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sexta-feira, 17 de março de 2023

Largo da Anunciada às Portas de Santo Antão

No Largo da Anunciada que – em 1884 foi palco da inauguração do primeiro elevador de Lisboa (o elevador do Lavra) – onde hoje se situa a igreja de S. José e prédios contíguos, existiu um convento dessa invocação e que deu o nome ao arruamento. Algumas paredes daquela ainda são restos da edificação conventual. Porém, do antigo convento já nada existe. [Caeiro: 1989]

Largo da Anunciada com a Rua das Portas de Santo Antão |1960|
Venda ambulante de fruta.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Mas era à boca de Santo Antão — refere o olisipógrafo Norberto de Araújo — que começava esta movimentada «rua dereyta» de palácios e jardins. conventos e igrejas, pátios e eirados. Neste pedacinho até à Anunciada [largo da] do Convento das dominicanas, erigido sobre a casa dos agostinhos de Santo Antão de 1400 — e eis a razão do nome da rua [...]. [Araújo, XIV, 1939]
 
Largo da Anunciada às Portas de Santo Antão |1964|
Perspectiva tomada da Avenida da Liberdade. Encimando a Calçada do Lavra destaca-se o Palacete Alfredo de Andrade (ou do Lavra).
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

domingo, 15 de maio de 2022

O Sítio de Santo André

Foi neste Largo de Rodrigues de Freitas que nos despedimos no cabo da última jornada — recorda o ilustre Norberto de Araújo. Aqui nos voltamos a encontrar — no coração do velho Santo André, santo da toponímia popular, cujo nome encheu o sítio, e por muitos anos perdurará. Vão lá dizer as gentes que isto aqui não é «Santo André»!
A designação deriva da circunstância de neste local de que nos vamos aproximando — a Travessa do Açougue , que conduz em pequena rampa à Calçada da Graça — ter existido a Igreja Paroquial daquela invocação.

Sítio de Santo André [c. 1939]
Largo Rodrigues de Freitas antes das demolições. Perspectiva tirada do Largo do Menino Deus sobre a Travessa do Açougue, S. Vicente e Graça; na esq. alta nota-se a mansarda da Vila Sousa.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O primitivo templo datava de 1286, ou mesmo de mais longe, e dele fez doação D. Diniz a Aires Martins e a sua mulher Maria Esteves, sendo pouco depois constituído em sede de freguesia eclesiástica. Com o decorrer do tempo quantos sacrifícios de obras não deveria ter recebido o desaparecido templozinho, que possuía apenas uma nave e cinco capelas! Mas durou de pé até ao Terramoto, e chegava para a freguesia.
Muito ofendido em 1755, aquando do sismo, e depois reedificado, ai por 1835, ameaçava ruína de tal sorte que sofreu a pena irremissível da demolição. Entre as cinco capelas que oferecia à devoção, uma era falada: a de Nossa Senhora da Vida. Que generoso nome! A imagem desta linda capela e a do orago foram transferidas para a Igreja da Graça. Uns preciosos azulejos policromos que a capela ostentava conservam-se na Biblioteca Nacional. A paróquia eclesiástica, à qual antes de 1835 se reunira a de Santa Marinha, passou para a da Graça.==

Sítio de Santo André [1953-06]
Largo Rodrigues de Freitas depois das demolições, encruzilhada de uma meia dúzia de pequenas ruas, oásis verdejante, com algumas casas bem antigas mas, infelizmente, bastante degradadas. Perspectiva tirada do Largo do Menino Deus sobre a Travessa do Açougue; Palácio Figueira.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N-B. A CML através do seu edital de 14/10/1915 prestou homenagem a Rodrigues de Freitas (1840-1896), nome ligado ao jornalismo e à propaganda republicana. Economista, político e pedagogo, desempenhou um papel relevante no alastrar do movimento republicano, tendo sido um dos primeiros republicanos portugueses a ser eleito para a Câmara dos Deputados em 1870. Esteve implicado na revolução fracassada do 31 de Janeiro de 1891. Aderiu ao denominado socialismo catedrático publicando várias obras dentro desta ideologia. 
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, pp. 12-13, 1938.
cm-lisboa.pt.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Largo de São Cristóvão

Estamos diante de S. Cristóvão — na companhia de Mestre Araújo —, no Largo pequeno que tem a Sul, defronte do templo as Escadinhas que levam à Rua da Madalena. Encosta-te à cortina: observa-me essas minúsculas casitas, do principio do século passado, acumuladas, em capricho de intersecção, graciosas na suas escadas exteriores, e melancólicas no seu ar de condenadas perante um urbanismo racional
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, p. 52, 1938)

