Showing posts sorted by relevance for query miradouro. Sort by date Show all posts
Showing posts sorted by relevance for query miradouro. Sort by date Show all posts

Tuesday, 15 March 2016

Miradouro da Senhora do Monte

O olisipógrafo Norberto Araújo caracteriza da seguinte forma este belo e contemplativo miradouro da cidade de Lisboa situado no alto do Monte de S. Gens:
Ora aqui temos, Dilecto, outro miradouro da Cidade. Goza este panorama surpreendente que abrange a parte baixa da Cidade, os seus píncaros, com o Castelo à nossa ilharga, tão perto que apetece estender-lhe a mão, e que se alarga a norte e a nascente para os bairros novos até ao sopé da Penha, à Estefânia, à Rotunda. 

Miradouro da Senhora do Monte, as suas árvores seculares e um invulgar candeeiro [1946] 
Rua da Senhora do Monte (Lg. do Monte)
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente


Deves ter notado que cada miradouro de Lisboa tem a sua perspectiva especial, o seu anfiteatro diferenciado ao sopé rumoroso e confuso. Este do Monte, com a Ermida ao lado, é dos mais deleitosos de Lisboa.==
(ARAÚJO, Norberto de Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 37, 1938)

Miradouro da Senhora do Monte, as suas árvores seculares [19--] 
Rua da Senhora do Monte
(Lg. do Monte)
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Este balcão privilegiado sobre a cidade, oferece uma ampla e rica panorâmica de Lisboa: o Castelo de São Jorge, o Rio Tejo, a Baixa, a Colina de São Roque com as ruínas do Convento Carmo, as zonas antigas e intimistas da Colina do Castelo e da Mouraria, a Lisboa das avenidas largas e dos edifícios de construção mais recente para Norte, os principais jardins, entre outras vistas. O espaço do miradouro é pontuado por exemplares como o cipreste, a oliveira e o pinheiro-manso, que proporcionam belas sombras.

 Panorâmica tirada do miradouro da Senhora do Monte para a Costa do Castelo  [ant. 1940]
Rua da Senhora do Monte
(Lg. do Monte)
Ao centro, as traseiras do Teatro Taborda e a antiga Cerca do Coleginho; Igreja de Santa Cruz do Castelo.
 Kurt Pinto, in Lisboa de Antigamente


Sunday, 20 November 2022

Miradouro de Santa Luzia: panorâmica sobre o Tejo e Santo Estêvão

Mas retomemos a jornada, deixando ao alto, a dois passos, as Portas do Sol e as venerandas torres e muralha moura, sobre a qual assenta o miradouro de Santa Luzia. É esta uma das entradas «turísticas» da Alfama. Eis-nos, Dilecto, no Miradouro de Santa Luzia, ou Jardim de Júlio Castilho —  nota Norberto de Araújo.. Tira o teu chapéu, que eu trago já o meu na mão: estamos diante do busto do Mestre infatigável e iluminado da "Lisboa Antiga" e de ”A Ribeira de Lisboa", generoso precursor dos estudos olisiponenses.¹

Miradouro de Santa Luzia, panorâmica sobre o Tejo e Santo Estêvão [1929-73-03]
Construção do monumento a Júlio Castilho, inaugurado em 25 de Julho de 1929.
Fotógrafo: não identificado, in Lisboa de Antigamente 

Dificilmente um miradouro teria nome mais apropriado. A Santa protectora dos olhos dá aos olhos dos que a visitam um dos mais belos panoramas de Lisboa. Porque em Santa Luzia estamos perto de tudo, dos telhados, dos quintais. do rio, dos barcos. E estamos ao mesmo tempo diante da imensidão do mar da Palha, com Palmela, Arrábida e Sesimbra como pano de fundo.
Nos detalhados azulejos deste miradouro podemos também ver representações da Praça do Comércio antes do terramoto de 1755 e também do ataque cristão ao Castelo de S. Jorge. Também se destaca aqui o busto de Júlio de Castilho, em homenagem ao famoso olisipógrafo, iniciativa da vereação de Quirino da Fonseca, inaugurado em 1929.²

Miradouro de Santa Luzia, panorâmica sobre o Tejo e Santo Estêvão [1929-73-03]
Jardim e Monumento a Júlio Castilho, inaugurado em 25 de Julho de 1929.
Fotógrafo: não identificado, in Lisboa de Antigamente 

Bibliografia
¹ ARAUJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. II, p. 69, 1938.
² ADRAGÃO, José Victor; PINTO (Natália); RASQUILHO, Rui, Lisboa, 1985.

