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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Retiro Quebra-Bilhas

O lendário antigo "Retiro Quebra-Bilhas", foi inaugurado em 1793[?], no lado Oriental do actual Campo Grande. Encerou na década de 1980.

O último retiro das hortas, fora de portas. Inicialmente terá sido um telheiro com pipas de vinho alinhadas, mesas, bancos corridos e uma cozinha improvisada e diz a tradição que colheu o nome da alcunha do boleeiro que o fundou. Embora haja quem sustente que a existência do retiro remonta a 1793, cálculos mais realistas atribuem-lhe idade um pouco acima dos 100 anos.

Retiro Quebra-Bilhas  |1959|
Campo Grande
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

De caminho molhava-se a palavra, petiscava-se, realizavam-se colações ligeiras no Telheiro de Frielas, no Teotónio da Calçada de Carriche (Nova Cintra), no Colete Encarnado ou no Quebra-Bilhas do Campo Grande, na tendinha do Campo Pequeno, no Salgado, ao Arco do Cego. [Tinop: 1899]

Retiro Quebra-Bilhas  |1966|
Campo Grande
João Goulart, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
RIBEIRO, Jorge, As Lojas: Lisboa de um tempo ao outro, p. 176, 1938.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Retiro O Tanoeiro na antiga Estr. de Sacavém

As hortas que marcavam o seu dia grande em quarta-feira de Cinzas, tinham características  próprias, como o jogo do chinquilho, os cegos e respectivos moços a cantarem modinhas acompanhadas à guitarra e à viola, o canjirão e as inseparáveis canecas, o esforço vagaroso do boizinho, movendo a nora, o perfume natural das emanações do campo, propício ao veraneio de fidalgos. que tinham suas residências de verão para as bandas do Areeiro, e ar é à cura da tosse convulsa que exigia mudança de ares e fumo do comboio ... E que bons são os ares desces sítios!


Na Estrada de Sacavém, que começava junto da igreja paroquial de Arroios, existiam quintas célebres como a da Maria José, com a sua épica nora (no local hoje ocupado por parte da Alameda D. Afonso Henriques), e a do Filipe (entre a Praça do Chile e a Alameda D. Afonso Henriques), e retiros como o «Papagaio», o dos «Pacatos», o «Mexe. Mexe», a «Perna de Pau».
A Estrada de Sacavém, mercê da sua privilegiada situação, tornou-se preferida tanto pelas camadas populares, como pelas elites, e as suas hortas apetecíveis, acarinhadas pelos seus frequentadores, triunfaram brilhantemente.

Estr. de Sacavém [1947]
Em cima vê-se o Casal Vistoso (Areeiro)
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O poeta Bulhão Pato dedica-lhes significativas palavras. Diz: Vamos para as bandas de Arroios; vamos para as hortas que estão a desaparecer. Ali há alguma coisa mais do que o desenho e a luz: a nora gemendo, m bordões e as primas da guitarra nacional, na mórbida cadência, acompanhando a letra onde há versos que rebentam do coração, como estes:
Puz um pé na sepultura
Uma voz me respondeu:
Ah! cruel, que estás pisando
Um amor que já foi teu!
E Gomes Leal pudera exteriorizar:
Apraz-me ir ver os alecrins das hortas,
risonhas, festivais, com seu matiz.
Vou, qual boémio lirico e feliz,
que busca o sonho para além das portas!...

Continuando pela Estr. de Sacavém, Já no Areeiro, ficava o «Retiro da Basalisa», onde havia grandes sessões de fado. O nome passou a ser mais tarde — «Tanoeiro».
Por detrás do Tanoeiro» encontrava-se o Casal Vistoso ou Quinta das Ameias, que data do século XVII e era dos Abreus e Castros, sendo considerado um local de ares lavados e privilegiada situação.

