domingo, 20 de setembro de 2026

Da velha Estr. que foi de Sacavém — pelas Ruas Alves Torgo e Agostinho Lourenço — até ao Apeadeiro do Areeiro

A velha Estr. de Sacavém tinha o seu começo no cunhal da primitiva Igreja de S Jorge de Arroios, do lado da sacristia onde se lia o respectivo letreiro municipal, posteriormente substituído pelo de Rua Alves Torgo, e estendia-se pela Portela até Sacavém, num percurso de cerca de quatro quilómetros.
Depois de, em 1956, ter perdido este troço para a Rua Agostinho Lourenço, a Rua Alves Torgo, que agora deságua no Areeiro, voltou a ser encurtada quando o troço compreendido entre a Rua António Pereira Carrilho e a Alameda Dom Afonso Henriques, passou a denominar-se Rua Quirino da Fonseca.

Com a legenda «Devotado Apóstolo da Instrução Popular» passou José Maria Alves Torgo a integrar a toponímia de Lisboa por deliberação camarária de 2 de Novembro de 1925 e edital de 5 de Novembro de 1925, no que até aí era um troço da Estr. de Sacavém, a partir da esquina da Igreja de Arroios até ao limite da freguesia do mesmo nome.

Rua Alves Torgo |c. 1940|
Troço entre a actual Av. Afonso Costa (dist. 1976) e a antiga Av. do Aeroporto hoje Almirante Gago Coutinho. As casas contiguas do lado esq. ainda por lá estão. 
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Rua Alves Torgo |1938-12-03|
Para esta serventia foram provisoriamente desviados, na década de 1938-40,  os carros eléctricos enquanto decorriam as obras de requalificação da Av. Alm. Reis (N.) e da Praça do Areeiro.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Agostinho Vicente Lourenço nasceu em 1822 na Índia e faleceu em Lisboa no ano de 1893. Químico e Professor universitário, Agostinho Lourenço, formou-se na Escola Médica de Nova Goa, onde leccionou. A ele se devem os estudos das águas minerais do Distrito de Lisboa, Chaves, Vizela, Vidago, a cujos trabalhos, apresentados na Exposição Universal de Paris, foi concedida a medalha de Ouro.
Para Portugal veio em 1862 passando a integrar o corpo docente da Escola Politécnica de Lisboa.

Rua Agostinho Lourenço |1951-08|
Ao fundo, depois da passagem de nível junto ao antigo apeadeiro do Areeiro (onde hoje existe uma ponte pedonal), rasgava-se a Rua Guilhermina Suggia em terrenos da Quinta do Perna de Pau onde se situava o afamado retiro do mesmo nome.
Era o troço da Rua Alves Torgo entre a Avenida do Aeroporto (actual Avenida Almirante Gago Coutinho) e a Linha do Caminho de Ferro de Cintura (Areeiro) [vd. imagem abaixo]
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Rua Agostinho Lourenço |1960|
 Passagem de nível do Apeadeiro do Areeiro junto à Av.  São João de Deus [vd. imagem seguinte]. 
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

O sitio de Arroiosonde nascia a velhinha Estr. de Sacavém — tira o seu nome da série de ribeiros que outrora ali serpenteavam alimentando hortas, prados, quintas e terrenos cultiváveis de vasta extensão.
Apesar disso, outra versão existente, diz que tal designação provém de «arroyos», uma planta medicinal, cuja descrição se encontra no livro intitulado «Luz da medicina».
Afirma Vilhena Barbosa que este sítio, no século XVI - época em que nele foi erigido o célebre Cruzeiro - era um arrabalde de Lisboa e tirava o seu nome, segundo se presume, de umas ervas que ali cresciam, em abundância, então chamadas «arroyos».
Embora não se tivesse chegado a uma conclusão definitiva, tais opiniões não são de excluir.

