Friday, 30 September 2022

Travessa da Pereira

A Travessa da Pereira, na freguesia da Graça, de acordo com o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo («Lisboa de Lés-a-Lés», vol. IV) «Data dos fins do século XVIII (1799) e foi aberta na quinta do Alcaide Fidalgo.»
Ainda segundo Pastor de Macedo «aqui moraram e aqui faleceram o desembargador Luiz de Barbosa Mendonça e sua mulher D. Rosa Luíza de Barbosa Mendonça Pinto da Cunha (1824/25); aqui nasceu em 3 de Novembro de 1828 o actor Isidoro e aqui viveu, segundo parece, aí pelos meados do século passado [séc. XIX], o desequilibrado José Maria Leal de Gusmão, autor do poema Rei só Deus, e que foi um dos excêntricos relacionados por Luiz Augusto Palmeirim. A qualificação que primitivamente deram a esta serventia foi a de «rua». [cm-lisboa.pt]

Travessa da Pereira [1908]
Ao fundo, a Rua da Senhora da Glória
Machado & Souza, in AML

Sunday, 25 September 2022

Panorâmica sobre o Parque Eduardo VII e Rua Engenheiro Canto Resende

Era a 2ª transversal do Parque Eduardo VII, que liga a Avenida António Augusto de Aguiar à Avenida Sidónio Pais. Este topónimo resultou da aceitação de um pedido do Sindicato Nacional dos Engenheiros-Geógrafos, formulado por ofício datado de 18.09.1953 para ser atribuído «o nome do engenheiro-geógrafo Artur do Canto Resende — mártir da Pátria durante a ocupação japonesa de Timor —, a um arruamento da capital».

Panorâmica sobre o Parque Eduardo VII e Rua Engenheiro Canto Resende [c. 1960] 
O arruamento situado a norte do Parque Eduardo VII, entre a Avenida Sidónio Pais e a Rua Castilho. passou a ser designado Alameda Cardeal Cerejeira pelo edital de 14/04/1982.
Artur Pastor, in AML
 
Artur do Canto e Castro Resende (1897-1945), licenciou-se em Matemática e em Engenharia Geográfica e foi para Timor em 1937 como membro da missão de estudos chefiada pelo coronel Jorge Castilho, local onde mais tarde veio a ser presidente da Câmara Municipal de Dili, pelo que quando os japoneses invadiram Timor foi deportado para Alor onde veio a falecer devido a grandes privações e foi assim considerado um das maiores figuras da resistência contra os japoneses.
Foi também adjunto da missão de demarcação da fronteira do sul de Angola com a União Sul-Africana (1930), da missão de revisão da fronteira entre os territórios da Companhia de Moçambique a Rodésia do Sul (1932). Foi condecorado com a Ordem Militar da Torre e Espada. [cm-lisboa.pt]

Alameda Cardeal Cerejeira [c. 1952] 
Ao fundo nota-se a Avenida Sidónio Pais com a Rua Engenheiro  Canto Resende
Em 1982, a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa deu parecer favorável à consagração do Cardeal Cerejeira no arruamento situado a norte do Parque Eduardo VII, por considerar «que mantém plena actualidade a ideia de se construir uma catedral no alto do Parque Eduardo VII, a Comissão é de parecer que o nome do Cardeal Cerejeira – percursor dessa ideia – fique perpetuado num arruamento das imediações».
Fotógrafo não identificado, in AML

Friday, 23 September 2022

Colocação da estátua de Camões

O monumento consagrado ao immortal poeta Luiz de Camões, está n'esta praça e foi inaugurado no dia 9 de Outubro de 1867. O risco, desenho e esculptura é de Victor Bastos. Tem este monumento desde o solo até ao pedestal 11,48 centimetros. A estatua de Camões tem quatro metros d'alto e foi fundida na fabrica Preseverança. O pedestal do monumento é um octógono de 7,48 centimetros de alto assente sobre quatro degraus. Nos angulos do octogono tem oito plintos em que assentam oito estatuas feitas de pedra lioz, tendo cada figura 2,40 centimetros e são: Fernão Lopes, Corte Real, Pedro Nunes, Vasco Mouzinho, Gomes Eannes, Sá de Miranda, João de Barros e Cantanhede. A praça do nascente ao poente mede 66 metros e de norte a sul 36.
(in Roteiro das ruas de Lisboa e immediações, por Eduardo O. Pereiro Queiroz Velloso, 1869)

Colocação da estátua de Camões |1867|
A estátua, ainda envolta em panos, é parte do monumento erigido a memoria do insigne
poeta na Praça de Luiz de Camões (antigo Largo do Loreto até 1860) Camões (praça de Luiz
de) fica entre as ruas do Loreto, Norte, Gavias, Alecrim, larga de S. Roque, Flores e Horta
Secca; freguezia da Encarnação 1 a 48. [Velloso: 1869]
Colecção Alcídia e Luís Viegas Belchior, in CPF

Sunday, 18 September 2022

Theatro da Avenida

O Teatro [da] Avenida foi construído nuns terrenos que aqui possuía João Salgado Dias por iniciativa deste, ligado a Alexandre Mó, e a Ernesto Desforges. Inaugurou-se em 11 de Fevereiro de 1888 — recorda Norberto de Araújo — com as comédias «O Tio Torcato», em que entrou Taborda, e «De Herodes para Pilatos», com António Pedro.
Esta casa de espectáculos — que nunca caiu em cinema —  também está ligada à história do teatro português; foi o grande teatro de Sousa Bastos, e o palco de glória de Palmira Bastos, na mocidade. Não possui este Teatro, que alguns restauros sumários tem recebido, um maior interesse artístico.

