Sunday, 1 February 2026

Calçada da Bica Grande

Olha-me esse gracioso nicho, com forma de baldaquino vazio, em lavra Manuelina, no cunhal do prédio da esquina Oriental da Calçada (escadinhas) da Bica Grande. (Araújo: XIII, 1939)


Atestando as fartas quantidades de água existentes no sítio, foram surgindo na encosta do Bairro da Bica desde o final do século XVI diversos chafarizes públicos na confluência das ruas.
Poder-se-ia assim pensar que a razão do topónimo Calçada da Bica Grande para esta calçada de escadinhas do Bairro que sobe da Rua de São Paulo à Travessa do Cabral, derivasse da proximidade a uma fonte, sendo que tal sucede com um grande tanque setecentista que se encontra na Vila Pinheiro, local mais conhecido como Pátio do Broas.

Calçada da Bica Grande |entre 1908 e 1914|
Note-se, à dir .do prédio que vira para a da R. de S. Paulo, à altura das
bacias das sacadas do 1.º andar, um nicho com baldaquino , de delicada escultura do séc. XVI.
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente

Todavia, sobre esta artéria central do bairro da Bica, o olisipógrafo Norberto Araújo argumenta que “Bica Grande” e Bica Pequena podem ter sido apenas denominações dadas com o sentido de “Calçada Grande” e “Calçada Pequena”, o que até se ajusta à largura e extensão das serventias.

Calçada da Bica Grande |191-|
Roque Gameiro (1864-1935)

Friday, 30 January 2026

Rua da Escola Politécnica, 51-55: «Casa das Tesouras»

De acordo com o olisipógrafo Matos Sequeira — reportando-se a uma noticia de um jornal daquela época — terá sido por volta de 1858 que foi construído o edifício dito «das onze portas» (risco do arquitecto Pezerat), dez das quais ficam no lado direito desta rua e uma na Rua do Monte Olivete.
Nele se instalou por volta de 1890, uma famosa alfaiataria de homens, de seu nome «Casa das Tesouras», de José Clemente e que forneceu Lisboa, até aos anos trinta do séc. XX, de capotes, sobretudos,  gabões e fatos de homem. Encerrou em 1935.
(Claus-Günter Frank, Lisboa: À descoberta da metrópole portuguesa, 2019)

Rua da Escola Politécnica, 51-55 |1922-05-03|
«Casa das Tesouras»: Moderníssimo prêt-à-porter do séc. XIX.
Nos baixos deste enorme prédio de dez vãos, fica(va) a Farmácia Albano e a Leitaria Camélia de Ouro. 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Esta artéria –  refere Mestre Norberto de Araújo, a quem vamos sempre seguindo –  , rasgada como larga serventia entre as quintas do Noviciado da Companhia de Jesus e a de D. Rodrigo, fazia a ligação do sítio da Cotovia com o de Campolide, que começava — onde veio a ser o Rato. Antes do Terramoto a rua tinha duas designações para cada um dos seus troços: Rua Direita da Fábrica das Sedas até ao Palácio dos Soares (depois Imprensa Nacional), daí para diante até à actual Praça do Rio de Janeiro [desde 1948 corresponde à Praça do Príncipe Real] era Rua do Colégio dos Nobres, designação que sucedeu à de Rua Direita da Cotovia. Em Setembro de 1859 passou toda a artéria a ser Rua da Escola Politécnica. [Araújo: 1939]

A mágica da «Casa das Tesouras», publicidade

Sunday, 25 January 2026

Cais da Ribeira: cena de rua

Nos primeiros anos do séc. XX diversas empresas asseguravam o tráfego fluvial de Lisboa com a “Outra Banda”. A Parceria dos Vapores Lisbonenses, sedeada no “chalet” do Cais do Sodré, tinha duas carreiras diárias para Aldeia Galega (Montijo), onde se pagava 160 réis à ré e 120 réis à proa. Na “linha” de Cacilhas, durante a semana, os preços variavam de 60 réis à ré a 40 réis à proa, saindo os barcos com um intervalo de 40 minutos.
(in Guia do Viajante, Lisboa 1907)

Cais da Ribeira: recolher das redes de pesca |1912|
Em segundo plano destacam-se os famosos "Hotel Central" e "Hotel Bragança (ou Braganza)" mais atrás, ambos referidos por Eça de Queiroz nos seus romances e já aqui mencionados.
Joshua Benoliel
, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): As ovarinas (o 'o' etimológico perdeu-se na pronúncia) (peixeiras) formam com seus pais, maridos e irmãos a mais curiosa população desta cidade; população inteiramente à parte e com carácter e feição própria.

Cais da Ribeira: cena de rua |c. 1900|
A freguesia aguarda enquanto as varinas preparam o peixe para a venda. Antiga Estação da "Parceria dos Vapores Lisbonenses", fundada em 1890; Cais do Sodré.
Autor não identificado, in Lisboa de Antigamente

Friday, 23 January 2026

Esquina da Rua Augusta com a Rua da Conceição

Sobre a Rua da Conceição refere a Portaria de 1760 que «Assim se denominará a segunda das referidas seis traveças, e nella se acommodorão os Mercadores de logens de retroz», pelo que não é estranho que o arruamento também tenha sido vulgarmente conhecido como Rua dos Retroseiros ao longo do século XIX.

