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domingo, 24 de fevereiro de 2019

Aeroporto Humberto Delgado (antigo da Portela)

Estivemos no ar outras nove horas e dez minutos e baixamos em Lisboa, no Aeroporto "Portela de Sacavém", distante cinco quilómetros da cidade. Sendo noite, apenas vimos a iluminação forte e profusa. Em terra, deparamos com uma pequena, porém bem apresentada, estação de embarque, com mobiliário moderno e cromado, várias folhagens junto às mesas e janelas, e muito asseio. Apenas descontentou-nos a deficiência de instalações sanitárias, e a morosidade em servir no restaurante, facto que se repetiu na volta.¹


Humberto Delgado nasceu a 15 de Maio de 1906 em Boquilobo, Torres Novas. Cedo ingressou na carreira das armas, frequentando o Colégio Militar entre 1917 e 1922 e a Escola do Exército, onde se formou em Artilharia em 1925. Participou no golpe militar de 28 de Maio de 1926 que depôs o regime republicano. Em 1928 optou pela carreira da Aeronáutica obtendo o curso de oficial piloto aviador. Em 1936 conclui o curso de Estado-Maior. 

Panorâmica sobre o Aeroporto da Portela de Sacavém [1958-09]
A partir de 15 de Maio de 2016 passou a designar-se Aeroporto Humberto Delgado
Na pista distinguem-se aviões Super Constellation.
Salvador de Almeida Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Em 1944 é nomeado director do Secretariado de Aviação Civil. Em 1945 funda os Transportes Aéreos Portugueses (TAP) e cria as primeiras linhas aéreas de ligação com Angola e Moçambique, a chamada "Linha Imperial", inaugurada em 31 de Dezembro de 1946.
Em 1952 é nomeado adido militar na Embaixada de Portugal em Washington e membro do comité dos representantes militares da NATO. Promovido a general com 47 anos é o mais novo oficial daquela patente. Em 1956 o Governo Americano concedeu-lhe o grau de oficial da Legião de Mérito.
Em 1958, acedendo ao convite da oposição democrática, apresentou-se como candidato independente às eleições presidenciais. O mote da campanha eleitoral foi lançado pela célebre frase "Obviamente demito-o", numa conferência de imprensa no Café Chave d'Ouro em Lisboa , a 10 de Maio de 1958, em resposta a um jornalista da "France Press" que lhe pergunta qual o destino que daria a Salazar no caso de ganhar as eleições.

Aeroporto da Portela de Sacavém [1958-09]
A partir de 15 de Maio de 2016 passou a designar-se Aeroporto Humberto Delgado
Parque de estacionamento
Salvador de Almeida Fernandes, in Lisboa de Antigamente

O "General Sem Medo", como ficou celebrizado, teve de se exilar (primeiro no Brasil, depois na Argélia), nunca tendo no entanto deixado de dirigir acções contra o regime.
Foi assassinado pela polícia política (PIDE) em 1965, perto de Badajoz, apesar de o regime nunca ter assumido oficialmente as responsabilidades. Contudo, a sua luta não foi em vão: a opinião pública que o apoiava tornou-se num grave problema para a política de Salazar.
Em 1990, dezasseis anos após o 25 de Abril de 1974 que restaurou a democracia em Portugal, o general Humberto Delgado foi postumamente elevado a marechal da Força Aérea e os seus restos mortais trasladados para o Panteão Nacional.²

Aeroporto da Portela de Sacavém [1952]
A partir de 15 de Maio de 2016 passou a designar-se Aeroporto Humberto Delgado
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

N.B. O Aeroporto da Portela, projectado pelo Arq.º Francisco Keil do Amaral, sendo a direcção da obra do Eng.º Duarte Pacheco, foi inaugurado a 15 de Outubro de 1942.

Aeroporto da Portela de Sacavém [1952]
A partir de 15 de Maio de 2016 passou a designar-se Aeroporto Humberto Delgado
Varanda do bar do Aeroporto da Portela, na pista distinguem-se aviões Super Constellation. 
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ PEREIRA, Osny Duarte, Juizes brasileiros atrás da cortina de ferro, 1952.
²  bnportugal.pt.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Praça do Aeroporto, vulgo Rotunda do Relógio

O topónimo Praça do Aeroporto, vulgo Rotunda do Relógio, foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa através de Edital datado de 17/02/1947, à «Praça existente no local em que se encontram a Avenida Alferes Malheiro (hoje Av. do Brasil), a Avenida do Aeroporto, a Estrada de Sacavém (hoje A. Gago Coutinho) e outros arruamentos».
A Comissão de Toponímia, na sua reunião de 3/02/1947, apreciou duas informações da Secção de Escrivania, nas quais se expunha a conveniência da atribuição de nomenclatura «ao troço de via pública situado no prolongamento da Avenida Almirante Reis e que termina em frente do edifício do Aeroporto da Portela».

