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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Travessa dos Brunos

Brunos (travessa dos) primeira á esquerda no fim da rua direita de S. Francisco de Paula [actual Pres. Arriaga], antes de chegar á calçada da Pampulha e finda na travessa da Praia, freguezia de Santos 2 a 70 e 1 a 63. [Velloso. 1869]

Aqui temos um bem pitoresco resíduo da Pampulha de cabelos brancos: a Travessa dos Brunos [...] Deve o seu nome ao facto de no século XVII — recorda Norberto de Araújo — ter existido aqui um hospício dos frades cartuxos de S. Bruno, grandes proprietários na área, e cuja casa principal passou a Laveiras. [Araújo: 1939]

Travessa dos Brunos |1950-02|
Perspectiva tomada da Av. Infante Santo; o edifício com o cunhal brasonado já não existe. 
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 27 de março de 2026

Travessa das Freiras a Arroios

Em 1910, esta Travessa das Freiras a Arroios — era ainda parte da Azinhaga das Freiras — e foi aqui, junto a uma antiga capela, que foi encontrado o corpo do Almirante Cândido dos Reis, recorda o olisipógrafo Norberto de Araújo nas suas Peregrinações.

Travessa das Freiras a Arroios e Largo do Leão |1959|
As freiras que deram origem a este topónimo eram do Convento de Arroios da invocação de Nossa Senhora da Conceição da Luz.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

N.B. Esta Travessa recebeu o seu nome em 1916 devido à proximidade da antiga Azinhaga das Freiras — como refere Mestre Araújo — , que anteriormente se chamava Azinhaga do Leão e cujo espaço corresponde hoje às Ruas Alves Torgo e Quirino da Fonseca (antiga Estr. de Sacavém). Já o Largo do Leão é um topónimo lisboeta de origem desconhecida, sabendo-se apenas que, após o terramoto de 1 de Novembro de 1755, já figurava nas descrições paroquiais da então chamada “freguezia de S. Jorge”. [Machado: 1998]

Largo do Leão, 9 |1931-04-21|
O edifício que se observa ao lado dir. na 1ª imagem albergou a antiga Escola Municipal nº 14 e foi a sede da Câmara Municipal do extinto concelho dos Olivais.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Travessas do Forte e do Meio do Forte

Forte (travessa do) Principia no fim da travessa da Cruz ao Desterro e finda na travessa das Salgadeiras, freguezia da Pena 2 a 40 e 1 a 7. [Velloso: 1896]
Saiba mais aqui e aqui.

Travessa do Forte |1907-06|
À dir. abre-se a Travessa do Meio do Forte (v. imagem seguinte) e, ao fundo,
nota-se o arco — já demolido — na embocadura da Travessa das
Salgadeiras/Pátio do Sequeira. Não encontrámos referências bibliográficas para a origem
deste topónimo. O edifício a dir. é revestido por azulejos serigrafados com desenho centrado.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Forte (travessa do Meio do) primeira á direita na travessa de Santa Anna da Cruz, indo da travessa da Cruz e finda na travessa do Forte, freg. da Pena 21a 56 e 1 a 35. [Velloso: 1896]

Travessa do Meio do Forte |1964|
Ao fundo observa-se a Tv. Santana da Cruz.
Fernandes, Augusto de Jesus, in Lisboa de Antigamente

domingo, 22 de dezembro de 2024

Travessa da Laranjeira

As artérias que cortam a Bica, transversalmente — diz Norberto de Araújo —, são esta Travessa do Cabral, a da Portuguesa, a da Laranjeira e a do Sequeiro, todas com a mesma perspectiva e balanço de nível, descendo por escadinhas das Chagas, encontrando o vale — onde corre o ascensor — e voltando a subir, sempre por escadinhas, à Rua do Marechal Saldanha.

O olisipógrafo Luís Pastor de Macedo refere que «O padre Carvalho da Costa, em 1712, lhe dá o nome de ‘travessa do Laranjeiro’ [«Corografia Portuguesa», vol. III, pp. 341] e assim lhe chama também, nos meados do século, o padre João Baptista de Castro [«Mapa de Portugal», vol. III, pp. 145].
Supomos porém, que se trata duma gralha tipográfica da ‘Corografia Portuguesa’, depois copiada, irreflectidamente pelo autor do ‘Mapa de Portugal’».

