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Sunday, 12 July 2026

Rua Cidade de Manchester

Há em Lisboa o bairro dos Açores, o das Colónias [vd. ultimq imagem dir.], e, passeando dentro da cidade por longes terras da estranja, o de Inglaterra com as ruas de Manchester, Liverpool, Cardiff, etc., recantos da Suíça, na Avenida de Berna, evocações da América na Praça do Chile, na Rua de Buenos Aires, na Praça do Brasil [actual Largo do Rato] e na do Rio de Janeiro [actual Principe Real]. [Ocidente: 1939]


O topónimo Cidade de Manchester foi atribuído juntamente com os topónimos Cidade de Liverpool, Cidade de Cardiff, Poeta Milton e Newton, por edital de 29 de Agosto de 1916. Na sessão de 17 do mesmo mês, a câmara havia inicialmente homenageado Lord Byron, substituído no edital por Isaac Newton. Este conjunto de arruamentos ficou conhecido como Bairro de Inglaterra. Eram arruamentos particulares que formavam o Bairro de Braz Simões, denominado em homenagem ao seu proprietário, José Braz Simões de Sousa, um grande comerciante de Lisboa, que o entregou à C.M.L. por escritura em 13 de Outubro de 1913.

Rua Cidade de Manchester |1966-03|
Antiga Rua Isabel Leal do Bairro de Inglaterra ou de Braz Simões. 
O Bairro de Inglaterra foi construído depois do Bairro Andrade e antes do Bairro das Colónias, e abrange as abrange as encostas da Penha.
Escadinhas na esquina com a Rua Cidade de Cardiff, observando-se em cima a Rua da Penha de França.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Curiosamente, à semelhança do que aconteceu no Bairro Andrade, Braz Simões deu aos arruamentos nomes de familiares ou amigos. Assim, a Rua Cidade de Manchester chamava-se anteriormente Rua Isabel Leal, a Rua Cidade de Liverpool era a Rua José de Sousa, a Rua Cidade de Cardiff [vd. 1ª imagem] correspondia à Rua Maria Gouveia, a Rua Lord Byron (mais tarde Rua Newton) era a Rua Aurora e, por fim, a Rua Poeta Milton era a Rua Margarida.
[1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Rua Cidade de Manchester, 9 |1964|
Notam-se as Ruas Ilha do Príncipe e Poeta Mílton dir.
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente
Rua Cidade de Manchester [c. 1945]
Vista tomada da R. da Ilha do Príncipe
Fernando M. Pozal, in Lisboa de Antigamente

Friday, 1 May 2026

Rua de Martim Vaz

Martim Vaz (Rua de) É a segunda à direita, subindo pela calçada de Santa Ana e termina na mesma calçada, ensina o Itinerário Lisbonense de 1818. Derivou-lhe o nome de um célebre letrado que figura já na Estatística de 1552. Cristóvão Rodrigues de Oliveira dá na freguesia de Santa Justa um Beco de Martim Vaz, não mencionando rua com tal denominação. Por onde se poderá entender que seja o denominado Beco a actual Rua, mas mais ampla do que seria então tal artéria da cidade, por força de modificações locais posteriores. 

Rua de Martim Vaz, 1 |1923|
Letrado do Século XVI
Perspectiva tirada da Cç. de Sant'Ana.
Nota(s): Amália Rodrigues nasceu nesta artéria em 1920.

Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

É preciso porém advertir que houve nesta época outro indivíduo com igual nome, e também com tal qual notoriedade. Era juiz do Pezinho e como tal encontramos este outro Martim Vaz em 1565. Morava porém na Rua do Cura da Madalena, freguesia desta invocação. [Brito: 1565]

Rua de Martim Vaz N→S |1902-05|
Letrado do Século XVI
Perspectiva tomada junto ao Largo do Tabelião que se abre à dir. na imagem. 
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 26 April 2026

Beco de Santa Helena

Helena (beco de Santa) primeiro à esquerda na rua do Castello Picão, indo da calçadinha de S. Miguel e finda no largo das Portas do Sol, freguezias de S. Miguel 1 a 13, S. Vicente 2 a 12 e 15 a 25. [Velloso: 1869]

Enfiemos por este Beco de Santa Helena na companhia. mais uma vez, do olisipógrafo Norberto de Araújo.
No seu primeiro lanço este beco nada tem de especial, mas no seu segundo, de escadarias, passado o Beco do Garcês, a perspectiva é já repousada, com o ambiente que advém, à direita, dos jardins do Palácio do Conde de S. Miguel (dos Arcos ou do Salvador).

