Sunday, 29 May 2022

Palacete Bessone (Palácio dos Vila Franca)

Pelo decorrer dos séculos XIII e XIV S. Francisco engrandeceu-se, e os palácios nobres surgiram, timidamente, aqui e ali. O Terramoto varreu tudo, e nas reedificações e urbanização nem vestígios ficaram desse «Bairro de S. Francisco». Sítio de palácios foi este - e agora não vemos nenhum, sina aliás de Lisboa, onde pode dizer-se que mais duraram e duram conventos e seus restos do que casas nobres, no semblante antigo. Este palacete assenta onde foi o Palácio dos Vila Franca (Câmaras), depois Condes e Marqueses da Ribeira, e que pertenciam em 1755 à Casa Real. [Araújo: 1939]


Localizado no sítio do Palácio dos Vilas Franca, depois Condes da Ribeira, danificado pelo Terramoto de 1755 e reconstruído em 1760, o Palacete Bessone, da Rua Víctor Cordon, resultou da transformação das fachadas do antigo paço dos condes da Ribeira, segundo o traçado de Cinatti, aprovado pela Câmara Municipal em Abril de 1856, a pedido do seu proprietário à época, Tomás Maria Bessone, negociante e capitalista lisboeta, de origem genovesa, depois visconde. De arquitectura residencial, neoclássica e gosto italianizante, trata-se de um palacete urbano com fachadas rebocadas e pintadas, evidenciando elementos definidores em cantaria. É composto por quatro corpos, separados por pilastras. Um corpo central ligeiramente avançado, ladeado por dois corpos simétricos e um novo corpo, a nascente, introduzido por altura da campanha de obras de Cinatti. 

Palacete Bessone (Palácio dos Vila Franca) [1941]
Rua Víctor Cordon, 1-1H
Eduardo Portugal, in AML

A fachada principal, virada a Norte, condensa aspectos nobilitantes e identificativos de uma gramática neoclássica, de registo palladiano, traduzidos na disposição simétrica das fachadas e vãos, no perfil rectilíneo destes últimos, na varanda corrida com guarda de ferro sustentada por modilhões decorados (ao nível do 1º andar), na animação introduzida por pilastras estriadas com capitel coríntio, no desenho da cornija alteada e saliente e no remate com balaustrada ornamentada com estátuas nos prumos. 
No interior merece destaque o pavimento em cantaria e revestimento com azulejo de padrão azul e branco do vestíbulo, o qual marca o arranque de escadas de ligação entre pisos, com degraus em madeira e corrimão em ferro forjado. [França: 1981]

Rua Víctor Cordon [1952]
Na dir. alta observa-se o Palacete Bessone
Eduardo Portugal, in AML

Saturday, 28 May 2022

Abertura da Avenida Almirante Reis (Norte)

Do nosso tempo é a grande artéria de Almirante Reis - recorda Norberto de Araújo - , que sucedeu na designação, como tenho dito, à Avenida de D. Amélia: tem 40 anos incompletos [c. 1900]. É uma linha urbana de primeira categoria, sem história, que começou a rasgar-se timidamente no final do século passado [séc. XIX]. Obedeceu a um plano, e por esta circunstância oferece o esplendoroso aspecto citadino que se lhe nota.
Assim fosse sempre em Lisboa.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p. 73, 1938)

Abertura da Avenida Almirante Reis (N.) [1938-12-26]
Edifícios junto a Rua Lucinda do Carmo, próximo da futura Praça do Areeiro, que se vê ao fundo.
Eduardo Portugal, in AML

Sunday, 22 May 2022

Palácio do Manteigueiro

Também conhecido como Palácio Condeixa, foi edificado em finais do séc. XVIII (1787). Deve-se ao arquitecto pombalino Manuel Caetano de Sousa o seu plano de construção [Eduardo de Noronha atribui a obra ao arquitecto Altronochi, Milionário. Artista, p.184]. Com uma arquitectura setecentista imponente, o palácio passou de residência a sede da Assembleia Lisbonense (1836) e, actualmente, é ocupado pelo Ministério da Economia.
Leia a agitada história deste celebrado palácio que vale bem a pena.


