domingo, 4 de outubro de 2026

Escola Politécnica — Casa do Novlclado, Colégio dos Nobres Faculdade de Ciências e Jardim Botânico


Estamos diante de um edifício e estabelecimento de ensino superior do qual derivou o nome a esta artéria . 
A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa — recorda Norberto de Araújo — sucedeu à Escola Politécnica como esta substituiu o Colégio dos Nobres, instalado na Casa que fôra do Noviciado da Companhia de Jesus. Só meia dúzia de notícias.
A primeira Casa do Noviciado da Companhia de Jesus existiu Casa do Noviciado em Campolide, numa desaparecida quinta que se situava abaixo da actual Penitenciária, a poente do Parque [Eduardo VII] de hoje; datava de 1595. 
Dois anos depois Fernão Teles de Menezes fez doação aos Padres da Companhia de uns terrenos neste sítio da Cotovia, e que eram da sua Quinta do Monte Olivete. A primeira pedra do edifício do Noviciado foi lançada em 26 de Abril de 1603; concluída em 1616 a Casa, do risco de Baltazar Álvares, entraram os primeiros noviços em 1619. 
A casa do Noviciado, relativamente pequena, possuía uma cerca enormíssima, que ia até ao Rato e ao fundo do Salitre. 

Escola Politécnica |c. 1945|
Rua da Escola Politécnica, 56 (vista para o nascente); Museu Nacional de História Natural.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A Companhia de Jesus foi extinta em 1759, e logo em 7 de Março de 1761 era criado o Real Colégio dos Nobres, inaugurado em 19 de Março de 1766 pelo Rei D. José, família real e Cardeal Saldanha. O Terramoto fez estragos no edifício, que foi reparado poucos anos depois. 
Em 10 de Janeiro de 1837 foi abolido o Colégio dos Nobres, e no dia seguinte criada a Escola Politécnica dependente do Ministério da Guerra, que foi instalada no velho edifício do Colégio dos Nobres, bem como a Escola do Exército.
Em 22 de Abril de 1843 um incêndio devorou em poucas horas a Escola Politécnica, ficando de pé apenas as paredes. 
Pensou-se logo em levantar um novo edifício, para o que se venderam bens que haviam pertencido ao Colégio dos Nobres e se contraíram empréstimos, funcionando entretanto a Escola Politécnica em instalações provisórias junto do prédio ardido. 
O risco do novo edifício foi do general Silva Costa e do professor Pezarat. O edifício é este que está à vista, e cujas colunas monolíticas pertenceram ao Convento de S. Francisco da Cidade (hoje Faculdade de Belas-Artes de Lisboa) destruído pelo Terramoto. Só em 1878 as obras se concluíram, mas a Escola, que perdera o carácter militar restrito em 1859, funcionava já.

Escola Politécnica |c. 1945]
Rua da Escola Politécnica, 56 (vista para o pente); entrada de acesso para o Jardim Botânico.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Quando foi criada a Universidade de Lisboa (Março de 1911) a designação de Escola Politécnica desapareceu, passando o estabelecimento a constituir a Faculdade de Ciências de Lisboa, com jardim e institutos anexos. O Jardim Botânico, um dos raros parques naturais dentro da Cidade, foi começado a plantar em 1873, por iniciativa dos professores Conde de Ficalho e Andrade Corvo, e sucedeu ao da Ajuda (1877); ocupa a encosta que desce a norte. Divide-se em duas partes, separadas por uma vistosa escadaria . É considerado por botânicos estrangeiros como uma das maravilhas do sul da Europa. São notabilíssimas as suas espécies, entre elas as palmeiras, na «Rua das Palmeiras», plantada em 1880, de cactus, de cedros, de araucárias, de chorões e bem assim as colecções de plantas de todas as partes do mundo. As estufas e os viveiros constituem uma atracção científica deste jardim. 


