Sunday, 19 January 2020

Rua do Triângulo Vermelho

A Rua do Triângulo Vermelho homenageia a associação do mesmo nome, conhecida mundialmente pela sigla YMCA, pela assistência prestada no decorrer da I Guerra Mundial, nomeadamente ao Corpo Expedicionário Português.

Rua do Triângulo Vermelho [194-]
O topónimo foi atribuído por deliberação camarária de 18 de Agosto de 1922 e Edital de 17 de Outubro de 1924, na artéria até aí conhecida como Rua 3 do Bairro Lamosa
Fernando Martinez Pozal, in AML

O Triângulo Vermelho representa a insígnia das Associações Cristãs da Mocidade, organização internacional de formação evangélica que se guia por princípios de desenvolvimento físico, de instrução e de aperfeiçoamento moral da juventude. Em Portugal, a primeira Associação foi fundada no Porto, em 1894. Em 1920, começou a publicar a revista mensal ilustrada denominada «Triângulo Vermelho», órgão da Associação Cristã da Mocidade que tinha a sua redacção e administração na Rua Heliodoro Salgado, onde desemboca a artéria em que foi consignada a Associação Triângulo Vermelho. [cm-lisboa.pt]

Rua do Triângulo Vermelho [1964]
O topónimo foi atribuído por deliberação camarária de 18 de Agosto de 1922 e Edital de 17 de Outubro de 1924, na artéria até aí conhecida como Rua 3 do Bairro Lamosa
Augusto de Jesus Fernandes, in AML

Friday, 17 January 2020

Travessa do Arco da Torre

Em Belém, encontramos as antigas Rua do Arco da Torre e a Travessa do Arco da Torre, paralelas à Avenida da Torre de Belém. Ora, a antiga Casa do Governador do Forte do Bom Sucesso e onde Almeida Garrett morou em 1852 (ao fundo), sita na Rua do Arco da Torre tem justamente um arco que fica fronteiro à Torre de Belém, ou como escreve Luís Pastor de Macedo «Tira o nome do arco que se abre defronte da Rua da Praia do Bom Sucesso e que dá passagem para a Avenida da Índia e para a Torre de Belém.»[cm-lisboa.pt]

Travessa do Arco da Torre |1939|
Largo Princesa (esq); ao fundo, antiga Casa do Governador do Forte do Bom Sucesso
Eduardo Portugal, in AML

Wednesday, 25 December 2019

Presépio do Largo do Chiado

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett (1799-1854). Iniciador do Romantismo, refundador do teatro português, criador do lirismo moderno, criador da prosa moderna, jornalista, político, legislador, Garrett é um exemplo de aliança inseparável entre o homem político e o escritor, o cidadão e o poeta. É considerado, por muitos autores, como o escritor português mais completo de todo o século XIX, porquanto nos deixou obras-primas na poesia, no teatro e na prosa, inovando a escrita e a composição em cada um destes géneros literários.

Rua Garrett [1966]
Presépio do Largo do Chiado
Armando Serôdio, in AML

De origem irlandesa, a grafia do seu último apelido «garet» foi por ele próprio alterada na sua assinatura para «garrett» com o objectivo que as pessoas lessem a letra tê para pronunciar correctamente o seu nome como «garrete».
A meio do século XIX, ainda o Governo Civil tinha a incumbência da denominação dos arruamentos decidiu este que as Ruas do Chiado e Portas de Santa Catarina passassem a ter a denominação única de Rua do Chiado (Edital de 01/09/1859) e, só passados 21 anos (1880) passou a Rua Garrett.

Sunday, 22 December 2019

Lojas de antenho: Casa dos Espartilhos

A fábrica de espartilhos a vapor« «os melhores espartilhos de Portugal», com loja na Rua do Ouro, foi fundada em 1892 pelos empresários Santos Mattos. Isso mesmo é comprovado por um prospecto antigo, exibido na exposição 100 anos-Amadora, na Casa Roque Gameiro. Um folheto mais recente situava na Porcalhota (actual Amadora) a fábrica da casa de espartilhos, cintas e soutiens  — «não tem, no genero, outra que a eguale».

