Sunday, 5 July 2020

Sessão de patinagem na Garagem Auto-Palace

A patinagem é o género de sport que mais tem custado a aclimar entre nós — noticiava a Ilustracao Portugueza em 1908 — , tendo falhado sempre as tentativas que com esse fim teem sido feitas em varias occasiões. D'esta vez, porém, torna-se muito provavel que ella crie definitivos fóros de cidade em Lisboa. Pelo menos as sessões de patinagem, que se realisam desde ha algum tempo no Auto-Palace, enthusiastica concorrencia de amadores, que parece nas melhores disposições de manter-se.
A patinagem é sempre um sport dos mais elegantes, e é por isso com satisfação que o vemos em vesperas de conquistar um papel preponderante nos habitos da nossa sociedade mundana, que começa a reunir-se já no Auto-Palace em grande numero para o praticar.[...]

Sessão de patinagem na Garagem Auto-Palace [1908]
Rua Alexandre Herculano
Joshua Benoliel, in AML

Entre os cultores mais ferventes que a patinagem tem já contam-se, como mostram as nossas photographias, as sr." condessa de Jimenez y Molina e sua filha D. Angela, as sr." D. Maria Guell y Bourbon, D. Mercedes Macuriges, D. Marjorie Villiers e D. Guadalupe de Castro, e os srs. barão de Wredenburch, José de Sousa Alte, Eduardo Romero, Jorge Bleck, E. Maia Cardoso, Eduardo Ferreira, Castro Silva, Carlos Maria, etc.. [Ilustração Portuguesa, 1908, 9 de Março]

Sessão de patinagem na Garagem Auto-Palace [1908]
Rua Alexandre Herculano
Joshua Benoliel, in AML

N.B. Em Portugal a notícia mais remota de uso de Patins é-nos relatada por Paulo Soromenho, que nos meados do ano 1873, a D. Maria Pia apresentou os primeiros patins de rodas que se conheceram. Outros relatos dessa época dão-nos conta da existência de patins no Palácio de Mafra trazidos de Paris. Dizem que o quarto de D. Maria II ficava tão longe da biblioteca que a Rainha fazia o percurso de patins. Mais tarde, o Rei D. Carlos também se tornou adepto da modalidade.
Desde as suas origens a patinagem está directamente ligada aos elegantes e aristocráticos da sociedade Portuguesa, que se juntavam em ringues públicos para deslizar ao som de música.

A patinagem artística entrou em Portugal no século XIX e cativou logo a elite, que se juntava em ringues públicos para deslizar ao som de música [s.d.]
Fotografia anónima

Friday, 3 July 2020

Palácio dos Condes de Vimieiro

Este palacete, de discreta aparência, defronte da Biblioteca Nacional, quási ao comêço da Rua Ivens, n.° 10 [actual Largo da Academia Nacional de Belas Artes], onde está instalada desde 1914 a Companhia de Moçambique, é uma edificação do século passado [XIX], que se distingue pela sumptuosidade de algumas salas — uma adornada de ricos espelhos e duas de boas pinturas-e ainda pela magnífica vista panorâmica que da sua fachada nascente se desfruta, sôbre o rio e sôbre a Baixa e Castelo.

Palácio dos Condes de Vimieiro [193-]
Largo da Academia Nacional de Belas Artes, 10
Ferreira da Cunha, in AML

Foi aqui, até ao Terramoto, o palácio dos Condes de Vimieiro, em casas que no século XVI pertenciam ao fidalgo Martim Afonso de Sousa, senhor de Alcoentre, do conselho de D. João III, que foi governador da Índia, avoengo dos Vimieiros, os quais, pelo titulo Faro, constituíam um ramo da Casa de Bragança; nesse palácio habitava em 1578 o Cardeal Rei, D. Henrique, e em Junho de 1579 nele reuniram as Côrtes.
O prédio pertence ao Visconde de Coruche [em 1039].
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, pp. 22-23, 1939.

Sunday, 28 June 2020

Tragédia no Cais do Sodré

Uma das maiores tragédias vividas no Cais do Sodré: o abatimento da cobertura de betão da estação dos comboios, a 28 de Maio de 1963. Por entre os escombros. bombeiros e voluntários da Cruz Vermelha tentar ajudar as vitimas. Muitas delas receberam ali mesmo, dos padres entretanto chamados, a extrema-unção.


