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Sunday, 27 May 2018

Calçada da Bica Pequena e Rua da Bica de Duarte Belo

A designação «Bica do Belo» — recorda-nos Norberto de Araújo — já existia no meado do século XVI (em 1554, pelo menos), como um sítio, que podia até não ser regularmente urbanizado, e se localizava à beira rio.
Um certo Duarte Belo, pessoa de situação ao que se supõe, dispunha por aqui- — Boa Vista —, em local que se chamava Portas do Pó, de umas casas e de um chão, no qual existia uma bica, mais tarde desviada uns metros para o alinhamento da Rua da Boa Vista; é a Bica dos Olhos a que adeante me referirei.

Calçada da Bica Pequena [1915]
Tem início Rua de São Paulo e termina Rua da Bica de Duarte Belo  
Travessa do Cabral
Joshua Benoliel, in AML

 Nos tempos antigos eram muito mais latas as referências toponímicas locais, fôsse onde fõsse. O certo que à vertente das encostas entre Santa Catarina e as Chagas se passou a chamar Rua da Bica do Duarte Belo, por extensão.

Calçada da Bica Pequena [1945]
Tem início Rua de São Paulo e termina Rua da Bica de Duarte Belo
 Rua dos Cordoeiros e Largo de Santo Antoninho (dir.); Ascensor da Bica 
Martinez Pozal, in AML

Êste sítio da Bica corresponde a um vale de encosta, um como que desfiladeiro, cavado mais acentuadamente, por efeito de um desmoronamento de terras das encostas laterais. Êsse cataclismo, localizado ao sítio, sucedeu às 11 da noite de 22 de Julho de 1597; foram destruídas nada menos de 110 casas, em três ruas. Precisamente vinte e cinco anos depois repetiram-se os desabamentos, mas em menor escala.

Rua da Bica do Belo [1915]
Tem início na Travessa do Cabral e termina no Largo do Calhariz (ao cimo); 
Travessa da Portuguesa
Joshua Benoliel, in AML
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, p. 67, 1939.

Sunday, 4 February 2018

Rua Fernandes da Fonseca, antiga Carreirinha do Socorro

Já agora te digo que esta Rua Fernandes da Fonseca — escreve Norberto de Araújo — (que celebra a memória do fundador da Sociedade de socorro mútuo dos Artistas Lisbonenses) recebeu esta designação em 1888; antes foi a Carreirinha do Socorro, dístico de ressonância local e alfacinha, que, fazendo parte da Mouraria campestre, foi o primeiro caminho estabelecido do Socorro, pelos Cavaleiros (antes Calçada) até Santo André. Os grandes edifícios urbanos da Rua são quási todos do segundo e terceiro quartéis do século passado.

Rua Fernandes da Fonseca [c.1900]
Convergência da Rua dos Cavaleiros (tomada da foto), Calçada da Mouraria (1ª dir.) e 
Rua do Benformoso (2ª dir.); o 3º arruamento à dir. é o Beco da Barbadela;
 ao fundo, vê-se o Elevador da Graça e a Rua da Palma
Machado & Souza, in AML

É de típica designação bairrista o Beco da Barbadela, nesta Rua Fernandes da Fonseca, e tão antigo como a Carreirinha do Socorro, pois é registado no século de quinhentos; o seu nome de principio era o de «Barbaleda» dando-se com a designação o mesmo fenómeno de corruptela toponímica, e alternada, que se deu com «Boi e Bem Formoso».
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. II, p. 22, 1938.

Wednesday, 10 January 2018

As Torres da Estrela

As Torres fazem o encanto místico das cidades que se desentranharam em devoção. Elas, e as chaminés das fábricas, são as espigas altas da seara urbanista. Das chaminés sai fumo; das torres eleva-se o incenso do passado religioso, e, com ele, certa poesia que pelos bairros se dilui. 