Beco de Santa Helena |c. 1960|
Perspectiva tomada das Portas do Sol antes da remodelação do sítio. Ao fundo
nota-se a 
Igreja de São Vicente de Fora.
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Não se desdenha de ser Alfama, mas uma Alfama tranquila, sem gatos nem mulherio, um sítio que não oferece pano para mangas aos escritores que só encontram gracilidade urbanista onde o carácter é plácido e onde não existe nem um cunhal, nem uma gelosia, nem um sinal de povo, nem uma garatuja de nobreza, nem um sopro religiosidade..==

Panorâmica sobre o Beco de Santa Helena |c. 1960|
Perspectiva tomada junto ao nª 21 onde se vêem os frades de pedra. Do lado esq. observa-se o muro do Palácio do Conde de S. Miguel (dos Arcos ou do Salvador) que desemboca no Beco do Garcês.
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Embora se desconheça a data de atribuição do topónimo sabe-se que esta designação é anterior ao Terramoto.
Na Idade Média e na Idade Moderna, os topónimos apareciam de forma natural, inspirados numa atividade, num acidente geográfico, numa propriedade, no nome do proprietário mais importante, numa direção ou, até, em nomes de santos, igrejas, conventos e ordens religiosas.

Beco de Santa Helena |962|
Perspectiva tomada junto ao nª 21 — próximo do Mural História de Lisboa (dir.).
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

N.B. Santa Helena, de família plebeia e pagã, nasceu em meados do século III na Turquia); essa cidade, mais tarde, foi chamada Helenópolis, em sua honra, pelo seu filho e futuro imperador Constantino, o primeiro imperador cristão. Muito piedosa, Santa Helena partiu em peregrinação para a Terra Santa, onde se diz que encontrou a verdadeira Cruz do Salvador.

Beco de Santa Helena |1945|
Perspectiva tomada da Rua do Castelo Picão na direcção do Beco do Garcês.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 59, 1939.
BACKHEUSER,Everardo, Toponímia: (Suas regras — Sua evolução), 1049.

Sunday, 1 February 2026

Calçada da Bica Grande

Olha-me esse gracioso nicho, com forma de baldaquino vazio, em lavra Manuelina, no cunhal do prédio da esquina Oriental da Calçada (escadinhas) da Bica Grande. (Araújo: XIII, 1939)


Atestando as fartas quantidades de água existentes no sítio, foram surgindo na encosta do Bairro da Bica desde o final do século XVI diversos chafarizes públicos na confluência das ruas.
Poder-se-ia assim pensar que a razão do topónimo Calçada da Bica Grande para esta calçada de escadinhas do Bairro que sobe da Rua de São Paulo à Travessa do Cabral, derivasse da proximidade a uma fonte, sendo que tal sucede com um grande tanque setecentista que se encontra na Vila Pinheiro, local mais conhecido como Pátio do Broas.

Calçada da Bica Grande |entre 1908 e 1914|
Note-se, à dir .do prédio que vira para a da R. de S. Paulo, à altura das
bacias das sacadas do 1.º andar, um nicho com baldaquino , de delicada escultura do séc. XVI.
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente

Todavia, sobre esta artéria central do bairro da Bica, o olisipógrafo Norberto Araújo argumenta que “Bica Grande” e Bica Pequena podem ter sido apenas denominações dadas com o sentido de “Calçada Grande” e “Calçada Pequena”, o que até se ajusta à largura e extensão das serventias.

