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Panorâmica do Martim Moniz |1976| Miradouro de Nossa Senhora do Monte Francisco Leite Pinto, in Lisboa de Antigamente |
«Ó macio Tejo ancestral e mudo, Pequena verdade onde o céu se reflecte! Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!» Álvaro de Campos Lisbon Revisited (1923)
Sunday, 10 December 2023
Panorâmica do Martim Moniz
Sunday, 12 March 2017
Palácio (arco) do Marquês de Alegrete
O Palácio do 1º Marquês de Alegrete, que o mandou construir em 1694, e ali existiu até 1946 junto à porta de São Vicente da Mouraria. Arruinado pelo terramoto de 1755, deixou de ser habitado pelos seus proprietários e foi alugado a modestos inquilinos que ali fizeram estabelecimentos comerciais e industriais.
Tinha o palácio três frentes, duas para locais já desaparecidos: o Largo Silva e Albuquerque e a Rua Martim Moniz, e a terceira para a Rua da Mouraria. Em 1946 foi demolido para dar lugar à actual Praça Martim Moniz.
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Palácio (arco) do Marquês de Alegrete |ant. 1946]| Rua da Mouraria e Rua Martim Moniz (à dir.); ao fundo a Calçada do Jogo da Pela. Mário Novais, in Lisboa de Antigamente |
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Palácio (arco) do Marquês de Alegrete, portal brasonado |1907| Rua da Mouraria Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente |
O Arco, sobre o qual assentam dois andares, cada um com sua janela, pertence ao prédio da Rua do Arco do Marquez do Alegrete, que se lhe encosta, e que é propriedade também da família dos Condes de Tarouca [Teles da Sylva].
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Palácio do Marquês de Alegrete |1946| Largo Silva e Albuquerque com a Rua da Palma em fundo. Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente |
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Palácio do Marquês de Alegrete |194.| Rua Martim Moniz (à esq,); Praça Martim Moniz (antes das demolições) Filmarte, in Lisboa de Antigamente |
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, p. 78, 1938.
Sunday, 17 March 2024
Antiga Rua Martim Moniz antes das demolições efectuadas na Baixa da Mouraria
Sunday, 7 July 2024
Arco do Marquês do Alegrete, ao Martim Moniz
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Arco do Marquês do Alegrete, ao Martim Moniz |1946| Arco do Marquês do Alegrete — durante as demolições na Mouraria; Salão Lisboa Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente |
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Arco do Marquês do Alegrete, ao Martim Moniz |1945| Arco e Palácio do Marquês do Alegrete e Salão Lisboa André Salgado, in Lisboa de Antigamente |
Arco do Marquês de Alegrete
O quadro ilustra bem
Uma imagem que morreu
Será que existe alguém
Que este passado viveu?
Era palácio e cinema
Eléctricos, engraxadores
Eis a leitura do tema
Ao Arco dos meus Amores.
(Baguinho: 1999)
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, pp. 78-79, 1938.
MENEZES, Marluci, Mouraria, Retalhos de Um Imaginário: Significados Urbanos de Um Bairro de Lisboa, 2023.
FERNANDES, José Ferreira, Martim Moniz - Como o Desentalar e Passar a Admirar, 2024.
Friday, 29 August 2025
Praça do Martim Moniz: os vendedores de manjericos e o Mundial
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Praça do Martim Moniz |1961| Venda de manjericos. Augusto de J. Fernandes, in Lisboa de Antigamente |
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Praça do Martim Moniz |1964| Festas populares de Junho: venda de manjericos junto ao Hotel Mundial. Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente |
Sunday, 1 August 2021
Ermida da Saúde
Eis-nos, agora, diante da Igreja de N. Senhora da Saúde, a da famosa procissão que constituía um dos encantos populares religiosos de Lisboa do século passado [XIX], e que perdurou até à República.
Neste sítio se elevava no século XVI, logo no começo (1506), uma ermida da invocação de S. Sebastião, advogado contra as pestes, construção que foi da iniciativa dos artilheiros da guarnição de Lisboa.Em 1596, por deliberação do Arcebispo D. Miguel de Castro, a igrejinha converteu-se em paroquial de S. Sebastião (da Mouraria), desanexada da de Santa Justa, e assim o bairro tomou independência como freguesia. (...)
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Ermida de Nossa Senhora da Saúde [190-] Praça do Martim Moniz; Rua da Mouraria José Artur Bárcia, in Lisboa de Antigamente |
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Ermida de Nossa Senhora da Saúde [ant. 1910] Praça do Martim Moniz; Rua da Mouraria Procissão de Nossa Senhora da Saúde Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente |
A sede da paróquia em 1646 foi levada para a Igreja do Socorro; a actual Igreja da Saúde continuava a chamar-se de S. Sebastião, sem honras de Paroquial, mas muito mais representativa.Só em 1662 a Igreja de S. Sebastião passou a chamar-se de N. S. da Saúde, quando a imagem foi transferida do Colégio de Jesus [ou dos Meninos Órfãos], de que te falei, aqui a dois passos, para a actual «residência». E de Nossa Senhora da Saúde passou a ser até hoje [1938]. S. Sebastião esqueceu.Pelo Terramoto o templo recebeu dano, mas pouco, porque logo dois anos depois estava restaurado e aberto ao público.»
