Friday, 16 April 2021

Chafariz da Infância

Nesta antiga Rua da Infância — hoje da Voz do Operário — , tornejando a Travessa de São Vicente, ficava situado o Chafariz da Infância — de data de construção e autor desconhecidos. Terá sido demolido cerca de 1912 para dar lugar à actual sede da «Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário»

A Rua da Infância — recorda o ilustre Norberto de Araújo — tem um troço moderno, que parte exactamente de onde está o edifício da Sociedade de Beneficência «Voz do Operário», e vai até à Graça; daí para baixo havia já a Travessa das Bruxas, antigamente muito estreita, à qual já aludi atrás, e que se continuava, subindo a poente, como hoje, pela actual Travessa de S. Vicente, até defronte do Convento dos Agostinhos, ou seja o dos frades da Graça.

Chafariz da Infância [centre 1903-1908]
 Actual da Voz do Operário, tornejando a Travessa de São Vicente
Charles Chusseau-Flaviens, in GEH

Já agora outra informação te dou. Esta Travessa de S. Vicente, hoje, como vês, já com prédios modernistas (1937), e relativamente larga, era a estreita Travessa das Bruxas que ia dar ao Largo de S. Vicente, antes de se abrir a Rua da Infância. Na esquina do edifício da «Voz do Operário» desta Travessa existiu, no século XVII, uma porta vulgar de quinta, chamada de «Heliche», na citada propriedade dos Abelhas, assim conhecida porque nas casas da Quinta morou, em 1667, um Marquês, espanhol, de título Elche , nome corrompido em Elice ou Heliche.

Chafariz da Rua da Infância [c. 1900]
Actual da Voz do Operário, tornejando a Travessa de São Vicente, antiga das Bruxas
Machado & Souza, in AML

Localização da Tv. de S. Vicente e do chafariz na antiga Rua da Infância em 1890

Bibliografia
ARAUJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, pp. 50-58, 1938.

Sunday, 11 April 2021

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa

A Casa-Museu Anastácio Gonçalves (antiga casa-atelier de José Malhoa) situada na Avenida Cinco de Outubro, 6-8,  obteve o Prémio Valmor de 1905. Classificada Imóvel de Interesse Público pelo Dec. 28/82 de 26 de Fevereiro. Abre ao público em 1980.


Edifício projectado pelo arquitecto Norte Júnior em 1904, foi seu construtor Frederico Ribeiro, "o constructor da primeira casa de artista que fizesse em Lisboa". Dominado pela linguagem ecléctica em voga, sobressai, no entanto, o gosto pelo neo-românico. Edificada para residência e atelier do pintor José Malhoa, foi adquirida em 1932 pelo médico oftalmologista Dr. Anastácio Gonçalves (1889-1965), que a doou ao Estado, sendo mais tarde adaptada a casa-museu e recebendo obras de ampliação em 1996 sob projecto dos arquitectos Frederico e Pedro George, anexando uma moradia contígua também da autoria de Norte Júnior [vd. 2ª imagem]

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [1905]
Para os autores da A Construção Moderna o edifício encontra-se “entre essas raras manifestações de arte que hão de servir de padrão de estimulo à Lisboa estética do futuro (...)”. [A Construção Moderna, ano VI, n.º 1, Fevereiro de 1905]
Avenida Cinco de Outubro com a Rua Pinheiro Chagas (esq.)
Paulo Guedes, in AML

Edifício com dois pisos e cave, sobressai o espaço correspondente ao ateliê, denunciado exteriormente por um janelão e uma clarabóia de iluminação zenital. Identificam-se três corpos: o central, avançando a fachada principal; sobre o lado esquerdo, um corpo recuado com escada e alpendre protegendo a porta de entrada; e, do lado direito, um núcleo praticamente autónomo pertencendo à zona da sala de jantar. Sublinhando a separação dos pisos, percorre o edifício um friso de azulejos em azul com elementos vegetalistas da autoria de Jorge Pinto, interpretações livres dos desenhos de Malhoa e António Ramalho, transpostos para pintura a fresco por Eloy Amaral. As esculturas das fachadas são de António Augusto Costa Mota.

