Friday, 26 June 2026

Pátio do Pinzaleiro

Esta abertura do Pátio do Pinzaleiro — diz Norberto de Araújo —, que tem o seu eirado no começo das Janelas Verdes, não possui pitoresco algum. [Araújo: 1938]

Não se conhece a origem do topónimo desta pequena serventia que liga a Av. 24 de Julho à Calçada de Santos/Janelas Verdes. Sabe-se, no entanto, pelo "Anuario del comercio de 1908", que neste local terá residido um tal Domingos Pinzaleiro conhecido na capital por possuir uma empresa de carruagens de aluguer: coupés, landaus, etc. É, pois, provável que o topónimo derive do nome deste afamado morador.
[Machado: 1998]

Pátio do Pinzaleiro |1946|
Ao cimo espreita o antigo palácio dos Condes de Murça na Calçada Ribeiro Santos (antiga Rampa de Santos). 
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 21 June 2026

Rua de Barros Queirós que foi Tv. de S. Domingos

Sobre o sítio de S. Domingos refere Norberto de Araújo o seguinte:
S. Domingos — Dilecto — é uma crónica viva de Lisboa, com as suas imediações da Praça da Figueira, com o seu trânsito obrigatório, pela Rua Barros Queiroz e Calçada do Garcia, formigueiros de gente, que desce dos Anjos, dos bairros novos, ou de Sant'Ana velha. [...] [Araújo: 1939]

Rua de Barros Queirós que foi Tv. de S. Domingos (até 1926) |1970|
Na direcção do Largo de S. Domingos.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

A antiga Travessa de S. Domingos é actual Rua de Barros Queirós, em homenagem a "Tomé José de Barros Queiroz" — como refere Velloso no seu utilíssimo livrinho sobre as ruas de Lisboa:
Domingos (travessa nova de S.) primeira á esquerda na rua nova do Amparo, indo da rua do Amparo e finda na rua nova de S. Domingos, freguezia de Santa Justa 2 a 56 e 1 a 69. [Velloso: 1869]

A este topónimo foi inicialmente acrescentada a legenda «Ilustre cidadão, vereador da 1ª Câmara Municipal Republicana de Lisboa - 1926». Mais tarde, por parecer da Comissão Municipal de Toponímia em reunião de 19/05/1950, retiraram-se dos letreiros as palavras “Ilustre Cidadão – Vereador da 1ª Câmara Municipal de Lisboa – 1926” e acrescentou-se a partícula “de”.

Rua de Barros Queirós que foi Tv. de S. Domingos (até 1926) |1970|
Perspectiva tomada da R. Dom Duarte com a R. da Palma.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Friday, 19 June 2026

Rua Viriato, 5

Prémio Valmor de 1917


O Prémio Valmor de 1917 foi atribuído a um edifício de habitação, composto por cinco pisos, na Rua Viriato, 5 que pertencia a António Macieira Júnior e cuja arquitetura se deve a Ernesto Korrodi. Apesar de o júri ter hesitado, referindo que "parte dos materiais empregados na fachada (...) estão mascarados com argamassa, do qual resulta não se conhecer logicamente a função da parte estrutural da obra", considerou que este seria um "belo edifício (...) quanto à composição da fachada, como (...) da planta (...) com detalhes felizes". [patrimonio.pt]

Rua Viriato, 5 |1952|
Prémio Valmor de 1917
Antiga R. Rua Barros Gomes (1913)
Gustavo de Matos Sequeira, in Lisboa de Antigamente


N.B. Viriato foi um Chefe militar lusitano, crê-se que terá vivido no século II a. C., tendo sido um dos mais importantes chefes que liderou o povo contra o domínio que Roma exerceu na Península Ibérica.

Sunday, 14 June 2026

Rua dos Anjos e a Avenida que também o foi

Anjos (rua direita dos) principia no largo do Intendente, indo da rua do Bemformoso e finda no largo de Santa Barbara, freguezia dos Anjos 2 a 244 e 1 a 215. [Velloso: 1869]

Luís Pastor de Macedo, na sua obra Lisboa de Lés-a-lés, descreve do seguinte modo o remoto historial deste topónimo:
Nome por que actualmente é conhecida parte da antiga estrada de Santa Bárbara. Em 1712 Carvalho da Costa designa-a por rua acima da Igreja até o lugar de Arroios, incluindo também nesta designação a actual rua de Arroios. Passando depois a ser denominada rua Direita dos Anjos, fixou-se a sua extensão por edital do governador civil de 1 de Setembro de 1859, a qual ficou compreendida entre os largos do Intendente e de Santa Bárbara. (...).

Rua dos Anjos |1907-07|
Antiga Rua Direita dos Anjos; ao fundo vislumbra-se a Av. Almirante Reis [vd 2º imagem]
onde continuavam os trabalhos de desmantelamento da antiga igreja dos Anjos. 

Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): A primeira referência que se faz a uma Avenida que "ligasse a Igreja dos Anjos (a antiga) e as portas de Sacavém (em Arroios)" pertence a Ressano Garcia, numa sessão da Comissão de obras da Câmara no ano de 1877.
Assim, em 1903, foi aberta a Avenida dos Anjos (1895) — troço da Palma até à Alameda — depois Avenida Dona Amélia (1903-1910), que viria a ser mais tarde designada por Avenida Almirante Reis (05/11/1910). Foram destruídos vários quarteirões nesta área permitindo por outro lado, a construção de novos e mais modernos edifícios o longo da recente e ampla avenida. (Unidade Projecto Mouraria, 2009).

