Sunday, 17 May 2026

Desmontagem do Arco da Rua de São Bento

Construído em 1758, este arco estava integrado na Galeria da Esperança do Aqueduto das Águas Livres. Foi desmontado em 1938-39 em consequência das obras de remodelação do espaço em frente do Palácio de São Bento.
Esteve desmontado durante décadas, primeiro nos jardins do Palácio da Ajuda e depois na Praça Espanha, onde foi finalmente reconstruído em 1998.

 Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1938-12-15|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O Arco de S. Bento é de ordem dórica e conduzia a água para o chafariz da Esperança. É, tal como o das Amoreiras, seu gémeo, mas sem a imponência  deste que celebra, triunfalmente, a entrada das águas na cidade.

  Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1938-12-15|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

De acordo com o olisipógrafo Matos Sequeira a parte da moderna rua deste nome, desde o entroncamento dos Poiais até onde depois se ergueu o Arco, foi conhecida por diversos nomes até à sua inclusão no arruamento.
Em 1626, pela designação: defronte de São Bento-o-Novo; em 1639, volta de São Bento, ou defronte da horta; em 1650, simplesmente volta de São Bento; em 1656 e 1657, defronte da horta de São Bento; e, em 1668 e 1669, por frontaria da horta de São Bento ou só frontaria de São Bento. [Sequeira: 1917]

Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1939-02-16|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1939-03-26|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Friday, 15 May 2026

Rua do Arco do Cego que foi Estr.

Entre o Campo Pequeno e Arroios existiu um arco de pedra, — e esse arco, chamado, não se sabe porquê «Arco do Cego» deu o seu nome a esse troço de estrada que, nos subúrbios da Lisboa setecentista, ia do largo ou terreiro de S. Jorge até ao Palácio Galveias. [Araújo: 1939]

Rua do Arco do Cego |1961|
Junto ao jardim sito na Rua Costa Goodolfim.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Enquanto topónimo, o Arco do Cego surge na cartografia de Filipe Folque, em 1858, como Estr. do Arco do Cego,

Rua do Arco do Cego |1966-03|
Prédios (ainda existentes) defronte do edifício-sede da CGD.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 10 May 2026

Beco da Formosa e Pátio do Prior

Formoza (beco da) segundo à esquerda na rua de S. Miguel, indo do largo de S. Miguel e finda no beco das Cruzes, freguezia de S. Miguel 2 a 20 e 1 a 19.
Prior (pateo do) fica no beco da Formosa, freguezia de S. Miguel 1 a 11. Nota: A entrada é no beco da Formosa n. 15. [Velloso: 1869]

O casal que, mão na mão, vem a sair do Beco da Formosa, que desemboca à nossa esquerda, são Karl Faller e a sua misteriosa acompanhante, do romance «Parlando (2001)», de Bodo Kirchhoff .
Os dois chegaram em breve à rua que ficava por cima da esbranquiçada confusão de vielas de Alfama e no cimo de uma escadaria fortemente inclinada, que levava à barafunda de casas e ruelas, ela disse subitamente «Eu vou por aqui», como se aquele atalho fosse só dela, agradeceu o almoço e logo, logo, desatou a correr escada abaixo. Não pude fazer nada, só pude segui-la com o olhar, até ela, lá em baixo, virar para o interior de um beco, como se nunca ali tivesse estado, e eu arranjar forças ou ânimo para voltar a segui-la. 

 

Beco da Formosa e Pátio do Prior em 1946 e 1962
À esq. vemos Alfama antes da remodelação realizada na década de 1960 e, à dir., depois daquela. Ao cimo nota-se o Beco das Cruzes.
Imagens por Fernando Pozal e Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

 

Lancei-me pela escada, a dois ou três degraus de cada vez, corri todo o beco, tão estreito que uma pessoa podia tocar em ambos os lados, mas ela já lá não estava, ali só estavam mulheres que vendiam avulso peixes com formas de serpentes, e eu corri ainda mais para o interior de Alfama – «onde há sempre alguém, em qualquer lugar, a martelar ou a serrar, como se o bairro inteiro fosse um nunca mais acabar de pessoas a fabricar ou consertar qualquer coisa; no cruzamento de duas vielas logo a seguir, uma delas com o nome de «da Formosa», inesquecível nome, apanhei-a finalmente, e ela disse «Pois bem, seja», deu-me a sua mala para que eu a levasse e em troca pegou na minha pasta e na minha mão.
De mão na mão, de forma estranhamente sensata, como se houvesse a modalidade de desporto «andar-de-mão-na-mão», percorremos o tortuoso Beco da Formosa e chegámos a uma praça que era uma espécie de pátio interior com uma igreja lá metida à pressão.==

Beco da Formosa e Pátio do Prior |1962|
Alfama antes da remodelação realizada
na década de 1960.