As torres da Estrela veem-se de toda a parte. As ruas convergentes à Praça são enfiamentos perspectivais que o acaso desenhou, ao fundo dos quais, sobre a ramaria dos jardins ou sobre a amálgama do casario da Lapa, se destaca em alvura a silhueta do Zimbório, coroado de lanternim, acolitado na cerebração visual pelas duas torres da frontaria, simétricas e finas, diáconos do bom abade, vestido de baroco.  
A Basílica do Coração de Jesus, obra dos arquitectos da escola de Mafra, foi consagrada em 1789, já no Convento se haviam recolhido as freiras carmelitas de Santo Alberto. O Zimbório é o coroamento audacioso desta mole arquitectónica. Em seu redor, por todos os quadrantes, Lisboa desdobra-se em quadros iluminados. Na sua imponência alcandorada a Basílica é o frontal da mais álacre praça de Lisboa.

Basílica do Sagrado Coração de Jesus (ou da Estrela) [ant. 1913]
Praça da Estrela
Em primeiro as carruagens do antigo Elevador Estrela.Camões extinto em 1913
Marcel Dieulafoy, in BnF

Cruz Alta erguida sobre o espelho verde-azul do Tejo, a lupa assestada sobre a grinalda dos parques aristocráticos, sobre o tumulto das docas e cais, sobre as humildes distâncias bairristas. 
Ave-Maria do Ocidente, chega-lhe ao alto a respiração cálida da cidade. 
O monumento, tal a Praça e o Jardim da Estrela, deve este nome — tão lindo como o da Graça e o da Alegria — à vizinhança fronteiriça do Hospital Militar, que fôra desde 1571 a 1818 o Convento de Nossa Senhora da Estrela, dos frades de S. Bento, casinha erigida sob uma lomba de olivais. 
A Basílica leva cento e cinquenta anos. A Estrela é quinhentista na designação. 
 Pelo sítio amável deste bairro, hoje dilatado e formoso, passam ainda o capuz de um frade e a sombra do jumentinho que levava os cestos de azeitona dos olivais de S. Bento aos lagares da Horta Navia. 

Basílica do Sagrado Coração de Jesus (ou da Estrela) [ant. 1913]
Praça da Estrela

 Marcel Dieulafoy, in BnF

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de Araújo, Legendas de Lisboa, pp. 84-85, 1943.

Sunday, 10 December 2017

Cinemas de Antanho: Salão Central

O Salão Central (cinema) data de 8 de Abril de 1908, e sucedeu a uma casa alemã de artigos de electricidade. [Araújo:1939]


Em 1908 — onde fora a capela do Palácio Foz, dedicada a de Nª Sª da Pureza — é inaugurado o Salão Central: «O mais luxuoso e deslumbrante salão de animatógrapho de todo o país», sendo sócio-gerente Raul Lopes Freire, filho de um reputado comerciante lisboeta. Tinha a configuração de um pequeno teatro, com trabalhos cenográficos de Eduardo Reis. Dispunha de projector e exibia filmes da Pathé, fornecidos pela Empresa Portuguesa Cinematográfica e de um conjunto musical que acompanhava os filmes — na época do mudo —, através de uma partitura original, ou improvisada na altura, mas que preenchia igualmente os intervalos com música ao gosto da assistência.

Salão Central [1911]
Praça dos Restauradores, 31; Elevador da Glória
 Joshua Benoliel, in AML







 
Encerrado em 1926, reabriu portas em 1928 com a designação «Cinema Central» depois de realizadas obras e de uma completa remodelação.

Salão Central [1909]
Praça dos Restauradores, 31; Palácio Foz, legação dos Estados Unidos da América; Elevador da Glória
 Joshua Benoliel, in AML