Wednesday, 15 August 2018

Lisboa vista do Miradouro da Senhora do Monte

Junto à Capela da Senhora do Monte, este balcão privilegiado sobre a cidade, oferece uma ampla e rica panorâmica de Lisboa: o Castelo de São Jorge, o Rio Tejo, a Baixa, a colina de São Roque com as ruínas do Convento Carmo, as zonas antigas e intimistas da Colina do Castelo e da Mouraria, a Lisboa das avenidas largas e dos edifícios de construção mais recente para Norte, os principais jardins, entre outras vistas. 

Panorâmica tomada Miradouro da Senhora do Monte |1959|
Rua da Senhora do Monte; Castelo de São Jorge
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
Panorâmica tomada Miradouro da Senhora do Monte |c. 196-|
Rua da Senhora do Monte; Castelo de São Jorge
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente
 
O espaço do Miradouro  da Senhora do Monte«com o Castelo à nossa ilharga» — é pontuado por exemplares como o cipreste, a oliveira e o pinheiro-manso, que proporcionam belas sombras. [cm-lisboa.pt]

Miradouro da Senhora do Monte |1959|
Rua da Senhora do Monte; Chafariz; Nau de São Vicente
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
Vista a partir do Miradouro de Nossa Senhora do Monte |1958|
Rua da Senhora do Monte
Ao fundo nota-se o Castelo de São Jorge, o Tejo e o Cristo-Rei (1959). Em baixo observa-se a Mouraria em demolições e o Hotel Mundial (1959).
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Thursday, 21 April 2016

Miradouro do Alto de Santa Catarina, Pico da Boa Vista ou Belveder

   Estamos, enfim, no Alto de Santa Catarina — um dos belos miradouros naturais de Lisboa. 
   Eis, a cavaleiro de Lisboa buliçosa e rumorejante dos cais, um sítio tranquilo, onde o silêncio assentou arraiais. Daqui se pode dizer que, ao longe, o ruído «se vê». 
   Este Alto, rodeado de palacetes, prédios de discreto semblante burguês, um certo ambiente aristocrático recolhido, destoa em absoluto da zona urbana que o envolve: a Bica, S. Paulo, o Combro, o Bairro Alto.  
   Há destes fenómenos por Lisboa — fenómenos de dissociação, nascidos sempre de um acaso, que acaba por deitar raízes.

Miradouro do Alto de Santa Catarina, Pico da Boa Vista ou Belveder [1959]
Rua de Santa Catarina
Fernando Manuel de Jesus Matias, 
in Lisboa de Antigamente
   
 Este sítio foi conhecido nos séculos velhos por Monte ou Pico do «Belveder» ou do «Belver», e ainda da «Boa Vista», vocábulos que bem correspondem à sua privilegiada situação panorâmica, e que deram a «Boa Vista› no sopé, junto ao mar, e que ainda subsiste.
   O Alto de Santa Catarina, designação que foi simultânea com a de Belver, mas resistiu, deve a designação à circunstância de neste sítio exactamente onde está esse Palacete n.º 1 [do Conde de Verride], com pátio guarnecido de gradeamentoter existido a Igreja paroquial de Santa Catarina do Monte Sinai.
   No alto deste cabeço, havia, como atrás disse, desde o século XV uma enorme Cruz de madeira, que servia de guia aos mareantes.

Miradouro do Alto de Santa Catarina, Pico da Boa Vista ou Belveder [c. 1940]
Rua de Santa Catarina
Paulo Guedes, 
in Lisboa de Antigamente
Miradouro do Alto de Santa Catarina, Pico da Boa Vista ou Belveder [1965]
Rua de Santa Catarina
Paulo Guedes, 
in Lisboa de Antigamente

   O Jardim, Miradouro ou «Alto» de Santa Catarina — é este onde nos encontramos, debruçado sobre a vista, e dominando a margem fabril e naval, o Aterro, a Madragoa, o Tejo, e os montes da outra banda. A expressão «ver navios no Alto de Santa Catarina» tem a sua justificação.
   O ajardinamento deste logradoiro público data do princípio do século [séc. XX]; nem por carecer de arbustos e de flores o local deixou de ser, desde há alguns séculos, um dos encantos panorâmicos de Lisboa.
   Em 1927 foi colocado no centro deste pequeno jardim esse bloco de pedras sobrepostas, que constitui, no complemento escultórico, o monumento singelo, simbólico ao Gigante Adamastor. O artista Júlio Vaz Júnior, imprimiu à sua obra um sentido subjectivo; a «Visão do Estatuário» é o coroamento do monumento, e nele se vê a pequena figura do escultor, em bronze, à sombra da carranca do gigante fabuloso.
   Pode ser discutível esta obra; possui, contudo, uma certa expressão alegórica de grandeza.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, p. 71-73, 1939)

Miradouro do Alto de Santa Catarina [1965]
O Gigante Adamastor e a «Visão do Estatuário» observando-se a pequena figura do escultor, em bronze, à sombra da carranca do gigante fabuloso.
Rua de Santa Catarina
Armando Serôdio, 
in Lisboa de Antigamente


Tuesday, 10 November 2015

Miradouro do Jardim do Torel

O Jardim do Torel, originário de uma quinta do início do século XVIII, deve o seu nome ao desembargador Cunha Thorel, o mais rico proprietário da zona. Em Janeiro de 1928 o terreno do palácio foi cedido à Câmara Municipal de Lisboa que aí construiu o jardim e o miradouro, do qual se observa uma deslumbrante vista da parte ocidental de Lisboa. 