Largo de São Cristóvão |c.1900|
Confluência da Rua de São Francisco, Rua do Regedor e Calçada Marquês de Tancos; Igreja de de S. Cristóvão.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Este arruamento e os envolventes (Escadinhas e Rua de São Cristóvão) devem o seu nome à Igreja de São Cristóvão, de que são adjacentes. Segundo o Dicionário da História de Lisboa: "Onde assentou provavelmente a igreja de Santa Maria de Alcamim (talvez do séc XII), porquanto aparece ainda mencionada no 1º quartel do seguinte, ergue-se este templo de orago já usado no começo do séc. XIV. (...) É um dos poucos monumentos do séc. XVIII, da área central de Lisboa, que resistiu ao terramoto de 1755 (...)."

Escadinhas de São Cristóvão |1961|
O painel de azulejo foi substituído em 1969 por um baixo-relevo representando São Cristóvão; encimando as Escadinhas, o Largo e Igreja de São Cristóvão.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Largo das Fontainhas, a Alcântara

Esta artéria sita na confluência das Ruas das Fontainhas, Rua Fradesso da Silveira, Rua da Cozinha Económica, Rua Teixeira Júnior, Rua Rodrigues Faria e Largo do Calvário foi fixada na memória da cidade em data que se desconhece embora seja certo que já vem referida no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque de 1857. Sabe-se também que em 1890 foram expropriados barracões para facilitar o trânsito público no Largo das Fontainhas e na Rua Fradesso da Silveira.
Como Fontainha é a denominação para uma fonte pequena, supõe-se que o topónimo advenha da presença fontes no local. [cm-lisboa.pt]

Largo das Fontainhas |1966|
Largo Calvário e Rua José Dias Coelho
João Goulart, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Largo de Andaluz

Desconhece-se a origem do nome do sítio. A mais simples — e. porventura, a mais razoável — é-nos revelada por João Sousa Moura em Vestigios da lingua arabica em Portugal: ou lexicon etymologico das palavras, e nomes Portuguezes, que tem origem arabica (1789):
ANDALUZ طر اندل Andalus. Nome de hum bairro, e de hum chafariz nos arrabaldes de Lisboa, Fregue2ia de S. Sebastião da Pedreira. He appellido de hum homem natural da Andalusia, de quem o lugar tomou o nome: e vem a ser o lugar de Andaluz.
 
Largo de Andaluz |c. 1940|
Esquina com o Largo das Palmeiras; à dir. o Chafariz de Andaluz; Rua de Santa Marta e o arco do viaduto da Avenida Duque de Loulé.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente
Largo de Andaluz |c. 1949|
Esquina com o Largo das Palmeiras; Edifício foi Prémio Municipal de Arquitectura, 1949. Projecto dos arquitectos Dário Vieira e José Lima Franco.
Mário Novais, 
in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Largo do Calvário

Ora, Dilecto — diz Norberto de Araújo — estamos no Largo do Calvário, coração do bairro urbano desenvolvido no final do século passado [XIX], e já com expressão própria, ainda que limitada.
E do Calvário — porquê? Porque neste sítio, no lado sul da Rua Primeiro de Maio, antiga de S. Joaquim, existiu um Convento, das religiosas franciscanas, e que datava de 1617.

Como a própria Alcântara, de individualidade muito mais marcante, no século XVII, e mesmo no XVIII, o Calvário pouco mais era do que uma Póvoa aflorando timidamente de entre quintas, herdades e hortas a norte, como mar a beijar-lhe a orla por edificar. 

Largo do Calvário |1930|
Frente ao Paço Real de Alcântara, situado a sul do já então Largo do Calvário encontravam-se as enormes cocheiras reais; em 1903 aí existia o Clube de Lisboa (ou o Clube do Calvário) e só em 1911 foi instalada a Sociedade Promotora de Educação Popular. O Cinema Promotora, foi inaugurado em 1912. 
Ao centro, o Lactário n.º 3.
Fotógrafo não identificado, iin Lisboa de Antigamente

Antes do Convento se erguer no lugar onde a Quinta do Porto (do «porto», porque aqui atracavam barcos) edificara-se no final do século XVI um solar particular, destinado a ser «alguém» no sítio: foi esse solar que deu o Palácio ou Paço Real do Calvário, mais rigorosamente «de Alcântara», mas que recebeu a designação invocativa do orago do Convento, seu fronteiro, e assim ajudou a fundamentar o nome de um sítio (Calvário) dentro de outro (Alcântara).==