Theatro da Avenida, em cartaz a revista Có-có-ró-có  |1912|
Avenida da Liberdade, 150-156
A fachada, de aparência simples, é composta por dois pisos: no rés-do-chão, quatro portas de madeira; no primeiro andar, uma varanda de ferro a toda a largura daquela; no cimo, um arco com a inscrição “Theatro da Avenida”.
Joshua Benoliel, in AML

Antes da inauguração, em 1888, informava o Diário ilustrado que «os peritos que ontem passaram vistoria a este Teatro encontraram-no nas melhores condições e com as mais prontas e rápidas saídas. A nova e elegante casa de espectáculos é inaugurada amanhã», acontecimento adiado «por não estarem ainda completos todos os trabalhos de ornamentação». Finalmente o Teatro abriu as suas portas ao público no dia 11 de Fevereiro e o mesmo jornal comentava: «Por um prodígio de actividade, raro em a nossa proverbial indolência, o Teatro da Avenida surgiu de um montão de escombros, no breve espaço de alguns meses, doirou-se, aformoseou-se, completou-se no rápido decurso de alguns dias, e abriu anteontem as suas portas ao público, que o contemplava, maravilhado, mal podendo crer no testemunho dos seus olhos. 

Teatro da Avenida  |c. 1930|
Avenida da Liberdade, 150-156
Esta sala de espectáculos abrira as portas na Avenida para tentar imprimir à nova artéria a centralidade
perdida com a demolição do Passeio Público, onde Lisboa se mostrava e se via.
Horácio Novais, in FCG

O Teatro é alegre, elegante, matizado de cores claras, brilhando à chama mordente do gaz, que o enche de luz. O balcão, guarnecido de cadeiras de cordovão escarlate e pregaria amarela, de um gosto original e moderníssimo, é muito bonito e desafogado, e talvez mesmo o melhor lugar do novo teatro. Os avant scènes são espaçosos e também muito elegantes, verdadeiros avant scènes parisienses. O pano de boca, à parte uma tal ou qual ausência de perspectiva, é de um grande efeito decorativo, especialmente do lado direito, que apresenta um toldo oriental, realmente bem pintado. À sua entrada em cena, os dois gloriosos artistas Taborda e António Pedro foram acolhidos com ruidosas salvas de palmas e uma chuva de camélias que se alastrou no palco, transformando-o em um florente jardim».

Teatro da Avenida  |ant. 1932|
Avenida da Liberdade, 150-156, junto à Rua do Salitre defronte do local do Monumento
aos Mortos da Grande Guerra. O Avenida nunca desvirtuou o seu primeiro propósito
– o teatro –, sendo dos poucos a resistir ao cinema e a outros apelos comerciais, manteve
sempre o nome e a identidade.
Pouco apelativo às elites, sempre foi o “popular Avenida”.
Eduardo Portugal, in AML

Em 1964, Vasco Morgado, empresário do Avenida, «empresta» o teatro à companhia Rey Colaço/Robles Monteiro, recém desalojada (devido ao incêndio) do Teatro Nacional D. Maria II, , acrescia à penúria já notada uma visível degradação do edifício. 
A companhia decidiu assumir a remodelação considerada essencial para a dignificação do espaço, suportando financeiramente as alterações técnicas e estéticas a cargo de Lucien Donnat. Amélia Rey Colaço investiu cerca de mil contos, “a verba recebida pelo Seguro, inferior ao valor perdido [com o incêndio do D. Maria II], que foi praticamente absorvida na remodelação da sala do Teatro Avenida que se encontrava num estado de abandono impróprio de receber uma Companhia oficial, [e] no equipamento eléctrico do palco” (Santos 1989: 262). A empresária cedeu, ainda, “mobiliário que era pertença sua: lustres, candeeiro de pé, tapeçarias, cortinados de veludo e jogos de maples que Amélia, devotada totalmente ao seu trabalho, levara da sua residência, ajudando com a sua iniciativa, e com os seus objectos, o engenho do decorador Lucien Donnat”.

