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Friday, 14 September 2018

Rua do Crucifixo, 55

Velha rua quinhentista  — pouco mais ou menos no lugar onde  ficava o «Beco de Gaspar das Naus»  — também chamada Rua do Santo Espírito da Pedreira devido à proximidade do convento do mesmo nome, hoje Armazéns do Chiado e antes Palácio Bacelinhos.

Rua do Crucifixo, 55 [1929]
Fachada do Stand de automóveis C. Santos, representante da marca 
Studebaker, inscrita na frontaria
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Friday, 8 June 2018

Rua de Alcântara: «Sociedade Promotora de Educação Popular»

Associação educativa fundada em Lisboa a 30 de Setembro de 1904, por influência maçónica. Estava sedeada, na Rua de Alcântara, nº 6, 2º. A Sociedade tinha como objectivo promover a assistência e a formação de crianças e adultos. Para tal criou cursos diurnos e nocturnos.

Rua de Alcântara  [c. 1910]
Prédios demolidos para abertura da Praça Gen. Domingos de Oliveira na década de 1960
«Sociedade Promotora de Educação Popular»
Joshua Benoliel, in AML

Friday, 30 March 2018

Avenida Fontes Pereira de Melo: solar Mayer e Palácio Sotto Mayor

A Avenida Fontes Pereira de Melo integra-se no projecto de crescimento da Cidade para Norte, aprovado em 1888, plano intitulado: "Avenida das Picoas ao Campo Grande" da autoria do Engenheiro Ressano Garcia. As terraplanagens nas ruas Fontes Pereira de Melo e António Augusto de Aguiar, iniciam-se cerca de 1897. Em 1900, a canalização de água para esta zona da Cidade, está praticamente concluída. A partir de 1902 começaram a circular os primeiros carros eléctricos — aqui descendo a avenida pela direita. Refira-se que o sentido da circulação em Portugal passou a fazer-se pela direita em 1 de Junho de 1928.

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1902 e 1905]
Junto ao viaduto sobre a Rua de S. Sebastião da Pedreira/Largo Andaluz. O viaduto da Avenida Fontes Pereira de Melo começou a construir-se em 1898 e concluiu-se em 1900. À direita, o solar oitocentista da família Mayer que ali existia, até c. 1900, altura em que começou a demolir-se, para construção do Palácio Sotto Mayor.
Alberto Carlos Lima, in AML

O topónimo foi atribuído como Rua Fontes, por deliberação camarária de 31/12/1887 e Edital de 10/01/1888. Mais tarde, o Edital municipal de 11/12/1902 mudou-lhe a categoria para Avenida, já como Fontes Pereira de Melo.  Tributo a um dos principais políticos portugueses e várias vezes primeiro-ministro António Maria Fontes Pereira de Melo (1819-1887) — cuja dinâmica de desenvolvimento e políticas públicas ficou conhecida como «Fontismo». — deu um grande impulso à criação de estradas e caminhos de ferro e montou a primeira linha telegráfica do País, tendo criado então pela primeira vez o Ministério das Obras Públicas que ele próprio assumiu.

Avenida Fontes Pereira de Melo [1912]
O edifício, à esquerda, no gaveto com a Avenida António Augusto de Aguiar já não existe, assim como, a moradia do lado nascente da avenida. Os dois prédios de rendimento, ao fundo, na esquina com Rua Martens Ferrão, foram recentemente reabilitados. O que ainda vai conferindo alguma elegância à avenida desenhada pelo eng.º Ressano Garcia, é o
imponente e sumptuoso Palácio Sotto Mayor, edificado em 1902/06, segundo o risco inicial do arq. Ezequiel Bandeira, com a colaboração do arq. Carlos Alberto Correia Monção. Já nem o eléctricoque ali se vê a descer avenida pela mão esquerdalá passa.
Joshua Benoliel, in AML

Friday, 23 March 2018

Rua das Portas de Santo Antão

Mas era à boca de Santo Antão — refere o olisipógrafo Norberto de Araújo — que começava esta movimentada «rua dereyta» de palácios e jardins. conventos e igrejas, pátios e eirados. Neste pedacinho até à Anunciada [largo da] do Convento das dominicanas, erigido sobre a casa dos agostinhos de Santo Antão de 1400 — e eis a razão do nome da rua [...].¹ 


Rua das Portas de Santo Antão [1938]
Largo de S. Domingos; Teatro D. Maria
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Remotamente foi aqui, e por aí fora, «Corredoura» — que é como se dissesse «rua direita» — era então Lisboa, logo adiante do Rossio de Valverde, «terra de arrabalde». A «Corredoura» servia para corridas e s e, assim, logo no século XIV a designação passou a ser de «Carreira de Cavalos». Em 1373-1375 construiu-se a nova Cêrca muralhada de D. Fernando, abrindo-se neste sitio uma das portas. primeiro chamada de «S. Domingos» e logo no principio do século XV «de Santo Antão». [...]