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [1908]
Moradia contígua à Casa-Museu Doutor Anastácio Gonçalves, também assinada por Norte Júnior, anexada ao edifício principal, em 1987; antiga Casa António Pinto da Fonseca Mota (1908). 
Rua Pinheiro Chagas, 2-6
Paulo Guedes, in AML

O grande janelão de sacada, correspondente ao atelier, é encimado por frontão onde se exibe a inscrição «PRO ARTE». Sobressaem ainda dois vitrais na sala de jantar e na sala anexa ao atelier. Merece menção a serralharia artística com elementos arte nova, destacando-se o portão principal em forma de borboleta, com desenho do arquitecto e execução de Vicente Esteves.
As janelas que se abrem no vão do arco dessa fachada, com as pedras de peito das laterais de forma curva, sugerem que todo o conjunto está confinado a um círculo. O gradeamento das varandas, em ferro, segue a tendência Arte Nova.

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [1908]
Núcleo praticamente autónomo, do lado direito,  pertencendo à zona da sala de jantar.
Avenida Cinco de Outubro, 6-8
Paulo Guedes, in AML

N.B. A Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves é um espaço museológico da cidade de Lisboa onde se expõe o acervo reunido pelo médico coleccionador António Anastácio Gonçalves. O conjunto de cerca de 3.000 obras de arte compõe-se por três grandes núcleos: pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, porcelana chinesa e mobiliário português e estrangeiro. Existem ainda importantes núcleos de ourivesaria civil e sacra, pintura europeia, escultura portuguesa, cerâmica europeia, têxteis, numismática, medalhística, vidros e relógios de bolso de fabrico suíço e francês. Para além das obras reunidas pelo coleccionador, a Casa-Museu encerra ainda um significativo espólio documental e um conjunto de desenhos, aguarelas e pequenos artefactos pertencentes ao espólio do pintor Silva Porto.

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [191-]
Foi descrita em 1909 como uma “(...) casa artística, o ninho feliz de um grande e genial artista. (...) Quer se analyse em conjuncto, quer em detalhe, a casa do sr. Malhôa é uma casa artística em toda a accepção da palavra, e, considerada irreprehensível sob todos os pontos de vista”. [A Arquitectura Portuguesa, Lisboa, Fevereiro de 1909]
Avenida Cinco de Outubro com a Rua Pinheiro Chagas vendo-se a moradia contígua erguida em 1908 (esq.)
Joshua Benolielin AML

Bibliografia
ALMEIDA, Álvaro Duarte de, Portugal património: Lisboa, 2007.
ACCIAIUOLI, Margarida, Casas com escritos: uma história de habitação em Lisboa, 2015.

Friday, 9 April 2021

Inauguração do pedestal iluminado para o sinaleiro dos Restauradores

Estavam agora nos Restauradores à espera que o sinaleiro lhes autorizasse a passagem.
 — Quase uma hora! Tenho de ir andando.


Topónimo dado pela edilidade lisboeta presidida por José Gregório da Rosa Araújo à «nova praça que fica limitada do lado do nascente e do lado do poente pelos predios do antigo largo do Passeio Publico e de parte das antigas ruas Oriental e Occidental do Passeio Publico, do lado do norte pela recta que une os cunhaes formados na juncção da rua dos Condes e da calçada da Gloria com as duas ruas acima referidas, e do lado do sul pela cortina da rua do Jardim do Regedor e pelos prédios do antigo largo do Passeio Publico», conforme refere o Edital de 22/07/1884.

Inauguração do pedestal iluminado, para o sinaleiro dos Restauradores [1927]
Praça dos Restauradores
Antigo Largo do Passeio Público e parte das Ruas Oriental e Ocidental do Passeio Público 
Fotógrafo: não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Sunday, 4 April 2021

Chafariz do Loreto, de Neptuno ou dos Galegos

Já que evocámos o passado seja-nos licito lembrar o celebrado Chafariz dos Galegos, ou seja o Chafariz de Neptuno, que durou até 1859, com a sua estátua daquele «deus», obra de Machado de Castro (1771).
Ao fundo da praça, ao norte, erguia-se um vistoso chafariz, a que frei Nicolau não duvida chamar formosíssimo, com quatro bicas a correr. O chafariz tinha uma estátua de Neptuno (não sei desde que tempo), assim como o do Terreiro do Paço tinha um Apolo.