Travessa da Laranjeira |c. 196-|
Vista tomada da Rua das Chagas.
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Também as memórias paroquiais referentes ao ano de 1755 mencionam na «Freguezia de Santa Catharina» a «traveça do Laranjeiro» e o «Beco do Siqueira» e mais tarde, nas plantas da remodelação paroquial de 1780, surgem «rua das Larangeiras» e «traveça do Siqueiro». Enquanto Travessa do Sequeiro surge no levantamento topográfico de Francisco Goullard de 1883.
Pastor de Macedo diz ainda que nesta artéria nasceu o jornalista Eduardo Fernandes, também conhecido como Esculápio, em 25 de Agosto de 1870.

Travessa da Laranjeira |c. 196-|
Vista tomada da R. Marechal Saldanha, observando-se ao fundo o Palacete Viana.
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Travessa da Portuguesa (actualizado)

As artérias que cortam a Bica, transversalmente — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , são esta Travessa da Portuguesa, a do Cabral, a da Laranjeira e a do Sequeiro, todas com a mesma perspectiva e balanço de nível, descendo por escadinhas das Chagas, encontrando o vale — onde corre o ascensor — e voltando a subir, sempre por escadinhas, à Rua do Marechal Saldanha.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 68, 1939)

Travessa da Portuguesa |1946|
Escadinhas que ligam à Rua do Marechal Saldanha e a Santa Catarina
Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Na Travessa da Portuguesa, à Bica, houve arraial e baile, achando-se a rua embandeirada e a casa no 14, onde era o recinto da festa, guarnecida a verdura e iluminada. A comissão promotora da festa veio cumprimentar-nos, o que agradecemos (SEC, 13-6-1901). Como se pode ler, o referente desta travessa é a Bica, mas também é Santa Catarina: 
Ontem à noite, a Travessa da Portugueza, a Santa Catarina, estava iluminada com balões vendo-se ao centro uma coroa de flores e diversas bandeiras. Algumas raparigas moradoras na mesma rua, improvisaram um baile, dançando e cantando até bastante tarde. [Cordeiro: 2019]

 

Travessa da Portuguesa S→N |c. 1895|
Cruzamento com a R. da Bica de Duarte Belo. Perspectiva tomada da R. das Chagas.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sobre este topónimo pouco se sabe. Na obra «Lisboa na 2ª metade do Século XVIII (plantas e descrições das suas freguesias)» vem mencionada a Rua dos Portuguezes situada neste mesmo local. O que provavelmente aconteceu foi uma alteração de designação para travessa e uma corrupção linguística de Portuguezes para Portuguesa.

Travessa da Portuguesa |1946|
Escadinhas que ligam à Rua das Chagas.
Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

domingo, 1 de janeiro de 2023

Travessa da Horta Navia

Eis a Alcântara do fim de seiscentos. Como mais notável, a celebrada Quinta da Horta Navia, de que hoje subsiste uma reminiscência numa travessa, junto aos terrenos da Estação de Alcântara-Terra, e que leva da Rua Maria Pia à Rua da Fábrica da Pólvora, por uma espécie de atalho.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, p. 12, 1939)

Travessa da Horta Navia |1944|
Estação de Alcântara-Terra
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Esta artéria que nasce frente ao n.º 34 da Rua Maria Pia, paralela à linha férrea é uma memória do sítio da Horta Navia cuja primeira menção data do tempo de D. Afonso II (1211–1223) no rol das propriedades que a Ordem de Santiago possuía.
Nos séculos XVI e XVII já aparecem descrições que dão conta do local ser uma horta que atraía os lisboetas nas horas e ócio e é aceitável supor que no início do século XIX o topónimo se expandiu nas terras que da margem esquerda da Ribeira de Alcântara subiam para montante.
Como Travessa da Horta Navia a primeira referência aparece na planta da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque, de 1856.