Rua Áurea, 123 |1911|
A «Casa dos Espartilhos» à hora da expedição das vendas e encomendas
Fotógrafo: Joshua Benoliel, in Ilustração Portuguesa



























A rua [do Ouro] tinha duas horas ao dia de um tal ou qual movimento: à entrada e à saída das secretarias. Depois, pelo dia adiante, uma carruagem de vez em quando, alguma traquitana de praça, o omnibus da companhia, e os clássicos carros chiando estridulamente pelos eixos. À noite uma necrópole, um hypogeu de Thebas. Todas as lojas fechadas, um ou outro transeunte a passo dobrado, o pregão soturno dos aguadeiros, a aparição lamentosa da patrulha...»
(Júlio César Machado (1835-1890), «Cláudio», citado por Luís Pastor de Macedo, Lisboa de Lés-a-Lés)

Rua Áurea, 123 [1911]
A Casa dos Espartilhos ornamentada para o IV Congresso Internacional de Turismo
Joshua Benoliel, in AML

Friday, 20 December 2019

Rua José António Serrano

Com a legenda «Doutor Tratadista, Osteólogo, 1851–1901» foi o nome de José António Serrano fixado na que era a Calçada do Colégio, por deliberação camarária de 6 de Dezembro de 1906.
José António Serrano (Castelo de Vide/01.10.1851 - 07.12.1904), foi Lente da Escola Médica e o primeiro cirurgião português que obteve a cura de um tumor sólido do ovário (por meio de laparatomia, em 1889) e a realizar uma histerectomia abdominal. Defendera tese em 22.12.1875 e três anos depois foi nomeado preparador e conservador do Museu de Anatomia da Escola sendo também cirurgião do Banco do Hospital de São José e, a partir de 1895, director de enfermaria do Hospital do Desterro bem como, em 1901, director da Repartição de Estatística do Hospital de São José. Foi lente substituto em 1880 de Anatomia Descritiva e lente proprietário em 1889, para além de ter regido na Escola de Belas Artes a cadeira de Anatomia Artística e Higiene de Edifícios. As suas obras essenciais foram «Manual Sinóptico de Anatomia Descritiva» e «Tratado de Osteologia Humana». [cm-lisboa.pt]

Rua José António Serrano |ant. 1949|
[Antes das demolições do Martim Moniz]
Antiga Calçada do Colégio [dos Jesuítas de Santo Antão-o-Novo, hoje Hosp. S. José,cerca;
Miradouro de Nossa Senhora do Monte
Eduardo Portugal, in A.M.L.

Wednesday, 18 December 2019

Avenida Dom Carlos I

Antiga Avenida do Presidente Wilson, Avenida das Cortes, antes Rua Dom Carlos I (1889), antes Rua Duque de Terceira (1866), antes Rua dos Ferreiros a Esperança, antes Rua dos Ferreiros a Santa Catarina) e Travessa Nova da Esperança.



Filho de D. Luís e de D. Maria Pia de Sabóia, nasceu em Lisboa a 28 de Setembro de 1863. Aí também morreu assassinado no dia 1 de Fevereiro de 1908. Trigésimo terceiro rei de Portugal (1889-1908), ficou conhecido pelo cognome de "o Martirizado". Casou em 1886 com D. Amélia de Orleães, princesa de França, filha dos condes de Paris, de cujo enlace nasceram D. Luís Filipe e D. Manuel. O seu reinado ficou marcado por eventos que fomentariam o espírito republicano e o descrédito crescente do regime monárquico. O primeiro destes eventos aconteceria logo em 1890: o ultimato inglês, motivado pelo "Mapa cor-de-rosa" (1886) que punha em causa as pretensões do imperialismo britânico, nomeadamente o ensejo de ligar o Cabo ao Cairo. Portugal foi obrigado a abandonar os territórios africanos em questão, o que constituiu uma humilhante derrota para a diplomacia portuguesa e para o País. Este facto provocou uma explosão de sentimentos anti-britânicos um pouco por todo o reino e em todos os quadrantes políticos. Este ambiente é aproveitado pelos republicanos que, após este incidente diplomático, reagem com maior veemência do que nunca.

Avenida Dom Carlos I |ant. 1908|
Cortejo Real em dia de abertura do Parlamento na Avenida Dom Carlos
António Novais, in A.M.L.