Largo do Calvário |1965|
Frente ao Paço Real de Alcântara, situado a sul do já então Largo do Calvário encontravam-se as enormes cocheiras reais; em 1903 aí existia o Clube de Lisboa (ou o Clube do Calvário) e só em 1911 foi instalada a Sociedade Promotora de Educação Popular. O Cinema Promotora, foi inaugurado em 1912.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa», vol. IX, p. 30, 1939.

domingo, 5 de setembro de 2021

Largo e Convento do Carmo

Este topónimo remete para a existência do Convento do Carmo no local. A propósito deste Largo refere o olisipógrafo Norberto de Araújo o seguinte:

O Largo, na sua configuração, é bem diverso do que era há cento e oitenta anos [c. 1750], antes da urbanização pombalina, e então mais estreito, mais baixo, em nível, cerca de um metro (o que bem se comprova pelo rebaixamento que faz a Igreja-ruína do Carmo), e também mais nobre, mais senhor de si, mais «Bairro do Marquês» (de Vila Real), «Bairro de Vila Nova» (de Santa Catarina), Bairro do Carmo, alfim — designação que teve no decorrer dos séculos.
Principia por observar este gracioso Chafariz, que não existia ao tempo do Terramoto. O Chafariz do Carmo data de 1796, ou de pouco antes, integrado na obra das Águas Livres, pois recebe água das Amoreiras; se antes existia outro — e é verosímil que assim tivesse sucedido — não to posso assegurar cu, embora Júlio de Castilho o admita e escrito esteja em várias obras. [...]

Largo e Convento do Carmo |1910|
Chafariz do Carmo; à esq. vê-se a Igreja da Ordem Terceira do Carmo, a frontaria do quartel da GNR e fachada arruinada da Igreja- Convento do Carmo; destaque para os urinóis públicos, tipo guarita, que por esta época eram obras de arte.
Artur Benarus, 
in Lisboa de Antigamente

Quanto às origens do Convento do Carmo, adianta o mesmo autor:
Contempla-une exteriormente o Carmo de Nuno Álvares. É a evocação material espiritualizada dos séculos da piedade e do heroísmo; é a única ruína em Lisboa que tem vida, e que nos oferece ainda a visão rasgada de um passado distante, de um mundo diverso do mundo de hoje.
Uma ruína — que não quere morrer.
Quando da batalha de Aljubarrota, Nuno Álvares Pereira fez à Virgem um voto: o de lhe erguer um grandioso templo. Foi isto a 14 de Agosto de 1385. Passados quatro anos Nuno Álvares começou a cumprir aquilo a que se votara [...].

Convento do Carmo |c. 1920|
Largo do Carmo
Interior das ruínas da igreja vendo-se a fachada sul e, à esq., um arxo, ambos do séc. XIV.
Artur Benarus, in Lisboa de Antigamente

A traça arquitectónica da Igreja — ogival como vês — foi de rasgada concepção, assegurados os arquitectos, à terceira tentativa, da firmeza dos fundamentos. Aqui estão desenhadas as três naves, com seus cinco arcos ogivais, dois dos quais apenas, estes logo a seguir ao pórtico, são primitivos. O templo media 73 metros de comprimento, possuía no corpo das naves, de começo, oito capelas, mas outras havia além do cruzeiro e na abside; era formoso, mas era também opulento. As capelas vestiam-se de jaspe polido, os púlpito , igualmente de jaspe, guarneciam-se de embutidos de prata, e pedras finas; os retábulos eram de boa arte, e havia profusão de pintura, escultura em madeira e em pedra; os vitrais iluminantes, nos óculos, janelas e frestas, ostentavam-se como os mais belos de Lisboa. Depois da morte do fundador, em 1431, o Carmo ogival cada vez mais resplandecia na nobreza augusta que o tempo imprime aos monumentos, e enchia-se de mais riquezas, que a Índia e o Brasil, no século seguinte, começaram a fornecer.
Durante muitas dezenas de anos o povo fez do Carmo um motivo de peregrinação em louvor da memória de Fr. Nuno, e — no seu modo ainda medieval — cantava e dançava à roda do túmulo do fundador.