Jardim Botânico |1911|
Observatório Astronómico
O chorão, sobre o tanque grande
Joshua Benoliel. in LdA

Jardim Botânico |ant. 1945|
Pormenor da Estufa notando.se ao fundo o
Observatório Meteorológico Infante D. Luís
Estúdio Mário Novais., in LdA



O Observatório Meteorológico, intitulado do Infante D. Luiz, data de 1863, ficando-lhe anexo um Observatório Astronómico, de fundação de Mariano de Carvalho. Uma das instituições mais consideradas da Faculdade de Ciências é o Museu «de Barbosa du Bocage», de História natural, transferido para esta Escola Politécnica da Academia das Ciências em 1858, no qual há magníficas colecções de peixes, de crustáceos, de répteis, de aves, de insectos (em número de 50.000), de conchas, etc. São notáveis alguns dos grandes mamíferos e peixes expostos. As instalações científicas e. jardins de Faculdade de Ciências merecem demorada visita, que te recomendo quando vieres só, e não tiveres tanto a jornadear.

Escola Politécnica |c. 1907]
Rua da Escola Politécnica
Lago construído na sequência da abertura do túnel do Rossio.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 27-28, 1939.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Beco dos Lóios que foi «dos Cabras»

Cabras (beco das) primeiro á esquerda na rua do Salvador, indo do largo de Santo André e finda na rua de Santa Marinha, freguezia de Santo André 2 a 28 e 1 a 19. [Velloso: 1869]

Com respeito a cabras — diz Matos Sequeira (\940) — está claro que esta simpática Lisboa não se podia ufanar de as não ter tido e de não as ter ainda salpicando aqui e ali a sua toponímia. Ora veja-se: o nosso beco dos Lóios, a Santa Marinha, já foi «das» Cabras mas impropriamente, por que devia ser «dos» Cabras, da família deste apelido [...]

Beco dos Lóios (S→N) |1945|
Encimando a imagem corre a 
Rua de Santa Marinha.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

O olisipógrafo Luís Pastor de Macedo afirma que «A sua categoria primitiva foi a de travessa – "ua q vay junto á travessa dos Cabras" – e a primeira vez que nos aparece nos registos paroquiais de S. Tomé é em 1705. Ainda não sabemos que Cabras – apelido ou alcunha – deram o nome à serventia». Ou seja, o primitivo topónimo resultava do nome de gente conhecida localmente. Mas já em 1812 o Padre Carvalho Costa, na sua Corografia Portuguesa, menciona este arruamento como Beco das Cabras, tal como está na planta de 1858 de Filipe Folque e assim ficou até lhe ser mudado o nome para Lóios, aproveitando uma relativa proximidade ao Largo dos Lóios.
(MACEDO, Luis Pastor de - Lisboa de lés-a-lés: Subsídios, 1940-1943)

Beco dos Lóios (S→N) |1966-04|
Vista tomada da Rua do Salvador.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

domingo, 27 de setembro de 2026

Palacete Alves Machado

O Palacete Alves Machado constitui um exemplar típico dos finais do Romantismo, e um dos raros casos em que o programa decorativo original, datado de finais do século XIX, nos chegou intacto, tal como aconteceu com o conjunto da propriedade, que inclui o edifício neoclássico e um talhão ajardinado.


O lote onde foi edificado o Palacete Alves Machado fazia parte dos terrenos que pertenceram aos frades cartuxos desde a primeira década do séc. XVII — que aqui haviam erguido o seu Hospício do Monte Olivete — até à sua venda em hasta pública em 1834, após a extinção das ordens religiosas. Edificado em 1876, por iniciativa de João Alberto Lopes, foi logo vendido em 1879 a António José Alves Machado, que por morte a deixou ao seu irmão, Manuel Joaquim Alves Machado, então já distinguido com o título de conde. Ambos eram representantes da nova burguesia endinheirada, ligada aos negócios, que fizeram nome e fortuna no Brasil. Em 1899 a propriedade foi vendida ao Conselheiro Joaquim José Cerqueira, também emigrante regressado do Brasil, que a habitou até 1929, data em que arrendou o palacete ao Instituto de Estatística, inicialmente, e ao Colégio Feminino Francês, posteriormente. Em 1973, o imóvel foi adquirido pelo Estado, que, por sua vez, o vendeu, em 1989, à Fundação Oriente. Por fim, em Dezembro de 2015, a propriedade foi vendida a um grupo hoteleiro. O palacete, neoclássico, traduz um exemplar típico dos finais do Romantismo e um dos raros casos cujo programa decorativo original, datado de finais de Novecentos, chegou intacto até aos nossos dias. A propriedade, murada, incluía a casa e um talhão ajardinado. O edifício, erguido a curta distância do muro exterior, apresenta planta quadrangular, que define quatro fachadas idênticas, estruturadas por um pano central de três pisos, ladeado por panos de dois pisos, apenas. Cada piso surge rasgado por janelas de sacada com guardas ornamentais. Nas esquinas do piso superior, sobre os panos laterais, evidenciam-se quatro varandas de planta rectangular com balaústres, actualmente transformadas em marquises envidraçadas. 