Miradouro do Jardim do Torel [c. 1940]
Rua Júlio de Andrade
 Amadeu Ferrari, in Lisboa de Antigamente

O espaço envolvente a este jardim é rico em numerosos exemplares de moradias nobres dos séculos XVIII e XIX. Em 2008 o Jardim do Torel foi alvo de uma intervenção de requalificação e restauro. A obra incluiu a instalação de um novo sistema de iluminação pública, composto por iluminação de presença e decorativa, possibilitando que de outros locais da cidade, o Jardim do Torel seja mais um ponto de interesse panorâmico na noite de Lisboa. 

Miradouro do Jardim do Torel [entre 1960 e 1969]
 Rua Júlio de Andrade
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Deste miradouro desfruta-se de uma vista desafogada sobre o vale da Avenida da Liberdade e a colina de São Roque, onde se destaca o Jardim de São Pedro de Alcântara, os sucessivos patamares da Calçada de Sant'ana e de um modo geral a zona Ocidental da cidade.==

Miradouro do Jardim do Torel [entre 1960 e 1969]
 Rua Júlio de Andrade
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 27 March 2019

Miradouro de São Pedro de Alcântara

Varanda dos amores românticos, do tempo em que era alameda — S. Pedro de Alcântara é um dos mais ternos miradouros naturais da cidade. Bem avisada andou a vereação que há pouco mais de um século fez deste cômoro, que fora de olivais, rústico e arrabaldino, — uma esplanada de crianças, um eirado, um jardim, uma alameda.

Sobre as Taipas e o Passeio Público, depois sobre a Avenida — S. Pedro de Alcântara é também um «passeio», suspenso, balouçante entre S. Roque, já sem padres, o Convento do Marialva, já sem arrábidos, e a Patriarcal, que nunca o chegou a ser.

Varanda do Bairro Alto, este Jardim — olha a direito. Que panorama!


Lisboa vista do Jardim de São Pedro de Alcântara [post. 1932]
S. Pedro de Alcântara teve o seu período de moda. Era o «Passeio», a «Alameda», o «Jardim» de S. Pedro de Alcântara, com a sua ingenuidade alfacinha, e o seu traço espiritual de romantismo. Não dava espectáculo, como o Passeio Público, mas era aprazível na sua posição de miradouro.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Para nascente e sul, o Castelo, recortado sobre a peanha pintalgada da cidade velha; as torres alvíssimas de S. Vicente espreitando da linha do horizonte, acima do casario; a Graça, generosa, entregando-se toda; S. Gens, minúsculo, pousado no outeiro que cai sobra as Olarias; a , flanqueada de torres, morena, muito severa... Para norte, os altos de Campolide, os retalhos verdes do Parque, ainda rústico aqui e ali, a confusão indistinta das avenidas modernas, e logo a cumeeira de Santana. É uma ondulação cenográfica de encantamento, sobretudo a certas horas de luz dourada, quando o sol se rende, e se despede nas vidraças de mil casas e tugúrios, embrechados nas colinas sagradas de Lisboa do oriente. [...]¹

Miradouro Jardim de São Pedro de Alcântara [entre 1926 e 1932]
Tanque do jardim  de São Pedro de Alcântara, no plano superior da Alameda (que data de 1840), peça elegante que fez parte do Paço da Bemposta ou Paço da Rainha.
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Tinham entrado em São Pedro de Alcântara — escreve o imortal Eça no seu Primo Basílio; um ar doce circulava entre as árvores mais verdes; o chão compacto, sem pó, tinha ainda uma ligeira humidade; e, apesar do sol vivo, o céu azul parecia leve e muito remoto.[...]
Convidou-a mesmo a dar uma volta em baixo no jardim. [...]
Foram encostar-se às grades. Através dos varões viam, descendo num declive, telhados escuros, intervalos de pátios, cantos de muro com uma ou outra magra verdura de quintal ressequido; depois, no fundo do vale, o Passeio [Público], estendia a sua massa de folhagem prolongada e oblonga, onde a espaços branquejavam pedaços da rua areada.