O Palácio do Manteigueiro, na Rua da Horta Seca à esquina da Rua da Emenda (que foi Travessa do Mel), foi edificado por volta de 1787 por uma curiosa personagem que Lisboa em peso conheceu, um certo Domingos Mendes Dias, transmontano, enriquecido no Brasil com géneros de mercearia, que transitara de aguadeiro a merceeiro, volvido depois em grande negociante de manteigas: daí a alcunha. Este homem — que se não fora a riqueza acumulada não passaria dum ignorado e humilde cidadão, chegou a fidalgo da Casa Real — era de uma sordidez tão engenhosa que fazia servir o jantar dentro de uma gaveta para a fechar rapidamente se alguém aparecesse, levantou, todavia, um palácio maravilhoso com incrível prodigalidade. Foi a sua criação. Morreu deixando toda a fortuna a António Pereira Coutinho, da velha família dos Pereiras Coutinhos, morgado de Vilar de Perdizes, a favor de quem, e querendo mostrar-se de origem fidalga, fizera testamento, com a condição de este se deixar tratar por primo — e o palácio veio a pertencer a João Fletcher, inglês de tanta preponderância na sociedade portuguesa do seu tempo, talvez a partir de 1826, época em que o palácio se transformou num grande centro de reuniões, principalmente da colónia inglesa. Mais tarde, em 1860, passou aos Condes de Condeixa [vd. imagem abaixo]No segundo ano da República habitou neste palácio o Presidente Manuel de Arriaga.

Palácio do Manteigueiro [1970]
Rua da Horta Seca, 13-19; Rua da Emenda, 87-91; possui outro meio de comunicação na Rua das Chagas, onde um portão de ferro, com o n.º 18, abre para um extenso corredor, que liga com o jardim, nas traseiras do edifício, e que servia à criadagem e dava passagem às carruagens.
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século
Palácio do Manteigueiro [1970]
Rua da Horta Seca, 13-19; Rua da Emenda, 87-91
 As actuais pedras de armas que coroam a janela de tribuna da entrada do palácio, são da família Condeixa.
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Domingos Mendes Dias era considerado um dos maiores capitalistas do seu tempo e deixou uma fortuna que, na data do falecimento, foi avaliada em seis e meio milhões de cruzados, correspondentes a dois mil e seiscentos contos de réis. Apesar disso, até ao fim da sua vida, revelou-se um espírito tacanho, peculiar à sovinice de que deu bastas provas. Vivia com uma preta de avançada idade, que lhe preparava os alimentos, tudo do que havia de mais barato.
Devido ao seu feitio miserável, este estranho milionário chegou a ser preso pela ronda, por se tornar suspeito, uma noite em que transportava às costas a fruta verde que apanhara do chão, numa das suas quintas dos arredores. 
Contava-se que, nas longas noites de Inverno, o seu prazer favorito consistia em «formar cartuchos de cem peças de oiro». Jamais soube tirar do dinheiro o bom partido que ele pode dar, esse ricaço asqueroso, que faleceu nos princípios do século XIX (2), em consequência de um ataque de ladrões, à punhalada, pois que, mesmo nessa emergência, achando os gastos exagerados, implorou do médico que o tratava, que fosse mais comedido nos remédios... Da poupança surgiu a gangrena, que o levou como a qualquer pobre de Cristo.

Palácio do Manteigueiro, fachada principal na fase primitiva [c. 1900]
Rua da Horta Seca, 13-19; Rua da Emenda, 87-91
Primitivamente de um só andar, águas-furtadas e dois pisos térreos, de janelas gradeadas,
que o declive do terreno permitiu edificar, correspondendo a loja e sobreloja, do lado
da Rua da Emenda, tem hoje três pavimentos superiores.
Fotógrafo não identificado

Contrastando com a sua manifesta avareza, o milionário-«manteigueiro» vivia num ambiente de riqueza. Os interiores do palácio eram de um «luxo asiático», expressão de que se serviu Tinop. As quatro salas (branca, vermelha, verde e amarela), com os tectos pintados por Pedro Alexandrino (1730-1810) e ricas portas de madeira do Brasil, estavam forradas de damasco, recheadas de colgaduras e de «Opulenta mobília». Os espelhos eram de boas chapas de cristal e tanto as molduras como os tremós estavam dourados com «peças d'ouro derretidas». O salão de baile, como a sala de jantar, corriam ao longo da fachada virada à Rua da Horta Seca.