Os relógios pararam quando, a 28 de Maio de 1963, a cobertura da gare do Cais do Sodré desaba. Por isso, a hora do colapso é a primeira certeza sobre a tragédia: passavam sete minutos das quatro da tarde. Ao final do dia já é conhecido o número de vítimas. Entre homens, mulheres e crianças, contam-se 49 mortos e 61 feridos. São empregados de escritório, domésticas, enfermeiros, reformados, funcionários da companhia que explora a linha, a Sociedade Estoril, e muitos outros, todos apanhados de surpresa. A ajuda não tarda. Entre bombeiros, equipas médicas, militares, a Cruz Vermelha e civis, mais de 400 pessoas acorrem à estação. Cerca de um quarto são operários que trabalham na construção da ponte sobre o Tejo, enviados por ordem do ministro das Obras Públicas. Levam gruas, martelos pneumáticos, apoios decisivos na remoção dos escombros. Sacerdotes consolam os feridos e ministram a extrema-unção aos que não vão conseguir sobreviver.

Estação do Cais do Sodré, 28 de Maio de 1963
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Pela cidade multiplicam-se as teorias especulativas. Uns apontam a falha às fundações. Outros falam num comboio que chocara contra a plataforma. Os mais imaginativos apostam num atentado à bomba. A comissão de inquérito nomeada pelo ministro das Obras Públicas. Arantes de Oliveira começa a trabalhar nessa noite. Recolhe depoimentos e envia fragmentos da placa e das vigas para o Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Os jornais fazem as suas próprias inquirições. Trabalhadores da estação e passageiros frequentes contam ao Diário de Noticias que as fendas e os ruídos suspeitos eram frequentes. Por isso é que ninguém ligou quando se ouviu o som de vidro estilhaçado momentos antes da derrocada.
A 3 de Junho, a Policia Judiciária divulga os resultados preliminares da investigação. "O ruído ou som ouvido minutos antes da catástrofe, semelhante ao estampido de impacto de uma lâmpada eléctrica" — cita o Diário de Noticias — "terá resultado do movimento de fractura do sistema de cobertura." Dois inspectores da Sociedade Estoril ainda avançaram para vedar a zona na altura em que a pala desabou. Nenhum sobreviveu.

Estação do Cais do Sodré, 28 de Maio de 1963
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

No fim, a comissão de inquérito responsabiliza a construtora MANIL pelo acidente. Acusa a empresa de negligencia e incompetência. Falhara na construção das juntas previstas no projecto e na obra de ampliação da cobertura das gares. Como punição ficará sem os alvarás de empreiteiro de obras publicas. Quanto à Estação do Cais do Sodré, já está em pleno funcionamento. O serviço ferroviário recomeçará cinco dias apenas depois da tragédia.
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Bibliografia
Marina T. Dias, Lisboa Desaparecida, vol. 6, 2000.
Joana Stichini Vilela e Nick Mrozowski, LX60: A Vida em Lisboa Nunca Mais Foi a Mesma, 2012.

Friday, 26 June 2020

Rotunda de Cabo Ruivo vulgo «do Batista Russo»

A “Francisco Batista Russo & Irmãos, SARL - Sociedade Comercial e Industrial de Automóveis” teve a sua origem na empresa “Francisco Batista Russo e Irmão”, fundada em 1926 por Francisco Batista Russo (pai) como importadora da marca de pneus inglesa ‘Avon’.
Antes de se dedicar ao ramo automóvel, Francisco Batista Russo, natural da Moita, esteve ligado à indústria da panificação e possuiu debulhadoras de descasque de trigo, negociou em melões e em cortiça.

Batista Russo & Irmão, SARL [1970]
Av. Infante D. Henrique com a Av. Marechal Gomes da Costa
Arnaldo Madureira, in AML

Em 1958 decide construir aquilo que se tornou um ícone na cidade de Lisboa: as oficinas da “Francisco Batista Russo & Irmão” na Rotunda de Cabo Ruivo, com projecto arquitectónico de Joaquim Ferreira. Finda a construção, quatro anos depois, a empresa passa a “Sociedade Comercial e Industrial Automóveis Francisco Batista Russo & Irmão” e é construída uma instalação fabril em Vendas Novas para montagem de camiões “MAN”, “Steyr” e Atkinson”. Mais tarde seriam aqui montados os BMW “1600” e “2002”, que chegaram a Portugal pela mão da Batista Russo.

Batista Russo & Irmão, SARL [1961]
Av. Infante D. Henrique com a Av. Marechal Gomes da Costa
Arnaldo Madureira, in AML

Sunday, 21 June 2020

Fábrica de Cerveja Germânia e depois Portugália

 — Isto é o que tu chamas o melhor restaurante de Lisboa? — perguntou Filipa, divertida, parando à porta da cervejaria Portugália, para onde Tomás a conduzira.
Ele encolheu os ombros, a rir-se.
 — Hum... talvez não seja o melhor restaurante de Lisboa, mas é, de certeza, um dos melhores que estão abertos a esta hora da noite.


