domingo, 18 de outubro de 2026

Travessa da Queimada

Queimada (travessa da) primeira á esquerda no largo de S. Roque, indo da rua larga de S. Roque e finda na rua d' Atalaya, freguezia da Encarnação 2 a 68 e 1 a 45. [Velloso: 1869]

Durante muito tempo supôs-se que a designação «da Queimada» derivava da circunstância de, na altura do cerco de Lisboa por D. João I de Castela, em tempo do Mestre de Aviz, aqui fazerem os sitiantes suas queimadas, que corresponderiam a sinais para as suas hostes, situadas por aí fora até Santos. A muralha fernandina passava em S. Roque [Lg. Trindade Coelho]; isto por aqui seria uma espécie de fronteira alta dente de cubelos da Porta do Condestável, que então assim se não chamaria ainda (entrada da Calçada do Duque — escadinhas). Era uma explicação conjecturada e forçada mesmo. Mais verosimilmente se atribui tal designação ao facto de uma tal Ana Queimada possuir neste sítio, ou próximo, no meado do séc. XVI (precisamente 1563), uns terrenos que tomou de aforamento aos frades da Trindade. Esta explicação provém do Mestre Vieira da Silva, que já em 1902 desta particularidade informava o insigne Júlio de Castilho. 
[ARAÚJO: Norberto de, Peregrinações em Lisboa - vol. VI, p. 17, 1938]

Travessa da Queimada |c. 192-|
À esq. adivinha-se a R. da Barroca e, encimando a foto, a R. da Atalaia (Bairro Alto).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A rua da Atalaya, próxima à da Barroca, é o ponto culminante do Bairro Alto — recorda o insigne Júlio de Castilho na sua, Lisboa Antiga. Todas as travessas que da rua larga de S. Roque [hoje «da Misericórdia»] a veem demandar sobem não pouco até a Atalaya. Esta circunstância de elevação é atendível, se a casarmos com o nome da rua. Tudo leva a crer que, na porfiosa guerra que precedeu e seguiu a eleição do mestre [de Aviz], uma boa parte do arraial dos castelhanos por ali estanciasse, e n'aquelle alto houvesse postado, como em crista de muito alcance, os olhos curiosos de alguma atalaya a espreitar a muralha e as duas importantes portas ocidentais, para dar aviso aos cercadores. 
[CASTILHO, Júlio de, Lisboa Antiga: O bairro alto de Lisboa 1879]

Travessa da Queimada |c. 1905|
Embocadura da Travessa. que foi 
Rua, mas também Travessa dos Poiais, vista do Largo
da Trindade Coelho que foi 
de «São Roque» como evidencia o dístico municipal no cunhal
do prédio de gaveto hoje integrado na 
R. de São Pedro de Alcântara junto da Igreja de São Roque.

Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Rua Gil Vicente: Inauguração da luz eléctrica

A Rua Gil Vicente nasceu na Rua n.º 9 do Casal do Rolão em finais do séc. XIX (1892), com o processo de urbanização desta zona no triângulo formado pela Calçada de Santo Amaro, Calçada da Tapada e Rua Luís de Camões, na freguesia de Alcântara, tendo os topónimos sido atribuídos por deliberação camarária de 8 de Julho de 1892 e todos com ligação a figuras da cultura e literatura portuguesas. [1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Rua Gil Vicente, 5 (N→S) |1922-07-10|
Antiga Rua nº 9 do Bairro do Casal do Rolão.
Vista tomada do lado da Calçada de Santo Amaro.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. O topónimo homenageia Gil Vicente (1465? -1537?) é geralmente considerado o primeiro grande dramaturgo português, além de poeta de renome. Há quem o identifique como o ourives, autor da Custódia de Belém, mestre da balança, e com o mestre de Retórica do rei Dom Manuel. Enquanto homem de teatro, parece ter também desempenhado as tarefas de músico, ator e encenador. É frequentemente considerado, de uma forma geral, o pai do teatro português, ou mesmo do teatro ibérico já que também escreveu em castelhano, partilhando a paternidade da dramaturgia espanhola com Juan del Encina. 
 Gil Vicente escreveu um total de 44 peças, sendo 11 em castelhano, 16 em português e 17 em ambas as línguas, muitas delas criadas para celebrações da corte. Entre sua vasta obra, destacam-se o "Auto da Sibila Cassandra" (1513), que marca o início do Renascimento em Portugal, "A Farsa de Inês Pereira" (1523), considerada a primeira comédia regular portuguesa, e a trilogia das barcas: *Barca do Inferno" (1516), "Barca do Purgatório" (1518) e "Barca da Glória" (1519).
Morreu em lugar desconhecido, talvez em 1537? sendo que, a partir dessa data deixa-se de encontrar qualquer referência ao seu nome nos documentos da época. ▘