Convento do Carmo |c. 1930|
Largo do Carmo
Perspectiva nascente vendo-se à esq. o arcobotante e a ponte de acesso ao Elevador de Santa Justa.
Artur Benarus, in Lisboa de Antigamente

Mas veio o dia 1.º de Novembro de 1755. O Carmo ― Convento e Igreja — ruíram estrondosamente. Ficaram apenas de pé a fachada cortada ao alto e dois vãos de arcos que se seguem ao portal de entrada, as capelas absidais e a parte inferior da Capela-Mor.
Trataram os frades carmelitas de restaurar a sua Casa — mosteiro e templo. O Convento foi soerguido das ruinas, já sem a beleza antiga; a Igreja, ainda sobre a traça ogival, entrou a ser reconstruída, aliás sob defeituosa orientação, elevando-se então quatro arcos, rasgando-se novos janelões nas extremas das paredes, e enxertando-se pormenores na remendagem arquitectónica primitiva.
Mas os tempos eram outros; escasseavam dedicações, o dinheiro não avultava, esmorecera a fé.
Em 1834 a Igreja continuava... em obras. Ruínas lamentosas sobre a ruína respeitável de 1755.==

O Convento e as ruínas da Igreja do Carmo vistas do Rossio (Praça de D. Pedro IV |post. 1850|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VI, pp. 75-84, 1938.

domingo, 22 de agosto de 2021

Rua de São Mamede e o antigo Largo do Correio-Mor

Deve o seu nome à Paróquia de São Mamede que aqui se situava — recorda-nos Norberto de Araújo.
Depois do Terramoto este local ficou sendo conhecido por "monturos de S. Mamede" [...]
Este largo, fazendo parte da Rua de S. Mamede, e defronte do edifício Penafiel, foi construído com sua rotunda e cortina há relativamente pouco tempo — 1864 — pela Câmara Municipal com o auxilio financeiro do Conde de Penafiel, descendente dos antigos Correios Mores, de apelidos Gomes da Mata. Compreende-se, assim, a denominação Travessa da Mata (melhor seria "do” Mata) que sobe, pelo nossa esquerda, em cotovelo, desde o Largo até entroncar na Calçada do Conde de Penafiel. O letreiro pomposo desta artéria foi mandado fazer pelo próprio Conde em 1867.

Rua de São Mamede e o antigo Largo do Correio-Mor, dístico  tradicional  que provinha  do  século  XVIII |190-|
Antes Rua Nova de São Mamede (1889); Calçada Conde Penafiel e, ao fundo, a Travessa do Mata.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Observa daqui aquele renque de casitas modestas, defendidas da Calçada por cortina de ferro — antigo pátio do Lindim [ou Landim] — , e que oferecem certo pitoresco. Debruçam-se, jeitosamente, sobre a serventia em curva; tal como aquela outra casa pequenina, na Travessa da Mata, pitoresca pela lei dos contrastes, estão certamente condenadas a desaparecer.==

Rua de São Mamede e o antigo Largo do Correio-Mor, dístico  tradicional  que provinha  do  século  XVIII |190-|
Antes Rua Nova de São Mamede (1889); Calçada Conde Penafiel
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Em meados do séc. XX foi colocado neste Largo o pano de fachada do antigo Chafariz das Mouras.
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Bibliografia
ARAUJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. II, pp. 23-24, 1938.

domingo, 23 de maio de 2021

Largo do Rato com a Avenida Álvares Cabral

Rato foi e Rato é — diz Norberto de Araújo; só os dísticos municipais e os letreiros dos eléctricos dizem Praça do Brasil, titulo pomposo com o qual a República portuguesa nascente em 1910 quis consagrar a República irmã mais velha de Além Atlântico. 

 
Irregular sob todos os pontos de vista, desnivelada a despeito da sua transformação em 1937-1938, a Praça do Brasil nem por isso deixa de oferecer um certo interesse paisagista. Terreiro natural, ou eirado, largo ou simples logradouro, o Largo da Rato é anterior à tessitura urbanística do sítio. 

Largo do Rato |1943|
Avenida Álvares Cabral, rasgada entre 1906 (Norte) e 1930 (Sul)
Duas imagens tiradas do mesmo ângulo mas separadas por um ano. Descubra as diferenças.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente
 
«Rato» é designação que não adveio do começo da tímida póvoa, e só apareceu na terceira década do século XVII; antes foi «Campolide» — o que hoje se atesta numa lápide foreira no começo da Rua das Amoreiras — , depois «Cotovia», quási no nosso tempo, designações genéricas que chegaram aqui por extensão.
De um padroeiro [Luís Gomes de Sá e Meneses], do Convento das freiras da Santíssima Trindade [Convento das Trinas] se trespassou para a casa religiosa e para o sítio do seu eirado o nome de «Rato», que era um cognome, quási apelido pessoal.==

