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domingo, 23 de novembro de 2025

Avenida da República: viadutos ferroviários de Entrecampos (actualizado)

A Avenida — que em linha recta, é de 1.509 metros — é uma avenida moderna, macadamizada. Havia uma grande dificuldade a vencer — diz Pimentel na sua Lisboa — , quasi a meio trajecto dessa avenida, e que era a passagem de nível para a linha em frente do Mercado Geral de Gados, mas para essa faz-se um desvio, constrói-se um viaduto correspondente, e está vencida a dificuldade. O caminho de ferro de cintura virá a passar do lado da estrada de Entre Campos, onde actualmente passa; daí em diante é que começa a operar-se o desvio, cortando a linha a Avenida Ressano Garcia [hoje Av. da República] em terrenos que pertencem ainda ao Mercado Geral, em seguida esses terrenos, e logo depois a Avenida António Maria d'Avellar [hoje Av. Cinco de Outubro]. (Lisboa, Por Alberto Pimentel, 1903, p. 507)

Avenida da República |195-|
Viaduto ferroviário de Entrecampos inaugurado a 17 Novembro de 1950; Rua Visconde de Seabra.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. O topónimo Rua Visconde de Seabra perpetua na toponímia de Lisboa o nome de António Luís de Seabra (1798-1895), 1º visconde de Seabra, com título atribuído em 25 de Abril de 1865, responsável pela organização do projecto de Código Civil que foi promulgado por Carta de Lei em 1 de Julho de 1867.
Formado em 1820, a sua carreira desenvolveu-se como deputado, membro da Câmara dos Pares, Ministro da Justiça (1852 e 1868), reitor da Universidade de Coimbra (1866-68) e juiz do Supremo Tribunal de Justiça. [cm-lisboa]

Viaduto ferroviário de Entrecampos, lado N. |1944|
 Em cima à esq., o antigo apeadeiro ferroviária; à dir. nota-se o edifício na Avenida da República, 97.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Em 1956, dá-se uma alteração no esquema de circulação da Avenida da República. Em 1968/1969 novo desenho de circulação automóvel é introduzido na Avenida da República, devido ao aumento do tráfego automóvel, reprojectando-se um novo viaduto ferroviário para Entrecampos.

Viaduto ferroviário de Entrecampos, lado S. |1968|
Até 1970, do lado do Campo Pequeno e da Avenida Cinco de Outubro, o trânsito automóvel e pedonal, processava-se através de pequenos túneis sob a Avenida da República. Esta situação altera-se radicalmente com a construção de um novo tabuleiro ferroviário.
Artur Inácio Bastos, in Lisboa de Antigamente
Viaduto ferroviário de Entrecampos, lado N. |1967|
Ao fundo nota-se a fachada lateral do edifício com os nºˢ de polícia 207-215 da Avenida 5 de Outubro, (2º prédio) que foi  Prémio Valmor de 1929, junto à actual R. Ivone Silva (1988).
João Brito Geraldes, in Lisboa de Antigamente

domingo, 23 de março de 2025

Rua e Chafariz de São Sebastião da Pedreira

A velha Rua de S. Sebastião — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , tradicional estrada de Lisboa seiscentista, é um topónimo que advém da existência no local do templo, chamado da Pedreira (primeiro ermida, depois igreja, dedicado ao mártir S. Sebastião) que assim se denominava em virtude do sítio ser conhecido por tal afloramento.

Rua (e Chafariz) de São Sebastião da Pedreira |c. 1951!
O viaduto permite a ligação da Avenida António Augusto de Aguiar com a Rua Filipe Folque, que lhe passa superiormente.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Ora eis-nos sob o Viaduto da Rua Filipe Folque adornado com a Nau de São Vicente; atrás, escondido pelo camião, encontramos o Chafariz de São Sebastião da Pedreira mandado construir em 1787, risco do arq. Francisco António Ferreira Cangalhas ou de Reinaldo Manuel dos Santos, então arquitecto das Águas Livres; nele começou a correr água em Agosto de 1791.==