Teatro da Avenida, interior  |1913|
Avenida da Liberdade, 150-156
Apresentação da revista Alerta!
Alberto Carlos Lima, in AML

No dia da reabertura do Teatro Avenida, a 6 de Fevereiro de 1965, a imprensa aplaudiu. 
Mas o élan não dura três anos. Às 21 horas e 20 minutos do dia 13 de Dezembro de 1967, a 25 minutos da apresentação de Feliz aniversário de Harold Pinter, ainda sem um único espectador no teatro, irrompe o fogo. Até então, o Avenida tinha levado à cena mais de 300 peças teatrais.
Foi demolido em 1970.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 39, 1939.
MOURA,  Nuno Costa, Teatro Avenida Hoje e sempre, fora dos eixos, APCT - Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, Sinais de cena 2. 2004, 

Friday, 16 September 2022

Avenida dos Estados Unidos da América com a Rua Guilhermina Suggia

A 30 Janeiro de 1941 é apresentado o «Projecto da Avenida dos Estados Unidos da América do Norte», elaborado pelo Engenheiro Manuel Botelho da Costa para a Direcção de Serviços de Urbanização e Obras (DSUO) da CML. A avenida começaria a ser contruída no início da década de 1950.
Entre 1949 e 1952, são erguidos os primeiros edifícios de de 4 pavimentos na avenida e na Rua Guilhermina Suggia [vd. 2.ª imagem], segundo projecto da autoria dos arquitectos Joaquim Ferreira e Orlando Azevedo.
 
Avenida dos Estados Unidos da América [1951]
Esquina com a Rua Guilhermina Suggia; foto tirada da Avenida Almirante Gago Coutinho.
Eduardo Portugal, in AML

Cinco anos após o seu falecimento, Guilhermina Suggia, a primeira mulher a fazer carreira de violoncelista a solo, entrou na toponímia alfacinha pelo Edital de 20/10/1955, na anteriormente designada Rua 59 do sítio de Alvalade, por sugestão do Vice-Presidente da Câmara, Luís Pastor de Macedo.
Guilhermina Augusta Xavier de Medim Suggia (1885–1950) foi uma violoncelista que desde cedo fez uma carreira internacional absolutamente extraordinária que além de grande reconhecimento lhe granjeou discípulas como Thelma Reiss ou Raya Garbousova.

Rua Guilhermina Suggia [c. 1952]
Antiga Rua 59 do sítio de Alvalade; perspectiva tirada da Av. dos Estados Unidos da América.
Fotógrafo não identificado, in AML

Sunday, 11 September 2022

Rua da Cruz dos Poiais

E, já interessada pelo roteiro da cidade, D. Maria Inácia comentou: — Afinal nesta Rua da Cruz dos Poiais não há poiais nem cruzes!
 — A Cruz dos Poiais rememora uma das muitas cruzes demarcatórias que havia pela cidade  — a cruz da Esperança — , onde as vereações aguardavam as noivas dos Reis de Portugal para a simbólica entrega das chaves da cidade, com cerimonial às vezes retumbantemente aparatoso, como quando da recepção de D. Maria Ana de Áustria, mulher de D. João V. Lindos costumes que já lá vão!¹

Chamava-se, em 1590, Rua da Cruz dos Cardais, denominação que se reeditou em 1659, pelo menos Em 1615 — recorda o insigne olisipógrafo Matos Sequeira — , passa a ser nomeada por Rua da Cruz de Jesus; em 1632, por Rua Fresca, englobando a actual Rua de Caetano Palha, e, em 1656, por Rua Larga de Jesus. O actual nome fixou-se no inicio do século XVIII.

Rua da Cruz dos Poiais com a Rua Eduardo Coelho |1908-05|
Antiga Rua da Cruz, antes Rua dos Cardeais
Machado & Souza, in AML
Rua da Cruz dos Poiais |1908-05|
Antiga Rua da Cruz, antes Rua dos Cardeais
Machado & Souza, in AML

Em 1633, desembocavam já, como hoje, neste arruamento, três serventias, do lado do nascente. Eram elas a primeira travessa da rua da Cruz, hoje beco da Cruz; a segunda travessa, que é o actual beco da Rosa, e a terceira travessa, que é a que hoje se chama da Peixeira. Seguia-se a rua da Arrochela, já por tal nome conhecida em 1628. O beco da Rosa era a antiga rua ou travessa do Fundidor.
Em 1646, vejo registada, nos assentos de óbito, a seguinte indicação: Rua de São Bento junto à rua do Fundidor. Em 1650 tinha apenas três fogos.

Rua da Cruz dos Poiais |1908-05|
Antiga Rua da Cruz, antes Rua dos Cardeais
Junto ao Palácio Alcáçovas (à dir. na 1ª imagem); ao fundo (à esq. na 2ª imagem) nota-se o Palácio dos Mendias sito entre a Travessa da Arrochela e Rua das Parreiras.
Machado & Souza, in AML



Rua da Cruz dos Poiais |1908-05|
Esquina com a Rua dos Poiais de São Bento
Machado & Souza, in AML




Rua da Cruz dos Poiais |1908-05|
Junto à Rua Pedro Dias
Machado & Souza, in AML



N.B. A origem do termo Poial, deve filiar-se em Podium que, na baixa latinidade, significava o monte, outeiro ou colina mais alta e acuminada. Estes Poiais serviam, identicamente, para ponto de referência de outras serventias, que se designavam nos Poiais, aos Poiais e ainda que vai para os Poiais, remontando tal sinonímia local a 1570.