Rua das Portas de Santo Antão [191-]
Igreja de São Luís dos Franceses; ornamentações na antiga rua de Santo Antão
Alberto Carlos Lima, in Arquivo do Jornal O Século

Depois do Terramoto a velha Porta, ou Arco, de Santo Antão sofreu demolição, como quási tôdas as da Cêrca de D. Fernando, pois ficara muito arruinada. O dístico de Rua das Portas de Santo Antão não ia além de S. Luiz [igreja de], e perdurou até Setembro de 1859, entrando depois a artéria a chamar-se simplesmente Rua de Santo Antão até ao Largo da Anunciada. Em 3 de Agôsto de 1911 o nome tradicional modificou-se para o de Rua Eugénio dos Santos [até 1956] (o arquitecto da nova Cidade).²
______________
Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 207, 1943.
² ibid., Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 103-104, 1939.

Friday, 16 February 2018

O viaduto de Xabregas (e os seus arcos)

Coloca-te comigo defronte da Fábrica de Tabacos — convida Norberto de Araújo — e contempla êste quadro pitoresco que nos é dado pelo desenho dos três viadutos sucessivos da linha férrea; ao fundo norte, sôbre a cortina de guarda da ponte na extrema da Rua da Madre de Deus, espreita a agulha da antiga igreja, e à nossa direita desenha-se a aguarela pobre de um mercado de ar livre, sob a fachada poente da Escola Profissional D. Maria Pia, no Largo da Marquesa de Niza. 


Viaduto de Xabregas [1938]
Rua de Xabregas; á direita avulta o Palácio do Marquês de Nisa e à esquerda espreita a agulha da Madre de Deus
Eduardo Portugal, in A.M.L.

Não me fatigo na repetição do fenómeno da paisagem social: tudo isto há dois séculos atrás era de feição conventual e nobre: o Palácio dos Marqueses de Niza, a um lado, o convento dos franciscanos de Santa Maria de Jesus, a outro. Sem linha férrea nem passagens sobre viadutos, sem edifícios fabris, armazéns e oficinas, sem cortinas de prédios a encobrir o rio — largo como um mar —, Xabregas, «Enxobregas» dos séculos velhos, era arrabalde, tímido de póvoas ao acaso, luminoso e lavado.
No século passado, aí por 1840, a transição estava feita. já to disse atráso silvo substituiu o sino, o americano› tomou o lugar das sejes, o fumo das chaminés confundiu o cheiro dos incensos e das flores dos jardins.
Mutação assim em parte alguma de Lisboa se verificou.¹

Ponte de Xabregas [1857]
Desenho de Manuel Maria Bordalo Pinheiro, gravura em madeira de João Maria Baptista Coelho
in Archivo pittoresco

A gravura representa a ponte de Xabregas — pode ler-se no Archivo pittoresco datado de 1857 —, lançada enviesada a 33º 30' sobre a estrada publica. Compõe-se de três arcos. Dos dois do lado da trincheira, á direita, a gravura só representa o primeiro; são de pedra em arco de circulo, de 1,52 de flecha; 2,97m d'altura de pés direitos; e 6,85m de abertura de cada um. A abertura do arco do lado do aterro, á esquerda, que cobre a estrada propriamente dita, é de 15,58m, formado por 6 cambotas de ferro de forma abatida. A largura entre as testas da ponte é de 7,72m. A parte de ferro [substituída em 1954] é obra de Inglaterra [John Sutherland e Valentine C. L]. O espectador, colocado entre a ponte e a fonte da Samaritana, vê desfilar por sobre a ponte, em direcção á estação principal, um comboio; por cima correm os fios do telegrafo eléctrico; á direita, e próximo, sobressai, o angulo oriental do grande Palácio do Marquês de Niza; á esquerda, a pouca distancia, aparece a cruz, que remata o frontispício da igreja do convento da Madre de Deus. ²

Mercado de Xabregas [1939
 O Viaduto de Xabregas tomado do Largo Marquês Nisa; Palácio dos Marqueses de Niza
Eduardo Portugal, in A.M.L.

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XV, pp. 72-73, 1939.
² Archivo pittoresco: semanario illustrado - Vol. 1, 1857.

Sunday, 4 February 2018

Rua Fernandes da Fonseca, antiga Carreirinha do Socorro

Já agora te digo que esta Rua Fernandes da Fonseca — escreve Norberto de Araújo — (que celebra a memória do fundador da Sociedade de socorro mútuo dos Artistas Lisbonenses) recebeu esta designação em 1888; antes foi a Carreirinha do Socorro, dístico de ressonância local e alfacinha, que, fazendo parte da Mouraria campestre, foi o primeiro caminho estabelecido do Socorro, pelos Cavaleiros (antes Calçada) até Santo André. Os grandes edifícios urbanos da Rua são quási todos do segundo e terceiro quartéis do século passado.