Rua (e Chafariz) de São Sebastião da Pedreira |1961|
Recebia água a partir da Galeria de Sant'Ana.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

N.B. É um chafariz de planta rectangular simples em cantaria de calcário lioz, desenvolvendo-se em dois níveis, com escadas laterais de acesso.. As armas reais, localizadas sob o remate do corpo central do espaldar, encimadas por uma coroa fechada e, na base, duas bicas circulares, que vertem para tanque rectangular.
____________________________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 64, 1939
FLORES, Alexandre M. e CANHÃO, Carlos, Chafarizes de Lisboa, Lisboa, Edições INAPA, 1999.

domingo, 28 de janeiro de 2024

Avenida da República: antigo Viaduto de Entrecampos

Segundo afirma Norberto de Araújo («Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 63-64») «A linha férrea foi aqui assente em 1890, e inaugurada a 11 de Junho; este viaduto e o da Avenida Cinco de Outubro, são posteriores, e do nosso século. Devo dizer-te, porém, que já em 1873 (inaugurada em 1 de Outubro), corria aqui uma linha pelo sistema Larmanjat, que pouco tempo durou.»

Avenida da República |1934-04-19|
Antigo Viaduto de Entrecampos, lado N.; em cima, à esquerda, um apeadeiro(?) do lado do Campo Pequeno; à direita, o edifício da Avenida da República, 97-97C.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Avenida da República sob Linha Férrea de Cintura de Lisboa junto à Rua de Entrecampos |1926-06-17|
Ao fundo nota-se a antiga Estação ferroviário e a passagem de nível de Entrecampos.  Até 1950, do lado do Campo Pequeno e da Avenida Cinco de Outubro [vd. última imagem], o trânsito automóvel e pedonal, processava-se através de pequenos túneis sob a Avenida da República.
Legenda no arquivo: «As estações de caminhos-de-ferro tomadas militarmente durante o Golpe de Estado de 1926»
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Assim, em 17 de Novembro de 1950, foi inaugurada a passagem inferior da Av. da República, depois de removidas as terras do antigo aterro ferroviário, resolvendo deste modo um problema que se arrastava desde a construção da Av. Ressano Garcia (hoje Av. República) no início do século XX.
 
Avenida da República,  lado S. |1944-04|
Túneis sob o antigo Viaduto de Entrecampos.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Avenida Cinco de Outubro,  lado S.  junto ao Mercado Geral de Gados depois Feira Popular |1944-04|
Túnel sob o antigo Viaduto de Entrecampos. Á dir. nota.se a torre da Igreja de N. S. de Fátima sita na Av. de Berna.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

domingo, 31 de dezembro de 2023

Rua de Diogo Cão

O edital de 07/08/1911, além de alterar as nomenclaturas de vários arruamentos, definiu em planta os topónimos a atribuir aos arruamentos do Rio Seco, na Ajuda, entre os quais este se incluía.
Diogo Cão (c. 1452-1486) foi um navegador português do século XV que possivelmente nasceu na Freguesia de Sá, concelho de Monção, ou na região de Vila Real, ou até em Évora, em data desconhecida, pois somente a realeza fazia registos concretos da data de nascimento e falecimento. Filho natural de Álvaro Fernandes/Gonçalves Cão, fidalgo da Casa Real.
Escudeiro e depois Cavaleiro da Casa do Infante D. Henrique, enviado por D. João II de Portugal, realizou duas viagens de descobrimento da costa sudoeste africana, entre 1482 e 1486. Chegou à foz do Zaire e avançou pelo interior do rio, tendo deixado uma inscrição comprovando a sua chegada às cataratas de Ielala, perto de Matadi. Ao chegar à foz do rio Zaire, Diogo Cão julgou ter alcançado o ponto mais a sul do continente africano (Cabo da Boa Esperança), que na verdade foi dobrado por Bartolomeu Dias pouco tempo depois, e ao qual inicialmente chamara Cabo das Tormentas.
Estabeleceu as primeiras relações com o Reino do Congo. Em 1485 chegou ao Cabo da Cruz (actual Namíbia). Introduziu a utilização dos padrões de pedra, em lugar das cruzes de madeira, para assinalar a presença portuguesa nas zonas descobertas.