Sunday, 3 September 2017

O Colyseo dos Recreios e o Elevador de S. Sebastião

O Colyseo dos Recreios  —  no dizer de Alfredo Mesquita  —  é a maior casa de espectáculos que se tem construído em Lisboa. Está situado na Rua das Portas de Santo Antão, próximo da Egreja de S. Luiz Rei de França [refere-se à Igreja de São Luís dos Franceses]. Para a realização do projecto do architeto Goulard, foi necessário fazer naquelles terrenos um desaterro de 16 metros de altura, construindo-se muralhas de suporte que têm 6 metros de espessura
O circo apresenta um grandioso aspecto, podendo comportar 8.000 pessoas, em 110 camarotes, 1.500 cadeiras, duas enormes galerias, um vasto promenoir, e uma muito espaçosa geral em toda a volta do circo. Cobre o edifício uma formidável cúpula de ferro, construída por Hein Lehmann, de Berlim. O palco é de amplas dimensões, e presta-se a ser explorado com peças de grande espectáculo. Em parte do edifício, á frente, está instalada a Sociedade de Geographia de Lisboa, com o seu muito interessante museu colonial e a sua grande sala de conferencias. A inauguração do Coliseo dos Recreios foi no dia 14 de Agosto de 1890, com a opera cómica de SuppéBoccacio, cantada por uma companhia italiana.

Coliseu dos Recreios [entre 1899 e 1901]
 Rua das Portas de Santo Antão
Nesta imagem são visíveis as «calhas» do antigo «Elevador de S. Sebastião»
Fotógrafo não identificado, in AML

Hoje — prossegue o mesmo autor em 1903 —. a grande afluência do povo converge para o Colyseo dos Recreios. De inverno, são os cavallinhos, os acrobatas, os clowns, os animaes sábios, os palhaços excêntricos, as pantomimas, as cantoras de café-concerto, que constituem os atrativos d’aquelle circo. No verão, são as companhias italianas e hespanholas de opera e de zarzuela que lhe proporcionam as enchentes. O alfacinha teve sempre uma viva sympathia pelos circos de cavallinhos, e pelos theatros de canto.

Coliseu dos Recreios, fachada e interior [c. 1890]
 Rua das Portas de Santo Antão
  in AML

Vem a-propósito lembrar que, episodicamente, correu aqui há quarenta anos [c. 1900] uma linha dupla de viação por cabo subterrâneo» — escreve Norberto de Araújo nas suas Peregrinações — referindo que «Lisboa conheceu ainda uma «Companhia de Viação Funicular» que montou uma única linha — o «Elevador de S. Sebastião» [vd. 1ª foto].
Esta linha dupla de viação por cabo subterrâneo saía do Largo de S. Domingos, junto à caixa do Teatro D. Maria II, e seguia por Santo Antão, S. José, Santa Marta, Largo do Andaluz, Rua de S. Sebastião, até às «portas» de S. Sebastião da Pedreira. Esta iniciativa teve, porém, a duração das rosas: inaugurada a carreira em 15 de Janeiro de 1899, a companhia abria falência em 1901.

Coliseu dos Recreios [1960]
 Rua das Portas de Santo Antão
Arnaldo Madureira, in AML

Bibliografia
(MESQUITA, Alfredo. Lisboa, p. 622, 1903)
((ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 104, 1939)

Monday, 15 August 2016

Rua do Carmo que foi Calçada do Rubim

Espreita-me a Rua Nova do Carmo, a nossos pés, e a pique



"Vamos entrar na Rua do Carmo, que principiou por se chamar Rua Nova do Carmo", escreve Norberto de Araújo nas suas Peregrinações, recordando que "esta Rua Nova do Carmo — o princípio do «Chiado», que hoje por extensão designativa começa logo à saída do Rossio — é relativamente moderna. Ela não existia até ao Terramoto, nem assenta sôbre qualquer caminho ou traçado de pé pôsto, que houvesse antes de 1755." [1]

Rua do Carmo [1903]
O ascensor foi construído entre 1898 e 1901 pelo engenheiro Mesnier du Ponsard, 
e inaugurado em Setembro de 1901, funcionando nos dois primeiros anos a vapor.[1]
Fotógrafo não identificado

Por sua vez, Luís Pastor de Macedo na sua Lisboa de Lés a Lés, defende que esta artéria também teria sido a Calçada do Rubim, que viu mencionada no Almanaque de Lisboa de 1800 e acrescenta «Podemos dizer onde era: nos limites das freguesias do Sacramento e da Conceição Nova; e podemos dizer que nome tem hoje: Rua do Carmo " [2]

