![]() |
| Pátio do Pinzaleiro |1946| Ao cimo espreita o antigo palácio dos Condes de Murça na Calçada Ribeiro Santos (antiga Rampa de Santos). Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente |
«Ó macio Tejo ancestral e mudo, Pequena verdade onde o céu se reflecte! Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!» Álvaro de Campos Lisbon Revisited (1923)
sexta-feira, 26 de junho de 2026
Pátio do Pinzaleiro
domingo, 10 de maio de 2026
Beco da Formosa e Pátio do Prior
O casal que, mão na mão, vem a sair do Beco da Formosa, que desemboca à nossa esquerda, são Karl Faller e a sua misteriosa acompanhante, do romance «Parlando (2001)», de Bodo Kirchhoff .Os dois chegaram em breve à rua que ficava por cima da esbranquiçada confusão de vielas de Alfama e no cimo de uma escadaria fortemente inclinada, que levava à barafunda de casas e ruelas, ela disse subitamente «Eu vou por aqui», como se aquele atalho fosse só dela, agradeceu o almoço e logo, logo, desatou a correr escada abaixo. Não pude fazer nada, só pude segui-la com o olhar, até ela, lá em baixo, virar para o interior de um beco, como se nunca ali tivesse estado, e eu arranjar forças ou ânimo para voltar a segui-la.
![]() |
Beco da Formosa e Pátio do Prior em 1946 e 1962 À esq. vemos Alfama antes da remodelação realizada na década de 1960 e, à dir., depois daquela. Ao cimo nota-se o Beco das Cruzes. Imagens por Fernando Pozal e Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente |
Lancei-me pela escada, a dois ou três degraus de cada vez, corri todo o beco, tão estreito que uma pessoa podia tocar em ambos os lados, mas ela já lá não estava, ali só estavam mulheres que vendiam avulso peixes com formas de serpentes, e eu corri ainda mais para o interior de Alfama – «onde há sempre alguém, em qualquer lugar, a martelar ou a serrar, como se o bairro inteiro fosse um nunca mais acabar de pessoas a fabricar ou consertar qualquer coisa; no cruzamento de duas vielas logo a seguir, uma delas com o nome de «da Formosa», inesquecível nome, apanhei-a finalmente, e ela disse «Pois bem, seja», deu-me a sua mala para que eu a levasse e em troca pegou na minha pasta e na minha mão.De mão na mão, de forma estranhamente sensata, como se houvesse a modalidade de desporto «andar-de-mão-na-mão», percorremos o tortuoso Beco da Formosa e chegámos a uma praça que era uma espécie de pátio interior com uma igreja lá metida à pressão.==
sexta-feira, 29 de setembro de 2023
Calçada Conde Penafiel: antigo pátio do Lindim (ou Landim) (actualizado)
![]() |
| Calçada Conde Penafiel |1901-07-18| Antigo pátio do Lindim (ou Landim) Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente |
![]() |
| Calçada Conde Penafiel |1959| Antigo pátio do Lindim (ou Landim) Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente |
domingo, 12 de junho de 2022
Rua do Açúcar, 16: Palácio Bettencourt / Pátio do Beirão
![]() |
Rua do Açúcar, 16: Palácio Bettencourt / Pátio do Beirão [1967] Antiga Direita do Açúcar Palácio Bettencourt / Pátio do Beirão Vasco Gouveia de Figueiredo, in Lisboa de Antigamente |
domingo, 15 de dezembro de 2019
Escadinhas da Barroca e Pátio do Salema
![]() |
| Pátio do Salema (Escadinhas da Barroca) |1939| Alguns pátios transformaram-se em via pública, tais como os do Almotacé, do Conde de Soure, do Salema, do Salgueiro, do Silva e Cruz, do Tijolo. Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente |
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 12-13,, 1938.
