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domingo, 16 de agosto de 2026

Cinema Restelo (actualizado)

Edificou-se um cinema na Avenida da Torre de Belém, que se inaugurou a 26 de Fevereiro de 1954, com o intuito de substituir o velho Cinema Belém-Jardim, Na altura, a imprensa elogiou a iniciativa, sublinhou a «sobriedade do edifício», o seu «fácil acesso» e o seu perfeito enquadramento no local e chamou a atenção para os seus amplos foyers e para o mural que acompanhava a escada de acesso ao balcão,

Tempos depois, a sala era, porém, identificada por um outro elemento da sua decoração, o enorme e surpreendente «candeeiro de vidrinhos» que, suspenso do tecto, iluminava o recinto reflectindo a luz em variados desenhos e cores, cujos efeitos pareciam entreter os espectadores nos intervalos.

Avenida da Torre de Belém |1961|
Do lado dir. nota-se o Cinema Restelo com a Torre de Belém ao fundo.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

A construção do Cinema do Restelo baseou-se em alguns pressupostos que, ao mesmo tempo, o aproximam e o afastam das salas dos novos bairros. A sua localização na Avenida da Torre de Belém, entre a zona de Pedrouços e o Bairro Residencial da Encosta da Ajuda, exigia que se tomasse como ponto de partida as determinações que o plano de Faria da Costa impunha para o local, e foi isso precisamente que se fez. Carlos Ramos e Carlos Manuel Ramos, os dois arquitectos que assinam o projecto, interpretam de forma dinâmica as intenções nele expostas e avançam com o traçado simples e moderno de um cinema com que o bairro possa contar. O edifício enquadrava-se no plano previsto, respeitava os alinhamentos das artérias e afirmava-se na determinação de dotar a zona com uma sala que se adequasse às suas necessidades. Essa preocupação reflectia-se, aliás, na concepção do recinto, particularmente no traçado da sua vasta plateia, com 844 lugares, que estava dividida em dois sectores através de um ligeiro desnível, e no desenho do pequeno balcão, que deveria acolher 416 espectadores [vd ultima imagem]. Mas esta distribuição do espaço, que se pensou poder traduzir a composição da população do bairro, e a ela se fazer corresponder, não resultou como se imaginara. 
Podemos dizer que apesar do projecto do cinema ter tido em conta o local e algumas indicações que o plano de Faria da Costa (1938) estabelecia, o seu traçado fizera-se à margem das expectativas da população ou pelo menos não as atendera. Diga-se, em abono da verdade, que tal aspecto raramente era tomado em consideração, uma vez que poucos estudos se faziam com vista à elaboração dos projectos.

Cinema Restelo |1954|
Avenida da Torre de Belém
Em cartaz, o filme «O Capote» estreado em Portugal em 1953, no original «Il Cappotto».
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Cinema Restelo |post. 1957|
Avenida da Torre de Belém com a R. Dom Cristóvão da Gama 
Em cartaz, o filme «O Adeus às Armas» estreado em Portugal em 1957, no original «A Farewell to Arms».
Salvador de Almeida Fernandes, in Lisboa de Antigamente

A ideia que se tinha sobre os costumes dos habitantes do bairro, as esperanças que se depositavam na nova realidade que se lhes oferecia e o idealismo que atravessava a própria análise que se produzia eram outros tantos traços que o definiam, A sua base pragmática fez prevalecer a convicção de que o cinema deveria «corresponder a uma necessidade do novo aglomerado urbano», justificando-se que todas as classes sociais que o habitavam ou habitariam estivessem contempladas no seu traçado. Daí que se tivessem concebido três diferentes categorias de lugares na sala, que correspondiam proporcionalmente aos três estratos da população do bairro, e que se tivesse contraposto a pequena dimensão do balcão à amplitude da plateia, que tinha quase o dobro da lotação do balcão e que se distribuía por dois sectores de diferente estatuto. De facto, partiu-se do princípio que o sector maior e mais barato da plateia, isto é, o espaço que correspondia à Geral, deveria acolher o estrato da população mais numeroso da zona e que o seu público seria recrutado na classe operária, marítimos e militares que já habitavam o
local e que eram frequentadores assíduos do Cinema Belém-Jardim;... também se julgou que o outro sector da plateia seria ocupado pela classe média que já existia, e que tudo indicava que se haveria de engrossar com a chegada de uma nova população que, não sendo propriamente abastada, teria poder suficiente para frequentar esses lugares; e, consequentemente, também se pensou que a zona do balcão se destinaria à classe que habitava as luxuosas moradias do bairro. [...]