Rua Fernandes da Fonseca [c.1900]
Convergência da Rua dos Cavaleiros (tomada da foto), Calçada da Mouraria (1ª dir.) e 
Rua do Benformoso (2ª dir.); o 3º arruamento à dir. é o Beco da Barbadela;
 ao fundo, vê-se o Elevador da Graça e a Rua da Palma
Machado & Souza, in AML

É de típica designação bairrista o Beco da Barbadela, nesta Rua Fernandes da Fonseca, e tão antigo como a Carreirinha do Socorro, pois é registado no século de quinhentos; o seu nome de principio era o de «Barbaleda» dando-se com a designação o mesmo fenómeno de corruptela toponímica, e alternada, que se deu com «Boi e Bem Formoso».
_______________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. II, p. 22, 1938.

Friday, 12 January 2018

Lojas de antanho: «Ao Último Figurino»

O Chiado — resiste. Perdeu-se o seu romantismo ainda de ante de ontem, mas o Chiado persiste [...] Resiste... Garrett, flamante de casaca verde e bronze com botões dourados, colete de pique de grandes bandas, cintado e pernoita calça cor de alecrim, peitilho e punhos de canudo, luvas cor de canário, gravata azul ferrete — ainda lá está na parede da esquina da... Rua Garrett. O Maggiolo à esquina da Calçada do Sacramento, casa de café e de brinquedos — foi-se embora. Está lá agora o Último Figurino.¹


Rua Garrett, 20-26 [1966]
Antiga Rua do Chiado (até 1880); Esquina da Calçada do Sacramento
Montra da casa de modas «Ao Último Figurino», fundada em 1910. mais tarde «Novo Figurino».
Garcia Nunes, in AML

Atravessando para o quarteirão seguinte da Rua Garrett (antiga do Chiado), vamos encontrar uma das casas de melhor gosto e apresentação, a que o seu fundador, António Gonçalves Marques, já falecido, nomeou, com justeza, Ao Último Figurino. A princípio (1910-1911?) abrangeu apenas os números 20 a 24, e, desdobrando-se mais tarde para a loja seguinte, a firma António Gonçalves Marques, Ld.a, acabou por tomar a sobreloja e andares superiores. 

Rua Garrett, 20-26 [191-]
Antiga Rua do Chiado (até 1880); Esquina da Calçada do Sacramento
Montra da casa de modas «Ao Último Figurino», 
fundada em 1910. mais tarde «Novo Figurino».
Alexandre Cunha, in AML

 Recorrendo aos antecedentes, vamos encontrar (ainda no século passado), as lojas números 20 a 24 na posse de Magiolo & Magiolo, que, na parte com entrada pela porta de esquina, se dedicavam ao negócio de mercearias, chás e cafés, casa muito farta e especializada. Nos dois números seguintes (22 e 24), expunham um profuso mostruário de bijutarias e brinquedos, nesse tempo de simples aparência e modestos na composição. Como os adultos, as crianças, então contentavam-se com pouco. Qualquer bugiganga lhes servia. Bastavam aquelas bem conhecidas carrocinhas de madeira, um cavalo de pasta ou uma boneca de trapos, para tornar felizes esses inocentes, limitados nas ambições. Estavam longe o engenhoso «Mecano», os maravilhosos comboios eléctricos (com os quais brincam mais os pais do que os filhos) e as sedutoras bonecas falantes, que também abrem e fecham os olhos.

Rua Garrett, 20-26 [1974]
Antiga Rua do Chiado (até 1880); Esquina da Calçada do Sacramento
Montra da casa de modas «Ao Último Figurino», 
fundada em 1910. mais tarde «Novo Figurino».
Alfredo Cunha, in AML

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 93, 1939.

² COSTA, Mário, O Chiado pitoresco e elegante, p. 265, 1987.

Sunday, 10 December 2017

Cinemas de Antanho: Salão Central

O Salão Central (cinema) data de 8 de Abril de 1908, e sucedeu a uma casa alemã de artigos de electricidade. [Araújo:1939]


Em 1908 — onde fora a capela do Palácio Foz, dedicada a de Nª Sª da Pureza — é inaugurado o Salão Central: «O mais luxuoso e deslumbrante salão de animatógrapho de todo o país», sendo sócio-gerente Raul Lopes Freire, filho de um reputado comerciante lisboeta. Tinha a configuração de um pequeno teatro, com trabalhos cenográficos de Eduardo Reis. Dispunha de projector e exibia filmes da Pathé, fornecidos pela Empresa Portuguesa Cinematográfica e de um conjunto musical que acompanhava os filmes — na época do mudo —, através de uma partitura original, ou improvisada na altura, mas que preenchia igualmente os intervalos com música ao gosto da assistência.

Salão Central [1911]
Praça dos Restauradores, 31; Elevador da Glória
 Joshua Benoliel, in AML







 
Encerrado em 1926, reabriu portas em 1928 com a designação «Cinema Central» depois de realizadas obras e de uma completa remodelação.

Salão Central [1909]
Praça dos Restauradores, 31; Palácio Foz, legação dos Estados Unidos da América; Elevador da Glória
 Joshua Benoliel, in AML



Wednesday, 29 November 2017

Avenida Dona Amélia: Asilo de Santo António

O Asilo de Santo António, mais tarde designado por Associação Protectora de Infância Santo António de Lisboa, e presentemente com o nome de Associação Pró-Infância Santo António de Lisboa, foi fundado em 22 de Março de 1891, com 13 associados, por Luís Pinto Moitinho, ourives de profissão, sendo a administração confiada a uma direcção composta por sete elementos efectivos e três suplentes. Inspirados pelos sentimentos do seu fundador, foram elaborados os Estatutos, aprovados segundo Alvará de 3 de Junho de 1890, pelo Governador Civil de Lisboa.

