Sunday, 16 August 2026

Cinema Restelo

Edificou-se um cinema na Avenida da Torre de Belém, que se inaugurou a 26 de Fevereiro de 1954, com o intuito de substituir o velho Cinema Belém-Jardim, Na altura, a imprensa elogiou a iniciativa, sublinhou a «sobriedade do edifício», o seu «fácil acesso» e o seu perfeito enquadramento no local e chamou a atenção para os seus amplos foyers e para o mural que acompanhava a escada de acesso ao balcão,

Tempos depois, a sala era, porém, identificada por um outro elemento da sua decoração, o enorme e surpreendente «candeeiro de vidrinhos» que, suspenso do tecto, iluminava o recinto reflectindo a luz em variados desenhos e cores, cujos efeitos pareciam entreter os espectadores nos intervalos.

Avenida da Torre de Belém |1961|
Do lado dir. nota-se o Cinema Restelo com a Torre de Belém ao fundo.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

A construção do Cinema do Restelo baseou-se em alguns pressupostos que, ao mesmo tempo, o aproximam e o afastam das salas dos novos bairros. A sua localização na Avenida da Torre de Belém, entre a zona de Pedrouços e o Bairro Residencial da Encosta da Ajuda, exigia que se tomasse como ponto de partida as determinações que o plano de Faria da Costa impunha para o local, e foi isso precisamente que se fez. Carlos Ramos e Carlos Manuel Ramos, os dois arquitectos que assinam o projecto, interpretam de forma dinâmica as intenções nele expostas e avançam com o traçado simples e moderno de um cinema com que o bairro possa contar. O edifício enquadrava-se no plano previsto, respeitava os alinhamentos das artérias e afirmava-se na determinação de dotar a zona com uma sala que se adequasse às suas necessidades. Essa preocupação reflectia-se, aliás, na concepção do recinto, particularmente no traçado da sua vasta plateia, com 844 lugares, que estava dividida em dois sectores através de um ligeiro desnível, e no desenho do pequeno balcão, que deveria acolher 416 espectadores [vd ultima imagem]. Mas esta distribuição do espaço, que se pensou poder traduzir a composição da população do bairro, e a ela se fazer corresponder, não resultou como se imaginara.

Cinema Restelo |1954|
Avenida da Torre de Belém
Em cartaz, o filme «O Capote» estreado em Portugal em 1953, no original «Il Cappotto».
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Cinema Restelo |post. 1957|
Avenida da Torre de Belém com a R. Dom Cristóvão da Gama 
Em cartaz, o filme «O Adeus às Armas» estreado em Portugal em 1957, no original «A Farewell to Arms».
Salvador de Almeida Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Podemos dizer que apesar do projecto do cinema ter tido em conta o local e algumas indicações que o plano de Faria da Costa (1938) estabelecia, o seu traçado fizera-se à margem das expectativas da população ou pelo menos não as atendera. Diga-se, em abono da verdade, que tal aspecto raramente era tomado em consideração, uma vez que poucos estudos se faziam com vista à elaboração dos projectos.==

Cinema Restelo |1954|
Avenida da Torre de Belém
A plateia — com quase o dobro da lotação do balcãodispunham um total de 1260 lugares.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Fechou portas em 1989, sendo substituído por um moderno edifício comercial.
_________________________________
Bibliografia
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa, 2012  

Friday, 14 August 2026

Rua da Sociedade Farmacêutica

Designação atribuída por Deliberação Camarária de 31 de Janeiro de 1901 em razão dos valiosos erviços prestados pela Sociedade de Farmacêutica Lusitana. Fundada em 24 de Julho de 1835 [extinta em 1935] na botica do Hospital de São José em Lisboa, constitui mais um passo na longa história da Farmácia em Portugal. Segundo a Ordem dos Farmacêuticos, os primeiros boticários remontarão ao século XIII, tendo o primeiro diploma especificamente no âmbito da profissão farmacêutica em Portugal sido redigido em 1338.
Este arruamento te início na Rua Bernardim Ribeiro e termina na Avenida Duque de Loulé.