Rua Gil Vicente, 1 |1922-08-22|
Inauguração da luz eléctrica
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 11 de outubro de 2026

Rua de Santo Amaro com a Travessa de Santo Ildefonso

Ildefonso (travessa de Santo) segunda á direita na travessa de Santo Amaro, indo da rua de S. Bento e finda na rua de S. Bernardo, freguezia de Santa Izabel 2 a 46 e 1 a 31. [Velloso: 1869]

A Travessa de Santa Quitéria (1759) — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , tal como a Rua de Santo Amaro (1885) (esq), as Travessas de Santa Gertrudes (hoje Rua Teófilo Braga, transv. esq.), de S. Plácido, de Santa Escolástica (hoje Rua dos Ferreiros), de Santo Ildefonso (todas datando de 1763), e a Rua de S. Bernardo (ao cimo), trinta anos mais moderna que as anteriores, foram talhadas na cerca do Convento de S. Bento; os nomes, postos pelos frades, são dos santos da sua Ordem». [Araújo, XI, 1939]

Rua de Santo Amaro com a Travessa de Santo Ildefonso [1966]
Ao cimo nota-se o Jardim da Estrela e a Rua de São Bernardo.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Santo Amaro (Rua de) É a antiga Travessa desta denominação, reunida à Travessa de Santa Iria, por Edital do Governador Civil de 1 de Setembro de 1859 e da Câmara de 31 de Dezembro de 1885. Provem-lhe a denominação da terceira capela do lado da Epístola na Igreja do extinto Mosteiro de S. Bento (actual Assembleia da República), dedicada a Santo Amaro. [Brito: 1935]

Rua de Santo Amaro, 34 |1911|
Ao fundo nota-se a Rua de S. Bento.
O então denominado “Albergue das Crianças Abandonadas” (hoje CPJ), foi
inaug. em 1897 — na sequência de uma grave crise económica — com o apoio dos
jornais *O Século* e *Diário de Notícias*.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Travessa dos Brunos

Brunos (travessa dos) primeira á esquerda no fim da rua direita de S. Francisco de Paula [actual Pres. Arriaga], antes de chegar á calçada da Pampulha e finda na travessa da Praia, freguezia de Santos 2 a 70 e 1 a 63. [Velloso. 1869]

Aqui temos um bem pitoresco resíduo da Pampulha de cabelos brancos: a Travessa dos Brunos [...] Deve o seu nome ao facto de no século XVII — recorda Norberto de Araújo — ter existido aqui um hospício dos frades cartuxos de S. Bruno, grandes proprietários na área, e cuja casa principal passou a Laveiras. [Araújo: 1939]

Travessa dos Brunos |1950-02|
Perspectiva tomada da Av. Infante Santo; o edifício com o cunhal brasonado já não existe. 
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

domingo, 4 de outubro de 2026

Escola Politécnica — Casa do Novlclado, Colégio dos Nobres Faculdade de Ciências e Jardim Botânico


