Friday, 30 July 2021

Rua dos Lagares que foi caminho da Carreirinha

O olisipógrafo Luís Pastor de Macedo em Lisboa de Lés a Lés, defende que uma azinhaga existente em 1510 perto do lagar de azeite de Pero Lopes do Carvalhal «tem todas as possibilidades de ser a antecessora da citada rua. (...) Com respeito ao caminho da Carreirinha, forma por que foi designada primitivamente a rua de que nos ocupamos ela reaparece em 1738, continuando depois a ser usada durante algumas dezenas de anos» e observa que «no século XVIII o nome de Carreirinha é aplicado ao mesmo tempo que se aplica os de rua da Graça, rua Nova da Graça, rua da Graça atrás dos Lagares e rua detrás dos Lagares, circunstância que pode levar a supor-se que a serventia estivesse talvez dividida em duas denominações, pelo menos.» para concluir que «Esta rua é a antiga Carreirinha, a rua do Lagar das Olarias dos meados do século XVI, e a actual rua dos Lagares.§
(MACEDO, Luís Pastor de, Lisboa De Lés-a-Lés, vol. III, 1940-1943)

Rua dos Lagares [c. 1900]
À esquerda, a Calçada do Monte e, à direita, o Largo das Olarias; ao fundo, a torre
sineira do Convento da Graça.

Machado & Souza, in AML

Por seu lado, Norberto de Araújo diz que «a Rua dos Lagares — que foi nos séculos velhos «Rua por trás dos Lagares» — , muito calma, a mais grave do sítio, e cujo lado direito, sobre o Largo das Olarias, acusa aspecto mais antigo. Encosta pelo lado oposto ao que foi a Cerca dos frades da Graça, e cujo terreno em parte ainda é pertença do Quartel da Graça, que herdou o Convento.§
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 33, 1938)

Rua dos Lagares, 14 [c. 1900]
Topónimo fixado na memória da cidade em data que se desconhece e por terem aí
existido uns lagares de azeite.

Machado & Souza, in AML


Sunday, 25 July 2021

Palácio (ou Quinta) das Águias (ou dos Cortes Reais)

O Palácio das Águias, na Rua da Junqueira, foi começado a erguer, no seu núcleo primitivo, em 1718, pelo licenciado e advogado da Casa da Suplicação Manuel Lopes Bicudo, em chãos do mor­gado de Saldanha, convertidos em quinta. Não ia a propriedade além do posterior do palácio actual — então casas nobres de mediana grandeza — e a frente do terreno quinteiro era defendida, do lado da Junqueira, por um simples muro com cinco janelas.


Ai temos o Palácio das Águias, no n.º 138 da Rua da Junqueira, para além de um formoso jardim, e com entrada também pela Calçada da Boa Hora. Este Palácio das Águias— diz Norberto de Araújo — não deriva seu nome, como se pode supor, das águias que se elevam sobre os pilares das umbreiras, pois já tinha aquela designação antes de 1841, ano em que foi construída a cortina gradeada com o portal principal.

Palácio das Águias, a decorativa fachada Sul [c. 1950]
Rua da Junqueira, 138; Calçada da Boa Hora, 3-5 e 29
Fachada Sul, sobre o Jardim Grande, sobranceira a uma esplanada guarnecida de balaustrada, ornada com quatro estátuas de fino mármore, e para a qual esplanada se desce por uma pequena escadaria de lanços laterais.
Horácio Novais, in I.L.