Cinema Restelo |1954|
Avenida da Torre de Belém
A plateia — com quase o dobro da lotação do balcão — dispunham um total de 1260 lugares.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Na verdade, a composição da população do novo bairro e as suas aspirações não eram de molde a dar razão a essa distribuição da lotação do cinema. Pensou-se, por algum tempo, que fossem quais fossem as classes sociais, o seu nível económico e as suas expectativas de vida, frequentariam com mais ou menos convicção o recinto que se projectara. No caso da classe com menos recursos, o postulado inicial verificou-se e a sua frequência adquiriu realmente expressão. O cinema foi de facto por ela apropriado e em breve entrou nos seus hábitos. Mas com os outros sectores da população não se verificou o que se esperava. Como o próprio arq. Carlos Ramos depois constatou, num requerimento dirigido ao município que tinha em vista a introdução de alterações na sala, «dos três públicos que distintamente existem naquela zona pode dizer-se que, praticamente, só um frequenta o actual cinema: o público que frequenta a geral», E isso era precisamente o reconhecimento de que o pressuposto em que o projecto assentara tinha realmente falhado.==
Nota(s): Fechou portas em 1989, sendo substituído por um edifício comercial modernista.
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Bibliografia
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa, 2012  

domingo, 28 de setembro de 2025

Rua dos Condes

O topónimo "Rua dos Condes" radica nos diversos palácios de vários condes existentes naquela zona:
«Começará o Destricto desta Paroquia no Palacio do Excellentissimo Conde de Povolide; [...] e voltando sobre o lado esquerdo, entrará na Rua dos Condes de Povolide, onde principiou; pertencendo-lhe todas as mais Ruas, Travessas, e Becos comprehendidos neste destricto. [Collecção da legislação Portugueza: 1835]

O local, ainda no século XVI, era fora de portas e, a Rua dos Condes, mais não era que uma viela, prolongamento da actual Calçada da Glória. A norte, no quarteirão que parte do actual Largo da Anunciada, edificou-se o palácio dos Condes da Ericeira, cujos jardins e hortas se estendiam até à Rua dos Condes; a sul, existiu o antigo solar dos Condes de Castelo Melhor; e, ao fundo, na Rua das Portas de Santo Antão, a casa dos Condes Povolide, o que justifica plenamente, o nome da rua.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 23-24)

Rua dos Condes |1929-07-30|
Cinemas Olympia (esq.) e Odeon (dir.); ao fundo nota-se o Palácio Foz e a Pç. dos Restauradores. 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O primeiro espaço a que se poderá designar como efetivo teatro, foi o Teatro da Rua dos Condes, construído em 1738. O novo recinto de espectáculos ficava situado, no século XVIII, nos limites da cidade, em terrenos pertencentes ao palácio da Anunciada, dos condes da Ericeira (daí derivando o nome «Condes›», no espaço onde anteriormente existira um picadeiro. Foi o primeiro, naquela localização, de uma longa série de edifícios dedicados a funções teatrais, que mantiveram sempre o nome embora fossem evoluções ou mesmo edifícios diferentes: o segundo Teatro da Rua dos Condes (1888), o Cinema Condes (1915) e o novo Cinema Condes (1952).
Em boa parte do século XVIII e até à abertura do Teatro de S. Carlos (em 1793), o Condes foi o mais importante espaço de ópera italiana em Lisboa, passando depois a Teatro Nacional de declamação até à inauguração do Teatro Nacional de D. Maria II (em 1846). Terminou a sua existência em 1882, depois de nas suas décadas finais ter sido utilizado como teatro popular. 
 (CARNEIRO, Luís Soares, Theatre Spaces for Music in 18th-Century Europe, pt. I, 2020)

Rua dos Condes |1949|
O primitivo Cinema Condes (1915); Avenida da Liberdade; Ateneu Comercial de Lisboa.
O prédio na esquina oposta ao cinema data de 1912 pelo risco do arq. Francisco Vilaça e substitui este outro.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente


sexta-feira, 25 de julho de 2025

Cinema Vox

O Cinema Vox foi recebido com referências lisonjeiras ao seu «espaço confortável, elegante e de óptimo aspecto» com uma sala com capacidade para 604 espectadores, que se distribuíam pelas cadeiras e poltronas estofadas, com acessos alcatifados.

