Sunday, 17 November 2019

Profissões de antanho: o vendedor de barquilhos

O barquilho, uma espécie de bolo de massa tostada, feito de farinha não fermentada, a que se adiciona açúcar e mel, era e é — ainda hoje — utilizado na venda de sorvetes. Este petisco é a suprema palavra de pastelaria para o rapazio.


À porta das escolas e dos liceus e por aí, por toda a cidade, onde quer que encontrassem poiso, era certa e sabida a presença dos galegos dos barquilhos com grandes latões pintados de vermelho, em cuja tampa rodava a roleta da sorte. Talvez fosse, para a freguesia miúda, a primeira sensação de ganhar ao jogo!

Profissões de antanho: o vendedor de barquilhos [c. 1930]
Praia de Algés[?]
A venda de barquilhos feita habitualmente nas praias.
Ferreira da Cunha. in A.M.L.


A verdade é que a rapaziada daquele tempo, em troca de uma moeda, fazia rodar por três vezes a roleta, e da soma dos três números que ela marcava, o vendedor entregava os barquilhos correspondentes.

Profissões de antanho: o vendedor de barquilhos [c. 1930]
Praia de Algés[?]

«O rapaz dá cinco reis, move a roda que faz girar uma pequena esfera; esta vai cair em uma cavidade, e segundo o número que ela tem pintado, ganha outros tantos barquilhos, que ele bem depressa faz chegar ao estômago.»[C.P., 1870]
Ferreira da Cunha. in A.M.L.

Na sequência do jogo da roleta por vezes havia discussão: o rapazito habilidoso a tentar intrujar o vendedor, e este, no jogo do gato e do rato, a defender-se. Bastava inclinar de certa maneira o latão para que a palheta que marcava os números parasse no sitio que mais lhe convinha. E, não raro, havia zaragata!...

Profissões de antanho: o vendedor de barquilhos [p-. 1902]
«O homem dos barquilhos para em qualquer lugar mais concorrido, e poe diante de si uma caixa, que tem na tampa uma espécie de roda da fortuna.»[C.P., 1870]
Ferreira da Cunha. in A.M.L.

Bibliografia
DINIS, Calderon , Tipos e Factos da Lisboa do meu tempo (1900-1974, p. 212, 1986.
Commércio do Porto [C.P.] 13 de Janeiro de 1870:

Friday, 15 November 2019

Rua do Telhal

Era já sabido de nossos paes, que, em sendo terça-feira, á tarde, trepavam, conforme podiam, pela rua do Telhal acima, muitos e bons sucios, contentes de estarem neste mundo, todos de barriga cheia com a alegria a descançar em cima d'ella como um pachá no coxim. [Os Dois mundos, 1879]


Este é um topónimo cuja fixação na memória de Lisboa se desconhece embora já apareça referido nos registos paroquiais de 1755 da Freguesia de S. José bem como nas plantas paroquiais executadas em 1770 e depois, em 1857, no «Atlas da Carta Topográfica de Lisboa» de Filipe Folque.

 

Rua do Telhal [1907]
Cruzamento com a Rua de São José
Machado & Souza


Rua do Telhal [1907]
Junto ao nº. 31 e descendo no sentido da Rua das Pretas
Machado & Souza



Por documentos camarários de, respectivamente, 1874 e 1875, sabe-se que o arruamento foi alargado e macadamizado. [cm-lisboa.pt]

Rua do Telhal [1953]
Demolições e obras de pavimentação
Judah Benoliel, in A.M.L.

Wednesday, 13 November 2019

Central Tejo

Situada entre as Avenidas da Índia e de Brasília, a Central Tejo foi inaugurada em 1909. A sua junção com a Central da Boavista permitiu fornecer electricidade a Lisboa e a toda a faixa costeira até ao Estoril. A partir de 1911 passou a ser designada como Central Tejo à Junqueira.
Edifício concluído em 1919, com projecto dos engenheiros Veillard e Touzet. A actual Central Tejo localizou-se junto a uma fábrica de electricidade, de pequenas dimensões, ali instalada desde 1908. 

Central Tejo, panorâmica da fachada Sul vista do Tejo [post. 1939]
Cais de Belém
Na imagem, o navio inglês Switzerland, ex Monassir, construído em 1920 pela firma Caledon Steamship Building & Engineering Co..
Kurt Pinto, in A.M.L.

Os edifícios destacam-se pela sua arquitectura, quer pela forma e volumetria, quer pela utilização plástica dos materiais, como o tijolo vermelho, o ferro e o vidro, relevando uma indiscutível modernidade e grande impacto urbano. Do conjunto destacam-se os grandes janelões de vidro, que conferem uma marca de leveza aos edifícios, sendo simultaneamente importantes do ponto de vista funcional. 