Olisipo: boletim do Grupo «Amigos de Lisboa», Vol. 17, 1942.
domingo, 20 de outubro de 2019
Pátio do Marechal
![]() |
| Pátio do Marechal [1901] Travessa das Merceeiras Machado & Souza,in Lisboa de Antigamente |
![]() |
| Pátio do Marechal [1903] Travessa das Merceeiras Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente |
domingo, 9 de setembro de 2018
Pátio de D. Fradique e Palácio Belmonte
Um recanto aberto, impregnado de melancolia, é este do Pátio de D. Fradique. Nado e criado à sombra do Castelo, passagem do Chão da Feira para o Menino Deus, este Pátio tem qualquer cousa de original na Lisboa do pitoresco urbano. De seu título ele evoca um D. Fradique Manuel, que teve aqui casa, e da qual advém o Palácio dos Condes de Belmonte, senhores no sítio, cujo pórtico brasonado de Figueiredos e Cabrais, se abre numa lateral do primeiro compartimento [vd. 2ª foto].¹
![]() |
| Pátio de D. Fradique [ant. 1938] Portal de acesso ao pátio de D. Fradique na Travessia do Funil, 12; [Rua do Chão da Feira] Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente |
Uma curiosidade lisboeta é este Pátio de D. Fradique. Ele constitui o prolongamento natural do Chão da Feira, que acabamos de ver com a sua Porta de S. Jorge e os seus dois cubelos circulares decorativos, e do qual se passa ao Contador Mor através de três serventias curtas e estreitas: as travessas de S. Bartolomeu, do Chão da Feira, e do Funil, está já contígua ao Pátio. [...]
Contém-se o "sítio" numa área pequena que abre com um portal simples, aqui no topo do Chão da Feira, e fecha com outro na Rua dos Cegos; este recinto logo da entrada é que constitui propriamente o Pátio, pois que o recinto mais largo, passado o arco ou passadiço, bem pode chamar-se um terreiro, como dantes se chamou "Hortas de D. Fradique".
Este recinto, no seu todo, constitui serventia pública de passagem, com portas sempre escancaradas, embora seja de propriedade particular.
Quem deu nome ao Pátio? Supôs-se, com certa verosimilhança, que fosse um D. Fradique de Toledo, comandante general das tropas de Filipe IV, de Espanha, e comandante geral de uma esquadra saída de Lisboa, e que, em 1625, tomou a cidade da Baía aos holandeses.
Este D. Fradique, Marquês de Valdueza, tinha um irmão, D. Fernando, homem de ruins fígados, que foi, aqui no Castelo, comandante dos presídios castelhanos, os quais situados na Praça Nova deitavam sobre a área do actual Pátio; D. Fradique talvez aqui tivesse morado, e tem-se escrito que ele próprio foi comandante dos presídios.
Parece, porém, incontroverso que o D. Fradique, que deu nome ao local, tivesse sido D. Fradique Manuel, em 1518 moço fidalgo do Rei Venturoso, pois é certo que antes do domínio espanhol em Portugal já a este Palácio, «senhor» do Pátio, andava ligado o nome de «Fradique».²
Foi no final ainda do século XVI o no começo do século XVII que um descendente do corregedor do Lisboa (Rui de Figueiredo?) teria dado às suas casas quinhentistas, encostadas ao muro da Alcáçova, a forma apalaçada que em parte ainda hoje ostenta, no Pátio «de Cima». Em 1684 um descendente do fundador da Casa, Pedro de Figueiredo Alarcão, comprou umas casas e hortas, contíguas ao seu palácio pelo Nascente (Pátio de Baixo), ao 4.º Conde de Atalaia, D. Luís Manuel de Távora, quarto neto de um D. Fradique Manuel, descendente em linha directa, por bastardia, de um D. João Manuel, bispo de Ceuta e capelão mar de D. Afonso V, e filho natural do Rei D. Duarte.
![]() |
| Pátio de D. Fradique «de Baixo» [1961] Portal na Rua dos Cegos, 44 Ao fundo vê-se o Palácio Belmonte e passadiço abobadado que liga os dois pátios Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente |
Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Vol. III, p. 47-48, 1938.