Calçada da Bica Grande |191-|
Roque Gameiro (1864-1935)

Sunday, 11 January 2026

Beco da Corvinha que foi «da Curvinha» e «da Corvina»

Corvinha (Beco da) — Começa, segundo o Roteiro da Cidade de Lisboa, de 1920, na Calçadinha da Figueira e finda no [antigo] Beco do Alegrete [hoje Calçadinha de São Miguel]. No Itinerário lisbonense, de 1804, na parte relativa aos Becos, lê-se: «Curvinha: he o primeiro à esquerda no fim da Calçadinha da Figueira, vindo da Rua de Castello Picão, e termina no Becco do Alegrete».
Vê-se, pois, que houve acerca do letreiro deste Beco inadvertência igual à de que foi objecto o Pátio do Curvo, segundo no artigo que a este diz respeito se explica: troca do "u" pelo "o".
Na 1.ª edição do Roteiro das Ruas de Lisboa, de Queirós Veloso (1864), já os dísticos Curvo e Curvinha aparecem desfigurados.

Beco da Corvinha |s.d. (post. 1933)|
Igreja de S. Miguel
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): imagem sem data; local da foto não está identificado no arquivo.

Curvinha é o diminutivo feminino de Curvo, e este vocábulo foi elemento do apelido de uma familia distinta e numerosa: a dos Curvos Sem-medo ou Semmedo.
No Livro das Plantas encontra-se com a designação Corvina.
O beco surge também como “da Corvina” na Corografia Portuguesa do Padre António Carvalho da Costa. [Brito: 1935]

Beco da Corvinha |c. 1960|
Igreja de S. Miguel
Artur Pastors, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): imagem sem data; local da foto não está identificado no abandalhado amL..

Sunday, 29 June 2025

Calçadinha da Figueira

Figueira (calçadinha da) segunda á esquerda na calçadinha de S. Miguel, indo do largo de S. Miguel e finda na rua d'Adiça [actual Rua Norberto de Araújo desde 1956], freguezia de S. Miguel 2 a 12 e 1 a 27. [Velloso: 1869]

Esta Calçadinha da Figueira, cheia de escadas — recorda Norberto de Araújo — , leva a um curto enquadramento, que não chega a Largo, e no qual começa a Rua, bairrista como poucas, do Castelo Picão. Ali tens à direita, n.º 19 da Calçada da Figueira ainda, uma Clérigos Pobres lápide, que diz «Clérigos Pobres»,
Este pormenor despercebido a tanta gente, leva-me a crer que a Casa dos Arcos houvesse sido uma estância dos Clérigos Pobres, talvez dos que tiveram hospício em S. Pedro de Alcântara. O quintal da Casa citada não fica a vinte passos do prèdiozito da lápide. Mais duas casitas típicas alfamenses à direita, e eis-nos em pleno Castelo Picão.

Calçadinha da Figueira |1945|
O nome remete para a existência de figueira(s) no local.
Fernando Martinez Pozal,  in Lisboa de Antigamente

A Calçadinha da Figueira, identificada como Calçada da Figueira, consta do levantamento dos arruamentos da cidade datado de 1858, conduzido por Filipe Folque.

Calçadinha da Figueira |c. 1960|
Perspectiva tirada da Rua Norberto de Araújo.
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 15 June 2025

Santo Estêvão: da Calçadinha e das Escadinhas até ao Largo

Nas suas Peregrinações em Lisboa, Norberto de Araújo — a quem vamos sempre seguindo — depois de historiar modificações anteriores, diz: «Em 1833 Alfama formava um dos quatro distritos de Lisboa — veja-se a sua largueza por extensão convencional! — com 12 freguesias, afinal todas as paroquiais em redor do Bairro alfamista puro, incluindo o Castelo, mas ficando São João da Praça integrada no distrito do Rossio. Em 1852 ainda Alfama era um dos quatro distritos da cidade, já com São João da Praça em sua área natural, mas arrebanhando os Anjos e o Socorro! 
Em 1867 desapareceram todos os bairros de distinção nominal, e só então a palavra Alfama sucumbiu, oficialmente».

