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domingo, 12 de abril de 2026

Divertimentos no Parque Mayer

O Parque Mayer foi inaugurado em 15/6/1922, substituindo e incorporando a função lúdica da Feira de Agosto (criada em 1908, na Rotunda), uma das últimas "feiras típicas" da capital, com petiscos, comércio e diversões. Inicialmente, apresentou-se em instalações precárias de madeira (“barracas”), mas situava-se numa zona mais central e frequentada. Com o tempo, transformar-se-ia num moderno e popular recinto de diversões ao ar livre, pretendendo emular o que se fazia em Paris (Luna-Park, Magic-City), Madrid (Retiro), Barcelona (Grande Parque), Sevilha, etc. (...). Mais tarde, esta componente seria ampliada e aperfeiçoada pela Feira Popular de Lisboa (1943).

— Não deixem de ver a célebre Cadeira Eléctrica: Uma grande atracção internacional!..

Divertimentos no Parque Mayer |1943-05-02|
Começou por funcionar com  atracções várias, como a "Cadeira Eléctrica", o circo do El Dorado, e combates de boxe e luta-livre.”,
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Situado junto à Avenida da Liberdade, do lado ocidental — num espaço que pertenceu aos jardins e espaços adjacentes do Palácio Mayer — entre a Rua do Salitre e a Praça da Alegria, este recinto viveu o seu apogeu entre as décadas de 30 e de 70 do séc. XX.
Sobre o novel Avenida Parque, ou feira do Parque Mayer como também era designado, lia-se no Diário de Notícias: “Quando ontem entrámos na feira, lembraram-nos imediatamente alguns detalhes pitorescos das antigas feiras do Campo Grande e das Amoreiras, dos nossos melhores bons tempos. E lembrou-nos isso no meio daquele ruído moderno e caprichoso, num recinto onde as barracas têm todas, pelo menos, limpeza, algumas bom-gosto e muitas, se não a totalidade, um ar de sedução irresistível.” (15/6/1922)
 
Divertimentos no Parque Mayer |1943-05-02|
 Os cavalinhos ou carrossel.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Divertimentos no Parque Mayer |194-|
Tômbola dos cigarros, onde o objectivo era atirar argolas para que caíssem sobre os maços de cigarros expostos. À esq., ao fundo, ficava o chamado Estádio Mayer. [Dias; 2007]
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Entre as diversões que passaram no Parque Mayer, destacam-se as "barracas dos tirinhos", os bailes (de fim-de-semana, ou de carnaval), os circos Royal, El Dorado e Luftman, as "barracas” do "Porto de Lisboa" (miniatura animada da Ribeira) ou de "fenómenos” como a "mulher transparente” e a "mulher-sereia" e as pulgas amestradas, o labirinto e a roleta diabólica, a laranjinha, a "Cadeira Eléctrica", as “variedades”, o jogo do quino, o jogo clandestino (para os mais aventureiros), os carrosséis e os fantoches, o Pavilhão Infantil, os "carrinhos de choque", a patinagem, os combates de boxe (Belarmino engraxava sapatos na Rua do Salitre), a luta greco-romana e a luta livre. 
[Expressões Artísticas Urbanas.Ferro,Lígia, ‎Raposo,Otávio, ‎Sá Gonçalves,Renata de, 2017]

Divertimentos no Parque Mayer |1943-05-02|
 Engenho de experimentar forças.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Rua Marquês de Sá da Bandeira

As chamadas Avenidas Novas são delimitadas pela Avenida Duque de Ávila, a sul, pela Rua do Arco do Cego, a oriente, pela linha férrea de cintura, a norte, e pela Rua Marquês Sá da Bandeira, a poente (..). Enfiemos agora por esta Travessa do Marquês de Sá da Bandeira, antiga e simpática estrada que levava da Rua das Cangalhas, ao Campo Pequeno.==
[ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 63, 1939)

Antiga Estr. que principia na Barreira do Rego e termina no Largo do Rego a S. Sebastião da Pedreira. Por deliberação da C.M.L. de Belém em 20/10/1881, a Rua Marquês de Sá da Bandeira passou a terminar no Campo Pequeno. Por deliberação da CML de 24/11/1888, edital de 01/12/1888, foi integrada na Rua Marquês de Sá da Bandeira a via pública que fica no seu prolongamento denominada Estr. do Rego. [cm-lisboa]

Rua Marquês de Sá da Bandeira | 1964|
Militar e Politico 1795-1876
Muro de cantaria do ntigo Parque «de José Maria Eugénio [de Almeida]» — tradição oral mais pró­xima — ou Santa Gertrudes e actual Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

N.B. Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, 1.º Barão, 1.º Visconde e 1.º Marquês de Sá da Bandeira, (1795-1876). Foi fidalgo da Casa Real, Par do Reino, Ministro de Estado, Marechal de campo, Director da Escola do Exército, entre outros cargos e actividades.
Destacou-se pela sua bravura no campo de batalha, primeiro durante as Invasões Napoleónicas e mais tarde durante as Guerras Liberais, onde tomou o partido dos liberais contra os miguelistas.