O Cinema Vox foi inaugurado a 16 de Abril de 1969 com o filme "Jogos Perigosos", com Simone Signoret e James Caan. De fachada elegante (projecto dos arquitectos Aníbal Barros da Fonseca e Eduardo Paiva Lopes), situava-se na Rua Bulhão Pato, logo a seguir ao Teatro Maria Matos. Tinha uma sala com capacidade para 604 espectadores e estava apetrechado com um dos mais modernos sistemas de projecção da altura, que inclusive possibilitava a visão dos filmes em 70 mm e 6 bandas estereofónicas. A sala era em tom verde-escuro, a contrastar com as poltronas, que eram em amarelo-torrado. Tinha um foyer bastante comprido (com as paredes revestidas de madeira de excelente efeito), incluindo um piso inferior, onde funcionava o bar. 

Cinema Vox |1977|
Rua Bulhão Pato (até 1955 era a Rua 51 do Sítio de Alvalade).
Vasques, in Lisboa de Antigamente

Antes de se tornar no King Triplex (1988-2013), o Vox passou por uma fase intermédia o Espaço Voxmania – vocacionado para concertos de diversas bandas, como os G.N.R. ou os Heróis do Mar. Sendo um dos raros cinemas de Lisboa com uma programação própria, sem cedências ao mainstream, o King não aguentou a concorrência nem o despoletar da crise económica.
Assim, um dos últimos resistentes dos cinemas de Lisboa, foi obrigado a encerrar as suas portas no dia 24 de Novembro de 2013, para grande tristeza dos seus habituais espectadores, muitos deles vindos ainda dos tempos gloriosos do Vox original.

Cinema Vox |1969|
Rua Bulhão Pato
Ao fundo observa-se o edifício do Hotel Lutécia onde funcionava o Teatro Maria Matos.
in Lisboa de Antigament

Bibliografia 
Cinememórias, O Rato Cinéfilo, 2022.
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa, 2012  

domingo, 7 de julho de 2024

Arco do Marquês do Alegrete, ao Martim Moniz

Ora aí temos o Arco do Marquês do Alegrete — diz Norberto de Araújo — no aspecto de 1674, ano em que foi transformada a velha porta de S. Vicente da Mouraria, assim chamada ainda em 1554. Intitula-se do Marquês do Alegrete, porque a ele se encostou o palácio construído pelo Conde de Vilar Maior, antecessor da Casa dos Alegretes, depois Penalvas e Taroucas (Teles da Sylva).
 
 
O boletim trimestral — Olisipo do grupo de Amigos de Lisboa — , apurou em Abril de 1945: «Passam por hora sob o Arco do Marquês de Alegrete: mais de 100 eléctricos, 200 automóveis, 6000 pessoas a pé e muitos caminhões. Apesar de algumas dúvidas nas quantidades, sobretudo no exagero de tantos eléctricos por hora quando competiam num buraco de agulha, além da multidão, com «caminhetas e carretas», cito o rol feito pelo olisipógrafo Luís Pastor de Macedo — a quem vamos sempre seguindo.

Arco do Marquês do Alegrete, ao Martim Moniz |1946|
Arco do Marquês do Alegrete
 — durante as demolições na Mouraria; Salão Lisboa
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

A tradição conta-nos que Martim Moniz era um dos cavaleiros de D. Afonso Henriques que em 1147, na conquista de Lisboa, se atravessou numa porta da muralha do Castelo dos Mouros, impedindo o seu fecho e, sendo de imediato morto pelos sitiados enquanto garantia a abertura necessária para a entrada dos exércitos cristãos conquistarem a cidade.
Em 1908 o herói Martim Moniz ganhou uma placa evocativa na porta do seu sacrifício e, em 1915, ficou também imortalizado na toponímia da Mouraria já que a Rua de São Vicente à Guia – que se situava entre a Rua da Mouraria, Rua do Arco do Marquês de Alegrete e a Calçada do Jogo da Pela – se passou a denominar Rua Martim Moniz, pelo Edital de 14 de Outubro de 1915. Contudo, as alterações urbanísticas do local iniciadas a partir da década de 30, a pretexto de ligar a Avenida Almirante Reis ao Rossio, acabaram por fazer desaparecer o Mercado da Figueira, parte da Mouraria e este arruamento.

Arco do Marquês do Alegrete, ao Martim Moniz |1945|
Arco e Palácio do Marquês do Alegrete e Salão Lisboa
André Salgado, in Lisboa de Antigamente

N.B. Em 1961 foi finalmente empreendida a controversa destruição do Arco do Marquês de Alegrete, o último resquício das portas da Cerca Fernandina, a Porta da Mouraria, e recordado em versos:

Arco do Marquês de Alegrete
O quadro ilustra bem
Uma imagem que morreu
Será que existe alguém
Que este passado viveu?
Era palácio e cinema
Eléctricos, engraxadores
Eis a leitura do tema
Ao Arco dos meus Amores.
(Baguinho: 1999)

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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, pp. 78-79, 1938.
MENEZES, Marluci, Mouraria, Retalhos de Um Imaginário: Significados Urbanos de Um Bairro de Lisboa, 2023.
FERNANDES, José Ferreira, Martim Moniz - Como o Desentalar e Passar a Admirar, 2024.

sexta-feira, 19 de abril de 2024

Rua Castilho esquina com a Rua Braamcamp: Edifício Castil

O topónimo Rua Castilho foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa, através de Deliberação Camarária de 06/05/1882.
 