Estação de Alcântara-Terra |1928|
Em segundo plano pode ver-se parte do casario da Travessa da Horta Navia; mais acima
nota-se a Rua Maria Pia e no alto o Cemitério dos Prazeres.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 11 de dezembro de 2022

Travessa do Alecrim que foi do «Cataquefarás»

E o enigmático Cata-que-farás, de que já nos fala Fernão Lopes, que ficava não longe do actual Cais do Sodré, e que uma das nossas municipalidades ineptamente transformou em Travessa do Alecrim? Cata-que-farás seria porventura um prolóquio, uma sentença, um velho rifão equivalente a: Procura que hás de achar — Prossegue que hás de conseguir — Trabalha que hás de vencer: conselho dado talvez aos mareantes e navegadores, que por ali embarcavam durante toda a época áurea das navegações, dos descobrimentos e das conquistas? Cata-que-farás era decerto na sua ingenuidade rude um enérgico repelão, uma sacudidela salutar na mandrieira nacional... E os marinheiros que partiam iriam dali cantando:

«Partimos de Portugal
Catar cura a nosso mal»
.
(in Embrechados por António Maria José de Melo César e Meneses Sabugosa)

 

Travessa do Alecrim, perspectiva tomada da  R. das Flores para a R. do Alecrim [1945]
O topónimo Travessa do Alecrim foi atribuído pela CML, através do Edital de 31/12/1885, à antiga Travessa do Cata-que-farás, a qual fora denominada até 1882 Travessa do Catefaraz. 
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Como curiosidade transcreve-se um anúncio publicado, em 1820, na velha Gazeta de Lisboa, o primeiro jornal oficial português: 
«Carlos Baker annuncia ao Publico que elle he o unico Agente no meado por Day e Martins de Londres, para vender em Lisboa, a verdadeira graxa para çapatos e botas, descoberta feita por elles; para venda e fabrico da qual se lhe concedeo Privilegio Privativo, e que daqui em diante quem a quizer comprar genuina e livre de duvida, ha de achalla no seu Escriptorio na travessa de Cátefaraz N.° 3, tendo eada botija hum bilhete na rolha com o letreiro seguinte, Charles Baker, travessa de Catefaraz N.º 3 entre a rua das Flores e a rua do Alecrim».

Travessa do Alecrim [1947]
Frades de pedra junto à Rua do Alecrim
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Travessa da Pereira

A Travessa da Pereira, na freguesia da Graça, de acordo com o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo («Lisboa de Lés-a-Lés», vol. IV) «Data dos fins do século XVIII (1799) e foi aberta na quinta do Alcaide Fidalgo.»
Ainda segundo Pastor de Macedo «aqui moraram e aqui faleceram o desembargador Luiz de Barbosa Mendonça e sua mulher D. Rosa Luíza de Barbosa Mendonça Pinto da Cunha (1824/25); aqui nasceu em 3 de Novembro de 1828 o actor Isidoro e aqui viveu, segundo parece, aí pelos meados do século passado [séc. XIX], o desequilibrado José Maria Leal de Gusmão, autor do poema Rei só Deus, e que foi um dos excêntricos relacionados por Luiz Augusto Palmeirim. A qualificação que primitivamente deram a esta serventia foi a de «rua». [cm-lisboa.pt]

Travessa da Pereira [1908]
Ao fundo, a Rua da Senhora da Glória.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Rua de Entrecampos, passagem de nível

Pela Rua de Entrecampos — diz Norberto de Araújo — antiga Estr., que ligava o Campo Grande e o Anco do Cego, vai seguir a nossa jornada.
Antes da linha férrea encontramos, à direita, o primeiro Chafariz da Peregrinação de hoje, uma meia rotunda discreta. [...] Defronte corre uma Travessa Henrique Cardoso, dístico de Junho de 1926.
À esquina, e contigua ao apeadeiro de Entrecampos — em verdade uma pequena estação, ampliada e alindada em 1918 — está ainda uma velha «Adega Arco do Cego» [hoje é lá um restaurante], que data de 1892, último abencerragem dos retiros a par da Praça de Touros.

 Rua de Entrecampos (S→N), passagem de nível |c. 1950|
Refira-se que esta passagem de de nível e o apeadeiro se situavam junto à Travessa Henrique Cardoso (antiga Azinhaga  da Ceboleira) actualmente encurtada e passando, neste troço junto à  Rua de Entrecampos, a designar-se Rua Infante Dom Pedro.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Esta artéria que se estende pelas freguesias de Nossa Senhora de Fátima, de São João de Deus e de Alvalade, do Campo Pequeno à Avenida dos Estados Unidos da América, era a antiga Estr. de Entrecampos, quando esta zona era extramuros da Lisboa Antiga.
No n.º 1 deste arruamento viveu e faleceu em 13 de Julho de 1885, Matias Ferrari, o dono da Pastelaria Ferrari e arrendatário do Marrare do Polimento, ambos estabelecimentos do Chiado. [cm-lisboa.pt]

