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Sunday, 25 August 2024

O Sítio de Belém

Assinala Norberto de Araújo que Belém — orgulhoso sítio da antiga Lisboa arrabaldina — nasceu do Restelo, praia e lugar, Barra ou Surgidouro do Restelo, ao qual as navegações do século XV emprestaram notoriedade, ainda que o Restelo já de si falasse nos séculos anteriores. [...]

Rua de Belém |1930-11-09|
Legenda no arquivo: «A chegada do príncipe do Japão ao palácio de Belém».
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Em 1835 tornou-se concelho independente do de Lisboa, e assim, com sua Câmara Municipal, viveu até 1885, ano de reorganização administrativa, ficando, então, como hoje, Belém a constituir uma freguesia senhora de si.

Rua de Belém |1939-02|
Lado S. antes das demolições de prédios e de alguns arruamentos por ocasião da Exposição do Mundo Português que teve lugar em 1940. Ao fundo nota-se o Mosteiro dos Jerónimos.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

No quarteirão entre as Travessas das Linheiras e da Praça na esquina poente, podes observar esse prédio altaneiro, com ar solarengo vencido pela desfortuna, e que contribui para tornar simpático este troço da velha Belém.

Rua de Belém com a Tv. da Praça |193-|
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, pp. 67-73, 1939.

Sunday, 14 May 2023

Panorâmica de Lisboa tomada do Jardim de S. Pedro de Alcântara

Para lá do vale da Baixa, a colina de S. Pedro de Alcântara, «varanda do Bairro Alto», «janela de Lisboa aberta sobre Lisboa». «Grande panorama», diz-nos Norberto de Araújo, e exclama também o conselheiro Acácio. O conselheiro e Luiza «foram encostar-se às grades» e, «através dos varões, viam, descendo n'um declive, telhados escuros, intervalos de pátios, cantos de muro com uma ou outra magra verdura de quintal ressequido [...]»
Varanda dos amores românticos — prossegue o autor das Legendas—  do tempo em que era alameda — S. Pedro de Alcântara é um dos mais ternos miradouros naturais da cidade. [...]
Para nascente e sul, o Castelo, recortado sobre a peanha pintalgada da cidade velha; as torres alvíssimas de S. Vicente espreitando da linha do horizonte, acima do casario; a Graça, generosa, entregando-se toda; S. Gens, minúsculo, pousado no outeiro que cai sobra as Olarias; a , flanqueada de torres, morena, muito severa...

Panorâmica de Lisboa tomada do Jardim de S. Pedro de Alcântara
Fotografia anónima s.d., ant. a 1887

São identificáveis na fotografia (ant. a 1887): logo abaixo do gradeamento — proveniente em parte do Palácio da Inquisição (ou dos Estaus) no Rossio — o tabuleiro inferior do Jardim e miradouro de S. Pedro de Alcântara (com os bustos dos notáveis de Portugal); na extrema esquerda baixa, observa-se o Palácio dos Castello-Melhor, hoje Palácio Foz, e a antiga torre sineira da capela de N. S. da Pureza (demolida em 1902 após incêndio no palácio) virada à Calçada da Glória; acima, o Monumento dos Restauradores, em construção e com os andaimes ainda montados; para nascente do monumento ainda são visíveis os portões e a cerca do antigo Passeio Público (poente) (demolido c. 1885); no recanto ocidental dos Restauradores, onde hoje se encontra a Estação do Rossio (1890) e o Éden (1914), vê-se a cúpula do antigo Circo Whyttoyne, erguido em 1875 e demolido em 1887
Acima do obelisco vê-se o Palacete Anjos (hoje CTT), atrás deste nota-se a torre sineira da Igreja dos Franceses e acima desta a Cerca do Convento da Encarnação na Calçada de Sant'Ana e, à esquerda deste, o ingreme Beco de São Luís da Pena; em último plano, o Convento da Graça e as torres de S. Vicente de Fora e, ao centro o Castelo de S. Jorge e à direita a Sé de Lisboa.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 114.
QUEIROZ, Eça de, O Primo Basílio, 1878.

Thursday, 10 June 2021

Mosteiro dos Jerónimos: Túmulo de Luiz de Camões

No túmulo de Luiz de Camões, assim está escrito: "Aqui jaz Luís de Camões, Príncipe dos poetas de seu tempo. Viveu pobre e miseravelmente e assim morreu."