O Asilo foi inaugurado a 1 de Abril de 1892 com 13 educandas. Nessa altura o Asilo localizava-se numa casa do Largo do Conde Pombeiro, que pertencia ao Conde de Azarujinha, e só em 16 de Junho de 1895 foi inaugurado o edifício na Av. Almirante Reis, que na altura se intitulava Av. D. Amélia. Tinha como finalidade acolher raparigas órfãs às quais era ministrada educação industrial e profissional, mais tarde começou a ser-lhes dada uma educação literária e técnica. Durante muito tempo quase manteve o exclusivo da fabricação de estojos.

Asilo de Santo António [1938]
Avenida Almirante Reis, primeiro dos Anjos depois de Dona Amélia; Rua Maria Andrade (dir.)
Eduardo Portugal, in Arquivo Municipal Lisboa

Em 8 de Abril de 1893, visitou o Asilo de Santo António S. Majestade a Rainha Senhora D. Amélia, acompanhada pelo Príncipe Real D. Luiz Filipe, entendendo a Direcção deste Asilo, dever nomeá-lo Presidente Honorário. Nos livros dos visitantes escreveu Sua Majestade a Rainha:
"Visitando hoje a casa em que se acha estabelecida a Associação Protectora da Infância Santo António de Lisboa, tive o ensejo de avaliar quanto é útil e moralizadora esta Instituição, congratulando-me por vêr meu filho, o Príncipe Real, presidir a uma obra que honra quem a empreendeu pelo bem que faz e prepara as crianças que a frequentam com princípios sãos e aptidões para o trabalho que nobilita."

Asilo de Santo António [ca. 1935]
Avenida Almirante Reis; Rua  Luís Pinto Moitinho (dístico de 1906)
Ao fundo, na Rua  Luís Pinto Moitinho, observa-se a antiga capela e parte do edifício do Asilo de Santo António; em primeiro plano, vê-se a Igreja dos Anjos e as novas motocicletas com side-car da Polícia de Segurança Pública
Ferreira da Cunha, in Arquivo Municipal Lisboa

O Asilo de Santo António, possuía uma capela [vd. 2ª foto] na rua que tem o nome do seu benemérito fundador, Luís Pinto Moitinho, ourives de profissão, que de modesto caixeiro, na loja de seu sogro, fundada na Rua da Prata, em 1790, chegou a prestimoso benemérito pelo seu perseverante trabalho. Foi o fundador do jornal «O Caixeiro» e da Associação de Classe dos Ourives e Artes Anexas, tendo falecido com 71 anos. 
_____________
Bibliografia
NEVES, Eduardo Augusto da Silva, Do sítio do Intendente, in Olisipo: boletim do Grupo "Amigos de Lisboa", 1950.
Apisal.pt

Wednesday, 1 November 2017

Dia dos Fiéis Defuntos, dos Finados, dos Mortos ou das Almas

A  igreja catoliciza celebra nos dois primeiros dias de Novembro do as festas principais. A primeira em honra de todos os Santos, e a segunda em comemoração dos defuntos. A origem da festa de Todos os Santos remonta ao principio do século VII — No ano de 607 o papa Bonifácio IV, havendo obtido do imperador Phocas o celebre templo chamado o Pantheon, o purificou e dedicou à Virgem e aos mártires. Ora como o nome de Pantheon significa templo de todos os deuses, e que efectivamente naquele soberbo edifício se viam os simulacros de todos os falsos nomes do paganismo, que foram substituídos por outras tantas imagens de diversos santos, o povo conservando a memória do antigo titulo, lhe ficou sempre chamando o templo de todos os santos. Ora como não era possível festejar separadamente todos os santos, cujas imagens ali se veneravam, o papa lembrou--se de instituir uma festa só para todos os santos, que desde então se ficou celebrando em Roma, porém, foi somente nos primeiros anos do século IX (835 d.C.) que o papa Gregório IV. mandou que esta festa fosse recebida em toda a cristandade, e celebrada no 1.º de Novembro.
A comemoração dos defuntos foi pela primeira vez celebrada, no décimo século, por Santo Odillon, abade de Cluny (998 d.C.), e brevemente se espalhou por toda a França, mas foi mais de um século depois que a igreja universal a adoptou [foi, porém, no século XIII que esse dia ganhou uma data definitiva: 2 de Novembro]. ¹