Miradouro de São Pedro de Alcântara [c. 1920]
No tabuleiro inferior — verdadeiro jardim de crianças, contemplativo e sereno — foram colocados os bustos de mármore que ainda lá se vêem, e que representam homens notáveis de Portugal — o Infante
D. Henrique D. João de Castro, Afonso de Albuquerque, Vasco da Gama, Pedro Alvares Cabral — de mistura com figuras de mitologia e da lenda: Ulisses, Minerva, Vénus [entre outros]
.

Mário Novais,in Lisboa de Antigamente

 

Do lado de lá erguiam-se logo as fachadas inexpressivas da Rua Oriental [do Passeio Público], recebendo uma luz forte que fazia faiscar as vidraças; por trás iam-se elevando no mesmo plano terrenos de um verde crestado fechados por fortes muros sombrios; a cantaria da Encarnação de um amarelo triste; outras construções separadas, até ao alto da Graça coberta de edifícios eclesiásticos, com renques de janelinhas conventuais e torres de igrejas, muito brancas sobre o azul; e a Penha de França, mais para além, punha em relevo o vivo do muro caiado, de onde sobressaia uma tira verde-negra de arvoredo. À direita, sobre o monte pelado, o castelo assentava, atarracado, ignobilmente sujo; e a linha muito quebrada de telhados, de esquinas de casas da Mouraria e de Alfama descia com ângulos bruscos até às duas pesadas torres da , de um aspecto abacial e secular. Depois viam um pedaço do rio, batido da luz; duas velas brancas passavam devagar; e na outra banda, à base de uma colina baixa que o ar distante azulava, estendia-se a correnteza de casarias de uma povoaçãozinha de um branco de cré luzidio

Miradouro Jardim de São Pedro de Alcântara [ant. 1938]
O tabuleiro inferior era um «Queluz» em miniatura, delícia das nossas avós pequeninas; lá existiram um labirinto de buxo, os bancos voltados à cidade, os balouços e brinquedos infantis, os velhos do Asilo da Mendicidade e alugando cadeiras ao domingo, e, cá em cima, uma Banda regimental.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Da cidade um rumor grosso e lento subia, onde se misturavam o rolar dos trens, o pesado rodar dos carros de bois, a vibração metálica das carretas que levam ferraria, e algum grito agudo de pregão.
— Grande panorama! — disse o Conselheiro com ênfase. — E encetou logo o elogio da cidade. Era uma das mais belas da Europa, decerto, e como entrada, só Constantinopla! Os estrangeiros invejavam-na imenso. Fora outrora um grande empório, e era uma pena que a canalização fosse tão má, e a edilidade tão negligente!
— Isto devia estar na mão dos ingleses, minha rica senhora! — exclamou.
Mas arrependeu-se logo daquela frase impatriótica. Jurou que era uma maneira de dizer. Queria a independência do seu país; morreria por ela, se fosse necessário; nem ingleses nem castelhanos!... Só nós, minha senhora! — E acrescentou com uma voz respeitosa: — E Deus! 
— Que bonito está o rio! — disse Luísa.
Acácio afirmou-se, e murmurou em tom cavo:
— O Tejo!

Miradouro de São Pedro de Alcântara [1967]
Ao fundo, antes das escadas de pedra que dão acesso à Alameda, vê-se o  groto embutido no muro de suporte e o respectivo tanque, também visível na 2ª foto.
Em meados do século XIX, segundo Norberto de Araújo, todo este sítio era «um monturo de pedregulhos e de imundícies, vala de despejo de animais mortos, a contrastar com a bonita e verdejante encosta que caía mais para o lado de S. Roque, sobre o fundo de Valverde, depois Passeio Público, justamente a Quinta do Marques de
Castelo Melhor».

Artur Inácio Bastos, in Lisboa de Antigamente

Quis então dar uma volta pelo jardim. Sobre os canteiros borboletas brancas, amarelas, esvoaçavam; um gotejar de água fazia no tanque um ritmozinho de jardim  burguês;  um aroma  de  baunilha  predominava; sobre  a  cabeça  dos bustos  de  mármore, que se elevam dentre os maciços e as  moitas de dálias, pássaros pousavam. 
Luísa gostava daquele jardinzinho, mas embirrava com as grades tão altas...
— Por  causa  dos  suicídios! — acudiu  logo  o  Conselheiro. [...]
— Se fôssemos andando?... — lembrou Luísa.
O  Conselheiro  curvou-se,  mas  vendo-a,  a  ir  colher  uma  flor,  reteve-lhe vivamente o braço:
— Ah,  minha  rica  senhora,  por  quem  é!  Os regulamentos  são  muito explícitos!  Não  os  infrinjamos,  não  os  infrinjamos! — E acrescentou: — O exemplo deve vir de cima.²