Central Tejo [1940]
Avenida da Índia e Avenida de Brasília depois das obras
Eduardo Portugal, in A.M.L.
Central Tejo [1940]
Rio Tejo
 
Kurt Pinto, in A.M.L.

A Central Tejo insere-se nos modelos técnicos das centrais termo-eléctricas. Tinha como missão fornecer energia eléctrica e gás de iluminação pública à cidade de Lisboa, desempenhando um papel fundamental na produção eléctrica e sua divulgação, até ao surgimento das centrais hidroeléctricas. Laborou de 1909 até cerca de 1975, ininterruptamente até cerca de 1954. 

Central Tejo [1916]
Avenida de Brasília
A Guarda Nacional Republicana junto à Central Tejo durante a greve dos eléctricos
Joshua Benoliel, in A.M.L.

O equipamento tecnológico foi sendo alterado de acordo com exigências técnicas e de aumento de produtividade. No início da sua laboração contava com dois geradores e seis caldeiras de baixa pressão. Actualmente, pode visionar-se, no interior do edifício, caldeiras de alta pressão da firma Babcok & Wilcox e grupos turbo-alternadores tipo Parsons. Pertence à EDP desde 1976 (aquando da formação da empresa), constituindo um edifício para fins museológicos, denominado de Museu da Electricidade.
Classificado desde 1986 como I.I.P.-Imóvel de Interesse Público.

Fotografia aérea sobre a zona de Belém, vendo-se a Central Tejo [post. 1919]
Avenida de Brasília; Rio Tejo
 
Fotógrafo não identificado, in A.M.L.

Bibliografia
igespar.pt; cm-lisboa.pt

Sunday, 10 November 2019

Cinema Restauradores

Localizado nos restauradores  — por baixo do Éden — em pleno coração de Lisboa esta sala de cinema iniciou a sua actividade em 28 de Outubro de 1911. Inicialmente tinha o nome de «Salão Chantecler» ou «Galo». Os seus proprietários, Júlio Augusto Estevens e António Moreira Gaspar, acabariam mais tarde por mudar o nome da sala para o tornar mais apelativo, passando deste modo a ser designado como Cinema Restauradores. 
O Cinema Restauradores tinha capacidade para 499 espectadores. Até 1927 os filmes mudos que lá passaram tiveram grande sucesso devido essencialmente a algo que ficou conhecido como fono-cinema e mais popularmente como fitas faladas.

Cinema Restauradores [1966]
Praça dos Restauradores
Sessão Dupla: A Cortesã do Oriente (1953) e Os 3 Magníficos (1961)
Garcia Nunes, in A.M.L.

A 20 de Dezembro de 1935, ao mesmo tempo que são levadas a cabo obras de remodelação e modernização, assume o nome de Restauradores e assim ficaria conhecido nos próximos 30 anos.
Na década de 60 a sua popularidade tinha diminuído consideravelmente e acabaria por encerrar em 1968, dando lugar a um estabelecimento pertencente à Companhia União Fabril. Actualmente o edifício alberga um hotel.

Praça dos Restauradores [1914]
Ao lado esq. da entrada  para a antiga Topografia «Anuário-Comercial» observa-se o velho Animatographo Chantecler, com o famoso Galo na frontaria, antecessor do Cinema Restauradores (clicar para ampliar; Cinema ;Éden Teatro.
Joshua Benoliel, in A.M.L.
  
Pela passagem entre o Éden e o Palácio Foz — recorda o ilustre Norberto de Araújo — se faz entrada, hoje [1939], para o Anuário Comercial, importante estabelecimento gráfico, desde 1914 propriedade de uma sociedade anónima. O «Anuário», fundado por Carlos Augusto da Silva Campos, começou a publicar-se em 1880 sob o nome de «Almanaque Comercial de Lisboa» título que prevaleceu até 1887. Em 1893 era «Anuário-Almanaque Comercial», propriedade de Manuel José da Silva, tendo por capitalista o Conde de Bumay.
Neste Pátio esteve, há anos, instalada a esquadra da policia, que depois passou à Rua de Santo Antão e hoje está na Praça da Alegria.

 Tipografia do anuário Comercial [post. 1911]
  Praça dos Restauradores
Ao lado esq. vê-se a entrada  para o velhinho Animatographo Chantecler vulgo Galo.
Em cartaz, o filme  de 1911, «Sangue siciliano»
Alberto Carlos Lima, in A.M.L.
________________
Bibliografia
RIBEIRO, M. Félix, Os Mais Antigos Cinemas de Lisboa 1896-1939, 1978- 
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa, 2017.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 18, 1939.