Rua do Carmo [post. 1910]
O ascensor foi construído entre 1898 e 1901 pelo engenheiro Mesnier du Ponsard, 
e inaugurado em Setembro de 1901, funcionando nos dois primeiros anos a vapor.[1]
Alexandre Cunha, in AML

[1](Norberto de Araújo, «Peregrinações em Lisboa», vol. VI, p. 82)
[2](Toponímia de Lisboa)

Friday, 22 July 2016

Ascensor da Bica

O Ascensor da Bica, mais conhecido por “Elevador da Bica”fazendo a ligação entre a Rua de S. Paulo e o Largo do Calhariz (Calçada da Bica Pequena; Largo de Santo Antoninho; Rua de São Paulo)é um dos elementos mais pitorescos da cidade de Lisboa, atravessando o popular Bairro da Bica. Construído pela Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa, sob projecto do Eng.º Mesnier du Ponsard, foi inaugurado em 1892.

Ascensor da Bica [1933]
Os novos elevadores
  A Rua (Calçada) da Bica Duarte Belo constitui o eixo central do bairro da Bica, cujo topónimo procede de uma área abundante em água distribuída por fontes e chafarizes.
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Trata-se de um equipamento de transporte urbano constituído por 2 carros, ligados por um cabo subterrâneo, que sobem e descem alternada e simultaneamente ao longo de duas vias paralelas de carris de ferro. Movido inicialmente a água e pelo sistema de tramway-cab, passou da locomoção por contrapeso de água à locomoção a vapor, em 1896, conhecendo a sua total electrificação, somente, em 1914. O Ascensor da Bica e o seu meio urbano envolvente estão classificados como Monumento Nacional.

Ascensor da Bica [1909]
O velho ascensor junto ao Largo do Calhariz
Joshua Benoliel, in Illustração Portugueza

No 10 de Junho de 1882, na sala das sessões da Câmara Municipal de Lisboa, o presidente José Gregório da Rosa Araújo, leu um ofício do engenheiro-chefe da repartição técnica, Frederico Ressano Garcia, em que se indicavam as condições a impor para se conceder, a Raul Mesnier de Ponsard, engenheiro distinto, «licença para o estabelecimento e exploração de diversos planos inclinados no interior da cidade». A vereação concordou e resolveu lavrar o termo da concessão.

Ascensor da Bica [c. 1923]
Calçada da Bica Pequena; Largo de Santo Antoninho
Fotografia anónima, in AML

Na Bica, o assentamento da linha começou em dia de finados deste mesmo ano [1890]. Durante meses houve dificuldades e atritos com a Câmara; umas pela estreiteza e diferentes declives da rua e os outros pela construção do colector de esgotos, atrasaram muito os trabalhos; em fins de Maio, um director, em telegrama a Mesnier, dizia : «Estou em braza»; não admira: era Verão ...
Finalmente, a vistoria foi requerida em Março de 1892; e a inauguração fez-se numa terça-feira, véspera de São Pedro. Cada viagem custava : 1 vintém para cima e 10 réis para baixo. Os bancos dos carros eram colocados «em plateia» e pensava-se instalar um restaurante à entrada pela Rua de S. Paulo.

Ascensor da Bica [1945]
Calçada da Bica Pequenal; Largo de Santo Antoninho (Escadinhas)
Fernando Martinez Pozal, in AML

Depois de, em 1916, se ter dado um grave acidente na Bica, vindo um carro pela linha abaixo, em grande velocidade, romper o guarda-vento de S. Paulo e atravessar a rua, este elevador esteve anos sem funcionar. Em 1923, o senado municipal convida a empresa a pô-lo de novo em movimento. A direcção ainda tentou dissuadi-lo, alegando que durante muitos anos tinha conservado o elevador em circulação, apesar do prejuízo que sofria; mas a exploração dele era muito perigosa por ser a rua muito estreita e sempre cheia de crianças.
«De resto», acrescentava a Ascensores, «o elevador da Bica aproveita a tão diminuto número de passageiros que é preferível melhorar as condições de viação de outras linhas». Falta de previsão: a «Bica», em 1952, transportou nada menos que 1 milhão e 597 mil passageiros. [1]