Miradouro de São Pedro de Alcântara [entre 1918 e 1922]
O gradeamento, que ainda hoje ali se encontra, veio do Palácio da Inquisição do Rossio, ou dos Estaus, actual Teatro D. Maria..
João Penha Lopes, in Lisboa de Antigamente

Apenas no tabuleiro inferior — remata Norberto de Araújo — , quando se cala o alarido saudável do dia infantil, e as sombras se alongam — S. Pedro de Alcântara se pode entregar ao recolhimento, que amacia as almas. Mas com o seu arvoredo ralo, com os seus canteiros de miosótis, com a sua cascata romântica, com o seu tanque, que pertenceu ao Paço da Bemposta, com o seu ardina de bronze a apregoar a liberdade — é um enternecedor eirado do Ocidente, senhor de Lisboa.¹
______________________________________
Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 114-115, 1943. 
² QUEIROZ, Eça de, O Primo Basílio, 1878.

Friday, 11 October 2024

Miradouro de São Gens (ou da Senhora do Monte)

Deves ter notado que cada miradouro de Lisboa tem a sua perspectiva especial, o seu anfiteatro diferenciado ao sopé rumoroso e confuso. Este do Monte, com a Ermida ao lado — recorda Mestre Araújo — é dos mais deleitosos de Lisboa.
O Bairro do Monte, urbanizado, data de 1902, embora anteriormente existisse na sua Calçada, no seu alto de S. Gens, e num ou noutro arruamento impreciso.
A Ermida de Nossa Senhora do Monte na sua feição primitiva era das mais antigas de Lisboa, pois foi fundada no próprio ano da tomada de Lisboa (1147), consagrada a S. Gens, bispo que fora de Lisboa, e neste lugar martirizado, segundo tradições. A Ermida não assentava neste sítio ; ficava nas faldas do Monte, já chamado de S. Gens [...]
 (ARAÚJO, Norberto de Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 37, 1938)

Miradouro de São Gens (ou da Senhora do Monte) |c. 1910]
Largo do Monte com uma criança dormindo na sombra de umas de suas árvores seculares — Phytolacca dioica, vulgo Bela-sombra — vendo-se, ao fundo, a Capela de Nª Sª do Monte.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente 

N.B. O miradouro desenvolve-se em frente da Capela de Nossa Senhora do Monte. A partir dele pode observar-se, para sul, o mar da Palha, o Castelo de São Jorge, parte da Baixa de Lisboa e o estuário do rio Tejo, para poente, do Bairro Alto até ao Parque Florestal de Monsanto e, para norte, o vale da Avenida Almirante Reis.

Tuesday, 1 September 2015

Miradouro de Santa Luzia

Este Miradouro de Santa Luzia não é o mais belo de Lisboa — recorda o ilustre Norberto de Araújo —  [...] mas no seu panorama de pitoresco puro que a nossos olhos se atropela, [...] abrangendo o Tejo e consentindo a contemplação das distâncias azuladas [...], nenhum artista seria capaz de conceber.℠
(ARAÚJO, Norberto de , Peregrinações em Lisboa, vol. II, p. 70, 1938)

Miradouro de Santa Luzia |1949|
Biblioteca municipal
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente
Miradouro de Santa Luzia |194-|
Biblioteca municipal
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Friday, 31 July 2026

Panorâmica de Lisboa tomada do Miradouro da Senhora do Monte

Ao chegar ao topo, encontrei o Miradouro da Senhora do Monte, o primeiro dos tantos que cá se me ofertaram aos olhares. Confesso-te que nunca esquecerei daquela santa de branco, numa cúpula tomada de flores, defronte à igreja que paira sobre a cidade. Soube que essa santa é a protetora das grávidas [...]
Do Miradouro da Senhora do Monte, vi o emaranhado de vielas onde se desenha a Mouraria, e ouvi ecoar de uma das casas o Fado manhoso, numa voz feminina, que me invadiu o pensamento. Ali constatei o que antes me havia sido dito por ti, talvez inspirada numa antiga canção: Lisboa é cidade-mulher, das cantoras do Fado às colinas e regatos do Tejo: tudo guarnecido de formas femininas. Após tantos anos de incredulidade, orei: Ó, Senhora do Monte, olhai as mulheres dessas freguesias, olhai também por Maria da Penha.
[NOVAIS, Klaus Escritos Degredados, 2014]