Friday, 8 November 2019

O Rossio Velho

No século da tomada de Lisboa confluíam ainda nêste sítio os dois braços de água dos vales do Andaluz e de Arroios-Mouraria, correndo ao Tejo em regueiro. [...]
No século XIV o arrabalde do Rossio  — «Ressio› se dizia — fazia [já] parte da cidade. Rossio de S. Domingos, Rossio de Santa Justa, logo Rossio de Valverde — estava feito o Rossio de Lisboa, cujas orlas de edificação a Câmara e o Rei por vezes disputavam. [...]

Praça D. Pedro IV [séc. XIX]
Venda ambulante de refrescos; carro Chora
Fotógrafo não identificado, in A.M.L.

Do final de setecentos até hoje, o Rossio — na sua fisionomia pombaIina — limitou-se a enfeitar-se, arruar-se, arrumar uma zona a poente, rever a sua orientação, construir um teatro, erguer um monumento, pôr de pé uma estação terminal de linha férrea, empedrar o chão, recortá-lo depois — usar do seu direito de capital, praça titular de Lisboa.

Praça D. Pedro IV [séc. XIX]
Venda ambulante de bolos; carro Chora
Fotógrafo não identificado, in A.M.L.

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, pp. 61-62, 1939.

Wednesday, 6 November 2019

Prédios dos Restauradores: «Ilha dos Escritórios»

Êste prédio, que encosta ao Avenida Palace, n.° 13, — recorda Norberto de Araújo — é, como um seu similar do Rossio (esquina norte da Rua do Amparo), uma verdadeira «vila», por tal sinal (e nisso também se assemelham) sem qualquer expressão moderna de confôrto e de higiene a classificá-los; nele existem 89 escritórios, e ainda, no quarto andar, uma «Pensão Restauradores». Foi a última das propriedades que José Rodrigues Sucena (Conde de Sucena por mercê de D. Luiz) adquiriu nestes sítios (1915) ; hoje pertence à Caixa Geral de Depósitos, como adeante direi [refere-se à construção do primitivo Éden Teatro].

Predios dos Restauradore  [c. 1937]
Praça dos Restauradores, 13; Hotel Avenida Palace
 Mário Novais, in F.C.G..

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 18, 1939.

Sunday, 3 November 2019

Igreja de São Luiz, dos Franceses

Neste pedacinho [da Rua das Portas de Santo Antão] até à Anunciada do Convento das dominicanas, erigido sobre a casa dos agostinhos de Santo Antão de 1400 — e eis a razão do nome da rua — chegaram a contar-se sete palácios, desde o dos Condes de Almada, a par de S. Domingos, até ao dos Condes da Ericeira, passando pelo primeiro dos Castelo Melhor, pelo dos Pais do Amaral Barberini, pelos do Conde de Povolide e dos Morgados de Oliveira. Igrejas, só uma, a de S. Luiz, dos franceses, que recua a 1552, e ali está ela ainda, com as suas flores de lis e as armas dos Bourbons sobre o pórtico.


Eis-nos defronte da pequena Igreja de S. Luiz, dos franceses — diz Norberto de Araújo — , erecta extra-muros, e que teve contíguo um Hospital, de certo modo no século passado [XIX] substituído pelo «Asyle de Saint-Louis» — Hospital de S. Luiz — na Rua Luz Soriano.

Rua das Portas de Santo Antão [1909]
Igreja de São Luiz, dos Franceses; Palácio Alverca (Casa do Alentejo)
Joshua Benoliel, in A.M.L.

É simples a fachada, na qual apenas o pórtico, com as armas dos Bourbons e o escudo da flor de lis, tem algum interêsse arquitectónico.
Na sobreporta ali vês a legenda latina, que afirma, na tradução, que «a S. Luiz foi dedicado êste templo pelos franceses habitantes nesta real cidade, no ano do Senhor de 1552. Conclui-se e acrescentou-se em 1622».
Parece, porém, que a inscrição não é de todo exacta ou suficientemente explicita. Eu julgo — talvez — mais acertada a versão de que a Confraria é que foi criada em 1552, instalada na Ermida de N. Senhora da Oliveira a S. Julião, onde estaria ainda em 1558, começando em 1563 a construir-se o templo neste lugar, concluído em 1572, na sua primeira fase. A reconstrução ampliada é que será de 1622.
Depois do Terramoto voltou esta Igreja a receber benefícios (1766), aliás repetidos sumariamente no século passado.

Igreja de São Luís dos Franceses [c. 1914]
Perspectiva tomada da Travessa  de Santo Antão
Beco de São Luís da Pena, 34-34A; Rua das Portas de Santo Antão
Charles Chusseau-Flaviens, in G.E.H.