Rua de Diogo Cão |1939-08|
Navegador — Século XV 
Cruzamento com a Rua da Aliança Operária; ao fundo, passado o túnel, nota-se o Largo do Rio Seco.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Diogo Cão é citado em diversas obras artísticas, como n´Os Lusíadas, de Luís de Camões ou no romance As naus, de António Lobo Antunes. Surgiu em vários selos e notas de Portugal e das suas antigas colónias. Diogo Cão é também citado no poema Padrão constituinte da obra Mensagem de Fernando Pessoa. 

sábado, 5 de novembro de 2022

Estr. de Chelas

À origem fabulosa de Chelas associaram o nome de Aquiles (Achiles), o herói grego, que por ali teria estado escondido, disfarçado de mulher, entre as vestais de um templo (depois convento de Chelas). Presume-se que esta lenda tivesse sido forjada a a partir do topónimo Achellis que é, de facto, mencionado na documentação mais antiga (sécs. XII e XIII).
Entretanto, não há certezas quanto ao verdadeiro significado da palavra Chelas. Alguns atribuem-lhe uma etimologia latina (planella chaela = pequena planície) a qual não se coaduna com a orografia do lugar.

Estr. de Chelas, S-N [c. 1910]
Viaduto Ferroviário de Chelas (junto à Calçada da Picheleira)
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Outros, dizem que tem a mesma origem que as palavras «shell» (ingl) e «schale» (al.), derivando de um radical comum com o significado de concha. Esta hipótese é mais sugestiva porque, na realidade, em todo o vale de Chelas e nas encostas (até ao Alto das Conchas!) se encontram numerosos concheiros fósseis que ficaram como vestígios de há muitos milhões de anos, quando por aí penetrava um golfo marinho."
(Pelas Freguesias de Lisboa, CML: Pelouro da Educação, 1993)

Estr. de Chelas, 113-127, S-N [c. 1966]
Viaduto Ferroviário de Chelas e Palácio do Lavrado, construído na segunda metade do século XVIII, característico dos palácios de veraneio, terá pertencido aos condes de Vimioso.
João Goulart, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Rua do Arco do Carvalhão, 300-302

Antes de ser «do Arco do Carvalhão» a rua chamava-se «do Sargento-Mor» — recorda o ilustre Norberto de Araújo. [...] Mas nós estamos no Arco do Carvalhão — sob dois Arcos enormes do Aqueduto. Terrenos eram estes de Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda antes de ele ser Pombal e Oeiras, e estendiam-se, ultrapassando a actual Rua das Amoreiras, no lanço da Cruz das Almas para cima, até à actual Rua Marquês da Fronteira [...] O «Carvalhão» era então o futuro Marquês de Pombal, e do apelido derivaram os nomes da Rua actual [...]»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 79, 1939)

Rua do Arco do Carvalhão, 300-302 |1954|
Chafariz; viaduto ferroviário
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Largo de Andaluz

Desconhece-se a origem do nome do sítio. A mais simples — e. porventura, a mais razoável — é-nos revelada por João Sousa Moura em Vestigios da lingua arabica em Portugal: ou lexicon etymologico das palavras, e nomes Portuguezes, que tem origem arabica (1789):
ANDALUZ طر اندل Andalus. Nome de hum bairro, e de hum chafariz nos arrabaldes de Lisboa, Fregue2ia de S. Sebastião da Pedreira. He appellido de hum homem natural da Andalusia, de quem o lugar tomou o nome: e vem a ser o lugar de Andaluz.
 