Estr. de Sacavém [1966]
Em cima vê-se o Casal Vistoso (Areeiro)
Augusto de Jesus Fernandes in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
MONTEIRO, João, Olisipo: boletim do Grupo «Amigos de Lisboa», 1947.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

O Retiro do Caliça na Estr. dos Salgados

Nas hortas, havia sempre cães famintos, pedintes, hortelões e cavadores, e o indispensável cego da guitarra, acompanhado pela mulher da viola e outros músicos, que entoavam canções de guitarredo fácil e dedilhavam e esganiçavam o fado com um estilo especial e inconfundível, indo de mesa para mesa, onde o peixe fumegava e os canjirões do roxo ferviam.


Nos arrabaldes de Lisboa, pelo Arieiro, Campo Grande, Campolide, Xabregas e muitos outros sítios, eram inúmeros os retiros campestres, onde se comia, bebia, cantava e jogava o chinquilho em mangas de camisa. 
Desapareceram já quási todos, uns porque a urbanização da cidade os sacrificou, outros porque passou de moda ir ás hortas, o cego da guitarra eclipsou-se por ordem das autoridades e foi-se o ambiente alfacinha daquelas diversões. (...)
Havia, ainda, o José dos Caracois, no Arieiro; o Faustino e o Guerra, em Cabo Ruivo, donde se viam passar, lá em baixo, os tramways de Vila Franca e se comia um delicioso pudim fabricado pelas recolhidas de Cheias; o Ferro de Engomar, na estrada de Bemfica, bem como Bacalhau, o Charquinho, que foi do Paco, da rua das Gáveas; as Pedralvas; o Caliça, todos em azinhagas próximas;» [1]

O Retiro do Caliça e o Cemitério de Benfica [c. 1904]
O antigo Retiro do Caliça situava-se na Estrada dos Salgados; em segundo plano, a Capela do Cemitério de Benfica,
junto à Estrada Militar
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

O Cemitério de Benfica foi mandado construir no ano de 1869, na sequência da extinção dos antigos cemitérios paroquiais de Benfica e Carnide.
No seu espaço, perto da capela, no lado direito de quem sobe a alameda de entrada, localiza-se o jazigo mais visitado de Lisboa, onde estão depositados os restos mortais do Padre Cruz, objecto da devoção lisboeta e nacional.

O Retiro do Caliça [c. 1904]
Estrada dos Salgados a Benfica
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia:
[1] FERNANDES, Eduardo (Esculápio), in Olisipo: boletim do Grupo «Amigos de Lisboa», 1942, n-º 17, pp. 40-41.

sábado, 30 de julho de 2016

Retiro Zé dos Pacatos na antiga Estr. de Sacavém

   (...) Quintarolas onde se ouvia o chiar da nora e se podia, antes ou depois da refeição, ir dar um salutar passeio pelos rêgos das couves e outras hortaliças, ou vêr o boisinho que fazia andar os alcatruzes e visitar os estábulos e as barracas dos trabalhadores.


A Estr. de Sacavém tinha seu começo no cunhal da Igreja de Arroios, do lado da sacristia, onde se lia o respectivo letreiro municipal, posteriormente substituído por Rua Alves Torgo, e estendia-se até Sacavém, encontrando-se neste longo trajecto os Retiros, também conhecidos por Hortas porque todos eles dispunham de tratos de terrenos, mais ou menos extensos, onde, nos espaços anexos à parte urbana, se estabeleciam os caramanchões engalanados com arbustos e vegetação própria, seguindo-se-lhe cultura hortense bem cuidada, com esmero e rigor, das espécies vegetais de consumo constante, vivificadas pela água que a vigilante nora mourisca, em seu característico chiar, lhes distribuía por intermédio dos alcatruzes que o pachorrento boi, de olhos vendados e inalterável andamento, fazia mover, prestando sua ajuda ao rústico labor. A estas atraentes locandas acorriam todas as camadas sociais, constituindo assim centros de reunião com freguesia especial que lhes era assídua.

