Sunday, 12 July 2026

Rua Cidade de Manchester

Há em Lisboa o bairro dos Açores, o das Colónias [vd. ultimq imagem dir.], e, passeando dentro da cidade por longes terras da estranja, o de Inglaterra com as ruas de Manchester, Liverpool, Cardiff, etc., recantos da Suíça, na Avenida de Berna, evocações da América na Praça do Chile, na Rua de Buenos Aires, na Praça do Brasil [actual Largo do Rato] e na do Rio de Janeiro [actual Principe Real]. [Ocidente: 1939]


O topónimo Cidade de Manchester foi atribuído juntamente com os topónimos Cidade de Liverpool, Cidade de Cardiff, Poeta Milton e Newton, por edital de 29 de Agosto de 1916. Na sessão de 17 do mesmo mês, a câmara havia inicialmente homenageado Lord Byron, substituído no edital por Isaac Newton. Este conjunto de arruamentos ficou conhecido como Bairro de Inglaterra. Eram arruamentos particulares que formavam o Bairro de Braz Simões, denominado em homenagem ao seu proprietário, José Braz Simões de Sousa, um grande comerciante de Lisboa, que o entregou à C.M.L. por escritura em 13 de Outubro de 1913.

Rua Cidade de Manchester |1966-03|
Antiga Rua Isabel Leal do Bairro de Inglaterra ou de Braz Simões. 
O Bairro de Inglaterra foi construído depois do Bairro Andrade e antes do Bairro das Colónias, e abrange as abrange as encostas da Penha.
Escadinhas na esquina com a Rua Cidade de Cardiff, observando-se em cima a Rua da Penha de França.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Curiosamente, à semelhança do que aconteceu no Bairro Andrade, Braz Simões deu aos arruamentos nomes de familiares ou amigos. Assim, a Rua Cidade de Manchester chamava-se anteriormente Rua Isabel Leal, a Rua Cidade de Liverpool era a Rua José de Sousa, a Rua Cidade de Cardiff [vd. 1ª imagem] correspondia à Rua Maria Gouveia, a Rua Lord Byron (mais tarde Rua Newton) era a Rua Aurora e, por fim, a Rua Poeta Milton era a Rua Margarida.
[1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Rua Cidade de Manchester, 9 |1964|
Notam-se as Ruas Ilha do Príncipe e Poeta Mílton dir.
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente
Rua Cidade de Manchester [c. 1945]
Vista tomada da R. da Ilha do Príncipe
Fernando M. Pozal, in Lisboa de Antigamente

Friday, 10 July 2026

Lisboa: do Tejo a Monsanto

Ó macio Tejo ancestral e mudo


Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
«Lisbon Revisited (1923)»Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).

Lisboa: do Tejo a Monsanto |1967|
Vasco Gouveia de Figueiredo, in Lisboa de Antigamente

Lisboa: do Tejo a Monsanto |c. 1920|
Antes de ser erigida Estação Sul e Sueste; Terreiro do PaçoArsenal de Marinha
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 5 July 2026

Palácio Figueira (ou de Santo André)

O Palácio Figueira, a Santo André, de sólidos cunhais nas prumadas extremas das suas faces, mas que não atingem toda a altura do edifício, assinala-se pela sua primitiva fachada principal orientada a Sul, e pelo robusto portal que a domina, caracterizadamente seiscentista, constituindo no exterior um curioso monumento de fisionomia lisboeta.

Palácio Figueira, a Santo André, situado entre o alto da calçada desta denominação e o começo da Calçada da Graça, é uma construção pesada, acentuadamente seiscentista (c. 1563), na qual avulta o portal nobre da fachada principal.

Palácio dos Condes da Figueira, portal nobre seiscentista |193-|
Largo Rodrigues de Freitas antigo de Santo André e, ao fundo, o trecho final da Costa do Castelo. Neste local existiu, até 1913, o Arco de Santo André. 
Portal nobre da época da fundação, em cantaria e tipologia semelhantes às das fortalezas seiscentistas. Pedra de armas da família Mendoça, que parece não ser a primitiva, franchada, com legenda, dividida por dois ângulos do brasão, AVE MARIA. (Araújo: 1949)
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O seu núcleo fundamental remonta aos fins do século xv, e foi erigido por um fidalgo, João de Memdoça, cognominado «Cação», a quem D. João II, cerca de 1490, deu licença para que construísse casa junto à muralha da cerca e postigo de Santo André. A casa solarenga fora já reedificada, quasi desde os fundamentos, no meado do s4culo XVII, apenas com um andar, e em 1676, quando do casamento da senhora Mendoça com o 2.ª Montebelo, o palácio foi acrescido de um andar nobre, recebendo ainda ampliações e beneficias. É este o actual Palácio de Santo André, que pouco dano sofreu pelo Terramoto [...]
Em 1822, D. Maria Amália Machado de Mondoça casa-se com o 1º Conde da Figueira, D. José de Castelo Branco Correia e Cunha de Vasconcelos e Sousa. Assim, o Palácio dos Mendoças entra na Casa Figueira.

Palácio dos Condes da Figueira |194-|
Largo Rodrigues de Freitas antigo de Santo André com a Calçada da Graça
Fachada Poente, no começo da Calçada da Graça, com dois corpos distintos, sendo, o de baixo, com quatro janelas de sacada, correspondente ao edifício primitivo, e o que lhe fica contíguo, mais alto e avançado, e de uma feição diferente do palácio seiscentista, enobrecido por portal nobre, da fundação do edifício e actual acesso ao palácio) de tipo setecentista.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Em 1913 foi demolido o pitoresco Arco de Santo André, da Cerca de D. Fernando, contiguo ao palácio, e que, superiormente, punha este em ligação com as casas da entrada da Costa do Castelo.==

Nota(s): O desaparecido Elevador da Graça, semelhante ao da Estrela-Camões, percorria o trajecto Largo da Graça, Largo e Calçada de Santo André (contornando o Palácio Figueira), Calçada dos Cavaleiros, Rua da Mouraria, Carreirinha do Socorro e Rua Nova da Palma, surgindo a maior dificuldade na transposição do velho Arco de Santo André.