Rua da Sociedade Farmacêutica |1967-03|
Antiga Rua nº 4 do Bairro Camões
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 9 August 2026

À roda da Magdalena: o Monete, o Bonete e o Rozendo

Magdalena (rua da) segunda á esquerda na rua nova d'Alfandega, indo da praça do Commercio e finda no poço do Borratem, freguezias da Magdalena 2 a 22, 32 a 146 ela 197, S. Christovão 148 a 186, Santa Justa 188 a 234, 199 a 291, Sé 24 a 30. [Velloso: 1869]

A Rua da Madalena nunca teve qualquer característica comercial ou industrial muito acentuada. Artéria de passagem, de ligação entre a Baixa e S. Cristóvão, S. Mamede e altos do Castelo e da Graça, e ainda à margem da zona principal do comércio citadino, nunca foi uma rua cujo nome lembrasse, ao pronunciá-lo, uma especialidade comercial que a dominasse. No entanto lá teve uma zona que era a das sapatarias e lá teve também as suas casas de venda de bixas (barbearias?).
Da indústria, alem da dos tamancos e das violas, só mais duas, na segunda metade do século passado se afeiçoaram à rua: a hoteleira, na parte que desce para o sul, e a das molherinhas de porta, no pitoresco dizer do quinhentista Miguel Leitão de Andrade ao referir-se às mulheres que se vendiam a si próprias, as quais, sorrateiramente, fugindo a vigilância por entre as sombras imprecisas projectadas pela mortiça luz de azeite, se foram acomodando, hoje uma, amanhã outra, depois várias, ao fim da rua, junto à Betesga, no enfiamento da Mouraria, foco principal. Foi esta a parte suja da rua. Foi ... e infelizmente ainda é, pelo menos à noite, na passagem obrigatória para as casas duvidosas do beco do Rosendo. Mas tirando esta parte — a que resvala das embocaduras das escadinhas de Santa Justa e da travessa da Madalena, antigo beco do Monete — a rua foi sempre uma artéria limpa, uma rua pacatamente habitada pela burguesia com alguma coisa de seu, circunstância que lhe emprestou noutros tempos um ar calmo, de intimidade, que nos confidenciava morarem ali as senhoras Silvas com o seu jogo de gamão, as suas fatias de pão de fôrma com manteiga, o seu chá, e os seus bolos do afamado Baltresqui ...==
[MACEDO, Luiz Pastor de, Tempos que passaram; um artista, uma rua e uma freguesia de Lisboa, 1940]

Rua da Madalena (S→N) |c. 1911|
A dir. lê-se o dístico municipal indicando o então Beco do Monete, que por edital de 1924, passou a denominar-se Tv. da Madalena. Ao funco fica o Poço do Borratém.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Legenda no abandalhado amL:«Manietação popular»

O topónimo Rua da Madalena, como o próprio nome indica, deriva da proximidade à Igreja da Madalena, existente desde pelo menos 1164, mandada construir por D. Afonso Henriques junto à Cerca Moura, em terrenos onde outrora se erguia um templo romano dedicado a Cibeles, a deusa-mãe.
De acordo com o olisipógrafo Luíz Pastor de Macedo, esta artéria teria sido a Rua do Arco de N. S. da Consolação. Por seu lado, Norberto Araújo defendia que não correspondia a qualquer arruamento existente antes do terramoto de 1755. Em 1841, adianta, ainda nesta artéria não havia passeios empedrados.

 

Rua da Madalena em 1911 e 1901, respectivamente
A primeira transversal na imagem da esq. é a Rua de Santa Justa (escadinhas)
Na imagem da dir. vê-se a embocadura das Escadinhas de São Cristóvão, sendo que, ao prédio com que estas faziam gaveto, foi acrescentado do lado poente
uma fiada com um arco que se abre sobre a antiga serventia.
Fotografias por Alberto Carlos Lima e Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Monete (beco do) primeiro á esquerda nas escadinhas de S. Christovão, indo da rua da Magdale Magdalena, e finda na rua da Magdalena, não tem saída, freguezia de Santa Justa 2 a 50 e 1 a 9.