Tuas vielas velhinhas
Tuas ruas tão estreitinhas
São glórias, têm fado
Tu és a Lisboa antiga
Onde há sempre uma cantiga
P’ra recordar o passado

(do fado Alfama Velhinha de Armando Santos)

Estevão (calçadinha de Santo) segunda á esquerda na rua dos Remedios, indo do largo do chafariz de Dentro e finda na rua da Regueira, freguezia de Santo Estevão 2 a 28 e 1 a 35. [Velloso: 1869]

Santo Estêvão: Calçadinha e Escadinhas |c. 1945|
Perspectiva tirada da Rua da Regueira.
Fernando Martinez Pozal,  in Lisboa de Antigamente

Descendo as Escadinhas de Santo Estêvão — recorda o ilustre Norberto de Araújo — encontramos o balneário municipal [vd. 3ª imagem], construído em 1936, e logo pequeno Largo que cai sobre a Rua da Regueira, diante do Beco do Espírito Santo, ficando-nos à esquerda a Rua dos Remédios.

Calçadinha de Santo Estêvão com a Rua da Regueira |1950|
Beco do Espírito Santo
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

enquadramento é gracioso, seja qual for o conceito que nós possamos ter de beleza nestes quadrinhos bairristas, onde — e é o caso neste sítio — o pitoresco, o religioso, o fidalgo com o solar dos Azevedos Coutinhos. se dão mãos, para que Alfama se represente nos três Estados. 
(ARAÚJO, Norberto de Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 90-92, 1939)

N.B. O topónimo Santo Estêvão, na freguesia de Santo Estevão, advém da igreja do mesmo orago.

Calçadinha de Santo Estêvão |c. 1945|
À esq.no nº 19, nota-se o antigo balneário municipal.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Estevão (escadinhas de Santo) terceira á esquerda na rua dos Remedios indo de largo do chafariz de Dentro e findam na calçadinha de Santo Estevão, freguezia de Santo Estevão 2 a 18 e 1 a 23.
Estevão (largo de Santo) faz frente á egreja de Santo Estevão, e é aonde vão terminar as escadinhas de Santo Estevão, beco do Chanceller, ruas do Vigraio e Cruz do Mau, freguezia de Santo Estevão 1 a 16.
[Velloso: 1869]

Escadinhas e Largo de Santo Estêvão |1944|
Igreja de Santo Estêvão (traseiras) e Arco do Chanceler junto ao Palácio Azevedo Coutinho.
J. C. Alvarez, in Lisboa de Antigamente

Friday, 2 May 2025

Escadinhas dos Remédios (arco das)

A Rua dos Remédios segue no seu último troço, à esquerda, até à confluência do Paraíso; nós enfiamos — na companhia de Mestre Araújo  — por este pitoresco arco das Escadinhas dos Remédios – tão pintado por artistas poetas – com a nesga do Tejo ao fundo.
O arruamento faz referência à ermida de Nossa Senhora dos Remédios. Esta ermida chamou-se do Espírito Santo. Como se passou de um orago a outro: “Nesta Ermida do Espírito Santo havia um poço, onde certo dia apareceu uma imagem de Nossa Senhora, a qual apesar de ser tirada da água, vinha enxuta em sua pintura e tecido. Milagre foi! E acorriam os pescadores e famílias a implorar à Virgem remédio a seus males, e Nossa Senhora os curava. Daí a receber a imagem a invocação de Nossa Senhora dos Remédios foi um salto.” [Araújo: X, 1939]

Escadinhas dos Remédios |c. 1945|
(Dístico de 1879)
Perspectiva tirada do Beco da Lapa.
Fernando Martinez Pozal,  in Lisboa de Antigamente

N.B. No Itinerário lisbonense, de 1818, figuram duas Ruas dos Remédios: uma que principia no Largo do Terreiro do Trigo e termina na Rua das Portas da Cruz, e outra que é a quarta à esquerda , entrando pela Rua da Lapa, vindo dos Navegantes e termina na Rua da Santíssima Trindade (actual Garcia de Orta).