António Feliciano de Castilho, foi um dos grandes escritores da primeira época do romantismo em Portugal, em conjunto com Garrett e Herculano. Notabilizou-se especialmente pela riqueza e expressão artística da linguagem. Castilho nasceu em Lisboa a 28/01/1800 e morreu em Lisboa a 18/06/1875.
 
Rua Castilho esquina com a Rua Braamcamp |1964|
Prédio demolido por volta de 1970. No mesmo local ergue-se, desde 1972, o Edifício Castil. 
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

O Edifício Castil, projectado no início dos anos 70, do séc. XX, (1970-1972), com risco do atelier de Conceição Silva, no qual também participou o arq. Tomás Taveira, surge como o primeiro grande centro comercial de Lisboa, afirmando-se pelo carácter pioneiro da sua concepção arquitectónica, ao estabelecer o diálogo entre o uso do vidro, que cobre a fachada do edifício, com linhas de acentuada verticalidade estrutural. Entre 1973 e 1988 albergou o cinema Castil. 
Este imóvel encontra-se classificado como Monumento de Interesse Público.

Edifício Castil |1976|
Rua Castilho, 39-39B; Rua Braamcamp, 42-46
Álvaro Campeão, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Rua Engenheiro Vieira da Silva que foi Estr. das Picoas

Augusto Vieira da Silva (1869-1951). Historiador e engenheiro, concluiu o curso de Engenharia na Escola do Exército em 1893. Foi sócio efectivo da Associação dos Arqueólogos Portugueses, membro da Academia de História, sócio honorário e primeiro presidente do grupo Amigos de Lisboa. Foi nomeado para a Comissão de Toponímia da Câmara Municipal de Lisboa em 1943. 

Rua Engenheiro Vieira da Silva |1965|
Olisipógrafo 1869-1951
Antigo troço da Rua das Picoas (antes Estr. das Picoas), compreendido entre a Praça José Fontana e a Avenida Fontes Pereira de Melo; Cine-Teatro Monumental.
Armando Maia Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Alguns dos seus textos foram editados sob o título Dispersos. Encontra-se colaboração da sua autoria nas revistas Feira da Ladra (1929-1943), Revista de Arqueologia (1932-1938), Boletim dos Museus Nacionais de Arte Antiga (1939-1943) e na Revista Municipal (1939-1973) publicada pela Câmara Municipal de Lisboa.

Rua Engenheiro Vieira da Silva |1960|
Olisipógrafo 1869-1951
Antigo troço da Rua das Picoas (antes Estr. das Picoas), compreendido entre a Praça José Fontana. Perspectiva tomada da Avenida Fontes Pereira de Melo; Antigo Mercado 31 de Janeiro (dir.) e Matadouro Municipal.
Filipe Morgado Romeiras, in Lisboa de Antigamente

domingo, 15 de outubro de 2023

O Cinema Lumiar e a Calçada de Carriche

Inaugurado em 1968 com o filme japonês "Shaka" (aka Budda, 1961), no original, e por cá com o título "O Reino de Buda", encerrou para férias no dia 1 de Junho de 1982 e não voltou a reabrir. 
O Cinema Lumiar fazia descontos nos bilhetes a algumas colectividades da zona, nomeadamente ao Clube de Santo António dos Cavaleiros. 

A história do Cinema Lumiar é mais difícil de traçar do que a dos outros cinemas que pontuam a expansão da cidade. O facto de ter sido concebido já na década de 60, a circunstância de ter podido beneficiar de uma significativa alteração na lei que regulamentava a construção deste tipo de edifícios e a exigência de ter de se adaptar às mudanças que se imprimiam na zona tornam-no, realmente, num caso particular. Esta situação pode ser vista como um efeito de um conjunto de factores que se conjugou ou como decorrente dos condicionalismos que existiam no lugar para onde foi projectado. De qualquer modo, trata-se de um cinema de bairro, quer dizer, de um cinema que serve a freguesia do Lumiar e todo um conjunto de zonas limítrofes, suja influência no projecto não pode ser iludida nem deixada de fora no momento de o analisar. O seu traçado tem, assim, m sentido que importa verificar e afirma-se numa espécie de particularidade formal que o distingue dos outros cinemas que os novos bairros da cidade se construíram.
 