Tomando emprestado ao texto do clássico Diccionario  da  Lingua  Portugueza de António de Morais Silva — a mais importante referência na história da lexicografia portuguesa dos últimos 200 anos — a definição para o termo morto encontramos o seguinte:
§, Morto, Defuncto, Finado, empregão-se estes tres vocabulos para significar o homem, que cessou de  viver: esta é a sua synonymia: mas cada um delles exprime por diferente modo a mesma idéa. Morto é o termo proprio, com que significamos precisamente o estado de um ser, que deixou de ter vida; e por isso se diz genericamente não só do homem, mas tambem dos animaes, e ainda de outros seres em que consideramos vida: assim dizemos homem morto, animal morto, planta morta, fogo morto, etc. Defuncto e finado são termos figurados, que empregamos, por eufemismo, em lugar de morto, mas sómente fallando do homem. V. Synonymos por D. Fr. Francisco de S. Luiz, t. 2. pag. 127.] ²


Praça Dom Pedro IV, funeral [etre 1903 e 1908]
Rossio, lado poente; a seguir à loja com o toldo, começa a Calçada do Carmo

Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House
(*) local não identificado no arquivo

Para aligeirar o tema lançamos mão de um antigo conto — Os Mortos na Crendice Popular por Adelino Reis de Sousa — cuja história reza assim:

Amanhã, tia Micaela, é dia dos Fieis Defuntos. Os sinos: tlin... tlão... tlin... tlão... enchem-me a alma de tristeza.
— E a mim, também, tia Brígida; mas que lhe havemos de fazer? Dizem que neste dia, os mortos se levantam dás sepulturas e vêm, à hora da meia-noite, visitar a família.
— O ano passado, tia Micaela, pareceu-me ouvir uns passos na cozinha.
— Talvez fosse o seu defunto homem. — Se fosse, ele, vinha ter comigo e contava-me se a sua alminha está em bom ou mau lugar. Amanhã, tenciono ir ao cemitério pôr-lhe um ramo de flores na campa. Vou de dia, porque o ar da noite é muito perigoso.
— A tia Zefa do Cantinho morreu, há três anos, com um ar que lhe deu, ao passar à meia-noite, pelo cemitério. Tinha ido, já bastante tarde, ao moinho das Pedras Brancas, buscar uma saca de farinha para cozer o pão, no dia seguinte, de madrugada. No moinho demorou-se muito a tagarelar com a mulher do moleiro. Quando voltava, para casa, passou junto do adro da igreja, que dá para o cemitério. Vinha fatigada, porque a saca era de dois alqueires. Pousou-a no chão, para descansar um pouco. No relógio da Torre dava meia-noite. De repente, olhou para o adro e viu, uma grande procissão: muitos homens vestidos de branco, com uma tocha acesa. — «Ora, esta! cochichou, consigo, a tia Zefa; — uma procissão, a estas horas da noite?!» — Lembrou-se, então, que era dia dos  Fiéis Defuntos. — «E se eu pedisse, a algum deles, que me ajudasse a levantar a saca?» Dito e feito. Aproximou- .se, e disse para um: — «Ó tiosinho, ajuda-me a pôr esta saca à cabeça ? — «Não posso, respondeu o defunto; estou muito fraco, morri de maleitas.» A tia Zefa reconheceu, entre os defuntos, um compadre, que tinha morrido havia três anos. Dirigiu-se a ele: — «Ó compadre, ajuda-me a pôr a saca à cabeça?» O compadre saiu da procissão e foi ajudar a comadre a erguer a saca, e disse-lhe:
— «Ó comadre, não lhe torne a suceder outra. Vocemecê não sabe que é um grande perigo passar pelo cemitério, a estas horas, e principalmente, na noite d'hoje? Adeus, não me posso demorar. As sepulturas ainda estão abertas, mas vão fechar-se. Dê muitas recomendações a minha mulher, e diga-lhe que a minha alminha está em bom lugar.»
— «Adeus, compadre, e obrigadinho.:.».³

Rua Alexandre Herculano, carro funerário [etre 1903 e 1908]
]Casa Ventura Terra
Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House
(*) local não identificado no arquivo

Bibliografia
¹ Archivo Popular, Vol. 2, p. 376, 1838  
² Diccionario  da  Lingua  Portugueza de António de Morais Silv, t. II, 183
³ REIS de SOUSA, Adelino, Contos prosápias e facécias, p. 12, 1960

Sunday, 29 October 2017

Festas de Aviação no Hipódromo de Belém

Em 1833, Belém integra-se na cidade como freguesia autónoma. Na segunda metade do século XIX com o início da revolução industrial e a fixação de unidades industriais em toda a zona ribeirinha de Alcântara a Pedrouços, surgem em Belém as fábricas de velas e sabão, de curtumes e de cordoaria, de estamparia e tinturaria, de fiação e tecidos, de produtos alimentares e de produtos farmacêuticos e, desde 1891, uma fábrica de gás localizada junto ao Baluarte de São Vicente, vulgo Torre de Belém.