Rua de Entrecampos(N→S), passagem de nível |c. 1960|
Observe-se, à dir,. o muro em forma de meia-laranja do citado Chafariz de Entrecampos.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 67-68, 1939.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Rua da Estrela que foi Travessa dos Ladrões

Defronte, à direita, sai-nos a Rua da Estrela, dístico de 1852, que substituiu o de Travessa dos Ladrões (que ainda hoje os velhos usam); no final do século XVIII e durante alguns anos, chamou-se a esta serventia, Travessa de N. Senhora dos Milagres.
Este nome — recorda Norberto de Araújo — adveio desta Ermidinha, encravada entre dois prédios [...], tão modesta que quási se não dá por ela*. Foi erguida por Manuel de Jesus, em 1753, e pelo mesmo devoto reformada, conforme se atesta na pedra que faz a verga do pórtico, muito simples. Pertence à Irmandade de N. Senhora dos Milagres, e tem culto.

Rua da Estrela|c. 1910|
Antiga Travessa dos Ladrões; Basilica da Estrela
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Como observas, esta rua é discreta, com alguns prédios já de feitio de palacete, do meado do século passado, e outros de construção do tipo, hoje considerado pitoresco, setecentista, com as clássicas trapeiras copiadas do tipo das casas da Baixa, post-Terramoto.==

Nota(s): Depois do Ultimato britânico de 1890 contra as pretensões portuguesas em África, na Capital, o povo muda a placa toponímica da «Travessa das Inglesinhas» para «Travessa dos Ladrões» e a placa «Travessa do Enviado de Inglaterra» para «Travessa do Diabo que os Carregue e os estudantes são dispensados, por decreto, do exame de língua inglesa.

Rua da Estrela |c. 1910|
Antiga Travessa dos Ladrões; Cemitério dos Ingleses
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. A origem do topónimo "Estrela" radica nos frades beneditinos que dedicaram a sua igreja a N ª Srª da Estrela, ou da Estrelinha. Os frades chegaram a Lisboa no séc. XVI e fundaram o seu primeiro convento – concluído em 1571 – onde hoje é a hospital, jardim e Praça da Estrela. Quando passaram para o maior, abaixo, de São Bento da Saúde, o da Estrelinha ficou para ensino dos noviços. O terramoto destruiu parte. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, alargou o exército a ocupação pelo que em 1837 era Hospital Militar.
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Bibliografia
ARAUJO, Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 53, 1939.

domingo, 28 de novembro de 2021

Travessa de S. João da Praça, antigo Beco das Moscas (ou da Mosca)

O nosso caminho vai ser a Travessa de S. João da Praça — o antigo e bairrista Beco da[s] Mosca[s] — e pela pitoresca serventia penetraremos em Alfama. Por agora espreitemo-la apenas-que curioso é esta perspectiva!


Ora aí tens — diz Norberto de Araújo — uma das mais pitorescas e originais betesgas de S. João da Praça: este enfiamento, sob os passadiços que ligam os dois corpos do velho Palácio dos Vila Flor, Duques da Terceira, e que foi até há poucos anos da Viscondessa da Abrigada, como te disse atrás. 
Tem qualquer cousa ainda de medieval, dando teatro, embora se venha desfigurando com arranjos e enxertos desde há uns anos a esta parte. 

Travessa de S. João da Praça. arco de entrada em pedra |1929|
Antigo Beco das Moscas (ou da Mosca)
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O tecto dos passadiços, sobre arcos de alvenaria, é de madeira, e por isso te digo que «dá teatro»; a nobreza da pedra não distingue esta serventia. Visto do lado de cima, o enfiamento ganha perspectiva, e à noite dá-nos ainda uma ilusão da Alfama quinhentista.
Aí tens o arco de entrada em pedra, com meias pilastras, e uma indicação do que deveria ter sido, expressão nobre bairrista ainda há um século.==

Travessa de S. João da Praça. arcos e  passadiços |c. 1900|
Antigo Beco das Moscas (ou da Mosca)
José Artur Bárcia, in Lisboa de Antigamente