A história da Portugália é indissociável da história da Cerveja em Portugal, e, para a contar, temos de recuar aos primeiros anos do século XX. Nessa altura, e sob o comando do Dr. Barral Filipe, a Fábrica de Cerveja Leão e a Companhia Portuguesa de Cervejas deram origem a uma sociedade denominada Fábrica de Cerveja Germania que nasceu com o propósito de produzir cerveja ao nível das melhores do mundo. Para isso, foi comprado, em 1912, um enorme terreno na Av. Almirante Reis, construída uma fábrica com 15.000 m2, importado o mais moderno equipamento e convidados os melhores técnicos estrangeiros como consultores.

Cervejaria Portugália [c. 1925]
Avenida Almirante Reis, esquina com a Rua Pascoal de Melo
Fotógrafo não identificado, in DN

Com a 1ª Guerra Mundial, onde Portugal alinhou pelos Aliados, o sentimento anti-germânico levou a uma inteligente medida de marketing e, em 1916, a fábrica passou a chamar-se Portugália, Lda. Em 1921, novos investimentos em técnicos e equipamentos foram feitos e o produto, sob a orientação do mestre cervejeiro alemão Richard Eisen, atingiu uma qualidade absolutamente revolucionária para o mercado e para a época. O nome foi mais uma vez modificado para Companhia Produtora de Malte e Cerveja Portugália, S.A. 

Fábrica de Cerveja Germânia e depois Portugália [1914]
Avenida Almirante Reis
Fachada principal, busto em cantaria representando a marca da fábrica, da autoria do escultor Simões de Almeida
in A Architectura Portugueza
Fábrica de Cerveja Germânia e depois Portugália [1914]
Avenida Almirante Reis,
fachada principiai        
n A Architectura Portugueza

O nascimento, em 10 de Junho de 1925, da Cervejaria anexa à Fábrica de Cerveja, tem uma razão peculiar: uma vez que a distribuição da cerveja produzida era feita em carroças e relativamente precária, era comum os clientes dirigirem-se à Fábrica para encherem os seus próprios barris. A ideia da abertura de um espaço para servir cerveja avulso enquanto os clientes aguardavam o enchimento, teve um êxito imediato. E assim nasceu uma nova forma de consumir Cerveja em Portugal. 

Fábrica de Cerveja Germânia e depois Portugália [1914]
Cavalariças viradas à Rua António Pedro. Edíficio com 3 pisos ligados por rampa, com capacidade para 80 cavalos
in A Architectura Portugueza
Fábrica de Cerveja Germânia e depois Portugália [1914]
Interior da fábrica. Ao fundo vê-se a Rua Pascoal de Melo
in A Architectura Portugueza
Fábrica de Cerveja Germânia e depois Portugália [1914]
Planta da fábrica, delimitada pela Av. Almirantes Reis, e pelas rua António Pedro e Pascoal de Melo. Em baixo à direita, espaço onde virá a ser construído o balcão da Cervejaria Portugália
in A Architectura Portugueza

 
Com ela vieram os mariscos e os famosos bifes, que rapidamente se tornaram o ex-líbris da casa. Nomes como Amália Rodrigues, Vasco Santana e Raul Solnado, por exemplo, eram presença assídua. O seu prestígio era tão grande que a sua esplanada foi escolhida em 1933 para a cena final do filme de Continelli Telmo “A Canção de Lisboa”. Nos anos 50, a fábrica e a cervejaria passaram por uma formidável reestruturação, a sala de refeições foi alargada, criou-se no primeiro andar uma sala de Bilhar e no terceiro piso um terraço onde funcionou, durante as noites de Verão, um cinema ao ar livre.

Cervejaria Portugália [c. 1960]
Avenida Almirante Reis, esquina com a Rua Pascoal de Melo
Estúdio Horácio Novaisv, in FCG

Bibliografia
REBELO, Tiago, És o Meu Segredo, 2005
cm-lisboa.pt  

Friday, 19 June 2020

Becos dos Contrabandistas

A única referência que encontramos num olisipógrafo sobre esta artéria é de Norberto de Araújo nas suas Peregrinações em Lisboa:«(...) e a norte [da Praça da Armada] corre o pequeno Largo dos Contrabandistas, com suas casitas de um pitoresco côr de rosa do princípio de oitocentos, e superiormente, na Travessa do Sacramento, um renque de habitações uniformes que pertenceram à Casa Real.» 

Rua dos Contrabandistas [s.d.]
Amadeu Ferrari, in AML

Topónimo fixado na memória de Lisboa em data que se desconhece. No entanto, podemos afirmar com segurança que o topónimo é anterior a 18/05/1887 já que por Edital municipal dessa data foi atribuída a designação de Rua dos Contrabandistas à artéria que se inicia junto do n º 17 do Beco dos Contrabandistas e que era vulgarmente designada por Becos dos Contrabandistas (de acordo com a inf. nº 8125 da Rep. de Urb. e Expropriações de 27/11/57, a fls. 3 do processo nº 50786/1957). [cm-lisboa.pt]

Rua dos Contrabandistas [1966]
Augusto de Jesus Fernandes, in AML
Becos dos Contrabandistas [1966]
Augusto de Jesus Fernandes, in AML

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol.IX, pp.15, 1939.

