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Sunday, 14 January 2024

Avenida Vinte e Quatro de Julho: velhas inundações, novíssimo Mercado

O novo Mercado da Avenida 24 de Julho ou Mercado da Ribeira Nova, como também ficou conhecido, foi projectado pelo engº Ressano Garcia. Tinha 10 mil metros quadrados de área coberta e foi inaugurado em 1 de Janeiro de 1882. Em 1893 foi parcialmente destruído por um incêndio e acabou por ser demolido em 1926.
A reconstrução, ficou a cargo do arqº João Piloto e ficou concluída em 1930, com a instalação da cúpula com um lanternim.
Os lisboetas ficaram tão espantados ao verem uma cúpula num mercado decorado com frescos com motivos hortícolas pintados pelo italiano Gabriel Constanti que lhe chamavam a «Mesquita do Nabo».

Avenida Vinte e Quatro de Julho |1929-12-05|
Antiga Rua 24 de Julho e antes Aterro da Boavist
a
|Praça Dom Luís I; Mercado da Ribeira
.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Avenida Vinte e Quatro de Julho |1932-12-09|
Antiga Rua 24 de Julho e antes Aterro da Boavist
a
Mercado da Ribeira em fase final de construç
ão.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Na sessão da C.M.L. de 10/02/1862 foi apresentada uma proposta no sentido de que no Aterro da Boavista no terreno confinante, pelo norte com a Casa da Moeda, pelo sul com o Tejo, pelo nascente com o Forte de São Paulo e pelo poente com a Rua 24 de Julho, se formasse uma Praça e que a mesma tivesse a denominação de Praça Dom Luís I. O topónimo Praça de Dom Luís I foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa após Deliberação Camarária de 10/02/1862.
A Comissão Consultiva Municipal de Toponímia, na sua reunião de 19/01/1950, propôs alterar os nomes da Praça Dom Luís I e da Rua Dom Luís I, para Praça e Rua Marquês de Sá da Bandeira, em virtude de existir na praça um monumento ao ilustre fidalgo. Esta alteração nunca se efectivou e o marquês foi homenageado na toponímia, mas nas freguesias de Nossa Senhora de Fátima e São Sebastião da Pedreira.

Avenida Vinte e Quatro de Julho |1932-09-21|
Antiga Rua 24 de Julho e antes Aterro da Boavist
a
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Avenida Vinte e Quatro de Julho |1929-12-05|
Antiga Rua 24 de Julho e antes Aterro da Boavist
a
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Friday, 28 February 2020

Boqueirão do Duro (actualizado)

Ignora-se o motivo da denominação, mas parece que os boqueirões eram antigos escoadoiros que se abriam para o rio, e conservaram o nome depois de enxutos e transformados em vielas. Júlio de Castilho — Ribeira de Lisboa, p. 340 — diz que a Rua da Moeda começou por ser um boqueirão, inundado de agua, ao longo do qual se recordava de ter visto fragatas de carga.

Boqueirão do Duro [c. 1910]
Perspectiva tirada da Av. 24 de Julho
José Artur Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Estende-se no chão vizinho ao antigo Cais do Tojo e no sítio da velha marinha da Boa Vista — refere Luís Pastor de Macedo (Lisboa de Lés-a-Lés, vol. III). Segundo verificámos em vários processos de emprazamentos, da freguesia de Santos, o boqueirão do Duro só aparece com este nome depois do incêndio que houve no Cais do Tojo em 1821.

Boqueirão do Duro [1939-05-07]
Perspectiva tirada da Av. 24 de Julho
Incêndio estabelecimentos Vulcano e Colares.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

E agora chega a vez ao boqueirão. Como nomes de arruamentos há em Lisboa pelo menos dois: Boqueirão do DuroBoqueirão dos Ferreiros, que ambos vão desembocar ao Atêrro [hoje Av. 24 de Julho], sinal de que noutro tempo desembocavam no Tejo. Ou era o Tejo que por eles embocava na margem?

Boqueirão do Duro [1945]
Perspectiva tirada da Av. 24 de Julho; inundações.
Judah Benoliiel, in Lisboa de Antigamente

Friday, 23 March 2018

Rua das Portas de Santo Antão

Mas era à boca de Santo Antão — refere o olisipógrafo Norberto de Araújo — que começava esta movimentada «rua dereyta» de palácios e jardins. conventos e igrejas, pátios e eirados. Neste pedacinho até à Anunciada [largo da] do Convento das dominicanas, erigido sobre a casa dos agostinhos de Santo Antão de 1400 — e eis a razão do nome da rua [...].¹ 


Rua das Portas de Santo Antão [1938]
Largo de S. Domingos; Teatro D. Maria
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Remotamente foi aqui, e por aí fora, «Corredoura» — que é como se dissesse «rua direita» — era então Lisboa, logo adiante do Rossio de Valverde, «terra de arrabalde». A «Corredoura» servia para corridas e s e, assim, logo no século XIV a designação passou a ser de «Carreira de Cavalos». Em 1373-1375 construiu-se a nova Cerca muralhada de D. Fernando, abrindo-se neste sitio uma das portas. primeiro chamada de «S. Domingos» e logo no principio do século XV «de Santo Antão». [...]

Rua das Portas de Santo Antão [191-]
Igreja de São Luís dos Franceses; ornamentações na antiga Rua de Santo Antão
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Depois do Terramoto a velha Porta, ou Arco, de Santo Antão sofreu demolição, como quási todas as da Cerca de D. Fernando, pois ficara muito arruinada. O dístico de Rua das Portas de Santo Antão não ia além de S. Luiz [igreja de], e perdurou até Setembro de 1859, entrando depois a artéria a chamar-se simplesmente Rua de Santo Antão até ao Largo da Anunciada. Em 3 de Agosto de 1911 o nome tradicional modificou-se para o de Rua Eugénio dos Santos [até 1956] (o arquitecto da nova Cidade).²
_______________________________________
Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 207, 1943.
² ibid., Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 103-104, 1939.