Estamos em Outubro de 1909. No hipódromo, já há alguns anos desactivado das suas funções e, agora, «mais ou menos convenientemente adaptado» a campo de aviação, um importante acontecimento acaba de ocorrer: «Lisboa teve finalmente ocasião de assistir já a uma experiência de aviação», cujo resultado não foi, porém, «completamente satisfatório, em consequencia do desastre que a interrompeu (...): quando o aviador sr. Armand Zipfel tentou fazer uma viragem, o apparelho caiu bruscamente e sofreu com a queda alguns prejuizos materiaes [vd. 3ª imagem]» ¹

Hipódromo de Belém [1910]
O Blériot monoplano de Julien Mamet sobe 120 metros acima do então descampado de Belém, paira sobre o Tejo e regressa em perfeita aterragem; ao fundo vêem-se os gasómetros da Fábrica de Gás de Belém
Fotógrafo não identificado, in Arquivo Municipal Lisboa

A Illustração Portuguesa e o seu repórter fotográfico Joshua Benoliel estavam lá, deixando-nos o registo destes dois importantes acontecimentos. Nestes terrenos do hipódromo — cujo início data de 1874, tendo-se realizado as últimas corridas em 1893 — efectuavam-se, para além das corridas de cavalos e das demonstrações aeronáuticas, toda uma série de eventos de carácter social, entre os quais as paradas e os exercícios militares.
No ano seguinte, a 27 de Abril, o piloto Mamet realizava então a proeza, descolando-se do hipódromo de Belém, sobrevoando o Tejo e regressando novamente ao hipódromo [vd. 2ª imagem].

Hipódromo de Belém [1910]
O Blériot monoplano de  Julien Mamet sobe 120 metros acima do então descampado de Belém, o que deixa Lisboa atónita
Fotografia anónima

É, pois, Julien Mamet, que em Maio de 1910, demonstra a 10.000 cidadãos o «voo do mais pesado do que o ar».  Com um Blériot monoplano, sobe 120 metros acima do então descampado de Belém, paira sobre o Tejo e regressa em perfeita aterragem [vd. 2ª imagem]. O avião fica exposto numa garagem de Lisboa perante  um publico «embasbacado», segundo relatos da época.
Nos finais do ano de 1909 surgia o Aero Club Português e daí a pouco mais de dez anos «já estavam portugueses a voar e a preparar-se para a conquista das grandes distâncias do mundo», com os voos transatlânticos dos históricos Gago Coutinho e Sacadura Cabral, nos anos 20 do século passado.

Hipódromo de Belém [1909]
O biplano Voisin-Antoinette de 40 CV pilotado pelo aviador Zipfel eleva-se 8 metros ao longo de 180 metros antes de se despenhar; em último plano vislumbra-se a  Ermida de São Jerónimo
Joshua Benoliel, in Arquivo Municipal Lisboa

Biblioggrafia
¹ llustração Portugueza de 25 de Outubro de 1909.

Wednesday, 12 July 2017

Chafariz de Cacilhas e Igreja de N. S. do Bom Sucesso

Chafariz de quatro bicas — duas destinavam-se aos aguadeiros e as outras duas aos particulares — foi inaugurado em 1 de Novembro de 1874. Um importante melhoramento que a Câmara Municipal sob a presidência de Bernardo F. da Costa, prestou ao povo de Cacilhas. Implantado à entrada da antiga Rua Direita [actual Rua Cândido dos Reis] e junto ao Largo do Costa Pinto [actual Largo Alfredo Diniz (Alex)], os moradores abasteciam-se de água potável para os lares.
O chafariz (infelizmente destruído nos finais dos anos 40 ou início de 50) era abastecido pela mina do Ginjal, por intermédio de canalizações. Quando estas canalizações começaram a envelhecer e a degradarem-se, a água, que era de muito boa qualidade, passou a ser salobra por infiltrações das águas do Tejo.
Então, a população de cacilhenses, só a utilizava para lavagens. A boa, para beber, continuava a vir da mesma origem (do Ginjal) mas fornecida em barris, por aguadeiros. Até que veio a canalização domiciliária. 

Chafariz de Cacilhas [ca. 1904]
Rua Cândido dos Reis (antiga Rua Direita e a
ntigo Largo do Costa Pinto); Igreja de N. S. do Bom Sucesso
Postal ilustrado, ed. Papelalria Paulo Emílio Guedes & Saraiva

Construída de raiz quatro anos após o terramoto de 1755, a  Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso apresenta uma fachada de inspiração barroca, com um frontão triangular ladeado por torres sineiras, que apresentam cúpulas encimadas por pequenos zimbórios. Nas paredes de uma das torres podem também observar-se dois relógios de sol, um na fachada frontal e outro na lateral. O interior é composto pela galilé, coro alto, uma única nave e capela-mor. As paredes tê silhares de azulejos azuis e brancos da segunda metade do século XVIII, com cenas alusivas à vida de Nossa Senhora. Existem ainda três retábulos em madeira polícroma de estilo rococó, um dos quais com a imagem de Santa Luzia, datada do século XVII.  

Chafariz de Cacilhas [ca. 1900]
Antigo Largo do Costa Pinto, actual Largo Alfredo Diniz (Alex)
José Artur Bárcia, in Arquivo Municipal Lisboa

Bibliografia
(uf-acppc.pt)

Friday, 7 July 2017

Museu Nacional dos Coches Reaes

O edifício do Museu dos Coches, desintegrado do palácio, do qual fez parte, é também uma construção do começo do século actual, ampliado para Norte, sobre a Calçada da Ajuda, nos últimos meses de 1942 e em 1943.


