[João Eduardo] Tinha alugado uma água-furtada na rua dos Bacalhoeiros, comia na taverna do Isca por um ajuste ao mês, e à noite errava pelas ruas, batendo o macadame com as suas solas rotas, as mãos nos bolsos, a ideia em Amélia, cheio de um vago ódio contra a cidade, as lojas dos ourives, o rodar dos coupés, e o peristilo dos teatros. (QUEIROZ, Eça de, O Crime do Padre Amaro, 1876)
[...] a Rua dos Bacalhoeiros — recorda o ilustre Norberto de Araújo — que neste troço já era eirado de tendas da Ribeira Velha — possui o seu interesse, embora o tipo das construções urbanas seja, em quási toda ela, do começo do século passado [XIX], trivial pois, mas sólido e representativo da sua época. [...]
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| «Casa das Varandas» |1950-02| Rua dos Bacalhoeiros, 6-6C e 8-8D; Rua Afonso de Albuquerque, 5-7 (Casa dos Bicos) Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente |
O prédio que se segue [à Casa dos Bicos ou de Brás Albuquerque], de notável beleza de linhas, é uma construção do tempo de D. João V, e que lembra o risco de Ludovice. Os seus seis andares (os dois últimos dos quais constituem uma sobreposição do século passado [1803-1805]) fazem deste edifício urbano um dos mais assinalados da Baixa, com as suas magníficas varandas, nove em cada pavimento, tão decorativas como originais. Este imóvel — construído por um cidadão, certamente endinheirado, João da Cruz —, pertence hoje [em 1938] a Carlos Augusto Santa Bárbara, que o herdou de seu sogro José Pedro Ferreira.»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, pp. 20-22, 1939)
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«Casa das Varandas» |c. 1960| Rua dos Bacalhoeiros, 6-6C e 8-8D; Rua Afonso de Albuquerque, 5-7 O edifício inicial remonta ao século XVI, tendo sido destruído pelo terramoto de 1755 e depois de restaurado foi novamente destruído por um incêndio em 1781. Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente |
Nota(s): O actual topónimo Rua dos Bacalhoeiros foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa, através de Edital do Governo Civil de 01/09/1859, ao arruamento que resultou da junção das antigas Ruas dos Bacalhoeiros e dos Confeiteiros.
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Rua dos Bacalhoeiros |c. 1900| Casa dos Bicos e Casa das Varandas(antes das demolições de 194-/5-) Alberto C. Lima, in Lisboa de Antigamente |
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Rua dos Bacalhoeiros |1941| Casa das Varandas, Casa dos Bicos e Arco daConceição (ou da Preguiça) Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente |













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