A 6 de Setembro de 1918, é autorizada a constituição do Banco Industrial Português, como sociedade anónima de responsabilidade limitada. A escritura de constituição de sociedade foi celebrada em 14 de Fevereiro de 1920, com um capital de 5.000 contos, elevado em Março de 1923 para o dobro. Em 5 de Novembro de 1925 abre falência.

Esquina da Rua Augusta com a Rua da Conceição |1930-01-12|
Banco Industrial Português
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto está erradamente identificado no arquivo

Sunday, 18 January 2026

Cena de rua na Praça da Estrela

A Basílica leva duzentos e vinte anos {em 1939]. A Estrela é quinhentista na designação. Pelo sítio amável deste bairro, hoje dilatado e formoso, passam ainda o capuz de um frade e a sombra do jumentinho que levava os cestos de azeitona dos olivais de S. Bento aos lagares da Horta Navia.

Cena de rua na Praça da Estrela |c. 1900|
Enquanto os quatro muares puxam uma carroça de transporte, o burrico vai comendo a aveia do seu embornal.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Cena de rua na Praça da Estrela |c. 1900|
No lugar daquele urinol em ferro forjado irá surgir, em 1909, o quiosque do Jornal o Seculo.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A Basílica do Coração de Jesus, obra dos arquitectos da escola de Mafra, foi consagrada em 1789, já no Convento se haviam recolhido as freiras carmelitas de Santo Alberto. O Zimbório é o coroamento audacioso desta mole arquitectónica.
Na sua imponência alcandorada a Basílica é o frontal da mais alacre praça de Lisboa. [Araújo: 1943]

Friday, 16 January 2026

Clube de Futebol Benfica: Estádio Francisco Lázaro

O Clube Futebol Benfica é uma associação desportiva da cidade de Lisboa cuja origem remonta ao ano de 1895, com a designação Grupo Foot-ball Benfica.
A 23 de Março de 1933 — data assinalada como aniversário — dá-se a reorganização do Clube que, por força da Constituição da República Portuguesa então vigente, altera o seu nome para o actual Clube Futebol Benfica, através de um manifesto distribuído à população do Bairro de Benfica.

Clube de Futebol Benfica: Estádio Francisco Lázaro |1960|
Rua Olivério Serpa, 9; Igreja de Benfica (Nª Sª do Amparo)
João Goulart, in Lisboa de Antigamente
Clube de Futebol Benfica: Estádio Francisco Lázaro |1960|
Rua Olivério Serpa, 9
João Goulart, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 11 January 2026

Beco da Corvinha que foi «da Curvinha» e «da Corvina»

Corvinha (Beco da) — Começa, segundo o Roteiro da Cidade de Lisboa, de 1920, na Calçadinha da Figueira e finda no [antigo] Beco do Alegrete [hoje Calçadinha de São Miguel]. No Itinerário lisbonense, de 1804, na parte relativa aos Becos, lê-se: «Curvinha: he o primeiro à esquerda no fim da Calçadinha da Figueira, vindo da Rua de Castello Picão, e termina no Becco do Alegrete».
Vê-se, pois, que houve acerca do letreiro deste Beco inadvertência igual à de que foi objecto o Pátio do Curvo, segundo no artigo que a este diz respeito se explica: troca do "u" pelo "o".
Na 1.ª edição do Roteiro das Ruas de Lisboa, de Queirós Veloso (1864), já os dísticos Curvo e Curvinha aparecem desfigurados.

Beco da Corvinha |s.d. (post. 1933)|
Igreja de S. Miguel
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): imagem sem data; local da foto não está identificado no arquivo.

Curvinha é o diminutivo feminino de Curvo, e este vocábulo foi elemento do apelido de uma familia distinta e numerosa: a dos Curvos Sem-medo ou Semmedo.
No Livro das Plantas encontra-se com a designação Corvina.
O beco surge também como “da Corvina” na Corografia Portuguesa do Padre António Carvalho da Costa. [Brito: 1935]

Beco da Corvinha |c. 1960|
Igreja de S. Miguel
Artur Pastors, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): imagem sem data; local da foto não está identificado no abandalhado amL..

Friday, 9 January 2026

Avenida Fontes Pereira de Melo

Esta artéria, que homenageia António Maria Fontes (1818-1887), estava integrada no Plano das Avenidas Novas, do Eng.º Ressano Garcia, aprovado em 1888 pela Câmara Municipal de Lisboa, seguia as ideias urbanísticas do séc. XIX, aplicando os princípios higienistas de combate à insalubridade das densas vilas da industrialização, definindo um traço regular formado por quarteirões uniformes, numa sequência de eixos estruturantes articulados por rotundas. 

Avenida Fontes Pereira de Melo |1969|
O Mercado 31 de Janeiro no sítio das Picoas data de 1924. Neste local funcionou até meado da década de 1950 o Matadouro Municipal de Lisboa depois edifício-sede da Portugal Telecom — «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades».
Artur I. Bastos, in Lisboa de Antigamente

Neste plano, a Avenida Fontes Pereira de Melo constituía o elemento de ligação do conjunto das ruas adjacentes ao Parque da Liberdade (hoje Parque Eduardo VII) com o núcleo Picoas – Campo Grande.

Avenida Fontes Pereira de Melo |1959|
Antiga Rua Fontes, junto a Av. António Augusto de Aguiar (esq.); obras do metropolitano.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente
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