Escadinhas dos Remédios |meado séc. XX|
(Dístico de 1879)
Perspectiva tomada da Rua dos Remédios.
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 21 July 2024

Escadinhas da Costa do Castelo

Retempera uns momentos a tua vista no trecho de panorama que daqui já se desfruta e prossigamos, Dilecto companheiro, deixando à direita as escadinhas que levam ao Largo da Rosa.

Assentou aqui a casa nobre quinhentista de Luís de Brito de Nogueira — prossegue Norberto de Araújo — , senhor dos morgados de S. Lourenço, de Lisboa, e de Santo Estêvão, de Beja, e descendente do cavaleiro, alcaide-mor de Lisboa, Afonso Ennes Nogueira, já no local proprietário da casa nobre no século XIV. 
Foi Luís de Brito o fundador (1619) do Convento da Rosa das religiosas dominicanas, que avultou à direita das actuais Escadinhas da Costa do Castelo, e que, destruído pelo Terramoto, caldo em ruínas, desapareceu de todo no começo do século passado [XIX].==

Escadinhas da Costa do Castelo |c. 1960|
Perspectiva tomada da Costa do Castelo; ao fundo vê-se o Largo da Rosa; a dir. avulta o
Palácio da Rosa (Castelo Melhor).

Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto está mal identificado no abandalhado amL.

A chamada Costa do Castelo — diz o Guia de Portugal — constitui parte da antiga estr. de circunvalação que, anteriormente à conquista de Lisboa, corria a meia altura da encosta do monte do Castelo, partindo das portas de Alfofa (no cruzamento das ruas do Milagre de Santo António e S, Bartolomeu [de Gusmão]), rodeando a antiga cerca visigótica, passando a S. Lourenço e Santo André, e vindo terminar no Largo das Portas do Sol. Paralelamente a ela e na base do monte corria na mesma época outra estr., que começava na Porta do Ferro (Largo de Santo António da Sé) e findava na de S. Vicente (arco do Marquês de Alegrete).
A Costa do Castelo termina no lugar onde se erguiam as Portas de Santo André, e onde há pouco se via o arco do mesmo nome, demolido para passagem dos eléctricos.==
 
Escadinhas da Costa do Castelo |1946|
Perspectiva tomada do Largo da Rosa com 
o Palácio da Rosa à esq..
Fernando Pozal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III,p. 16,  1938.
idem, Inventário de Lisboa, 1950.
Guia de Portugal: Generalidades. Lisboa e arredores, p. 272, 1924.

Friday, 3 May 2024

Travessa da Portuguesa (actualizado)

As artérias que cortam a Bica, transversalmente — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , são esta Travessa da Portuguesa, a do Cabral, a da Laranjeira e a do Sequeiro, todas com a mesma perspectiva e balanço de nível, descendo por escadinhas das Chagas, encontrando o vale — onde corre o ascensor — e voltando a subir, sempre por escadinhas, à Rua do Marechal Saldanha.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 68, 1939)

Travessa da Portuguesa |1946|
Escadinhas que ligam à Rua do Marechal Saldanha e a Santa Catarina
Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Na Travessa da Portuguesa, à Bica, houve arraial e baile, achando-se a rua embandeirada e a casa no 14, onde era o recinto da festa, guarnecida a verdura e iluminada. A comissão promotora da festa veio cumprimentar-nos, o que agradecemos (SEC, 13-6-1901). Como se pode ler, o referente desta travessa é a Bica, mas também é Santa Catarina
Ontem à noite, a Travessa da Portugueza, a Santa Catarina, estava iluminada com balões vendo-se ao centro uma coroa de flores e diversas bandeiras. Algumas raparigas moradoras na mesma rua, improvisaram um baile, dançando e cantando até bastante tarde. [Cordeiro: 2019]

 

Travessa da Portuguesa S→N |c. 1895|
Cruzamento com a R. da Bica de Duarte Belo. Perspectiva tomada da R. das Chagas.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sobre este topónimo pouco se sabe. Na obra «Lisboa na 2ª metade do Século XVIII (plantas e descrições das suas freguesias)» vem mencionada a Rua dos Portuguezes situada neste mesmo local. O que provavelmente aconteceu foi uma alteração de designação para travessa e uma corrupção linguística de Portuguezes para Portuguesa.