Interiormente a Igreja de S. Luiz, muito ao tipo francês, pouco oferece de notável; não posso dela dar uma resumida descrição que seja — como o tenho feito de uma centena de igrejas e ermidas de Lisboa — porque, nos meus passos de ensaio, não me foi consentido tomar notas e colher informações directas, o que registo sem acrimónia embora com estranheza.
Posso dizer que o altar-mór e as capelas colaterais no corpo da igreja foram construidos em Genebra, por um artista italiano; são em mármore de Carrara [Pasquale Bocciardo (1705-1791)].
E pois que interessa à iconografia de Lisboa anotemos êste grande quadro, à esquerda da parede no corpo da Igreja. É uma «Vista de Lisboa», da primeira metade de seiscentos, muito deteriorada.
O terreno da cortina defronte de S. Luiz, sôbre a Rua, pertence à Igreja; os seus três estabelecimentos são dêste século.

Igreja de São Luís dos Franceses [c. 1914]
Perspectiva tomada da Rua do Jardim do Regedor
Beco de São Luís da Pena, 34-34A; Rua das Portas de Santo Antão
Charles Chusseau-Flaviens, in G.E.H.

N.B. No século XIX o imóvel passa para a posse do Estado Francês e em 1882 é instalado o órgão realizado em Paris por Aristide Cavaillé-Coll. No andar superior, em três salas, funcionava o hospital de São Luís, da Confraria do Bem-aventurado São Luís, que socorria todos os franceses pobres e necessitados de auxílio médico.
_______________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 207.
ibid, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 102-103, 1939.
SANTANA, Francisco e SUCENA, Eduardo. Dicionário da História de Lisboa, pp. 808-810, 1994.

Friday, 1 November 2019

Avenida da República

Este topónimo, juntamente com mais nove, faz parte do primeiro Edital da vereação republicana, datado de 5 de Novembro de 1910, ou seja, precisamente um mês após a implantação da República. Após a proclamação da República a Câmara de Lisboa alterou a toponímia, substituindo os nomes das figuras públicas comprometidas com a monarquia e os topónimos de cariz religioso por outros evocativos dos ideais republicanos e esta Avenida da República é disso um exemplo claro, substituindo o topónimo do criador das Avenidas Novas em 1904  —  Ressano Garcia — pela própria República.

Avenida da República [1926]
Junto ao Viaduto de Entrcampos; à esq., o antigo Mercado Geral de Gados, depois Feira Popular; à dir., a Rua Visconde de Seabra
Legenda no arquivo: «Exercícios da Polícia Cívica no Campo Grande»
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

O topónimo «Visconde de Seabra» perpetua na toponímia de Lisboa o nome de António Luís de Seabra (1798-1895), 1º visconde de Seabra, com título atribuído em 25 de Abril de 1865, responsável pela organização do projecto de Código Civil que foi promulgado por Carta de Lei em 1 de Julho de 1867.
Formado em 1820, a sua carreira desenvolveu-se como deputado, membro da Câmara dos Pares, Ministro da Justiça (1852 e 1868), reitor da Universidade de Coimbra (1866-68) e juiz do Supremo Tribunal de Justiça. [cm-lisboa.pt]

Avenida da República [ant. 1934]
Junto ao Viaduto de Entrcampos; à dir., a Rua Visconde de Seabra
Legenda no arquivo: «
Volta a Portugal em carro»
Fotógrafo não identificado, in A.M.L.

Wednesday, 30 October 2019

Convento de N. S. da Encarnação : «O Mosteiro da Infanta»

O Convento da Encarnação foi mandado construir pela Infanta D. Maria (1521-1577). É um convento de freiras beneditinas, uma das belas jóias da arquitectura religiosa a ver em Lisboa, pouco conhecida, talvez, pela sua localização. E porque sua igreja só abre uma vez por semana, aos domingos. É um tesouro bem guardado.

Vicissitudes várias, relacionadas com o contexto histórico das décadas seguintes, levaram a que o Convento de Nossa Senhora da Encarnação, só viesse a ser fundado em 1614, sob a égide de Filipe III.


Convento de Nossa Senhora da Encarnação: «O Mosteiro da Infanta» [ant. 1866]
Largo do Convento da Encarnação
Panorâmica tirada de São Pedro de Alcântara, vê-se o Convento da Encarnação, a Igreja de São Luís dos Franceses, e, em último plano, o Convento da Graça
Francisco Rocchini, in AML

Viveu a Senhora Infanta [D. Naria] — recorda o ilustre Norberto de Araújo — entre artistas, latinistas e teólogos. Devota como seu irmão, D. João III, não esqueceu nunca a filha de D. Manuel, o «Venturoso», os hábitos da corte do Paço da Ribeira, onde nascera em 1521. Era riquíssima. A sua vida de sempre menina decorreu, deslizou entre mesuras paçãs e perfumes de incenso. [...]
Diz-se que foi amada por Camões, e que talvez lhe tivesse dado asas para o Poeta voar a tão «alto pensamento». Era uma linda senhora, de nariz um tudo nada imperfeito, o que lhe imprimia um ar de malícia excelsa, e lhe aumentava o picante da expressão, misto de sensualidade e idealismo, como no desenho de Chantilly, cópia de Gregório Lopes. [...]