 
Em 1880, as ossadas de Vasco da Gama e do poeta Luiz de Camões foram trasladadas para o Mosteiro dos Jerónimos. Os seus túmulos, da autoria do escultor Costa Mota tio, encontram-se no sob-coro da igreja. Vasco da Gama (do lado norte) e Luís de Camões (do lado sul) foram os dois representantes máximos da epopeia lusíada, que mereceram a honra de repousar ao lado de reis. Luiz de Camões, filho de Simão Vaz de Camões e Ana de Sá Macedo, nasceu em 1524(?), tendo feito os seus estudos em Coimbra.
 
Túmulo de Luiz de Camões [ant. 1946]
Mosteiro dos Jerónimos
Fotografia anónima, in Lisboa de Antigamente

Em Ceuta, onde combateu os Mouros, perde um dos olhos. De regresso a Lisboa, é preso, em 1552, devido a uma rixa com um funcionário da Corte. Em 1553 é perdoado pelo rei e parte para a Índia, onde tomou parte em várias expedições militares. Segundo alguns autores compôs nesta altura o primeiro canto de Os Lusíadas. Em Macau exerceu o cargo de provedor-mor de defuntos e ausentes. Em 1569 regressa a Lisboa, publicando a obra Os Lusíadas três anos mais tarde. Morre em 10 de Junho de 1580, doente e na miséria.

Túmulo de Luiz de Camões [ant. 1946]
Mosteiro dos Jerónimos
Inscrição no túmulo: « PARA SERVIR-VOS, BRAÇO ÀS ARMAS FEITO;
PARA CANTAR-VOS, MENTE ÀS MUSAS DADA.
*LUSÍADAS * CANTO X * ESTANCIA CLV »
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 14 June 2020

Mosteiro dos Jerónimos: desabou tudo com estampido idêntico ao do trovão subterrâneo

Parte do antigo mosteiro arruinado ameaçava desabar: havia anos que tinham resolvido reedificá-lo. Era um corredor comprido e estreito que nos tempos primitivos deveria ter servido de passeio reservado aos frades. A Casa Pia, que ocupa , como já disse, o antigo claustro, destinava as novas construções para aumento do seu pessoal (...) 
A direcção dos trabalhos foi conferida a um pintor cenógrafo do Teatro de S. Carlos, o sr. Cinati, sem dúvida homem de talento, mas que, inexperiente no género de trabalhos que era chamado a superintender; traçou um plano fantástico e deficiente e imaginou levantar na base desse organismo decrépito uma enorme torre quadrada, pesada, maciça, ornamentada de decorações incorrectas e absolutamente deslocada [vd. 2ª foto] e alheia às prescrições.

Mosteiro dos Jerónimos, ruínas causadas pelo desmoronamento do corpo central [1878]
Praça do Império, antig
a de Dom Vasco da Gama, antes Largo dos Jerónimos
Fotógrafo não identificado,
in Lisboa de Antigamente

No dia 18 de Dezembro [de 1878], às 9 horas da manhã, desabou tudo com estampido idêntico ao do trovão subterrâneo, soterrando e matando nos escombros do desmoronamento nove ou dez operários. Se o sinistro tivesse ocorrido durante o grande desenvolvimento dos trabalhos, o número de vítimas ascenderia a cem ou cento e cinquenta. Acto contínuo propalou-se o boato de que ia proceder-se a um inquérito. A notícia fez sorrir maliciosamente os que sabiam avaliá-la e conheciam a índole do país. Se algum crédulo teve a ingenuidade de acreditar que desse inquérito resultaria a punição dos culpados, ou mesmo a simples demonstração pública da sua incompetência responderei certificando que não houve inquérito nem solução de espécie alguma.

Mosteiro dos Jerónimos, durante a construção do corpo central [1877]
Praça do Império, antig
a de Dom Vasco da Gama, antes Largo dos Jerónimos
Fotógrafo não identificado
, in Lisboa de Antigamente

N.B. Em 1882 propunha-se a construção de uma nova torre central de 60 metros de alto, projecto que não prosseguiu; em 1891-92 dirigia as obras de restauro o arquitecto Domingos Parente, depois Raimundo Valadas, e finalmente Rosendo Carvalheira. Foi este arquitecto que fez concluir um corpo central mais modesto, mas mesmo assim desproporcionado, o qual em 1940 foi reduzido de altura nos pináculos [vd. imagem abaixo] pela Direcção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (arquitecto Baltazar de Castro). [Araújo: 1944]

Mosteiro dos Jerónimos, vista de nascente para poente, da fachada sul [c. 1930]
Praça do Império, antig
a de Dom Vasco da Gama, antes Largo dos Jerónimos
Destaque para o corpo central antes de reduzido de altura nos pináculos para as dimensões actuais.
Fotógrafo não identificado,
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
RATATZZI, Maria (1833 - 1902), Portugal de Relance, 1879.