Rua Marquês Sá da Bandeira |c. 1940|
Chafariz, hoje demolido, localizado no actual Largo Azeredo Perdigão; ao fundo vê-se
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

domingo, 7 de setembro de 2025

Edifício da Ford Lusitana

A sede da “Ford Lusitana, SARL”, fundada em 11 de Janeiro de 1932, situava-se na Rua Castilho em Lisboa, e foi projectada pelo arquitecto Porfírio Pardal Monteiro em 1930. Foi demolido em 1974.

O edifício-sede da Ford Lusitana, situava-se no gaveto da Rua Castilho com a Rua Marquês de Subserra, no quarteirão seguinte aquele onde mais tarde o autor viria a projectar o Hotel Ritz.
Para além de escritórios, oficinas e venda de peças o edifício que se destinava a «expor e vender Automóveis, camiões e tractores, também exibia e vendia aviões».
O edifício adopta uma arquitectura de grande horizontalidade ao longo das duas ruas, sendo essa característica acentuada no 1º andar coberto por um terraço.

Edifício da Ford Lusitana, filial da Ford Motor Company U.S.A. |1937|
Rua Castilho, 149 com a Rua Marquês de Subserra, 2
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

No gaveto, fazendo charneira entre os volumes ao longo das ruas surge um grande corpo cilíndrico de vidro, luminoso onde a marca se destaca dia e noite [vd. última imagem].Este volume redondo, para além de uma forte componente publicitária que, com êxito imprimiu ao edifício, marca a entrada principal para clientes no edifício. Na altura da sua construção o edifício tinha grande exposição, sendo visível desde a Praça Marquês de Pombal, dominando o lago então existente no atualmente denominado Parque Eduardo VII.

Edifício da Ford Lusitana |c. 1940|
O Parque Eduardo VII foi ajardinado em 1929; a esq., sobe a Rua Joaquim António de Aguiar.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Vista aérea sobre o Parque Eduardo VII |c. 1950|
Ao centro observa-se o edifício-sede da Ford Lusitana e, à esq. deste, os terrenos do futuro Hotel Ritz (1959). Atrás nota-se o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho.
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Concebido para ter grande presença na noite de Lisboa, apresentava rasgados vãos ao nível do R/C onde os modelos da marca se podiam facilmente observar por quem passava nas zonas circundantes.
Neste projecto o arquitecto escolhe as peças e desenha mesmo algum mobiliário, o que permite a concepção da obra como um todo.
(PACHECO, Ana Assis - Ob. cit., 1998)

Edifício da Ford Lusitana |c. 1940|
Gaveto da Rua Castilho, 149 com a Rua Marquês de Subserra, 2
Fachada com corpo cilíndrico de vidro, luminoso onde a marca se destaca dia e noite-
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957) foi um dos mais importantes arquitectos da primeira metade do Século XX em Portugal e principal responsável pela viragem modernista da arquitectura portuguesa. O legado do arquitecto Porfírio Pardal Monteiro conta com obras como as Gares Marítimas de Alcântara (1943) e da Rocha do Conde de Óbidos (1948), a Igreja de Nossa Senhora de Fátima (Prémio Valmor 1938), o edifício do Diário de Notícias (anos 1930, premiado em 1940), entre muitas outras.

domingo, 25 de setembro de 2022

Panorâmica sobre o Parque Eduardo VII e Rua Engenheiro Canto Resende

Era a 2ª transversal do Parque Eduardo VII, que liga a Avenida António Augusto de Aguiar à Avenida Sidónio Pais. Este topónimo resultou da aceitação de um pedido do Sindicato Nacional dos Engenheiros-Geógrafos, formulado por ofício datado de 18.09.1953 para ser atribuído «o nome do engenheiro-geógrafo Artur do Canto Resende — mártir da Pátria durante a ocupação japonesa de Timor —, a um arruamento da capital».