Largo do Rato |1944|
Avenida Álvares Cabral, rasgada entre 1906 (Norte) e 1930 (Sul)
Duas imagens tiradas do mesmo ângulo mas separadas por um ano. Descubra as diferenças.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 11-12, 1939.

domingo, 9 de maio de 2021

Largo Dr. Afonso Pena, actual Campo Pequeno (actualizado)

Do Largo Afonso Pena, pelo nascente, saem as Avenidas recentes de Sacadura Cabral e Óscar Monteiro Torres, que são atravessadas pelas transversais Ruas Capitão Ramires, David de Sousa e Augusto Gil, A Avenida de Berna [actual João XXI] será prolongada até à futura Avenida de Roma. [Araujo: 1939]

 
O sítio do Campo Pequeno no início do século XVI era um logradouro público, espaço a descoberto na periferia da cidade, no qual se realizavam exercícios militares, por vezes paradas e feiras improvisadas (onde se treinou o exército de D. Sebastião antes de ir para Alcácer-Quibir). Teve também, no século XVIII, uma Praça de Touros provisória.
Em 18 de Agosto de 1892 foi inaugurada a Praça de Touros definitiva, arquitectada por António José Dias da Silva. No Campo Pequeno existe também um edifício seiscentista de arquitectura civil portuguesa, o Palácio Galveias. [cm-lisboa.pt]
 
Largo Dr. Afonso Pena, actual Campo Pequeno [1939]
Campo Pequeno com a Rua do Arco do Cego; anterior ao prolongamento da Avenida João XXI — entre o Campo Pequeno e a Av. de Roma— concluído na por volta de 1950; Palácio Galveias. Actualmente, temos, à esq., o Hotel Alif e, à dir., o edifício da Caixa Geral de Depósitos.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Na sessão de 1 de Outubro de 1908, ainda antes da vitória republicana da Câmara Municipal de Lisboa, o vereador Augusto César Clara da Rica, professor liceal que viria a falecer no ano seguinte, propôs que se passasse a chamar Largo Afonso Pena ao Campo Pequeno. O fundamento da proposta era de homenagem e agradecimento aos Estados Unidos do Brasil na pessoa do seu Presidente. . Afonso Pena, natural de Minas Gerais, candidato do Partido Republicano Mineiro, foi Presidente do Brasil, entre 1906 e 1909, não tendo completado o mandato. [MELO, Ana Homem de do Gabinete de Estudos Olisiponenses]

Largo Dr. Afonso Pena, actual Campo Pequeno [1965]
Campo Pequeno com a Rua do Arco do Cego; anterior ao prolongamento da Avenida João XXI — entre o Campo Pequeno e a Av. de Roma— concluído na por volta de 1950; Palácio Galveias. Actualmente, temos, à esq., o Hotel Alif e, à dir., o edifício da Caixa Geral de Depósitos.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

domingo, 25 de abril de 2021

Sítio de Santa Marinha

Eis-nos agora no Largo de Santa Marinha.
Aqui se erguia uma Igreja paroquial, da qual há notícia que remontava a 1222¹, embora uma tradição a dê como fundada por uma filha do Rei D. Diniz e de Marinha Gomes.
O certo é que era do padroado real, pois D. Diniz a doou (como fizera já à de Santo André a Aires Martins) ao seu chanceler Pedro Salgado, que lhe fez grandes acrescentamentos.
Não sofreu muito pelo Terramoto, mas acabou por ser demolida entre 1845 e 1853, para se fazer este Largo. Dela não resta um único vestígio. A paroquial havia já, em 1835, passado para a Graça.
Largo de Santa Marinha |c. 1900|
Tornejando a Calçadinha do Tijolo
José Artur Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Neste tranquilo e ameno Largo de Santa Marinha nada há digno de menção: duas ou três casas com o feitio discreto ainda de «S. Vicente velho», e as restantes construídas depois do Largo aberto, cerca de 1850.

Largo de Santa Marinha |1969|
João Hermes Goulart, in Lisboa de Antigamente

Antes de continuarmos neste exame — recorda Júlio de Castilho — , dêmos agora uma revista a um edifício, que acima das novas Escolas Gerais torreja, no cume do montículo, com o seu ar antiquado, as suas ogivas e gelosias, a sua Cruz, e o seu coruchéu pontiagudo a apontar para o céu.
Torreja disse eu? Torrejava deveria dizer antes. Demoliram-no também. Era Santa Marinha.