Estamos diante de um edifício e estabelecimento de ensino superior do qual derivou o nome a esta artéria . 
A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa — recorda Norberto de Araújo — sucedeu à Escola Politécnica como esta substituiu o Colégio dos Nobres, instalado na Casa que fôra do Noviciado da Companhia de Jesus. Só meia dúzia de notícias.
A primeira Casa do Noviciado da Companhia de Jesus existiu Casa do Noviciado em Campolide, numa desaparecida quinta que se situava abaixo da actual Penitenciária, a poente do Parque [Eduardo VII] de hoje; datava de 1595. 
Dois anos depois Fernão Teles de Menezes fez doação aos Padres da Companhia de uns terrenos neste sítio da Cotovia, e que eram da sua Quinta do Monte Olivete. A primeira pedra do edifício do Noviciado foi lançada em 26 de Abril de 1603; concluída em 1616 a Casa, do risco de Baltazar Álvares, entraram os primeiros noviços em 1619. 
A casa do Noviciado, relativamente pequena, possuía uma cerca enormíssima, que ia até ao Rato e ao fundo do Salitre. 

Escola Politécnica |c. 1945|
Rua da Escola Politécnica, 56 (vista para o nascente); Museu Nacional de História Natural.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A Companhia de Jesus foi extinta em 1759, e logo em 7 de Março de 1761 era criado o Real Colégio dos Nobres, inaugurado em 19 de Março de 1766 pelo Rei D. José, família real e Cardeal Saldanha. O Terramoto fez estragos no edifício, que foi reparado poucos anos depois. 
Em 10 de Janeiro de 1837 foi abolido o Colégio dos Nobres, e no dia seguinte criada a Escola Politécnica dependente do Ministério da Guerra, que foi instalada no velho edifício do Colégio dos Nobres, bem como a Escola do Exército.
Em 22 de Abril de 1843 um incêndio devorou em poucas horas a Escola Politécnica, ficando de pé apenas as paredes. 
Pensou-se logo em levantar um novo edifício, para o que se venderam bens que haviam pertencido ao Colégio dos Nobres e se contraíram empréstimos, funcionando entretanto a Escola Politécnica em instalações provisórias junto do prédio ardido. 
O risco do novo edifício foi do general Silva Costa e do professor Pezarat. O edifício é este que está à vista, e cujas colunas monolíticas pertenceram ao Convento de S. Francisco da Cidade (hoje Faculdade de Belas-Artes de Lisboa) destruído pelo Terramoto. Só em 1878 as obras se concluíram, mas a Escola, que perdera o carácter militar restrito em 1859, funcionava já.

Escola Politécnica |c. 1945]
Rua da Escola Politécnica, 56 (vista para o pente); entrada de acesso para o Jardim Botânico.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Quando foi criada a Universidade de Lisboa (Março de 1911) a designação de Escola Politécnica desapareceu, passando o estabelecimento a constituir a Faculdade de Ciências de Lisboa, com jardim e institutos anexos. O Jardim Botânico, um dos raros parques naturais dentro da Cidade, foi começado a plantar em 1873, por iniciativa dos professores Conde de Ficalho e Andrade Corvo, e sucedeu ao da Ajuda (1877); ocupa a encosta que desce a norte. Divide-se em duas partes, separadas por uma vistosa escadaria . É considerado por botânicos estrangeiros como uma das maravilhas do sul da Europa. São notabilíssimas as suas espécies, entre elas as palmeiras, na «Rua das Palmeiras», plantada em 1880, de cactus, de cedros, de araucárias, de chorões e bem assim as colecções de plantas de todas as partes do mundo. As estufas e os viveiros constituem uma atracção científica deste jardim. 


Jardim Botânico |1911|
Observatório Astronómico
O chorão, sobre o tanque grande
Joshua Benoliel. in LdA

Jardim Botânico |ant. 1945|
Pormenor da Estufa notando.se ao fundo o
Observatório Meteorológico Infante D. Luís
Estúdio Mário Novais., in LdA



O Observatório Meteorológico, intitulado do Infante D. Luiz, data de 1863, ficando-lhe anexo um Observatório Astronómico, de fundação de Mariano de Carvalho. Uma das instituições mais consideradas da Faculdade de Ciências é o Museu «de Barbosa du Bocage», de História natural, transferido para esta Escola Politécnica da Academia das Ciências em 1858, no qual há magníficas colecções de peixes, de crustáceos, de répteis, de aves, de insectos (em número de 50.000), de conchas, etc. São notáveis alguns dos grandes mamíferos e peixes expostos. As instalações científicas e. jardins de Faculdade de Ciências merecem demorada visita, que te recomendo quando vieres só, e não tiveres tanto a jornadear.

