Sunday, 12 July 2026

Rua Cidade de Manchester

Há em Lisboa o bairro dos Açores, o das Colónias [vd. ultimq imagem dir.], e, passeando dentro da cidade por longes terras da estranja, o de Inglaterra com as ruas de Manchester, Liverpool, Cardiff, etc., recantos da Suíça, na Avenida de Berna, evocações da América na Praça do Chile, na Rua de Buenos Aires, na Praça do Brasil [actual Largo do Rato] e na do Rio de Janeiro [actual Principe Real]. [Ocidente: 1939]


O topónimo Cidade de Manchester foi atribuído juntamente com os topónimos Cidade de Liverpool, Cidade de Cardiff, Poeta Milton e Newton, por edital de 29 de Agosto de 1916. Na sessão de 17 do mesmo mês, a câmara havia inicialmente homenageado Lord Byron, substituído no edital por Isaac Newton. Este conjunto de arruamentos ficou conhecido como Bairro de Inglaterra. Eram arruamentos particulares que formavam o Bairro de Braz Simões, denominado em homenagem ao seu proprietário, José Braz Simões de Sousa, um grande comerciante de Lisboa, que o entregou à C.M.L. por escritura em 13 de Outubro de 1913.

Rua Cidade de Manchester |1966-03|
Antiga Rua Isabel Leal do Bairro de Inglaterra ou de Braz Simões. 
O Bairro de Inglaterra foi construído depois do Bairro Andrade e antes do Bairro das Colónias, e abrange as abrange as encostas da Penha.
Escadinhas na esquina com a Rua Cidade de Cardiff, observando-se em cima a Rua da Penha de França.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Curiosamente, à semelhança do que aconteceu no Bairro Andrade, Braz Simões deu aos arruamentos nomes de familiares ou amigos. Assim, a Rua Cidade de Manchester chamava-se anteriormente Rua Isabel Leal, a Rua Cidade de Liverpool era a Rua José de Sousa, a Rua Cidade de Cardiff [vd. 1ª imagem] correspondia à Rua Maria Gouveia, a Rua Lord Byron (mais tarde Rua Newton) era a Rua Aurora e, por fim, a Rua Poeta Milton era a Rua Margarida.
[1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Rua Cidade de Manchester, 9 |1964|
Notam-se as Ruas Ilha do Príncipe e Poeta Mílton dir.
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente
Rua Cidade de Manchester [c. 1945]
Vista tomada da R. da Ilha do Príncipe
Fernando M. Pozal, in Lisboa de Antigamente

Friday, 10 July 2026

Lisboa: do Tejo a Monsanto

Ó macio Tejo ancestral e mudo


Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
«Lisbon Revisited (1923)»Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).

Lisboa: do Tejo a Monsanto |1967|
Vasco Gouveia de Figueiredo, in Lisboa de Antigamente

Lisboa: do Tejo a Monsanto |c. 1920|
Antes de ser erigida Estação Sul e Sueste; Terreiro do PaçoArsenal de Marinha
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 5 July 2026

Palácio Figueira (ou de Santo André)

O Palácio Figueira, a Santo André, de sólidos cunhais nas prumadas extremas das suas faces, mas que não atingem toda a altura do edifício, assinala-se pela sua primitiva fachada principal orientada a Sul, e pelo robusto portal que a domina, caracterizadamente seiscentista, constituindo no exterior um curioso monumento de fisionomia lisboeta.

Palácio Figueira, a Santo André, situado entre o alto da calçada desta denominação e o começo da Calçada da Graça, é uma construção pesada, acentuadamente seiscentista (c. 1563), na qual avulta o portal nobre da fachada principal.

Palácio dos Condes da Figueira, portal nobre seiscentista |193-|
Largo Rodrigues de Freitas antigo de Santo André e, ao fundo, o trecho final da Costa do Castelo. Neste local existiu, até 1913, o Arco de Santo André. 
Portal nobre da época da fundação, em cantaria e tipologia semelhantes às das fortalezas seiscentistas. Pedra de armas da família Mendoça, que parece não ser a primitiva, franchada, com legenda, dividida por dois ângulos do brasão, AVE MARIA. (Araújo: 1949)
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O seu núcleo fundamental remonta aos fins do século xv, e foi erigido por um fidalgo, João de Memdoça, cognominado «Cação», a quem D. João II, cerca de 1490, deu licença para que construísse casa junto à muralha da cerca e postigo de Santo André. A casa solarenga fora já reedificada, quasi desde os fundamentos, no meado do s4culo XVII, apenas com um andar, e em 1676, quando do casamento da senhora Mendoça com o 2.ª Montebelo, o palácio foi acrescido de um andar nobre, recebendo ainda ampliações e beneficias. É este o actual Palácio de Santo André, que pouco dano sofreu pelo Terramoto [...]
Em 1822, D. Maria Amália Machado de Mondoça casa-se com o 1º Conde da Figueira, D. José de Castelo Branco Correia e Cunha de Vasconcelos e Sousa. Assim, o Palácio dos Mendoças entra na Casa Figueira.