Palácio do Manteigueiro, escada nobre [2020]
Rua da Horta Seca, 13-19; Rua da Emenda, 87-91
Fotógrafo Hélder Carita, Tiago Molarinho, in A Casa Senhorial

A Assembleia Lisbonense — também chamada Assembleia da Horta Seca, considerada durante os catorze anos da sua vigência, o melhor centro da plutocracia e da alta política, que constituíam a nata dos partidários da «Carta» — instalou-se em 1836, no Palácio do Manteigueiro; quando para lá foi, mutilou-o de cima a baixo. Mandou arrancar os tectos de excelente madeira de teca, todas as portas e ombreiras de magnifica madeira do Brasil. e vendeu tudo a ferros-velhos: o estuque igualitário destruiu, de vez, a preciosa concepção do velho Altronochi, arquitecto que ali pusera o melhor da sua arte. Ficou um casarão incaracterístico, de gosto duvidoso, mobilado á feição de Poisignon, com todas as chinesices então muito em moda no boulevard dos Italianos.
Por aqui passou, todavia, o que em Lisboa posava e orientava.

Palácio do Manteigueiro, capela [1966]
Rua da Horta Seca, 13-19; Rua da Emenda, 87-91
Desmontado e guardado no Patriarcado de Lisboa, o oratório do palácio constituía  uma das peças mais elaboradas de todo o programa interior.
Horácio Novais, in AML

No 1.º andar, merece especial referência a linda capela, com rica obra de talha e elegante cúpula, de um só altar, figurando no retábulo a imagem de Nossa Senhora. Não sabemos se é contemporânea das fundações do palácio, ou se teria sido mandada construir pelo visconde de Condeixa. No ano de 1913 instalou-se aqui a sede da Vacuum Oil Company acabando por comprar o edifício em 1920. É esta empresa que realiza as grandes obras do edifício acrescentando um andar nobre ao edifício. Se a morfologia do palácio é assim radicalmente alterada, as escadarias nobres foram preservadas protegendo-se uma estrutura arquitectónica de inequívoco valor estético. Nestas obras é igualmente desarmado o oratório da casa e guardado no Patriarcado de Lisboa.
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Bibliografia
ALMEIDA, Mário de. LISBOA do Romantismo, 1917.
COSTA, Mário, O Palácio do Manteigueiro, in Olisipo, Abril de 1958.
acasasenhorial.org.

Friday, 20 May 2022

Largo do Chiado: vendedora ambulante de fitas-métricas

O vocábulo Chiado — segundo Mário Costa, no seu Chiado Pitoresco e Elegante, 1965 — de efeito sonoro e quase mágico, designa como adjectivo aquele que se revela astuto, ladino, malicioso. No dicionário de Caldas Aulete, chiado, o mesmo que chiada ou chiadeira, quer dizer o ruído provocado pelo acto de chiar, som agudo e desagradável. Há uma hipótese segundo a qual o nome Chiado adviria do ruído carruagens que, séculos atrás, subiam a calçada (ladeira) do Chiado. Alberto Pimentel e Matos Sequeira, olisipógrafos ambos, estudaram a origem do nome Chiado.
Enquanto o primeiro concluiu que ele derivou da existência e modos de proceder de duas figuras excêntricas, alcunhadas de Chiado (Gaspar Dias, o vinhateiro, e António Ribeiro, o poeta chocarreiro), o segundo pesquisador afirmou convictamente que a transmissão de tal nome derivou da popularidade de que gozou o taberneiro na vida que fez em pleno Chiado, no século XVI, vida pública que o levou a tomar larga familiaridade com o chistoso vate, ex-frade franciscano, que em religião usou o nome de fr. António do Espírito Santo.