Monete (Beco do) Em 1551 «rua do Monturo do Bonete», assim como as Escadinhas de S. Cristóvão «rua da calçada do Monturo do Bonete», havendo também no sítio a «travessa do Monturo do Bonete».
Em 1715, a rua do Monturo do Bonete desceu já à categoria de «beco», e a sua denominação está reduzida a «Beco do Bonete». Em 1763, ainda o Padre Castro lhe chama igualmente «Beco do Bonete». Aparece, enfim, o beco do Bonete transformado em beco do Monete, no Itinerário de Inácio Paulino, edição de. edição de. 1804. É. provável. que. a. transformação. venha. da. aposição geral dos letreiros, mandada executar dois anos antes pela Administração Geral dos Correios.
É o segundo à esquerda, subindo pela rua da Madalena e termina nas escadinhas de S. Cristóvão, diz o Itinerário lisbonense de 1818. [Brito: 1935]

Beco do Rosendo |c. 1945|
Perpectiva tomada da Rua da Madalena.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Em Lisboa há um beco hoje chamado «do Rosendo» que pelos documentos antigos e pelo Tombo da Cidade, composto depois do terremoto de 1755, se vê ter tido a denominação de Resende. [O Archeólogo português: 1906]

Friday, 7 August 2026

Avenida da Liberdade: Monumento a Pinheiro Chagas e à Morgadinha de Vale Flor

O monumento é composto pelo busto do escritor, Manuel Pinheiro Chagas, de semblante romântico e simplicidade na composição, acompanhado, na sua base, por uma figura, suas obras mais conhecidas, a Morgadinha de Val-Flor, ambos esculpidos em bronze. 

Avenida da Liberdade |1944|
Monumento a Pinheiro Chagas e à Morgadinha de Vale Flor
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Do cinzel de Costa Mota (tio), o monumento foi erigido através de subscrição, por iniciativa do Jornal Mala da Europa, em Portugal e no Brasil, e inaugurado em 13 de Novembro de 1908, na alameda do meio da Av. da Liberdade. [lisboa.pt]

Monumento a Pinheiro Chagas e à Morgadinha de Vale Flor |1983|
Avenida da Liberdade, calçada portuguesa.
Karin Monteiro, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 2 August 2026

Palacete Pessanha

A Junqueira, com seu passado distante, sua génese, sua realidade urbanista — recorda o olisipógrafo Norberto de Araújo — constitui os termos deste sexto passo de jornada. Antiga zona de ocupação de cariz aristocrático caracterizada pela existência de um número significativo de casas nobres de características eminentemente barrocas.


O palacete que se segue, n.º 112, foi construído depois do Terramoto por D. João da Silva Pessanha — recorda o ilustre Norberto de Araújo, a quem vamos sempre seguindo — conservando-se nesta ilustre família durante muitos anos; pertenceu à Condessa de Porto Brandão, ao Marquês de Valada, à família Bregaro até chegar, há relativamente pouco tempo, ao actual possuidor, Dr. António Soares Franco.
[ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, p. 53, 1939]

Palacete Pessanha (E→O) |início séc. XX|
Rua da Junqueira, 112-114
Fachada principal com portal de inspiração barroca.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Palacete urbano, exemplar de arquitectura residencial, eclética, do final do séc. XVIII, apresenta planta retangular simples, desenvolvida em torno de um pequeno pátio central, com acesso por vestíbulo parcialmente aberto, com túnel de ligação ao pátio posterior, tendo capela adossada à fachada posterior (demolida). Estruturado em dois pisos, o edifício surge rematado por platibanda balaustrada. A fachada principal evidencia tratamento simétrico, sendo cortada a eixo por um portal de inspiração barroca, encimado por sacada corrida de perfil contracurvo, para onde abrem três janelas, a central em arco de volta perfeita e as laterais de verga recta, mas com altos frisos, sobrepujadas por cornijas. Contrastando com este esquema temos o classicismo do remate, em frontão triangular, cujo tímpano surge profusamente decorado com elementos fitomórficos e rosetão central, assim como da disposição regular das janelas rectilíneas, do tipo varandim.