Sunday, 14 June 2020

Mosteiro dos Jerónimos: desabou tudo com estampido idêntico ao do trovão subterrâneo

Parte do antigo mosteiro arruinado ameaçava desabar: havia anos que tinham resolvido reedificá-lo. Era um corredor comprido e estreito que nos tempos primitivos deveria ter servido de passeio reservado aos frades. A Casa Pia, que ocupa , como já disse, o antigo claustro, destinava as novas construções para aumento do seu pessoal (...) 
A direcção dos trabalhos foi conferida a um pintor cenógrafo do teatro de S. Carlos, o sr. Cinati, sem dúvida homem de talento, mas que, inexperiente no género de trabalhos que era chamado a superintender; traçou um plano fantástico e deficiente e imaginou levantar na base desse organismo decrépito uma enorme torre quadrada, pesada, maciça, ornamentada de decorações incorrectas e absolutamente deslocada [vd. 2ª foto] e alheia às prescrições.

Mosteiro dos Jerónimos, ruínas causadas pelo desmoronamento do torrre central [1878]
Praça do Império, antig
a de Dom Vasco da Gama, antes Largo dos Jerónimos
Fotógrafo não identificado, in AML

No dia 18 de Dezembro [de 1878], às 9 horas da manhã, desabou tudo com estampido idêntico ao do trovão subterrâneo, soterrando e matando nos escombros do desmoronamento nove ou dez operários. Se o sinistro tivesse ocorrido durante o grande desenvolvimento dos trabalhos, o número de vítimas ascenderia a cem ou cento e cinquenta. Acto contínuo propalou-se o boato de que ia proceder-se a um inquérito. A notícia fez sorrir maliciosamente os que sabiam avaliá-la e conheciam a índole do país. Se algum crédulo teve a ingenuidade de acreditar que desse inquérito resultaria a punição dos culpados, ou mesmo a simples demonstração pública da sua incompetência responderei certificando que não houve inquérito nem solução de espécie alguma.

Mosteiro dos Jerónimos, durante a construção do corpo central [1877]
Praça do Império, antig
a de Dom Vasco da Gama, antes Largo dos Jerónimos
Fotógrafo não identificado, in AML

Bibliografia
RATATZZI, Maria (1833 - 1902), Portugal de Relance, 1879.

Friday, 12 June 2020

Travessa do Fala-Só

Desde meados do séc. XIX que aparecem registos do Beco do Fala-Só, conforme refere Gustavo Matos Sequeira, tendo alguns proprietários deste arruamento solicitado a sua classificação como Travessa, em resultado dos melhoramentos realizados na via, o que acabou por ser oficializado pelo Edital municipal 29-11-1877.
De acordo com Luís Pastor de Macedo, o topónimo “deve o seu nome, decerto, a algum morador que teria aquela alcunha". [cm-lisboa.pt]

Travessa do Fala-Só [1944]
Antigo Beco do Fala-só
Candeeiros de Lisboa (coluna com equipamento, aro, adaptada a electricidade)
Eduardo Portugal, in A.M.L.

Sunday, 7 June 2020

Fonte das Ratas

Doenças da pele, problemas do fígado, moléstias dos intestinos. A população de Alfama não faz a coisa por menos. A água tépida que brota daquela nascente é milagreira, como as santinhas a que se reza nos altares. O nome da fonte pode não ser o mais bonito mas é verdadeiro. Os vários esgotos que ali desembocam fizeram da zona uma estrumeira.


Em Abril de 1963, a demolição de um muro vizinho pôs a descoberto uma das várias nascentes daquele bairro lisboeta, a mesma que durante muitos anos alimentara o Tanque das Lavadeiras [encerrado desde 1880]. Agora, são aos milhares os que se acotovelam e põem na bicha para chegar ao Largo da Alcaçarias, ali à Rua Terreiro do Trigo. É lá que fica a famosa Fonte das Ratas

Fonte das Ratas [1963]
Largo da Alcaçarias (local do antigo Tanque das Lavadeiras; ao fundo observar-se o Beco da Barrelas entretanto reaberto
Armando Serôdio, in AML

A propriedade é do duque do Cadaval, que prefere não concessionar a água a nenhuma das empresas interessadas e deixar a população usufruir dos benefícios sem ter de pagar. Chegam a encher-se 360 garrafões por hora, a quase todas as horas do dia. Vem gente até dos arredores de Lisboa. A procissão só acalma entre as três e as cinco da madrugada. Um verdadeiro fenómeno. Os problemas começam em Novembro, quando, não uma, nem duas, mas quatro análises efectuadas pela Junta Sanitária das Águas da Direcção-Geral de Saúde confirmam que a água está inquinada. Apresenta resíduos fecais. A fonte não só não é milagrosa, como é um perigo para a saúde pública. Tem de fechar.