Escola Politécnica |c. 1907]
Rua da Escola Politécnica
Lago construído na sequência da abertura do túnel do Rossio.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 27-28, 1939.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Beco dos Lóios que foi «dos Cabras»

Cabras (beco das) primeiro á esquerda na rua do Salvador, indo do largo de Santo André e finda na rua de Santa Marinha, freguezia de Santo André 2 a 28 e 1 a 19. [Velloso: 1869]

Com respeito a cabras — diz Matos Sequeira (\940) — está claro que esta simpática Lisboa não se podia ufanar de as não ter tido e de não as ter ainda salpicando aqui e ali a sua toponímia. Ora veja-se: o nosso beco dos Lóios, a Santa Marinha, já foi «das» Cabras mas impropriamente, por que devia ser «dos» Cabras, da família deste apelido [...]

Beco dos Lóios (S→N) |1945|
Encimando a imagem corre a 
Rua de Santa Marinha.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

O olisipógrafo Luís Pastor de Macedo afirma que «A sua categoria primitiva foi a de travessa – "ua q vay junto á travessa dos Cabras" – e a primeira vez que nos aparece nos registos paroquiais de S. Tomé é em 1705. Ainda não sabemos que Cabras – apelido ou alcunha – deram o nome à serventia». Ou seja, o primitivo topónimo resultava do nome de gente conhecida localmente. Mas já em 1812 o Padre Carvalho Costa, na sua Corografia Portuguesa, menciona este arruamento como Beco das Cabras, tal como está na planta de 1858 de Filipe Folque e assim ficou até lhe ser mudado o nome para Lóios, aproveitando uma relativa proximidade ao Largo dos Lóios.
(MACEDO, Luis Pastor de - Lisboa de lés-a-lés: Subsídios, 1940-1943)

Beco dos Lóios (S→N) |1966-04|
Vista tomada da Rua do Salvador.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

domingo, 27 de setembro de 2026

Palacete Alves Machado

O Palacete Alves Machado constitui um exemplar típico dos finais do Romantismo, e um dos raros casos em que o programa decorativo original, datado de finais do século XIX, nos chegou intacto, tal como aconteceu com o conjunto da propriedade, que inclui o edifício neoclássico e um talhão ajardinado.


O lote onde foi edificado o Palacete Alves Machado fazia parte dos terrenos que pertenceram aos frades cartuxos desde a primeira década do séc. XVII — que aqui haviam erguido o seu Hospício do Monte Olivete — até à sua venda em hasta pública em 1834, após a extinção das ordens religiosas. Edificado em 1876, por iniciativa de João Alberto Lopes, foi logo vendido em 1879 a António José Alves Machado, que por morte a deixou ao seu irmão, Manuel Joaquim Alves Machado, então já distinguido com o título de conde. Ambos eram representantes da nova burguesia endinheirada, ligada aos negócios, que fizeram nome e fortuna no Brasil. Em 1899 a propriedade foi vendida ao Conselheiro Joaquim José Cerqueira, também emigrante regressado do Brasil, que a habitou até 1929, data em que arrendou o palacete ao Instituto de Estatística, inicialmente, e ao Colégio Feminino Francês, posteriormente. Em 1973, o imóvel foi adquirido pelo Estado, que, por sua vez, o vendeu, em 1989, à Fundação Oriente. Por fim, em Dezembro de 2015, a propriedade foi vendida a um grupo hoteleiro. O palacete, neoclássico, traduz um exemplar típico dos finais do Romantismo e um dos raros casos cujo programa decorativo original, datado de finais de Novecentos, chegou intacto até aos nossos dias. A propriedade, murada, incluía a casa e um talhão ajardinado. O edifício, erguido a curta distância do muro exterior, apresenta planta quadrangular, que define quatro fachadas idênticas, estruturadas por um pano central de três pisos, ladeado por panos de dois pisos, apenas. Cada piso surge rasgado por janelas de sacada com guardas ornamentais. Nas esquinas do piso superior, sobre os panos laterais, evidenciam-se quatro varandas de planta rectangular com balaústres, actualmente transformadas em marquises envidraçadas. 