Palacete Pessanha |início séc. XX|
Rua da Junqueira, 112-114
Pátio posterior e, nele: fonte em cantaria de granito. e a esq. nota-se a capela adossada à fachada posterior (demolida).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

No séc. XX, o prolongamento do edifício para Oeste, através da criação de uma segunda ala, não o alterou do ponto de vista formal ou visual. O interior evidencia uma linguagem neo-barroca presente na decoração de uma imponente escadaria de dois lanços e nos painéis de azulejos que decoram o vestíbulo.
Uma interessante fonte, em cantaria de granito, decora o pátio posterior, que integrava o primitivo jardim, de cariz tardo-barroco. [patrimonio.pt]

Palacete Pessanha |1965|
Portal encimado por sacada corrida de perfil contracurvo remate em frontão triangular.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Friday, 31 July 2026

Panorâmica de Lisboa tomada do Miradouro da Senhora do Monte

Ao chegar ao topo, encontrei o Miradouro da Senhora do Monte, o primeiro dos tantos que cá se me ofertaram aos olhares. Confesso-te que nunca esquecerei daquela santa de branco, numa cúpula tomada de flores, defronte à igreja que paira sobre a cidade. Soube que essa santa é a protetora das grávidas [...]
Do Miradouro da Senhora do Monte, vi o emaranhado de vielas onde se desenha a Mouraria, e ouvi ecoar de uma das casas o Fado manhoso, numa voz feminina, que me invadiu o pensamento. Ali constatei o que antes me havia sido dito por ti, talvez inspirada numa antiga canção: Lisboa é cidade-mulher, das cantoras do Fado às colinas e regatos do Tejo: tudo guarnecido de formas femininas. Após tantos anos de incredulidade, orei: Ó, Senhora do Monte, olhai as mulheres dessas freguesias, olhai também por Maria da Penha.
[NOVAIS, Klaus Escritos Degredados, 2014]


Panorâmica de Lisboa, tomada do Miradouro da Senhora do Monte [entre 1908 e 1929]
(clicar para ampliar)
Destacam-se na imagem: em baixo ao centro, a cúpula do extinto Real Coliseu de Lisboa (1896-1929) (A) na Rua da Palma; à direita deste, o Hospital do Desterro (B); um pouco acima a Escola Municipal nº 1 (C)  — a mais antiga de Lisboa; logo acima, ao centro, a Faculdade De Ciências Médicas (D) da Universidade Nova de Lisboa no Campo dos Mártires da Pátria; mais acima para poente, a Rua do Instituto Bacteriológico (e o edifício Câmara Pestana) (E) e, no fim desta, vislumbra-se torre sineira da Igreja da Pena (F) na Calçada de Sant'Ana; em último plano, na extrema esquerda, as torres da Basilica da Estrele, (G) e, em ultimíssimo plano adivinha-se o Palácio Nacional da Ajuda (H).
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 26 July 2026

Rua de Campolide, 437-441

Vejamos agora esta antiga Rua de Campolide na companhia de Mestre Norberto de Araújo.
Campolide — que significa? Qual a origem do vocábulo?
Nós não temos tempo, nem plano, para nos embrenharmos nestas complicadas dissertações etimológicas. A versão de que a palavra corresponde à abreviação de Campo-da-lide (século XIV, tempo do Cerco a Lisboa pelos castelhanos) está posta de parte. Alguns séculos antes a designação existia; já o Rei D. Afonso II (1211) possuía «duas vineas in Campolide».

Rua de Campolide, 437-441 |c. 1936|
Fila de automóveis defronte da garagem C. Santos; ao fundo vê-se o viaduto da Linha de Cintura (Sete Rios) na direcção da actual Av. Columbano Bordalo Pinheiro. A representação da Mercedes-Benz para Portugal foi atribuída em 1936 à firma C. Santos, começando por incluir veículos automóveis e passando, posteriormente, a englobar todos os veículos produzidos por esta marca alemã. 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Parece mais acertado ficarmos na ignorância da origem da palavra — acrescenta o mesmo autor — que corresponderia já no ciclo da tomada de Lisboa ao que o cruzado Osberno chamava, pela sónica, Compolet, e que seria Campolit." ==
[ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 77, 1939]