A nossa atenção vai demorar-se na recordação do antigo chafariz de Neptuno, que tão airosamente compôs este curioso centro urbano, num lapso de tempo que foi de 1780 a 1858. O conjunto arquitectónico dessa obra pública, risco dos arquitectos Miguel Ângelo Blasco e Reinaldo Manuel dos Santos, estava estava coroado pela figura mitológica — deus do mar e das águas, entre os romanos — , de tridente fundido em bronze, conjunto modelado por Machado de Castro, e que a Câmara de Lisboa encomendou em 1771, sendo executado em Itália, em mármore de Carrara

Chafariz do Loreto,  do Neptuno ou dos Galegos [c. 1842]
Largo do Chiado, antigo das Portas de Santa Catarina
Era bem curioso este Chafariz, com dois tanques ao rés-da-rua, e outros tanques no plano superior — defendido de platibandas para o qual se subia por uns escadórios. [Araujo: 1939]
Litografia de Charles Legrand

Por Chafariz de Neptuno ou Chafariz do Loreto, se designava, indiferentemente, esse monumento de grande utilidade pública. Possuía quatro tubos de correr água e estavam-lhe adscritas seis companhias de aguadeiros, seis capatazes e cabos, cento e noventa e oito aguadeiros e um ligeiro.
Quando a bonita peça de arte começou a ser desmontada, em Novembro de 1858, formou-se, em seu redor, enorme ajuntamento de povo e esboçaram-se protestos, sendo muitas as solicitações no sentido de que o chafariz fosse transferido para local próximo e acessível. 
tanque foi levado para a Rua do Tesouro Velho, actual António Maria Cardosoajustado ao muro do jardim do palácio do conde de Farrobo, onde se conservou até 1916, e a estátua representativa recolheu ao depósito de águas das Amoreiras. Depois, numa peregrinação sem brilho, saiu dali para o Museu Arqueológico do Carmo [1866], e dos Barbadinhos [1881] para a Praça do Chile [1942]. Finalmente, foi embelezar o pequeno reservatório de água que ocupa o centro do Largo de D. Estefânia [1951], sendo-lhe introduzido um vistoso sistema de iluminação.

Portas de Santa Catarina, actual largo do Chiado [c. 1842]
Chafariz do Loreto,  do Neptuno ou dos Galegos
Assentou o Chafariz do Loreto onde está, sensivelmente, a Estátua ao Chiado, e fez a delícia panorâmica deste Largo em toda a primeira metade de oitocentos, no tempo em que no prédio, que veio a dar a Joalheria do Leitão, havia ainda na esquina um candeeiro «de cegonha» [esq. Araújo: 1939]
Litografia por Charles Legrand

Esse senhor omnipotente deixou um profundo desgosto nos seus leais servidores, um regimento de aguadeiros que, numa rendida e disciplinada vassalagem, prestaram culto à carrancuda figura, que António Pedro Lopes de Mendonça, graciosamente lapidou, «Neptuno de tridente em punho, a pescar galegos».
Essa obra de arte ornamental que o camartelo levou, não foi a que primitivamente se estudara e esteve para ser executada, sob projecto de Carlos Mardel, prospecto muito mais grandioso, como se depreende da estampa inserta abaixo, cujo original se guarda no Museu de Lisboa. Conforme esclarece Matos Sequeira, o modelo «Era do género do lindo chafariz da Esperança, com a sua dupla varanda e o seu pano de fundo, de três corpos, rematado por vasos flordelizados, e ficava encostado ao casario que , depois, Francisco Higino Dias Pereira substituiu pelo seu prédio nobre.» [Palácio do Loreto, ou Pinto Basto]

Frontaria do Chafariz das Portas de Stª Catarina [1752]
O terramoto de 1755 inviabilizou a construção do chafariz de Santa Catarina e o projeto de Carlos Mardel não passou do papel. 
Desenho por Carlos Mardel (1696-1763), in Museu de Lisboa