Como se observa à primeira vista trata-se de uma construção rica do século XVIII, várias vezes transfigurada, por obra, melhorias e reparos, pelo tempo adiante. Foi o Palácio mandado edificar, entre 1713 e 1716, num aspecto menos grandioso, pelo licenciado Manuel Lopes Bicudo em chãos do Morgado Saldanha, é claro. Logo em 1731 os direitos do edificador passaram a Diogo de Mendonça Côrte Real, que foi Secretário de Estado de D. José, como seu pai, do mesmo nome, o fora de D. João V. Diogo de Mendonça foi desterrado em 1756, mas a casa não foi confiscada, e andou de aluguer, havendo, entre outros, habitado nela D . José Manuel, Cardeal Patriarca. O palácio foi legado pelo Mendonça Côrte Real aos Hospitais Civis, administrados pela Santa Casa da Misericórdia, que andaram em demanda com os descendentes do Côrte Real de 1764 a 1837! Em 1838 a Misericórdia tomou alfim conta da propriedade (quinta e solar), e em 1841 adquiriu-o [bastante arruinado por setenta e oitos anos de abandono] em hasta pública José Dias Leite Sampaio, feito Barão da Junqueira em 1834 e Visconde em 1851. Este Sampaio era Contratador do Tabaco ao tempo da compra e possuidor da Quinta de Alorna, no Ribatejo, morreu em 1870, e de uma sua filha, Condessa da Junqueira, falecida em 1913, houveram a propriedade sete herdeiros, todos primos. Estes constituíram uma sociedade, transmitida depois a um grupo de capitalistas, um dos quais, o Dr. Manuel Caroça, acabou em 1918 por adquirir as cotas dos restantes, ficando com o grosso da fortuna da Condessa da Junqueira, e recolhendo o Dr. Fausto Lôpo de Carvalho, genro daquele, uma pequena cota de um sócio isolado. A estes dois senhores pertence hoje [em 1950] o Palácio das Aguias, cuja quinta, porém, já não tem a extensão que teve em tempos.

Palácio das Águias, Gradeamento, Portão e Pavilhões [c. 1950]
Rua da Junqueira, 138; Calçada da Boa Hora, 3-5 e 29
A Cortina de Gradeamento (1841), sobre a Rua da Junqueira, que substitui o 
primitivo muro de cinco janelas, e  nela: O Portão  Central, de ferrageria, n.º 138 da Rua, que fecha em arco côncavo, ladeado por pilastras rematadas por águia aberta, com SS no peito (heráldica dos Sampaios); os dois Pavilhões Extremos, quadrangulares, com sólidas bases de alvenaria, coroados por mirante rematado por cúpula redonda, zincada, e apoiada em doze colunas.
Eduardo Portugal, in A.M.L.

Este Palácio, não sendo o mais belo da Junqueira, é de facto uma construção setecentista adornada de bom gosto, com sua fachada, recuada do eixo da Rua, com esplanada, arcarias, jardins, lagos, cascata; o edifício — melhorado no século passado [XIX] pelo arquitecto Fortunato Lodi — ostenta bons silhares de azulejos, e possui uma capela, fundada em 1748 por José Nogueira, onde se guarda um retábulo de Guillard, «Anunciação», de muito mérito. Vê a graciosidade dos pavilhões, ou mirantes, nos ângulos  frente à Rua [vd. 2ª imagem], realizando um conjunto interessantíssimo de casa olisiponense nobre — tipo extramuros.

Palácio das Águias, Frontaria Nascente, que corresponde à entrada principal e  a porta da capela (dir.) [c. 1950]
Rua da Junqueira, 138; Calçada da Boa Hora, 3-5 e 29
Fachada Nascente, sobre o jardim superior que nasce do portão n.º 1 da  Travessa  da  Boa-Hora.
Horácio Novais, in I.L.

N. B. Em 1996, o palácio da Quinta das Águias foi classificado como imóvel de interesse público. Actualmente, a propriedade continua desabitada, sendo comercializada por uma conhecida imobiliária internacional, contudo, encontra-se muito degradada em todos os níveis.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Outros  palácios  do  património  nacional, 1950.
idem, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, p. 57-58, 1939.

Friday, 23 July 2021

Travessa do Cabral

As artérias que cortam a Bica, transversalmente — diz Norberto de Araújo —, são esta Travessa do Cabral, a da Portuguesa, a da Laranjeira e a do Sequeiro, tôdas com a mesma perspectiva e balanço de nível, descendo por escadinhas das Chagas, encontrando o vale — onde corre o ascensor — e voltando a subir, sempre por escadinhas, à Rua do Marechal Saldanha.
Norberto de Araújo recorda que a travessa herdou o nome do bacharel Manuel Rodrigues Cabral, que nasceu no final do século XVI e morreu em 1632. O olisipógrafo deixa-nos a seguinte nota curiosa nas suas Peregrinações: “ (…) Nota apenas no nº 35, no prédio da esquina nascente da Rua da Bica de Duarte Belo, esse curioso pórtico nobre, que faz hoje a porta de uma loja de barbeiro; nenhum de nós pode afirmar, mas pode admitir, que foi aqui o solar de Rodrigues Cabral. (…)»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 68, 1939)