Rua de Campolide, 437-441 |1961|
Viaduto ferroviário de Sete Rios. A dir vê-se o edifício C. Santos (fund. 1912). Todos estes prédios estão demolidos.
Artur I. Bastos, in Lisboa de Antigamente

Fotografia aérea da zona Sete Rios |1977|
Em primeiro plano, na dir. baixa, observa-se o viaduto da Linha de Cintura sobre a Rua de Campolide e, nela, o edificado (demolido) que se pode ver nas imagens acima, e as instalações da firma C- Santos. À esq-, nota-se o Jardim Zoológico; em cima, ao centro, o então Hotel Penta defronte do Hospital Santa Maria e da Cidade Universitária; mais à esq, a Universidade Católica e o antigo Estádio de Alvalade e, à dir., o Hospital Santa Maria. 
Fernando Gonçalves, in Lisboa de Antigamente

Friday, 24 July 2026

Rua Quirino da Fonseca que foi Estr. de Sacavém com a Tv. das Freiras a Arroios

A partir de uma sugestão do vereador Ivo Cruz para se homenagear o comandante Henrique Quirino da Fonseca, foi a Rua Quirino da Fonseca atribuída por Edital de 26/06/1956 ao troço da Rua Alves Torgo, compreendido entre a Rua António Pereira Carrilho e a Alameda Dom Afonso Henriques.
A Tv. das Freiras ganhou o topónimo pela proximidade à antiga Azinhaga das Freiras, que antes já fora a Azinhaga do Leão, e hoje o espaço dessa Azinhaga é o das Ruas Alves Torgo e Quirino da Fonseca.
As freiras que originaram este topónimo eram as do Convento de Nossa Senhora da Conceição da Luz de Arroios
[1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Rua Quirino da Fonseca |c. 1940|
Troço da antiga Estr. de Sacavém; em 1956, troço da Rua Alves Torgo, compreendido entre a Rua António Pereira Carrilho e a Alameda Dom Afonso Henriques; ao fundo, o antigo Convento de Arroios.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Henrique Quirino da Fonseca (1863–1939) foi um Oficial da Marinha Portuguesa, sendo referência marcante na área Militar e Cultural.
Oo ano de 1888 ingressa na Escola Naval como Aspirante de 2ª Classe. Tendo embarcado em diversos navios: a corveta “Vasco da Gama”, o transporte “Índia”, a fragata “D. Fernando”, a corveta “Bartolomeu Dias”, a canhoneira “Liberal” e a “Limpôpo” - enceta a carreira militar na Divisão Naval do Atlântico Sul. Em 1897 é-lhe atribuído o seu primeiro comando, o da canhoneira “Cacongo” (comandante interino). Não obstante, é no cenário da Grande Guerra que vem a desempenhar um papel de destaque, nomeadamente, nas Operações de Guerra do Rio Rovuma (191), como Oficial Imediato do cruzador "Adamastor", e como 2º Comandante do Batalhão de Marinha Expedicionário a Moçambique. Em 1924, é-lhe ainda atribuído o comando do cruzador "República". 
Em paralelo com a carreira militar, dedica-se também a questões políticas, mais concretamente, às da Câmara Municipal de Lisboa, desempenhando funções como Vogal da Comissão Administrativa do Município e como Vereador e Vogal do Pelouro de Engenharia da mesma instituição.
Durante a sua vida dedicou-se à investigação náutica, à literatura naval de ficção e a narrativas históricas, sendo de destacar as seguintes obras:  Obra Colonial de Afonso de Albuquerque» (1910), «A Arquitectura Naval no Tempo de Fernão de Magalhães» (1920), «Os Navios dos Descobrimentos e Conquistas» (1931), «A Caravela Portuguesa e a Originalidade Técnica das Navegações Henriquinas» (1934) ou «Contribuição Portuguesa para os Conhecimentos Geográficos» (1936). 
É, desde 2013, Patrono do Curso da Escola Naval.
[arquivohistorico.marinha.pt]

Rua Quirino da Fonseca com a Tv. das Freiras a Arroios |1923|
Troço da antiga Estr. de Sacavém; (Igreja) Convento de Arroios (depois hosp.)
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Web Analytics