Panorâmica sobre o Parque Eduardo VII e Rua Engenheiro Canto Resende [c. 1960] 
O arruamento situado a norte do Parque Eduardo VII, entre a Avenida Sidónio Pais e a
Rua Castilho. passou a ser designado Alameda Cardeal Cerejeira pelo edital de 14/04/1982.
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente
 
Artur do Canto e Castro Resende (1897-1945), licenciou-se em Matemática e em Engenharia Geográfica e foi para Timor em 1937 como membro da missão de estudos chefiada pelo coronel Jorge Castilho, local onde mais tarde veio a ser presidente da Câmara Municipal de Dili, pelo que quando os japoneses invadiram Timor foi deportado para Alor onde veio a falecer devido a grandes privações e foi assim considerado um das maiores figuras da resistência contra os japoneses.
Foi também adjunto da missão de demarcação da fronteira do sul de Angola com a União Sul-Africana (1930), da missão de revisão da fronteira entre os territórios da Companhia de Moçambique a Rodésia do Sul (1932). Foi condecorado com a Ordem Militar da Torre e Espada. [cm-lisboa.pt]

Alameda Cardeal Cerejeira [c. 1952] 
Ao fundo nota-se a Avenida Sidónio Pais com a Rua Engenheiro  Canto Resende
Em 1982, a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa deu parecer favorável à
consagração do Cardeal Cerejeira no arruamento situado a norte do Parque Eduardo VII,
por considerar «que mantém plena actualidade a ideia de se construir uma catedral
no alto do Parque Eduardo VII, a Comissão é de parecer que o nome do Cardeal Cerejeira 
– percursor dessa ideia – fique perpetuado num arruamento das imediações».
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 3 de abril de 2022

Avenida António Augusto de Aguiar: cigana com burros

Os ciganos representam a maior minoria da Europa. São cerca de 11 milhões — mais do que a população de Portugal — mas não possuem registos escritos da sua história nem tão-pouco das suas andanças pelo mundo. A diáspora dos ciganos começou há 1500 anos no Noroeste da Índia e, uma vez chegados à Europa via Balcãs (mais precisamente à Bulgária), os ciganos começaram a espalhar-se por todo o continente, até à Península Ibérica. A Portugal, os primeiros ciganos terão chegado em 1462.


A não ser um ou outro cigano abastado que se domicilia, geralmente os da sua raça levam a vida errante por feiras e excursões, marchas longas, a pé ou a cavalo, com galgos para a caça. Vagueando, recolhem de noite às tendas e palheiros e, ao encontrarem nova povoação, orientam-se passeando os arredores a ver onde há gado ou aves para roubarem. Comem carne, peixe e couves misturadas, toucinho cru, porco desenterrado; e alguns há que justificam plenamente a quadra que compuseram lá em Espanha:
Un gitano se murió
Y dejó em el testamento
Que le enterrasen en viña Para chupar los sarmientos.

Avenida António Augusto de Aguiar |1909|
Cigana com burros próximo da Rua Augusto Santos.
Joshua Benoliel, iin Lisboa de Antigamente

Cigano em Portugal, gitano em Espanha, boémio em França e zíngaro na Itália, o cigano tem conservado, através do tempo e do espaço, os traços étnicos mais característicos de um povo ao qual as emigrações, com o seu ar de uma penitência eterna a remir um pecado imperdoável, em pouco lograram alterar os fundamentos. Do seu país de origem nada explicam e nada sabem ; a língua vai-se-lhes alterando mais ou menos profundamente e a ponto de serem já relativamente numerosos os dialectos ou sub-dialectos que eles falam. Mas caldarari na Hungria, ursari os da Bulgária, contratadores de gado os de Portugal, há traços dominantes que distinguem este povo nómada e disperso, notável sequer por semelhante persistência, pelos seus processos industriais quase proto-históricos e pela maneira primitiva das suas relações internacionais.

Avenida António Augusto de Aguiar |1909|
Cigana com burros; à esq. nota-se a vegetação do Parque Eduardo VII.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
F. Adolpho Coelho, Os ciganos de Portugal, 1892

sexta-feira, 25 de março de 2022

Avenida António Augusto de Aguiar

Vamos, Dilecto — convida Norberto de Araújo — , dar volta pelo lado exterior nascente do Parque [Eduardo VII], subindo o primeiro lanço de Fontes Pereira de Melo, e tomando logo por António Augusto de Aguiar, Avenidas delineadas em 1899, que com lentidão se foram edificando por dez anos adiante.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 51, 1939)

Avenida António Augusto de Aguiar [c. 1910]
O prédio de gaveto com a Av. Fontes Pereira de Melo já não existe [vd. imagem abaixo]; sublinhe-se que até 1 de Junho de 1928, a circulação de viaturas em Portugal fazia-se pela esquerda, como se pode constatar nesta imagem; à esquerda o Parque Eduardo VII (antes de ser rasgada a Av.  Sidónio Pais).

Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Avenida António Augusto de Aguiar, 2
O prédio de gaveto com a Av. Fontes Pereira de Melo foi demolido em 2014.
Postal ilustrado, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Uma montanha-russa no Parque Eduardo VII

A Avenida [da Liberdade] tinha os seus coretos onde aos domingos tocavam as bandas, a Rotunda tinha os tapumes de metro e meio para a futura estátua do Marquês e o Parque de Eduardo VII era um terreiro escalvado que servia para tudo, como os campos da feira das terras da província. 
Havia revoluções, o primeiro golpe estratégico era conseguir ocupar a Rotunda. Abriam-se trincheiras, colocavam-se peças e começavam a bombardear da Rotunda. Nos intervalos das escaramuças políticas, o alfacinha pegava no farnel e no garrafão e ia arejar para a Rotunda. Aparecia uma companhia de circo com montanha russa e fantoches, acampava na Rotunda. O grande Luna-Park foi a delícia dos lisboetas. [...] 
Na Rotunda caía Lisboa em peso. Comia-se um petisco e dava-se um passeio nas águas mansas já que a ida até Cacilhas era um prazer muito experimentado.

Parque Eduardo VII [193-]
A montanha-russa do Luna-Park — quando funcionou pela primeira vez — junto à Avenida António Augusto de Aguiar.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
AMARO, José, Cartas de um moinho saloio, p. 161, 1974.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Palácio e Parque José Maria Eugénio

O antigo Palácio José Maria Eugénio [de Almeida] situa-se entre o Largo de S. Sebastião da Pe­dreira, o começo da Estrada Palhavã [actual Rua Dr. Nicolau Bettencourt], a Rua Marquês de Sá da Bandeira e a Avenida Duque de Ávila, sobre a qual se estende o recente muro do jardim, com seus portões e guaritas soerguidas. As fachadas mantêm-se como em 1860, época da reedificação.


No primeiro quartel do século XVIII este sitio de S. Sebastião da Pedreira, onde viria a ser edificado o palácio ainda hoje denominado «de José Maria Eugénio» — tradição oral mais pró­xima — era quase completamente rústico, com uma ou outra casa a animar as imediações da igreja de S. João da Pedreira. Fazia-se por aqui caminho para Palhavã, onde já se erguia desde há muito o Palácio dos Condes de Sarzedas. O arquitecto francês Fernando Larre, que servira D. João V, cobiçou o local e fez nele erguer, cerca de 1780, um palácio, sólido e amplo, que não sofreu grande dano pelo Terramoto. Do primeiro Larre passou a propriedade, que desfrutava de uma larga área arborizada, para um filho, e deste para o neto do fundador, Fernando Larre Garcez Lobo Palha e Almeida, que foi Provedor dos Armazéns, cargo que andava na sua família, e extinto em 1798 (o actual Largo de S. Sebastião da Pedreira chamava-se então «do Provedor dos Armazéns»). Morreu o terceiro Larre em 1797, e o palácio continuou na posse de seus descendentes, no mesmo aspecto primitivo, mas interiormente muito, beneficiado. Haviam trabalhado nas decorações o famoso estucador João Grossi, o continuador, deste, Félix Salla, e os ornamentistas Biel e Gomassa. 

Panorâmica sobre S. Sebatião da Pedreira [c. 1900]
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Legenda:

1 - Palácio e Parque José Maria Eugénio [ou Palácio Vilalva]; 2 - Largo de S. Sebastião da Pe­dreira; 3 - Palácio Sá da Bandeira; 4 - Praça de Touros do Campo Pequeno

Em 1860 a propriedade veio às mãos de José Maria Eugénio de Almeida, opulento capitalista, um dos sócios do «real contrato do tabaco, sabão e pólvora» e foi este homem quem promoveu a reedificação e ampliação do palácio, no estado em que hoje sensivelmente se encontra, obra levada a efeito pelo arquitecto decorador Cinatti. Com o aproveitamento da área arborizada construiu-se o Parque José Maria Eugénio [ou de Santa Gertrudes], então mais dilatado, fronteiro aos jardins posteriores do palácio, os quais se estendiam até ao eixo da Avenida Duque de Ávila do nosso século [séc. XX] então estrada estreita com sua porta da circunvalação. O escultor Calmeis trabalhou nas emoldurações exteriores da frontaria. 
O Parque [de Santa Gertrudes], rodeado inteiramente de muros ameados, tornou-se uma das curiosidades de Lisboa, e nele esteve instalado o Jardim Zoológico de 1890 a 1909 [vd. 2ª imagem].