Antiga igreja paroquial de Santa Marinha do Outeiro [1809]
Largo de Santa Marinha
Luís Gonzaga Pereira, (1796-1868), in Museu de Lisboa

Ao topo da actual Calçadinha do Tijolo, ali onde hoje vemos o largo arborizado, erguia-se esta pequenina paroquial o seu vulto venerando, carregando aos ombros o peso de muitíssimos janeiros.
Carvalho da Costa descreve em 1712 esta igreja. Chama-lhe Santa Marinha do Outeiro, e mostra-a de quatro altares n'uma só nave. Ao fundo a capela-mor, com boa tribuna de talha doirada, e as imagens de Santa Marinha da banda da Epistola, e de Nossa Senhora da Conceição da banda do Evangelho.

¹ Data insustentável, de acordo com mestre Castilho. Depois de consultar de textos de vários autores, o olisipógrafo conclui que «é ignorada, pelo menos por mim, e por eles, a data da fundação de Santa Marinha».
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 57, 1938.
CASTILHO, Júlio de, Lisboa Antiga. Segunda Parte. Bairros Orientais, vol. IV, 1885.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Largo das Portas do Sol

Lemos na Gazeta de Nuvens de José Gomes Ferreira: «Tão entranhadamente vivi a vadiagem por esses sítios que contínuo a considerá-los — desculpa, ó Alvalade! desculpa, ó Avenida de Roma! — a Lisboa verdadeira. Uma amálgama barulhenta de varinas, padeiros, homens de burrico, vendedeiras de azeitonas, suor luminoso ligado à caliça da paisagem por raízes de pregões, insultos de vinho fácil, meninas janeleiras à espera de cartinhas de desconhecidos, para namoros de estafermo, quiosques onde, nos intervalos das aulas, íamos comprar os tétés, como no meu tempo de menino chamávamos em Lisboa aos sorvetes, monotonamente fabricados em sorveteiras de manivelas emperradas, vozes roufenhas de tabernas, bêbados nocturnos no seu ritual de danças de insectos em redor de candeeiros — e as marchas de Santo António improvisadas, à última hora, nos pátios sem alegria pré-comandada.

Largo das Portas do Sol [ant. 1901|
Topónimo evocativo da porta da Cerca Moura que ali se abria, é uma reminiscência da cidade medieval.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Parece ser esta a Lisboa que mais soa, que mais canta e menos berra, que mais entoa e menos buzina. E por entre esses sons se descortinam textos, melodias, ãs vezes poesia.
É a esta Lisboa que eu volto sempre, quando quero encher os olhos de Lisboa.
(FERREIRA, José Gomes (1900-1985), Gazeta de Nuvens, 1975)
 
N.B, Monumentos que se destacam neste Largo, além da magnifica vista sobre o Tejo: Igreja de S. Braz ou de Santa Luzia e Palácio do Largo das Portas do Sol que foi dos Viscondes de Azurara.

Largo das Portas do Sol |post. 1901|
Topónimo evocativo da porta da Cerca Moura que ali se abria, é uma reminiscência da cidade medieval.
Artur Bárcia, in Lisboa de Antigamente

domingo, 5 de abril de 2020

Largo do Terreirinho, 22-35

Este largo na confluência da Calçada de Santo André com a Rua dos Cavaleiros é um arruamento antigo da Mouraria, como refere Luís Pastor de Macedo («Lisboa de Lés a Lés») citando da «Notícia histórica do Bairro das Olarias» o seguinte : «Os lagares, que posteriormente lhe deram nova denominação, eram em 1502 propriedades do referido Hospital de Todos-os-Santos e de Pedro Lopes do Carvalhal e deviam ter funcionado no triângulo formado pela rua e travessa dos Lagares e o Largo do Terreirinho, que já existia em 1548». Assim, também nas plantas e descrições após a remodelação paroquial de 1770 aparece referida a «Praça do Terreirinho» na freguesia do Socorro. [cm-lisboa.pt]

Largo do Terreirinho, 22-27 [entre 1901 e 1908]
Anterior à construção do prédio actual com o n.º de policia 9 neste topo S. e que
faz gaveto com a Rua dos Cavaleiros. Ao fundo adivinha-se o Largo das Olarias.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Terreirinho (largo do) fica entre a rua dos Cavalleiros, calçada de Santo André e largo das Olarias, freguezias dos Anjos 9 a 35 e Soccorro 1 a 8 [actual de Santa Maria Maior].  [Velloso, 1869]

Largo do Terreirinho, 28-30 [entre 1901 e 1908]
Ao centro abre-se a Travessa dos Lagares e destaca-se um e
difício setecentista com quatro
pisos e água-furtada. No século XIX recebeu uma platibanda e a água-furtada foi coroada por
frontão triangular. A qualidade de uma intervenção recente valeu-lhe uma menção honrosa do
Prémio Eugénio dos Santos em 1991.

Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

N.B. Em finais do século XVIII, o Largo do Terreirinho é alargado para sul de modo a permitir ligação directa entre a Calçada de St.° André e a Rua dos Cavaleiros e desviando para esta última as funções de eixo de penetração do bairro da Mouraria.

Largo do Terreirinho, 31-35 [entre 1901 e 1908]
Ao fundo observa-se a Calçada de Santo André.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Largo do Tabelião

Este Largo que se configura quase como uma travessa entre a Rua Martim Vaz e a Calçada de Sant'ana aparece referido na planta nº 36 do Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque, de 1858. Data do reinado de D. Afonso II (1211- 1223) o primeiro notário público, denominado na época e até ao final do século XIX como tabelião, termo que só foi alterado por Decreto de 14 de Setembro de 1900. Em Lisboa, havia pelo menos um tabelião desde 1257 e João Brandão contabiliza 18 no ano de 1552 pelo que não será descabida a suposição deste topónimo ter origem na existência de um tabelião no local.

Largo do Tabelião |1903|
Cruzamento com a Calçada de Sant'ana e Travessa do Convento da Encarnação (ao fundo). 
O nome deriva da existência no local do Convento da Encarnação.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Teatro do Rato

No centro desse quarteirão sul [do Largo do Rato] referido — recorda Norberto de Araújo — chãos e casas que primitivamente foram da Real Fábrica de Sedas — rasga-se um Arco, que leva a uns terrenos (antiga Quinta do Ferreira, ou do Ferrari, o que julgo mais acertado) nos quais à esquerda está de pé a adega e casa de pasto conhecida pela designação de «Parreirinha», e ao fundo se construíram em 1907 uns barracões sólidos, que pertencem, como oficinas, à Sociedade Portuguesa. de Automóveis, com entrada pela Rua da Escola Politécnica; uns quintalórios denunciam ainda a antiga feição rústico-fabril do local.

Largo do Rato [195]
Ao centro vê-se o arco de acesso à antiga Quinta do Ferreira, ou do Ferrari depois Teatro do Rato
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Aqui, precisamente no sítio dos barracões, assentou o Teatro do Rato, inaugurado em 27 de Março de 1880 e que ardeu em 1906, afinal também um grande barracão de zinco e tijolo, mas por cujo tablado passaram algumas notáveis figuras da cena portuguesa, entre as quais Adelina Abranches, felizmente ainda sobrevivente de uma geração de artistas eminentes.

Arco do Largo do Rato [1944]
Acesso à antiga Quinta do Ferreira, ou do Ferrari e ao Teatro do Rato
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Comício republicano realizado no antigo recinto do Teatro do Rato [1907-05-01]
Largo do Rato
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 15, 1939.

domingo, 16 de junho de 2019

Chafarizes de Sant'Ana

Este Largo do Mastro é que foi o sítio exacto do «Campo do Curral» — recorda-nos o insigne olisipógrafo Norberto de Araújo. Mas é preciso não perderes de vista que essa cortina — o muro paredão que sustenta o jardim do Campo dos Mártires da Pátria — não existia sequer até hà cem anos [c. 1838]. Desde o Convento de Sant'Ana até ao Paço da Rainha (isto é: desde o Instituto Bacteriológico até à Escola do Exército), o pavimento, em encosta, era todo um, com mal pronunciada ondulação de terreno.


Adossado ao muro paredão que sustenta o jardim do Campo dos Mártires da Pátria encontramos o Chafariz do Campo de Santana virado ao Largo do Mastro. O muro é em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo e está fronteiro a pequena faixa de passeio público, pavimentado a calçada, a qual confina com um parque de estacionamento.
Chafariz simplista de planta rectangular, construído em 1887, autor desconhecido, assente em plataforma de dois degraus em cantaria de calcário lioz e vermelho. É executado em cantaria de calcário lioz, composto por espaldar rectilíneo, encimado por recortes lobulados e, ao centro, pequeno espaldar contracurvado, onde surgem as armas municipais, emolduradas por painel circular e a data «1887». Cada um dos lóbulos, com molduras múltiplas circulares, possui uma bica em chumbo, rodeada por pétalas de flores, que vertia para tanque rectangular, de perfil galbado, assente em pequeno rodapé rectilíneo, com bordos boleados; o interior encontra-se tripartido por blocos de cantaria, capeados a cimento, com escoamento metálico. No espaldar e no bordo do tanque surgem vestígios das antigas réguas de apoio ao vasilhame. No lado esquerdo, surge um vão de verga recta e moldura simples, protegido por porta metálica, pintada de verde, de acesso à caixa de água.
Monumento Nacional desde 2002.