Aspeto do Apeadeiro do Areeiro (dir.) visto da Avenida Almirante Gago Coutinho |1963-07|
Extinta passagem de nível no eixo Rua Guilhermina Suggia-Rua Agostinho Lourenço (Avenidas Frei Miguel Contreiras (dir.) e São João de Deus).
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia

Revista Municipal, nº 85 de 1960.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, 1938.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Rua Aviador Plácido de Abreu com Rua Prof. Sousa da Câmara, às Amoreiras

O topónimo Rua Aviador Plácido de Abreu foi atribuído pela CML, através de Edital datado de 21/12/1960, ao arruamento com a denominação provisória de Rua Projectada à Rua das Amoreiras ou Rua “B” à Rua das Amoreiras; este troço da velhinha Rua das Amoreiras corresponde, desde 1971, à Rua Prof. Sousa da Câmara [vd. 2ª imagem] que se pode ver ao fundo.

Nota(s): Plácido António da Cunha Abreu (1903-1934), aviador acrobata despenhando-se contra o solo por ocasião da Taça Mundial de Acrobacia Aérea que decorria em Vincennes, França.
Alferes e observador na aviação portuguesa desde 1925, Plácido de Abreu tirou a carta de piloto aviador em 1930 e começou a praticar acrobacia distinguindo-se pelo seu arrojo. No Grande Certame Internacional de Cleveland, em 1932, ficou classificado entre os três primeiros acrobatas não americanos.  [1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Rua Aviador Plácido de Abreu |1967|
Ao fundo corre a velhinha R. das Amoreiras, desde 1971 denominada R. Prof. Sousa da Câmara.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Rua das Amoreiras actual R. Prof. Sousa da Câmara |1967|
Perspectiva tomada das Ruas do Arco do Carvalhão e de Campolide (Cruz das Almas) do troço da antiga Rua das Amoreiras, antes desta ser separada em dois troços distintos pela Av. Eng. Duarte Pacheco em 1948. 
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): António Pereira de Sousa da Câmara (1901-1971) foi Professor Catedrático do Instituto Superior de Agronomia, escola em que se tinha formado como Engenheiro Agrónomo e Engenheiro Silvicultor. Leccionou as cadeiras de Agricultura Geral e de Máquinas Agrícolas. Leccionou ainda a cadeira de Trematologia que, de algum modo era a área científica precursora da Genética no final do século XIX e início do século XX. No seu trabalho de investigação foi pioneiro no estudo e investigação da Genética em Portugal, tendo estagiado, após a conclusão do seu curso nas Universidades de Edimburgo (1932-1933) e Cambridge (1933). Mais tarde estagiou também na Alemanha no Kaiser Wilhelm Institut für Biologie (1936) e na Universidade de Missouri nos Estados Unidos da América (1948). Fundou as revistas de Agronomia Lusitana e Genética e escreveu ABC da Genética (1942) e No Caminho – Guiando Uma Empresa Científica, 1943, além de numerosos trabalhos científicos. [bibliotecacosmos]

domingo, 13 de setembro de 2026

Companhia dos Telefones: Estação Norte de Lisboa

A 10 de Março de 1876 Alexander Graham Bell conseguiu inventar um aparelho exótico e estranho, mas já susceptível de receber ou transmitir a voz humana.
Cinco anos depois da sua invenção o Telefone chega a Lisboa que o recebe num ambiente solene de maravilha.

1915 marca uma etapa decisiva na vida telefónica da cidade. Retardada um pouco pelas incertezas da guerra europeia, inaugura-se finalmente a Estação Norte. É um edifício esplêndido da Rua Andrade Corvo, construído especialmente para esse fim e com capacidade logo de início para 10.000 assinantes. Como trinta e três anos antes a inauguração da nova Estação vai ter solenidade e brilho. Comparece o governo de que era presidente o falecido político Afonso Costa, o Embaixador de Inglaterra, associações económicas, etc.

Companhia dos Telefones (APT): Estação Norte de Lisboa |1922|
Rua Andrade Corvo
Em 1887, a Anglo-Portuguese Telephone, empresa constituída por capitais britânicos, adquiriu à Edison Gower Bell os direitos de exploração das telecomunicações por 50.000 libras. No dia 14 de Setembro daquele ano, foi celebrado um contrato entre a APT e o Estado português.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O edifício novo fez sucesso. As suas linhas sóbrias e amplas são am grito audaz de modernismo no mau gosto característico da época. Ocupa uma área de 440 m² e ali estão ainda instalados Oficinas e Montadores, Fiscalização, Transportes, Consultório, Depósito de Linhas, Cabos e Ferramenta, além das grandes salas de experiências e de comutações, estas últimas ocupadas hoje [1937], em plena época do automático, pelos selectores e outros aparelhos adequados.

