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domingo, 1 de dezembro de 2019

Algés, praia dos pescadores

Se queres dar, leitor, o mais bello dos passeios permittidos ao habitante de Lisboa — sugere Ramalho Ortigão — , faze o que eu hontem fiz.
Levanta-te ás 5 horas da manhã, n'um domingo, veste-te à luz do candieiro, porque em Setembro ainda não é bem dia a essa hora, pega na tua bengala e no teu binoculo e vae à ponte dos vapores ao Caes do Sodré. Tomamos um bilhete de ida e volta no vapor de Cascaes por dez tostöes. Ainda é cédo, o vapor não parte senão ás 7 horas. 

Algés, praia dos pescadores [entre 1885 e 1893]
De Pedrouços até Cascaes seguem-se quasi ininterrompidamente as differentes estações dos banhos. vem primeiro Algés, com a sua ponte e os Seus dois palacios. [Ortigão, 1876]
Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente

Entramos no café Grego e fazemo-nos servir uma chavena de leite ou chá preto.
Os passageiros veem chegando em multidão ao caes. A ponte dos vapores enche-se de alegres e frescas toilettes de manhã. Lisboa madruga para fugir á calma e á semsaboria de um domingo de verão dentro da cidade. Enchem-se os vapores de Cacilhas e de Belem.
Embarcamos, accendemos um charuto, subimos à ponte do vapor. Magnifico espectaculo!
Diante de nés estende-seem toda a sua magestade, como um pequeno Mediterraneo, o bello Tejo, que scintilla Sob a bruma aquatica como um peito de aço coberto por um véu de gaze, batido pelo largo Sol. 
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Bibliografia
Ortigão, Ramalho, As Praias de Portugal - Guia do banhista e do viajante, 1876.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Alameda de Algés

Com uma História a caminho do meio milénio, o Convento actualmente transformado no Palácio Foz, faz parte integrante das raízes de Algés. Da sua história consta que D. Francisco de Gusmão, Cavaleiro da Casa da Infanta D. Maria, donatário de vastos terrenos na orla do Reguengo de Algés, doou esses terrenos aos monges, em 1559, para a fundação de um Convento evocando S. José. Mais tarde, o Cardeal D. Henrique ainda Infante, construiu nesse local três casas com uma Capela, e em 1595, o Provincial — Frei António da Anunciação, pela terceira vez erigiu o Convento, com uma albergaria de excelência para a época. 

Alameda de Algés  |Início séc. XX|
 Alameda Hermano Patrone
Torreões do Palácio dos Condes da Foz / Quinta de S. José de Ribamar
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente

Em 1834, dá-se o confisco dos bens das Ordens Religiosas, em proveito da Fazenda Pública e assim o Convento e as suas terras foram vendidas a João Marques da Costa Soares, um capitalista, que em 1850 vendeu toda a propriedade a Andrade Neri, o qual mandou restaurar a encantadora Casa dos Arrábidos, assim como a bela Igreja. Em 1872, o Conde de Cabral comprou tudo e fez a muralha e a bela construção dos arcos que fica sobranceira à entrada. A Pousada foi transformada no palacete de airosas linhas, arcarias e colunas que permanecem até aos dias de hoje,
Hoje é propriedade privada fruto de um projecto de suposta reabilitação Urbana que mais uma vez coloca nas mãos de privados um edifício histórico único na Freguesia.

Alameda de Algés  |c. 1920|
 Alameda Hermano Patrone (ant. à deslocamento da linha férrea Lisboa-Cascais)
Palácio dos Condes da Foz / Quinta de S. José de Ribamar
Fotografia anónima, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
SILVA, Sara Cristina, O Convento de S. José de Ribamar in Revista Oeiras Municipal.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Ponte pedonal da praia de Algés

Naquele tempo a Alameda de Algés estava ligada à praia por passadiços, escadarias e pontes, sobre a linha do comboio Lisboa-Cascais. O povo, tal como hoje vai à Caparica, assim, naquele tempo, ia tomar banho a Pedrouços e a Algés, então de águas claras.
Nesta fotografia aérea de 1930 pode ver-se em baixo (ampliando a foto), a referida ponte pedonal defronte ao Parque Anjos.  

Ponte pedonal da praia de Algés [c. 1920] 
Situava-se defronte ao Parque Anjos, originalmente moradia de veraneio de Policarpo Anjos, construída no século XIX
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

sábado, 2 de julho de 2016

Os alfacinhas vão a banhos: praia da Cruz Quebrada

No Verão Lisboa despovoava-se. «De resto, Lisboa no verão era tão secante!...» (Queirós: 1928). A Mala da Europa de 18 de Agosto de 1898 noticiava «uma grande e alegre debandada, por terras de aguas, de praias e consagradas estancias estivaes»; mas os que ficavam iam a banhos a Belém, a Pedrouços, Algés ou Cruz Quebrada.
No Cais do Sodré tomava-se o vapor até Belém e aí, na praia da Torre, «as barracas dos banhistas, brancas, pontiagudas» davam ao sítio um «ar de um acampamento de ópera cómica» (Ortigão: 2001). Torneios de natação e regatas no Tejo animavam a estação estival e, em Pedrouços, em Alcântara ou em Algés, os cais e as praias «com barracas de pinho cru, pintadas às listas por fora» (Miguéis: 1960) a cheirarem «a sal e a urina» animavam-se e enchiam-se de gente. [1]

