Ao chegar ao topo, encontrei o Miradouro da Senhora do Monte, o primeiro dos tantos que cá se me ofertaram aos olhares. Confesso-te que nunca esquecerei daquela santa de branco, numa cúpula tomada de flores, defronte à igreja que paira sobre a cidade. Soube que essa santa é a protetora das grávidas [...]Do Miradouro da Senhora do Monte, vi o emaranhado de vielas onde se desenha a Mouraria, e ouvi ecoar de uma das casas o Fado manhoso, numa voz feminina, que me invadiu o pensamento. Ali constatei o que antes me havia sido dito por ti, talvez inspirada numa antiga canção: Lisboa é cidade-mulher, das cantoras do Fado às colinas e regatos do Tejo: tudo guarnecido de formas femininas. Após tantos anos de incredulidade, orei: Ó, Senhora do Monte, olhai as mulheres dessas freguesias, olhai também por Maria da Penha.[NOVAIS, Klaus Escritos Degredados, 2014]
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| Panorâmica de Lisboa, tomada do Miradouro da Senhora do Monte [entre 1908 e 1929] (clicar para ampliar) Destacam-se na imagem: em baixo ao centro, a cúpula do extinto Real Coliseu de Lisboa (1896-1929) (A) na Rua da Palma; à direita deste, o Hospital do Desterro (B); um pouco acima a Escola Municipal nº 1 (C) — a mais antiga de Lisboa; logo acima, ao centro, a Faculdade De Ciências Médicas (D) da Universidade Nova de Lisboa no Campo dos Mártires da Pátria; mais acima para poente, a Rua do Instituto Bacteriológico (e o edifício Câmara Pestana) (E) e, no fim desta, vislumbra-se torre sineira da Igreja da Pena (F) na Calçada de Sant'Ana; em último plano, na extrema esquerda, as torres da Basilica da Estrele, (G) e, em ultimíssimo plano adivinha-se o Palácio Nacional da Ajuda (H). José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente |
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