² idem, Legendas de Lisboa, p. 186, 1943.
³ idem, Inventário de Lisboa: Monumentos histórico, pp. 39-41, 1947.
⁴ monumentos. pt; igespar.pt.
quarta-feira, 15 de novembro de 2017
Pátio da Pascácia, da Sociedade ou das Laranjeiras
![]() |
| Casa nobre na Rua de Santa Cruz do Castelo, 74 |1954| Varanda guarnecida de azulejos policromos Fernando Martinez Podal, in Lisboa de Antigamente |
A escada marca o tipo reedificador do fim do século do Terramoto, com os seus dois arcos, um dos quais abre para a escadaria, de silhares de azulejo. As salas eram belas; têm sido desprovidas do seu encanto ceramista. [...] Foi dêste edificio, sede de um clube local que aqui já não existe, que saíu em 1935 a «Marcha do Castelo», uma das quinze organizações bairristas que animaram as festas de Lisboa por essa época. ¹
![]() |
| Casa nobre na Rua de Santa Cruz do Castelo, 74 |1961| Varanda guarnecida de azulejos policromos Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente |
Popularmente conhecido por Pátio da Pascácia deve o nome a uma conhecida parteira da freguesia. O seu pátio nobre pertence a uma antiga casa apalaçada do séc. XVII, sofreu alterações após o terramoto, que resultou numa feição pombalina, hoje muito adulterada por mutilações associadas a alteração de usos, tendo mesmo, em tempos, albergado uma padaria. Existem vestígios de traçado maneirista quer na fachada principal quer na posterior; nesta ultima, que dá acesso ao interior, podem observar-se, da época pombalina, painéis de azulejos. Encontra-se ainda uma casa de dois pisos que serve de moradia. ²
![]() |
| Casa nobre Rua de Santa Cruz do Castelo |194-| Pátio da Pascácia Amadeu Ferrari, in Lisboa de Antigamente |
Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, p. 26, 1938.
² monumentos.pt
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
Beco e Pátio das Canas
Esta Adiça vale um poema popular. Deixemos, por momentos, seguir a Adiça — que morre nas portas do Sol, ao alto — e enfiemos pela Galé. Em frente está o Pátio das Canas, no alto do beco deste dístico.
![]() |
Beco e Pátio das Canas |c. 1900|
Perspectiva tirada da Rua da Adiça
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente
|
Queres ver uma curiosidade? Nota neste Pátio, na fachada do prédio, à esquerda, cujo ingresso é pela Calçada de S. João da Praça — a Adiça, como venho dizendo — as janelas do segundo andar: são quinhentistas, ainda com seus desenhos simples, de aresta quebrada, cujo espírito transcende da materialidade inocente de lavores.
Não notes que eu chame tua atenção para elas: é que em toda a Lisboa, de Algés ao Poço do Bispo, contam-se pelos dedos os elementos arquitectónicos deste jeito e idade.
![]() |
| Beco e Pátio das Canas |c. 1900| José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente |
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 51, 1939.
sábado, 28 de maio de 2016
Alto do Longo, à Rua de O Século
O olisipógrafo Norberto Araújo recorda-nos a origem para o curioso topónimo deste arruamento do Bairro Alto, com início na Rua O Século e fim na Travessa do Conde de Soure:
Porque se chama Alto do Longo? Afirma-se que um quarto avô do Alexandre Herculano, homem de grande estatura, alcunhado «O Longo» deu nome ao sitio; o povo nunca chamou «longo» a uma pessoa alta mas sim «comprido». O certo é ter existido por aqui cerca, na Rua Formosa [actual Rua de O Século] um homem chamado de seu apelido «Longuo», o que poderia explicar a designação se a passagem do homem pela vida não fosse tão recuada, segunda metade do século XVII (morreu em 1669).