Rua da Cruz dos Poiais com a  Rua das Parreiras |1908-05|
Antiga Rua da Cruz, antes Rua dos Cardeais
Machado & Souza, in AML
Rua da Cruz dos Poiais com a  Rua das Parreiras |1908-05|
Antiga Rua da Cruz, antes Rua dos Cardeais
Fachada nobre do solarengo e setecentista Palácio Mendia sito entre a Travessa da Arrochela e Rua das Parreiras
Machado & Souza, in AML

Bibliografia
¹ LEITÃO, Joaquim, Corações partidos: contos, 1947.
² SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Depois do terramoto: subsídios para a história dos bairros ocidentais de Lisboa, Volume 2, pp. 43-44, 1967.

Friday, 9 September 2022

Rua de Entrecampos, passagem de nível

Pela Rua de Entrecampos — diz Norberto de Araújo — antiga Estrada, que ligava o Campo Grande e o Anco do Cego, vai seguir a nossa jornada.
Antes da linha férrea encontramos, à direita, o primeiro Chafariz da Peregrinação de hoje, uma meia rotunda discreta. [...] Defronte corre uma Travessa Henrique Cardoso, dístico de Junho de 1926.
À esquina, e contigua ao apeadeiro de Entrecampos — em verdade uma pequena estação, ampliada e alindada em 1918 — está ainda uma velha «Adega Arco do Cego» [hoje é lá um restaurante], que data de 1892, último abencerragem dos retiros a par da Praça de Touros.

 Rua de Entrecampos (S→N), passagem de nível [c. 1950]
Refira-se que esta passagem de de nível e o apeadeiro se situavam junto à Travessa Henrique Cardoso (antiga Azinhaga  da Ceboleira) actualmente encurtada e passando, neste troço junto à  Rua de Entrecampos, a designar-se Rua Infante Dom Pedro.
Judah Benoliel, in AML

Esta artéria que se estende pelas freguesias de Nossa Senhora de Fátima, de São João de Deus e de Alvalade, do Campo Pequeno à Avenida dos Estados Unidos da América, era a antiga Estr. de Entrecampos, quando esta zona era extramuros da Lisboa Antiga.
No n.º 1 deste arruamento viveu e faleceu em 13 de Julho de 1885, Matias Ferrari, o dono da Pastelaria Ferrari e arrendatário do Marrare do Polimento, ambos estabelecimentos do Chiado. [cm-lisboa.pt]

Rua de Entrecampos(NS), passagem de nível [c. 1960]
Observe-se, à dir,. o muro em forma de meia-laranja do citado Chafariz de Entrecampos.
Arnaldo Madureira, in AML

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 67-68, 1939.

Sunday, 4 September 2022

Rua do Diário de Notícias que foi dos Calafates

A rua dos Calafates, parece ser arruamento dos homens d'este officio; em epocas bem remotas, existiam os calafates na Ribeira das Náus, e diz a tradição não serem menos de seiscentos, o que mostra evidentemente quanto eram importantes os trabalhos navaes.
Esta rua chrismou-se ultimamente com o nome de Diario de Noticias [1885], em attenção ao estarem alli estabelecidas as officinas d'aquelle popular jornal.
(in O recreio: publicação semanal litteraria e charadistica, Vol. X, p. 147, 1890)

Esta Rua dos Calafates é do século XVI, na designação e na orientação topográfica; seu nome adveio da circunstância de serem os calafates, trabalhadores de fainas navais lá de baixo, de Santos, da Ribeira das Naus, dos Remolares, os primeiros, talvez, a fazerem casas na retalhada Herdade de Santa Catarina, na banda do Alto. Foi em 31 de Dezembro de 1885 que, por edital, se transformou o dístico, tão «Bairro Alto» velho, em Rua do Diário de Noticias, tão «Bairro Alto» novo.
E porque estamos na Rua do Diário de Notícias — diz Norberto de Araújo — meia dúzia de palavras acerca deste importante órgão da imprensa portuguesa, o de maior tiragem em todo o país. Como é natural, Dilecto, o edifício de hoje [em 1938] difere sensivelmente, em aspecto e em extensão, daquele onde em 1860 blasonava a tabuleta a toda a largura como um título de página — da «Tipografia Universal», da Rua dos Calafates.

Rua do Diário de Notícias |1911|
Antigo edifício do Diário de Notícias na esquina com a Tv. do Poço da Cidade. 
Joshua Benoliel, in AML

Na primeira metade do século XVIII, já esta casa era de tipografia; o impressor, tão hábil na sua profissão quanto erudito, Francisco Luiz Ameno, manteve neste lugar a sua oficina. De 1820 a 1835 a casa pertenceu a um não menos afamado artista, José Baptista Morando, e foi nessa época que se publicou, saído dos prelos desta casa, o primeiro periódico contemporâneo vendido na rua, a «Guarda Avançada» (Fevereiro a Maio de 1835). [...] Foi então, e porque o negócio não ia próspero, apesar da boa clientela da Tipografia Universal (assim se chamava o estabelecimento gráfico), que Silveira Pinto propôs a compra da oficina a Tomaz Quintino Antunes, tipógrafo de nomeada entre editores e literatos, homem do povo, tão austero quanto empreendedor (1862). 