Ascensor da Bica [1963]
Rua de S. Paulo
Augusto de Jesus Fernandes, in AML

[1]  (Olisipo: boletim do grupo «Amigos de Lisboa", 1954)

Tuesday, 7 June 2016

Rua de Santo António à Estrela: demolição de um arco do Aqueduto das Águas Livres

Este arco sito na do Rua de Santo António à Estrela era parte do Aqueduto do Convento da Estrela, ramal subsidiário do Aqueduto das Águas Livres ou Galeria das Necessidades, que conduzia a água para os chafarizes de Campo de Ourique, da Estrela, da Praça de Armas e das Terras. 

Convento do Santíssimo Coração de Jesus e Arco do Aqueduto sobre a Rua de Santo António à Estrela [ant. 1885]
Em 1885, as dependências conventuais são entregues à Fazenda Nacional, para instalação dos Serviços Geodésicos, depois Instituto Geográfico e Cadastral
Fotógrafo não identificado, in AML


Partia do Arco do Carvalhão terminando na Tapada das Necessidades, onde nascia outro ramal à superfície, que atravessava o Vale da Cova da Moura, actualmente a Avenida Infante Santo, até às Janelas Verdes, abastecendo o respectivo chafariz; a abertura da Avenida implicou a sua demolição. 

Rua de Santo António à Estrela: demolição de um arco do Aqueduto [10 de Abril de 1897]
O último prédio alto à esquerda, com portal abobadado, era o edifício utilizado para recolha
dos elevadores Estrela-Camões; à direita, a antiga Cerca do Convento da Estrela
(ou Sagrado Coração de Jesus,hoje pavilhão do Hospital Militar);
ao fundo, a Igreja e Antigo Convento de Nossa Senhora da Estrela (Hospital Militar Principal)

Fotógrafo: não identificado, in AML

Foto, inscrição no original: «Demolição do Arco Grande do Aqueduto, na Rua de Santo António à Estrela, arriado em 10 de Abril de 1897 pelos operários da secção de obras da Exma Câmara Municipal de Lisboa, foram entregues no depósito do Edificio da Estrela em 10 de Agosto do mesmo anno duas torneiras de bronze que pezavam a 1.ª 117,0 Kilos e a 2.ª 115,0 Kilos no total de 232,0 kilos.»

Levantamento topográfico de Francisco Goullard, (1882)]: n.º 163
Planta referente ao estado da rua de Santo António à Estrela, em Outubro de 1890. Localização do Arco Grande do Aqueduto do Convento da Estrela
(Clicar para ampliar)


Recolha dos elevadores Estrela-Camões, demolido em finais de 1941
Praça da Estrela; a esq., a Rua Domingos Sequeira e, à dir., a Rua da Estrela

(Este prédio é aquele que se pode observar do lado esquerdo na 2.ª foto) 
Eduardo Portugal, in AML

Monday, 9 May 2016

Elevador da Calçada do Lavra

«Daqui, da Rua de Câmara Pestana, nasce, ou finda, a Calçada do Lavra, cujo elevador foi construído em Abril de 1884. Esta Calçada do Lavra chamava-se anteriormente de Damião de Aguiar, pessoa importante do século XVI, desembargador e chanceler mór do Reino. Passou a chamar-se do Lavra ou do Lavre pela circunstância de, no edifício apalaçado, ao Largo da Anunciada, onde hoje está a Escola Nacional, ter morado o tesoureiro da Rainha Maria Francisca de Saboia, Manuel Lopes do Lavre, como, antes dêle, morava o citado Damião de Aguiar. A Calçada acompanhou em seu nome, durante três séculos, a evolução da propriedade do palácio, mas fixou-se em Lavra.»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa,, vol. IV, pp. 38 e 39)