Tem uma só nave, e mais não precisa. Os altares laterais são os de Nossa Senhora piedade e de Cristo Crucificado, e as imagens são em pintura e não escultura, obra do pintor setecentista António Machado Sapeiro. Na capela-mor vês as imagens de Santo António, S. Sebastião, de roca, e sempre muito alindada. O retábulo que notas é do escultor Brás de Oliveira. São interessantes os azulejos oitocentistas da Igreja.
Há festa na Mourariaé dia da Procissãoda Senhora da Saúde...
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Ermida de Nossa Senhora da Saúde [ant. 1910] Praça do Martim Moniz; Rua da Mouraria Saída do andor com a imagem de Nossa Senhora da Saúde Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente |
Mas na Mouraria, hoje, já não há procissão. A procissão da Saúde era dos mais curiosos espectáculos da Lisboa religiosa, com um carácter diverso da dos Passos e da do Corpo de Deus ou S. Jorge.A primeira vez que se realizou foi em 20 de Abril de 1570. A última em 20 de Abril de 1910. Saia de manhã cedo da Mouraria, ia à Sé onde se cantava um Te-Deum, e depois a S. Domingos, onde havia sermão. Recolhia ao entardecer à Mouraria — e era de ver-se.Na procissão iam as três imagens citadas, de S. Sebastião, dos Artilheiros, e da Saúde, ambas da mesma confraria, e a de Santo António que andou sempre ligado a S. Sebastião aqui no bairro, de outra irmandade. Música religiosa, bandas militares, filarmónicas locais; foguetes, sinos, alarido típico do sítio; «anjinhos», soldados vestindo capa vermelha sobre a farda, e, nos seus últimos trinta anos, o Infante D. Afonso, como figura de destaque, simpática ao povo. O Capelão, a Amendoeira, o Outeiro, o Coleginho, os Álamos, despejavam-se sobre a Mouraria: quadro de costumes lisboetas dos mais sugestivos que pode imaginar-se, sem a grandeza da procissão do Corpo de Deus, nem a compostura fidalga da dos Passos da Graça — plebeia, original, bairrista, enternecedora.
SANTANA, Francisco e SUCENA, Eduardo (dir.), Dicionário da História de Lisboa, 1.ª ed., Sacavém, Carlos Quintas & Associados – Consultores, 1994, pp. 874-876.
Sunday, 6 April 2025
Igreja de N. S. do Socorro que foi «de São Sebastião da Mouraria»
No final do Século XVI, em 1596, foi iniciada a construção da igreja da paróquia de São Sebastião da Mouraria e que viria a ser mais tarde, em 1646, renomeada para Nossa Senhora do Socorro, acabando por se tornar mais tarde na Igreja do Socorro (demolida em 1949, sensivelmente onde está agora o Centro Comercial do Martim Moniz).
Como era costume na época, a expansão urbana desenvolvia-se organicamente sem grande plano em torno dos edifícios importantes. Também na Mouraria, clero e nobreza mandaram construir uma série de edifícios de maior porte, entre eles, em 1505, a Ermida de S. Sebastião, mais tarde designada por Capela de Nossa Senhora da Saúde (no Largo do Martim Moniz, entre a Rua da Mouraria e a Rua Nossa Senhora da Saúde). (Rodrigues, 1970: 106)]Depois de 1496, a população muçulmana foi substituída por outra cristã, que “invadiu o arrabalde, enchendo-o de templos, de ermidas, de procissões e nichos, com seus cultos e devoções” (Ribeiro, 1907). De salientar a procissão de devoção à Nossa Senhora da Saúde, iniciada no ano de construção da Ermida do mesmo nome, em1505, que é ainda actualmente celebrada todos os anos, no mês de Maio.