Panorâmica de Lisboa, tomada do Miradouro da Senhora do Monte [entre 1908 e 1929]
(clicar para ampliar)
Destacam-se na imagem: em baixo ao centro, a cúpula do extinto Real Coliseu de Lisboa (1896-1929) (A) na Rua da Palma; à direita deste, o Hospital do Desterro (B); um pouco acima a Escola Municipal nº 1 (C)  — a mais antiga de Lisboa; logo acima, ao centro, a Faculdade De Ciências Médicas (D) da Universidade Nova de Lisboa no Campo dos Mártires da Pátria; mais acima para poente, a Rua do Instituto Bacteriológico (e o edifício Câmara Pestana) (E) e, no fim desta, vislumbra-se torre sineira da Igreja da Pena (F) na Calçada de Sant'Ana; em último plano, na extrema esquerda, as torres da Basilica da Estrele, (G) e, em ultimíssimo plano adivinha-se o Palácio Nacional da Ajuda (H).
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 13 January 2019

Palácio dos Távora

Aqui temos a Travessa da Nazaré — diz Norberto de Araújo — , que deve seu nome à Ermida de que te falei, demolida há muito, e que em cotovelo leva à Calçada do Monte.
Oferece-nos à vista um curioso prédio Solarengo, n.ºˢ 13 a 21, palácio grado que foi no século XVIII. É hoje [em 1939] na sua parte nobre a sede do Centro Escolar Dr. António José de Almeida, aqui instalado desde 1913, e que foi fundado em 1906 na Travessa do Borralho aos Anjos [hoje Rua Francisco Lázaro].

O velho palácio em cujos baixos estão moradias pobres, ostenta dignidade nas suas dez varandas nobres, no seu alto e rasgado pórtico, e num conjunto severo de arquitectura civil. Possui três salas apaineladas, das quais uma pintada a claro escuro e outra com figuras e perspectivas interessantes, que talvez merecessem estudo. A Ermida da Nazaré nada sofreu com o Terramoto. Estou em crer que este Palácio teve restauro no século XVIII, mas não em consequência de ruína ou desmoronamento; aquelas pinturas, pois, uma delas pelo menos, pedem bem recuar ao princípio de setecentos.
 
Palácio dos Távora |c. 1900|
Travessa da Nazaré, 13 a 21
Machado & Souza,  in Lisboa de Antigamente

Os silhares de azulejos que revestem as salas são muito bons, e de variados tipos, azues e policromos, frescos, decorativos, exemplares de marca. 
Tinha capela privada, e possui um belo terraço com ampla vista sobre a cidade, verdadeiro miradouro.
Pertenceu nos meados da século passado este prédio ao Conselheiro Dr. Alfredo Dias Ascensão. Pertence agora [1938] a Artur Simões Faria, que do passado remoto da Casa nada sabe dizer. 

Dilecto: Lisboa está cheia destes mistérios, destas graças perdidas, destes romances vagos de famílias. 
Cada palácio morto é um Tombo-vazio. Deles raras vezes fica papel, notícia ou documento quando se foi o último senhor, e a Casa entrou no «inquilinato público» Muito do que conseguimos, aqui e ali, desvendar, já estaria perdido dentro de uma dúzia de anos.¹






 
Palácio dos Távora |c. 1900|
Travessa da Nazaré, 13 a 21
Machado & Souza,  in Lisboa de Antigamente





 
As suas antigas cocheiras, de linhas sóbrias e severas, são hoje ocupadas pelo ginásio. A antiga cozinha continua a manter os azulejos de padrão ou pombalinos da segunda metade do século XVIII que a revestem completamente. É difícil ultrapassar a extraordinária criatividade dos fabricantes de azulejos dessa época, bem como a dos técnicos que procediam à sua aplicação nas paredes.
A seguir ao grande terramoto que destruiu Lisboa em 1755, durante o Governo do Marquês de Pombal, 1.º Ministro do Rei D. José, houve necessidade de arranjar um material de revestimento barato e fácil de produzir, para ser usado nas novas construções que se erguiam rapidamente por toda a cidade. Assim, as oficinas de cerâmica começaram a produzir azulejo de padrão em grande escala para as novas casas e com as quais os compradores e os operários que os aplicavam, podiam fazer um sem número de combinações diferentes e muito imaginativas.

Palácio dos Távora,  azulejos |1968|
Travessa da Nazaré, 13 a 21
«Terraço com ampla vista sobre a cidade, verdadeiro miradouro»
Vasco Gouveia de Figueiredo, in Lisboa de Antigamente

O Palácio Távora também tinha uma sala decorada com pinturas a fresco do século XIX com vistas do Palácio da Pena de Sintra, mas foram apagadas por um qualquer desígnio misterioso partido da edilidade camarária lisboeta, actual proprietária do imóvel.²

N.B. O edifício é — desde 1973 — ocupado pelo Grupo Desportivo da Mouraria, que também se chamou os «Leões da Mouraria», associação desportiva local.