Convento de Nossa Senhora da Encarnação: «O Mosteiro da Infanta» [ant. 1880]
Largo do Convento da Encarnação
Perspectiva da Praça D. Pedro IV, observando-se em cima, à dir, o Convento da Encarnação
Fotografia anónima, in AML

É um casario soturno, quase misterioso, debruçado sobre o Rossio. Na sobreporta da Igreja ostenta-se o brasão daquele infantado virginal. Por todo o edifício, pelos claustros e terraços, esconsos e escadarias, pejadas de oratórios, de altares, de mistérios místicos — passa ainda, apesar de no mosteiro nunca ter vivido, o talhe esbelto da Senhora Infanta, vestida com o hábito branco de S. Bento, ornado da cruz verde de Avis, tal qual cai ainda hoje dos reposteiros moles.
No exterior, em pleno Largo do Convento, uma casinha setecentista de um pitoresco inverosímil, milagre de arquitectura ingénua e popular, reúne-se à ostentação artística da Igreja, repousada nos seus azulejos, pinturas de bom pincel e lavores de prata.

Convento de Nossa Senhora da Encarnação: «O Mosteiro da Infanta» [c. 1940]
Largo do Convento da Encarnação
Do lato esq. vê.se o portal nobre do convento e à dir., a entrada da Igreja Igreja ostentando o brasão da infantado
Eduardo Portugal, in AML
Convento de Nossa Senhora da Encarnação: «O Mosteiro da Infanta» [c. 1940]
Largo do Convento da Encarnação

Um aspecto do Claustro
Eduardo Portugal, in AML

Um grande incêndio ocorrido em 1734, e os danos provocados pelo Terramoto de 1 de Novembro de 1755 obrigam a grandes intervenções no edifício conventual.
Após a extinção das ordens religiosas, a 30 de Maio de 1834, as condições de vida no convento decaem consideravelmente por ter cessado a entrada dos rendimentos provenientes da Ordem de Avis. O Convento da Encarnação é extinto em Março de 1896 após a morte da última religiosa e integrado na Fazenda Nacional. Já no início do século XX passa a integrar os «Recolhimentos da Capital», conjunto que desde 2011 está sob gestão da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Convento de Nossa Senhora da Encarnação, interior da igreja [c. 1900]
Largo do Convento da Encarnação
Uma parte do Claustro
Alberto Carlos Lima, in AML

Convento de Nossa Senhora da Encarnação, coro [c. 1900]
Largo do Convento da Encarnação
Uma parte do Claustro
Alberto Carlos Lima, in AML

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de Araújo, Legendas de Lisboa, pp. 60-61, 1943.
ALMEIDA, Fernando de - Monumentos e edifícios notáveis do Distrito de Lisboa, Volume 5, Segundo Tomo, 1975.

Sunday, 27 October 2019

Sítio do Areeiro

Da Avenida Almirante Reis galga-se, em via larga, até aos antigos campos. O Areeiro é já citadino e viverá pouco quem não vir edificar até Sacavém e, com a velocidade adquirida, fazer-se a junção, através de largas passagens, com os antigos desertos saloios. Dentro em pouco será quási impossível encontrar, a vinte ou trinta quilómetros da Baixa, uma aldeia fresca e repousante que não esteja na iminência de ser conquistada pela cidade ambiciosa.

Praça do Areeiro, actual Praça Francisco Sá Carneiro (desde 1982) [1945]
Adiante do eléctrico vê-se o apeadeiro do Areeiro, e para além da linha férrea, à dir., o antigo retiro «Perna de Pau», um dos sítios mais frequentados das hortas alfacinhas, situado na velha Estrada de Sacavém e que ligava a actual Praça do Chile a Sacavém; à esq., desaparecendo no horizonte, a Estrada do Aeroporto, hoje Av. Gago Coutinho
Eduardo Portugal, in AML

Existiam, naquele sítio do velho Areeiro, as locandas famosas, os «retiros» a que o cenógrafo Eduardo Reis, pai, chamava «Tabernáculos», e ficaram célebres a «Perna de Pau» e «José dos Pacatos», rivais do «Teotónio» da Calçada do Carriche, do «Quebra-Bilhas», do Campo Grande, e doutros variados sítios e petiscos que mais vale olvidá-los, agora, com seus aromas e alegria.

Praça do Areeiro, actual Praça Francisco Sá Carneiro (desde 1982) [1947]
Avenida Almirante Reis; Prova de Ciclismo
Horácio Novais, in FCG

A extracção de areia na antiga Quinta da Montanha, destinada à construção dos prédios nesta zona, está na origem do nome desta nova freguesia da cidade. Ainda hoje se podem encontrar vestígios dessas escavações, ao fundo da Avenida dos Estados Unidos da América, no morro desta quinta.