Cinema Lumiar |1977|
Calçada de Carriche, 38; Rua Comandante Fontoura da Costa (entrada)
Fachada do Cinema Lumiar traçado pelo arq.º José Croft de Moura em 1962.
Vasques, in Lisboa de Antigamente

Traçado por José Croft de Moura em 1962, o Cinema Lumiar não tem, por assim dizer, antecedentes que o expliquem. O arquitecto trabalha a partir das possibilidades que a lei lhe dá integra-o entre dois edifícios de habitação, dotando-o de uma sala com uma lotação de 800 lugares, que era servida por dois foyers e por um palco, cuja vantagem se justificava nas necessidades culturais que o novo aglomerado de prédios teria. Sabe-se que a encomenda partira da empresa Cruz & Cruz que promovera uma urbanização local num terreno denominado Quinta da Nazaré, e que o seu intuito era construir uma sala de espectáculos de modo a imprimir alguma animação zona. A implantação do edifício apoiou-se, por conseguinte, no próprio traçado da urbanização e integrou se com naturalidade no contexto que definia as edificações vizinhas. Deste modo, a unidade do conjunto foi assegurada e garantiu-se uma relação de continuidade com os prédios que lhe eram contíguos. Mas mais importante ainda foi o facto de o Cinema Lumiar ter sido capaz de se insinuar neste núcleo urbano de uma forma quase tão discreta como as mudanças que se observavam na legislação que regulamentava a construção das salas.

Cinema Lumiar, em obra |1967-10|
Calçada de Carriche, 38; Rua Comandante Fontoura da Costa (entrada)
O Cinema Lumiar fazia descontos nos bilhetes a algumas colectividades da zona, nomeadamente ao Clube de Santo António dos Cavaleiros.
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente


A questão da sua integração no local prende-se, naturalmente, com os condicionamentos do lugar e com as tentativas que se fizeram no sentido de os superar, Se é verdade que o cinema se implantava entre os prédios que se erigiam na Estrada do Desvio, no Lumiar, não é menos certo que a sua entrada se fazia pela Rua Comandante Fontoura da Costa, uma artéria secundária que corria paralelamente à Calçada de Carriche, cujo novo traçado implicara um arranjo do local, alterando as referências da zona. 

 

Calçada de Carriche, |1938|
Entre muros e já com algumas construções.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O sítio era há muito conhecido como uma das entradas de Lisboa que tinha uma especificidade própria. Em finais do século XIX, coincidia com a fronteira que separava Carriche da cidade, tendo-se mesmo construído um alto alto muro de cada um dos lados da antiga calçada que corria transversalmente os dois desfiladeiros que ali existiam e que servia de barreira fiscal. Quando, em 1922, é abolido o imposto sobre todas as mercadorias que entravam na capital, vindas dos campos de Loures, Bucelas, Odivelas, Caneças e Montemor, o sítio contava já com algumas construções que se estendiam pela do país indo localidade de Olival de Basto, onde se edificou uma Malaposta e algumas «vilas» que pouco se distinguiam entre si. Tal é a história do local onde se inseria a antiga e íngreme Calçada de Carriche, percorrida anos a fio por mulas e carroceiros que ostentavam as marcas de um viver que vigorava às portas de Lisboa .

Cinema Lumiar, em obra |31-10-1968|
Calçada de Carriche, 38; Rua Comandante Fontoura da Costa (entrada)
 Inaugurado em 1968 com o filme japonês "Shaka" (aka Budda, 1961), no original. Por cá estreou com o título "O Reino de Buda", encerrado para férias no dia 1 de Junho de 1982 não voltou a reabrir.
Cartaz de espectáculos» in Diário de Lisboa, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa, 2012
Diário de Lisboa

domingo, 10 de setembro de 2023

O Cine-Pátria no Palácio Lafões

Cinema inaugurado em 1917 no piso térreo do Palácio Lafões como «Animatógrafo do Beato», tendo mais tarde mudado o nome para «Cine-Pátria», que se manteve em actividade, com interrupções, até à década de 1980 e, no auge da sua popularidade, chegou a ter 447 lugares.

Cine-Pátria, baixos do Palácio Lafões |1967-02|
Rua do Grilo, 46
João Goulart, in Lisboa de Antigamente
Cine-Pátria, baixos do Palácio Lafões |1974?|
Rua do Grilo, 46
Autor desconhecido (Lauro António?), in Lisboa de Antigamente

A edificação do Palácio dos duques de Lafões, sito na Calçada do Duque de Lafões, 1-5, e Rua do Grilo, 34-54, ao Beato, iniciou-se cerca de 1777 por encomenda do D. João Carlos de Bragança,  2-º duque de Lafões — aquele a quem se deve a criação da Academia das Ciências. 