Wednesday, 20 November 2019

Mosteiro de S. Bento (da Saúde ou dos Negros)

Da actual Estrela  — recorda Norberto de Araújo — até ao fundo do que é S. Bento havia, em encosta, no século de quinhentos duas herdades ou grandes quintas contíguas: a de cima, propriedade de Luiz Henriques; a de baixo, de Antão Martines. 


Os frades beneditinos de Tibães já se tinham instalado em 1573 na quinta do Henriques, onde construíram um pequeno Convento, chamado mais tarde de Nossa Senhora da Estrêla ou da Estrelinha.
Como este fosse pequeno, os monges deitaram os olhos para as terras que desfrutavam só com os olhos, e suas não eram, as do Martines, e compraram-nas, por tal sinal por uma tuta e meia (1596). A essa quinta chamava o povo a Quinta (ou Casa) da Saúde, porque em 1569 e 1570, por ocasião de uma peste, aqui se instalara uma espécie de hospital de pestilentos.
É esta a razão por que ao grande Convento novo se chamou de S. Bento da Saúde¹

O antigo Mosteiro de S. Bento (da Saude ou dos Negros) já depois de convertido em Palácio das Cortes nos meados do século XIX [c. 1854]
Nota-se a Calçada das francesinhas (principio da actual Calçada da Estrela) entre as hortas dos frades (de S. Bento) e a das freiras (da Esperança), esta a sul. vê-se também o Mosteiro das Francesinhas à esquina do Caminho Novo ((hoje Rua de João das Regras).
Aguarela de Jan Lewicki, 
in Lisboa de Antigamente
Mosteiro de S. Bento [c. 1900]
Em primeiro plano pode ver-se o Arco de S. Bento.
José Artur Leitão Bárcia, in Lisboa de Antigamente

A origem do Palácio de S. Bento remonta a 1598, ano em que se iniciou a construção do convento beneditino na Quinta da Saúde. O arquitecto régio Baltasar Álvares foi o autor do projecto, continuado depois da sua morte por Frei Pedro Quaresma e por Frei João Turriano, e nunca concluído na totalidade dada a magnificência a que aspirava. Até 1833 o edifício pertenceu aos Frades Negros de Tibães e era conhecido por Convento de S. Bento da Saúde, sendo sua padroeira Nossa Senhora da Saúde cuja imagem existia no altar-mor da igreja conventual. 
O mosteiro foi submetido ao longo da sua história a constantes alterações arquitectónicas e acrescentos, na sequência de grandes incêndios e do terramoto de 1755, época em que ainda não tinham terminado as respectivas obras de acordo com o projecto inicial e nem estava concluída a capela–mor. Outras modificações resultaram de adaptações a novos gostos e novos estilos arquitectónicos e decorativos. 
O edifício do mosteiro, por ser demasiado vasto e em grande parte desocupado, teve a partir de então utilizações diversas tais como Arquivo da Torre do Tombo, a Patriarcal, hospedaria de bispos, “prisão”, Academia Militar, armazém dos despojos militares franceses e sepultura de muitos mortos, como o embaixador de Espanha. 

Perspectiva do Mosteiro de São Bento da Saúde (pormenor), cópia anónima do projecto de Baltasar Álvares [c. 1730-1750]
in Lisboa de Antigamente

No edifício restam, para além da matriz arquitectónica edificada no séc. XVII, o Refeitório dos Frades, com o pavimento original de mármore branco e negro e painéis de azulejos de c. 1770 com episódios da Vida de S. Bento, a igreja conventual com pavimento de mármore branco e rosa e actualmente Átrio do Palácio, o claustro ainda que reduzido e alterado na década de [19]30. A inacabada cripta do Marquês de Castel-Rodrigo situada sob a capela-mor da igreja sabe-se que ainda existe, embora permaneça por localizar.

N.B. Com o decreto real de D. Pedro IV, datado de Setembro de 1833, as duas Câmaras – Pares e Deputados – foram instaladas no edifício do Mosteiro de S. Bento que passou a designar-se Palácio das Cortes. O seu recheio foi nessa altura disperso e encontra-se actualmente em outras igrejas de Lisboa e em museus. Depois de um incêndio em 1895 ter destruído por completo o edifício, foi decidido reedificá-lo de raiz, com o objectivo de prosseguir a sua missão legislativa.