Panorâmica de Lisboa tirada do Castelo S. Jorge  |c. 1870|
Panorâmica de Lisboa tirada da Sra do Monte
A vermelho nota-se o Palácio setecentista dos Távora sito na Tv. da Nazaré.
Francesco Rocchini (1822-1895), in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, pp. 22-23, 1939.
²ADRIÃO, Vítor Manuel Mistérios de Lisboa, lendas e factos.

Sunday, 12 January 2025

Lisboa Vista do Cimo dos Montes

O Castelo de São Jorge — tal como o conhecemos na actualidade — leva pouco mais de 80 anos. Sim. leu bem.

Sob o ponto de vista de fortificação — recorda Norberto de Araújo — o primitivo castelo cimeiro (a partir do começo do século XVII por «Castelejo»), que dos romanos foi, passou pelos godos e árabes, e chegou aos portugueses, resumia-se ao chamado Castelejo, numa área faceada de 50 metros aproximadamente. Este recinto era, por sua vez, circundado de muralhas, de dez torres, e aberto para o exterior nalgumas partes.

Panorâmica da encosta do Castelo |195-|
Perspectiva tirada da Estação do Rossio. Notem-se os edifícios do aquartelamento militar demolidos depois da reconstrução.
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Esta Fortaleza, recebeu, durante oito séculos os insultos do tempo, dos sismos, dos próprios homens. A verdade é que já no século XVI o seu, vértice Sudoeste servia de apoio, e se integrava no Paço Real da Alcáçova, acabando por se ocultar, durante o século XIX, nas construções de aquartelamentos. [Araújo: 1938 e 1945]
O nome actual deriva da devoção do castelo a São Jorge, santo padroeiro dos cavaleiros e das cruzadas, feita por ordem de D. João I no século XIV.  

Panorâmica do Castelo de São Jorge |c. 193-|
Vista tomada do Miradouro da Senhora do Monte. Igreja de Santa Cruz do Castelo.
Note-se, ao centro, a Torre do Observatório, cuja denominação deriva da circunstância de nela haver sido construído, c. de 1788, o Observatório Geodésico, se é que, já antes, 1779, não esteve nela instalado o primeiro observatório astronómico visto em Lisboa, estabelecido no Castelo pelo matemático José Anastácio da Cunha.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Na década de 1940 foram empreendidas monumentais obras de reconstrução, levantando-se grande parte dos muros e alteando-se muitas das torres. Por esse motivo, ao contrário do que se poderia pensar à primeira vista, o "carácter medieval" deste conjunto militar deve-se a esta campanha de reconstrução, e não à preservação do espaço do castelo desde a Idade Média até aos nossos dias. [Gaspar]

Panorâmica do Castelo de São Jorge |1957|
Vendedeira ambulante de leite no Miradouro da Senhora do Monte.
O monumento foi entregue à Câmara Municipal de Lisboa pelo Ministério das Obras Públicas, em 31 de Maio de 1942.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 14 August 2022

Igreja (e convento) da Graça

A Igreja da Graça situa-se numa alta posição privilegiada de Lisboa. Orientada a Poente, o seu adro constitui um miradouro natural da cidade; o perfil da sua torre, com a extensão conventual, a Norte; a fachada do antigo Convento, contígua à da igreja com orientação a Sul.


A igreja da Graça, tal qual hoje se encontra, é uma reedificação da segunda metade do século XVIII, completada com reconstruções e restauros do final do século passado para os princípios do actual. integrou-se no convento dos religiosos eremitas descalços de Santo Agostinho, que para o sítio de Almofala vieram em 1271, transferidos do seu primitivo eremitério do Monte de S. Gens. A primeira igreja, certamente modesta, foi substituída por um majestoso templo, de três naves, dos maiores e mais ricos de Lisboa, pela diligência do vigário perpétuo da Ordem, o espanhol Frei Luís de Motoya, durando as obras nove anos (1556-1565). 
Logo de começo esta Casa religiosa teve relativa imponência na Igreja, e largueza no Convento que —  acomodava 1.600 pessoas — intitulado de Santo Agostinho até 1305; nesse ano todos os Conventos da Ordem passaram a ter a invocação de N. Senhora da Graça.