Os Pacatos na Estr. de Sacavém [c. 1940]
Algures entre a Rua Alves Torgo  e o Areeiro
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Para se ir ás hortas, metia-se a gente num carrão ou char·á·bancs que, às tardes, se postava em S. Domingos, junto às grades, com a sua imperial de bancos em anfiteatro, por cima do veículo, três muares derrancados que a puxavam, cocheiro e condutor de grandes melenas.
Pagava-se um pataco pelo transporte até à Estrada de Sacavém, onde os principais retiros eram a Perna de Pau e o Zé dos Pacatos [propriedade de José Joaquim Pereira Caldas], o primeiro onde trabalhavam de cozinheira a tia Gertrudes e a gorda Basalisa, que teve, mais tarde, um retiro com o seu nome e acabou em costureira do Teatro do Príncipe Real, e o segundo, onde havia um criado galego, baixo, pançudo, nariz arrebitado, tipo de gnomo, conhecido pelo Bitoque, que acabou em criado da Floresta.
O Bitoque, que era popularíssimo, tinha imensa graça e descompunha os fregueses. Se lhe pediam qualquer vianda que demorava, respondia imediatamente:
 — Espere!. Vá você buscá-la! Eu não sou seu criado, sou criado do patrão!
Uma tarde, fui jantar ao Zé dos Pacatos com Fialho de Almeida, grande amador dos petiscos das hortas, e D. João da Câmara, que, a convite nosso, ia fazer a sua iniciação. Veio a sopa, trazida pelo Bitoque, cuja biografia contámos ao grande dramaturgo, e êste, metendo acolher à bôca e queimando-se, gritou:
 — Ó Bitoque! olha que esta sopa está quente!
O gnomo aproximou-se do prato de D. João da Câmara, meteu-lhe dentro o rechonchudo fura-bolos, levou-o à bôca e chupou, declarando logo, com um enorme descaramento:
 — Não acho!
Foram canas e canetas para o mimoso poeta não lhe partir a cara, custando a convencê-lo de que todos davam ao Bitoque a maior liberdade.
O galego apressou-se em trazer nova sopa e tais artes teve de se insinuar no ânimo de D. João da Câmara, que este, quando ia ao Zé dos Pacatos, não queria outro servo. 1

Os Pacatos na Estr. de Sacavém
Gravura de J. Novaes, in Lisboa, Alfredo Mesquita, p. 573, 1903 (1.ª Ed.)

Bibliografia
1 Olisipo: boletim do Grupo "Amigos de Lisboa", «Os petiscos de Lisboa e o Carnaval», por Eduardo Fernandes (Esculápio), n.º 17, pp. 39-40, Janeiro 1942)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O Retiro Perna de Pau e a história da gorda Gertrudes

«Mais adiante e à dir., [da Pç. do Areeiro] a Perna de Pau, um dos sítios mais frequentados das hortas alfacinhas, com o seu registo de azulejos embebido na fachada da casa, a sua nora gemedora e o seu panorama característico de arrabalde lisboeta, onde predominam o olival e o verde claro das terras de regadio.
Este local de tradições de boémia e estúrdia de há 50 anos, nele se têm feito desgarradas à guitarra e esperas de touros, com todo o pitoresco destes folguedos.» ¹

Retiro Perna de Pau junto ao apeadeiro do Areeiro na antiga Estrada de Sacavém [c. 1900]
Esta afamada casa de pasto situava-se no actual Largo Cristóvão Aires, perpendicular à Rua Gilhermina Suggia.
Aberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente
 
« Diz uma tradição que nós mesmos colhemos da boca de uma vizinha da Orta, que o Perna de Pau fôra um antigo dono ou rendeiro do casal. Uma sexagenária que ajudava à cozinha nos dias de grande concorrência, quando as nacionais «pescadinhas de rabo na bôca»  chiavam toda a tarde na sertã, foi quem nos esboçou a personagem do quinteiro, que ela aliás não conhecera, a quem um desastre esmagara a perna, figura humilde e apagada que a Fatalidade celebrizou, perpetuando a perna que não era dele.

