domingo, 6 de setembro de 2026

Avenida da República, 54: Casa Isidoro Sampaio de Oliveira

Prêmio Valmor de 1930 - Menção Honrosa 

Menção Honrosa do Prêmio Valmor para o Edifício de habitação na Avenida da República, 54, com projecto de Porfírio Pardal Monteiro (1879-1957) para Isidoro Sampaio de Oliveira. Edifício de características modernistas, foi demolido em 1962, dando lugar a um edifício de escritórios.

Avenida da República, 54 (52) |c. 1960|
Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1930
A moradia da esquerda [vd. 2ª imagem], construída em 1930, é da autoria do arqº Porfírio Pardal Monteiro e pertenceu a Isidoro Sampaio de Oliveira.
Artur João Goulart, in Lisboa de Antigamente

Moradia em estilo modernista, evidente nas linhas simples e na decoração sóbria das obras do arq. Pardal Monteiro, aparece aqui no volume único e paralelepipédico, cuja aparência de “caixa” é acentuada pela ocultação do telhado de quatro águas, com pouca inclinação, escondido atrás de uma larga cornija de perfil retilíneo.
Todavia, esta linearidade é interrompida por uma varanda de canto, embora ainda inserida na estrutura cúbica. A fachada principal, revestida a cantaria, revela o nível económico do cliente e o estatuto de residência da alta burguesia que o bairro acabaria por consolidar ao longo do tempo. Merecem especial destaque também as janelas triplas, recurso usado noutras obras do arquitecto, com realce para as sque se observam s no piso nobre.

Avenida da República, 54, fachada principal |c. 1950|
Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1930
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Entre os elementos de carácter mais ornamental, genericamente associáveis à linguagem Art Déco, mas já não estritamente académicos, sobressaem os relevos escultóricos presentes em algumas cantarias, mísulas e floreiras, bem como os elegantes gradeamentos de janelas e sacadas, adornados com motivos florais que complementam com delicadeza a decoração geometrizante dos painéis e frisos de mosaicos brilhantes, dourados e multicolores, dispostos a intervalos regulares. A estes detalhes somam-se pilastras, colunas e cornijas de recorte clássico, aplicadas de forma simétrica ou reforçando a linearidade horizontal e vertical do conjunto. [patrimonio.pt]

Avenida da República, 54 (56) |c. 1940|
Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1930
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Praça Duque de Saldanha vista da Av. Fontes Pereira Melo

Entretanto, o par aproximou-se da Praça Duque de Saldanha. Lá em baixo, no seu pedestal, a estátua do duque elevava o braço numa pose eterna e elegante. À volta dele, os carros buzinavam e aceleravam. A Praça Duque de Saldanha é um lugar simultaneamente moderno e antigo onde palacetes e edifícios de outros tempos convivem lado a lado com prédios modernos e espelhados.==
(ESTER, Sofia, Adozinda - V de Volta, 2015)

Praça Duque de Saldanha |c. 1950|
Perspectiva tomada da Av. Fontes Pereira Melo
Antiga Praça Mouzinho de Albuquerque (1897), antes Rotunda das Picoas (até 1902); o Monumento ao Duque de Saldanha foi inaugurado em 1909.
Amadeu Ferrari, in Lisboa de Antigamente

domingo, 30 de agosto de 2026

Beco da Cardosa

Cardoza (beco da) primeiro á esquerda na rua de S. Miguel, indo do largo de S. Miguel e finda na rua do Castello Picão, freguezia de S. Miguel 2 a 36 e 1 a 49. [Velloso: 1869]