N. B. O Edital do Governo Civil de Lisboa de 17 de Outubro de 1863, crismou o Beco das Moscas, ou da Mosca, em Travessa de São João da Praça, a pedido de «alguns proprietarios de predios, e outros individuos, residentes» nesses arruamentos, alterando os topónimos comuns por referências religiosas dos locais onde se inseriam. O Beco das Moscas já aparece em 1858 no levantamento cartográfico de Lisboa executado por Filipe Folque e de acordo com aquele edital «dá serventia do Caes de Santarem para o largo da egreja parochial de S. João da Praça». [cm-lisboa]
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, pp. 27-37, 1939.

domingo, 26 de setembro de 2021

Rua de Barros Queirós

Era a antiga Travessa de São Domingos, passou a designar-se Rua de Barros Queirós em homenagem a "Tomé José de Barros Queirós". A atribuição deste topónimo foi ainda acrescentada com uma legenda de «Ilustre cidadão, vereador da 1ª Câmara Municipal Republicana de Lisboa – 1926».

No Edital de 21 de Junho de 1926 pode ler-se: “[...] o Senado Municipal, em sessão de 7 de Junho corrente, prestando homenagem á grande figura republicana que foi Tomé José de Barros Queiroz, um dos mais ilustres propagandistas da Republica, trabalhando e lutando por ela e prestando relevantes serviços á cidade, quando vereador, resolveu dar á travessa de S. Domingos a seguinte denominação: Rua Barros Queiroz / Ilustre Cidadão, Vereador da 1ª Câmara Municipal Republicana de Lisboa – 1926”.

Rua de Barros Queiroz |1908|
Antiga Travessa de São Domingos
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A justificação possível da alteração do topónimo Travessa de São Domingos para Rua de Barros Queirós reside no propósito – que se verificou durante o período da 1ª República – de acabar com a influência que a religião e a monarquia tinham na vida quotidiana e profissional das pessoas. O novo regime alterou a denominação das ruas, praças, largos, instituições e edifícios por outros conotados com a República.
Ainda, e por parecer da Comissão Municipal de Toponímia, em reunião de 19/05/1950, foram suprimidos os dizeres "Ilustre Cidadão – Vereador da 1ª Câmara Municipal de Lisboa – 1926" dos letreiros toponímicos e acrescentada a partícula “de”.

Rua de Barros Queiroz |1944|
Antiga Travessa de São Domingos
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N. B. Tomé José de Barros Queiroz nasceu em Ílhavo a 2 de Fevereiro de 1872 e faleceu a 5 de Maio de 1926 em Lisboa.
Foi aprendiz de oficina, marçano e caixeiro e, pelo empenho e esforço chegou a comerciante de candeeiros no Largo de S. Domingos; político do período da Primeira República Portuguesa que, entre outras funções, exerceu os cargos de deputado, Ministro das Finanças, Ministro da Instrução Pública e Presidente do Conselho de Ministros. Foi membro da Maçonaria, na loja "Acácia". [cm-lisboa-pt; ANTT]

Rua de Barros Queiroz |1940|
Antiga Travessa de São Domingos; Igreja de São Domingos, abside; Rua da Palma.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 23 de julho de 2021

Travessa do Cabral

As artérias que cortam a Bica, transversalmente — diz Norberto de Araújo —, são esta Travessa do Cabral, a da Portuguesa, a da Laranjeira e a do Sequeiro, tôdas com a mesma perspectiva e balanço de nível, descendo por escadinhas das Chagas, encontrando o vale — onde corre o ascensor — e voltando a subir, sempre por escadinhas, à Rua do Marechal Saldanha.
Norberto de Araújo recorda que a travessa herdou o nome do bacharel Manuel Rodrigues Cabral, que nasceu no final do século XVI e morreu em 1632. O olisipógrafo deixa-nos a seguinte nota curiosa nas suas Peregrinações: “ (…) Nota apenas no nº 35, no prédio da esquina nascente da Rua da Bica de Duarte Belo, esse curioso pórtico nobre, que faz hoje a porta de uma loja de barbeiro; nenhum de nós pode afirmar, mas pode admitir, que foi aqui o solar de Rodrigues Cabral. (…)»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 68, 1939)

Travessa do Cabral [entre 1960 e 1969]
Ao fundo a Rua. do Almada
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

domingo, 13 de junho de 2021

Travessa do Oleiro

«Tv. do Oleiro he a segunda á esquerda na Rua do Poço dos Negros, vindo da Esperança, e termina na Rua dos Poyaes de S. Bento.»
(Itinerario lisbonense, 1804)

Segundo o olisipógrafo Matos Sequeira esta artéria «chamou-se primitivamente (segundo quartel do século XVII) Travessa do Benedicto abaixo do Poço Novo, e ainda em 1641 era assim conhecida. Depois passou a denominar-se do Oleiro, depois outra vez do Benedicto (1671), de João Latino (em 1760) e novamente, até hoje, do Oleiro.
O Benedicto que deu o nome a esta serventia, era um João Benedicto, que largos anos ali teve a sua oficina de oleiro. Esquecido o nome, ficou o mister a substituí-lo na designação local. As olarias abundavam nestas paragens, aproveitando naturalmente o barro dos terrenos da calçada do Combro e imediações.