Rua do Diário de Notícias |1925|
Descarga de papel no antigo edifício do Diário de Notícias.
Foto Arquivo Global Imagens

Tomaz Quintino adquiriu o estabelecimento e, pouco depois, a propriedade de edifício. Imprimia-se então na Casa um jornal «O Conservador», de que era redactor Eduardo Coelho, homem culto e também empreendedor, muito relacionado com políticos e homens de letras e que por incidentes da vida se houvera feito tipógrafo da Imprensa Nacional durante algum tempo.
Tomaz Quintino e Eduardo Coelho resolveram, por proposta amadurecida do segundo, fundar um jornal, e que se publicaria na própria Tipografia Universal: o «Diário de Notícias». Apareceu o número de apresentação em 29 de Dezembro de 1864, e o primeiro número formal em 1 de Janeiro de 1865. A escritura da sociedade foi firmada em 20 de Abril desse ano.==

Rua do Diário de Notícias N→S |1911|
Junto ao antigo edifício do Diário de Notícias na esquina com a Tv. do Poço da Cidade.
Joshua Benoliel, in AML
Nota(s): o local da foto não está identificado no arquivo

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VI, pp. 18-19, 1939.
O recreio: publicação semanal litteraria e charadistica, Vol. X, p. 147, 1890.

Friday, 2 September 2022

Travessa da Boa Hora: Palácio dos Lumiares que foi solar dos Andrades

O Palácio dos Condes de Lumiares situa-se na entrada do Bairro Alto, ocupando a totalidade de um quarteirão que é confrontado a E. pela Rua de São Pedro de Alcântara, a S. pela Travessa Água da Flor, a N. pela Travessa da Boa-Hora e a O. pela Rua do Diário de Notícias.


No século XVI existiu no local uma quinta chamada dos Alteros, cujo proprietário, João de Altero de Andrade, ou Andrada, mandou edificar um imponente edifício que se manteve até ao século XVII. Porém e após alguns indícios de ruína, D. Leonor de Távora [vd. nota(s)] adquiriu o imóvel, deu ordens de demolição e fez construir o actual edifício (1703), vizinho do Palácio Ludovice. Apesar de apresentar uma fachada sóbria, no interior uma escadaria notável dá acesso ao primeiro andar, cujas janelas no interior estão decoradas por volutas e rematadas em arco contracurvado.

Travessa da Boa Hora: Palácio dos Lumiares que foi solar dos Andrades [c. 1900]
De acordo com Norberto Araújo, este topónimo advém «de uma Ermida de
N. Senhora da Conceição e da Boa Hora que existiu à esquina da Rua da Rosa; o seu
local perdeu-se».
À direita — no gaveto com a Rua do Diário de Notícias — vê-se o Palácio dos
Condes de Lumiares (ou Cunha e Meneses); ao fundo, a Rua de São Pedro de Alcântara.
Machado & Souza, in AML

Nota(s): D. Leonor de Távora — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , viúva de Tristão da Cunha, mãe e tutora de Manuel Inácio da Cunha e Menezes, senhor de um morgado instituído por Fernão Álvares de Andrada. Daquele Manuel Inácio foi neto o Conde de Lumiares, de nome Manuel Inácio também, casado com a 3.ª Condessa daquele título, e desta circunstância resulta o facto de a propriedade, que estamos contemplando, ter sido conhecida ate há meio seculo por «Palácio dos Lumiares». [Araújo, V, 1938]
A antiga entrada principal, com um átrio vasto, está (desde de longa data) toda aproveitada e alugada a lojas.
Mais recentemente (2014), o edifício foi adquirido por um grupo hoteleiro com projecto de reconstrução do imóvel para apartamentos de 5*, mantendo as fachadas exteriores.

Palácio dos Lumiares que foi solar dos Andrades [c. 1960]
Rua de S. Pedro de Alcântara, 27-37; Travessa da Boa-Hora, 1-11; Travessa da
Água da Flor, 16; Rua Diário de Notícias, 142.
Este troço da Rua de S. Pedro de Alcântara chamou-se durante tempo
«da Torre de S. Roque» e «da Torre do Relógio».
Armando Serôdioin AML

Sunday, 28 August 2022

Praça do Príncipe Real: a Patriarcal e a Praça do Rio de Janeiro

Estamos numa das praças mais lindas, e mais «alfacinhas» de Lisboa  — a Praça do Rio de Janeiro [e de novo, desde 1948, do Príncipe Real]. Deves ter no ouvido algumas das designações deste largo terreiro  e eu, — diz Norberto de Araújo —  sempre por curiosidade, tas relembro pela ordem das idades: «Chãos da Ferrôa» no século XVI, a mais antiga que se lhe conhece; «Alto da Cotovia», denominação que perdurou mesmo através de outros dísticos posteriores, municipais e populares; sítio das «Casas do Conde de Tarouca», cerca de 1755; «Patriarcal Queimada», depois de 1769; sítio das «Obras do Erário Novo», em 1810-1815; «Praça do Príncipe Real», em 1855; «Praça do Rio de Janeiro» depois de 1911.