Populares na Fonte das Ratas [s.d.]
Largo da Alcaçarias
Fotografia anónima

Na hora da despedida, às 11 da manhã do dia 4 de Dezembro, não faltarão relatos incríveis. Uma empregada de limpeza contará ao Diário de Lisboa que “sentiu melhoras notórias no eczema que há muito a apoquentava”. Outra mulher, esta “de uma certa idade”, terá provas: um frasco com “algumas pedras que expelira dos rins depois de beber a água”. O encerramento, dirá a Câmara Municipal de Lisboa, é provisório. O povo não acreditará. E com razão.=

Fonte das Ratas [1961]
Largo da Alcaçarias (dir.), Tv. do Terreiro do Trigo  e Rua do Terreiro do Trigo (fundo)
Armando Serôdio, in AML

N.B. Nas obras de remodelação de Alfama na década de sessenta do séc. XX, nasceu um novo largo junto à Travessa do Terreiro do Trigo, que o Edital de 13/12/1963 fixou com o nome de Largo das Alcaçarias, a partir de uma sugestão da Comissão Executiva da Valorização e Conservação do Carácter Tradicional e Secular do Bairro de Alfama. 
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Bibliografia
Joana Stichini Vilela e Nick Mrozowski, LX60: A Vida em Lisboa Nunca Mais Foi a Mesma, 2012.

Friday, 5 June 2020

Oficinas de S. José

As Oficinas de S. José — recorda Norberto de Araújo — , integram-se na obra de S. João Bosco (séc. XIX) e regem-se pelos Estatutos da Sociedade Salesiana. A fundação desta casa, de ensino profissional, data de 1896, ao começo na Rua do Sacramento à Lapa, numa Associação protectora de Asilos e Oficinas para Meninos Pobres, que os salesianos simplesmente dirigiam.


Na origem das «Oficinas de S. José» de Lisboa, bem como de outras instituições homónimas espalhadas pelo país a partir dos anos 80 do século XIX, encontramos uma ideia directamente inspirada no modelo oferecido pela Oficina de S. José do Porto (1883) e indirectamente, através desta, no espírito e nas obras educativas promovidas por S. João Bosco a favor dos jovens mais pobres e abandonados da sociedade.

Oficinas de S. José [1953]
Praça S. João Bosco, 34; Rua Saraiva de Carvalho
Kurt Pinto, in AML

A inauguração do novo edifício, na localização actual é de 1906. Na sequência da revolução política de 1910, o edifício é requisitado para fins militares até 1920. Em 1925, com a chegada do salesiano Aquiles Marchetti, as artes gráficas tomam grande impulso e desenvolvimento.
A partir dos inícios da década de 1970, o ensino profissional, que caracterizou as Oficinas de S. José desde os seu primórdios, desaparece por completo. Pouco a pouco vai sendo reduzido o internato e o ensino torna-se exclusivamente liceal.

Oficinas de S. José [1953]
Praça S. João Bosco, 34; Rua Saraiva de Carvalho
Kurt Pinto, in AML

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, 1939.
lisboa.salesianos.pt.

Sunday, 31 May 2020

Fonte dos Anjinhos

Este tipo de bebedouro apareceu em Lisboa na segunda metade do século XIX. Era de origem francesa e tinhas características homólogas à famosa fonte francesa — a Fontaine Wallace, e era conhecida pela “Fonte dos Anjinhos”. Colocada na Praça D Pedro IV, foi produzida pela fundição Sommevoire, como consta na sua marca na base, e julgamos que a data da sua colocação terá sido posterior ao ano de 1882, por ocasião da transformação dos passeios laterais da praça, a 17 de Maio de 1882, onde era proposto para a parte central da Praça, uma nova distribuição para os candeeiros que ali se encontravam.