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Igreja de N. S. do Socorro que foi «de São Sebastião da Mouraria» |c. 1910| Rua de São Lázaro com Rua da Palma ao fundo e, nela, o Teatro Apolo. Ourivesaria do Socorro; Igreja do Socorro Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente |
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Igreja de N. S. do Socorro que foi «de São Sebastião da Mouraria» |c. 1910| Rua da Palma co Rua de São Lázaro. Ourivesaria do Socorro; Igreja do Socorro. Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente |
A paróquia de Nossa Senhora do Socorro foi desmembrada da de Santa Justa ao tempo em que era arcebispo de Lisboa D. Miguel da Costa. Teve o seu orago na ermida de S. Sebastião na Mouraria, que era dos artilheiros, pelos anos de 1596, e passou a chamar-se freguesia de S. Sebastião da Mouraria. Construído em 1646 outro templo maior, foi para ele transferido o Santíssimo Sacramento e a imagem de Nossa Senhora do Socorro, que lhe deu o nome.[COSTA, António Carvalho da Corografia Portuguesa, III, p. 104]
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Igreja de N. S. do Socorro que foi «de São Sebastião da Mouraria» |c. 1940| Rua da Palma Mário Novaes, in Lisboa de Antigamente |
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Igreja de N. S. do Socorro que foi «de São Sebastião da Mouraria» |Inicio séc. XX| Panorâmica tirada da encosta da Senhora do Monte. José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente |
Friday, 8 July 2016
Rua da Palma
(...) deslizavam carros eléctricos pintados dum amarelo ovo magnificente. E a tilintada surpreendia o meu ouvido...
(AQUILINO, Aquilino, Lápides Partidas)
Os bancos do eléctrico, de um entretecido de palha forte e pequena, levam-me a regiões distantes, multiplicam-se em indústrias, operários, vidas, realidades, tudo. Saio do carro exausto e sonâmbulo. Vivi a vida inteira.
(Bernardo Soares/Fernando Pessoa. (1888-1935). Livro do Desassossego)![]() |
Panorâmica da encosta do Castelo, a partir da Rua da Palma [1949] Antes das demolições da Mouraria; cruzamento com a Rua Fernando da Fonseca; antigo Teatro Apolo. Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente |
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Rua da Palma [1949] Antes das demolições da Mouraria; cruzamento com a antiga Rua Martim Moniz [Guia] Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente |
(ARAÚJO, Norberto de, «Peregrinações em Lisboa», vol. IV, pp. 24-25)
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Rua da Palma [1921-12-25] Antes das demolições da Mouraria; trânsito caótico em Domingo de Natal. C. Salgado, in Lisboa de Antigamente |
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Rua da Palma [finais da década de 1950] Depois das demolições da Mouraria; Av. Almirante Reis. Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente |
Friday, 28 March 2025
A Rua do Benformoso que foi do «Boi-Formoso» e «de Bemfica»
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Rua do Benformoso, 109-113 |1902| Antiga do Boy Formoso, antes Rua Direita da Mouraria (séc. XVI) José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente |
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Rua do Benformoso, 109-113 |1902| Antiga do Boy Formoso, antes Rua Direita da Mouraria (séc. XVI) Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente |
Os limites da Mouraria não se podem por enquanto, determinar exactamente. Pelo sul ficava a meio da encosta do Castello, pelo poente era limitada pela rua direita da porta de S. Vicente, hoje chamada da Mouraria, e pelo nascente não passava alem da entrada da rua da Amendoeira. Da parte norte ainda é maior a dúvida, porque era aqui onde se encontravam os almocavares dos judeus e dos mouros, os quaes terrenos foram depoes cortados por diversas ruas, ao que parece. […] Do lado poente o bairro dos mouros não passava das modernas ruas da Mouraria e da rua do Benformoso. [Azevedo 1900: 270-271]
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Rua do Benformoso, 101-117 |1902| Antiga do Boy Formoso, antes Rua Direita da Mouraria (séc. XVI) José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente |
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Rua do Benformoso, 109-113 |1939| Une maison rouge! A grandir à peu prés comme épreuve! Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente |
A casa mais antiga da Rua do Benformoso [v.d prédio ao centro nas imagens acima] é um edifício pertencente à denominada "Arquitectura Popular", a sua construção efectuou-se, sensivelmente, entre os séculos XVI e XVII.De planta longitudinal, formando um trapézio irregular, este prédio possuí quatro pisos, encontrando-se os dois primeiros apartados por um diminuto pé-direito. É, aliás, no segundo piso que a sua metade esquerda apresenta janela de sacada com guardas de estrutura férrea e gradeamento de rótulas de madeira, enquanto que a outra metade encontra-se rasgada por uma fresta e um óculo. Cadência esta que vemos repetir-se ao nível dos outros dois pisos. O telhado de duas águas encontra-se sustentado por uma trave de madeira que, por seu turno, se apoia em mísulas.
Em paralelo às gentes dos ofícios e serviços e ao baixo nível socioeconómico da população, a Mouraria rapidamente se tornaria um bairro “mal afamado” e “tempestuoso” por causa da gente de “vida parasitária” e das “desordeiras”, sendo exemplo dessa condição as prostitutas e o tipo fadista. Na Lisboa boémia, a Mouraria teria um lugar cativo com as suas...