Travessa do Cabral [entre 1960 e 1969]
Ao fundo a Rua. do Almada
Artur Pastor, in AML

Sunday, 18 July 2021

Palácio Sanches de Brito

«EDIFICADA, 1730, ARQUITECTO LUDOVICE QUE O FOI DO PALACIO DE MAFRA. RESTAURADA E ACCRESCENTADA SOB A DIRECÇÃO DE J. A. SANTOS CARDOSO E MOREIRA RATO — 1867»


De acordo com a inscrição existente na placa sobre uma porta do primeiro andar deste edifício, o palácio terá sido construído em 1730 sob a direcção do arqª João Frederico Ludovice, «que o foi do Palácio de Mafra», sendo restaurado em 1867. Foram encontradas referências a esta propriedade nos antepassados da família Sanches de Brito desde finais do século XVI, estando a mesma na posse de Álvaro Sanches de Brito já nos inícios do século XVII. Este facto poderia corroborar a informação contida na placa, datando o edifício de 1730 e indicando o nome de J. F. Ludovice. No entanto, esta informação, que não revela a fonte primordial em que se baseou, é contraditada por um documento de 1748, constante de um Livro de Cordeamentos. [...]

Palácio Sanches de Brito [ant. 1910]
Campo dos Mártires da Pátria, vulgo Campo de Sant'Ana, antigo Campo do Curral
Embaixada da Alemanha e instituto Alemão, despis Palácio Patriarcal.
Joshua Benoliel, in AML

Aquilo que se pode afirmar com segurança documental é que no início do século XVIII havia umas casas onde habitava Álvaro Sanches de Brito, casas essas que seu filho, João da Costa de Brito, fez demolir e substituir por outras com uma fachada com um corpo central saliente. Aliás, as características arquitectónicas do edificado apontam para data mais tardia de 1730, como se dirá adiante, levando outros autores a atribuírem o edifício ao arq.º Mateus Vicente de Oliveira (1706-1785), discípulo de Ludovice. [...]
Seria que as casas de residência de Álvaro Sanches de Brito foram objecto de uma intervenção de Ludovice, em 1730? É pouco provável que uma obra realizada sob a orientação de Ludovice, por certo de monta, fosse demolida dezoito anos depois, em 1748, para dar lugar a novo edifício, aliás bem aparentado com o gosto introduzido e difundido em Lisboa pelo mesmo mestre alemão. Aliás, Ludovice ainda estava vivo em 1748, pelo que poderá ter indicado o seu discípulo Mateus Vicente para dirigir o projecto. Esta afinidade poderá ter induzido em erro os autores dos restauros datados de 1867, afixando na placa a informação da autoria de Ludovice e a data de 1730. [...]

Palácio Sanches de Brito [1907-03]
Campo dos Mártires da Pátria, vulgo Campo de Sant'Ana, antigo Campo do Curral
Embaixada da Alemanha, visita do Rei de Saxe a Lisboa.
Joshua Benoliel, in AML

Pelo menos até 1833, a propriedade manteve-se na família, sendo mais tarde vendida à família Costa Lobo, responsável pela campanha de obras de 1867, como parece indicar a existência do seu brasão de armas em ferro sobre a porta de entrada. Nestas obras ter-se-ão provavelmente acrescentado alguns elementos decorativos em pedra, sobretudo em torno da mesma porta axial, bem como a balaustrada sobre a cornija e as estátuas que a coroam. [...]
No princípio do século XX esteve instalada no palácio a embaixada da Alemanha, ao tempo que era embaixador o Conde de Tattenbach, que aqui deu grandes festas, sobretudo aquando da visita a Lisboa do Kaiser Guilherme II. Depois, um dos membros da família Costa Lobo doou a sua parte do edifício à Misericórdia de Lisboa, vindo este a ser arrendado para instalação da residência do patriarca de Lisboa, em 1913. A outra parte acabou por ser adquirida pelo cónego Manuel Anaquim e pelo padre António Joaquim Alberto que depois arremataram a parte da Misericórdia (1923/24), mantendo-se o Patriarcado na sua posse até tempos recentes.