Planta do Jardim Zoológico D’Acclimação de Lisboa [1883]
Entre 1883-1895 instalou-se no Parque de Santa Gertrudes o Jardim Zoológico e d’ Acclimação de Lisboa, in Lisboa de Antigamente

O Palácio dos Larres [vd. carta abaixo à esq.] perdeu o aspecto setecentista e tornou-se um belo edifício, mais burguês do que nobre, embora se houvessem aproveitado as ricas decorações interiores, à base de estuque em preciosos relevos. O filho e sucessor de José Maria Eugénio, Carlos Maria Eugénio de Almeida, pre­tendeu valorizar a propriedade iniciando a construção de uns anexos, em tipo inglês de castelo, destinados a cocheiras e aposentadorias, os quais não se concluíram e ainda hoje se mostram em pitoresco aspecto sobre a Estrada de Palhavã. 
Carlos Maria Eugénio casara com D. Maria do Patrocínio de Barros Lima, e do casal os únicos dois filhos, Condes de Vilalva e de Arge, não sobreviveram a sua mãe, falecendo, respec­tivamente, em 1987 e 1989. Por morte, em 1940, da viúva de Carlos Maria Eugénio, sucedeu no senhorio da propriedade, já então reduzida na parte do Parque, por expropriações municipais, o engenheiro agrónomo, Vasco Maria Eugénio de Almeida, 2.° Conde de Vilalva, filho do primeiro do titulo. 

Parque José Maria Eugénio [1909]
[Santa Gertrudes]
Planta Topográfica de Lisboa, de Silva Pinto

in Lisboa de Antigamente

Quinta do Provedor dos Armazéns [1801]
Carta Topographica de Lisboa de José D. Fava
in LdA















 
Em começo de 1946 o Estado adquiriu àquele bisneto do reedificador, para o Ministério da Guerra, o palácio que fora dos Larres, provedores dos armazéns, e de José Maria Eugénio de Almeida, nome este que perdura. Realizaram-se então no edifício largas obras de beneficiação, adaptação e de nova distribuição de salas, com construção dos anexos, dentro do grande jardim posterior, e de um muro sobre a Avenida Duque de Ávila, com ângulos adorna.dos de elegantes guaritas de vigia. Estes transformações foram dirigidas pelos arquitecto António Quinina e engenheiros João de Deus Pimentel e Filipe Ribeiro. 

Panorâmica sobre  Parque José Maria Eugénio  [c. 1900]
No ano de 1868 inicia-se a construção das cocheiras (ao centro) do Palácio Vilalva, segundo um projeto de Cinnati
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O edifício foi destinado a Quartel General do Governo Militar de Lisboa, havendo sido inau­gurado em 28 de Agosto de 1948, mas já dias antes militarizado, depois de, em 28 de Maio desse. ano, no salão nobre se haver efectuado uma grande reumião de oficiais superiores do Exército. 
Quanto ao que resta do formoso Parque José Maria Eugénio — onde nos últimos anos se tem realizado a «Feira Popular» — ele é ainda propriedade do Conde de Vilalva. 

Nota(s): Pode o estimado leitor ver mais imagens e pormenores deste Palácio e Parque José Maria Eugénio na nossa página de Facebook.
_________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, fasc. VIII. 1950.
Gulbenkian.pt.

domingo, 7 de janeiro de 2018

A «Torrinha», a Vale de Pereiro

Também a «estampa antiga» do sítio do Parque [Eduardo VII] — recorda-nos o olisipógrafo Norberto de Araújo — foi desfigurada com o desaparecimento da «Torrinha», uma curiosa vivenda octogonal (Quinta da Torrinha, que deu nome à Estrada), situada um pouco acima do actual lago, e demolida em Abril de 1916.¹