Retiro Perna de Pau junto ao apeadeiro do Areeiro na antiga Estrada de Sacavém [c. 1916]
Esta afamada casa de pasto situava-se no actual Largo Cristóvão Aires, perpendicular à Rua Gilhermina Suggia.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

A nossa informadora, estamos agora em crer, fez uma lamentável confusão de sexos. Não se trata de um quinteiro mas de uma quinteira, não de um sinistrado mas de uma sinistrada. Quem, segundo a outra versão, mais certa, deu nome à saudosa Orta da estrada de Sacavém, foi a sua mesma proprietária, a obesa Gertrudes, que em 1833, geria aquela locanda dos subúrbios. E a perna perdeu-a ela por via de um tiro de escopeta. Foi o caso que a Gertrudes era afeiçoada aos liberais, e quando as tropas miguelistas do Marechal Bourmont se preparavam para atacar as barreiras da cidade onde os de D. Pedro já estavam, um soldado realista, de passagem pela orta veio pedir uma sede de água à «malhada». A Gertrudes negou-lha. O miliciano era assomadiço. Pôs a arma à cara, e disparou. O tiro partiu e a bala cravou-se numa das pernas da quinteira. Tiveram de lha amputar, e mais tarde uma perna de pau veio substituí-la. Tal é a história.
Os anos rodaram; a identidade da gorda Gertrudes perdeu-se; a orta acabou com os seus «bródios» feriais, mas a perna permaneceu.» ²

Retiro Perna de Pau na antiga Estrada de Sacavém [1923-02-14]
A caminho do Perna de Pau na quarta-feira de cinzas.
C. Salgado, in Lisboa de Antigamente
Retiro Perna de Pau na antiga Estrada de Sacavém [1923-02-14]
Abancados no caramanchão clássico gozando a quarta-feira de cinzas  quarta-feira de cinzas.
C. Salgado, in Lisboa de Antigamente

Nas suas «Farpas», o erudito escritor Ramalho Ortigão diz, a propósito: «A «Perna de Pau», o restaurante célebre, bem conhecido de todos os estômagos com tendências bucólicas, impelidos pela nostalgia das hortas para fora de portas no tempo do tomate — organiza com os primores da estação, a nova lista dos seus acepipes. A talhe de foice, apresenta-se uma apetitosa ementa, da autoria de habilidosos artistas comensais:

Sopa de marisco será
O que primeiro comerá;
E logo em seguida virão
Bons pasteis de camarão;
Emborque-lhe: o branco vinho
Que o Monteiro dá, amiguinho.
Algum frango cm cabidela
E pr'a apanhar a piela
Regue'o co'a pinga danada
Que antes da vitela assada
O cidadão tem provado.
Vem sobremesa com ralé
Bebe-se logo o café,
E, se mal jantado ficar.
Vá àquela parte cear.
      Perna de Pau, 1 de Junho de 1912. 

Consta, igualmente, que as pescadinhas de rabo na boca, ornamentadas com raminhos de salsa, acompanhadas de salada de alface, eram do melhor que se comia em Lisboa. Diz-se, também, que entre os seus frequentadores, se encontravam elementos do grupo dos «Vencidos da Vida» e o pintor José Malhoa. Depois de ter passado por mais uns quantos proprietários, um mandado judicial determinou o seu encerramento c. 1930.

Passagem de nível na estrada de Sacavém, ao Areeiro, perto do retiro A Perna de Pau [194-]
A Estr. de Sacavém tinha seu começo no cunhal da Igreja de Arroios, onde se lia o respectivo letreiro municipal, posteriormente substituído por Rua Alves Torgo (1925), e estendia-se até Sacavém- Pelo edital de15/03/1956, este troço, entre a Avenida Almirante Gago Coutinho e a Linha do Caminho de Ferro de Cintura, passou a designar-se Rua Agostinho Lourenço.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ PROENÇA, Raúl, Guia de Portugal, Lisboa e arredores, p. 266, 1923.
² SEQUEIRA, Gustavo de Matos, MACEDO, Luiz Pastor de, A Nossa Lisboa-Novidades Antigas Dadas ao Público, p. 46, 1940.

sábado, 19 de setembro de 2015

Retiro do Manuel dos Passarinhos

"Há em Lisboa um pequeno número de restaurantes ou casas de pasto [em] que, sobre uma loja com feitio de taberna decente, se ergue uma sobreloja com uma feição pesada e caseira de restaurante de vila sem comboios. Nessas sobrelojas, salvo ao domingo pouco frequentadas, é frequente encontrarem-se tipos curiosos, caras sem interesse, uma série de apartes na vida."
(in Livro do Desassossego, Bernardo Soares)