Travessa do Oleiro |1960|
A primeira transversal é a Rua do do Poço dos Negros; ao fundo vislumbra-se o Beco do Carrasco
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Nos Elementos para a Historia do Município (tomo IX, pág 238), vejo uma postura da Câmara, do ano de 1610, proibindo aos oleiros a extracção do barro dos terrenos da herdade da Calçada do Congro [hoje "do Combro"], sob pena de prisão e multa, a fim de evitar desmoronamentos naquele local. Nos registos paroquiais e róis de confessados da freguesia de Santa Catarina, que percorri atentamente, encontrei, numerosos oleiros dados como moradores deste ponto, desde os fins do século XVI.»
(MATOS SEQUEIRA, Gustavo de, Depois do terremoto: subsídios para a história dos bairros ocidentais de Lisboa, Vol. 2, pp. 47-48, 1916)

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Travessa (da Porta do Carro) do Hospital (Real de São José)

Ao fundo das Escadinhas da Porta do Carro  —  Norberto de Araújo — , aí tens uma serventia prática do Hospital Real de São José, e que é do tempo ainda do Convento de Santo Antão-o-Novo. (...) A porta é sobrepujada por um decorativo painel de azulejo, do principio do século XVIII.

Travessa do Hospital, painel de azulejo |s.d.|
Antiga Travessa da Porta do Carro do Hospital Real de São José
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente

A Travessa da Porta do Carro do Hospital Real de São José viu o seu nome encurtado para Travessa do Hospital, por deliberação camarária de 06/02/1891 e respectivo edital de 11/02/1891. O topónimo advém da proximidade ao Hospital de S. José que em 1755 foi inaugurado no edifício que fora o Convento e Colégio dos Jesuítas de Santo Antão-o-Novo. 

Travessa do Hospital |1961|
Hospital de São José, painel de azulejos representando Santo Antão, São João e São Domingos
Antiga Travessa da Porta do Carro do Hospital Real de São José
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p. 66, 1938.
cm-lisboa.pt.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Travessa da Arrochela

Já pelo começo do século passado [XIX] o local havia sido urbanizado, com rectificações de arruamentos naturais, que desde os dois séculos anteriores provinham: as Ruas do Vale e das Parreiras, e a Travessa da Arrochela.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, p. 40, 1938)
 
Travessa da Arrochela [s.d] [c. 1940]
Ao fundo vislumbra-se o Palácio de São Bento.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente
 
A nomenclatura desta Travessa foi aprovada, em conjunto com outros arruamentos independentemente da freguesia na reunião da Comissão Municipal de Toponímia, Acta nº 6 de 11 de Abril de 1944. A Travessa da Arrochela aparece já como fazendo parte da Paróquia da Freguesia de Nª Srª das Mercês com data de 1770, portando posterior ao Terramoto. 

Travessa da Arrochela [c. 1945]
Perspectiva tomada da Rua de São Bento.
Fernando Martinez Pozal, 
in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Travessa do Fala-Só

Desde meados do séc. XIX que aparecem registos do Beco do Fala-Só, conforme refere Gustavo Matos Sequeira, tendo alguns proprietários deste arruamento solicitado a sua classificação como Travessa, em resultado dos melhoramentos realizados na via, o que acabou por ser oficializado pelo Edital municipal 29-11-1877.
De acordo com Luís Pastor de Macedo, o topónimo “deve o seu nome, decerto, a algum morador que teria aquela alcunha". [cm-lisboa.pt]

Travessa do Fala-Só [1944]
Antigo Beco do Fala-só
Candeeiros de Lisboa (coluna com equipamento, aro, adaptada a electricidade)
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Travessa do Arco da Torre