Palácio dos Condes da Figueira |194-|
Largo Rodrigues de Freitas antigo de Santo André com a Calçada da Graça
Fachada Poente, no começo da Calçada da Graça, com dois corpos distintos, sendo, o de baixo, com quatro janelas de sacada, correspondente ao edifício primitivo, e o que lhe fica contíguo, mais alto e avançado, e de uma feição diferente do palácio seiscentista, enobrecido por portal nobre, da fundação do edifício e actual acesso ao palácio) de tipo setecentista.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Em 1913 foi demolido o pitoresco Arco de Santo André, da Cerca de D. Fernando, contiguo ao palácio, e que, superiormente, punha este em ligação com as casas da entrada da Costa do Castelo.==

Nota(s): O desaparecido Elevador da Graça, semelhante ao da Estrela-Camões, percorria o trajecto Largo da Graça, Largo e Calçada de Santo André (contornando o Palácio Figueira), Calçada dos Cavaleiros, Rua da Mouraria, Carreirinha do Socorro e Rua Nova da Palma, surgindo a maior dificuldade na transposição do velho Arco de Santo André.

Calçada da Graça |c. 191-|
Palácio Figueira, portal setecentista.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Calçada da Graça — onde se encontra a Fachada Poente com seu portal setecentista deve o nome do antigo Convento de N. S. da Graça, começado a construir em 1271 no local conhecido por Almofala, que era um pequeno arrabalde mourisco extramuros quando as tropas de D. Afonso Henriques aí acamparam durante o cerco de Lisboa. A Almofala mourisca tornou-se no bairro da Graça lisboeta repetida na Rua, Largo e demais topónimos que invocam aquele convento.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, pp. 12-14, 1938.
idem, Inventario de Lisboa, Fasc. VI, 1949.

Friday, 3 July 2026

Calçada do Cascão com o Campo de Santa Clara

Cascão (calçada do) Primeira á esquerda na rua do Paraizo, indo da rua dos Remedios e finda no campo de Santa Clara, freguezia de Santa Engracia 2 a 36 e 1 a 27. [Velloso: 1869]

Esta serventia — lembra Pastor de Macedo — foi a travessa q vay da porta da cruz p.ª o campo de stª clara’ (1565) e foi também a rua de Álvaro do Avelar, nome que lhe vemos dar em 1598, mas que decerto já o usufruía muitos anos antes (Macedo: 1940).

Calçada do Cascão com o Campo de Santa Clara |1921-12-04|
Cerca do ano 1854 esteve instalada neste edifício a Fábrica de Botões de Henrique Schalck
cuja designação, por esta altura, ainda se pode ver na moldura da porta (ampliando  imagen.) com o n.º de polícia "39" 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): local da foto não está identificado no arquivo.

N.B. Álvaro de Avelar (séc. XVIresidia e possuía nesta rua várias casas que foram herdadas pela sua filha Inês Ferreira. Esta, por ter vivido sempre solteira fez herdeira a sua irmã, Violante de Aguiar, que tinha já casado com o tratador de mercadorias João de Cascão, que foi aquele que acabou por dar o nome à artéria que, em 1625, já se denominava Rua de João de Cascão. A partir de 1831 e até à 2ª metade do século XIX passou a ser a Travessa de João de Cascão e só mais tarde, mudou para a categoria de Calçada[Machado: 1998]

Calçada do Cascão com o Campo de Santa Clara |195-|
Edifício apalaçado datado do meado do século XIX.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 28 June 2026

Rua Carlos Testa

Passada a pequena Rua Carlos Testa, à direita, chegamos ao cruzamento da Avenida António Augusto de Aguiar com a Rua Marquês de Fronteira. [Araújo: 1939]

Essa serventia, anunciada por edital em 1903, já consta na planta topográfica de 1909, elaborada por Júlio António Vieira da Silva Pinto. [Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa,, Comissão Municipal de Toponímia, Lisboa, 2000]

Rua Carlos Testa |1958|
Ao fundo nota-se a Av. Antonio Augusto Aguiar. Perspectiva tirada do Largo de S. Sebastião  da Pedreira onde os eléctricos da circulação davam a volta para Duque de Ávila.
Legenda no abandalhado amL: «Mudanças de linha dos eléctricos em São Sebastião da Pedreira»
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

N.B. O topónimo homenageia Carlos André Testa (1823–1891) que seguiu a carreira naval até alcançar o posto de contra-almirante, sendo responsável pela renovação da frota portuguesa na segunda metade do século XIX.