Rua dos Anjos no cruzamento Avenida Almirante Reis |1940|
A antiga igreja dos Anjos situava-se na esquina da Rua dos Anjos e em parte do leito onde assenta hoje a Av. Almirante Reis [onde se vêem os carros eléctricos]. À dir. nota-se parcialmente o edifice que albergou a afamada Pharmácia Bezelga.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Friday, 12 June 2026

Avenida Dom Vasco da Gama

Em 8 de Abril de 1948, a Comissão de Toponímia reuniu-se para avaliar uma lista de personalidades a serem homenageadas nos arruamentos da Encosta da Ajuda, entre elas Vasco da Gama. Após visita aos arruamentos, as designações foram aprovadas em 12 de abril de 1948. O topónimo Avenida Dom Vasco da Gama foi oficializado por edital em 29 de Abril de 1948, substituindo a antiga “avenida A.B.”. [1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Avenida Dom Vasco da Gama |195-|
Perspectiva tomada da Av. do Restelo na direcção do rio.
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Vasco da Gama nasceu em Sines por volta de 1468, foi filho do marinheiro de D. João II Estêvão da Gama, e entrou para a História de Portugal como o navegador a quem se ficou a dever a descoberta do caminho marítimo para a Índia.
Vasco da Gama (1468?-1524) repousa no Mosteiro dos Jerónimos juntamente com os reis D. Manuel I e D. João III, Luís de Camões, Alexandre Herculano e Fernando Pessoa. Uma estátua sua, em conjunto com as de Nuno Álvares Pereira, Viriato e Marquês do Pombal, encima o Arco da Rua Augusta, terminado em 1875.

Avenida Dom Vasco da Gama, na direcção da Av. do Restelo |1961|
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 7 June 2026

Rua da Palma, esquina com o Largo do Intendente Pina Manique

Esta Rua [da Palma], desafogada, hoje constituindo uma única artéria, das traseiras de S. Domingos ao Intendente, divide-se em dois troços — recorda o ilustre Norberto de Araújo. O primeiro chega só à Guia e é muito antigo, havendo sido nos séculos velhos arruamento dos comerciantes alemães que cultivavam religiosamente a lenda da palma que florira na sepultura do cavaleiro cruzado Henrique, sacrificado na Tomada de Lisboa, em 1147; [...]

Rua da Palma, esquina com o Largo do Intendente Pina Manique |1944|
Em segundo plano observam-se os edifícios na Rua do Benformoso.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O segundo troço, «Rua Nova da Palma», data de 1862, e chegava até aqui ao Socorro, começando gradualmente a prolongar-se até ao Intendente; a Câmara começara a comprar terrenos de hortas e campos, que por aqui existiam, desde o ano de 1776.==
(ARAÚJO, Norberto de, «Peregrinações em Lisboa», vol. IV, pp. 24-25)

Rua da Palma, entrada para o Largo do Intendente Pina Manique |1969-12|
 João Goulart, in Lisboa de Antigamente

Friday, 5 June 2026

Rua do Instituto Dona Amélia

Antigo "arruamento sem nome que começa na Avenida 24 de Julho e finda na Rua da Ribeira Nova, entre o Mercado 24 de Julho e o edifício da A.N.T." fundada pela Rainha Dona Amélia de Orleães e Bragança em Junho de 1899.

A Comissão de Toponímia, no dia 22 de Maio de 1946, realizou uma visita a alguns arruamentos da cidade, a fim de estudar a respectiva nomenclatura, no decurso da qual foi resolvido propor “que o arruamento sem nome que começa na Avenida Vinte e Quatro de Julho e finda na Rua da Ribeira Nova, entre o Mercado vinte e quatro de Julho e o edifício da Assistência Nacional aos Tuberculosos, tenha a denominação de Rua do Instituto Dona Amélia”.

Rua do Instituto Dona Amélia |post. 1910|
À esq. notam-se os prédios na Rua e Praça da Ribeira Nova e na R. dos Remolares com parte do edifício da Assistência Nacional aos Tuberculosos à dir..
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

O topónimo Rua do Instituto Dona Amélia foi oficializado pela Câmara Municipal de Lisboa através de Edital de 18/12/1947. [1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Rua do Instituto Dona Amélia |1960|
Perspectiva tirada da Rua da Ribeira Nova observando-se à dir. o actual Mercado 24 de
Julho rendo defronte o antigo edifício da extinta A.N.T..

Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 31 May 2026

Beco dos Fróis (ou do Froes)

Froes (beco do) fica à esquerda da egreja do Menino de Deus e finda no largo de Santo André, freguezia de Santo André 2 a 10 e 1 a 27. [Velloso: 1869]

Este beco, ao Menino de Deus, parece ter ficado gravado na memória de Lisboa desde tempos antigos, sobretudo porque ainda abriga casas quinhentistas. O topónimo já constava na freguesia de Santo André nas descrições paroquiais anteriores ao Terramoto, e a explicação mais provável para a sua origem é que venha de uma família Fróis que tenha vivido por ali. [Machado: 1998]

Beco dos Fróis |1968-10|
Vista tomada do Largo Rodrigues de Freitas antigo de Santo André.
João Goulart, in Lisboa de Antigamente

[...] o Beco do Froes, em cotovelo, recanto humilde, do tipo pitoresco inocente, que guarda flores a espreitar das gelosias. [Araújo:1943]

 

Beco dos Fróis (ou do Froes), dístico toponímico |1968-10|
João Goulart, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): imagem de baixa qualidade com os cumprimentos do abandalhado amL - pago
com o dinheiro dos contribuintes. A imagem pode ser observada aqui em todo o seu
incompetente e ignominioso esplendor (agora acrescida do ilegal borrão camarário).

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