Os anos passam...
Finda a guerra, e o período anormal que ela motivou, a Companhia de novo retoma o seu desenvolvimento constante. As cabines públicas que em 1910 eram em Lisboa-54 — sobem em alguns anos para 120. O telefone é cada vez mais necessário.

Companhia dos Telefones (APT): Estação Norte de Lisboa |1922|
A sala de comunicações da Estação Telefónica do Norte na 
Rua Andrade Corvo.
 Em 13 de Janeiro de 1882, or concurso, a Edison Gower Bell Telephone Company of Europe, Ltd recebeu a concessão para explorar as redes de Lisboa e Porto.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

As constantes exigências do público que cada vez mais se familiariza com o telefone, obriga a A. P. T. a lançar as vistas para um edifício novo que sirva agora a área central da cidade. Por isso, em 1920, adquire os edifícios da antigo Salão da Trindade sito na R. Nova da Trindade, 7, sendo a 1.ª pedra para a nova Estação lança-se em 20 de Dezembro de 1923 e inaugurado em 30 de Março de 1925.

Companhia dos Telefones |1961|
Rua Andrade Corvo
Em 1968, após quatro renovações de licença, o Estado português optou por não a prolongar. Foi então fundada a empresa pública Telefones de Lisboa e Porto (TLP), que herdou o património da APT.
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
The Anglo Portuguese Telephone, C.º Ltd.. Lisboa 1937

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Avenida de António José de Almeida: Jardim Gomes de Amorim

O Jardim Gomes de Amorim acompanha toda a lateral de um quarteirão da Avenida em frente à Imprensa Nacional Casa da Moeda.
Cerca de quinze dias após o falecimento de António José de Almeida (1866-1929) decidiu a edilidade, pelo edital de 12/11/1929 que a a Avenida 12 do Novo Bairro no seguimento da Avenida Almirante Reis (hoje, Avenida Guerra Junqueiro) se denominasse Avenida Dr. António José de Almeida. Mas em 1933, pelo edital de 18 de Julho passou a Avenida António José de Almeida a ser no prolongamento da Avenida Miguel Bombarda, entre a Avenida dos Defensores de Chaves e a Avenida de Manuel da Maia, onde ainda hoje a encontramos, sendo ao mesmo tempo Guerra Junqueiro colocado no arruamento que antes levava o nome do antigo Presidente da República. Acresce que conforme um parecer da Comissão de Toponímia na sua reunião de 13/04/1951, homologado pelo Vice-presidente da edilidade, foi acrescentada a partícula «de», sendo desde então Avenida de António José de Almeida. [1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Avenida de António José de Almeida: Jardim Gomes de Amorim |1943-05-05|
Perspectiva tomada da Rua Dona Filipa de Vilhena na direcção da Av. Defensores de Chaves (e Av. Miguel Bombarda).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. Francisco Gomes de Amorim nasceu em Avelomar a 13 de Agosto de 1827 e faleceu em Lisboa a 4 de Novembro de 1891. Escreveu muitas peças entre outras «Odio de Raças», «Ghigi», «0 Cedro Vermelho», etc. Publicou dois volumes de versos, «Cantos Matutinos» e «Ephemerus». Autor das «Memorias Biographicas de Garrett». Deixou vários romances e muitos outros escritos, em prosa e em verso, inéditos uns, outros já publicados.

Avenida de António José de Almeida: Jardim Gomes de Amorim |195-|
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

domingo, 6 de setembro de 2026

Avenida da República, 54: Casa Isidoro Sampaio de Oliveira

Prêmio Valmor de 1930 - Menção Honrosa 

Menção Honrosa do Prêmio Valmor para o Edifício de habitação na Avenida da República, 54, com projecto de Porfírio Pardal Monteiro (1879-1957) para Isidoro Sampaio de Oliveira. Edifício de características modernistas, foi demolido em 1962, dando lugar a um edifício de escritórios.