Retiro do Manuel dos Passarinhos [ c. 1910]
 A Calçada do Poço dos Mouros inicia-se na Travessa do Calado / Rua da Penha de França e termina na Rua Morais Soares.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

 
Até ao início do século XX, esta era uma zona de hortas, quintas, retiros e, também, um dos caminhos para o cemitério do Alto de São João. Por aqui existiu o «Retiro Manuel dos Passarinhos» cuja frase publicitária ficou célebre: «Não se esqueçam na volta». Não se pretendia, pois, interromper a devoção religiosa de acompanhamento dos entes queridos, mas depois desta havia necessidade de alimentar o corpo e, porque não, com «Bons vinhos e petiscos», mesmo ali ao virar da esquina, literalmente.
[TAVARES DIAS, Marina, Lisboa Desaparecida)

Quinta (Retiro) do Manuel Passarinhos [1911]
Era um «retiro «à Rua Morais Soares/Poço dos Mouros [actual Largo Mendonça e Costa], onde os familiares e acompanhantes do defunto paravam, no regresso do Alto de S. João, para lavar as goelas e afogar saudades à sombra da parreira». [Miguéis, 1984]
Levantamento da Planta de Lisboa: 1911, Pinto, Júlio António Vieira da Silva.[Fragmento]


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Quinta da Rabicha: o «passeio às hortas»

Nesta quinta, que pertenceu à família do conselheiro Hintze Ribeiro, Presidente do Conselho no reinado de Dom Carlos, existia um dos famosos "retiros das hortas", particularmente celebrado por Bulhão Pato, Fialho de Almeida, entre outros. O passeio às hortas, ao domingo, era um hábito dos lisboetas e aí confraternizavam nobres e fadistas.

Quinta da Rabicha [c. 1900] 
Aqueduto das Águas Livres e ponte da Rabicha
Ficava debaixo do arco grande do Aqueduto e foi cortada pelo caminho-de-ferro de Sintra que ali chegou em 1885, 
chegou a Campolide em 1895.
José A. Bárcia,
in Lisboa de Antigamente
 
Para Norberto de Araújo, que também aqui nos acompanha, «o Aqueduto das Águas Livres é um monumento grandioso, só igual aos da antiga Roma. E é a Rabicha». Sem a Rabicha, diz Araújo, o Aqueduto «ficaria privado do seu fundo natural e ridente», do panorama «rústico e bucólico» onde «se escondem restos de retiros campestres, ainda vestidos de junquilhos».

View and plan of the great aqueduct of Lisbon
O Aqueduto de Lisboa sobre a Ribeira de Alcântara
Em baixo observa-se uma cena onde decorre um piquenique no qual, uma mulher que parece dançar e cantar, é acompanhada  à viola. Um passeio às hortas?
Gravura a buril e água-forte sobre papel da autoria do pintor de origem suíça Henry L’Évèque (1769-1832), in Lisboa de Antigamente

Eis o que nos relata, sobre esta quinta, Bulhão Pato nas suas «Memórias»:
«[...] A Quinta da Rabicha era pequena e em forma de triângulo. Toda colmada de um odorífero e viçoso pomar, que dava primorosas laranjas. Água abundante e corrente. [..]
«Na Rabicha, o sumptuoso hotel, ao ar livre, debaixo de um parreiral, ao pé do tanque, sempre transbordando de água, fornecia as pescadinhas de rabo na boca, ovos duros, queijo saloio, pão de Belas, alface repolhuda, a verdadeira alface lisboeta, que nem a de Rom lhe dá de rosto. Era um banquete. Um cruzado novo — 480 réis — sobrava para quatro homens comerem e beberem à farta.» 

Nora da Quinta da Rabicha, lavadeiras [c. 1912] 
Ao fundo observa-se o Bairro de Campolide
Paulo Guedes,
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
PATO, Bulhão, «Memórias», pp. 67-68, 1894

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