Palácio Sanches de Brito [1907-07]
Campo dos Mártires da Pátria, vulgo Campo de Sant'Ana, antigo Campo do Curral
Embaixada da Alemanha
Machado & Souza, in AML

Nota(s): Os mencionados membros desta família Sanches de Brito, nos finais do século XVII e ao longo do século XVIII, destacaram-se nas lides marítimas, como oficiais de marinha de guerra, como coronéis de mar e capitães de mar e guerra. O primeiro, Álvaro, chegou a ser governador da fortaleza de São Lourenço da Barra (Cabeça Seca), o filho, João da Costa de Brito chegou a capitão de mar e guerra, com uma carreira militar que ultrapassou os 40 anos ao serviço da armada.
Por fim, José Sanches de Brito, fidalgo da Casa Real e comendador da Ordem de Cristo, chegou a almirante da Armada Real.
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Bibliografia
MATOS, José Sarmento de; PAULO, Jorge Ferreira, «Da relevância dos Livros de Cordeamentos no estudo da arquitectura de Lisboa – O caso do Palácio Sanches de Brito», MATOS, José Sarmento de; PAULO, Jorge Ferreira, 2014.

Friday, 16 July 2021

Rua da Paz

De acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo este arruamento já existiria seguramente em 1602 e seria até anterior a esta data como Rua da Peixeira. Surge referido nas descrições paroquiais anteriores ao Terramoto de 1755 bem como nas plantas após a remodelação paroquial de 1780.

Rua da Paz [1960]
Esquina com a Rua dos Poiais de São Bento
Arnaldo Madureira, in AML

De mais a destacar, — acrecescenta  o ilustre  olisipógrafoaí tens no começo da Rua da Paz o prédio n.°ˢ 5-9, velho palácio setecentista, com seu ar solarengo desfeiado pela idade, onde nasceu, em 1791, e morreu em 17 de Janeiro de 1856, o historiador e erudito Visconde de Santarém, conforme o atesta a lápide colocada na frontaria em igual dia e mês de 1913. [Araújo: 1939]

Existe ainda nos arquivos municipais um contrato de arrendamento a Maria da Luz Galvão de Sequeira, em 1890, do prédio n.ºs 5 e 7, para instalação de uma escola central.

Rua da Paz. 5-9 [1913-01-17]
Descerramento da lápide
em homenagem ao segundo Visconde de Santarém, Manuel Francisco de Barros e Sousa.
Joshua Benoliel, in AML

Monday, 12 July 2021

Profissões de antanho: a vendedora de figos

— Quem quer figos quem quer merendar?


Bem, elas ofereciam os figos para o almoço, mas a verdade é que ninguém ficaria almoçado só com figos, a não ser que comesse tantos que enchesse a pança! Não era de acreditar, até porque as raparigas que cantavam alegremente o pregão apareciam de manhã e também pela tarde. E nesta altura já o pregão era outro:
— Quem quer figos , quem quer merendar?! Ó figuinhos de capa rota!

Vendedoras de figos transportando os cestos à cabeça, após a descarga no cais da Ribeira Nova [1912]
Antigo Cais dos Vapores devido à Estação da "Parceria dos Vapores Lisbonenses", fundada em 1890;  Cais do Sodré
Joshua Benoliel, in AML

E lá iam com a ceira à cabeça, os figos cobertos por largas folhas de figueira, que tudo aquilo cheirava a campo e abria o apetite para adoçar a boca com os belos figos estaladiços, que era um louvar a Deus!
E a verdade é que a rapaziada não largava as mães a pedir-lhes o regalo de merendar uma pratada de figos.
— Tem cuidado, rapaz, que se não lhes tiras a capa rebenta-te a boca!
E por toda a cidade, na época própria:
— Quem quer figos, quem quer merendar?!

Vendedoras de figos transportando os cestos à cabeça, após a descarga no cais da Ribeira Nova [1912]
Antigo Cais dos Vapores devido à Estação da "Parceria dos Vapores Lisbonenses", fundada em 1890;  Cais do Sodré
Joshua Benoliel, in AML

Bibliografia
DINIS, Calderon, Tipos e factos da Lisboa do meu tempo: 1970-1974, 1986.

