Saiamos da freguesia dos Mártires — sugere Mestre Castilho — , não sem deitar uma vista de olhos à célebre rua dos elegantes lisbonenses, ao nosso Boulevard de Gand, à nossa Regent Street, ao nosso velho e falador Chiado, hoje crismado (bem mal a propósito, quanto a mim, salvo melhor juízo) em Rua de Garrett.
Antigamente essa grande artéria, que seguia desde o convento do Espírito Santo (palácio Barcelinhos) até à frente do palácio do marquês de Marialva (praça de Luiz de Camões), tinha em cima o nome de rua das Portas de Santa Catarina, e só era Chiado para baixo da rua da Cordoaria Velha (a nossa rua de S. Francisco). Ultimamente chamava-se a tudo, em linguagem oficial, rua das Portas de Santa Catarina, mas a denominação de Chiado invadira, e dominava no uso. Os janotas da casa Havanesa estavam tanto no Chiado, como os fregueses da loja do José Alexandre. O edital do Governo Civil de Lisboa, de 1 de Setembro de 1859, incorporou nesse nome os dois nomes seguidos da mesma rua, passando a chamar-se em toda a sua extensão rua do Chiado.
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| Rua Garrett que foi «do Chiado» [c. 1950] Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente Nota(s): imagem sem data; local da foto não está identificado no arquivo |
Esse nome do Chiado, destronado pelo do imortal Garrett, pelo edital de 14 de Junho de 1880, também tinha os seus foros, e não muito mesquinhos; foi injustiça desconhecer-lhos. Garrett presou-se de bom companheiro em letras; ¿porque o obrigou a Câmara Municipal a ser mau companheiro depois de morto? Tenham a certeza disto: se o pudessem consultar, pediria ele que deixassem quieto no seu lugar o velho Chiado, o poeta António Ribeiro Chiado, seu predecessor, e seu colega (se bem que muito somenos, é claro) na carreira literária. [Castilho: 1879]
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| Rua Garrett que foi «do Chiado» |c. 193-| O Chiado durante Quinta-feira Santa. Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente |









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