No Porto, estala uma revolta que acabaria por fracassar mas que proclamaria a República pela primeira vez na História portuguesa (o 31 de Janeiro de 1891). O rotativismo entre os Partidos Progressista e Regenerador entrara em descrédito, aumentando de eleição para eleição o número de representantes republicanos. Assim, em Maio de 1906, D. Carlos chama João Franco a formar Governo, o qual, contrariando promessas anteriormente feitas, encerra a Assembleia Legislativa e dá início a uma ditadura. A ditadura de João Franco desencadeou uma onda de protestos, sobretudo devido aos adiantamentos à Casa Real e à repressão política. Em 21 de Janeiro de 1908, uma tentativa revolucionária foi dominada pelo Governo, tendo sido feitas inúmeras prisões. Na sequência deste movimento, foi elaborado um decreto que previa a deportação do reino para os conspiradores, decreto que D. Carlos promulgou. Passados poucos dias, em 1 de Fevereiro de 1908, chegava a família real portuguesa a Lisboa vinda de Vila Viçosa, desembarcava junto do Terreiro do Paço e daí seguia para o Paço das Necessidades quando se deu o regicídio, no qual morreram D. Carlos e o seu filho D. Luís Filipe, o herdeiro do trono. (in Diciopédia 2002).

Avenida Dom Carlos I , sul|1965|
À dir. nota-se o Chafariz da Esperança

 Armando Serôdio, in A.M.L.

Sunday, 15 December 2019

Escadinhas da Barroca e Pátio do Salema

Entremos pelas Escadinhas da Barroca  — que não tem escadinhas!, [Homessa! Tem e não são poucas — caríssimo Norberto de Araújo] e iniciemo-nos em pitoresco.
Contempla êste prèdiosito, n.ºˢ 10 e 12, expressivo, como uma aguarela congeminada por artista de olisiponense fantasia. Lisboa sobrepõe-se, em todos os sítios e bairros; uns pedaços há que não aderem ao urbanismo, nem sequer do século passado — e muitos havemos de encontrar. Este é um dêles. [...]

Escadinhas da Barroca, 10 e 12  |c. 1900|
Arruamento que liga o Largo de São Domingos à Travessa de Santa’ana e ao qual aparecem 
já referências em 1755, nomeadamente como “rua da Barroca das Escadinhas” devendo a sua
origem à proximidade ao Palácio da Barroca que a partir de 1777 se designava
por Palácio do Galvão.
José Artur Bárcia, in A.M.L.

Entra-se agora no Pátio do Salema, cujo lado poente é constituído por casas encostadas e pertencentes ao Palácio Almada: é êste Pátio um recanto sombrio, que tem ao fundo um umbral do vizinho Convento da Encarnação, e que nos mostra apenas uma edificação sólida mas decrépita: o prédio n.° 4, de portal de certa vista, onde, antes da proclamação da República, existiu uma associação republicana, que deu local às famosas «reuniões do Pátio do Salema», areópago de idealista.¹

Pátio do Salema (Escadinhas da Barroca) |1939|
Alguns pátios transformaram-se em via pública, tais como os do Almotacé, do

Conde de Soure, do Salema, do Salgueiro, do Silva e Cruz, do Tijolo.
Eduardo Portugal, in A.M.L.

¹ Em 1864, foi fundado no Pátio do Salema um centro republicano, donde saiu o Partido Reformista, que foi, por assim dizer, a guarda avançada do Partido Republicano. Era o denominado «Clube dos Lunáticos». Servia como ponto de encontro dos idealistas que em 1848 tinham acreditado na possibilidade de mudança de regime, onde se encontravam em torno de António de Oliveira Marreca, Gilberto Rola, Francisco Maria de Sousa Brandão, José Elias Garcia, Saraiva de Carvalho, Bernardino Pinheiro e Latino Coelho.
___________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 12-13,, 1938.
Olisipo: boletim do Grupo «Amigos de Lisboa», Vol. 17, 1942.

Friday, 13 December 2019

Rua Inácio Pardelhas Sanchez

Este topónimo com a legenda «Médico/1919-1982», resultou de uma sugestão apresentada pela Junta de Freguesia de Campolide, fundamentada no facto do homenageado ter residido nas imediações deste arruamento e ter dedicado a sua energia, conhecimento científico e compreensão humana aos doentes que a ele recorriam, sem olhar aos seus recursos económicos ou situação social.[cm-lisboa.pt]

Rua Inácio Pardelhas Sanchez |1945|
Antiga Rua A, do Bairro da Liberdade; Campolide; Marco fontanário junto às Escadinhas da Liberdade
Martinez Pozal, in AML
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