Largo do Chiado |1960|
Vendedora ambulante de fitas-métricas
Dístico de 1925; antigo Largo das Duas Igrejas ou Praça Do Loreto e antes lugar da Porta (ou Portas) de Santa Catarina, construída na cerca de D. Fernando, entre 1373 e 1375; Igreja da Encarnação.
Arnaldo Madureira, in AML

Sunday, 15 May 2022

O Sítio de Santo André

Foi neste Largo de Rodrigues de Freitas que nos despedimos no cabo da última jornada — recorda o ilustre Norberto de Araújo. Aqui nos voltamos a encontrar — no coração do velho Santo André, santo da toponímia popular, cujo nome encheu o sítio, e por muitos anos perdurará. Vão lá dizer as gentes que isto aqui não é «Santo André»!
A designação deriva da circunstância de neste local de que nos vamos aproximando — a Travessa do Açougue , que conduz em pequena rampa à Calçada da Graça — ter existido a Igreja Paroquial daquela invocação.

Sítio de Santo André [c. 1939]
Largo Rodrigues de Freitas antes das demolições. Perspectiva tirada do Largo do Menino Deus sobre a Travessa do Açougue, S. Vicente e Graça; na esq. alta nota-se a mansarda da Vila Sousa.
Eduardo Portugal, in AML

O primitivo templo datava de 1286, ou mesmo de mais longe, e dele fez doação D. Diniz a Aires Martins e a sua mulher Maria Esteves, sendo pouco depois constituído em sede de freguesia eclesiástica. Com o decorrer do tempo quantos sacrifícios de obras não deveria ter recebido o desaparecido templozinho, que possuía apenas uma nave e cinco capelas! Mas durou de pé até ao Terramoto, e chegava para a freguesia.
Muito ofendido em 1755, aquando do sismo, e depois reedificado, ai por 1835, ameaçava ruina de tal sorte que sofreu a pena irremissível da demolição. Entre as cinco capelas que oferecia à devoção, uma era falada: a de Nossa Senhora da Vida. Que generoso nome! A imagem desta linda capela e a do orago foram transferidas para a Igreja da Graça. Uns preciosos azulejos policromos que a capela ostentava conservam-se na Biblioteca Nacional. A paróquia eclesiástica, à qual antes de 1835 se reunira a de Santa Marinha, passou para a da Graça.==

Sítio de Santo André [1953-06]
Largo Rodrigues de Freitas depois das demolições, encruzilhada de uma meia dúzia de pequenas ruas, oásis verdejante, com algumas casas bem antigas mas, infelizmente, bastante degradadas. Perspectiva tirada do Largo do Menino Deus sobre a Travessa do Açougue; Palácio Figueira.
Eduardo Portugal, in AML

N-B. A CML através do seu edital de 14/10/1915 prestou homenagem a Rodrigues de Freitas (1840-1896), nome ligado ao jornalismo e à propaganda republicana. Economista, político e pedagogo, desempenhou um papel relevante no alastrar do movimento republicano, tendo sido um dos primeiros republicanos portugueses a ser eleito para a Câmara dos Deputados em 1870. Esteve implicado na revolução fracassada do 31 de Janeiro de 1891. Aderiu ao denominado socialismo catedrático publicando várias obras dentro desta ideologia. 
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, pp. 12-13, 1938.
cm-lisboa.pt.

Friday, 13 May 2022

Palacete na Estr. de Benfica, 382-384A

Este palacete rústico é testemunho de uma casa de campo de meados de Oitocentos, das que, juntamente com quintas, foram edificadas durante o séc. XIX ao longo das vias que levavam às localidades do termo de Lisboa.


Implantado às portas da cidade, é composto por dois corpos longitudinais que enquadram uma entrada monumental e um pequeno espaço verde dianteiro. Uma pequena rampa lateral conduz a um portão, com dupla porta de ferro, limitado lateralmente por dois pilares de almofadados, de secção quadrangular, sobrepujados por jarrões sobre plataforma, que dá acesso a um pátio definido pela planta em forma de L, resultante da junção dos dois corpos do edifício. O alçado do corpo principal, virado à Estr. de Benfica, desenvolve-se em três pisos, definidos lateralmente por pilastras-cunhais, e organiza-se em dois panos murários assimétricos separados por pilastras.