Praça D. Pedro IV [séc. XIX]
A Fonte dos Anjinhos ou Fontanário dos Quatro Anjinhos (assinalada em baixo)
Emílio Biel, in BNF

No Livro Rocio Rossio. Terreiro da Cidade, publicado pelo Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, afirma-se que terá vindo de Paris ao mesmo tempo que as fontes implantadas no Rossio, produto da Fábrica de Fundição do Val D’osne(PC.CML.1999).
(BARRADAS, Mobiliário Urbano de Fundição Artística em Lisboa Oitocentista)

Praça D. Pedro IV [1908]
A Fonte dos Anjinhos ou Fontanário dos Quatro Anjinhos
Joshua Benoliel, in AML

Praça D. Pedro IV [194-]
Fonte dos Anjinhos; Café Nicola
Fernando Martinez Pozal, in AML
Praça D. Pedro IV [1959]
Fonte dos Anjinhos
Armando Serôdio, in AML














Friday, 29 May 2020

Largo das Portas do Sol

Lemos na Gazeta de Nuvens de José Gomes Ferreira: «Tão entranhadamente vivi a vadiagem por esses sítios que contínuo a considerá-los — desculpa, ó Alvalade! desculpa, ó Avenida de Roma! — a Lisboa verdadeira. Uma amálgama barulhenta de varinas, padeiros, homens de burrico, vendedeiras de azeitonas, suor luminoso ligado à caliça da paisagem por raízes de pregões, insultos de vinho fácil, meninas janeleiras à espera de cartinhas de desconhecidos, para namoros de estafermo, quiosques onde, nos intervalos das aulas, íamos comprar os tétés, como no meu tempo de menino chamávamos em Lisboa aos sorvetes, monotonamente fabricados em sorveteiras de manivelas emperradas, vozes roufenhas de tabernas, bêbados nocturnos no seu ritual de danças de insectos em redor de candeeiros — e as marchas de Santo António improvisadas, à última hora, nos pátios sem alegria pré-comandada.

Largo das Portas do Sol [ant. 1901]
Topónimo evocativo da porta da Cerca Moura que ali se abria, é uma reminiscência da cidade medieval.
Machado & Souza, in A.M.L.

Parece ser esta a Lisboa que mais soa, que mais canta e menos berra, que mais entoa e menos buzina. E por entre esses sons se descortinam textos, melodias, ãs vezes poesia.
É a esta Lisboa que eu volto sempre, quando quero encher os olhos de Lisboa.
(FERREIRA, José Gomes (1900-1985), Gazeta de Nuvens, 1975)
 
N.B, Monumentos que se destacam neste Largo, além da magnifica vista sobre o Tejo: Igreja de S. Braz ou de Santa Luzia e Palácio do Largo das Portas do Sol que foi dos Viscondes de Azurara.

Largo das Portas do Sol [pos. 1901]
Topónimo evocativo da porta da Cerca Moura que ali se abria, é uma reminiscência da cidade medieval.
Artur Bárcia, in A.M.L.

Sunday, 24 May 2020

Avenida da República

A Avenida de Berna é um símbolo da implantação da República em Portugal em 1910. Este arruamento das Avenidas Novas começou por ser a Rua Martinho Guimarães, dada pelo Edital municipal de 20/08/1897. Contudo, treze anos depois, com a implantação da República em Portugal, o primeiro Edital municipal após o 5 de Outubro de 1910, com data de 5 de Novembro de 1910, passou a denominar esta artéria como Rua de Berne.

Avenida da República [c. 1960]
Cruzamento com o eixo Avenida de Berna — Campo Pequeno; o edifício de gaveto, assim como, os prédios contíguos, até à Av. Barbosa Du Bocage — foram demolidos nas décadas de 1960-70.
Estúdio Horácio Novais, in F.C.G.

Friday, 22 May 2020

Avenida da República, 45

Moradia construida em 1905 e apeada no final da década de 1960 e inicio da década de 1970, altura em que ocorreram boa parte das demolições de edifícios erguidos no principio do século XX na então denominada Avenida Ressano Garcia. Na esquina diametralmente oposta encontra-se o Palacete Valmor, risco do arqº. Ventura Terra galardoado com o Prémio Valmor de 1906.

Avenida da República, 45 [1964]
Gaveto com a Avenida Visconde Valmor
João Goulart, in AML

Sunday, 17 May 2020

Rua da Bempostinha: a Bemposta Pequena

[...] Castilho — escreve Luís Pastor de Macedo  — depois de nos dizer que em Dezembro de 1705 se achava a rainha D. Catarina da Grã-Bretanha gravemente enferma no Paço da Bemposta, conta: "A essa doença da real Senhora liga-se a seguinte tradição, que alguns repetem: diz-se que foi causa de se abrir a serventia pública chamada hoje Bempostinha. [...] Tudo isso é lenda. Um documento de 1673, que logo citarei, fala já da Bemposta pequena, muito antes que a Rainha aí habitasse, e vinte anos antes que chegasse a Lisboa". [...]