Era uma figura bem interessante este 2.° Duque de Lafões, com prosápia de nobreza e sangue real, mas culto, sábio mesmo, valente, decidida, militar combatente nas guerras entre a Áustria e a Prússia. Percorreu todas as côrtes da Europa, num grande desdém pelo desdém que lhe votava Pombal, viajou pela Asia e África, só voltando à pátria quando D. Maria I subiu ao trono, e recebendo então o título de 2.º Duque, que lhe era devida.
Foi estadista e homem público, e aos 82 anos era ainda general-marechal comandante do exército português.

 

Palácio Lafões (ou do Grilo), fachadas S. e E. |1974|
Rua do Grilo, 46
E.K., in Lisboa de Antigamente
Palácio Lafões (ou do Grilo) |195-|
Rua do Grilo, 46
Um aspecto do pátio vendo-se as frontarias Poente (primitiva) e Sul (Séc. XIX).
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

O Palácio Lafões, com uma bela quinta anexa, ocupa uma área, relativamente grande, limitada a Sul pela Rua do Grilo, a Nascente pela Calçada do Duque de Lafões, a Norte pelo jardim, e a Poente pelas instalações da antiga Manutenção Militar, que foram antigo jardim e hortas. Apresenta em planta um aspecto aparentemente confuso, mas o corpo primitivo, sobre a antiga estrada, a Poente, é nitidamente regular.
O interior do Palácio Lafões distingue-se pelo seu carácter do final do século XVIII na parte primitiva, a Poente, cujas salas diferem em muito das da parte Norte, já do século XIX na ala sobre os jardins grandes e antiga mata.
Na primeira metade do século passado, quando o rio chegava quase à base Sul do Palácio, existiu ali um cais chamado dos «Duques».

Palácio Lafões (ou do Grilo) |195-|
Rua do Grilo
Fachada Norte sobre os antigos jardins que corresponde às salas principais.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa, 2012
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, 1950.
idem, Peregrinações em Lisboa, vol. XV, pp. 69-69, 1939.

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Cinema Império

Projectado pelo arq. Cassiano Branco em 1947, foi construído entre 1948 e 1952, traduzindo uma linguagem arquitectónica modernista. Classificado como Imóvel de Interesse Público, é um edifício com uma notável dimensão urbana, de planta rectangular e bloco único, que se impõe pelo seu volume compacto. 

Cinema Império [c. 1952]
Alameda Dom Afonso Henriques; Av. Alm. Reis; Rua Quirino da Fonseca
Em cartaz, o filme "La beauté du diable" (título original), estreado por cá em 24 de
Maio de 1952 com o título "O Preço da Juventude".

Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
 
Cassiano Branco — diz Margarida Acciaiuoli nos seus Cinemas de Lisboa — imediatamente percebeu, quando lhe foi encomendado o projecto em 1945, pela Sociedade Cinematográfica Império, Lda., que a sua experiência no traçado destes equipamentos, o modo como os pensara e as soluções que mais recentemente avançara para O Coliseu do Porto, inaugurado em 1940, faziam com que esta encomenda fosse encarada como um importante desafio.
Mas não é possível compreender o que estava em jogo sem entrar na história do local.
É importante sublinhar que o projecto se destinava a aproveitar um lote de terreno que existia na confluência da Avenida Almirante Reis com a Alameda D. Afonso Henriques, cujas traseiras davam para a Rua Quirino da Fonseca (antiga Alves Torgo, vd. 2.ª imagem).

Lote de terreno na confluência da Avenida Almirante Reis com a Alameda D. Afonso Henriques [ant. 1952]
No cartaz afixado no prédio junto ao lote vago pode ler-se: «Terreno para a construção do Cine-Teatro Império»; ao fundo vê-se parte da Rua Quirino da Fonseca.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A sua fachada principal, exibindo uma ampla estrutura envidraçada, que define a totalidade de altura da sala, articula-se com os alçados laterais através de elementos verticais coroados por esferas armilares em ferro forjado (actualmente desaparecidas).