Praça do Aeroporto [1961]
Aeroporto da Portela; Avenida do Cabo Ruivo, hoje Avenida Marechal Gomes da Costa (1966)
João Goulart, 
in Lisboa de Antigamente

Quando, nos anos 20 do século passado, se começou a sentir a necessidade da existência de um aeródromo em Lisboa, foi decidido em Março de 1928, por proposta do Comandante Quirino da Fonseca, construí-lo na Portela de Sacavém.
Esta era a localização “ideal, dada a ausência de aglomerados urbanos circundantes e, simultaneamente, a proximidade do centro da cidade (5km) e do porto fluvial”. Os trabalhos só se iniciaram passada uma década e o Aeroporto foi aberto ao tráfego em 15/10/1942. [cm-lisboa.pt]

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Avenida do Aeroporto, actual Avenida Almirante Gago Coutinho

Esta artéria quando da sua construção foi designada por prolongamento da Avenida Almirante Reis (Edital de 17/02/1947). Depois, como consta na informação municipal datada de 23/07/1956, passou a ser conhecida como Avenida do Aeroporto.

Avenida do Aeroporto, actual  Avenida Almirante Gago Coutinho [c. 1940]
 Panorâmica, de Sul para Norte (Portela)
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O Aero-Club de Portugal sugeriu em 23/07/1956 a atribuição do nome «Avenida Gago Coutinho-Sacadura Cabral» à Avenida do Aeroporto, mas a Comissão Municipal de Toponímia discordou porque «deverá seguir-se a orientação até agora adoptada de só se consagrarem na toponímia da cidade nomes de individualidades que tenham falecido há alguns anos, lembrando, entretanto, que o nome de Sacadura já se encontra atribuído a uma avenida da capital». Assim, desde 2 de Janeiro de 1960, esta via pública que detêm a legenda «Sábio e Herói da Navegação Aérea», homenageia Carlos Alberto Viegas Gago Coutinho (1869-1959), alfacinha que viveu na Rua da Esperança e foi um almirante pioneiro da aviação.  
 
Avenida do Aeroporto, actual  Avenida Almirante Gago Coutinho [1945]
 Panorâmica, de Sul para Norte
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

Por edital de 09/12/1989, o troço desta Avenida compreendido entre a Praça do Aeroporto (vulgo Rotunda do Relógio) e o Edifício do Aeroporto de Lisboa, passou a denominar-se Alameda das Comunidades Portuguesas. [cm-lisboa.pt]

Avenida do Aeroporto, actual  Avenida Almirante Gago Coutinho [c. 1940]
 Panorâmica, de Norte para Sul (Areeiro)
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Avenida Almirante Gago Coutinho

Esta artéria quando da sua construção foi designada por prolongamento da Avenida Almirante Reis (Edital de 17/02/1947). Depois, como consta na informação municipal datada de 23/07/1956, passou a ser conhecida como Avenida do Aeroporto.
O Aero-Club de Portugal sugeriu em 23/07/1956 a atribuição do nome «Avenida Gago Coutinho - Sacadura Cabral» à Avenida do Aeroporto, mas a Comissão Municipal de Toponímia discordou porque « deverá seguir-se a orientação até agora adoptada de só se consagrarem na toponímia da cidade nomes de individualidades que tenham falecido há alguns anos, lembrando, entretanto, que o nome de Sacadura já se encontra atribuído a uma avenida da capital». 

Avenida do Aeroporto |c. 1940|
Actual Avenida Almirante Gago Coutinho
Kurt Pinto, in Lisboa de Antigamente

Gago Coutinho faleceu em 18 de Fevereiro de 1959 e no dia seguinte o Vereador Dr. Baêta Henriques interveio na reunião de Câmara, no sentido de se dar o nome de Gago Coutinho à Avenida do Aeroporto. A Comissão foi de parecer de que « o nome de Gago Coutinho seja atribuído a uma praça ou avenida de maior projecção do que a Avenida do Aeroporto e, possivelmente, junto ao Tejo, na freguesia da Ajuda ou Alcântara, onde aquele ilustre homem de ciência nasceu e viveu a maior parte da sua vida e partiu para a grande viagem que lhe deu renome Universal.» Mais tarde, na sua reunião de 23-06-1959 a Comissão de Toponímia acrescentou que «no entanto deixa ao superior critério do Excelentíssimo Presidente da Câmara a resolução do assunto.”»

Avenida do Aeroporto |1944|
Actual  Avenida Almirante Gago Coutinho
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Assim, desde 2 de Janeiro de 1960, esta via pública que detêm a legenda «Sábio e Herói da Navegação Aérea», homenageia Carlos Alberto Viegas Gago Coutinho (1869-1959), alfacinha que viveu na Rua da Esperança e foi um almirante pioneiro da aviação. 