Palacete Alves Machado |s.d. ant. 1950|
Rua do Salitre, 62-64
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

A entrada é efectuada pela fachada principal, voltada à Rua do Salitre, através de duplo lanço de escadas, que se localiza no mesmo eixo de um portão aberto no muro exterior, flanqueado por dois óculos elipsoidais. O átrio, zona de comunicação ao interior, possibilita o acesso a escadaria de madeira em dois lanços simétricos semicirculares com guarda em ferro forjado, iluminada por clarabóia, constituindo o coração da casa. 
A orgânica funcional do imóvel é característica da época, adaptada ao que à data se considerava uma moderna habitação burguesa, com salas comunicantes, salões nobres dispostos ao longo da fachada e áreas de serviço no piso térreo. 

Palacete Alves Machado |s.d. ant. 1950|
Rua do Salitre, 62-64
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

No interior, o programa de pinturas decorativas foi executado pelo mais operoso dos pintores decoradores do séc. XIX, José Maria Pereira Júnior, mais conhecido por Pereira Cão (1841-1921), merecendo destaque: os medalhões em estuque e as pinturas em trompe-l'oeil de tecto, sob a clarabóia; as pinturas claramente românticas, traduzidas num conjunto de representações naturalistas, a óleo sobre tela, de fauna, flora e vistas idealizadas de Portugal, distribuídas ao longo dos patamares; as pinturas que abordam temas naturalísticos de cuidada execução e colorido, onde pontuam aves de jardim exóticas, que aludem à estadia no Brasil de alguns dos proprietários do imóvel; e, por fim, as pinturas murais fazendo alusão ao mundo greco-romano da Antiguidade Clássica, ao estilo francês Luís XVI e ao mo-árabe, que decoram as salas voltadas para a escadaria.
O Palacete Alves Machado, incluindo o jardim e o património integrado, encontra-se classificado como Monumento de Interesse Público. [patrimonio.pt]

Palacete Alves Machado |s.d. ant. 1950|
Rua do Salitre, 62-64
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Rua de Arroios — antiga Rua Direita de Arroios

A Rua de Arroios, tal como a Calçada de Arroios, perpetuam na memória de Lisboa a ligação ao antigo sítio de Arroios, que significa regato e local de hortas verdejantes — com “arvoredos murmurosos e relvas fofas”, refere Eça de Queiroz n’O Primo Basílio, em 1878.


Vês este prédio moderno na esquina da Rua Francisco Foreiro (também nova) e da Rua de Arroios onde tem os n.ºˢ 46 a 48, e que é hoje uma serração de madeiras?  — interpela-nos o ilustre Norberto de Araújo. Pois foi, até 1916(?), a famosa Fábrica de Cervejas «Leão», que refrescou não apenas nossos pais, mas também nossos avós. Tinha então um pátio grande, que ainda hoje se desenha, alterado na fisionomia; eram casas e terrenos dos Condes de S. Miguel.⁼⁼
[ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 79-81, 1938]