Cinema Império [c. 1952]
Alameda Dom Afonso Henriques; Av. Alm. Reis; Rua Quirino da Fonseca
Em cartaz, o filme "La beauté du diable" (título original), estreado por cá em 24 de Maio de 1952 com o título "O Preço da Juventude".
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

domingo, 8 de maio de 2022

Cinema Cinebolso

O Cinebolso, inaugurado a 8 de Março de 1975, com o filme A Salamandra de Alain Tanner, era o resultado de uma abordagem que tentava conjugar a programação com os requisitos de conforto que se começavam a exigir neste tipo de espaços. Trata-se.com efeito de adaptações mais ou menos conseguidas que se estendem a toda a cidade e que estão na origem do aparecimento de outras salas como o Cinema Star inaugurado em 1977,com risco de Ramos Chaves. [...]
O Cinebolso anunciava-se com «filmes à hora de almoço», sem lugares marcados e com sessões ao domingo para crianças.
 
Cinema Cinebolso |1977|
Rua Actor Taborda, 27
Vasques, in Lisboa de Antigamente

Em 1976, começa a exibir filmes «para adultos» com a estreia do filme "Kermesse Erótica" e com cinco sessões diárias formavam-se longas filas para adquirir bilhetes  — rezam as crónicas da época.
Em 1983, passa a chamar-se Quinteto, com a estreia do filme "Blade Runner" de Ridley Scotta, altura em que começou a ser explorado por Pedro Bandeira Freire, mentor do Cinema Quarteto e seu dinamizador desde a sua inauguração em 1975. Mas a vida atribulada desta sala não acaba aqui. Depois de voltar a mudar de proprietário, altera o nome para o efémero "N’Gola” já que, passados meses, volta a fechar portas. Reabrirá, em 1986, retomando a exibição de filmes para adultos — em regime de sessões continuas — e assim se manteve até 2019, altura em que encerrou para férias, e nunca mais voltou a vida.


Bibliografia
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa, 2012
Publicações online

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Cinema da Feira Popular e Teatro Vasco Santana

A história do primeiro Cinema Municipal inicia-se em 1951, ano em que foi inaugurado na antiga Feira Popular de Lisboa que se localizava no Parque da Palhavã junto à Praça de Espanha.
Esta feira foi inaugurada em 1943 e seria transferida para a zona de Entrecampos em 1961, (vindo ocupar os terrenos onde anteriormente se localizava o Mercado Geral de Gados edificado em 1888), o que levou a que o edifício do cinema fosse demolido.

Cinema da Feira Popular [1961]
Avenida da República
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Em 1972, o cinema converteu-se no Teatro Vasco Santana e por lá passaram alguns dos nomes mais importantes do teatro e televisão nacional. Com as obras de ampliação e modernização que sofreu posteriormente, foram criados novos espaços que fizeram nascer o Auditório Ana Bola.
Após o encerramento da Feira Popular em 2003, o Teatro foi perdendo público acabando por fechar portas em 2006.

Teatro Vasco Santana, na Feira Popular [1972-09]
Avenida da República
Vasco Gouveia de Figueiredo, in Lisboa de Antigamente

domingo, 9 de janeiro de 2022

Teatro da Rua dos Condes, hoje Cinema Condes

O Teatro da Rua dos Condes, hoje Cinema Condes, representou grande papel na vida nacional. Construído entre 1756 e 1765 no Pátio dos Condes, assim chamado por ali estar o palácio dos Condes da Ericeira, foi o campo de manobras da famosa cantora Zamperini, que fez andar a cabeça à roda à nobreza. O filho do Marquês de Pombal obrigou os comerciantes de grossos cabedais a fazerem-se accionistas do teatro, para ganho e lustre da amásia.


Aí temos o Cinema Condes, banal e que pouco diz. Tem alguma história. Era neste sítio, até ao Terramoto — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , o Pátio dos Condes da Ericeira, tornado montão de ruínas depois do cataclismo. O primitivo Teatro da Rua dos Condes datava de 1765, e foi demolido em 1882, dando o último espectáculo em 20 de Maio. Fora construído pelo arquitecto Petrónio Mazzoni, e nele se cantou ópera durante dezenas de anos. Ficou célebre a passagem por esse teatro da famosa cantora Zamperini, que tantos escândalos amorosos deu em Portugal, vendo-se o Marquês de Pombal obrigado a expulsá-la do país . O Teatro teve história, ligada à vida literária e teatral portuguesa; em 1782 passou a ser o Teatro Nacional, e no começo da século passado [XIX] a sua administração esteve ligada à de S. Carlos. 
Em 1837 intitulava-se Novo Teatro Nacional do Ginásio.