Palácio de S. Bento depois de convertido em Palácio das Cortes [1858]
Rua de S. Bento
Era um dos mais imponentes edifícios de Lisboa, apesar de nunca concluído, um mosteiro de grande prestígio a cujas cerimónias acorriam a corte e as grandes famílias da nobreza. A sua decadência tem início a partir do governo de Marquês de Pombal, e acentuada pelas Invasões Francesas e pelas Guerras Liberais culmina em 1834 ao serem extintas as ordens religiosas e as suas propriedades integradas nos bens do Estado.
Amédée de Lemaire-Ternante, 
in Lisboa de Antigamente
Mosteiro de S. Bento [ant. 1896]
Mosteiro de São Bento da Saúde (1598); Palácio das Cortes (1834); Congresso da República (1910); Assembleia da República
Largo de São Bento (antigo das Cortes); Rua de São Bento; Rua Correia de Garção; Calçada da Estrela
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 32-34, 1939.
SANTOS, Maria José Silva, O parlamento de Portugal, p. 75, 2002.
parlamento.pt.

Sunday, 6 January 2019

Mosteiro dos Jerónimos, Sala do Capítulo: Túmulo de Alexandre Herculano

A Sala do Capítulo tem esta denominação por servir às reuniões periódicas dos monges, as quais tinham o seu início com a leitura de um capítulo da Regra. Nessas reuniões, discutia-se a eleição dos priores, a recepção dos noviços e procedia-se à confissão pública das faltas.

Originalmente pensada para este efeito, a Sala do Capítulo nunca teve tal utilização pois a abóbada e decoração interior só foi completada no séc. XIX. A porta foi concluída nos anos de 1517-1518, tendo sido executada por Rodrigo de Pontezilha. Na sua decoração destacam-se duas imagens representando S. Bernardo e S. Jerónimo.


No centro da sala foi colocado, no século XIX, o túmulo de Alexandre Herculano delineado por Eduardo Augusto da Silva. Em 1940 é modificado, sendo deixada singelamente apenas a arca tumular
 
A singela arca tumular de Alexandre Herculano [séc- XIX]
Sala do Capítulo, Mosteiro dos Jerónimos
Domingos Alvão, in Lisboa de Antigamente

A Sala do Capítulo foi também utilizada como panteão de outros escritores e presidentes da República, até à finalização das obras na Igreja de Santa Engrácia. Convertida em Panteão Nacional, foram então para aí trasladadas as personalidades mais recentes da História de Portugal.
A trasladação do corpo de Herculano, que se encontrava no jazigo da Família Gorjão, em Santa Iria da Azóia, para a sala do capítulo nos Jerónimos ocorreu em 1888.

Túmulo de Alexandre Herculano [1934]
Sala do Capítulo, Mosteiro dos Jerónimos
Domingos Alvão, in Lisboa de Antigamente

Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, escritor e historiador, nasceu em Lisboa a 28/3/1810 e morreu em Vale de Lobos, a 13/9/1877.
Obras: A harpa do crente (1838); O bobo (1843); Eurico, o presbítero (1844); O monge de Cister (1848); Lendas e narrativas (1851); História de Portugal (em quatro volumes, o último publicado em 1853).
No túmulo está gravado um excerto do poema «A harpa do Crente» que reza assim: 
Dormir? Só dorme o frio
Cadáver que não sente
Alma voa e se abriga
Aos pés do Omnipotente.

Túmulo de Alexandre Herculano [c. 1910]
Sala do Capítulo, Mosteiro dos Jerónimos
Poema inscrito na arca tumular
Garcia Nunes, in A.M.L.

Wednesday, 17 October 2018

Cine Esperança

No antigo Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré (ou das Bernardas), na Rua da Esperança, abre em Junho de 1924 o Cine Esperança. Num bairro bastante populoso onde a comunidade não se mostrava particularmente interessada na “fotografia animada”, o empresário Santos Malafaia resolveu ainda assim arriscar a abertura do negócio que acabou por fechar em 1950. Hoje em dia no mesmo espaço está instalado o auditório do Museu da Marioneta.