Rua de Arroios |194-|
Antiga Rua Direita de Arroios, antes troço da Rua Direita dos Anjos e Rua Direita de Arroios
À dir., em primeiro plano na esquita com a Rua Francisco Foreiro, vê-se um prédio no sítio onde foi a Fábrica de Cerveja Leão, que anteriormente tinha sido o palácio do Conde de São Miguel, à esquerda, em segundo plano, a fábrica de Lanifícios de Arroios, onde foi o palácio dos Condes de Mesquitela.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

domingo, 20 de setembro de 2026

Da velha Estr. que foi de Sacavém — pelas Ruas Alves Torgo e Agostinho Lourenço — até ao Apeadeiro do Areeiro

A velha Estr. de Sacavém tinha o seu começo no cunhal da primitiva Igreja de S Jorge de Arroios, do lado da sacristia onde se lia o respectivo letreiro municipal, posteriormente substituído pelo de Rua Alves Torgo, e estendia-se pela Portela até Sacavém, num percurso de cerca de quatro quilómetros.
Depois de, em 1956, ter perdido este troço para a Rua Agostinho Lourenço, a Rua Alves Torgo, que agora deságua no Areeiro, voltou a ser encurtada quando o troço compreendido entre a Rua António Pereira Carrilho e a Alameda Dom Afonso Henriques, passou a denominar-se Rua Quirino da Fonseca.

Com a legenda «Devotado Apóstolo da Instrução Popular» passou José Maria Alves Torgo a integrar a toponímia de Lisboa por deliberação camarária de 2 de Novembro de 1925 e edital de 5 de Novembro de 1925, no que até aí era um troço da Estr. de Sacavém, a partir da esquina da Igreja de Arroios até ao limite da freguesia do mesmo nome.

Rua Alves Torgo |c. 1940|
Troço entre a actual Av. Afonso Costa (dist. 1976) e a antiga Av. do Aeroporto hoje Almirante Gago Coutinho. As casas contiguas do lado esq. ainda por lá estão. 
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Rua Alves Torgo |1938-12-03|
Para esta serventia foram provisoriamente desviados, na década de 1938-40,  os carros eléctricos enquanto decorriam as obras de requalificação da Av. Alm. Reis (N.) e da Praça do Areeiro.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Agostinho Vicente Lourenço nasceu em 1822 na Índia e faleceu em Lisboa no ano de 1893. Químico e Professor universitário, Agostinho Lourenço, formou-se na Escola Médica de Nova Goa, onde leccionou. A ele se devem os estudos das águas minerais do Distrito de Lisboa, Chaves, Vizela, Vidago, a cujos trabalhos, apresentados na Exposição Universal de Paris, foi concedida a medalha de Ouro.
Para Portugal veio em 1862 passando a integrar o corpo docente da Escola Politécnica de Lisboa.

Rua Agostinho Lourenço |1951-08|
Ao fundo, depois da passagem de nível junto ao antigo apeadeiro do Areeiro (onde hoje existe uma ponte pedonal), rasgava-se a Rua Guilhermina Suggia em terrenos da Quinta do Perna de Pau onde se situava o afamado retiro do mesmo nome.
Era o troço da Rua Alves Torgo entre a Avenida do Aeroporto (actual Avenida Almirante Gago Coutinho) e a Linha do Caminho de Ferro de Cintura (Areeiro) [vd. imagem abaixo]. 
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Rua Agostinho Lourenço |1960|
 Passagem de nível do Apeadeiro do Areeiro junto à Av.  São João de Deus [vd. imagem seguinte]. 
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

O sitio de Arroios — onde nascia a velhinha Estr. de Sacavém — tira o seu nome da série de ribeiros que outrora ali serpenteavam alimentando hortas, prados, quintas e terrenos cultiváveis de vasta extensão.
Apesar disso, outra versão existente, diz que tal designação provém de «arroyos», uma planta medicinal, cuja descrição se encontra no livro intitulado «Luz da medicina».
Afirma Vilhena Barbosa que este sítio, no século XVI - época em que nele foi erigido o célebre Cruzeiro - era um arrabalde de Lisboa e tirava o seu nome, segundo se presume, de umas ervas que ali cresciam, em abundância, então chamadas «arroyos».
Embora não se tivesse chegado a uma conclusão definitiva, tais opiniões não são de excluir.