Mereceu a Torrinha — com o seu andar «feito à romana», em forma de mirante — larga referência de Matos Sequeira em «Depois do Terramoto» onde o mestre olisipógrafo fixou algumas efemérides da dita casa «seguramente do século XVIII [1764?]», descrevendo-a como «a célebre Torrinha» que, «por tanto tempo, alindou com o seu ar um tanto ou quanto misterioso, aquele local.»
Esculápio em O Século  de 21 de Abril do ano último [1916] — prossegue o mesmo autor —, fez, como extremado amigo da cidade, o seguinte episódio ao pobre torreão setecentista do dr. José de Sousa Monteiro:
Vetusto monumento  de  fé republicana de outras eras, anda o camartelo municipal a derruí-la, para dar «seguimento ao parque Eduardo  VII,  que já se desenha «esplendoroso ao cimo da Avenida, coroando a rotunda «e o lugar onde, para as calendas gregas, se há-de erguer «a tão falada estátua ao Marquês de Pombal. O leitor amante das antiguidades de Lisboa que vá vê-la nos «seus derradeiros momentos, a célebre Torrinha onde se faziam dantes os comícios republicanos e onde os janízaros da municipal se fartaram de espadeirar o «povo e os propagandistas da ideia nova. Faz pena ver «a Torrinha a cair aos bocados, em holocausto ao progresso e ao aformoseamento da plástica citadina!

Dão-te a morte; coitadinha,
E tu morres fria e calma
Torrinha que eras  Torrinha,
Do teatro da minha alma.

A Torrinha [1888]
Parque Eduardo VII, antigo Parque da Liberdade, antes Vale de Pereiro
Legenda da foto: «Exposição Pecuária Nacional em 1888»
Augusto Bobone,in Lisboa de Antigamente

Os lisboetas das gerações mais novas, quando olham para a vasta área ajardinada e arborizada do Parque Eduardo VII, com a sua grande tira de relva ao centro, a Estufa Fria e os trechos arborizados que circundam lagos com cisnes em torno dos quais as crianças brincam sob o olhar das mães ou das nurses, o Pavilhão dos Desportos e ainda a Avenida Sidónio Pais, flanqueada de prédios de luxo, dificilmente podem imaginar o conjunto rústico de quintas e terras de semeadura, olivais e velhos casarões de tipo arrabaldino que se estendiam entre a Rua de Artilharia Um e o caminho de Andaluz até São Sebastião da Pedreira.

A Torrinha, poente [1888]
Parque Eduardo VII, antigo Parque da Liberdade, antes Vale de Pereiro
Legenda da foto: «Exposição Pecuária Nacional em 1888»
Augusto Bobone, in Lisboa de Antigamente

Dentre essas casas edificadas nas várias quintarolas chamava as atenções a «Torrinha» não por grandiosa ou de magnificente porte ou estilo, mas pela particularidade de ter, como parte destacada, a flanco dumas casitas modestas uma torre octogonal, rasgada de janelas em dois pisos acima do rés-do-chão, coberta por um telhado em forma de pirâmide também octogonal e toda ela pintada de cor-de-rosa, constituindo um traço fisionómico muito característico de paisagem olisiponense.²

A Torrinha [entre 1885 e 1916]
Parque Eduardo VII, antigo Parque da Liberdade, antes Vale de Pereiro
Ao fundo à esq. vê-se a Cadeia Penitenciária de Lisboa
Fotógrafo não identificado, in Photographias de Lisboa, Marina Tavares Dias

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 48, 1939.
² Olisipo: boletim do Grupo "Amigos de Lisboa.", Volumes 21-23. 1958.

domingo, 19 de novembro de 2017

Hotel Ritz

A construção do hotel Ritz, projectado pelo arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, teve início em 1952 e  foi inaugurado em 1959. Para a distinção do Ritz, ainda hoje uma referência no quadro da hotelaria nacional, muito contribuíram consagrados artistas, entre os quais Almada Negreiros, Sarah Afonso, Barata Feyo ou Carlos Botelho. Por indicação do regime de então, ansioso por ter na capital uma unidade de luxo com todos os requisitos da hotelaria moderna, foi constituída, especialmente para este efeito, uma Sociedade de Investimentos Imobiliários (Sodim), da qual fazia parte, entre outros, o banqueiro Ricardo Espírito Santo. Refira-se que em 1959 — quer modernos quer conservadores — não gostaram do que viram, tendo sido muito criticadas as opções artísticas adoptadas para o hotel. Consta, até, que o próprio Salazar — que só visitou o Ritz uma única vez, numa pré-inauguração exclusiva —, não apreciou nada do que lhe foi dado ver no hotel, tendo permanecido em silêncio durante a visita acabando por sair pela porta de serviço das cozinhas, não tendo mais lá sido visto, nem sequer para inaugurarão oficial, à qual, aliás, se recusou a comparecer.
A publicidade ao Ritz dava-o como «O Grande Hotel de Lisboa». Estava equipado com trezentos quartos, todos com sala de banho privativa revestida de mármore, e anunciava-se ambiente climatizado e ventilação garantida por aparelhagem silenciosa. Um must daquele tempo.