Igreja da Graça [c. 1900]
Panorâmica sobre a zona da Graça tirada do Castelo de São Jorge
Largo da Graça; Calçada da Graça
O conjunto constituído pelo convento e pela Igreja remonta ao início da nacionalidade, ganhando maior importância no século XVI.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Igreja da Graça [c. 190-]
Panorâmica sobre a zona da Graça tirada do miradouro junto à Rua Damasceno Monteiro
Largo da Graça; Calçada da Graça; à dir. nota-se a Igreja de Santa Cruz do Castelo
Da ordem de Santo Agostinho, a Igreja da Graça situa-se no antigo local conhecido por Almofala, onde D. Afonso Henriques acampou com as suas tropas, durante o cerco a Lisboa em 1147.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

No segundo quartel do século XVIII a igreja beneficiou de restauros importantes, dirigidos pelo arquitecto Custódio Vieira; pouco tempo depois, pelo Terramoto a igreja foi quase totalmente arruinada, assim como o convento, começando em 1765 a reconstrução, que equivale a uma reedificação integral, sob o risco de Manuel Caetano de Sousa, e prolongando-se, numa primeira fase, até 1785. No final do século passado [XIX] tratou-se novamente de completar a igreja segundo o plano reedificador, aliás alterado, de Caetano de Sousa, e de a restaurar no que fora feito anteriormente; estas obras duraram de 1896 a 1905.

Igreja e convento da Graça [1960]
Panorâmica sobre a zona da Graça tirada do Castelo de São Jorge
Largo da Graça; Calçada da Graça
A Fachada Principal da igreja, (século XVIII) é composta de três corpos, unidos por frontão curvilíneo, continuados no mesmo alçado por um lateral a Sul. Destaca-se recuada, ao centro alto do corpo da fachada conventual, a torre setecentista (Manuel da Costa Negreiros).
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente
Convento da Graça, claustro nobre [1954]
Largo da Graça; Calçada da Graça
Este claustro, que se pode classificar como integrado no estilo toscano, é dos mais interessantes da Lisboa conventual desaparecida. Apresenta cinco arcadas de volta perfeita, assentes sobre colunas duplas de vão aberto. No segundo pavimento notam-se em cada lado do quadrado cinco elegantes janelas janelas, coroadas de ática, com placas de mármore rosa nos intervalos dessas janelas. No alto, corre uma balaustrada com adornos flamejantes.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

A igreja apareceu então, aparentemente ostentosa, mas com um merecimento artístico muito aquém do que tivera nos séculos anteriores.
A decorativa torre da igreja, assente sobre o corpo da fachada do convento, pertence à reedificação que de poucos anos precedeu o Terramoto, e deve-se a Manuel da Costa Negreiros, que morreu em 1750.
A igreja da Graça é, no seu interior, das mais vastas de Lisboa, com boa expressão arquitectónica, na qual predominam, porém, os materiais pobres (madeira e estuques).
De uma só nave, possui o corpo da Igreja quatro capelas por lado. Pela direita: S. Tomaz, N. Senhora de Fátima, Santa Rita e S. José, e Santo António com S. Sebastião; pela esquerda: N. Sr.ª do Rosário da Verónica, Santa Mónica e N. Sr.ª das Dores, Sagrado Coração e Santíssimo.
O tecto do corpo da Igreja é dividido em cinco secções e nelas podes ver pinturas de João Vaz (1903) , representando as cinco primeiras frases da «Avé-Maria»; trabalhou também nele o decorador Elói Ferreira do Amaral.
Igreja da Graça, nave e capela-mor [1962]
Largo da Graça; Calçada da Graça
De planta em cruz latina, composta por nave de cinco tramos, definidos por oito capelas
laterais profundas e anexos, transepto saliente, capela-mor, tendo, em eixo, os corpos de
duas capelas e os de acesso à tribuna; sacristia desenvolvida perpendicularmente ao lado
esquerdo da capela-mor e, no lado direito, as dependências da Irmandade do Senhor
dos Passos.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

A Sacristia — considerada «monumento nacional» (11-12-918) — , dependência de interesse na igreja, antiga Capela das Relíquias; e, nela:

O tecto, em pintura larga de perspectiva arquitectónica, representando a Assunção de Nossa Senhora, pintura identificada de Pedro Alexandrino, e tendo nos topos os retratos de Frei António Botado e do irmão deste, Mendo de Foios Pereira, custeadores das obras deste quadro; dois grandes altares, em mármore, um em cada topo, com coroamento arquitectónico, situando-se no altar do fundo um grande relicário de madeira dourada [esq. na imagem abaixo], e no do lado da entrada o túmulo, em rico sarcófago de mármore, com inscrição de Mendo de Foios Pereira, que foi secretário de estado de D. Pedro II; sete painéis de azulejos historiados, em silhares circundantes (princípio do século XVIII), representando passos da vida da Virgem.

Igreja da Graça, sacristia [1960]
Largo da Graça; Calçada da Graça
A Sacristia é monumento nacional por excelência. Os seus azulejos são de tradição de seiscentos. É hoje um documento frio e sombrio, com valor mas sem expressão. As suas riquezas  de significado histórico, estão hoje quási todas no Museu de Arte Antiga.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 41, 1938.
idem, Inventário de Lisboa: Monumentos histórico, 1946.
Web Analytics