Aspeto do Apeadeiro do Areeiro (dir.) visto da Avenida Almirante Gago Coutinho |1963-07|
Extinta passagem de nível no eixo Rua Guilhermina Suggia-Rua Agostinho Lourenço (Avenidas Frei Miguel Contreiras (dir.) e São João de Deus).
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia

Revista Municipal, nº 85 de 1960.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, 1938.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Rua Aviador Plácido de Abreu com Rua Prof. Sousa da Câmara, às Amoreiras

O topónimo Rua Aviador Plácido de Abreu foi atribuído pela CML, através de Edital datado de 21/12/1960, ao arruamento com a denominação provisória de Rua Projectada à Rua das Amoreiras ou Rua “B” à Rua das Amoreiras; este troço da velhinha Rua das Amoreiras corresponde, desde 1971, à Rua Prof. Sousa da Câmara [vd. 2ª imagem] que se pode ver ao fundo.

Nota(s): Plácido António da Cunha Abreu (1903-1934), aviador acrobata despenhando-se contra o solo por ocasião da Taça Mundial de Acrobacia Aérea que decorria em Vincennes, França.
Alferes e observador na aviação portuguesa desde 1925, Plácido de Abreu tirou a carta de piloto aviador em 1930 e começou a praticar acrobacia distinguindo-se pelo seu arrojo. No Grande Certame Internacional de Cleveland, em 1932, ficou classificado entre os três primeiros acrobatas não americanos.  [1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Rua Aviador Plácido de Abreu |1967|
Ao fundo corre a velhinha R. das Amoreiras, desde 1971 denominada R. Prof. Sousa da Câmara.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Rua das Amoreiras actual R. Prof. Sousa da Câmara |1967|
Perspectiva tomada das Ruas do Arco do Carvalhão e de Campolide (Cruz das Almas) do troço da antiga Rua das Amoreiras, antes desta ser separada em dois troços distintos pela Av. Eng. Duarte Pacheco em 1948. 
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): António Pereira de Sousa da Câmara (1901-1971) foi Professor Catedrático do Instituto Superior de Agronomia, escola em que se tinha formado como Engenheiro Agrónomo e Engenheiro Silvicultor. Leccionou as cadeiras de Agricultura Geral e de Máquinas Agrícolas. Leccionou ainda a cadeira de Trematologia que, de algum modo era a área científica precursora da Genética no final do século XIX e início do século XX. No seu trabalho de investigação foi pioneiro no estudo e investigação da Genética em Portugal, tendo estagiado, após a conclusão do seu curso nas Universidades de Edimburgo (1932-1933) e Cambridge (1933). Mais tarde estagiou também na Alemanha no Kaiser Wilhelm Institut für Biologie (1936) e na Universidade de Missouri nos Estados Unidos da América (1948). Fundou as revistas de Agronomia Lusitana e Genética e escreveu ABC da Genética (1942) e No Caminho – Guiando Uma Empresa Científica, 1943, além de numerosos trabalhos científicos. [bibliotecacosmos]

domingo, 13 de setembro de 2026

Companhia dos Telefones: Estação Norte de Lisboa

A 10 de Março de 1876 Alexander Graham Bell conseguiu inventar um aparelho exótico e estranho, mas já susceptível de receber ou transmitir a voz humana.
Cinco anos depois da sua invenção o Telefone chega a Lisboa que o recebe num ambiente solene de maravilha.

1915 marca uma etapa decisiva na vida telefónica da cidade. Retardada um pouco pelas incertezas da guerra europeia, inaugura-se finalmente a Estação Norte. É um edifício esplêndido da Rua Andrade Corvo, construído especialmente para esse fim e com capacidade logo de início para 10.000 assinantes. Como trinta e três anos antes a inauguração da nova Estação vai ter solenidade e brilho. Comparece o governo de que era presidente o falecido político Afonso Costa, o Embaixador de Inglaterra, associações económicas, etc.