Praia da Cruz Quebrada |1931-09-07|
Domingo de praia
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Setembro entrou e com elle a grande lufa-lufa dos banhos do mar.
Lisboa e o paiz inteiro não pensam agora senão em banhar-se! Os lisboetas molham se nos poços das barcassas, alastram-se em colonias numerosas e ruidosas pelas praias do Tejo, as praias ao pé da porta, Pedrouços, Algés, Cruz Quebrada, Caxias, Paço d'Arcos, Oeiras, os mais elegantes vão até ao Estoril e Cascaes, os mais pacatos até á Ericeira, os mais misanthropos até Santa Cruz: os provincianos esses emigram em grandes caravanas para as praias de mais luxo, as praias afamadas de banho d'onda e de roleta permanente, Espinho, Figueira, Povoa, e a preoccupação de todos os bons portuguezes, desde Monsão até Tavira, é apenas uma só — o mergulho! [2]

Praia da Cruz Quebrada |1931-09-07|
Depois do almoço
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
 
Bibliografia
[1] JANEIRO, Maria João, Lisboa: histórias e memórias, p. 23.
[2] O OCCIDENTE: revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, 11 Set. 1893.

sábado, 4 de junho de 2016

Os alfacinhas vão a banhos: praia de Algés

Invocando aquilo que consideravam ser a «decência pública», o Estado Novo preconiza o condicionamento dos comportamentos permitidos nas zonas balneares através de uma série de regulamentações que surgiam no Decreto-Lei nº 31.247, de 5 de Maio de 1941, incluindo penalizações pecuniárias entre os trinta escudos (0.15€) e os cinco contos (25€) para os prevaricadores, uma verdadeira fortuna para a época. De acordo com o referido decreto, eram estas as «condições mínimas» a que deviam obedecer os fatos de banho, específicas para homens e mulheres:

Praia de Algés [1912]
 «Um salto custoso!»
Joshua Benoliel, 
in Lisboa de Antigamente
  
Homens: «Fato inteiro em que o pano anterior se prolonga cobrindo toda a frente do calção, de costura a costura lateral. O calção deve ser justo à perna, de corte direito e terá um comprimento de perna mínimo de dois centímetros. A frente do fato, qualquer que seja a forma do decote, deve cobrir a parte anterior do tronco, tapando os mamilos. As costas podem ser decotadas até à cintura.
(...) Não é permitido o uso de fatos que se tornem imorais pela sua transparência e pela excessiva elasticidade do tecido. (…)

Praia de Algés [1912]
«Agora é que vai!»
Joshua Benoliel, in Ilustração Portuguesa
Praia de Algés [1912]
«Esperando o bote que a levará para o largo.»
Joshua Benoliel, in Ilustração Portuguesa

Mulheres: «O fato de banho para senhoras deve ser inteiro e ter saiote fechado. O calção interior é justo à perna, de corte direito e deve ter o comprimento de perna mínimo de dois centímetros.
O saiote, que pode ser independente do corpo do fato, terá o comprimento necessário para exceder, pelo menos de um centímetro, a extremidade inferior do calção depois de vestido.
A frente do fato deve cobrir a parte anterior do corpo, não podendo o decote ser exagerado, a ponto de descobrir os seios. As costas poderão ser decotadas até dez centímetros acima da cintura, sem prejuízo do corte das cavas que devem ser, quanto possível, cingidas às axilas.»

Praia de Algés [1912]
«Nada como um banho revigorante!»
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Praia de Algés [1912]
Na volta do banho e a caminho da barraca.
Joshua Benoliel, 
in Lisboa de Antigamente
 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Algés

«Algés é um dos vários topónimos que na zona de Belém atestam a presença da ocupação árabe. Durante a Idade Média, era um reguengo que incluía toda a zona até à Junqueira. Mais tarde, com o desenvolvimento dos transportes, esta zona foi sendo absorvida pela expansão da cidade.»  
(in Bellem/Belém, Reguengo da Cidade)

«Vae construir-se muito brevemente em Algés ao norte da estrada real uma nova praça de touros. Consta-nos que será um vasto e bem construido circo. O seu custo está orçado em cinquenta contos de rèis.
A praça fica n’um sitio magnifico de onde se disfructa um lindo panorama de terra e mar – muito accessivel e para onde ha transportes faceis, commodos e baratos. Por tudo isto será ella ‘preferida à do Campo Pequeno para onde os transportes são difficeis e caros.» 
(in «A Gazeta de Oeiras», nº28, de 5 Novembro de 1893)

Praça de Touros de Algés (à dir.) e Parque Anjos (em baixo à esq,) |1930|
Manuel Barros Marques, in Lisboa de Antigamente

Em 5 de Outubro de 1893 era assim noticiada na imprensa regional,a construção da Praça de Touros de Algés. Construída por um grupo de socios do Real Clube Tauromáquico é inaugurada a 23 de Maio de 1895 com capacidade para 7500 espectadores. Demolida na década de 1960.
 
Portas de Algés, entrada de Lisboa |1939| 
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
 
O Parque Anjos foi construido — sobre chão que fora dos Condes de Cabral — pelo abastado industrial e comerciante Policarpo Pecquet Ferreira dos Anjos, proprietário do Palacete Anjos ao Príncipe Real e do Palacete Anjos aos Restauradores. É constituído pelo Palácio Anjos, datado de finais do século XIX, um dos mais emblemáticos edifícios históricos do Concelho de Oeiras e uma referência da arquitectura de Veraneio de Algés e por uma paisagem envolvente caracterizada por uma variedade riquíssima de espécies botânicas. Actualmente alberga o Centro de Arte Colecção Manuel de Brito, contendo um importante espólio de arte contemporânea do País, reunido pela família de Manuel de Brito ao longo de décadas, podendo ser agora apreciado pelo público.

Panorâmica de Algés, à direita o Palácio Anjos |1946| 
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

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