Em 1567, com a construção da ermida de S. José de Entre-as-Hortas, se começou a povoar toda a área dessa parte da cidade, que então se dilatava por entre cardais e terras de cultivo. A Rua do Carrião era das mais antigas da freguesia de S. José criada em 1567, devendo o nome ao apelido de familia abastada, estabelecida por esses sitios talvez desde meados do século XVI. Um João de Carrião, acaso o que denominou a rua deixou certas obrigações de missas à irmandade do Santíssimo da paróquia.
O vocábulo "Carrião" parece ser a adaptação portuguesa do castelhano "Carrion", nome de várias povoações espanholas, e nomeadamente daquela perto da qual se feriu, em 1037, a batalha que acabou com a dinastia de Leão, pela morte de um dos contendores, Bernardo III. Não é improvável que os «de Carrião» fossem provindos de descendência castelhana.
No «Livro das Plantas» figura esta rua como do Carreão, na freguesia de S. José [...]. [BRITO: 935]
![]() |
Rua do Carrião |1908| Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente |
N.B. A 17 de Novembro de 1907, Aquilino Ribeiro veio a ser preso como anarquista em resultado da explosão verificada no número 3 da Rua do Carrião quando rebentaram no seu quarto engenhos de fabrico artesanal que tinha acedido em guardar por apenas dois ou três dias e em que morreu inclusive um carbonário. A revolução estava em marcha.
Em 12 de Janeiro evade-se da esquadra do Caminho Novo (R. das Francesinhas), vivendo escondido em Lisboa, durante algum tempo.
A 1 de Fevereiro de 1908 dá-se o regicídio.
![]() |
Rua do Cardal de S. José com a Rua do Carrião |1908| Ao fundo corre a R. da Fé onde observa portal e fachada lateral da Igreja de S. José dos Carpinteiros. Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente |








.jpg)





.jpg)
.jpg)


.jpg)