Palacete na Estr. de Benfica, 382-384A |1968|
Armando Serôdioin AML

O pano menor, rasgado por vão único em cada andar, apresenta no piso térreo porta de arco abatido e nos restantes pequenas varandas com guardas de ferro. O pano mais extenso, rasgado por três vãos em cada registo, repete idêntica tipologia, diferenciada apenas no piso térreo pela sua porta de menores dimensões e duas janelas de arco abatido protegidas por gradeamento. No topo, o edifício surge rematado, em toda a sua extensão, por balaustrada de cantaria, segmentada em quatro secções. A fachada lateral, coroada por balaustrada e com idêntica organização simétrica, é rasgada por três janelas em cada piso, molduradas e de arco de volta perfeita. O segundo corpo do edifício, mais recuado em relação ao corpo principal, segue a mesma tipologia, embora seja rasgado por vão único no alçado lateral, por ser mais estreito. Estruturado em dois pisos, para acompanhar o desnível do terreno, o acesso ao interior é feito através de ampla escadaria. 
No exterior, o conjunto é rodeado por um pequeno jardim murado, pontuado pela construção de alguns anexos nas traseiras. [cm-lisboa.pt]

Sunday, 8 May 2022

Cinema Cinebolso

O Cinebolso, inaugurado a 8 de Março de 1975, com o filme A Salamandra de Alain Tanner, era o resultado de uma abordagem que tentava conjugar a programação com os requisitos de conforto que se começavam a exigir neste tipo de espaços. Trata-se.com efeito de adaptações mais ou menos conseguidas que se estendem a toda a cidade e que estão na origem do aparecimento de outras salas como o Cinema Star inaugurado em 1977,com risco de Ramos Chaves. [...]
O Cinebolso anunciava-se com «filmes à hora de almoço», sem lugares marcados e com sessões ao domingo para crianças.
 
Cinema Cinebolso [1977]
Rua Actor Taborda, 27
Vasques, in AML

Em 1976, começa a exibir filmes «para adultos» com a estreia do filme "Kermesse Erótica" e com cinco sessões diárias formavam-se longas filas para adquirir bilhetes  — rezam as crónicas da época.
Em 1983, passa a chamar-se Quinteto, com a estreia do filme "Blade Runner" de Ridley Scotta, altura em que começou a ser explorado por Pedro Bandeira Freire, mentor do Cinema Quarteto e seu dinamizador desde a sua inauguração em 1975. Mas a vida atribulada desta sala não acaba aqui. Depois de voltar a mudar de proprietário, altera o nome para o efémero "N’Gola” já que, passados meses, volta a fechar portas. Reabrirá, em 1986, retomando a exibição de filmes para adultos — em regime de sessões continuas — e assim se manteve até 2019, altura em que encerrou para férias, e nunca mais voltou a vida.


Bibliografia
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa, 2012
Publicações online

Friday, 6 May 2022

Convento das Salésias

A fundação do Mosteiro da Visitação de Santa Maria (ou das Salésias) nasceu da intenção do Padre oratoriano Theodoro de Almeida que, no decorrer do seu exílio em França, foi confessor extraordinário do Convento da Visitação de Annecy. Regressado a Portugal em 1778 empreendeu diligências para a fundação do primeiro mosteiro de visitandinas no país, o que ocorre, por decreto régio, em Janeiro de 1782. Instala-se na zona do "Altinho", próximo da Rua da Junqueira, em terrenos comprados ao morgado do conde da Ega e cedidos pela rainha D. Maria I, sendo inicialmente ocupado por cinco religiosas vindas de referido mosteiro francês. As obras de conversão das casas e da ermida pré-existentes iniciaram-se em Junho de 1783, simultaneamente à construção de uma nova igreja adossada ao edifício do convento, aberta ao culto apenas em 1846. Em 1887, exactamente uma década antes da sua extinção, mosteiro, igreja e cerca foram cedidos à Associação de Beneficência São Francisco de Salles. .