Wednesday, 11 May 2016

Rua do Comércio, inundações

Pela primeira regulamentação toponímica, o decreto régio de 1760 que consagra as denominações da Baixa Pombalina, foi atribuído o topónimo Rua Nova de El Rei. Depois, por deliberação camarária de 1889 passou a denominar-se Rua de El Rei. A última denominação desta artéria e que se mantém até aos nossos dias, Rua do Comércio, foi fixada pelo primeiro edital da vereação republicana na edilidade lisboeta, com data de 5 de Novembro de 1910.

Rua do Comércio [1945]
Antiga de El-Rei vulgo dos Capelistas; Sé de Lisboa
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Rua do Comércio com a Rua Áurea [1932-09-21]
Antiga de El-Rei vulgo dos Capelistas. Ao fundo note-se a Praça do Município
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Friday, 18 March 2016

Rua de Xabregas: Convento de S. Francisco de Xabregas e a procissão dos coentros

Quanto à origem deste topónimo existem duas versões: a popular e a erudita, às quais acresce uma curiosa e remota tradição popular: a procissão dos coentros. Nos inícios do século XX, Alberto Pimentel, no seu livro A Extremadura Portugueza, a respeito desta zona da cidade, escrevia:


Uma antiga tradição diz, quanto á etimologia de Xabregas, que em tempos muito anteriores a Afonso III havia n'este sitio um lavadouro publico, onde eram frequentes as rixas entre o mulherio. À falta de policia, umas lavadeiras procuravam acomodar as outras, gritando-lhes leixa bregas (deixa brigas), d'onde viria, ou não viria talvez, o nome ao lavadouro e depois à povoação: Enxobregas ou simplesmente Xabregas.
E já que estamos em maré de tradições remotas, contarei outra.
Às hortas de Xabregas vinha outrora uma original procissão, que no retorno a Lisboa volvia mais original ainda.
Era a procissão dos coentros.
Os pescadores de Alfama e todos os outros pescadores e embarcadiços da cidade costumavam, na véspera do dia de S. Pedro Gonçalves, trazer o andor d'este seu milagroso patrono até Xabregas, em cujos campos passavam o dia folgando devotamente.
Todos os marítimos vestiam para esse efeito as suas melhores roupas e garridamente se ataviavam de louçanias.
Mas para voltar à cidade colhiam em Xabregas quantos coentros verdes encontravam, e com eles enramavam a cabeça, a si mesmos e ao santo, e assim engrinaldados reconduziam o andor florido até repo-lo no templo.
No século XVI o arcebispo D. Fernando de Menezes proibiu a procissão dos coentros por lhe parecer excessivamente gentílica; mas fez-se um milagre, ou o povo julgou que se fizera, e o prelado teve que levantar a proibição. »
(PiIMENTEL, Alberto, A Extremadura Portugueza, vol. II, p. 210, 1908)

Rua de Xabregas [1926]
Rua de Xabregas (antiga Rua Direita de Xabregas), Convento de S. Francisco de Xabregas
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Quanto a Xabregas, a fantasia popular inventou-lhe uma origem em leixa bregas (deixa brigas), expressão que seria frequentemente usada num lavadouro público, existente no lugar, quando entre as mulheres surgiam brigas... Também aqui, ainda a toponímia histórica não deu uma explicação segura. Nos documentos medievais, aparecem variadas formas: Exevregas, Exabregas, Eyxebregas, Enxobregas. Como Xabregas fica junto ao Tejo, há quem relacione o nome com xavega (do ár. xabaka), rede de arrasto. Mas tendo em conta os diversos vestígios romanos encontrados na zona (marco miliário, lápide, sarcófago) pode supôr-se a existência de uma povoação chamada Axabrica.==
(CONSIGLIERI, Carlos, RIBEIRO, Filomena, VARGAS, José Manuel, ABEL, Marília, Pelas Freguesias de Lisboa, Lisboa Oriental) 

Rua de Xabregas [post. 1902]
Bilhete postal da década de 1900, não circulado
Edição Costa - BP n​°576

O Convento de S. Francisco de Xabregas fundado em 1456, sobre as ruínas do antigo Paço de Xabregas, sob a invocação de Sta. Maria de Jesus, o qual foi entregue aos frades franciscanos, pelo que ficou mais conhecido por Convento de S. Francisco de Xabregas. Muito danificado pelo terramoto de 1755, foi demolido e totalmente reconstruido, ainda, na 2ª metade do séc. XVIII. A actual igreja, pombalina, apresenta planta oitavada, torre sineira recuada e fachada principal integralmente revestida de cantaria, delimitada lateralmente por pilastras lisas e rematada no topo por frontão com a pedra de armas de D. José. As dependências conventuais desenvolvem-se para ambos os lados da fachada da igreja. 
Na sequência da extinção das ordens religiosas a igreja foi profanada e saqueada, assim como o resto do edifício, perdendo-se o seu valioso recheio. Desde essa data a zona conventual conheceu sucessivas ocupações, nomeadamente serviu como quartel do exército, fábrica de tecidos, armazém de tabacos, foi transformada em unidade industrial, até que acolheu o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), desde 1988, enquanto que na antiga igreja barroca se instalou o Teatro Ibérico, desde 1980.

Rua de Xabregas [1933]
Rua de Xabregas (antiga Rua Direita de Xabregas), Convento de S. Francisco de Xabregas
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

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