Largo de Andaluz |c. 1940|
Esquina com o Largo das Palmeiras; à dir. o Chafariz de Andaluz; Rua de Santa Marta e o arco do viaduto da Avenida Duque de Loulé.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente
Largo de Andaluz |c. 1949|
Esquina com o Largo das Palmeiras; Edifício foi Prémio Municipal de Arquitectura, 1949. Projecto dos arquitectos Dário Vieira e José Lima Franco.
Mário Novais, 
in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Viaduto de Alcântara

O viaduto metálico sobre a linha de caminho de ferro, no qual a AGPL também comparticipou, foi inaugurado em 1972. Este viaduto tem duas faixas de rodagem com o comprimento cada uma de 200mt. O O acesso ao cais de Alcântara para os peões é feito através de uma passagem subterrânea que liga a Avenida 24 de Julho ao cais marítimo.

Construção do Viaduto de Alcântara [c. 1971]
Avenida de Brasília
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Cerca de três meses depois da inauguração — em 21 de Abril de 1960 — da cidade de Brasília como capital do Brasil, Lisboa perpetuou-a numa Avenida alfacinha próxima da linha do Tejo. Este topónimo (1960) nasceu de um pedido do Almirante Sarmento Rodrigues – Ministro do Ultramar de Salazar, de 1950 a 1955 – ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que era então António Vitorino França Borges, para se fixar em Lisboa a nova capital brasileira que iria suceder ao Rio de Janeiro (1763 a 1960), que por sua vez já sucedera a Salvador. [cm-lisboa.pt]

domingo, 4 de outubro de 2020

Rua de Campolide

A designação Campolide é antiquíssima. O sítio de Campolide é de urbanização recente. Segundo Norberto de Araújo nas suas Peregrinações em Lisboa: “Não significa isto, porém, que Campolide não fosse povoado desde há duzentos anos, mas com carácter rústico arrabaldino – aprazível sítio –, e em aglomerados soltos, dos quais o mais assinalado se encontrava no prolongamento da estrada, agora Rua de Campolide, muito além das barreiras, sensivelmente no troço de encosta, entre o actual edifício das Irmãzinhas e o Quartel de Caçadores 5, no local das casas de Estêvão Pinto.
No século XVIII, contido entre quintas muradas, estrada de passagem obrigatória – Campolide existia sem definição nem classificação. Algumas das suas casas, hoje de pé ou transformadas atestam quanto te digo. 

Rua de Campolide [1952]
Antiga Estr. de Campolide, antes Cruz das Almas
Nota-se ao fundo o viaduto ferroviário de Sete Rios.
Judah Benoliel,  in Lisboa de Antigamente

Vejamos agora ...
Campolide — que significa? Qual a origem do vocábulo?
Nós não temos tempo, nem plano, para nos embrenharmos nestas complicadas dissertações etimológicas. A versão de que a palavra corresponde à abreviação de Campo-da-lide (século XIV, tempo do Cerco a Lisboa pelos castelhanos) está posta de parte. Alguns séculos antes a designação existia; já o Rei D. Afonso II (1211) possuía «duas vineas in Campolide». Parece mais acertado ficarmos na ignorância da origem da palavra, que corresponderia já no ciclo da tomada de Lisboa ao que o cruzado Osberno chamava, pela sónica, Compolet, e que seria Campolit."

Rua de Campolide [c. 1949]
Antiga Estr. de Campolide, antes Cruz das Almas
Lápide foreira datada de 1742.
Eduardo Portugal,  in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 77-78, 1939.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Beco dos Toucinheiros

Do segundo arco da ponte, no Largo da Marquesa de Niza, sai-nos a Rua Gualdim Pais, que não é antiga, e, mais a cá, pelo terceiro arco, 0 Beco dos Toucinheiros, que leva ao Alto dos Toucinheiros. Por entranho que te pareça, enfiemos por ele. É urna Vereda mal empedrada, que passa também sob. uma ponte do caminho de ferro. Trepemos.¹

Beco dos Toucinheiros [1940]
O Beco dos Toucinheiros, que liga a Rua de Xabregas à Vila Dias, aparece já referido em 1858
no «Atlas da Carta Topográfica de Lisboa» de Filipe Folque,
bem como uma azinhaga dos Toucinheiros.
Eduardo Portugal,  in Lisboa de Antigamente

O topónimo deve advir do sítio do Alto dos Toucinheiros, que segundo Luís Pastor de Macedo («Lisboa de Lés-a-Lés», vol. V) é topónimo citado pela 1ª vez em 1765, no Livro V de óbitos de Santa Engrácia mas «Alguns anos antes, porém, apontam-se já as casas dos Toucinheiros».