Rua da Bempostinha  [1900]
Perspectiva tirada da Calçada do Conde de Pombeiro
Machado & Souza, in AML

Pela nossa parte diremos que a Bemposta Pequena só nos aparece nos registos paroquiais da freguesia dos Anjos em 1682, e que a denominação de Rua da Bempostinha só a topamos em 1707. Um e outro nome serviram para designar esta artéria até aos fins do século passado [séc. XIX]. [...] Ora se o Lugar da Bemposta quer dizer Rua da Bemposta como aliás parece dar a entender o declarar-se que a travessa corria no sentido norte-sul, não há dúvida, conjugando-se a petição com este passo do auto, que a nossa Rua da Bempostinha se chamava então de S. Boaventura. E temos assim duas serventias com o mesmo nome, nome que teria sido dado ao sítio, talvez quando elas ainda estivessem mal delineadas, e que depois serviu para indicar as duas, e uma delas, às vezes com o contrapeso do adjectivo larga.







Rua da Bempostinha [1900]
Machado & Souza, in AML








Pelo menos é isto que se pode deduzir, sem que no entanto nos demos por satisfeitos. O que já fica averiguado é que a Rua da Bempostinha, ou parte dela, já existia muito antes do ano apontado por Castilho pois em 1611, conforme vimos atrás, já se fazia um reconhecimento de foro imposto numas casas situadas naquela rua.
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Bibliografia
MACEDO, Luís Pastor de, Lisboa de Lés-a-Lés, vol. II, pp. 206-209, 1942.

Friday, 15 May 2020

Convento dos Marianos (N. S. dos Remédios)

Aqui temos à esquerda o antigo Convento dos Marianos, e em cuja Igreja está desde há anos instalada a «Presbyterian Church».
O Convento dos Marianos, dos religiosos carmelitas descalços, foi fundado neste sítio em 1606, sôbre chãos que aqui possuíam Vasco Fernandes César e Francisco Soares, foreiros das comendadeiras de Santos-o-Velho; começado a habitar em 1611, recebeu a invocação de N. Senhora dos Remédios. O Terramoto não o abalou muito. Em 1834, pela extinção das Ordens, ficou na Igreja, apenas um capelão, a Cêrca foi alugada e depois vendida, e o Convento passou a servir de aquartelamento e depósito militar. Finalmente a própria Igreja foi posta em venda [em 1898] acabando por ser adquirida por ingleses protestantes [Igreja Evangélica Lusitana].

Convento dos Marianos [post. 1872] 
Rua das Janelas Verdes
Passado o portão de ferro forjado, simples e  forte, seguem de ambos os lados da entrada
desta capela e paralelo ao sentido da rua, a  escadaria que em outro lance, paralelo ao primeiro,
atinge novamente o  centro da construção.
Francesco Rocchini, in AML

A fachada tem, como vês, um interêsse relativo, mas não é trivial: pórtico com três colunas que dão para uma pequena galile, velha tôrre sincira e ausência de cruz ao alto.
Nos claustros o chão é de túmulos, com lousas já de difícil identificação; numa delas se pode ler a data de 1610. Nas paredes das casa, hoje [1938] oficinas, abobadadas, e que há pouco receberam obras, agora vedadas do pátio, podemos ver algumas lápides.¹

Maqueta de Lisboa antes do Terramoto de 1755, pormenor da Cerca e Convento dos Marianos
Rua das Janelas Verdes
 Os frades carmelitas tornaram-se conhecidos em Portugal pela designação de Marianos por causa do nome do primeiro prior Fr. Ambrósio Mariano de S. Bento.
in Museu de Lisboa

A Igreja, no seu interior, é  sóbria, de linhas simples. É formada e de uma só nave, com transepto, em forma de cruz. No centro eleva-se uma cúpula.  O coro está completamente cortado da Igreja, excepto por uma janela larga.
Havia na Ig1eja, antigamente, sete capelas, com famosos trabalhos de talha e muito bem doirados, na primeira das quais, à direita de quem entra, estava a  imagem da Senhora ido Carmo, e nas outras se adoravam imagens dos santos desta ordem.  As imagens, dizem autores da época, eram de fina escultura e  estavam bem tratadas, não se vendo em parte alguma a mais pequena parcela de poeira, tal era o cuidado e o desvelo dos monges carmelitas.²

Convento dos Marianosus, delimitação do convento e cerca [1856]
Rua das Janelas Verdes
A
delimitação, a vermelho, do convento e cerca extintos em 1834.
Carta topográfica de Filipe Folque, 1857, in A.M.L.
(clicar para ampliar)

Nota(s) No interior da antiga cerca, hoje delimitada por edifícios de habitação, foram construídos diversos armazéns e fábricas, nomeadamente a Companhia Fabril de Loiça (Fábrica Constância), aí instalada desde a sua fundação em 1836.  Mais recentemente alberga também ateliers de arquitectura e artes plásticas.

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Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, pp. 59-60, 1938.
² DAGGE, Guilherme de la Poer; VARNHAGEN, Adolfo – Convento de Nossa Senhora dos Remédios dos frades Marianos em Lisboa, 1872.