Em boa verdade esta Praça é das mais modernas da capital, no seu aspecto urbano e paisagista; data assim de 1879. A sua regularidade é contudo notável, e respira um ar sadio, gozando desafogo, uma relativa tranquilidade, e oferecendo curiosos aspectos: pousio de «reformados» à sombra do velho cedro copado, com sessenta anos idade, brinco de crianças, jardim «de estar» dos nostálgicos e desocupados inocentes.
Pois, Dilecto, sentemo-nos também à sombra do cedro, ouvindo cantar o repuxo do lago, que mal se distingue no murmúrio afogado do conjunto entre o espesso arvoredo que tem resistido às devastações do tempo.

Praça do Príncipe Real |1940|
Antiga Praça do Rio de Janeiro
A praça foi traçada em 1853 e o jardim, plantado em 1869, projecto do jardineiro João Francisco da Silva. Em termos urbanísticos é um exemplo do Romantismo das últimas décadas do século XIX.
«O Príncipe Real é um largo deliciosamente arborizado. Do seu harmonioso conjunto, destacam-se o majestoso cedro, considerado de interesse público, a deliciosa araucária e os formosos ulmeiros, também como tal distinguidos e as decorativas palmeiras. A «araucária columnaris» (araucária colunar — Nova Caledónia), de aspecto altaneiro e delgado, forma com o corpulento «cupressus», uma estranha parelha, que aos espirituosos frequentadores do recinto não passou despercebida, e por isso atribuem esse local de recreio o dito popular de Jardim do Bucha e do Estica». [Lisboa em quatro horas e Lisboa em quatro dias, 1895]
Judah Benoliel, in AML

Um pouco antes de 1755, neste alto cômoro da Cotovia, sobranceiro sobre a ponta do Salitre e portas de Valverde — mais largo para norte do que é hoje [em 1938], depois de urbanizado — existia apenas o Palácio dos Penalvas, à esquina das actuais Escadinhas da Mãe d'Água, e ao fundo do curto Arco do Evaristo. No centro da actual Praça andava o Conde de Tarouca construindo um Palácio, e ao local, por isso, chamava o povo «Casas do Conde de Tarouca», e o povo crisma a seu bel-prazer os sítios e as coisas, de modo que as denominações acabam por entrar na linguagem oficial e, quando as Câmaras as alteram ou corrompem, levam lustros, levam até séculos a apagar-se.
O Terramoto abalou inteiramente o edifício Tarouca soerguido, resignando-se o fidalgo no infortúnio, e compondo versos sobre os destroços.
Como a Patriarcal, que estava assente na Capela Real do Paço da Ribeira, tivesse ardido no dia do horroroso cataclismo, deliberou-se, após hesitações, transferir a Basílica para os restos, de pé, do palácio Tarouca, na «Cotovia»; a bênção foi dada em 26 de Junho de 1756, e logo nesse ano se realizou uma procissão, depois repetida, que deu o nome à Rua da «Procissão» (desde há poucos anos denominada de «Cecílio de Sousa»). 

Praça do Príncipe Real |c. 1869|
Lago octogonal com repuxo; ao fundo notam-se as torres e zimbório da Basílica da Estrela. 
Ао repuxo dedicou Júlio de Castilho um hino de ternura, mais próprio de poeta, como o Mestre se mostrava muitas vezes: «Quando ele arroja, metros ao alto, as suas pérolas fluídas, decompondo a luz, sussurrando frescura, e espadanando-se todo vaidoso no azul da atmosfera, está, muito de industria, repassando as águas nos gazes aéreos que as vivificam e as tornam potáveis; pensa em nós; prepara para nós a melhor das bebidas; colabora na higiene da Cidade. Aquele tanque é um sábio: reconhece as leis da física; sabe que os líquidos, vindo de longe, impregnando-se do calcário dos canos, e morando lá em baixo às escuras, se tornam pesados; quer aligeirá-los , banhá-los de sol e de oxigénio. Aquele tanque é um poeta utilitário: mistura habilmente o Belo e o Bom. Olhemos pois com gratidão para esse pequenino Oceano de puríssimas linfas, que abastecem as cozinhas, e amanhã brilharão aos poucos nas nossas taças de cristal. [Lisboa Antiga: 1904]
Fotógrafo não identificado, in CPF