 Elevador do Lavra [ant. 1915]
Fotógrafo não identificado, in AML

Projectado pelo engenheiro Raul Mesnier du Ponsard e construído pela Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa, este funicular foi inaugurado oficialmente em 1884, é o mais antigo elevador público de Lisboa. Fazendo a ligação entre o Largo da Anunciada e a Tv. do Forno do Torel ou a Rua Câmara Pestana, deve o seu nome ao Palácio Lavra, com o qual faz esquina. Trata-se de um equipamento de transporte urbano constituído por 2 carros, ligados por um cabo subterrâneo, que sobem e descem alternada e simultaneamente ao longo de 2 vias paralelas de carris de ferro. Movido, inicialmente, por sistema hidráulico constituído por cremalheira e contrapeso de água, passou, mais tarde, a locomover-se a vapor, tendo conhecido, finalmente, em 1915, a sua total electrificação. Em 1926 tornou-se propriedade da Companhia Carris de Ferro de Lisboa. 
O Ascensor do Lavra e o seu meio urbano envolvente estão classificados como Monumento Nacional.

 Elevador do Lavra  [1960]
Arnaldo Madureira, in AML

Monday, 22 February 2016

Calçada do Combro, vendedor ambulante de esponjas naturais

Este elevador fora projectado em 1882 pelo engenheiro Mesnier du Ponsard com um troço mais longo, mas nunca foi completado, tendo funcionado somente entre o Camões e a Estrela até 1913. Chamado popularmente «maximbombo», acabou por ser substituído pelo carro eléctrico. Os seus carros foram vendidos para barracas de banhos, para barracas de feiras e para casas de guarda no campo.

Calçada do Combro. vendedor ambulante de esponjas naturais [ant. 1913]
Elevador da Estrela-Camões

Fotógrafo não identificado, in AML

No séc. XV, esta artéria (Cç. do Combro) era parte da Estrada de Santos ou da Horta Navia. Gomes de Brito considera que era a calçada da «Bella Vista». De acordo com o olisipógrafo Norberto Araújo teve, além destas, as seguintes designações:
«Pois desçamos, Dilecto, a Calçada do Combro - que foi «do Congro» no século XVIII, «do Congo», em alguns documentos, e devia ser, afinal, pela lógica toponímica, do «Cômoro», isto é: do alto.»

Wednesday, 2 December 2015

Calçada e Elevador da Glória

O topónimo advém da Ermida de Nossa Senhora da Glória que se situava na Rua da Glória, fundada em 1574 por Fernão Pais. Cerca de 1626, aí se estabeleceram os Padres Irlandeses, do Seminário fundado em 1593. Em 1755, era seu proprietário D. Luís de Portugal da Gama, 2º Conde da Vidigueira.

Calçada e Elevador da Glória [séc. XIX] 
Este elevador apresentou, em tempos,  a particularidade de se poder viajar no tejadilho.
Fotógrafo não identificado

Segundo elevador projectado pelo engenheiro Raul Mesnier du Ponsard (o primeiro foi o do Lavra) e fabricado pela Nova Companhia de Ascensores de Lisboa, a qual obteve licença camarária de construção em 1875, sendo esta consecutivamente prorrogada, iniciando-se a obra em 1883. A construção deste ascensor foi muito atribulada, sendo alvo de protestos, embargos, exigências de indemnizações avultadas e desastres. Foi, por fim, inaugurado a 24 de Outubro de 1885. Locomovia-se através do contrapeso de água. Necessitava de 400 m3 diários de água para funcionar. A água era fornecida pelo depósito das Amoreiras. À noite, o interior do elevador era iluminado com velas de estearina. Durante um período foi movido a vapor, estando a caldeira numa casa no Largo da Oliveirinha. Passou a funcionar por tracção eléctrica a partir de 1 de Agosto de 1914. Este elevador apresentava a particularidade de se poder viajar no tejadilho, em dois bancos corridos de costas com costas, a chamada imperial, à qual os passageiros acediam por uma escada de caracol. A sua viagem custava um vintém. Passa a ser propriedade da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, em 15 de Dezembro de 1926. No ano de 2002 foi classificado Monumento Nacional.