Companhia dos Telefones (APT): Estação Norte de Lisboa |1922|
Rua Andrade Corvo
Em 1887, a Anglo-Portuguese Telephone, empresa constituída por capitais britânicos, adquiriu à Edison Gower Bell os direitos de exploração das telecomunicações por 50.000 libras. No dia 14 de Setembro daquele ano, foi celebrado um contrato entre a APT e o Estado português.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O edifício novo fez sucesso. As suas linhas sóbrias e amplas são am grito audaz de modernismo no mau gosto característico da época. Ocupa uma área de 440 m² e ali estão ainda instalados Oficinas e Montadores, Fiscalização, Transportes, Consultório, Depósito de Linhas, Cabos e Ferramenta, além das grandes salas de experiências e de comutações, estas últimas ocupadas hoje [1937], em plena época do automático, pelos selectores e outros aparelhos adequados.

Os anos passam...
Finda a guerra, e o período anormal que ela motivou, a Companhia de novo retoma o seu desenvolvimento constante. As cabines públicas que em 1910 eram em Lisboa-54 — sobem em alguns anos para 120. O telefone é cada vez mais necessário.

Companhia dos Telefones (APT): Estação Norte de Lisboa |1922|
A sala de comunicações da Estação Telefónica do Norte na 
Rua Andrade Corvo.
 Em 13 de Janeiro de 1882, or concurso, a Edison Gower Bell Telephone Company of Europe, Ltd recebeu a concessão para explorar as redes de Lisboa e Porto.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

As constantes exigências do público que cada vez mais se familiariza com o telefone, obriga a A. P. T. a lançar as vistas para um edifício novo que sirva agora a área central da cidade. Por isso, em 1920, adquire os edifícios da antigo Salão da Trindade sito na R. Nova da Trindade, 7, sendo a 1.ª pedra para a nova Estação lança-se em 20 de Dezembro de 1923 e inaugurado em 30 de Março de 1925.

Companhia dos Telefones |1961|
Rua Andrade Corvo
Em 1968, após quatro renovações de licença, o Estado português optou por não a prolongar. Foi então fundada a empresa pública Telefones de Lisboa e Porto (TLP), que herdou o património da APT.
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
The Anglo Portuguese Telephone, C.º Ltd.. Lisboa 1937

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Avenida de António José de Almeida: Jardim Gomes de Amorim

O Jardim Gomes de Amorim acompanha toda a lateral de um quarteirão da Avenida em frente à Imprensa Nacional Casa da Moeda.
Cerca de quinze dias após o falecimento de António José de Almeida (1866-1929) decidiu a edilidade, pelo edital de 12/11/1929 que a a Avenida 12 do Novo Bairro no seguimento da Avenida Almirante Reis (hoje, Avenida Guerra Junqueiro) se denominasse Avenida Dr. António José de Almeida. Mas em 1933, pelo edital de 18 de Julho passou a Avenida António José de Almeida a ser no prolongamento da Avenida Miguel Bombarda, entre a Avenida dos Defensores de Chaves e a Avenida de Manuel da Maia, onde ainda hoje a encontramos, sendo ao mesmo tempo Guerra Junqueiro colocado no arruamento que antes levava o nome do antigo Presidente da República. Acresce que conforme um parecer da Comissão de Toponímia na sua reunião de 13/04/1951, homologado pelo Vice-presidente da edilidade, foi acrescentada a partícula «de», sendo desde então Avenida de António José de Almeida. [1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Avenida de António José de Almeida: Jardim Gomes de Amorim |1943-05-05|
Perspectiva tomada da Rua Dona Filipa de Vilhena na direcção da Av. Defensores de Chaves (e Av. Miguel Bombarda).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. Francisco Gomes de Amorim nasceu em Avelomar a 13 de Agosto de 1827 e faleceu em Lisboa a 4 de Novembro de 1891. Escreveu muitas peças entre outras «Odio de Raças», «Ghigi», «0 Cedro Vermelho», etc. Publicou dois volumes de versos, «Cantos Matutinos» e «Ephemerus». Autor das «Memorias Biographicas de Garrett». Deixou vários romances e muitos outros escritos, em prosa e em verso, inéditos uns, outros já publicados.

Avenida de António José de Almeida: Jardim Gomes de Amorim |195-|
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Web Analytics