Tuesday, 9 August 2016

A Rua Larga de S. Roque

A Rua é «da Misericórdia» — que fica no Largo, que não é da Misericórdia; foi do «Mundo», que já não há. E foi Rua de S. Roque.


A imprensa, que fêz do Bairro Alto o seu quartel general, não poupou o Largo de S. Roque, tal como ainda hoje povôa a Rua da Misericórdia, que assim se chama, desde o ano passado [1937], a antiga Rua de S. Roque (Rua Larga de S. Roque), já por sua vez crismada, depois da República, em Rua do Mundo. [1]

Rua da Misericórdia, 95 [29 de Novembro de.1915]
Redacção do jornal O «Mundo» (1890-1922), funeral de António França Borges (1871-1915), jornalista e director do jornal
Joshua Benoliel, in AML

Leva os nossos olhos, por aí acima, depois do eirado ribeirinho do Cais do Sodré — esta Rua de S. Roque. Pertence à meia idade de Lisboa — o tempo de quinhentos. Goza de tantos anos como S. Roque, Ermida, com o adro da peste, antes de surgir o templo actual. 
A Rua é «da Misericórdia» — que fica no Largo, que não é da Misericórdia; foi do «Mundo», que já não há. E foi Rua de S. Roque. Mas como ela começou, por invenção do Senhor Rei D. Sebastião, foi Rua Larga de S. Roque. Da estreita vereda do começo do século XVI se alargou, enfunando de prédios e de possibilidades. E «de S. Roque» ficará para sempre. Vizinha da Trindade e do Carmo, do Loreto e do Bairro Alto — é lisboeta da gema. [2]

Rua da Misericórdia, 95 [post 1901 e ant. 1908]
Redacção do jornal O «Mundo» (1890-1922)

Fotógrafo não identificado, in AML

[1]  (ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, p. 86)
[2] (ARAÚJO, Norberto de, Legendas Lisboa, vol. XV, p. 195)

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