Avenida Almirante Gago Coutinho |post. 1966|
Estúdio Horácio Novais. in Lisboa de Antigamente

A partir de 1917 tentou adaptar à aeronavegação os processos e instrumentos da navegação marítima, tendo criado em 1919, o famoso sextante que ostenta o seu nome. Publicou «A Náutica dos Descobrimentos» e com Sacadura Cabral realizou, de 30 de Março a 17 de Junho de 1922, a 1ª travessia aérea do Atlântico Sul, entre Lisboa e o Rio de Janeiro.
Por edital de 09/12/1989, o troço desta Avenida compreendido entre a Praça do Aeroporto (vulgo Rotunda do Relógio) e o Edifício do Aeroporto de Lisboa, passou a denominar-se Alameda das Comunidades Portuguesas.[cm-lisboa.pt]

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Aeroporto da Portela

O Aeroporto da Portela, projectado pelo Arq.º Francisco Keil do Amaral, sendo a direcção da obra do Eng.º Duarte Pacheco, foi inaugurado a 15 de Outubro de 1942, dispondo na altura de quatro pistas com cerca de mil metros cada. Era constituído por dois espaçosos pisos, de onde se destacava uma fachada elegante, encimada por uma alta torre de controlo. Funcionavam no primeiro piso os postos de Alfândega e de Polícia, assim como o serviço de passageiros, o bar e o restaurante. E no piso superior, formado por uma espécie de «deck», os serviços de direcção do aeroporto, meteorológicos e radiotelegráficos.

Aeroporto da Portela de Sacavém [195-]
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Durante a Segunda Guerra Mundial, devido à neutralidade de Portugal, o Aeroporto da Portela serviu de ponto de passagem a voos ingleses e alemães, levando a que estivesse sobre permanente vigilância de espiões das forças em contenda.

Aeroporto da Portela, Esplanada do restaurante Portela de Sacavém [1947]
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Aeroporto da Portela: "Anda Comigo Ver os Aviões"

Em Julho de 1938 um decreto-lei aprovou a construção do aeroporto de Lisboa na zona da Portela de Sacavém. O projecto de arquitectura da aerogare é da autoria de Keil do Amaral, sendo a direcção da obra do Engenheiro Duarte Pacheco. Foi Inaugurado a 15 de Outubro de 1942.

Aeroporto da Portela, pista de aterragem |c. 1951|
Em primeiro plano um «Lockheed L-049 Constellation» da «Pan Am»

António Passaporte, in Lisboa de Antigamente
Abertura do aeroporto da Portela ao tráfego das carreiras internacionais |1942-10-18|
Em segundo plano um Douglas DC-2-115-D (EC-AAD) da Iberia, baptizado de "Haya".
Autor: não identificado, in Lisboa de Antigamente

O «Lockheed L-049 Constellation», «Connie» ou apenas «Constellation», é um avião quadrimotor a hélice, construído pela americana Lockheed entre 1943 e 1958, em Burbank. Foram construídos ao todo 856 aparelhos em 4 modelos, todos com o mesmo design característico em forma de golfinho com lemes estabilizadores triplos. Foi um avião muito usado no transporte de passageiros e como avião de transporte militar. Integrou igualmente a frota da TAP e foi o avião presidencial (Air Force One) do 34º Presidente dos Estados Unidos da América, Dwight D. Eisenhower.

Aeroporto da Portela, pista de aterragem |c. 1951|
Vista sobre a pista de aterragem

António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo

Em 1938 iniciou-se a construção do Aeroporto da Portela e do Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo, à beira do rio Tejo, onde hoje é a doca dos Olivais no Parque das Nações.
O Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo foi planeado e desenvolvido pela Pan American, para servir de base à sua operação transatlântica com hidroaviões, que durou até 1945. 

Planta geral do Aeroporto Marítimo de Lisboa |1940|
Projecto do arq.º Paulo de Carvalho Cunha e do Eng.º Fernando Santos Silva.
Cabo Ruivo
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

A década de 1930 viria dar um fortíssimo impulso à aviação civil, tanto à escala internacional como nacional. Por cá, o Governo, consciente da privilegiada localização de Portugal no desenho das rotas aéreas, determinou a construção de dois aeroportos, um marítimo, localizado junto ao Rio Tejo, de onde partiriam e onde aterrariam os hidroaviões que realizavam travessias transatlânticas (o aeroporto de Cabo Ruivo), ao passo que outro terrestre, localizado no centro da cidade de Lisboa, destinado a servir de infra-estrutura para voos em solo europeu (o aeroporto da Portela). Em 1942, a construção dos dois aeroportos encontrava-se concluída. [Gonçalves: 2013]



Aeroporto de Cabo Ruivo |c. 1942|
Aerogare e pontão de acesso com 30 metros



A ligar os dois aeroportos, foi estabelecida a via rápida chamada Avenida Entre-os-Aeroportos (actual Avenida de Berlim). 

Hidroavião Clippers-Boeing 314 da "Pan American World Airways" |c. 1942|

Os voos transatlânticos em hidroavião vindos da América amaravam no Rio Tejo e os passageiros desembarcados em Cabo Ruivo, eram levados de carro até à Portela para apanhar voos para a Europa. O Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo foi desactivado nos finais dos anos 50 do século XX.

Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo, Cais de desembarque |c. 1942|
Hidroavião Clippers-Boeing 314 da "Pan American World Airways"
Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo, embarque da tripulação |c. 194-|
Hidroavião Clippers-Boeing 314 da "Pan American World Airways"

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