Hotel Ritz [1959]
Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca; Rua Joaquim António de Aguiar; Rua Marquês de Subserra
Obras do metropolitano, vendo-se à esquerda a estátua do Marquês de Pombal e, em baixo, os terrenos do antigo Palácio Sabrosa; ao fundo vê-se o hotel Ritz
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Situado no topo de uma colina no coração de Lisboa, a quinze minutos do aeroporto e a dez minutos da baixa e zona histórica de Lisboa, o hotel reflecte o encanto e história de Portugal na sua arquitectura e interiores espaçosos. Trata-se de uma construção de grande monumentalidade, acentuada pela sua dimensão, pela sua perfeita geometria e pelo revestimento integral das fachadas a mármore. Oferece 284 amplos quartos, com luxuosos quartos de banho em mármore, varandas debruçadas sobre o Parque Eduardo VII, com vistas fabulosas sobre a cidade. O (agora) Four Seasons Ritz Hotel detém mais de 600 obras de arte, desde tapetes e carpetes artesanais, pinturas e esculturas que ornamentam os halls de mármore do hotel. Os seus hóspedes têm ao seu dispor o centro de negócios, 'fitness centre' muito bem equipado, spa e a piscina interior. Do restaurante 'Varanda'' desfruta-se de excelente vista para o Parque Eduardo VII e para os terraços do hotel e oferece o melhor da cozinha portuguesa e internacional. O 'Ritz Bar'' com decoração onde predominam as cores vermelho e preto, tem música ao vivo em piano.

Hotel Ritz [1959]
Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca; Rua Joaquim António de Aguiar; Rua Marquês de Subserra
António Passaporte, 
in Lisboa de Antigamente
Hotel Ritz vista tomada do Parque Eduardo VII [c. 1960]
Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca; Rua Joaquim António de Aguiar; Rua Marquês de Subserra
António Passaporte (Loty), 
in Lisboa de Antigamente

O interior, luxuosamente desenhado, acolhe mobiliário fabricado expressamente nas oficinas da Fundação Ricardo Espírito Santo, assim como obras de arte moderna dos mais consagrados artistas da época, como Almada Negreiros, Querubim Lapa, Martins Correia, Lagoa Henriques, Sara Afonso e Carlos Botelho contribuíram para a decoração com valiosas obras. Carlos Calvet e Lino António criaram motivos para tapeçarias, produzidas na fábrica de Portalegre.
O Hotel, incluindo o seu património integrado, encontra-se classificado como Monumento de Interesse Público.

Hotel Ritz [c. 1959]
Neste sala estão presentes tres tapeçarias "Centauros" do mestre Almada Negreiros inspiradas na mitologia grega
Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca; Rua Joaquim António de Aguiar; Rua Marquês de Subserra
Amadeu Ferrari, 
in Lisboa de Antigamente
Hotel Ritz, restaurante 'Varanda'' [c. 1959]
Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca; Rua Joaquim António de Aguiar; Rua Marquês de Subserra
Amadeu Ferrari, in Lisboa de Antigamente

Também digna de admiração é a principal escadaria de acesso ao Salão Nobre com um mural lacado de Pedro Leitão e madrepérola de Arnaldo Louro de Almeida e, ao descer, chega-se junto da coluna do mestre ceramista Querubim Lapa, um verdadeiro totem artístico.

Hotel Ritz
Coluna do mestre ceramista Querubim Lapa e mural lacado de Pedro Leitão e madrepérola por António Louro de Almeida.
 
N.B. Caso esteja interessado e disponha de 30 minutos, aconselhamos ao prezado leitor  uma visita guiada, pela mão da RTP, a este edifício icónico da cidade de Lisboa. Vale bem a pena, acreditem.
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Bibliografia
BRASÃO, Inês, Hotel, os Bastidores, 2017.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

A Feira de Agosto no Parque Eduardo Vll

Noutros tempos, quando havia comício ou festa — a feira d'Agosto, encantos meus! —, as poucas árvores ramalhudas, centenárias (que é feito delas?) ficavam pretas de garotos como pardalada. E havia picnics pelas raras sombras.


Nos terrenos do que seria o Parque Eduardo VII, assim denominado após a visita do monarca inglês em 1903, «um belo espaço da natureza, com altos e baixos, velhas árvores, arbustos, ervaçal e mato», realizava-se, em Agosto, uma Feira. Raul Proença mostra-nos o parque, «ainda em construção, já com alguns lindos lagos», que embora «poucas curiosidades» ofereça, constitui «um cantinho de natureza luxuriante e pródiga». 

