Wednesday, 25 May 2016

Avenida Fontes Pereira de Melo: obras do Metropolitano de Lisboa

O primeiro projecto de um sistema de caminhos-de-ferro subterrâneo para Lisboa data de 1888, é da autoria do engenheiro militar Henrique de Lima e Cunha. Publicado na revista Obras Públicas e Minas, previa a um traçado que ligasse Santa Apolónia a Algés, com passagem pelo Rossio, São Bento, Janelas Verdes e Alcântara. O custo do empreendimento estava orçado em 500$000 réis por metro corrente de túnel. A proposta não avançou. 
Mais tarde, nos anos 20 do século XX, dão entrada na Câmara Municipal de Lisboa dois projectos, respectivamente, de Lanoel d’Aussenac e Abel Coelho (1923) e de José Manteca Roger e Juan Luque Argenti (1924), que não tiveram seguimento.

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1955 e 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa; Palácio Sotto-Mayor
Judah Benoliel, in AML

Somente a partir da 2ª Guerra Mundial com a retoma da economia e no seguimento das políticas de electrificação e aproveitamento dos fundos do Plano Marshall, surge com plena vitalidade a decisão de se construir um Metropolitano para Lisboa. A sociedade é constituída a 26 de Janeiro de 1948 e tinha como objectivo o estudo técnico e económico, em regime de exclusivo, de um sistema de transportes colectivos fundado no aproveitamento do subsolo da cidade. A concessão para a instalação e exploração do respectivo Serviço Público veio a ser outorgada em 1 de Julho de 1949.

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1955 e 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa
Judah Benoliel, in AML

 Em Setembro de 1954, o Eng.º Francisco de Mello e Castro é nomeado presidente do Metro (cargo que desempenhou até ao final de agosto de 1972). E no dia 18 é aberto o concurso para adjudicação das obras, material circulante e instalações fixas. As propostas são abertas em Dezembro e conduzem a um encargo total de 196 mil contos. 

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1955 e 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa
Judah Benoliel, in AML

Os trabalhos de construção iniciaram-se em 7 de Agosto de 1955 e, quatro anos depois, em 29 de Dezembro de 1959, o novo sistema de transporte foi inaugurado. No dia seguinte, por volta das três horas da manhã, existiam filas intermináveis à porta das estações para utilizar o novo meio de transporte. A afluência foi tanta que algumas estações foram obrigadas, por motivos de segurança, a cancelar temporariamente a venda de bilhetes de forma a que os passageiros não invadissem o cais. Entre as principais atracções estavam as escadas rolantes da estação do Parque
A rede aberta ao público consistia numa linha em Y, com uma extensão de 6,5 quilómetros, percorridos por 24 comboios, e 11 estações, com dois troços distintos, Sete Rios (actualmente, Jardim Zoológico) – Rotunda (actualmente, Marquês de Pombal) e Entrecampos – Rotunda (Marquês de Pombal), confluindo num troço comum, Rotunda (Marquês de Pombal) – Restauradores.

Avenida Fontes Pereira de Melo [c. 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa; Praça do Duque de Saldanha
Judah Benoliel, in AML

A estação Rotunda (Marquês de Pombal) permitia a correspondência entre os dois primeiros troços. Foi um importante acontecimento para a cidade e constituiu um enorme êxito, tendo-se elevado a 15,3 milhões o número de passageiros transportados no primeiro ano de exploração. O Metropolitano de Lisboa era, ao tempo da sua inauguração, o 14.º da Europa e o 25.º no mundo. O pioneiro fora o Metropolitano de Londres, em 1863, a partir da ideia de Charles Pearson, o inventor deste meio de transporte.

Avenida Fontes Pereira de Melo [c. 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa; Palacete  Gabriel José Ramires; Rotunda  Praça Marquês de Pombal
Judah Benoliel, in AML

3 comments:

  1. É de referir que as estações inicialmente apenas comportavam composições de duas carruagens. Um erro crasso cuja correcção obrigou a que mais tarde a cidade voltasse a ser esventrada de novo.

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  2. Na penultima fotografia podem ver-se 10 automóveis : 4 são VW "Carochas". Seriam então 40% do parque automovel da época? Quem viveu esses tempos não terá dificuldade em acreditar que sim.

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  3. Naquele tempo fui escriturário na empresa que vendia os VW 'Carochas', estava na Sec. de Letras e 'batia' à máquina 8 contratos por dia, ou seja fazia 192 letras de desconto. Tinha 18 anos.
    Valdemar Silva

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