Alçado e planta do Chafariz do Loreto, com estátua de Neptuno 
O chafariz do Loreto custou vinte e cinco contos de réis. O Neptuno deste chafariz, devido ao cinzel de Machado de Castro, foi pago com a quantia de 2015$000 réis. [Sequeira: 1917]
Imagem publicada in: RAMOS, P. O., EPAL: iconografia histórica, vol. 1, p. 65, 2007

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 100, 1939.
CASTILHO, Júlio de, A Lisboa Antiga, p. 66, 1893.
ANDRADE, José Sérgio Velloso d’ – Memória sobre chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Públicos de Lisboa, Belém, e muitos logares do termo, 1851.
COSTA, Mário, O Chiado pitoresco e elegante, p. 276-277, 1987.

Friday, 2 April 2021

Praça do Chile

Em 1942, a Praça do Chile vai receber a estátua de Neptuno, obra do escultor Machado Castro (que dominava o celebrado Chafariz do Loreto), que será transferida mais tarde para a Estefânia, substituída (em 1950) pela estátua de Fernão de Magalhães oferecida pela República do Chile à cidade de Lisboa.

Praça do Chile [post. 1942]
A estátua, de 1771, em mármore de Carrara, é obra do escultor Machado Castro
Judah Benoliel, in AML

O ajardinado que rodeava o lago ali existente foi substituído por outro, quando se mudou o lago para o Largo D. Estefânia e se colocou em seu lugar a estátua de Fernão de Magalhães. Desta forma foi construído em volta desta estátua um ajardinado com cerca de 532m2, arrelvado, tendo-se aberto uma pequenas «fitas» para cultura de plantas de estação, e plantado 4 arbustos. Para a construção do ajardinado houve que repor, no local do lago, uma boa quantidade de terra de boa qualidade. A construção deste ajardinado demorou apenas 3 dias.
(in Anais do Município de Lisboa, CML, 1951)

Praça do Chile [post. 1942]
A estátua, que ornamentou, em tempos, o Chafariz do Loreto (ao Chiado), após a sua demolição, esteve colocada na Mãe de Água, no Museu do Carmo, no Depósito de Águas dos Barbadinhos e na Praça do Chile, tendo sido transferida para a sua actual localização, no Largo de Dona Estefânia, em 1951
Judah Benoliel, in AML

Sunday, 28 March 2021

Avenida General Roçadas

O General Roçadas foi governador de Angola e o último comandante do Corpo Expedicionário Português cujo nome foi atribuído a um troço do Caminho de Baixo da Penha, por Edital de 27/12/1930, criando-se assim a Avenida General Roçadas, hoje nas freguesias de São Vicente e da Penha de França.

Com a legenda «Herói das Campanhas de África 1865–1926» esta artéria homenageia José Augusto Alves Roçadas (1865–1926), militar que assentou praça em 1882, concluiu o curso da Escola do Exército em 1889 e, chegou a capitão de cavalaria aos 29 anos. De 1897 a 1900 foi enviado para Angola como chefe do estado-maior das forças portuguesas no território e, em 1902 desempenhou o mesmo cargo na Índia. Voltou a Angola em 1904 como governador de Huíla e, em 1907 vingou o massacre de Cunene o que lhe valeu ser galardoado pelo rei D. Carlos com a Torre e Espada, nomeado ajudante-de-campo do rei e, a promoção a major. Com a subida ao trono de D. Manuel II foi também promovido a tenente-coronel. Ainda em 1908 foi Governador de Macau e depois, Governador de Angola, funções de que se demitiu com a implantação da República e regressou a Portugal, comandando a partir daí várias unidades militares.