Chafariz de Santa Ana [1944]
Largo do Mastro
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Nas imediações, situa-se um segundo chafariz, denominado Chafariz do Largo do Mastro. [vd. 2ª foto]
Este chafariz foi inaugurado em 1848, em Belém, no sítio do Chão Salgado, por iniciativa camarária, com projecto do arq. Malaquias Ferreira Leal. Na sua construção foram utilizados elementos escultóricos do Chafariz do Campo de Santana [vd. N.B.], que nunca chegou a ser construído, nomeadamente 4 golfinhos da autoria do escultor Alexandre Gomes. Por ocasião da Exposição do Mundo Português, em 1940, o chafariz foi retirado do local original e mais tarde, em 1947, reutilizado no Largo do Mastro, ao Campo de Santana. Chafariz elegante, de boa cantaria, em forma de obelisco, que apresenta uma urna de curvas reentrantes e de 4 faces, das quais emerge, respectivamente, um golfinho com a função de bica. A rematar este núcleo decorativo eleva-se uma alta pirâmide hexagonal, estriada, cintada por faixa lisa a um terço de altura, coroada por uma pinha.

Chafariz do Largo do Mastro [1947]
Largo do Mastro
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Quanto ao novo e esplendoroso Chafariz de Santa Anna — que viria substituir o chafariz "interino" que ali existia — , diz-nos a Memória de Velloso de Andrade, que o projecto foi abandonado por razões desconhecidas:
"Esse Chafariz, se se fizesse conforme o risco approvado, era de tamanha architectura, que devia conter as quatro figuras que estiveram no Lago do Passeio Público; o Tejo, e o Douro, que ainda existem no dito Passeio; os quatro Golfinhos, que se acham no Chafariz de Belém, e as quatro Carrancas, que serviram para o Chafariz d'Alcântara; como tudo se mostra no dito risco. As figuras acima ditas, foram feitas pelo Portuguez Alexandre Gomes, por 3:746$246 réis, incluindo 706$S46 réis, importe das seis pedras postas no telheiro ao Campo de Santa Anna, aonde as ditas figuras foram feitas; pelas quaes um Lord Inglez offerecia doze mil cruzados.[...]

Chafariz de Santa Ana [finais do  séc. XIX]
Campo dos Mártires da Pátria
Foi demolido em finais do séc. XIX aquando da construção do Jardim dos Campos dos Mártires da Pátria vulgo Campo de Santana; a dir. nota-se uma clarabóia do Aqueduto e, ao fundo, vê-se o prédio sito nos Campo dos Mártires da Pátria, 96, erguido em 1854 e que ainda lá está.
Autor não identificado, in Lisboa de Antigamente

Este chafariz n.º 6 situava-se a norte do Campo de Santa Anna (Campo dos Mártires da Pátria) sobre a antiga Carreira dos Cavallos, hoje Rua de Gomes Freire, conforme atesta o levantamento topográfico realizado em 1858 por Filipe Folque [vd. carta topográfica]. Em 1838 "foi reformado, pondo-se-lhe em frente um semicírculo de columnellos, cujo espaço foi calçado de novo". 
Em 1851, o Chafariz do Campo de Santa Anna (chafariz n.º 6) tinha 4 bicas, 2 tanques, 5 companhias de aguadeiros, 5 capatazes e cabos, 165 aguadeiros e 2 ligeiros. Os sobejos foram concedidos ao Hospital de S. José, por Ordem de 23 de Maio de 1792. Abastecia, por volta de 1850, o antigo Hospital de Rilhafoles (hoje Miguel Bombarda) e o Asilo de Mendicidade (hoje Hospital dos Capuchos). 

Local do Chafariz do Campo de Santa Anna em 1858
Levantamento topográfico de Lisboa sob a orientação de Filipe Folque, 1858 (excerto)
A vermelho está assinalado o chafariz e o Aqueduto que levava a água ao Chafariz do Campo de Santa Anna; a azul, a antiga Carreira dos Cavallos, hoje Rua de Gomes freire.
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 61, 1938.
VELOSO DE ANDRADE, José Sérgio , Memória sobre Chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Públicos de Lisboa, Belém e muitos lugares do Termo., 1851.
cm-lisboa.pt.
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