Rua Carlos Testa |191-|
Perspectiva tomada da Av. Antonio Augusto Aguiar no sentido do Largo de S. Sebastião da Pedreira. O prédio de gaveto encontra-se demolido.
Alberto Carlo Lima, in Lisboa de Antigamente

Friday, 26 June 2026

Pátio do Pinzaleiro

Esta abertura do Pátio do Pinzaleiro — diz Norberto de Araújo —, que tem o seu eirado no começo das Janelas Verdes, não possui pitoresco algum. [Araújo: 1938]

Não se conhece a origem do topónimo desta pequena serventia que liga a Av. 24 de Julho à Calçada de Santos/Janelas Verdes. Sabe-se, no entanto, pelo "Anuario del comercio de 1908", que neste local terá residido um tal Domingos Pinzaleiro conhecido na capital por possuir uma empresa de carruagens de aluguer: coupés, landaus, etc. É, pois, provável que o topónimo derive do nome deste afamado morador.
[Machado: 1998]

Pátio do Pinzaleiro |1946|
Ao cimo espreita o antigo palácio dos Condes de Murça na Calçada Ribeiro Santos (antiga Rampa de Santos). 
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 21 June 2026

Rua de Barros Queirós que foi Tv. de S. Domingos

Sobre o sítio de S. Domingos refere Norberto de Araújo o seguinte:
S. Domingos — Dilecto — é uma crónica viva de Lisboa, com as suas imediações da Praça da Figueira, com o seu trânsito obrigatório, pela Rua Barros Queiroz e Calçada do Garcia, formigueiros de gente, que desce dos Anjos, dos bairros novos, ou de Sant'Ana velha. [...] [Araújo: 1939]

Rua de Barros Queirós que foi Tv. de S. Domingos (até 1926) |1970|
Na direcção do Largo de S. Domingos.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

A antiga Travessa de S. Domingos é actual Rua de Barros Queirós, em homenagem a "Tomé José de Barros Queiroz" — como refere Velloso no seu utilíssimo livrinho sobre as ruas de Lisboa:
Domingos (travessa nova de S.) primeira á esquerda na rua nova do Amparo, indo da rua do Amparo e finda na rua nova de S. Domingos, freguezia de Santa Justa 2 a 56 e 1 a 69. [Velloso: 1869]

A este topónimo foi inicialmente acrescentada a legenda «Ilustre cidadão, vereador da 1ª Câmara Municipal Republicana de Lisboa - 1926». Mais tarde, por parecer da Comissão Municipal de Toponímia em reunião de 19/05/1950, retiraram-se dos letreiros as palavras “Ilustre Cidadão – Vereador da 1ª Câmara Municipal de Lisboa – 1926” e acrescentou-se a partícula “de”.

Rua de Barros Queirós que foi Tv. de S. Domingos (até 1926) |1970|
Perspectiva tomada da R. Dom Duarte com a R. da Palma.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Friday, 19 June 2026

Rua Viriato, 5

Prémio Valmor de 1917


O Prémio Valmor de 1917 foi atribuído a um edifício de habitação, composto por cinco pisos, na Rua Viriato, 5 que pertencia a António Macieira Júnior e cuja arquitetura se deve a Ernesto Korrodi. Apesar de o júri ter hesitado, referindo que "parte dos materiais empregados na fachada (...) estão mascarados com argamassa, do qual resulta não se conhecer logicamente a função da parte estrutural da obra", considerou que este seria um "belo edifício (...) quanto à composição da fachada, como (...) da planta (...) com detalhes felizes". [patrimonio.pt]

Rua Viriato, 5 |1952|
Prémio Valmor de 1917
Antiga R. Rua Barros Gomes (1913)
Gustavo de Matos Sequeira, in Lisboa de Antigamente


N.B. Viriato foi um Chefe militar lusitano, crê-se que terá vivido no século II a. C., tendo sido um dos mais importantes chefes que liderou o povo contra o domínio que Roma exerceu na Península Ibérica.
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