Travessa da Portuguesa |1946|
Escadinhas que ligam à Rua das Chagas.
Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Friday, 29 March 2024

Rua General Farinha Beirão

Augusto Manuel Farinha Beirão (1869–1942), filho de um advogado de Pinhel, foi um militar que começou no regimento de Infantaria da sua cidade natal e se distinguiu na pacificação de Huíla, em Angola, nos períodos de 1906-1908 e de 1913-1921, que também integrou o Corpo Expedicionário Português em França durante a I Guerra, nomeadamente sob o comando do General Garcia Rosado, nomeadamente, na tomada de Lille.
Foi também comandante da Escola Prática de Infantaria em 1926 e 1927, onde se distinguiu na repressão à revolta de Fevereiro de 1927, a primeira tentativa reviralhista contra a Ditadura Nacional, passando em 31 de março de 1928 a ser o Comandante Geral da Guarda Nacional Republicana, onde continuou a defesa do Estado Novo, particularmente no combate à Revolta de 26 de agosto de 1931, tendo mesmo havido um Prémio General Farinha Beirão para agraciar o melhor comandante de posto territorial da GNR em cada ano.

Rua General Farinha Beirão |1961|
Herói do Ultramar 1869 - 1942
Antiga Rua B, do chamado Bairro Catarino; Rua Joaquim Bonifácio
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Refira-se ainda que Farinha Beirão foi desde a primeira hora adepto do golpe militar de 28 de Maio de 1926 e que a partir de 1936 presidiu à Cruzada Nacional Nun’Álvares, um movimento apoiante do Estado Novo se extinguiu em 1938.
Farinha Beirão foi condecorado com a Ordem da Torre e Espada (em 1908 e 1939), o Grande Colar da Ordem de Cristo e da Ordem de Avis (ambos em 1931) e ainda com a Ordem do Império (1932).

Friday, 12 January 2024

Rua Acúrcio das Neves

Por edital de 31-03-1932, foi inscrita a Rua José Acúrcio das Neves, na freguesia do Alto do Pina, na antiga Rua 7 do Bairro dos Aliados.

José Acúrcio das Neves (1766-1834) foi Director da Real Fábrica das Sedas, tendo antes sido desembargador na Relação do Porto. O seu pensamento político-económico ficou gravado em obras como os 5 volumes da «História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal e da restauração deste Reino» (1810-1811), os 2 tomos de «Variedades sobre Objectos Relativos às Artes, Comércio e Manufacturas» (1814 -1817), «Considerações Políticas e Comerciais sobre os Descobrimentos e Possessões dos Portugueses na África e na Ásia» (1830).

Rua Acúrcio das Neves |1961|
Escadinhas que ligam esta artéria à Rua Garrido; o arruamento tem início Rua Barão Sabrosa e finda na Rua Abade Faria
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente
Rua Acúrcio das Neves |1961|
Escadinhas que ligam esta artéria à Rua Garrido; o arruamento tem início Rua Barão Sabrosa e finda na Rua Abade Faria
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Friday, 14 April 2023

Escadinhas de Santa Justa

Aqui temos as Escadinhas de Santa Justa, que levam à Rua da Madalena, e em cuja esquina do lado de cima, se deu o pavoroso «incêndio da Madalena», na madrugada de 10 de Abril de 1907.
Existiu aqui, à entrada das Escadinhas — recorda o ilustre Norberto de Araújo — a paroquial de Santa Justa, uma das primeiras de Lisboa, fundada — crê-se — em 1166. A Igreja sofreu incêndio no dia seguinte ao do Terramoto. Pensou-se em construir outra neste local, precisamente onde se elevou depois esse prédio enorme, com os armazéns da Companhia do Papel do Prado [actual Pollux]; a paroquial instalou-se mal, numa parte logo edificada, mas as obras demoravam, veio o regime liberal (1833), e Santa Justa, paroquial, transitou para a Igreja de S. Domingos. Instalou-se então aqui um batalhão da Guarda Nacional de Lisboa, que durou até 1838; depois o edifício que, como igreja nunca se chegou a concluir, converteu-se em teatro, o «Teatro de D. Fernando», que existiu até 1860. Só depois se realizou a urbanização do local (1863-1864). 