Cardosa (Beco da) Vide História Genealógica, tomo XI, pág. 388, onde se fala numa tal Cardosa, Irmã de Justa Rodrigues Pereira, a célebre concubina do bispo D. Fr. João Manuel, filho Ilegítimo d'el- rei D. Duarte e casada com Gonçalo Cardoso "o Velho", de Lamego. [Brito: 1935]
Reza assim o texto do autor — o Pe. António Caetano de Sousa — referido atrás pelo olisipógrafo Gomes de Brito:
«Era Irmãa de Maria Rodrigues Pereira, muIher nobre, de quem D. Antonio de Lima, diz fer huma Dona, de bons parentes, a qual fe efcreve fer fegunda mulher de Gongalo Cardofo, o Senhor do Morgado da Taipa, Vedor da Fazenda do Infante D. Fernando, & qual alguns Nobiliários: deraõ
oappellido de Pereira , e outros o de Cardofa [...]»
Seria esta Cardosa, já conhecido no século XVIII, que viu o nome dela aplicado ao beco? Quem souber que responda.

Beco da Cardosa, 9 |c. 1900|
Nada mais curioso do que este enfiamento da Cardosa.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Este Beco da Cardosa — recorda o ilustre Norberto de Araújo — é cheio de outros becos, nele integrados, e de reentrâncias. Nada mais curioso do que este enfiamento da Cardosa, a lembrar certos pormenores de águas-fortes medievais. Abre por escadinhas, e logo ao cimo delas se nos depara um singular panorama de telhados, empenas amarelas, azuis, rosa, canteiros floridos, janelinhas, sobrelanços que nenhum artista era capaz de conceber: cenografia do acaso urbanista de quinhentos vestido de setecentismo; enfrenta a rua, nascendo do plano inferior, além da cortina gradeada, um. típico prédio de ressalto único, sobre a esquina, e que é um exemplar representativo das casas alfamistas da transição.

Beco da Cardosa, 33-35 |c. 1900|
Ao centro — embebido na parede — observa-se o oratório referido por Norberto de Araújo.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

 

Nas escadas topam-se logo à esquerda três espécimes de certo interesse, e ao cabo, à direita entra-ae num recanto, cheio de originalidade, e no qual, se a bizarria bairrista não se ufana de galas, sobram os motivos decorativos, em quatro casas, que não são famosas de gracilidade e numa das quais, n.ꟹ 33-35, existe um nicho ou oratório do Cristo Senhor do Bomfim, embebido na parede, e sobre o qual dança ao vento uma lâmpada de azeite - testemunho de devoção antiga a N. Senhora da Alfama. Mais três prédios pequenos nos chamam a atenção até chegarmos de novo a S. Miguel. Na esquina nascente do Beco e da Rua outro exemplar de edificação típica se nos mostra, para que os olhos não repousem.==

 

Beco da Cardosa, 41 |1960|
A esq. observa-se o Pátio da Parreirinha.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente
Beco da Cardosa, 45 |1961|
Arco da Cardosa.
Armando Serôdio, in Lisboa de
Antigamente























Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 59, 1939.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Panorâmica sobre os terrenos ao sul da Avenida das Forças Armadas

Em 1º plano vê-se parte da Av. Cinco de Outubro e da antiga Azinhaga das Torrinha (Quinta das Freiras) hoje Av. Álvaro Paisonde hoje se ergue o Edifício Marconi; à dir. a Av. das Forças Armadas, em cima no último plano vê-se a Escola no Bairro de Santos, o Hospital de Sta. Maria e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa [vd 2ª imagem] e vista parcial do Mercado do Rego.

Panorâmica sobre os terrenos ao sul da Avenida das Forças Armadas |c. 1955|
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. A 30 de Dezembro de 1974, a Câmara Municipal de Lisboa numa perspectiva clara de mudança toponímica, eliminando indícios referentes ao regime Salazarista, passou a denominar a Avenida 28 de Maio, Avenida das Forças Armadas. A homenagem é efectuada ao M.F.A. (Movimento das Forças Armadas) contribuiu para o êxito do 25 de Abril de 1974.

O antigo edifício do Castelinho da Quinta da Torrinha (1892) onde se instalou, em 1920, a Escola Superior de Farmácia é composto por uma casa de estilo eclético com coberturas em terraço, que culmina num corpo torreado no topo, adornada com elementos de inspiração militar, como ameias, guaritas, rusticidade dos socos e a imponência dos pilares que decoram os cunhais. A fachada principal exibe detalhes de inspiração Arte Nova, como os azulejos que a coroam.