Friday, 9 July 2021

Chafariz da Penha de França

Chafariz de desenho simples, mandado construir pela Câmara Municipal de Lisboa e datado de 1870. Assente numa base prismática lisa, destaca-se um elegante vaso de galba (semelhante a um vaso de jardim), de bordo largo, decorado por uma sanefa envolvente, suspensa de botões debaixo do bordo e cuja galba surge ornamentada por rosetas, dispostas na vertical das pontas caídas da sanefa.

Chafariz da Penha de França [post. 1870]
Largo da Penha de França
Fotógrafo não identificado, in AML

Sunday, 4 July 2021

Avenida Infante Dom Henrique, antiga Marginal Oriental

Hoje, em terreno conquistado ao rio, corre a Avenida Infante Dom Henrique , entre a estação e a estrada de ferro de um lado, e o cais atracável, de outro, onde se situa o Terminal de Contentores de Santa Apolónia.

Poucas vezes, na toponímia citadina, terá havido um nome como este de «Avenida Infante Dom Henrique» que tenha recebido um tão unânime e caloroso aplauso da população.
O topónimo Avenida Infante Dom Henrique foi oficializado pela câmara através de Edital de 24/07/1948 identificando a “via pública projectada entre a Praça do Comércio e a Praça de Moscavide (actual Praça José Queirós)”. Segundo informação do Urbanismo da CML de 1953, este arruamento era conhecido por Avenida Marginal  Oriental.

Avenida Infante Dom Henrique[ant. 1957]
Estação de Santa Apolónia, ou do Cais dos Soldados
Judah Benoliel, in AM L

A Estação de Santa Apolónia, ou do Cais dos Soldados — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , ocupa com seus terrenos, toda a linha marginal até Xabregas, sem interrupção. A estação, ou gare, propriamente dita, não foi, de começo do caminho de ferro, neste sítio, mas mais adiante, no edifício que fora Convento de Santa Apolónia, ocupado pela Companhia Real, e que se situa no encontro da Calçada e Rua de Santa Apolónia, defronte da Calçada dos Barbadinhos. [...] O caminho de ferro foi inaugurado em Portugal com um troço desde Santa Apolónia ao Carregado em 29 de Outubro 1856. [...]

Avenida Infante Dom Henrique[ant. 1957]
Estação Fluvial Sul e Sueste
Judah Benoliel, in AM L

O edifício da Estação — a Central da sua época — chamou-se do «Cais dos Soldados», oralidade que perdura nos aduaneiros e nos ferroviários, porque no local dos cais das mercadorias ao longo da Rua da Bica do Sapato, existiu na primeira metade do século passado, mesmo rente ao Tejo, um quartel de cavalaria; era esta área de soldados.
O edifício da Estação é do risco dos engenheiros João Evangelista de Abreu (que deu o nome à Rua que acompanha a margem, para poente, desde o Caminho de Ferro até à Alfândega), Angel Ugart e Lecrimer, havendo a primeira pedra sido colocada em 20 de Outubro de 1862. A inauguração solenizou-se a l de Maio de 1865.
A gare coberta tem 117 metros de comprimento por 25 de largo.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XV, pp. 17-18, 1939)

Avenida Infante Dom Henrique[1959]
Estação de Santa Apolónia, ou do Cais dos Soldados
Arnaldo Madureira, in AM L

Friday, 2 July 2021

Avenida Infante Dom Henrique

Em Outubro de 1970, entrou em funcionamento o Terminal de Contentores de Santa Apolónia, apetrechado para o desembarque e embarque de contentores, com gruas porta contentores, incrementando-se eficácia e consequentes ganhos.
O Porto de Lisboa inaugurou uma nova e importante etapa acompanhando a evolução do transporte de mercadorias – o desenvolvimento da contentorização. O porto assume a função de ligação crucial entre os meios de transportes marítimos, fluviais e terrestres.

Avenida Infante Dom Henrique [195-]
Cais de Santa Apolónia, carros armazenados na Alfândega do Porto de Lisboa
Judah Benoliel. in AML

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