E a Igreja [armada em madeira] foi-se construindo, no edifício adaptado; era imponente: três naves, largo cruzeiro, quinze capelas, um zimbório oitavado, e anexos esplêndidos. Treze anos perdurou: a Patriarcal foi devastada por um terrível incêndio em 10 de Maio de 1769, obra criminosa de um empregado da Igreja, que pelo fogo queria ocultar seus sacrílegos roubos; foi justiçado, depois de lhe cortarem as mãos no próprio local onde os escombros fumegavam ainda. E aí está a origem da designação de «Patriarcal Queimada».[...]
As ruínas e montes de pedregulho ficaram por aqui durante dezenas de anos, ninho de valhacoutos. Em 1807 pensou-se em levantar no sítio o novo Erário Régio, a casa do Tesouro (pois ardera o do Rossio) mas o projecto, que era do Visconde de Vila Nova da Cerveira, não teve seguimento, embora se chegasse a começar a obra, e nela se gastassem alguns milhões de cruzados.
Em 1841 ainda o sítio continuava a ser vazadouro público e albergue de patifes. Só em 1856 se começou a terraplanar o local, que pouco depois recebeu iluminação. Já chamada «Praça do Príncipe Real», em 1859, começou então a estudar-se o seu aformoseamento, com a construção dum lago, por acordo entre a Câmara e a Companhia das Águas; os restos da «Patriarcal Queimada» foram então destruídos a tiros de pólvora.

Praça do Príncipe Real |1945|
Antiga Praça do Rio de Janeiro
 Localizado no subsolo da Praça, existe o Reservatório da Patriarcalprojectado em 1856 pelo eng. francês Mary. Construído entre 1860 e 1864 para servir a rede de distribuição de água da zona baixa da cidade. 
Eduardo Portugal, in AML
Praça do Príncipe Real |1945|
Antiga Praça do Rio de Janeiro
 No centro da praça está o monumento-memória a França Borges, o jornalista fundador de «O Mundo», foi erigido em 1924; é obra de Maximiano Alves; à dir. observa-se destaca-se o Cedro-do-Buçaço, árvore secular com mais de 20 metros de diâmetro.
Ferreira da Cunha, in AML

Em 1864 regularizou-se a disposição da Praça, tornando-a quadrada, e alinhando algumas edificações que entretanto se tinham erguido, o que tudo se concluiu em 1863. Construiu-se então a muralha sobre a Rua da Procissão e plantou-se este magnífico jardim, que estamos contemplando.
O «Príncipe Real» começou a existir, pequeno parque e logradoiro, com a sua ingenuidade, o seu repuxo e a sua «memória esquecida» de anteriores desgraças. E assim até hoje…==

Muralha da Praça do Príncipe Real sobre a Rua Cecílio de Sousa, antiga da Procissão |1960|
Terraço, com varanda, assente sobre muralha, que se ergueu em substituição da velha ribanceira, que por longos tempos existiu. Esta obra faz parte do arranjo geral da praça, foi concluída em 1864 e custou 3.208$400 réis. Numa lápida elucidativa, lê-se: «A Câmara Municipal mandou construir no ano de 1863». Por dois caminhos laterais, conduz à Rua da Procissão, que começou por chamar-se do Corpo de Deus e Cotovia ou simplesmente do Corpo de Deus. É hoje Cecílio de Sousa (desde 1926) a rua onde morou em 1869 o paciente bibliófilo Inocêncio Francisco da Silva, e se chamou desde 1756, ano em que, da nova Basílica Patriarcal, já implantada nas «Casas do Conde de Tarouca», saiu o grande cortejo religioso comemorativo do solene dia do Corpo de Deus.
Armando Serôdio,in AML

N.B. A Praça tem este nome em homenagem ao filho primogénito da Rainha D. Maria II, o futuro rei D. Pedro V — nasceu no Palácio das Necessidades, a 16 de Setembro de 1837, recebendo o nome de Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António Leopoldo Vítor Francisco de Assis Júlio Amélio; morrendo no mesmo local, a 11 de Novembro de 1861.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, pp. 65-68, 1938.

Friday, 26 August 2022

Varinas na Ribeira Nova

Poucas horas depois começam as varinas a aparecer, os pés descalços, as pernas nuas, roxas de frio, apregoando o carapau, a pescada marmota, a «salpicadinha da costa».
Que bellos corpos de varinas, alguns! E tão mal tratados pela intempérie, ao passo que outros muitos, bem menos esculpturaes por certo, dormem ainda afofados em brandos colchões de sumaúma...
(PIMENTEL, Alberto, Vida de Lisboa, p. 53, 1900)

Varinas na Ribeira Nova (Cais do Sodré) |1928|
...os pés descalços, as pernas nuas, roxas de frio...
Estúdio Mário Novais, in FCG

Sunday, 21 August 2022

Palácio Tomar

O Palácio Tomar situa-se na Rua de S. Pedro de Alcântara, frente à fachada lateral da Igreja de São Roque e esquinando para a Travessa do Guarda-Mor [actual Rua do Grémio Lusitano]. É uma construção simples e despretensiosa de fisionomia acentuadamente utilitária. 