Escadinhas da Rua de Santa Justa |c. 1945|
Escadinhas que ligam a Rua dos Fanqueiros à Rua da Madalena (ao cimo)
Fernando Pozal, in Lisboa de Antigamente

O que sobreviveu (até que a municipalidade se esforce em o apagar) — afirma, por seu lado, Mestre Castilho — é apenas o titulo do orago. O largo de Santa Justa, e as escadinhas ou travessa [Rua] de Santa Justa, são os últimos padrões que nos ficaram d'isso tudo!

Escadinhas da Rua de Santa Justa |1971|
Escadinhas que ligam a Rua da Madalena  à Rua dos Fanqueiros (ao fundo)
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, pp. 40-41, 1939.
CASTILHO, Júlio de,  Lisboa antiga, vol. IV,  1885, 

Sunday, 2 April 2023

Rua João de Lemos

Segundo Luís Pastor de Macedo, esta artéria foi a antiga Ladeira de Santo Amaro e homenageia João de Lemos Seixas Castelo Branco (1819 – 1890), formado em Direito pela Universidade de Coimbra que desempenhou várias comissões políticas junto de D. Miguel; dirigiu o jornal «A Nação» e enquanto escritor ajudou a fundar a revista «O Trovador», escreveu o livro em prosa «Serões da Aldeia» (1877) e assinou poesias de pendor ultra-romântico – reunidas no «Cancioneiro» (1858, 1859, 1866) e «Canções da Tarde» (1875) – sendo a mais conhecida a «Lua de Londres» que Eça de Queirós ridicularizou numa passagem de «Os Maias», onde é recitado de cor por «Eusebiozinho»
Em Lisboa, João de Lemos morou no Campo Grande.

Rua João de Lemos |1961|
Escadinhas que ligam a Rua Luís de Camões à Calçada de Santo Amaro/
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Desconhece-se a data de atribuição da Rua João de Lemos mas encontramos diversas escrituras de vendas de terreno que a referem nos anos de 1893 a 1899, assim como em 1908 encontramos compras de prédios para concluir as ruas João de Lemos e Gil Vicente e em 1909, está mencionada na Planta Topográfica de Lisboa de Júlio Silva Pinto e Alberto Correia de Sá.
Sabe-se que foi Rua de João de Lemos até um parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 23/04/1954, homologado pelo presidente da edilidade lhe retirar a partícula «de». [cm-lisboa.pt]

Rua João de Lemos |1945|
Escadinhas que ligam a Rua Luís de Camões à Calçada de Santo Amaro/Rua Gil Vicente; perspectiva tomada Rua Luís de Camões.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Friday, 17 February 2023

Rua dos Corvos

Temos o pátio do Corvo, que por sinal devia ser do Curvo (dos Curvos Semedos), na rua do Paraíso, a rua dos Corvos às Escolas Gerais, a quinta dos Corvos na estrada da Luz, e ainda os corvos do claustro da que ali estão mantendo uma tocante tradição e lembrando outros que há muitos séculos acompanharam até Lisboa o corpo de S. Vicente. [Macedo: 1940]

Supõe-se que esta denominação (1897) tenha a ver com a comemoração do licenciamento do brasão de Lisboa. A insígnia da cidade de Lisboa começou por ser um simples navio, com dois corvos, um à proa e outro à popa (aparece assim num selo da Câmara de 1612). Significava o transporte do corpo de S. Vicente do Promontório Sacro para Lisboa, e aos dois corvos que o acompanharam.

Rua dos Corvos |1945|
Perspectiva tomada da R. das Escolas Gerais para o Nascente.
Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Em 1897, a Câmara não possuía qualquer título legal ou autêntico que lhe autorizasse o brasão, solicitou assim um alvará e carta, que lhe concederam as armas, que passou a usar.
Relativamente ao historial do arruamento pode-se afirmar que o seu traçado, embora sem denominação própria, já constava na planta da freguesia de Santo Estêvão, incluída no volume “Lisboa na 2ª metade do séc. XVIII”, de Francisco Santana.