Vista aérea sobre o Parque Eduardo VII [c. 1934]
Feira de Agosto
Av. da Fontes Pereira de Melo; Praça do Marquês de Pombal: Rua Castilho; Av. António Augusto de Aguiar
Pinheiro Corrêa,in Lisboa de Antigamente

Era, para Aquilino, ainda antes de ser baptizado de Eduardo VII, esse «belo espaço da natureza», para onde ia sempre que lhe apetecia «um mimo rural». Datam de 1887 os primeiros projectos para o parque, então designado por Parque da Liberdade, sendo o Engenheiro Ressano Garcia o responsável pela proposta de abertura do concurso internacional, do qual sai aprovado o projecto do arquitecto paisagista Henri Lusseau.

Feira de Agosto, entrada  [Início séc. XX]
Praça do Marquês de Pombal Avenida da Fontes Pereira de Melo (Palacete Sabrosa)
Alexandre Cunha, in Lisboa de Antigamente
Feira de Agosto  [1911]
Praça do Marquês de Pombal Avenida da Fontes Pereira de Melo (Palacete Sabrosa)
Artur Benarus, in Lisboa de Antigamente
Feira de Agosto  [1911]
Praça do Marquês de Pombal Avenida da Fontes Pereira de Melo (Palacete Sabrosa)
Artur Benarus, in Lisboa de Antigamente

A vida alfacinha — relembra-nos Norberto de Araújo —, ingénua e pitoresca, essa teve no Parque um pouco de desafogo, com a episódica «Feira de Agôsto», que funcionava quando se proclamou a República; nela existiram os teatrinhos «Maria Vitória» e «Júlia Mendes» — nomes de duas actrizes populares, de mal fadado destino —, e se manteve a tradição das barracas das farturas e da Maria Botas, que vinham das velhas feiras de Belém e de Alcântara. Também a «estampa antiga» do sítio do Parque foi Parque foi desfigurada com o desaparecimento da «Torrinha», uma curiosa vivenda octogonal (Quinta da Torrinha, que deu nome à Estrada), situada um pouco acima do actual lago, e demolida em Abril de 1916.

Feira de Agosto, entrada [1910]
Teatro Júlia Mendes
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Feira de Agosto, entrada  [entre 1901 e 1910]
À esquerda a «vivenda octogonal» da Quinta da Torrinha
Autor desconhecido, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
MIGUÉIS, José Rodrigues. «Da Mania das Grandezas», in As Harmonias do Canelão.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, 1939.
JANEIRO, Maria João, Lisboa: histórias e memórias.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Lago do Parque Eduardo VII

O Parque-no seu inicio e no primitivo sonho paisagista, assim podemos dizer-data da penúltima década do século passado (1885), e seu primeiro nome, caído em esquecimento, foi o de Parque da Liberdade. (ARAÚJO, 1939)


Denominado Parque da Liberdade, foi rebaptizado, por deliberação da C.M.L., em sessão realizada a 13 de Abril de 1903, por ocasião da visita a Lisboa do Rei de Inglaterra, Eduardo VII.
Em 1887, Ressano Garcia, engenheiro da Câmara Municipal de Lisboa , propõe um concurso internacional de ideias, visando o arranjo paisagístico do local.

Lago do Parque Eduardo VII [1933] 
Ao fundo, a Rua Artilharia 1
 Festas da Semana dos Inválidos do Comércio.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Dos vinte e nove projectos concorrentes, em reunião de Câmara, a 5 de Fevereiro de 1895, a unanimidade da votação recaiu sobre o projecto apresentado por Henri Lusseau, projecto esse com uma estrutura de cariz romântico, traçando alguns lagos, implantando o «belveder», de acordo com a morfologia do terreno e a construção de um Palácio de Exposições e Festas.

Lago do Parque Eduardo VII [1932]
Ao fundo, o monumento ao Marquês de Pombal em construção.
Regatas no lago do parque Eduardo VII, durante as festas dos vendedores de jornais

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O Parque era, na altura, cenário de feiras, de exposições e de divertimentos e, em 1929, constrói-se um grande lago, na zona pensada por Lusseau, a sul do actual Clube VII e junto dos portões de entrada.
(jf-avenidasnovas.pt)

Lago do Parque Eduardo VII [1940]
Ao fundo, a Rua Castilho

Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
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