Beco dos Toucinheiros [c. 1960]
A Concordância de Xabregas é uma secção ferroviária que conecta a Linha do Norte à Linha de Cintura, mais especificamente entre as bifurcações de Xabregas e Chelas.
 João Goulart, in Lisboa de Antigamente

Neste arruamento foi fundada em 1854 a Fábrica de Fiação de Xabregas, perto da secular Fonte da Samaritana, no Beco dos Toucinheiros, razão porque a Fábrica também era conhecida como fábrica da Samaritana ou fábrica do Black em referência ao engenheiro fundador, Alexandre Black. Em 1858 passou a pertencer à Companhia da Fábrica de Algodões. Neste contexto não se estranhará que nesta artéria exista também o Pátio do Black.²

Beco dos Toucinheiros, ao fundo vê-se Xabregas [1938]
Eduardo Portugal,  in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XV, p. 58, 1939.
² cm-lisboa.pt.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Avenida Engenheiro Duarte Pacheco

Esta artéria homenageia aquele de quem se dizia entusiasticamente nas ruas de Lisboa dos anos 30 que, «com Pacheco, enquanto houver casa de pé, a revolução continua».
Duarte José Pacheco (1899-1943), licenciou-se em engenharia Electrónica, no IST, com 19 valores e este jovem professor do Instituto Superior Técnico desde 1922 — e seu director a partir de 1924 — foi eleito presidente da Câmara de Lisboa com apenas 29 anos, em 1928, ano em que também entrou pela primeira vez no Governo, com a pasta da Instrução Pública.
Quatro anos mais tarde, em Julho de 1932, foi nomeado ministro das Obras Públicas e Comunicações, pasta que tutelou até à sua trágica morte num desastre de viação. 

Avenida Engenheiro Duarte Pacheco |1958|
Instalações abastecedoras de gasolina da SONAP
Auto-estrada Lisboa-Cascais; Parque Florestal de Monsanto; Viaduto Duarte Pacheco
Almeida Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Considerado um visionário, desejava fazer de Lisboa a capital do Império, sonho que veio a concretizar com a Exposição do Mundo Português, em 1940, símbolo emblemático do apogeu do Estado Novo e dos seus valores. 
 
Avenida Engenheiro Duarte Pacheco |1967|
Junto ao cruzamento com a Ruas das Amoreiras
João Brito Geraldes, in Lisboa de Antigamente
Avenida Engenheiro Duarte Pacheco no cruzamento com a Rua das Amoreiras (E→O) |1968|
À dir. vê-se o edifício-sede da Philip em construção, o primeiro dos edifícios na esquina com a Av. Conselheiro Fernando de Sousa.
Artur I. Bastos, in Lisboa de Antigamente

Foi responsável por obras tão importantes como a Estrada Marginal Lisboa-Cascais, as Avenidas Novas, o Parque de Monsanto e o Estádio Nacional.
O Viaduto Duarte Pacheco foi inaugurado em 1944. [cm-lisboa.pt]

Avenida Eng.º Duarte Pacheco |c. 1955|
Antigo edifício-sede da Fiat Portuguesa
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Calçada do Baltazar

Tem início no cruzamento da Calçada da Quintinha com a Calçada dos Setes Moinhos e termina na linha-férrea do ramal de Alcântara, sendo vulgarmente conhecida pelas denominações de Calçada e Caminho de Baltazar.
Segundo opinião de Orlando Capitão, (antigo Membro da Comissão Municipal de Toponímia) diz-nos:
“A indicação de topónimos com nome de pessoas e com este reduzido à sua expressão mais simples apenas o nome próprio ou um apelido, se perfeitamente perceptível no momento da atribuição, pode tornar-se insuficiente, pouco tempo depois, quando da correspondente placa toponímica conste apenas esse nome simplificado. Como a memória é curta, duas ou três gerações depois, muito pouca gente saberá de quem se trata. Poderão estar neste caso topónimos como: [...] Calçada do Baltazar [...]”. [cm-lisboa.pt]