Palácio urbano mandado edificar, na 2ª metade do séc. XIX, por iniciativa de António Bernardo da Costa Cabral (1803-1889), 1º conde e 1º marquês de Tomar. De planta em L e volumetria paralelepipédica desenvolve-se em quatro pisos (um deles parcialmente enterrado e outro ao nível da cobertura), cunhais e soco de cantaria articulados com alçados rasgados a ritmo regular, por vãos predominantemente de verga recta destacada

Palácio Tomar |1928-01-21|
Rua de São Pedro de Alcântara, 1-3; Rua do Grémio Lusitano, 1-3
Nesta data encontrava-se instalado no palácio o Royal British Club.
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Vestígios de construção setecentista alternam com acrescentamentos do século XIX, criando um estilo simbiótico de certo interesse. Ao gosto tradicional português, tem um andar nobre de certa importância cujo ritmo se encontra nas aberturas dos grandes portões de acesso. O remate sobre a cornija assim como pormenores do enquadramento das janelas acusam oitocentos.

Palácio Tomar |1969|
Rua de São Pedro de Alcântara, 1-3; Rua do Grémio Lusitano, 1-3
A Câmara Municipal de Lisboa adquire o imóvel em 1970.
Vasco Gouveia de Figueiredo, in AML

O interior, muito alterado por ocupações sucessivas e utilitárias é contudo enobrecido por uma escadaria monumental e trabalhos de estuque de sabor neoclássico. Em termos arquitectónicos e artísticos, recorre a soluções decorativas que incluem o estuque, o couro, o vidro pintado e colorido, o reboco pintado, o azulejo, o ferro forjado, entre outros materiais.

Palácio Tomar, portão |1969|
Rua de São Pedro de Alcântara, 1-3; Rua do Grémio Lusitano, 1-3
Esta artéria foi alternando sucessivamente o seu nome entre Travessa do Guarda-Mor e Rua do Grémio Lusitano [vd. N.B.].
Vasco Gouveia de Figueiredo, in AML

N.B. A Travessa do Guarda-Mor — recorda Norberto de Araújo — , que assim voltou a chamar-se no ano passado [1937], foi , durante quási meio século, designada por Rua do Grémio Lusitano, em virtude da existência aqui da casa central da Maçonaria — Grémio Lusitano — e e cuja actividade findou, por ordem superior, há sete anos. [...]
Por edital de 10/10/1977 fixou-se a designação que tem até hoje de Rua do Grémio Lusitano.
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Bibliografia
SANTANA, Francisco Gingeira, Monumentos e edificios notaveis do distrito de Lisboa, Vol. 5, 1975.

Friday, 19 August 2022

Cinema Império

Projectado pelo arq. Cassiano Branco em 1947, foi construído entre 1948 e 1952, traduzindo uma linguagem arquitectónica modernista. Classificado como Imóvel de Interesse Público, é um edifício com uma notável dimensão urbana, de planta rectangular e bloco único, que se impõe pelo seu volume compacto. 

Cinema Império [c. 1952]
Alameda Dom Afonso Henriques; Av. Alm. Reis; Rua Quirino da Fonseca
Em cartaz, o filme "La beauté du diable" (título original), estreado por cá em 24 de
Maio de 1952 com o título "O Preço da Juventude".

Estúdio Horácio Novais, in FCG
 
Cassiano Branco — diz Margarida Acciaiuoli nos seus Cinemas de Lisboa imediatamente percebeu, quando lhe foi encomendado o projecto em 1945, pela Sociedade Cinematográfica Império, Lda., que a sua experiência no traçado destes equipamentos, o modo como os pensara e as soluções que mais recentemente avançara para O Coliseu do Porto, inaugurado em 1940, faziam com que esta encomenda fosse encarada como um importante desafio.
Mas não é possível compreender o que estava em jogo sem entrar na história do local.
É importante sublinhar que o projecto se destinava a aproveitar um lote de terreno que existia na confluência da Avenida Almirante Reis com a Alameda D. Afonso Henriques, cujas traseiras davam para a Rua Quirino da Fonseca (antiga Alves Torgo, vd. 2.ª imagem).

Lote de terreno na confluência da Avenida Almirante Reis com a Alameda D. Afonso Henriques [ant. 1952]
No cartaz afixado no prédio junto ao lote vago pode ler-se: «Terreno para a construção do Cine-Teatro Império»; ao fundo -se parte da Rua Quirino da Fonseca.
Judah Benoliel, in AML

A sua fachada principal, exibindo uma ampla estrutura envidraçada, que define a totalidade de altura da sala, articula-se com os alçados laterais através de elementos verticais coroados por esferas armilares em ferro forjado (actualmente desaparecidas).

Cinema Império [c. 1952]
Alameda Dom Afonso Henriques; Av. Alm. Reis; Rua Quirino da Fonseca
Em cartaz, o filme "La beauté du diable" (título original), estreado por cá em 24 de Maio de 1952 com o título "O Preço da Juventude".
Estúdio Horácio Novais, in FCG
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