Salvador Fernandes, in Lisboa de Antigamente
Beco da Formosa e Pátio do Prior |1966|
Alfama depois da remodelação realizada
na década de 1960.

Eduardo Gageiro, in Lisboa de Antigamente












Friday, 8 May 2026

Praça de Alvalade

A Praça de Alvalade foi criada aquando da construção do Bairro de Alvalade, tendo inicialmente adoptado a designação de Largo Frei Luís de Sousa. Contudo, quando foi erigida no seu centro a estátua de Santo António, da autoria do escultor António Duarte, em 1972, evitaram-se as confusões, dando-lhe então a actual designação e alterando a designação do Largo de Alvalade para Largo Frei Luís de Sousa.

Praça de Alvalade |c. 1950|
Construção da Praça de Alvalade, surgindo á dir. a Av da Igreja e, para N., a Av. de Roma com parte do Hosp. Julio de Matos, ao fundo, na Av. do Brasil. A transversal à esq. é a Rua Violante do Céu.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. Monumento a Santo António foi erguido na rotunda do cruzamento das Avenidas de Roma e da Igreja, no bairro de Alvalade, representa a consagração oficial e pública do português ainda em nossos dias mais conhecido no mundo, mercê da sua eloquência e sabedoria. A estátua de bronze de 5,50 m de altura é da autoria do escultor António Duarte, que optou por retratar o Santo na postura de pregador, em vez da tradicional imagem com o Menino Jesus ao colo. A base, composta por quatro blocos de mármore, é da autoria do arquitecto Antero Ferreira.
Inaugurado em 4 de Outubro de 1972, o monumento tem 12 m de altura total e pesa 78 toneladas.

Praça de Alvalade
Em 1971 passou a denominar-se Praça de Alvalade e, integrando. 
desde 1972, o Monumento a Santo António.
Juan Rodriguez, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 3 May 2026

Largo de São Carlos que foi «do Directório»

[...] Desçamos a Travessa dos Teatros, cortemos a Rua da «Lucta» [hoje Rua dos Duques de Bragança/ Largo do Picadeiro] — convida Norberto de Araújo — e, pelas Escadinhas, entremos no antigo Largo de S. Carlos, desde 1911 chamado Largo do Diretório, em comemoração do facto de neste grande prédio, n.º 4 [vd. 3º imagem N.B.], ter estado instalada nos anos que precederam a proclamação da República, e algum tempo depois de 1910, a sede do Partido Republicano Português, e seu Directório.==

Largo de São Carlos que foi «do Directório» |c. 1900|
Ao fundo vêem-se as Escadinhas que levam à Rua Paiva de Andrada onde se observa a cerca do Palácio do Loreto e a torre sineira da Igreja de N. S. da Encarnação.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Neste Largo de S. Carlos que foi «do Directório» ergue-se o imponente teatro do mesmo nome, cujas fachadas laterais se prolongam pelas Ruas de Serpa Pinto e da Rua dos Duques de Bragança/Largo do Picadeiro. Foi construído no final do século XVIII, obedecendo ao risco do arquitecto José Costa e Silva, sob a inspiração do velho San Carlo, de Nápoles. Destinado à ópera lírica e bailados, a récita inaugural celebrou-se em 30 de Junho de 1793 com La Ballerina Amante, de Cimarosa.

Largo de São Carlos que foi «do Directório» |1911|
Descerramento da placa toponímica do antigo Largo do Directório.
Nota(s): Por edital de 1956, voltou a denominar-se Largo de São Carlos. passando o topónimo ao espaço envolvente.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. Foi nesta pequena Praça, no 4º esquerdo do nº 4, que nasceu a 13 de Junho de 1888 o escritor Fernando Pessoa. Situada na colina ocidental de S. Francisco, ao pé da zona do Chiado e um pouco mais abaixo da elegante Igreja dos Mártires, esta praça pequena e recôndita é uma síntese da Lisboa provinciana, se não aldeia — ainda que anos mais tarde o nosso poeta lhe chamasse «A minha aldeia» — e da Lisboa cosmopolita, pois num dos seus lados, paralelamente à não distante corrente do Tejo, fora construído o atrás mencionado Teatro de São Carlos.

Largo de São Carlos que foi «do Directório» |1925-07-25|
Praça sita entre as Ruas Serpa Pinto (dir., antiga Nova dos Mártires, 1885) e Paiva de Andrada (antiga do Outeiro, 1890).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, P
eregrinações em Lisboa, vol. XIII, 1939.
CRESPO,  Ángel, A vida plural de Fernando Pessoa, 1990.