Calçada do Baltazar [190-]
Aqueduto das Águas Livres; Viaduto ferroviário de Santana de Baixo sobre as Avenidas Calouste Gulbenkian e de Ceuta (esq).
Paulo Guedes,  in Lisboa de Antigamente

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Dispensário Rainha D. Amélia (ou de Alcântara)

A construção deste Dispensário para Tuberculosos corresponde a uma iniciativa da Rainha D. Amélia e tinha como objectivo o amparo e tratamento de crianças e jovens atingidos por esta grave doença. No local fornecia-se aos internados a assistência médica e medicamentosa necessária. O apoio aos doentes ficava ainda a cargo de uma comunidade religiosa as Irmãs Missionárias que habitavam um edifício anexo localizado a Oeste do Dispensário e que correspondia à antiga casa do Vigário do Convento de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento de Alcântara. Curiosamente, esta comunidade ainda se mantém no local.

Dispensário Rainha D. Amélia (ou de Alcântara) |c. 1949|
Rua Tenente Valadim, (ste troço está hoje integrado na Av. Infante Santo) no cruzamento com a Rua do Sacramento A Alcântara e Calçada Pampulha: abertura Av. Infante Santo, rasgada no final da década de 1940.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O edifício designado como "Dispensário de Alcântara" ou "Dispensário Rainha D. Amélia", localiza-se num gaveto entre a Avenida Infante Santo e a Rua Tenente Valadim. Trata-se de uma construção mista de ferro e alvenaria de pedra construída de raiz nos finais do século XIX (1893) apresentando uma planta quadrangular em torno de um pátio central iluminado por claraboia em vidro. No exterior, pintado a ocre, rasgam-se diversos janelões dispostos ao alto, quer simples quer duplos, rematados superiormente por vergas que se prolongam nas ombreiras. Uma moldura saliente seguida de platibanda marca todo o perímetro superior das fachadas.
De destacar a presença de um soco em pedra bujardada onde, na secção inferior, se abrem pequenas janelas rectangulares que na fachada defronte à Avenida são de diminutas dimensões mas na Rua Tenente Valadim assumem uma maior expressão apresentando vergas em arco. Ainda na fachada principal, virada à Avenida, surge uma porta destacada ao centro com arco de volta inteira inserida num pórtico em arco abatido sobre o qual se inscreve a designação do edifício. Nesta fachada observam-se também dois corpos laterais salientes, tipo torreão, coroados por frontões onde se inscrevem janelões semicirculares.

Dispensário Rainha D. Amélia (ou de Alcântara) |190-|
Rua Tenente Valadim, (este troço está hoje integrado na Av. Infante Santo)
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

No interior a compartimentação é feita através de paredes de alvenaria e tabique apresentando lambris de azulejo alusivos às funções de cada espaço. No quadrante Oeste o pavilhão prolonga-se apresentando, ao nível do piso superior, um terraço virado ao Tejo onde os doentes iam igualmente para usufruir dos bons ares.
Trata-se assim de um imóvel de relevante interesse patrimonial onde a configuração arquitectónica se adequa exemplarmente às funções — cuidados de saúde — algo que na época era bastante inovador.
Infelizmente hoje o edifício encontra-se em avançado estado de degradação não se sabendo ainda qual será o seu destino. [DGCP]

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Calçada e Rua de Arroios

Acerca da origem do topónimo «Calçada de Arroios», Luís Pastor de Macedo afirma que «Nos princípios do século XVIII denominavam-na calçada de Alvalade, denominação ainda em uso ao tempo do terremoto. O nome era-lhe dado em razão da calçada comunicar com [o sítio de] Alvalade (Campo Grande e Campo Pequeno).⁼⁼
(MACEDO, Luís Pastor de, Lisboa de Lés-a-Lés, vol. I, p. 180, 1940)

Calçada e Rua de Arroios |c. 1912|
Ao fundo nota-se o viaduto sob a Rua Pascoal de Melo, que se ampara a antigas edificações do arruamento; ao fundo, à direita, destaca-se a cúpula do belíssimo prédio de gaveto na Avenida Almirante Reis, 31 com Rua dos Anjos.
Joshua Benoliel,  in Lisboa de Antigamente
Nota: arruamento não identificado no arquivo.