Convento das Salésias  [c. 1930]
Mosteiro e igreja da Visitação de Santa Maria; depois Colégio Nuno Álvares
Rua Alexandre Sá Pinto, 26
Ferreira da Cunha, in AML

O Colégio e Mosteiro veio a ser extinto em 23 de Junho de 1897 vindo a Fazenda Nacional a tomar a sua posse em 1897. Em 1905 o edifício foi ocupado pelo Refúgio e Casas de Trabalho (pertencente à Provedoria Central da Assistência de Lisboa), que em 1926 é renomeado Asilo Dom Nuno Álvares Pereira (actual Centro de Educação e Desenvolvimento de D. Nuno Álvares Pereira, da Casa Pia, mantendo-se desde então no local). A cerca mantém-se intacta e em alguns locais murada, tendo nela sido instalado o Estádio das Salésias (construído em 1928 e demolido em 1956) e a Escola Industrial Marquês de Pombal (1963).

Convento das Salésias  [1915]
Mosteiro e igreja da Visitação de Santa Maria; Refúgio e Casas de Trabalho
Rua Alexandre Sá Pinto, 26
Joshua Benoliel, in AML

No interior destacam-se: a decoração marmoreada; o coro-alto; e as pinturas de tecto, a têmpera, em trompe-l'oeil, imitando relevos em estuque.
Actualmente, encontra-se sob a gestão da Casa Pia de Lisboa. [mais info: patrimoniocultural.cm-lisboa.pt]

Convento das Salésias  [1915]
Mosteiro e igreja da Visitação de Santa Maria; Refúgio e Casas de Trabalho
Rua Alexandre Sá Pinto, 26
O programa decorativo de maior interesse encontra-se nas abóbadas da nave central e transversal da cúpula, pintadas a têmpera, em trompe l'oeil imitando curiosos relevos em estuque de festonadas de meados do séc. XIX
Joshua Benoliel, in AML

Sunday, 1 May 2022

Campo Grande: «Casa Camelo»

Para NO. estende-se então o maior parque da Cidade, o Campo 28 de Maio ou Campo Grande. Chamado antigamente Campo de Alvalade, é logradouro público da cidade desde o séc. XVI. O parque foi começado a plantar nos tempos de D. Maria I. Tem 1.300 m. de comprimento por 200 de largura.

Casa Camelo sito Campo Grande, 394-396  |1941|
«Casa Camelo», demolida nos idos de 1960/70 para a abertura da Avenida Gen. Norton de Matos.
Eduardo Portugal, in AML

Tendo sofrido, durante muitos anos, toda a espécie de vicissitudes, ao ponto de apresentar, em alguns locais, um aspecto pouco brilhante, esta grande zona foi restaurada (1946) segundo projecto do arquitecto Keil do Amaral, que, com o precioso auxílio dos serviços camarários de jardinagem, corrigiu arruamentos, abriu novas pracetas e construiu airosas edificações utilitárias entre o frondoso arvoredo também reconstituído, conseguindo que o novo Campo Grande recuperasse um aspecto de grande beleza pois as suas espécies vegetais são preciosas, devendo salientar-se as palmeiras gigantes ao N. do parque.
(in Grande enciclopédia portuguesa e brasileira, 1936)

Campo Grande |1907|
Zona N. do Campo Grande com a Alameda Linhas de Torres junto ao Palácio Valença-Vimioso; ao fundo a «Casa Camelo», demolida nos idos de 1960/70 para a abertura da Avenida Gen. Norton de Matos (2ª Circular); 1.º raide hípico promovido pela 'Ilustração Portuguesa", automóvel de 'O Século' em que segue o sr. Hogan Teves, delegado da 'Ilustração Portuguesa'.
Joshua Benoliel, in AML
Nota(s): local não identificado no AML

Só na década de quarenta do século XX, por edital de 23/12/1948, (...) voltou a denominar-se como Campo Grande, designação que se manteve até à actualidade.[cm-lisboa.pt]

Campo Grande  |190-|
Passeando entre as  palmeiras gigantes.
Paulo Guedes, in AML

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