Friday, 1 May 2026

Rua de Martim Vaz

Martim Vaz (Rua de) É a segunda à direita, subindo pela calçada de Santa Ana e termina na mesma calçada, ensina o Itinerário Lisbonense de 1818. Derivou-lhe o nome de um célebre letrado que figura já na Estatística de 1552. Cristóvão Rodrigues de Oliveira dá na freguesia de Santa Justa um Beco de Martim Vaz, não mencionando rua com tal denominação. Por onde se poderá entender que seja o denominado Beco a actual Rua, mas mais ampla do que seria então tal artéria da cidade, por força de modificações locais posteriores. 

Rua de Martim Vaz, 1 |1923|
Letrado do Século XVI
Perspectiva tirada da Cç. de Sant'Ana.
Nota(s): Amália Rodrigues nasceu nesta artéria em 1920.

Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

É preciso porém advertir que houve nesta época outro indivíduo com igual nome, e também com tal qual notoriedade. Era juiz do Pezinho e como tal encontramos este outro Martim Vaz em 1565. Morava porém na Rua do Cura da Madalena, freguesia desta invocação. [Brito: 1565]

Rua de Martim Vaz N→S |1902-05|
Letrado do Século XVI
Perspectiva tomada junto ao Largo do Tabelião que se abre à dir. na imagem. 
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 26 April 2026

Beco de Santa Helena

Helena (beco de Santa) primeiro à esquerda na rua do Castello Picão, indo da calçadinha de S. Miguel e finda no largo das Portas do Sol, freguezias de S. Miguel 1 a 13, S. Vicente 2 a 12 e 15 a 25. [Velloso: 1869]

Enfiemos por este Beco de Santa Helena na companhia. mais uma vez, do olisipógrafo Norberto de Araújo.
No seu primeiro lanço este beco nada tem de especial, mas no seu segundo, de escadarias, passado o Beco do Garcês, a perspectiva é já repousada, com o ambiente que advém, à direita, dos jardins do Palácio do Conde de S. Miguel (dos Arcos ou do Salvador).

Beco de Santa Helena |c. 1960|
Perspectiva tomada das Portas do Sol antes da remodelação do sítio. Ao fundo
nota-se a 
Igreja de São Vicente de Fora.
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Não se desdenha de ser Alfama, mas uma Alfama tranquila, sem gatos nem mulherio, um sítio que não oferece pano para mangas aos escritores que só encontram gracilidade urbanista onde o carácter é plácido e onde não existe nem um cunhal, nem uma gelosia, nem um sinal de povo, nem uma garatuja de nobreza, nem um sopro religiosidade..==

Panorâmica sobre o Beco de Santa Helena |c. 1960|
Perspectiva tomada junto ao nª 21 onde se vêem os frades de pedra. Do lado esq. observa-se o muro do Palácio do Conde de S. Miguel (dos Arcos ou do Salvador) que desemboca no Beco do Garcês.
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Embora se desconheça a data de atribuição do topónimo sabe-se que esta designação é anterior ao Terramoto.
Na Idade Média e na Idade Moderna, os topónimos apareciam de forma natural, inspirados numa atividade, num acidente geográfico, numa propriedade, no nome do proprietário mais importante, numa direção ou, até, em nomes de santos, igrejas, conventos e ordens religiosas.

Beco de Santa Helena |962|
Perspectiva tomada junto ao nª 21 — próximo do Mural História de Lisboa (dir.).
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

N.B. Santa Helena, de família plebeia e pagã, nasceu em meados do século III na Turquia); essa cidade, mais tarde, foi chamada Helenópolis, em sua honra, pelo seu filho e futuro imperador Constantino, o primeiro imperador cristão. Muito piedosa, Santa Helena partiu em peregrinação para a Terra Santa, onde se diz que encontrou a verdadeira Cruz do Salvador.

Beco de Santa Helena |1945|
Perspectiva tomada da Rua do Castelo Picão na direcção do Beco do Garcês.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 59, 1939.
BACKHEUSER,Everardo, Toponímia: (Suas regras — Sua evolução), 1049.

Friday, 24 April 2026

Avenida de 24 de Julho: apeadeiro de Santos

Pela Avenida de 24 de Julho, bem-talhada, correm os veículos em paralelo com o comboio da linha de Cascais. Oficinas, estaleiros, o mercado do antigo Aterro, fábricas, com seus canos altos bordam a margem do Tejo que de ali se avista. [Martins: 1945]

Depois saiu para a luz ofuscante do meio-dia e encaminhou-se para o comboio. Comprou um bilhete para a Parede e perguntou quanto tempo demorava. O empregado respondeu que demorava pouco e ele sentiu-se satisfeito. Era o comboio da linha do Estoril, e levava sobretudo pessoas em férias. Pereira sentou-se do lado esquerdo do comboio porque tinha vontade de ver o mar. [Tabucchi: 1938]

Avenida Vinte e Quatro de Julho |c. 1900|
Comboio a vapor no apeadeiro de Santos
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Web Analytics