Praça do Areeiro, actual Praça Francisco Sá Carneiro (desde 1982) [1947]
Avenida Almirante Reis; Prova de Ciclismo
Horácio Novais, in FCG

Bibliografia
DANTAS, Júlio Lisboa dos nossos avós, 1966.

Friday, 25 October 2019

Calçada da Ajuda

A Calçada da Ajuda é uma comprida e íngreme artéria que outrora vencia a passagem de uma ribeira quase seca no Verão denominada Ribeira dos Gafos. Esta Calçada tem cerca de um quilómetro de extensão contando desde o Museu dos Coches até ao muro do Jardim Botânico, onde existiu um marco, pouco acima do respectivo portão com as iniciais CMB (Câmara Municipal de Belém), uma das poucas recordações desse Concelho que após a sua extinção persistiram na freguesia da Ajuda.
Antes do Terramoto de 1755, após o qual a via foi aberta, o sítio era despovoado e nele se cultivavam oliveiras, pomares, vinhas e trigo. Ao lado de prédios que ainda conservam varandas de sacada e varadins de ferro forjado, estabeleceram-se aqui numerosos quartéis

Calçada da Ajuda [1971]
Esquina com a Tv. de Paulo Martins, topónimo atribuído por deliberação camarária de 21 de Setembro de 1916. Paulo Martins exerceu o cargo de reposteiro da Casa Real e foi dono do edifício onde, nas águas-furtadas nasceu Simão Botelho, o protagonista de «Amor de Perdição»
Nuno Barros da Silveira, in AML

A Calçada da Ajuda deu passagem ao séquito da Família Real aquando do seu embarque para o Brasil, aos círios de Nossa Senhora do Cabo e à procissão do Senhor dos Passos de Belém que ia até à Patriarcal da Ajuda. E grandes ornamentações nela se fizeram aquando da celebração, em 1886, do casamento do Príncipe Real D. Carlos com a Princesa D. Maria Amélia de Orleães. Ao longo de dois séculos e meio de existência, a Calçada da Ajuda foi assim palco de cortejos reais, procissões e desfiles militares.

Calçada da Ajuda [1967]
Augusto Fernandes, in AML

Tal como no Largo e na Travessa, a deliberação camarária de 21 de Setembro de 1916 e o Edital de dia 26 do mesmo mês, oficializou os topónimos tradicionais do local que perpetuam o nome do sítio: Ajuda. [cm-lisboa.pt]

Alto da Ajuda, cruzamento da Calçada da Ajuda com rua dos Marcos, Rua do Mirante e com a Rua das Açucenas [1939]
Ao fundo observa-se o Arco (já demolido) que servia de ligação entre o Palácio e o Jardim Botânico pela zona onde hoje é a GNR. Destinava-se ao passeio da rainha.
Eduardo Portugal in AML

Wednesday, 23 October 2019

Igreja de S. João da Praça

Bem; estamos em S. João da Praça. Aqui temos a Igreja, velha paroquial integrada desde 1885 na de Santa Maria (Sé).

A paroquial igreja de S. João da Praça data do princípio do século XIV, pelo menos, e teve por orago S. João Degolado, ou seja S. João Baptista; tinha padroeiros, de nomeação real, o último dos quais foi D. Pedro José de Noronha, Marquês de Angeja (século XVII).


A existência da igreja remonta aos reinados de D. Afonso II ou de D. Sancho II. Em 1317, D. Frei Estêvão II, bispo de Lisboa consagrou o padroado da igreja dedicada a São João Degolado. É provável que tenha sido reedificada em 1442.
Posteriormente, recebeu a invocação de São João da Praça, por ser esse o local onde os condenados iam cumprir as sentenças.

Igreja de São João da Praça [1901]
Rua de São João da Praça, 66-82; Rua do Barão (dir.)
Machado & Souza, in AML

O Terramoto destruiu completamente êste templo, que era relativamente pequeno e pobre, havendo-se depois construído outro, que é êste hoje de pé, mas que também ardeu em parte, sofrendo grande ruína, em 3 de Maio de 1896, quando do incêndio da Fábrica de Massas, de João Luiz de Sousa, na Rua do Barão.
Fêz-se então sob o patrocínio da Rainha D. Amélia e do Cardeal Patriarca, D. José Neto, uma subscrição pública para reedificação e restauro da Igreja de S. João da Praça.

Atingida pelo incêndio que se sucedeu ao terramoto de 1755, a freguesia passou para a Ermida de Nossa Senhora do Rosário; em 1768, fazia-se no cais de Santarém, uma barraca para a sua acomodação. 