Avenida das Forças Armadas, Edifício do Castelinho da Quinta da Torrinha |1953|
Remodelação da antiga Av. 28 de Maio; Hosp. de Santa Maria e edifício da Fac. Farmácia da Universidade de Lisboa — Avenida Professor Gama Pinto.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

domingo, 23 de agosto de 2026

Rua Frei Francisco Foreiro

Topónimo atribuído pela C.M.L., em 1909, ao arruamento onde assentava a velhinha Tv. do Forno do Tijolo. Ao fundo nota-se, a não menos antiga, Rua de Arroios e as fachadas de tardoz dos prédios na Rua Passos Manuel. À dir. — onde se vêem os tradicionais tapumes — abre-se a Rua António Pedro e, à esq., nota-se a embocadura do Regueirão dos Anjos e mais tarde (1984), paralela a este, a nova Rua Francisco Ribeiro (rasgada aquando da construção do Edifício Filial do Banco Portugal no local onde se siruava a antiga Fábrica Portugal).. (Ribeirinho, 1984).

Rua Frei Francisco Foreiro |1926-03-31|
Perspectiva tomada do lado da Av. Alm. Reis na direcção da Rua de Arroios
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Legenda no arquivo: «Local, na rua Francisco Foreiro (no bairro de Inglaterra), onde apareceu morta a actriz Maria Alves»
 
N.B. Frei Francisco Leite de Faria, dissertou sobre «As obras impressas de Frei Francisco Foreiro (1522-1581), afirmando que o Dominicano Frei Francisco Foreiro se salientou extraordinariamente na última fase do Concílio de Trento, em 1562 e 1563. Publicou então em Veneza a «nova e velha versão do Profeta Isaías» com o respectivo comentário, livro que teve oito edições, todas impressas no estrangeiro. Acabado o Concílio, Francisco Foreiro ficou na Itália para preparar quatro obras, que mandadas publicar por esse Concílio, tiveram enorme influência na prática doutrinal e litúrgica da Igreja católica. Foram essas obras o Índice dos Livros Proibidos, o Catecismo para os Párocos ou Catecismo de S. Pio V, o Breviário Romano e Missal Romano, obras que impressas por vez primeira, respectivamente, em 1564, 1566, 1568 e 1570, tiveram depois centenas de edições. Esse Missal vigorou durante quatro séculos até 1970. Muito se falou e escreveu então da Missa Tridentina ou de S. Pio V, que a tinha promulgado para a Igreja Católica, mas não se lembrou, nem mesmo em Portugal, que ela foi principalmente obra de Frei Francisco Foreiro, falecido há quatro séculos, em 1581, e natural de Lisboa, que há poucos anos lhe dedicou uma rua na freguesia de Arroios perto da Avenida Almirante Reis. [APH: 1981]

Avenida Almirante Reis |c. 1930|
Vista para sudoeste observando-se a embocadura da Rua Frei Francisco Foreiro,1 (dir.).
Jorge Marçal da Silva, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Campos de Futebol de Antanho: antigo Estádio do Sporting Clube de Portugal

O primeiro campo do Sporting Clube de Portugal foi inaugurado em 8 de Maio de 1906, no nº 73 da Alameda do Lumiar (atualmente Alameda das Linhas Torres), num local conhecido como Sítio ou Quinta das Mouras. Os terrenos foram doados pelo Visconde de Alvalade, atendendo ao desejo do neto, José Alvalade, de fundar um novo clube após a cisão do Campo Grande Football Club. A doação incluiu também um edifício na mesma Alameda, que serviu como a primeira sede do S.C.P..
No ano seguinte, a 4 de julho de 1907, ocorreu uma remodelação que melhorou bastante as condições desportivas: além de um segundo campo de futebol, passou a contar também com uma pista de atletismo.