Sobre o sítio de Arroios, o olisipógrafo Norberto de Araújo nas suas Peregrinações, refere o seguinte:
O Largo de Arroios — escuso dizer-to — era um arrabalde de Lisboa ainda há cento e cinquenta anos. Ameno, sussurrante de hortas verdejantes, como o seu nome indica, salpicado de casas e de alguns palácios seiscentistas — continuação mais pura de Santa Bárbara — Arroios, por cuja estrada se fazia a saída de Lisboa para Sacavém, tem também o seu pedaço de história fugaz a ilustrá-lo. [...]
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p. 82, 1938)

Rua de Arroios |1961|
Ao fundo, passado o viaduto sob a Rua Pascoal de Melo, destaca-se o Palácio do Conde da Guarda no "Largo" de Arroios.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Regueirão dos Anjos

Este Regueirão — recorda-nos Norberto de Araújo — é anterior até à própria Rua dos Anjos. Já te disse que esta serventia foi vale natural, onde depois de correr água, nos séculos velhos, correu o trânsito.

É triste, apático – feio este Regueirão. Uma notazita isolada de pitoresco sombrio, e por aqui se fica. Mas sigamos por ele.

 

Regueirão dos Anjos [1951 e 1949, respectivamente]
Perspectiva tomada da Av. Almirante Reis na foto da esq., e com a a avenida ao fundo na 2ª foto; o Regueirão dos Anjos tem três arcos vendo-se ao fundo na 1ª foto o arco sob a Rua Álvaro Coutinho.
O Regueirão sonâmbulo prolonga-se até à transversal Rua de Francisco Foreiro. Abandonemo-lo a si próprio.
Eduardo Portugal,
in Lisboa de Antigamente

Nota-me já esta particularidade: as casas, quási todas de traseiras de prédios, têm ao nível antigo da rua estabelecimentos e oficinas – muitas serralharias e depósitos – com as portas em ferro. E porquê? Porque aquando das enxurradas nas invernias fortes tudo isto se inunda; o velho leito do vale, desaguadouro forçado, faz valer os seus direitos. Do lado esquerdo podes notar esses quintais tristes, e algumas moradias do tipo antigo suburbano do século passado [XIX].

Regueirão dos Anjos [1949]
Perspectiva tomada da Av. Almirante Reis
Nota-me já esta particularidade: as casas, quási todas de traseiras de prédios, têm ao nível antigo da rua estabelecimentos e oficinas – muitas serralharias e depósitos – com as portas em ferro. E porquê? Porque aquando das enxurradas nas invernias fortes tudo isto se inunda; o velho leito do vale, desaguadouro forçado, faz valer os seus direitos.
Eduardo Portugal,
in Lisboa de Antigamente

Logo a uns cem passos é o Regueirão atravessado pelo viaduto da Rua Álvaro Coutinho; poucos passos andados aí temos êsse curioso arco abatido de perspectiva singular, que faz passar o arruamento sob a Ermida do Resgate e Almas, cuja fachada está na Rua dos Anjos; um outro viaduto aparece a seguir sobre a Rua, também moderna, de Febo Moniz.