O Museu reúne uma colecção de viaturas de gala e passeio dos séculos XVII a XIX, única no mundo. O seu espólio inclui: coches, berlindas, carruagens, seges, liteiras, carrinhos de passeio e carrinhos de crianças. Completam a colecção, arreios de tiro e cavalaria, acessórios de viatura, fardamentos, instrumentos musicais, um núcleo de armaria e uma colecção de retratos a óleo dos monarcas da Dinastia de Bragança

Museu Nacional dos Coches [c. 1909]
Praça Afonso de Albuquerque
Paulo Guedes, in AML

Anexo ao Palácio [de Belém] — recorda-nos Norberto de Araújo —, temos o Museu Nacional dos Coches, superior aos seus similares, o Trianon, de Versailles, e o de Madrid. Também merece duas palavras, antes de o visitarmos, o que não pudemos fazer ao Palácio. Onde está o Museu dos Coches foi, primitivamente, o Picadeiro do Paço de Belém, mandado construir por D. José, mas cuja obra, do risco de Jacomo Azzolini, só se concluiu em tempo de D. João VI.

Museu Nacional dos Coches [post. 1901]
Praça Afonso de Albuquerque
Fotógrafo não identificado, in AML

Foi a Rainha D. Amélia quem, em 1905, teve a iniciativa de construir o Museu dos Coches, a despeito da relutância de D. Carlos, em consentir a destruição do Picadeiro, um dos melhores da Europa; o Rei acabou por deferir a pretensão da Rainha, e logo o estribeiro-menor, coronel Alfredo de Albuquerque, se lançou à realização da obra.
A Rainha tinha razão; se o Picadeiro era, no seu género, cousa de manter-se e admirar-se, o Museu vale infinitamente muito mais.

Museu Nacional dos Coches [c. 1950]
Praça Afonso de Albuquerque
António Castelo Branco, in AML

Bibliografia
(ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Monumentos históricos, p. 154, 1944)
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, p. 71, 1939)

Wednesday, 31 May 2017

Igreja de São João de Brito

A 1 de Março de 1647 nasce em Lisboa, João Heitor de Brito, filho de D. Salvador Brito Pereira, Governador do Rio de Janeiro. Foi missionário jesuíta e mártir, frequentemente chamado de "O Francisco Xavier Português". Morre na Índia a 4 de Fevereiro de 1693. Foi canonizado em 22 de Junho de 1947, pelo Papa Pio XII.
A Igreja de S. João de Brito foi inaugurada a 2 de Outubro de 1955. O projecto, de 1951, é do risco do arquitecto Vasco Regaleira, majestosa e monumental, uma igreja para 1500 pessoas.

Igreja de São João de Brito [c. 1959]
Largo de Frei Heitor Pinto

O topónimo homenageia o religioso Jerónimo, nascido na Covilhã nos começos do segundo quartel de século XVI, morreu em Toledo em 1584. Foi um dos mais notáveis escritores do seu tempo, hoje considerado um dos clássicos portugueses
António Passaporte, in AML

A construção iniciou-se em 1952, dirigida pelos engenheiros Pinheiro da Silva e Marques da Silva e pelo construtor Diamantino Tojal. O templo foi idealizado pessoalmente na parte funcional pelo Cardeal Patriarca de. Lisboa, que a mandou construir com os resultados da demolição da igreja da Conceição Nova. O arquitecto «salvou» do entulho o soberbo altar-mor construído no século XVIII, os dois altares laterais, algumas portadas e a pia baptismal da velha igreja e  integrou estas peças de assinalado valor artístico e material no ambiente moderno da igreja nova.
A fachada principal, em forma de empena muito pronunciada, com beiral de telhado à portuguesa, tem no cimo a torre sineira e uma cruz de ferro forjado, com 5 metros de altura. Ao centro apresenta uma grande janela com vidros em losango, que tem à sua frente a estátua de orago (patrono da freguesia), de granito, esculpida por Joaquim Correia. No cimo desta janela estão as armas do Cardeal Patriarca de Lisboa.

Igreja de São João de Brito, traseiras [c. 1959]
Largo de Frei Heitor Pinto; perspectiva tirada da Av. Santa Joana Princesa

Judah Benoliel, in AML

Wednesday, 10 May 2017

Estação de Metro do Campo Pequeno

A estação do Campo Pequeno é uma das onze estações pertencentes à 1ª fase do 1º escalão da construção da rede do Metropolitano de Lisboa, abriu ao público em 1959 quando da inauguração da rede. Em termos arquitectónicos e artísticos seguiu o programa então adoptado para todas as estações desse escalão, o projecto arquitectónico é da autoria do arq.º Falcão e Cunha e o revestimento de azulejos da autoria da pintora Maria Keil.
Para esta estação, o revestimento de azulejos criado por Maria Keil é constituído por uma malha de linhas oblíquas brancas ou ocres que se entrecruzam sobre um fundo azul claro, definindo um padrão que lembra uma estrutura cristalina. Aqui e além, alguns dos elementos deste padrão são coloridos a ocre ou a branco e preto, ganhando volume, destacando-se assim do plano de fundo.