Em Belém, encontramos as antigas Rua do Arco da Torre e a Travessa do Arco da Torre, paralelas à Avenida da Torre de Belém. Ora, a antiga Casa do Governador do Forte do Bom Sucesso e onde Almeida Garrett morou em 1852 (ao fundo), sita na Rua do Arco da Torre tem justamente um arco que fica fronteiro à Torre de Belém, ou como escreve Luís Pastor de Macedo «Tira o nome do arco que se abre defronte da Rua da Praia do Bom Sucesso e que dá passagem para a Avenida da Índia e para a Torre de Belém.» [cm-lisboa.pt]

Travessa do Arco da Torre |1939|
Largo Princesa (esq); ao fundo, antiga Casa do Governador do Forte do Bom Sucesso

Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

domingo, 24 de novembro de 2019

Madragoa, o velho Mocambo do século XVIII

De que deriva o nome de Madragoa? — questiona Norberto de Araújo.

Tem sido isto um inocente problema e talvez continue a sê-lo, assediado por explicações mais ou menos fantasistas. O verosímil — e fiquemo-nos, Dilecto, nesta verdade — é que «Madragoa» é vocábulo de corruptela.


Havia aqui perto o Convento das freiras bernardas — já to disse atrás — que, primeiro, justificou o nome à actual Rua das Madres. Mas, paralela, pelo norte, corria a Rua das Madres, de Goa, pois assim se chamava no século XVI a artéria que corre superior, em 1802 oficialmente Rua da Madragoa, e em 1859, como hoje, Rua Vicente Borga. No extremo desta Rua, à esquina das Trinas, existia um hospício de senhoras da Índia, as tais «madres de Goa», e por corruptela fonética — Madragoa. E aí tens uma explicação.

Rua das Madres |1940|
Ao fundo corre a Travessa do Pasteleiro
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Madragoa!
Nome ressonante e plebeu: pescadores, ovarinas, homens da estiva; mulheres de Estarreja e subúrbios, donas de trabalho na prancha do carvão e nas areias da lota, de peitos altos, saias de cinta dobrada nos corpos durazios a contrastar nas cinturinhas ágeis das raparigas da Murtosa; cordões de ouro, bailaricos de S. João, mareantes de olhar nostálgico, traficantes do peixe de olhar vivaço; tavernas onde se fala do mar e das fainas ribeirinhas.
Ao cabo, uma colónia aveirense trespassada à capital — e que se arreigou, no único bairro de Lisboa que não tem Lisboa por fundo dinástico.

❞Ó velha Madragoa,
Não tens um só painel
Um arco ou um brazão
Só tens ó Madragoa
Nos lábios doce mel
No peito um coração.

Rua Vicente Borga |1945|
Dístico de 1859 originado por corruptela de Vicente Borchers — filho de um negociante
alemão, um tal Conrado Bicker, natural de Hamburgo —, que morou na antiga Rua 

da Madragoa após ter casado com Maria Clara Sousa Peres, no séc. XVIII, e acabou 
por substituir o antigo topónimo.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Em todo este pitoresco, desligado da história — um pouco de miséria, ao lado da mediania suficiente, que com pouco se contenta para ser rica,
A Madragoa normal é buliçosa, rumorejante, mas incaracterística ao primeiro contacto: há que adivinhá-la; há que surpreendê-la aos domingos à noite ou nas quadras populares festivas.
A sua «cor local» existe, mas oculta-se sob um esfuminho de trivialidade.
Rigorosamente a Madragoa é um reduzido xadrez irregular — recorda-nos Norberto de Araújo — que se condensa numa área que corresponde à décima parte do Bairro Alto e da Alfama, às dimensões da Mouraria popular.

Travessa do Pasteleiro à Esperança |1950|
Desconhece-se a origem do topónimo, mas sabe-se que é muito antiga, pois, vem já 

citado no Livro IV de Óbitos da Freguesia de Santos-o-Velho. Presume-se que derive 
do facto de ali ter vivido um conhecido pasteleiro.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

No sentido oriente-poente é cortada pela Ruas do Machadinho, de Vicente Borga, das Madres, limitadas estas pela Esperança, avenida bairrista e independente da característica castiça, e de norte a sul pelas Travessas do Pasteleiro, das Inglesinhas (que morre na Rua das Madres), das Izabéis, (um troço apenas)  e pela Calçada do Castelo Picão, a artéria empinada e representativa.