Antigo Estádio do Sporting Clube de Portugal |c. 1917|
Designado Estádio do Lumiar ou Stadium de Lisboa.
Em segundo plano, ao centro, a «Villa Sousa» sita na Alameda das Linhas de Torres, 22. Campo Grande.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Antigo Estádio do Sporting Clube de Portugal |c. 1917|
Exercícios de ginástica no antigo estádio do Sporting Clube de Portugal.
Ao fundo, na zona N. do Campo Grande e da dir. para a esq,, veem-se as traseiras do o Restaurante do Campo Grande e do Palácio Valência-Vimioso. A esq. obervam-se alguns dos edifícios na 
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Sporting Clube de Portugal. deixou o Sítio das Mouras e, em 1917, mudou-se para o número 412 do Campo Grande, data em que foi inaugurado. com a designação de Stadium de Lisboa, também conhecido como Estádio do Lumiar. [sporting.pt]

Panorâmica sobre o Campo Grande e Lumiar |c. 1947|
Antigos campos do SLB — [1940-70] Campo Grande, em baixo — e do SCP — Stadium de Lisboa ou do Lumiar [1914] em obras — depois primitivo Estádio José de Alvalade [1947].
No topo N. do Campo Grande destaca-se o Palácio Valência-Vimioso que torneja para a Alameda das Linhas de Torres (dir.) e o Restaurante do Campo Grande. Na esq. baixa nota.se o Palácio Pimenta (Museu de Lisboa). 
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

domingo, 16 de agosto de 2026

Cinema Restelo (actualizado)

Edificou-se um cinema na Avenida da Torre de Belém, que se inaugurou a 26 de Fevereiro de 1954, com o intuito de substituir o velho Cinema Belém-Jardim, Na altura, a imprensa elogiou a iniciativa, sublinhou a «sobriedade do edifício», o seu «fácil acesso» e o seu perfeito enquadramento no local e chamou a atenção para os seus amplos foyers e para o mural que acompanhava a escada de acesso ao balcão,

Tempos depois, a sala era, porém, identificada por um outro elemento da sua decoração, o enorme e surpreendente «candeeiro de vidrinhos» que, suspenso do tecto, iluminava o recinto reflectindo a luz em variados desenhos e cores, cujos efeitos pareciam entreter os espectadores nos intervalos.

Avenida da Torre de Belém |1961|
Do lado dir. nota-se o Cinema Restelo com a Torre de Belém ao fundo.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

A construção do Cinema do Restelo baseou-se em alguns pressupostos que, ao mesmo tempo, o aproximam e o afastam das salas dos novos bairros. A sua localização na Avenida da Torre de Belém, entre a zona de Pedrouços e o Bairro Residencial da Encosta da Ajuda, exigia que se tomasse como ponto de partida as determinações que o plano de Faria da Costa impunha para o local, e foi isso precisamente que se fez. Carlos Ramos e Carlos Manuel Ramos, os dois arquitectos que assinam o projecto, interpretam de forma dinâmica as intenções nele expostas e avançam com o traçado simples e moderno de um cinema com que o bairro possa contar. O edifício enquadrava-se no plano previsto, respeitava os alinhamentos das artérias e afirmava-se na determinação de dotar a zona com uma sala que se adequasse às suas necessidades. Essa preocupação reflectia-se, aliás, na concepção do recinto, particularmente no traçado da sua vasta plateia, com 844 lugares, que estava dividida em dois sectores através de um ligeiro desnível, e no desenho do pequeno balcão, que deveria acolher 416 espectadores [vd ultima imagem]. Mas esta distribuição do espaço, que se pensou poder traduzir a composição da população do bairro, e a ela se fazer corresponder, não resultou como se imaginara. 
Podemos dizer que apesar do projecto do cinema ter tido em conta o local e algumas indicações que o plano de Faria da Costa (1938) estabelecia, o seu traçado fizera-se à margem das expectativas da população ou pelo menos não as atendera. Diga-se, em abono da verdade, que tal aspecto raramente era tomado em consideração, uma vez que poucos estudos se faziam com vista à elaboração dos projectos.

