1937, foi tomada de trespasse para a nova sucursal de O Século.

Praça de D. Pedro IV, na esquina com a Rua Primeiro de Dezembro |c. 1930]|
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

À entrada d'esta loja — recorda Paulo Freire — havia duas formosíssimas jarras da Índia que os que d'ellas se recordam classificam ainda hoje de preciosas. A Maison de Blanc foi antes d'isso Maison Blanche e pertencia ao Alves que era o proprietário do prédio e que o vendeu ao Ferreira do Campo Grande. Do Alves passou a casa à firma Miranda & Rodrigues que a trespassou há pouco à firma actual que foi quem lhe mudou o nome para que este se não confundisse com nomenclaturas de tradição brejeira e duvidosa fama. [Freire: 1931]

Prédio que faz esquina do Rossio para a Rua Primeiro de Dezembro, onde está a camisaria Maison de Blanc|1937-08-01|
Fotógrafo não identificadoa,in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Rua de São Nicolau: «O Gato Preto» (actualizado)

A origem do topónimo radica da proximidade à antiga Igreja de S. Nicolau que foi reedificada pela primeira vez em 1280 e após o Terramoto, quase foi construída toda de novo, com obras que decorreram de 1780 a 1850.

A loja «O Gato Preto», no princípio deste século ultra-civilizado {1893] abria as suas portas na Rua dos Sapateiros [antiga do Arco do Bandeira] perto da Rua da Vitória e era nela que se vendia a louça [e as cavacas[ que o Rafael Bordalo mandava das Caldas. Em 1909 encontrava-se estava instalada na Rua de São Nicolau, 107-111, hoje 116-119. [Sequeira: 1940]
Narra o Diário Ilustrado que numa fita sobre o parlamento americano, um deputado diz ao presidente: “As verdadeiras cavacas das Caldas só no Gato Preto perto da Rua da Vitória.

Rua de São Nicolau: «O Gato Preto» |c. 1910|
Vulgo do Arco do Bandeira  que também se chamava do Pote das Almas, por ter uma pia de pedra com agua para os transeuntes beberem, com um mealheiro das almas por cima. [vd N.B.]
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. Chamava-se Pote das Almas, a uma pia de pedra com tampa de madeira, púcaro de folha e mealheiro para as esmolas, que a Irmandade das Almas da Conceição Nova colocara no cunhal do prédio n.ꟹ 121 a 127 da Rua de S. Nicolau, esquinando para a Rua Nova do Almada. No cunhal do prédio contíguo o que torneja para a Rua do Crucifixo, existia um painel das almas, iluminado por uma lanterna, suspensa por uma corrente de ferro. [CARVALHO, Pinto de, (Tinop), Lisboa d'outrora, p. 201, 1938]

Publicidade na revista "O Branco e Negro", de 26 Março 1899 e Diário Ilustrado de 1909
Raphael Bordallo Pinheiro (1846-1905 (tinha uma adoração especial por gatos. O próprio, em história aos quadradinhos no jornal “António Maria” confessa ter sido “gato noutra encarnação”. Da homenagem à sua gata Pili ao assanhado gato preto, são muitas as figuras que o representam.

domingo, 30 de julho de 2023

Rua de São Julião (ou S. Gião) que foi dos «Algibebes»

Já agora, duas palavras, Dilecto, acerca desta tão alfacinha — tão olisiponense, o que empresta à frase um sentido mais elevado — Rua de S. Julião. Foi das mais antigas, como sítio ao menos — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , desta Lisboa, da Ribeira, e chegou ao século XVI enfeixada de pitoresco e de carácter. «S. Gião» ficou na literatura e no teatro [vd. Nota(s)], certo como é a sua paróquia advir pelo menos de 1222 — alguns recuam a 1201— , «uma das primeiras e mais opulentas da cidade»..

O sítio de S. Julião deveu o nome à Igreja medieval, onde é tradição que recebeu baptismo Pedro Julião— eleito Papa João XXI em 1276— , e que foi a paróquia do Paço da Ribeira. [...,] O Terramoto deu cabo dela. O Largo de S. Julião, que caía sobre o chão que deu a Rua dos Retroseiros [Conceição] — sumiu-se. Mas esta Rua ficou de S. Julião até hoje, embora o povo lhe chamasse «Algibebes», pois aos algibebes foi destinada quando se rompeu depois de 1755.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa,vol. XII, pp. 49-50, 1939)

Rua de São Julião, poente |190-|
«Vulgo dos Algibebes, porque quase todas as suas lojas são ocupadas por vendedores
de fato feito».  [F.M.Bordalo: 1863]
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

À cidade de Lisboa confirmação do acordo que fizeram sobre os aljibebes, pelo qual estes não mandem fazer um vestido de pano novo, salvo de galez, entre outros, que se especificam.
Esta concessão é feita em virtude dos vereadores, procurador em câmara e os procuradores dos mesteres alegarem que os aljibebes faziam roupas de panos finos e de sortes de panos em que o povo podia ser enganado, vendendo uns pelos outros, entre outros malefícios. Álvaro Fernandes a fez.==
(Chancelaria de D. Manuel I, liv. 17, fl. 97v,1496-152, in ANTT)

Rua de São Julião, nascente |190-|
O Decreto de 5 de Novembro de 1760 determinou os arruamentos da Baixa lisboeta,
distribuindo as diferentes classes de mercadores em diversas ruas. 
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Vem referenciada no Pranto de Maria Parda (1522), de Gil Vicente, como rua de «San Gião».

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