Palacete Alves Machado |s.d. ant. 1950|
Rua do Salitre, 62-64
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

A entrada é efectuada pela fachada principal, voltada à Rua do Salitre, através de duplo lanço de escadas, que se localiza no mesmo eixo de um portão aberto no muro exterior, flanqueado por dois óculos elipsoidais. O átrio, zona de comunicação ao interior, possibilita o acesso a escadaria de madeira em dois lanços simétricos semicirculares com guarda em ferro forjado, iluminada por clarabóia, constituindo o coração da casa. 
A orgânica funcional do imóvel é característica da época, adaptada ao que à data se considerava uma moderna habitação burguesa, com salas comunicantes, salões nobres dispostos ao longo da fachada e áreas de serviço no piso térreo. 

Palacete Alves Machado |s.d. ant. 1950|
Rua do Salitre, 62-64
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

No interior, o programa de pinturas decorativas foi executado pelo mais operoso dos pintores decoradores do séc. XIX, José Maria Pereira Júnior, mais conhecido por Pereira Cão (1841-1921), merecendo destaque: os medalhões em estuque e as pinturas em trompe-l'oeil de tecto, sob a clarabóia; as pinturas claramente românticas, traduzidas num conjunto de representações naturalistas, a óleo sobre tela, de fauna, flora e vistas idealizadas de Portugal, distribuídas ao longo dos patamares; as pinturas que abordam temas naturalísticos de cuidada execução e colorido, onde pontuam aves de jardim exóticas, que aludem à estadia no Brasil de alguns dos proprietários do imóvel; e, por fim, as pinturas murais fazendo alusão ao mundo greco-romano da Antiguidade Clássica, ao estilo francês Luís XVI e ao mo-árabe, que decoram as salas voltadas para a escadaria.
O Palacete Alves Machado, incluindo o jardim e o património integrado, encontra-se classificado como Monumento de Interesse Público. [patrimonio.pt]

Palacete Alves Machado |s.d. ant. 1950|
Rua do Salitre, 62-64
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Rua de Arroios — antiga Rua Direita de Arroios

A Rua de Arroios, tal como a Calçada de Arroios, perpetuam na memória de Lisboa a ligação ao antigo sítio de Arroios, que significa regato e local de hortas verdejantes — com “arvoredos murmurosos e relvas fofas”, refere Eça de Queiroz n’O Primo Basílio, em 1878.


Vês este prédio moderno na esquina da Rua Francisco Foreiro (também nova) e da Rua de Arroios onde tem os n.ºˢ 46 a 48, e que é hoje uma serração de madeiras?  — interpela-nos o ilustre Norberto de Araújo. Pois foi, até 1916(?), a famosa Fábrica de Cervejas «Leão», que refrescou não apenas nossos pais, mas também nossos avós. Tinha então um pátio grande, que ainda hoje se desenha, alterado na fisionomia; eram casas e terrenos dos Condes de S. Miguel.⁼⁼
[ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 79-81, 1938]

Rua de Arroios |194-|
Antiga Rua Direita de Arroios, antes troço da Rua Direita dos Anjos e Rua Direita de Arroios
À dir., em primeiro plano na esquita com a Rua Francisco Foreiro, vê-se um prédio no sítio onde foi a Fábrica de Cerveja Leão, que anteriormente tinha sido o palácio do Conde de São Miguel, à esquerda, em segundo plano, a fábrica de Lanifícios de Arroios, onde foi o palácio dos Condes de Mesquitela.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

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