Cinema Restelo |1954|
Avenida da Torre de Belém
Em cartaz, o filme «O Capote» estreado em Portugal em 1953, no original «Il Cappotto».
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Cinema Restelo |post. 1957|
Avenida da Torre de Belém com a R. Dom Cristóvão da Gama 
Em cartaz, o filme «O Adeus às Armas» estreado em Portugal em 1957, no original «A Farewell to Arms».
Salvador de Almeida Fernandes, in Lisboa de Antigamente

A ideia que se tinha sobre os costumes dos habitantes do bairro, as esperanças que se depositavam na nova realidade que se lhes oferecia e o idealismo que atravessava a própria análise que se produzia eram outros tantos traços que o definiam, A sua base pragmática fez prevalecer a convicção de que o cinema deveria «corresponder a uma necessidade do novo aglomerado urbano», justificando-se que todas as classes sociais que o habitavam ou habitariam estivessem contempladas no seu traçado. Daí que se tivessem concebido três diferentes categorias de lugares na sala, que correspondiam proporcionalmente aos três estratos da população do bairro, e que se tivesse contraposto a pequena dimensão do balcão à amplitude da plateia, que tinha quase o dobro da lotação do balcão e que se distribuía por dois sectores de diferente estatuto. De facto, partiu-se do princípio que o sector maior e mais barato da plateia, isto é, o espaço que correspondia à Geral, deveria acolher o estrato da população mais numeroso da zona e que o seu público seria recrutado na classe operária, marítimos e militares que já habitavam o
local e que eram frequentadores assíduos do Cinema Belém-Jardim;... também se julgou que o outro sector da plateia seria ocupado pela classe média que já existia, e que tudo indicava que se haveria de engrossar com a chegada de uma nova população que, não sendo propriamente abastada, teria poder suficiente para frequentar esses lugares; e, consequentemente, também se pensou que a zona do balcão se destinaria à classe que habitava as luxuosas moradias do bairro. [...]

Cinema Restelo |1954|
Avenida da Torre de Belém
A plateia — com quase o dobro da lotação do balcãodispunham um total de 1260 lugares.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Na verdade, a composição da população do novo bairro e as suas aspirações não eram de molde a dar razão a essa distribuição da lotação do cinema. Pensou-se, por algum tempo, que fossem quais fossem as classes sociais, o seu nível económico e as suas expectativas de vida, frequentariam com mais ou menos convicção o recinto que se projectara. No caso da classe com menos recursos, o postulado inicial verificou-se e a sua frequência adquiriu realmente expressão. O cinema foi de facto por ela apropriado e em breve entrou nos seus hábitos. Mas com os outros sectores da população não se verificou o que se esperava. Como o próprio arq. Carlos Ramos depois constatou, num requerimento dirigido ao município que tinha em vista a introdução de alterações na sala, «dos três públicos que distintamente existem naquela zona pode dizer-se que, praticamente, só um frequenta o actual cinema: o público que frequenta a geral», E isso era precisamente o reconhecimento de que o pressuposto em que o projecto assentara tinha realmente falhado.==
Nota(s): Fechou portas em 1989, sendo substituído por um edifício comercial modernista.
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Bibliografia
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa, 2012  

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Rua da Sociedade Farmacêutica

Designação atribuída por Deliberação Camarária de 31 de Janeiro de 1901 em razão dos valiosos erviços prestados pela Sociedade de Farmacêutica Lusitana. Fundada em 24 de Julho de 1835 [extinta em 1935] na botica do Hospital de São José em Lisboa, constitui mais um passo na longa história da Farmácia em Portugal. Segundo a Ordem dos Farmacêuticos, os primeiros boticários remontarão ao século XIII, tendo o primeiro diploma especificamente no âmbito da profissão farmacêutica em Portugal sido redigido em 1338.
Este arruamento te início na Rua Bernardim Ribeiro e termina na Avenida Duque de Loulé.

Rua da Sociedade Farmacêutica |1967-03|
Antiga Rua nº 4 do Bairro Camões
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente

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