“casas suspeitas, os hotéis para pernoitar, com a sua tradicional lanterna de luz frouxa, os seus cantos e recantos que protegem baixas aventuras, as estalagens das lavadeiras saloias, os vendedores de elixires maravilhosos que pregam ao domingo, a infabilidade dos seus medicamentos nos largos do bairro; e ainda o formigar de gente baixa pelas ruelas da encosta, o Capelão, João do Outeiro e Amendoeira, tudo nos ajuda a invocar o quadro cheio de cor deste bairro popular, onde ainda se vê nas mais sujas serventias o nicho, devoto, o registo dos azulejos com St António ou S. Marçal, e um ou outro pormenor arquitectónico dos tempos idos. […] Esta história animada e pitoresca ainda hoje se reflecte na fisionomia gritadora do antigo arrabalde cedido aos muçulmanos vencidos.”[Guia de Portugal 1924]
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Rua do Benformoso |1925| Em finais do século XIX instalaram-se na Mouraria famílias ligadas à aristocracia e à burguesia, dessa vez ocupando o troço final da Rua do Terreirinho e da Rua do Benformoso com edifícios de traça arquitectónica de mais qualidade e com maiores dimensões ao inverso das habitações populares. Alfredo Roque Gameiro (1864-1935), in BNP |
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, pp. 12-14, 1938.
MENEZES, Marluci, Mouraria, Retalhos de Um Imaginário: Significados Urbanos de Um Bairro de Lisboa, 2023.
FERNANDES, José Ferreira, Martim Moniz - Como o Desentalar e Passar a Admirar, 2024.
Friday, 20 December 2019
Rua José António Serrano que foi Cç. do Colégio
José António Serrano (1851-1904), foi Lente da Escola Médica e o primeiro cirurgião português que obteve a cura de um tumor sólido do ovário (por meio de laparatomia, em 1889) e a realizar uma histerectomia abdominal. Defendera tese em 22.12.1875 e três anos depois foi nomeado preparador e conservador do Museu de Anatomia da Escola sendo também cirurgião do Banco do Hospital de São José e, a partir de 1895, director de enfermaria do Hospital do Desterro bem como, em 1901, director da Repartição de Estatística do Hospital de São José. Foi lente substituto em 1880 de Anatomia Descritiva e lente proprietário em 1889, para além de ter regido na Escola de Belas Artes a cadeira de Anatomia Artística e Higiene de Edifícios. As suas obras essenciais foram «Manual Sinóptico de Anatomia Descritiva» e «Tratado de Osteologia Humana». [cm-lisboa.pt]
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Rua José António Serrano |ant. 1949| [Antes das demolições do Martim Moniz] Antiga Calçada do Colégio [dos Jesuítas de Santo Antão-o-Novo, hoje Hosp. S. José, cerca; Miradouro de Nossa Senhora do Monte. Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente |
Wednesday, 2 August 2017
Os «Canos da Mouraria»
O sítio é feio, desagradável, sem pitoresco, ainda que com significação bairrista, nos seus cafés de tipo antigo, botequins e tavernas de peixe frito, durante o século passado de fama equivoca.
Esta zona na antiga freguesia do Socorro fazia parte de um dédalo de arruamentos que foram alvo do camartelo camarário, cerca de 1940-50, para dar lugar à "moderníssimo" Praça do Martim Moniz [vd. carta topogáfica anotada]. O local era outrora conhecido como os «Canos da Mouraria» como nos conta, em 1938, mestre Norberto de Araújo:
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Beco dos Álamos |c. 1940| Esta serventia começava na Rua Silva Albuquerque e findava na Rua do Arco do Marquês de Alegrete, que se vê ao fundo Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente |
Como já disse toda esta área foi alagadiça, depois de ter sido um verdadeiro rio, e assim por aí acima, pelo Benformoso e Anjos, até Arroios.
No século XVI isto por aqui eram os «Canos de S. Vicente» (da porta de S. Vicente), e no século seguinte «Canos da Mouraria».
Estas horríveis serventias, Beco da Póvoa, Rua dos Vinagres (onde havia a «póvoa» dos «vinagreiros»), Rua dos Álamos, já de 1550, e mais vielas, eram tudo — os «Canos».
E esses canos eram umas valas abertas no leito da rua, escoantes das águas que, no vale, corriam das encostas de Sant'Ana e do Castelo, e vinha já de Arroios. Em 1840 ainda aqui havia sumidouros, cobertos de grades, como os do Rossio, nos passeios laterais.
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Rua dos Álamos, demolições |c. 1950| Perspectiva tomada da Rua do Arco do Marquês de Alegrete Judah Benoliel,in Lisboa de Antigamente |
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, p. 79, 1938.
COSTA, António Carvalho da (Pe.), Corografia portuguesa, e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal..., vol, III, 1706-1712.