Arco do Regueirão dos Anjos sob a Ermida da Almas [1949]
[...] poucos passos andados aí temos esse curioso arco abatido. de perspectiva singular, que faz

passar o arruamento sob a Ermida do Resgate e Almas, cuja fachada está na Rua dos Anjos.
Fernando Martinez Pozal,
in Lisboa de Antigamente
Arco do Regueirão dos Anjos sob a Rua Febo Moniz [1949]
[...] um outro viaduto aparece a seguir sôbre a Rua, também moderna, de Febo Moniz.
Eduardo Portugal,
in Lisboa de Antigamente

Ora repara nesse documento olisiponense encostado ao suporte poente deste viaduto: uma obra «feita à custa do real do povo pelo Senado da Câmara em 1685» — segundo diz a lápide camarária. Era uma bica ou fonte, de pública serventia, que em 1917 foi renovada, segundo a data gravada o indica, e que o ano passado (1937) foi definitivamente entaipada, por as águas sofrerem de inquinação. A histórica bica — secou. É hoje uma breve «memória» do sítio, rico de fontes e nascentes.

Arco do Regueirão dos Anjos [1949]
Fonte e lápide camarária; escadas de acesso à Rua Febo Moniz
Ora repara nesse documento olisiponense encostado ao suporte poente deste viaduto: uma obra «feita à

custa do real do povo pelo Senado da Câmara em 1685» - segundo diz a lápide camarária. Era uma bica
ou fonte, de pública serventia, que em 1917 foi renovada, segundo a data gravada o indica, e que o ano
passado (1937) foi definitivamente entaipada, por as águas sofrerem de inquinação.A histórica bica - secou.
É hoje uma breve «memória» do sítio, rico de fontes e nascentes.
Fernando Martinez Pozal,
in Lisboa de Antigamente

O Regueirão sonâmbulo — conclui mestre Araújo —  prolonga-se até à transversal Rua de Francisco Foreiro. Abandonemo-lo a si próprio.
___________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 73-74, 1938.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Calçada da Pampulha

[...] eis-nos no sitio da Pampulha — para o qual a Lapa é uma criança — e que remonta ao século XVI. (...) A Calçada da Pampulha — diz Norberto Araújo — hoje é a continuação da Rua do Presidente Arriaga, nome que depois de 1917 foi dado à Rua de S. Francisco Paula. Em verdade, oficializada, a Pampulha não tem mais que duzentos metros, mas a designação extravasa, possui ressonância bairrista além do limite municipal do dístico.
«Pampulha» porquê? Não o sei eu, nem os mestres que têm. até agora, escrito acerca das origens dos nomes das ruas de Lisboa. Julgo, porém, que problema não é insolúvel, e creio até que estará para breve o desvendar deste mistério toponímico.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, pp. 55-56, 1938)

Calçada da Pampulha [ant. 1939]
Cruzamento com a Rua Tenente Valadim; anterior à construção do viaduto sobre a Avenida Infante Santo, em 1949 (vd. 2ª foto)
Eduardo Portugal, in in Lisboa de Antigamente

Em relação à etimologia da palavra «Pampulha», José Pedro Machado no seu Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa (1984) avançou a hipótese de a origem estar em «pão da Apúlia» (pan no português arcaico), indicando o local onde era recebido o trigo vindo da Apúlia italiana.
Gomes de Brito refere que «Pampulha» já surge num Assento da Vereação de 1636: «Nas travessas que há do Corpo Santo até á Pampulha». Em 1786, na Relação Universal figura este arruamento ora como Rua Fresca da Pampulha, ora como Rua Direita da Pampulha. E como Calçada da Pampulha aparece primeiro no Itinerário lisbonense de 1818 e no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque, de 1857. No entanto, num documento de 1875 ainda é referida a denominação genérica da zona, numa planta da Praia da Pampulha.

Calçada da Pampulha [c. 1949]
Construção do viaduto sobre a Avenida Infante Santo no cruzamento com a Rua Tenente Valadim
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente
 
Refira-se ainda que a Fábrica de Bolachas da Pampulha, a primeira fábrica de bolachas em Portugal, fundada por Eduardo Costa na década de 1870, referenciava a sua localização entre a Pampulha e a Rua 24 de Julho (hoje Avenida 24 de Julho). [cm-lisboa.pt]

Publicidade da Fábrica de Bolachas da Pampulha em 1907
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