❞ Uma saudade do mar, tem
Seu monumento em Lisboa
Velho bairro popular
Sombrio e vulgar
Que é a Madragoa.
E reza a história que foi, lá
Numa noite de natal
Que veio a luz o primeiro
Herói marinheiro
Que honrou Portugal.

Rua da Esperança |c. 1900|
O nº 46 corresponderá à loja de alfaiate que ali se vê à esquerda. Segue-se a Tv. do Pasteleiro e, ao fundo, a Avenida Dom Carlos I. Boa parte destes prédios ainda lá estão.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Como vais vendo, Dilecto, a Madragoa, o velho Mocambo do século XVIII, teve o seu ambiente religioso, como toda a Lisboa afinal, mas sem grandeza, sem beleza, e de tal modo modesto — à parte o casarão das Bernardas — que de todo se perdeu.
O que por aqui impressiona é o rapazio à solta, a multiplicidade de tavernas, a vida feita quási à soleira das portas.
Esta gente, êste sítio, devem ter e têm, a sua alegria, mas não transparece, não sorri. É um formigueiro de vidas, em cujo quadro falta o fundo ancestral, robusto, «água-forte» da Alfama.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 22, 1938.

domingo, 14 de julho de 2019

Os Fiéis de Deus

Em 1902, o olisipógrafo Júlio de Castilho, adiantava a razão da origem deste curioso topónimo do seguinte modo: «A travessa dos Fieis de Deus, essa é toda mística. Tira talvez origem de um antigo uso, que o Elucidário de Viterbo nos denúncia: montes de pedras soltas arrojadas a uma e uma pelos passageiros nas encruzilhadas, ao pé de alguma Cruz que ali houvesse, e em honra dela; resto de hábitos pagãos transformados pelo Cristianismo. Parecia aquilo um modo de provar que os fieis não esqueciam o seu Deus, pois erguiam, a pouco e pouco, junto ao símbolo da Preempção, aqueles rudes calcários, comemorativos do alcantilado teatro da Paixão de Cristo.
A tais acervos de cascalho chamava o povo «Fiéis de Deus», pela fidelidade dos obscuros e incógnitos autores. E é para notar que a ermida de Nossa Senhora da Ajuda dos Fieis de Deus, que se acha ainda hoje no seu lugar primitivo, foi edificada numa encruzilhada de dois caminhos; a actual Travessa dos Fiéis de Deus, e a actual Rua dos Caetanos.

Travessa dos Fiéis de Deus [1930] 
Perspectiva tomada da Rua de O Século
[Ermida (de Nossa Senhora da Ajuda) dos Fiéis de Deus]

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Os «fiéis de Deus» eram pedrinhas — afirma por seu turno Norberto de Araújo. Pedrinhas de piedade. Não chegavam a ser uma lágrima. Queriam ser um Padre-Nosso. Quando era justiçado um homem, não o enterravam no adro sacrossanto das igrejas. A lei punha-o fora do seio de Deus. Abriam-lhe a cova numa encruzilhada. Os que passavam atiravam-lhe uma pedra e uma oração pelo «fiel de Deus». Eis o costume caritativo de há muitos séculos.
E aí está a única ermida do Bairro Alto, neste buliçoso sítio onde muitas outras existiram, e que esqueceram. Aí fica ela ao cabo do enfiamento de uma pitoresca travessa, ainda de casinhas cor-de-rosa, de fundo setecentista, perto das Salgadeiras, da Espera, das Mercês, da Trombeta. 

 Ermida (de Nossa Senhora da Ajuda) dos Fiéis de Deus] [1945] 
Travessa dos Fiéis de Deus, 111; Rua dos Caetanos
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Data a Ermida de 1551, dedicada por um Afonso Brás às Almas do Purgatório. É pequena e pobre, com um arzinho de ingenuidade antiga. Nela habitou um dos cinco homens que, na cidade, tinham o ofício de recolher as crianças perdidas das mães: também foi um refúgio, os Fiéis de Deus.
Na Ermidinha entravam muitas vezes os calafates da Boavista, os brigões da Espera, os fidalgos de Soure, os frades eruditos de S. Caetano, as colarejas da Atalaia. Agora não entra quase ninguém. [...]
É simplesmente a pedrinha anónima, distraída, humilde dos Fiéis de Deus.
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Bibliografia
CASTILHO, Júlio de, Lisboa antiga, Vol, 1, p. 102, 1902.
ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, pp. 202-203, 1943.
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