Calçada e Elevador da Glória [1926]
Fotógrafo não identificado

Thursday, 5 November 2015

Calçada da Glória

« Esta Calçada da Glória, (...) é muito antiga como serventia pública. Nos séculos velhos certamente não passaria de de uma Vereda na encosta, ladeando uma parte da cêrca dos frades de S. Roque; depois foi-se transformando em rampa, e, quando se urbanizaram S. Pedro de Alcântara e as Taipas, deu-se foros de Calçada, ligando a Avenida ao Bairro Alto, como dantes ligava as Hortas de Valverde  a Vila Nova de Andrade.

Calçada da Glória [c. 1910]
Joshua Benoliel, in AML

Da «Glória» se chama em razão de uma Ermida de N. S. da Glória que existiu ao fundo da rampa, erigida erm 1574, por Fernão Pais (...). Aquela ermida situava-se um pouco mais acima do fundo da Calçada de hoje, pois a rampa do meio para baixo tinha outra orientação; na Travessa da Glória, esquina sul junto à Avenida, seria o seu lugar, e ainda há uns dez anos havia dela vestígios.
Os ascensores - e estamos a ver o que seriam os dois «maxibombos» há cinqüenta anos - datam de 1884.»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, p. 79)

Calçada da Glória [c. 1940]
Ferreira da Cunha in AML

Sunday, 30 August 2015

Abrigo e bilheteira do Ascensor da Glória

Fazendo a ligação entre a Av. da Liberdade/Restauradores e a Rua de São Pedro de Alcântara/Bairro Alto é, actualmente, o ascensor mais movimentado da cidade, transportando cerca de três milhões de passageiros por ano. Construído pela Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa, segundo projecto de Mesnier du Ponsard, e inaugurado em 1885, foi, entre os elevadores de Lisboa, o pioneiro da tracção eléctrica, instalada em 1914.

Ascensor da Glória [1927]
Calçada da Gloria; Rua das Taipas, tornejando para o Largo da Oliveirinha; Travessa do Fala-Só
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal 'O Século'

Inicialmente, locomovido por contrapeso de água, recorreu, mais tarde, ao vapor, enquanto que as viagens nocturnas eram iluminadas por velas de estearina. Construído por dois carros, ligados por um cabo subterrâneo,que sobem e descem alternada e simultaneamente ao longo de duas vias de carris de ferro, foi o único que proporcionou aos utentes lugares no tejadilho - a chamada «Imperial» - onde se acedia por uma escada de caracol. Em 1926 tornou-se propriedade da Carris. O Ascensor da Glória e o meio urbano que o envolve está classificado como Monumento Nacional.

Ascensor da Glória [1931]
Calçada da Gloria; Rua das Taipas, tornejando para o Largo da Oliveirinha; Travessa do Fala-Só
Eduardo Portugal, in AML

Friday, 28 August 2015

Elevador de São Julião (actualizado)

O elevador do Município, também conhecido como elevador da Biblioteca ou elevador de S. Julião, foi o sétimo elevador a ser construído em Lisboa. A sua construção foi financiada pelo Dr. João Maria Ayres de Campos. O seu autor foi o famoso Eng. Raoul Mesnier de Ponsard, o mesmo do Elevador de Santa Justa. À semelhança deste último, também subia na vertical a uma altura de 29,6 metros até ao primeiro pavimento, do qual saía um viaduto à altura de 20 metros sobre a Calçada de São Francisco. Foi Inaugurado em 1897 e funcionou até 1915 e a estrutura foi desmantelada em 1920, sendo substituído pelo carro eléctrico da Rua da Conceição – Calçada de São Francisco - Camões.

Elevador de São Julião [post. 1920]
Calçada de São Francisco
Eduardo Portugal, in AML

A entrada fazia-se pela porta de uma residência particular, o n.º 13 de Largo de S. Julião, e a saída fazia-se igualmente por outra residência particular, pelo terraço do Palácio do Visconde de Coruche, no então Largo da Biblioteca (hoje Lg. Academia de Belas-Artes, 13).

Torre Elevador de São Julião [1932]
Largo Academia de Belas-Artes
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século
Este elevador ficou ligado à intentona de 28 de Janeiro de 1908, conhecida como Golpe do Elevador da Biblioteca, em que conspiravam carbonários, republicanos e dissidentes progressistas. Foram presos António José de Almeida, Afonso Costa, Álvaro Poppe e mais suspeitos, num total de noventa e três conspiradores.