Avenida General Roçadas [195-]
Troço do Caminho de Baixo da Penha
Judah Benoliel, in AML

Em Outubro de 1914 Roçadas voltou ao sul de Angola para combater os alemães, com 1 600 homens. No combate de Naulila e, apesar da superioridade numérica das forças portuguesas venceram os alemães, o que obrigou os militares portugueses a recuar para norte do Cunene e do Caculevar, o que impulsionou os povos de Humbe a revoltarem-se expulsando a ténue presença portuguesa na área e, Alves Roçadas voltou para Portugal em 1915. Em Setembro de 1918, Roçadas passa a general e torna-se o comandante da 2ª divisão do Corpo Expedicionário Português em França, o último enviado durante a I Guerra Mundial e assim, foi encarregue do repatriamento e da extinção da presença portuguesa na França e na Bélgica.
Em 1919 foi nomeado governador dos territórios da Companhia de Moçambique e de lá voltou apenas em 1923. Integrou a partir daí o grupo de militares e civis em torno de Sinel de Cordes que preparou o golpe de 28 de maio de 1926, sendo mesmo o General Roçadas o indicado para tomar o poder, o que não aconteceu por ter adoecido pouco tempo antes do golpe e falecido um mês depois. [cm-lisboa.pt]

Avenida General Roçadas [195-]
Judah Benoliel, in AML

Friday, 26 March 2021

Rua das Taipas

Na lomba, aos pés das Taipas de hoje, elevava-se casario, e estava desenhada a encosta da Glória, depois Calçada formalizada nos roteiros. Mas cá em cima, num plano irregular, circundada de chãos que eram de particulares, desagregados dos prazos pertencentes a Santa Maria (Sé) e a Santa Justa, o «cômoro», planície que olhava, como hoje, a Lisboa velha, não tinha foros de alameda.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, p. 71, 1938)

Rua das Taipas [c. 1900]
Antiga de São Sebastião vulgo de São Sebastião das Taipas
Panorâmica tirada de São Pedro de Alcântara; Colina de Santana
Paulo Guedes, in AML

A travessa das Taipas já em 1778, na citada relação manuscrita do tenente coronel Monteiro de Carvalho, aparece com o actual nome de rua de São Sebastião das Taipas. Tinha, então, de risco pombalino, dezasseis propriedades do lado nascente e duas do lado do poente.
(MATOS SEQUEIRA, Gustavo de, Depois do Terremoto, 1933)

Rua das Taipas [c. 1900]
Antes de São Sebastião vulgo de São Sebastião das Taipas
Palacete Gama Pinto (1853-1945), médico-oftalmologista.
Paulo Guedes, in AML

N.B. Em 1885, Gama Pinto regressou a Lisboa e, três anos depois, fundou o Instituto de Oftalmologia sito na Rua do Passadiço, o primeiro centro de formação de oftalmologistas do país que, hoje, tem o seu nome. Gama Pinto foi certamente o primeiro especialista em oftalmologia em Portugal.

Sunday, 21 March 2021

Chafariz Alcolena ou da Boa Memória

Obra do arq. régio Possidónio da Silva, este chafariz foi inaugurado em 13 de Junho de 1850, em frente à Igreja da Memória. A necessidade da sua construção prendeu-se com o facto do habitual ponto de abastecimento de água localizado no Palácio das Secretarias, na Calçada da Ajuda, ter sido adaptado para residência do rei consorte D. Fernando de Sax-Coburgo. Sugerindo os chafarizes de obelisco, traduz, apesar da sua simplicidade, uma elegância de formas, que concilia superfícies ondulantes e rectilíneas

Chafariz Alcolena ou da Boa Memória [1932]
Calçada do Galvão
A falta de água em Lisboa e o assalto ao chafariz, sob o o olhar atento do policia, assim que aquela aparece.
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Do seu tanque de recepção de águas rectangular eleva-se ao centro, sobre uma base quadrangular, uma pirâmide alongada, como se fosse um jarro bojudo, de secção quadrangular com o colo alto e arestas curvas. Este conjunto surge rematado por uma espécie de vaso ou urna, coroado por uma esfera. Numa das faces da sua base exibe as armas camarárias. [cm-lisboa.pt]

Chafariz da Memória [1939]
Calçada do Galvão [antiga Estrada do Penedo]
Eduardo Portugal, in AML

N.B. Este topónimo homenageia António José Galvão, oficial-mor do Corpo de Sua Magestade (Intendente das Polícias). No nº 25-28 deste arruamento encontra-se a «Casa do Galvão», casa nobre de gosto barroco, construída numa quinta doada, em 1758, pelo rei D.José I a António José Galvão.
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