Avenida da República, 54 (52) |c. 1960|
Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1930
A moradia da esquerda [vd. 2ª imagem], construída em 1930, é da autoria do arqº Porfírio Pardal Monteiro e pertenceu a Isidoro Sampaio de Oliveira.
Artur João Goulart, in Lisboa de Antigamente

Moradia em estilo modernista, evidente nas linhas simples e na decoração sóbria das obras do arq. Pardal Monteiro, aparece aqui no volume único e paralelepipédico, cuja aparência de “caixa” é acentuada pela ocultação do telhado de quatro águas, com pouca inclinação, escondido atrás de uma larga cornija de perfil retilíneo.
Todavia, esta linearidade é interrompida por uma varanda de canto, embora ainda inserida na estrutura cúbica. A fachada principal, revestida a cantaria, revela o nível económico do cliente e o estatuto de residência da alta burguesia que o bairro acabaria por consolidar ao longo do tempo. Merecem especial destaque também as janelas triplas, recurso usado noutras obras do arquitecto, com realce para as sque se observam s no piso nobre.

Avenida da República, 54, fachada principal |c. 1950|
Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1930
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Entre os elementos de carácter mais ornamental, genericamente associáveis à linguagem Art Déco, mas já não estritamente académicos, sobressaem os relevos escultóricos presentes em algumas cantarias, mísulas e floreiras, bem como os elegantes gradeamentos de janelas e sacadas, adornados com motivos florais que complementam com delicadeza a decoração geometrizante dos painéis e frisos de mosaicos brilhantes, dourados e multicolores, dispostos a intervalos regulares. A estes detalhes somam-se pilastras, colunas e cornijas de recorte clássico, aplicadas de forma simétrica ou reforçando a linearidade horizontal e vertical do conjunto. [patrimonio.pt]

Avenida da República, 54 (56) |c. 1940|
Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1930
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Praça Duque de Saldanha vista da Av. Fontes Pereira Melo

Entretanto, o par aproximou-se da Praça Duque de Saldanha. Lá em baixo, no seu pedestal, a estátua do duque elevava o braço numa pose eterna e elegante. À volta dele, os carros buzinavam e aceleravam. A Praça Duque de Saldanha é um lugar simultaneamente moderno e antigo onde palacetes e edifícios de outros tempos convivem lado a lado com prédios modernos e espelhados.==
(ESTER, Sofia, Adozinda - V de Volta, 2015)

Praça Duque de Saldanha |c. 1950|
Perspectiva tomada da Av. Fontes Pereira Melo
Antiga Praça Mouzinho de Albuquerque (1897), antes Rotunda das Picoas (até 1902); o Monumento ao Duque de Saldanha foi inaugurado em 1909.
Amadeu Ferrari, in Lisboa de Antigamente

domingo, 30 de agosto de 2026

Beco da Cardosa

Cardoza (beco da) primeiro á esquerda na rua de S. Miguel, indo do largo de S. Miguel e finda na rua do Castello Picão, freguezia de S. Miguel 2 a 36 e 1 a 49. [Velloso: 1869]

Cardosa (Beco da) Vide História Genealógica, tomo XI, pág. 388, onde se fala numa tal Cardosa, Irmã de Justa Rodrigues Pereira, a célebre concubina do bispo D. Fr. João Manuel, filho Ilegítimo d'el- rei D. Duarte e casada com Gonçalo Cardoso "o Velho", de Lamego. [Brito: 1935]
Reza assim o texto do autor — o Pe. António Caetano de Sousa — referido atrás pelo olisipógrafo Gomes de Brito:
«Era Irmãa de Maria Rodrigues Pereira, muIher nobre, de quem D. Antonio de Lima, diz fer huma Dona, de bons parentes, a qual fe efcreve fer fegunda mulher de Gongalo Cardofo, o Senhor do Morgado da Taipa, Vedor da Fazenda do Infante D. Fernando, & qual alguns Nobiliários: deraõ
oappellido de Pereira , e outros o de Cardofa [...]»
Seria esta Cardosa, já conhecido no século XVIII, que viu o nome dela aplicado ao beco? Quem souber que responda.