Cine Esperança |1968|
Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré
Rua da Esperança, 146
Também chamado Abadia de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo; Mosteiro das Bernardas; Convento das Bernardas;
Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré de Lisboa
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Esta Rua da Esperança — relembra-nos o ilustre Norberto Araújo — , com carácter bairrista, despido de pitoresco, mas expressivo - e que deve seu nome ao nobre Convento da Esperança de que falarei abaixo - foi reconstruída depois do Terramoto; dela saem, pelo lado Norte, agora à nossa esquerda, a Calçada do Castelo Picão, a Travessa das Izabéis, e a Travessa do Pasteleiro, bizarras e populares, que vão dar ao coração da Madragoa, e pelo lado Sul a já citada Travessa dos Barbadinhos.

Cine Esperança |1969|
Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré
Rua da Esperança, 146
Também chamado Abadia de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo; Mosteiro das Bernardas; Convento das Bernardas;
Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré de Lisboa
João Goulart, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 22, 1938.

Sunday, 5 November 2017

Campo de Santa Clara

O sítio é privilegiado — afirma Norberto de Araújo —, dos raros de Lisboa destinados ao sonho e às visões retrospectivas. O Arco é, só por si, meia freguesia deste bairro fidalgo e popular, que se fez e cresceu à sombra do velho mosteiro dos cónegos regrantes de Santo Agostinho — a mais contemplativa e arrogante das vivendas conventuais da freirática Lisboa. É certo que o Arco não é antigo; data de 1807. Substitui a velha Porta de S. Vicente da Cerca Nova, de D. Fernando.
Mas o caminho que o Arco dá é tão recuado como a imagem de Nossa Senhora da Enfermaria que — dizem — esteve no arraial de D. Afonso Henriques. [...]

Campo de Santa Clara [1858]
À direita, o Palácio Barbacena; ao fundo, do lado esquerdo o Mosteiro (e Arco) do Convento de S. Vicente de Fora
Amédée de Lemaire-Ternante, in Lisboa de Antigamente

Para lá do Arco, tomado desde o largo de S. Vicente, fica o Campo de Santa Clara, com a sua largueza e a sua evocação das freiras claristas. Ficam os palácios Barbacena e dos Avintes-Lavradios; [...] ficam o Pátio de S. Vicente, que viu rodar os coches de sete patriarcas, o amor do jardim de Santa Clara, as obras de Santa Engrácia, poema de pedra insultado nas suas estrofes, e, o amor do jardim de Santa Clara, as obras de Santa Engrácia, poema de pedra insultado nas suas estrofes, e, ao cabo e ao longe, o Tejo, largo e azul, onde apenas vogam velas brancas e a lua toma banho entre miríades de estrelas. ¹

Campo de Santa Clara [1931]
Vista de N→S; Mercado de Santa Clara
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 180, 1943.

Monday, 23 May 2016

Mosteiro dos Jerónimos, Portal Sul

Construído entre 1516 e 1518, rasgado a Sul, ergue-se o esplendoroso portal da autoria de João de Castilho e seus oficiais, segundo o projecto de Diogo de Boitaca, constitui o centro visual da fachada do Mosteiro que se desenvolve paralelamente ao rio. Apesar da sua grande sumptuosidade é apenas uma entrada lateral.
A figura central deste pórtico é Nossa Senhora de Belém com o Menino, que é a invocação desta Igreja e Mosteiro, ostentando na mão o vaso das oferendas dos Reis Magos. Ladeando a Virgem, uma multidão de estátuas representa os Profetas, os Apóstolos, os Doutores e Padres da Igreja e algumas santas (ou talvez sibilas).

Mosteiro dos Jerónimos, portal sul |1867|
Praça do Império
Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente
 
Nos tímpanos figuram duas cenas da vida de S. Jerónimo – com vestes de cardeal arrancando o espinho da pata do leão e como penitente no deserto. Sobre o tímpano estão representadas as Armas de Portugal.

Mosteiro dos Jerónimos, portal sul |1867|
Praça do Império
Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente

Mais abaixo, entre as portas geminadas da Igreja, uma estátua representa o Infante D. Henrique armado cavaleiro, em memória deste antepassado de D. Manuel I, fundador da Ermida do Restelo e grande impulsionador dos Descobrimentos. A porta, separada por um mainel, é sobreposta nos tímpanos por baixos relevos e pelas armas reais ladeados por esferas armilares. A parede sul é rasgada por amplas janelas e janelões que ladeiam o portal e deixam penetrar, no interior, a luz filtrada pelos vitrais coloridos de execução recente (séc. XIX-XX).
Dominando este conjunto, ao alto, a imagem do Arcanjo São Miguel. (mosteirojeronimos.pt)

Mosteiro dos Jerónimos, portal sul |c. 1900|
Praça do Império
Chaves Cruzi, in Lisboa de Antigamente

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