Rua dos Corvos |1899|
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Friday, 16 December 2022

Escadinhas da Barroca

Denominação bastante antiga e decerto anterior ao ano de 1634 no qual a encontramos pela primeira vez nos registos paroquiais, que, por sua vez não vão além de 1633. Primeiramente vemos ser esta serventia apontada sem qualquer qualificação: «...moradores moradores á barrocha...» (liv. 1.º dos óbitos, fl. 32), mas em 1646 já vemos a «rua das barrochas» (idem, fl. 237 v.) e por fim (1669) rua da Barroca. Para se diferençar o local, de outros denominados pela mesma forma, era frequente designá-lo por «Barroca do Rocio».

Escadinhas da Barroca [1945]
Ligam o Largo de São Domingos à Travessa de Travessa de Sant'Ana que se nota encimando
a foto e que era contituida antigamente pela R. da Barroca e pelo Beco das Cruzes.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Depois do terramoto vemos aparecer a «rua das Escadas do Largo da Rellação» (1775) e depois as escadinhas da Barroca ou as escadinhas da Barroca do Rossio (1791) e também a calçada da Barroca ou a calçadinha da Barroca (1817/27), sem que chegássemos a apurar se escadinhas e calçada eram qualificativos da mesma serventia, coino aliás supomos que sim.==

Escadinhas da Barroca [1945]
Inicio do arruamento visto do Pátio do Salema.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
Macedo, Luiz de, Crítica, Correcções e Aditamentos: À obra “Lisboa do Meu Tempo e do Passado – do Rossio à Rotunda” do Sr. João Paulo Freire (Mário), 1933.

Sunday, 6 February 2022

Rua Norberto de Araújo (actualizado)

Queres ver uma curiosidade? — diz Norberto de Araújo. Nota neste Pátio, na fachada do prédio, à esquerda, cujo ingresso é pela calçada de S. João da Praça — a Adica, como venho dizendo [ostenta hoje o nome daquele autor desde 1956] — as janelas do segundo andar: são quinhentistas, ainda com seus desenhos simples, de aresta quebrada, cujo espírito transcende da materialidade inocente de lavores. Duas estão descobertas e duas entaipadas.

Rua Norberto de Araújo |c. 1900|
Antigo troço da Calçada de São João da Praça, a partir dos nºs 53 e 70 (actualmente nºs 1 e 2A), até ao Largo das Portas do Sol; à direita, vestígios da Cerca Moura que perdurou na Cerca de D. Fernando (muralha fernandina), e onde assenta a igreja de Santa Luzia.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

 Não notes que eu chame tua atenção para elas: é que em toda a Lisboa, de Algés ao Poço do Bispo, contam-se pelos dedos os elementos arquitectónicos deste jeito e idade. Tudo isto, por aí abaixo, vai em escadinhas.

Rua Norberto de Araújo |1973|
Antigo troço da Calçada de São João da Praça, a partir dos nºs 53 e 70 (actualmente nºs 1 e 2A), até ao Largo das Portas do Sol (à esquerda na foto); à direita, vestígios da Cerca Moura que perdurou na Cerca de D. Fernando (muralha fernandina), e onde assenta a igreja de Santa Luzia.

Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

A muralha moura descia das Portas do Sol, pela antiga Adiça designação já do século XVI (Calçada de S. João da Praça), em cujo primeiro lanço alto de escadinhas lá está ainda parte da veneranda muralha e torre, até à parte sul, em ângulo, do casarão do Limoeiro, onde, fazendo um pequeno desvio, descia até aqui, local em que se abria a [antiga] Porta da Alfama.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, pp. 43-51 1939)

Local onde as Ruas Norberto de Araújo e da Adiça se encontram (esq.)  |1962|
À dir. abre-se o Beco das Canas.
Armando sSerôdio, in Lisboa de Antigamente

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