Alçados do project do Elevador de São Julião [s.d.]
Dois alçados do projecto da instalação de um ascensor com uma passadeira metálica superior que liga o Largo da Biblioteca Pública com a Praça do Município. O primeiro alçado [esq.] é descrito como: "vista em elevação perpendicularmente a um plano contendo os eixos das duas torres". Ao nível do Largo do Município está escrito: "casa das máquinas de gás e das bombas", que aparece representada no respectivo alçado. Também estão indicados: nível do Largo da Biblioteca; o 4º andar da habitação da sra. Street (nível a que passa uma passadeira metálica que liga as duas torres); Calçada de S. Francisco; nível do Largo do Município; 29.50 m (altura a que está instalada a passadeira superior). O segundo alçado é descrito como: "vista em elevação segundo uma linha que passa pelo eixo das duas torres". Também estão indicados: nível do Largo
da Academia de Belas-Artes; Calçada de S. Francisco; nível do Largo do Município; o 4º andar da habitação da sra. Street.
 in Ascenseur Município-Bibliotheca á Lisbonne [Material cartográfico

Monday, 3 August 2015

Elevador Estrela-Camões

«A Morte do Maximbombo». Era este o título da Ilustração Portuguesa revista semanal editada pelo jornal O Século em 14 de Julho de 1913 — que pode ser lida na íntegra aqui — e continuava: «Morreu o Maximbombo da Estrela! Há mais tempo ele se tivesse  sumido, o monstrengo, para dar logar a coisa mais moderna, mais decente. Aquilo era mesmo um monstrengo: pesado, incomodo, infecto e amaldiçoado como um assassino.»

Calçada do Combro [1913]
Joshua Benoliel, in AML

O engenheiro Mesnier du Ponsard ganhou a concessão do troço do Camões – Estrela – Rua São João dos Bencasados em 1882, mas acabou por passá-la para a Companhia dos Elevadores. Em 14 de Agosto de 1890 entrou em funcionamento a linha do Camões à Estrela, a cargo da Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa, a mesma mas com novo nome desde 23 de Outubro de 1884.
Era um sistema de transporte público de passageiros em carros tracionados por cabo sem-fim subterrâneo, rodando sobre carris-ranhura encastrados na via pública.

Calçada do Estrela [ant. 1913] 
Elevador da Estrela com reboque, passando pela A.R.
Joshua Benoliel

Este elevador fora projectado com um troço mais longo, mas nunca foi completado, tendo funcionado somente entre o Camões e a Estrela até 1913. Chamado popularmente maximbombo, acabou por ser substituído pelo carro eléctrico. Os seus carros foram vendidos para barracas de banhos, para barracas de feiras e para casas de guarda no campo.

Praça de Luís de Camões [1913]
Joshua Benoliel, in Ilustração Portuguesa
Praça da Estrela [1913]
Voltado à força de braços para mudar de linha
Joshua Benoliel, in Ilustração Portuguesa

Sunday, 7 June 2015

Elevador de Santa Justa, a todo o vapor

O elevador de Santa Justa — ou do Carmo — foi inaugurado no dia 10 Julho de 1902, sendo um dos dois ascensores verticais da cidade (o ouro era o elevador de S. Julião). O projecto é de Raoul Mesnier du Ponsard. Com 45 metros de altura e integralmente construído em ferro forjado, faz a ligação entre a Rua Áurea, vulgo «do Ouro» e o largo do Carmo. Apresenta-se em estilo neogótico, com decorações em filigrana e foi classificado como monumento nacional em 2002.

Rua de Santa Justa [ant. 1907]
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa


Movido inicialmente a vapor, passou a ser accionado por energia eléctrica, em 1907. O transporte dos passageiros é feito por duas cabines de madeira, cada uma com capacidade para 20 pessoas. A ascensão por estas cabines dá acesso a um passadiço de 25 metros, que leva os passageiros até ao Largo do Carmo.

Rua de Santa Justa [entre 1902 e 1907]
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa
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