A Sé Patriarcal de Lisboa projectada pelo Mestre Roberto (séc. XII) é a única construção em estilo Românico e também a única do período de Dom Afonso Henriques que ainda existe na cidade, embora bastante alterada ao longo do tempo [vd. última imagem]. O Românico é um estilo caracterizado por formas compactas, transmitindo uma sensação de solidez e resistência.
A Sé está classificada monumento nacional (decretos de 10 de Janeiro de 1907 e de 16 de Junho de 1910), e, excluindo os troços que ainda restam da muralha ou cerca moura — diz Mestre Castilho, a quem vamos sempre seguindo — , é incontestavelmente o edifício mais antigo da cidade.
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Sé de Lisboa |1942-06-20| Largo da Sé Constitui a Sé de Lisboa um recinto isolado entre quatro ruas: de Augusto Rosa, antiga Rua do Arco do Limoeiro, ao norte; as Cruzes da Sé, ao sul; o Beco do Quebra-Costas, em escadaria, ao nascente; e o Largo da Sé (fachada principal), ao poente. Legenda da foto no arquivo: «Os trabalhos de defesa da fachada da Sé de Lisboa, contra ataques aéreos» Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente |
Não tem ele actualmente [em 1902], porém, o aspecto que apresentava na sua origem, porquanto, durante o volver dos séculos, foram-se-lhe fazendo acrescentamentos, modificações e sobreposições, que quási por completo lhe transformaram o facies primitivo, como se tem inferido do estudo consciencioso dos descobrimentos consequentes dos trabalhos de demolição e restauro a que no edifício se vem procedendo desde os últimos anos do século passado [XIX]. (Castilho: 1902)
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Sé de Lisboa, obras de restauro |1913| Sobre o eirado da torre norte (esq.) observa-se «uma pirâmide de cimento armado»; quem assim no-lo diz é Norberto Araújo, que, mais adiante, acrescenta: «Naquela torre do Norte, já no período das obras deste século [XX], colocou-se uma guarita oitavada, de cimento armado, e que há poucos anos foi, como disse, demolida». [Araujo: 1938] Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente |
No monumento nada existe, nem parece ter existido, que leve a aceitar a versão de que o
templo foi erigido sobre o fundamento de uma mesquita — recorda o ilustre olisipógrafo Norberto de Araújo.
Presume-se, aliás sem base documental, que o primeiro arqtiitecto houvesse sido um dos cavaleiros cruzados que tomaram parte no assédio à cidade sarracena, porventura «mestre» monge
normando, companheiro do clérigo, cruzado inglês, Gilberto Hastings, que veio a ser (1150?} o primeiro bispo de Lisboa. Não há notícia da época da conclusão das obras do templo; não é, porém,
arrojado suipôr-se que, ainda no período inicial, estivesse já dado ao culto e em parte coberto, constituindo desde logo sede de uma freguesia, cuja invocação é de Santa Maria Maior.==
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Recriação da Sé de Lisboa por Alfredo Roque Gameiro (1864–1935) segundo pinturas existentes do século XVI «[...] Estas torres [Sé], primitivamente, não tiveram sinos, os quais se situavam na torre sineira, sobre a cúpula do cruzeiro, e que o terramoto arrasou. [...]» [Araujo: 1938] in Lisboa de Antigamente |
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Monumentos histórico, 1944.
idem, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. II, 1938.
CHAGAS, Manuel Pinheiro, História de Portugal, popular e ilustrada, 1899-1905