Igreja de São João da Praça, fachada lateral [1901]
Rua de São João da Praça, 66-82
Machado & Souza, in AML

Em 1774, já estava reconstruída a antiga igreja paroquial e a freguesia voltou ao seu local de origem.
Por decreto de 24 de Dezembro de 1885, para efeitos eclesiásticos, a freguesia foi anexada à de Santa Maria Maior da Sé Patriarcal, e recebeu um pároco instituído canonicamente.
Em 1886, os registos paroquiais já eram lavrados nos livros da Sé.
Em 1906, por decreto de 3 de Maio, recebeu o título de Real Capela de São João da Praça.

Igreja de São João da Praça [c. 1901]
Rua de São João da Praça, 66-82
José Artur Bárcia, in AML

No exterior apresenta fachada rasgada por um portal, de frontão semicircular, interrompido por um medalhão esculpido com o "Agnus Dei". 
O interior, de nave única oitavada com altares sob tribunas, coro-alto e capela-mor rectangular, conserva alguns elementos interessantes: a decoração dos 2 altares rocócó do cruzeiro, com a imagem da Virgem do lado da Epístola, da autoria de Machado de Castro; toda a imaginária barroca dos vários altares; e os painéis de azulejos historiados, com cercadura rocaille da sacristia.
____________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, pp. 38, 1939.
CASTILHO, Júlio de, Lisboa Antigs. Segunda Parte. Bairros Orientais, vol. VI, 2ª edição Revista e ampliada pelo autor e com anotações do Eng. Augusto Vieira da Silva, 1936.

Sunday, 20 October 2019

Pátio do Marechal

Por trás do quarteirão, à esquerda desta Rua [do Barão], passa a Travessa das Merceeiras, que teve em tempo saída, pelo hoje Pátio do Marechal, antigamente Rua dêste nome que levava da Alfama (Porta de S. Pedro) até S. Martinho (Rua do Arco do Limoeiro hoje Rua de Augusto Rosa); a muralha que antecedeu estes prédios, foi construída em 1837.
Aqui, quási ao fundo desta Rua, ainda à esquerda, defronte da face norte da Igreja de S. João da Praça, é que existiu a fábrica de massas, que um incêndio devorou, e que se propagou ao templo, pela Capela-mór, [...]

Pátio do Marechal [1901]
Travessa das Merceeiras
Machado & Souza, in AML

O Visconde de Castilho julga que os vestígios de muralha, que se notam ainda no paredão Norte da actual Travessa das Merceeiras, próximo do Pátio do Marechal, seriam os.embasamentos que sustentavam o palácio dos condes de Vila-Nova, cuja frontaria e pátio deitavam cá em cima, do outro lado, para defronte de S. Martinho.

Pátio do Marechal [1903]
Travessa das Merceeiras
Machado & Souza, in AML
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, pp. 40-41, 1939.
CASTILHO, Júlio de, Lisboa Antigs. Segunda Parte. Bairros Orientais, vol. IX, 2ª edição Revista e ampliada pelo autor e com anotações do Eng. Augusto Vieira da Silva, 1936.

Friday, 18 October 2019

Rua do Barão

Eis-nos no cimo da Rua do Barão, artéria do século passado [XIX], e que sucedeu a uma muito mais estreita Rua do Barão Velho, designação do século de quinhentos, e cujo titulo derivou do 1.° Barão de Alvito, João Fernandes da Silveira, chanceler-mór de D. Afonso V e de D. João II.
Confessa, Dilecto, que estes desvios contribuem para amenizar o passeio: vamos dar sempre ao mesmo sítio, que é o que sucede em todos os burgos velhos.

Rua do Barão [1908]
 Confluência com a Rua de Augusto Rosa, antiga do Arco do Limoeiro
Machado & Souza, in AML

Em 1554 a artéria designava-se por Rua do Barão Velho, o que Pastor de Macedo interpreta como «O adjectivo deveria ter sido aposto ao nome da rua, quando o Barão deixou de lá morar». Mais esclarece o olisipógrafo que «Em 1486 vemos designá-la por rua que vay pera a porta d`alfama, depois, conforme já se disse, por Rua do Barão em 1552, e por Rua do Barão Velho em 1554. Desde então até hoje foi sempre a Rua do Barão ou do Varão, e uma vez, em 1684, chegou a ser a Rua do Verão.»

Rua do Barão [1901]
 Junto à Igreja de S. João da Praça
Machado & Souza, in AML

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XX, p. 40, 1939.
 cm-lisboa.pt.

Wednesday, 16 October 2019

Merceeiras d'el Rei D. Afonso IV

Aqui temos agora uns passos andados à direita da rua [de Augusto Rosa], este prédio pequeno, chamado, e justamente, das "Merceeiras". Foi, e é, a sede de uma instituição fundada por D. Afonso IV e por D. Beatriz [ou Brites]¹, sua mulher (cujos túmulos, reconstruidos, estão na capela-mór da Sé).