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Pátio do Tronco
![]() |
| Pátio do Tronco [c. 1940] Traseiras do Cinema Odeon; Rua das Portas de Santo Antão Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente |
![]() |
| Túnel de acesso ao Pátio do Tronco [post. 1992] Rua das Portas de Santo Antão |
sábado, 22 de agosto de 2015
Pátio (Quinta) do Biaggi, às Amoreiras
Pois sigamos — para trás. À esquerda sai-nos agora a Travessa do Barbosa, que conduz ao Pátio do Biagi, com saída ou entrada (conforme nos orientarmos) pela Rua das Amoreiras, pátio que é coevo de fundação da Fábrica das Sedas. [Araújo: 1038]
![]() |
| Pátio (bairro) do Biaggi, às Amoreiras [ant. 1930] Biaggi (ou Biagi), nome do primitivo dono ou fundador, e que parece italiano. Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente |
![]() |
| Pátio (bairro) do Biaggi, às Amoreiras [ant. 1930] ... mastros que servem agora para se estender a enxugar roupa lavada (ou suja!). Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente |
[Leite de Vasconcellos, Etnografia Portuguesa, vol. II, 1936]
Na segunda metade do século XIX os «pátios» tornaram-se uma forma dominante de habitação popular em Lisboa. Em 1905 havia 233 «pátios» em Lisboa, com um total de 2278 habitações e alojando 10487 pessoas.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Pátio do Carrasco (ou do Gama)
Em Lisboa, e imediatamente à frente do Largo do Limoeiro, junto à antiga Cadeia encontramos o Pátio do Carrasco, estranhamente funesto e degradado. Por aqui terá vivido temporariamente Luís António Alves dos Santos (1806–1873), «o Negro», marcado pela casualidade histórica de ter sido o último carrasco de Portugal.
Dizem que haveria ali um túnel subterrâneo por onde Luís caminhava até à prisão do Limoeiro, mesmo ao lado. No local onde estaria essa passagem, ainda hoje se ouvem gritos.Os moradores pensam que são do próprio Luís, atormentado pelas mortes que causou e que fizeram dele «o último carrasco de Portugal», com um salário de 4.100 réis e direito a referência num livro de Camilo Castelo Branco.
![]() |
Pátio do Carrasco |c. 1960| Largo do Limoeiro, 3 Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente |
Mas é aqui que a história se torna difícil de entender: é possível que Luís Alves nunca tenha executado ninguém. Da única vez que foi encarregue de o fazer, em Tavira, deu ao seu imediato o dinheiro que tinha consigo, para que o substituísse. Como na época os carrascos usavam capuz, era possível trocarem de lugar sem que ninguém se apercebesse. Será que Luís grita atormentado pelas mortes que causou na juventude? O carrasco lutou ao lado dos absolutistas, no século XIX, e confessou ter matado dois homens em legítima defesa. Morreu aos 67 anos, com um ataque de asma, já depois da abolição da pena de morte em Portugal.(FIDALGO, Vanessa, 101 Lugares para Ter Medo em Portugal, 2013)
![]() |
| Pátio do Carrasco, Roque Gameiro, 1925 É curioso o aspecto interior do pátio, onde há ainda pormenores construtivos dos séc. XVII e XVIII. |
terça-feira, 2 de junho de 2015
Quinta e Pátio do(s) Geraldes
Da Rua de Artilharia Um, pela a Travessa da Fábrica dos Pentes à Rua Castilho
![]() |
Quinta e Pátio do(s) Geraldes [c. 1900] Rua de Artilharia 1, Rua Castilho e Rua Rodrigo da Fonseca José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente |
![]() |
| Pátio do(s) Geraldes [1888] Rua de Artilharia 1, Rua Castilho e Rua Rodrigo da Fonseca Exposição Pecuária Nacional em 1888 no Valle de Pereiro (depois Parque Eduardo VII). Augusto Bobone, in BNP |
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 94 e 97, 1939)





Cal%C3%A7ada%20Conde%20de%20Penafiel.jpg)
























%20do%20Biaggi,%20%C3%A0s%20Amoreiras_M%231.jpg)