Sunday, 10 May 2020

Profissões de Antanho: o varredor

A Camara Municipal tem, ao cuidado de pelouro especial, muitas carroças que todas as manhãs percorrem a cidade recolhendo o lixo das casas — relata Alberto Pimentel em 1903 —; tem muitos carros de régas, que por ahi andam, em tempo de poeira, refrescandoas calçadas; tem machinas de varrer, um batalhão de varredores e de esguichadores, capatazes e cantoneiros, a quem paga para que as ruas andem limpas de lixo, de poeira e lama. Mas a verdade é que não conhecemos cidade onde, como em Lisboa, o estado das suas ruas inspire tanto nojo ao transeunte.
(Lisboa, Por Alberto Pimentel, 1903, p. 587)

Rua da Junqueira |1927|
Esquina com a Calçada da Ajuda; pastelaria «A Chic (Chique) de Belém»
O varredor (ou cantoneiro), talvez uma das profissões mais antigas de Lisboa
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Friday, 8 May 2020

Quiosque da Ribeira das Naus — situado entre o Corpo Santo e Cais do Sodré — junto aos antigos edifícios do Arsenal da Marinha demolidos na década 1950 para rectificação e prolongamento da Avenida até ao Terreiro do Paço (Praça do Comércio); ao fundo, parcialmente visível, o abrigo de ferro do tempo das carruagens e dos dos cavalos que as puxavam.

Quiosque da Ribeira da Naus [190-]
Avenida da Ribeira da Naus
Eduardo Trindade, in AML

Sunday, 3 May 2020

A Avenida Faz-se, Sobretudo, Ao Domingo

A Avenida faz-se, sobretudo, ao domingo. 
A burguezia em seguida ás missas mais tardias, até ás quatro em que parte em debandada para o jantar de família; das quatro ás seis o mundo official, aquelle de que se falla, que se cita, apregoado nas gazettas, faz annos como toda a gente, está doente como toda a gente, tem, de vez em quando, a sua dèlivrance  — isto é, dá á luz robustas crianças como toda a gente... que as não dê fracas.
O aspecto do local, á hora fidalga, tem uma certa originalidade. Não se parece com cousa alguma com o que ha lá por fora.  
Incontestavelmente tem mais pittoresco, mais extravagancia, mais ruido, mais animação. 
(CABRAL, Carlos de Moura, Lisboa em Flagrante, 1899)

Avenida da Liberdade [séc. XIX]
A Avenida Faz-se, Sobretudo, Ao Domingo-
Fotógrafo não identificado, in AML

Era dia de festa, e a Avenida tomava o lugar do antigo antigo Passeio Público. Mas não apenas nos dias de festa, pois, bem cedo, a Avenida veio substituir o Passeio e «fazer a Avenida», sobretudo aos domingos, tornara-se num hábito lisboeta. Curiosa descrição do domingo lisboeta dá-nos a Ilustração Portugueza de 18 de Novembro de 1912, recordando que, «emquanto o povo vae d'assalto às hortas arrabaldinas ou nas excursões economicas, a meia burguezia invade a Avenida e o Campo Grande».

Avenida da Liberdade [post. 1894]
O povo aguardando pelo inicio do concerto musical junto coreto.
[...] sentam-se nos bancos ouvindo a banda regimental, que relembra com as suas musicas as tardes do Passeio Publico.
Artur Bárcia, in AML

Contra a nova Avenida insurgira-se Ramalho Ortigão que, em 1874, escrevia nas Farpas: «O projecto do boulevard do Rossio ao Campo Grande é de uma concepção bem triste e pretensiosa (...) O boulevard não serve senão para espalhar os maus habitos do café e do trotoir, o amor da ostentação, a ociosidade, o boulevardismo, a cocotice, o luxo pelintra da toilette [Ortigão: 1943]

Avenida da Liberdade [1898]
Comemoração do IV Centenário da descoberta do caminho marítimo para a Índia
[...] com as suas musicas as tardes do Passeio Publico. (...) enquanto os pares e os ranchos desfilam n'esse passo cadenciado e proprio do que já se convencionou chamar: fazer a Avenida.
Fotógrafo não identificado, in AML

Mas fez-se a Avenida — o grande sonho de Rosa Araújo (1840-1893), então presidente da Câmara — , a tal grande alameda arborizada ao estilo do boulevard à francesa, concebida como um prolongamento do Passeio Público. Inaugurada em 1886, a nova Avenida toma o lugar do Passeio, do qual herdara algumas árvores e estatuária e, tal como o Passeio, veio a constituir-se num novo importante espaço de convívio público.

Avenida da Liberdade [1898]
Comemoração do IV Centenário da descoberta do caminho marítimo para a Índia
Fotógrafo não identificado, in AML

Bibliografia
JANEIRO, Maria João , Lisboa: histórias e memórias, 2006.
Illustração Portugueza de 18 de Novembro de 1912.
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