 

"Mercearias" provêm de "mercê" e não de "merce" — mercadoria — ; eram instituições de assistência onde aqueles que recebiam mercê ficavam com certos encargos espirituais ou religiosos. Nesta casa se recolheram, segundo a disposição real de 1343, vinte e quatro criaturas, "doze homens bons e doze mulheres de bons costumes, fama e vergonha", que, havendo tido honra e alguma cousa de seu, caísse depois em penúria.
De seu comêço a Casa, que tinha carácter de hospício, não assentava neste sítio, mas mais baixo para a banda do rio, a encostar à muralha que corria onde é hoje o Campo das Cebolas; mais tarde esteve nas trazeiras de Santo António, à Sé.

Edifício das Merceeiras  [1902]
Rua de Augusto Rosa, 15; Beco das Merceeiras; Travessa das Merceeiras 
Sobre a porta principal pode ler-se a seguinte inscrição: "Cazas para a habitação dos Merceeiros do Snr. Rey D. Afonso IV e Merceeiras da Snrª Raynha D. Beatris sua mulher Novvamte edificadas pelo favor e ordem da Raynha fidelissima D. Maria I nossa senhora em o Anno de MDCCLXXXV sendo Provedor D. Caetano de Noronha.".
Machado & Souza, in AML

Data de 1785 a construção dêste prédio, por ordem de D. Maria I. Em 1851 a instituição foi incorporada na Assistência Oficial, e passou a ser dependência do Asilo da Mendicidade: actualmente [1938] está integrada no Ministério do Interior, Direcção Geral da Assistência, fazendo parte do grupo de recolhimentos (e não asilos), e que são ao todo sete: êste das "Merceeiras", onde habitam vinte e quatro senhoras de boas famílias de oficiais superiores do Exército, o das Comendeiras de Avis, no antigo Convento da Encarnação, o das Comendadeiras de Santiago, no antigo Convento de Santos-o-Novo (ambos desanexados arranjos da Administração das Ordens Militares em 17
de Agosto de 1934), o de Lázaro Leitão, a Santa Apolónia, o do Grilo, ao Beato, o de Campolide, fundado em 1931 no prédio n..º 161 desta rua, e o de S. Cristóvão, antigo recolhimento do Amparo
arruinado, e que vai ser demolido.
Entremos uns momentos, com a devida vénia, não perturbar o remanso destas vèlhinhas.

Edifício das Merceeiras, traseiras  [1902]
Travessa das Merceeiras; Rua de Augusto Rosa, 15; Beco das Merceeiras
Machado & Souza, in AML

A casa é decrépita mas asseada, em seus dois pavimentos, sendo os aposentos independentes — uma casa separada para cada recolhida. Nenhum aspecto de albergue; cada senhora se mantém à sua custa. podendo sair quási todas, só recolhendo para dormir.
Ao todo estas sete casas recolhem 196 senhoras e 70 agregadas (criadas ou parentes de auxilio). A maioria das senhoras recolhidas recebe 105$00 por mês, e outras o  dôbro, segundo o rendimentos próprios daquelas instituições.
Deixemo-las em paz. Quero dizer-te ainda que neste edifício, no meado do século passado (em 1845 pelo menos), foi instalada a filial oriental do Liceu Central de Lisboa, cuja sede era na Rua de S. João de Nepomuceno; a filial ocidental era na Casa Pia.
Por trás do prédio corre a Travessa das Merceeiras, sem saída desde 1837, e que morre no Pátio do Marechal, onde, a certa altura, se encontra o muro alto que apoia uma parte do pátio do Limoeiro.

Edifício das Merceeiras  [1945]
Rua de Augusto Rosa, 15; Beco das Merceeiras; Travessa das Merceeiras 
Afonso IV instituiu numa capela da Sé de Lisboa uma mercearia, com missa cantada diariamente por sua alma e pela Rainha D. Beatriz.
Eduardo Portugal, in AML

¹ Afonso IV (Lisboa, 8 de Fevereiro de 1291– Lisboa, 28 de Maio de 1357), apelidado de '''Afonso, o Bravo''', foi o Rei de Portugal e Algarve de 1325 até sua morte. Era um dos filhos do Rei D.Dinis de Portugal e sua esposa Isabel de Aragão — canonizada como Santa Isabel. Casou a 12 de Setembro de 1309 com D. Brites ou Beatriz de Castela, que nasceu em Toro em 1293 e morreu em Lisboa a 25 de Outubro de 1359.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. II, pp. 53-55, 1938.
CASTILHO, Júlio de, Lisboa Antigs. Segunda Parte. Bairros Orientais, vol. VI, 2ª edição Revista e ampliada pelo autor e com anotações do Eng. Augusto Vieira da Silva, 1936.
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