Beco da Cardosa, 9 |c. 1900|
Nada mais curioso do que este enfiamento da Cardosa.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Este Beco da Cardosa — recorda o ilustre Norberto de Araújo — é cheio de outros becos, nele integrados, e de reentrâncias. Nada mais curioso do que este enfiamento da Cardosa, a lembrar certos pormenores de águas-fortes medievais. Abre por escadinhas, e logo ao cimo delas se nos depara um singular panorama de telhados, empenas amarelas, azuis, rosa, canteiros floridos, janelinhas, sobrelanços que nenhum artista era capaz de conceber: cenografia do acaso urbanista de quinhentos vestido de setecentismo; enfrenta a rua, nascendo do plano inferior, além da cortina gradeada, um. típico prédio de ressalto único, sobre a esquina, e que é um exemplar representativo das casas alfamistas da transição.

Beco da Cardosa, 33-35 |c. 1900|
Ao centro — embebido na parede — observa-se o oratório referido por Norberto de Araújo.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

 

Nas escadas topam-se logo à esquerda três espécimes de certo interesse, e ao cabo, à direita entra-ae num recanto, cheio de originalidade, e no qual, se a bizarria bairrista não se ufana de galas, sobram os motivos decorativos, em quatro casas, que não são famosas de gracilidade e numa das quais, n.ꟹ 33-35, existe um nicho ou oratório do Cristo Senhor do Bomfim, embebido na parede, e sobre o qual dança ao vento uma lâmpada de azeite - testemunho de devoção antiga a N. Senhora da Alfama. Mais três prédios pequenos nos chamam a atenção até chegarmos de novo a S. Miguel. Na esquina nascente do Beco e da Rua outro exemplar de edificação típica se nos mostra, para que os olhos não repousem.==

 

Beco da Cardosa, 41 |1960|
A esq. observa-se o Pátio da Parreirinha.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente
Beco da Cardosa, 45 |1961|
Arco da Cardosa.
Armando Serôdio, in Lisboa de
Antigamente























Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 59, 1939.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Panorâmica sobre os terrenos ao sul da Avenida das Forças Armadas

Em 1º plano vê-se parte da Av. Cinco de Outubro e da antiga Azinhaga das Torrinha (Quinta das Freiras) hoje Av. Álvaro Paisonde hoje se ergue o Edifício Marconi; à dir. a Av. das Forças Armadas, em cima no último plano vê-se a Escola no Bairro de Santos, o Hospital de Sta. Maria e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa [vd 2ª imagem] e vista parcial do Mercado do Rego.

Panorâmica sobre os terrenos ao sul da Avenida das Forças Armadas |c. 1955|
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. A 30 de Dezembro de 1974, a Câmara Municipal de Lisboa numa perspectiva clara de mudança toponímica, eliminando indícios referentes ao regime Salazarista, passou a denominar a Avenida 28 de Maio, Avenida das Forças Armadas. A homenagem é efectuada ao M.F.A. (Movimento das Forças Armadas) contribuiu para o êxito do 25 de Abril de 1974.

O antigo edifício do Castelinho da Quinta da Torrinha (1892) onde se instalou, em 1920, a Escola Superior de Farmácia é composto por uma casa de estilo eclético com coberturas em terraço, que culmina num corpo torreado no topo, adornada com elementos de inspiração militar, como ameias, guaritas, rusticidade dos socos e a imponência dos pilares que decoram os cunhais. A fachada principal exibe detalhes de inspiração Arte Nova, como os azulejos que a coroam.

Avenida das Forças Armadas, Edifício do Castelinho da Quinta da Torrinha |1953|
Remodelação da antiga Av. 28 de Maio; Hosp. de Santa Maria e edifício da Fac. Farmácia da Universidade de Lisboa — Avenida Professor Gama Pinto.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente
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