Theatro da Rua dos Condes
Demolido em 1882, no sitio onde levantou outro teatro [vd 2ª imagem], hoje Cinema Condes.
Desenho de M. de Macedo, in Lisboa de Antigamente

Demolido, como disse, em 1882, construíu-se um pequeno Chalet, teatrinho contido num barracão que durou pouco mais de um ano Só em 1888 se ergueu este Teatro da Rua dos Condes [vd 2ª imagem], por iniciativa do comerciante Francisco de Almeida Grandela, sendo arquitecto Dias da Silva, e decoradores Eduardo Reis e Júlio Machado. Foi inaugurado em 23 de Dezembro com a peça «As Duas Rainhas», uma tradução de Sousa Bastos, e com um monólogo de abertura recitado por Taborda , escrito por Baptista Machado.
O Teatro foi restaurado em 1898, e, modernamente, com transformações largas, recebeu obras em 1931. Desde 1920 1915, porém, deixou de ser teatro para se converter como tantos em «Cinema Condes». [Estreou como cinema em 2 de Abril de 1915]

Teatro da Rua dos Condes,  inaugurado em 23 de Dezembro de 1888 [c. 1908]
Avenida da Liberdade com a Rua dos Condes
Em cartaz: "De olho aberto!: revista simbólica e de costumes em 3 actos e 9 quadros" de Daniel Moreira (Rei Móra). Música de Luz Junior.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O recente Cinema Condes foi construído, entre 1950 e 1952, por iniciativa da empresa teatral Variedades, no mesmo local onde existira o Teatro Condes, propriedade de Francisco Grandela. Projectado pelo arqº Raul Tojal e executado pelo construtor António Costa, apresenta planta rectangular, volumetria escalonada e cobertura em terraço. Acompanhando o declive do terreno, desenvolve-se em duas frentes, uma voltada à Avenida da Liberdade e a outra à Rua dos Condes. As fachadas em reboco pintado, com apontamentos rectilíneos de grande verticalidade em cantaria e com piso térreo totalmente revestido a cantaria, apresentam um ângulo de articulação boleado, esculpido com relevos, acentuado superiormente por remate em corpo circular de menor secção, vazado por cinco janelas e protegido por pala. 


Cinema Condes [c. 1956]
Avenida da Liberdade com a Rua dos Condes
Salvador Fernandes. in LdA


Cinema Condes [c. 1952]
Avenida da Liberdade com a Rua dos Condes
Estúdio Horácio Novais, in LdA



A porta principal, de verga recta, rasga-se no ângulo e permite a entrada para o interior, onde funciona, desde 2003, o «Hard Rock Café», aí instalado após grandes obras de transformação e adaptação do cinema a restaurante.
Este imóvel integra a Zona da Avenida da Liberdade, que se encontra Em Vias de Classificação. [instituto-camoes.pt]

Cinema Condes,  inaugurado em 30 de Outubro de 1951 [c. 1952]
Avenida da Liberdade com a Rua dos Condes
O Cinema Condes manteve-se como sala de projecção até 1997.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, pp. 25-26, 1943. 

domingo, 17 de outubro de 2021

Cinema Avis

Inaugurado em 1 de Janeiro de 1930 com o nome “Trianon-Palace” tinha capacidade para 538 espectadores. Em 1931, depois de remodelado com novo balcão e frisas, muda o título para “Cinema Palácio”  com lotação aumentada para 768 lugares, até reabrir como “Avis”. Este cinema foi um projecto do arq.º Raúl Lino para o seu amigo e cliente Augusto de Ornelas Bruges, proprietário à época, que tinha adquirido um terreno em frente da antiga estação de eléctricos do Arco do Cego. Considerada uma das maiores e mais elegantes salas de espectáculos  da capital, gozava de exclusividade, por não existir nenhuma outra nas imediações das chamadas «Avenidas Novas». 

Cinema Avis [1960]
 Avenida Duque de Ávila, 45
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Em 29 de Novembro de 1956, depois de profundas obras de remodelação, reabriu ao público com o nome de «Avis». Após anos a exibir filmes de estreia e enormes sucessos de bilheteira, encerrou portas em 1988, sendo o edifício demolido para dar lugar a prédios de habitação.

Anuncio ao Trianon-Palace «A mais elegante “boite” de Lisboa
realizada por Raúl Lino», in DL, 1930

Só nos anos de 1930 e 1931 — os primeiros do sonoro — abriram em Lisboa 10 novas salas de cinema. A primeira sessão de cinema sonoro de Lisboa teve lugar num cinema de bairro, o Royal Cine da Graça projectado pelo arquitecto Norte Júnior.

Cinema Avis [1956]
Foyer do Cinema Avis, projecto do arquitecto Maurício Vasconcelos (1925-1997)
 Avenida Duque de Ávila, 45
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
Batista, Tiago, Cinemas de estreia e cinemas de bairro em Lisboa (1924-1932). 
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