Avenida da República [196-]
Entrada da estação do Metro junto ao cruzamento da Avenida de Berna 
Estúdio Horácio Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G.

Em 1994 foi totalmente remodelada com projecto arquitectónico dos arq.º Duarte Nuno Simões e arq.º Nuno Simões. Para a animação plástica foi convidado o escultor Francisco Simões que seguiu uma linha temática decorrente do historial do local onde a estação se insere.
O local da estação é uma zona de Lisboa onde até durante a primeira metade do século se dava a entrada na cidade das populações das zonas rurais que a envolvem, e que vinham à cidade vender os seus produtos.
Francisco Simões com este seu trabalho vai homenagear estas figuras típicas. Escolheu como matéria prima os inúmeros e belíssimos mármores portugueses, lioz, de Pêro Pinheiro, azulino, de Maceira, encarnadão e amarelo de Negrais, rosa de Vila Viçosa, ruivina de Estremoz, brechas de Tavira, negro de Mem Martins, verde de Viana do Alentejo, cinzento de Trigaches e azul da Bahia no Brasil e ainda pedras semi-preciosas, como ágata e onix.
Nas plataformas podemos apreciar painéis alusivos à Festa Brava, construídos a partir de um minucioso trabalho de embutidos de diversos mármores, os painéis dos átrios das bilheteiras seguem a mesma temática mas são gravados.

Avenida da República [entre 1955 e 1959]
Obras da estação do Metro do Campoo Pequeno junto ao cruzamento da Avenida de Berna 
Judah Benoliel, in Arquivo Municipal Lisboa

Bibliografia
(Metropolitano de Lisboa, E.P.E.)

Sunday, 7 May 2017

Rua (Direita) do Lumiar

Mais para norte da cidade, na zona do actual Lumiar, existiriam, na Lisboa medieval, estruturas de tipo militar. Havia um acampamento, muito possivelmente ligado à torre de aviso ou farol que aí se levantava, que deu origem ao actual nome "Lumiar". É, no mínimo, curioso e possivelmente significativo que na zona ainda subsista o topónimo "Torre do Lumiar". Serviria esta torre ou almenara para observar movimentos militares a norte da cidade e avisá-la, quando os movimentos o justificassem.

 

Calçada de Carriche Rua do Lumiar [Inicio séc. XX]
Antiga Rua Direita do Lumiar; ao fundo vê-se o começo da Calçada de Carriche; à dir. abre-se a Rua da Castiça  antigo troço da Estr. da Ameixoeira. O topónimo Rua da Castiça
(1985) recorda uma figura muito estimada de uma comerciante que ali exerceu actividade durante muitos anos.
Eduardo Portugal Fotógrafo não identificado, in AML

Rua Direita era a designação comum usada para a rua principal de um lugar e a Rua Direita do Lumiar já aparece mencionada em documentação do séc. XVI mas só por Edital de 08/06/1889 passa a designar-se Rua do Lumiar.
Refira-se que a freguesia do Lumiar só integrou o concelho de Lisboa a partir de 1885, por via da reforma administrativa introduzida pelo Decreto de 18 de Julho, e que o Edital municipal de 8 de Junho de 1889, que contemplou perto de 60 arruamentos, procurou organizar os novos territórios que passaram a integrar Lisboa e assim mudou topónimos com vista à sua simplificação e, também, à sua diferenciação de outros idênticos existentes noutras partes da cidade.

Estrada do Desvio Rua do Lumiar [Inicio séc. XX]
Antiga Rua Direita do Lumiar; os edifícios que vêem
ao fundo, no começo da Calçada de Carriche, foram  demolidos na década de 1960
Paulo Guedes, in AML
 
Bibliografia
(CRUZ,Luís, MIRANDA, Maria Adelaidea, ALARCÃO, Miguel (org.), A Nova Lisboa Medieval, p. 35, 2005)
(cm-lisboa.pt)

Friday, 28 April 2017

Largo Duque do Cadaval

Do Largo Duque do Cadaval (Freguesia de Santa Justa) não existe atribuição oficial do topónimo nem quaisquer data de referência De acordo com a DEAT/CML [Divisão de Alvarás, Escrivania e Toponímia] em email de 18/l l/05, «trata-se de um terreno propriedade da CP. e, como tal, não é da competência da CML atribuir-lhe denominação». 
(in Ler história - Edições 52-53, p. 233)

Largo Duque do Cadaval [1929]
Funeral do poeta Augusto Gil (1873-1929); chafariz; hotel
Mário Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G.

O que se sabe é que esta área eram chãos da Casa Cadaval. Nestes terrenos assentavam o Palácio — construído entre 1837 e 1845 e demolido por volta de 1880 —, jardins e pátios do Duque de Cadaval (sensivelmente onde hoje se encontra a Estação do Rossio).
  
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