Calçada da Graça |c. 191-|
Palácio Figueira, portal setecentista.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Calçada da Graça — onde se encontra a Fachada Poente com seu portal setecentista deve o nome do antigo Convento de N. S. da Graça, começado a construir em 1271 no local conhecido por Almofala, que era um pequeno arrabalde mourisco extramuros quando as tropas de D. Afonso Henriques aí acamparam durante o cerco de Lisboa. A Almofala mourisca tornou-se no bairro da Graça lisboeta repetida na Rua, Largo e demais topónimos que invocam aquele convento.
____________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, pp. 12-14, 1938.
idem, Inventario de Lisboa, Fasc. VI, 1949.

Friday, 3 July 2026

Calçada do Cascão com o Campo de Santa Clara

Cascão (calçada do) Primeira á esquerda na rua do Paraizo, indo da rua dos Remedios e finda no campo de Santa Clara, freguezia de Santa Engracia 2 a 36 e 1 a 27. [Velloso: 1869]

Esta serventia — lembra Pastor de Macedo — foi a travessa q vay da porta da cruz p.ª o campo de stª clara’ (1565) e foi também a rua de Álvaro do Avelar, nome que lhe vemos dar em 1598, mas que decerto já o usufruía muitos anos antes (Macedo: 1940).

Calçada do Cascão com o Campo de Santa Clara |1921-12-04|
Cerca do ano 1854 esteve instalada neste edifício a Fábrica de Botões de Henrique Schalck
cuja designação, por esta altura, ainda se pode ver na moldura da porta (ampliando  imagen.) com o n.º de polícia "39" 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): local da foto não está identificado no arquivo.

N.B. Álvaro de Avelar (séc. XVIresidia e possuía nesta rua várias casas que foram herdadas pela sua filha Inês Ferreira. Esta, por ter vivido sempre solteira fez herdeira a sua irmã, Violante de Aguiar, que tinha já casado com o tratador de mercadorias João de Cascão, que foi aquele que acabou por dar o nome à artéria que, em 1625, já se denominava Rua de João de Cascão. A partir de 1831 e até à 2ª metade do século XIX passou a ser a Travessa de João de Cascão e só mais tarde, mudou para a categoria de Calçada[Machado: 1998]

Calçada do Cascão com o Campo de Santa Clara |195-|
Edifício apalaçado datado do meado do século XIX.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 28 June 2026

Rua Carlos Testa

Passada a pequena Rua Carlos Testa, à direita, chegamos ao cruzamento da Avenida António Augusto de Aguiar com a Rua Marquês de Fronteira. [Araújo: 1939]

Essa serventia, anunciada por edital em 1903, já consta na planta topográfica de 1909, elaborada por Júlio António Vieira da Silva Pinto. [Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa,, Comissão Municipal de Toponímia, Lisboa, 2000]

Rua Carlos Testa |1958|
Ao fundo nota-se a Av. Antonio Augusto Aguiar. Perspectiva tirada do Largo de S. Sebastião  da Pedreira onde os eléctricos da circulação davam a volta para Duque de Ávila.
Legenda no abandalhado amL: «Mudanças de linha dos eléctricos em São Sebastião da Pedreira»
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

N.B. O topónimo homenageia Carlos André Testa (1823–1891) que seguiu a carreira naval até alcançar o posto de contra-almirante, sendo responsável pela renovação da frota portuguesa na segunda metade do século XIX.

Rua Carlos Testa |191-|
Perspectiva tomada da Av. Antonio Augusto Aguiar no sentido do Largo de S. Sebastião da Pedreira. O prédio de gaveto encontra-se demolido.
Alberto Carlo Lima, in Lisboa de Antigamente

Friday, 26 June 2026

Pátio do Pinzaleiro

Esta abertura do Pátio do Pinzaleiro — diz Norberto de Araújo —, que tem o seu eirado no começo das Janelas Verdes, não possui pitoresco algum. [Araújo: 1938]

Não se conhece a origem do topónimo desta pequena serventia que liga a Av. 24 de Julho à Calçada de Santos/Janelas Verdes. Sabe-se, no entanto, pelo "Anuario del comercio de 1908", que neste local terá residido um tal Domingos Pinzaleiro conhecido na capital por possuir uma empresa de carruagens de aluguer: coupés, landaus, etc. É, pois, provável que o topónimo derive do nome deste afamado morador.
[Machado: 1998]

Pátio do Pinzaleiro |1946|
Ao cimo espreita o antigo palácio dos Condes de Murça na Calçada Ribeiro Santos (antiga Rampa de Santos). 
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 21 June 2026

Rua de Barros Queirós que foi Tv. de S. Domingos

Sobre o sítio de S. Domingos refere Norberto de Araújo o seguinte:
S. Domingos — Dilecto — é uma crónica viva de Lisboa, com as suas imediações da Praça da Figueira, com o seu trânsito obrigatório, pela Rua Barros Queiroz e Calçada do Garcia, formigueiros de gente, que desce dos Anjos, dos bairros novos, ou de Sant'Ana velha. [...] [Araújo: 1939]

Rua de Barros Queirós que foi Tv. de S. Domingos (até 1926) |1970|
Na direcção do Largo de S. Domingos.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

A antiga Travessa de S. Domingos é actual Rua de Barros Queirós, em homenagem a "Tomé José de Barros Queiroz" — como refere Velloso no seu utilíssimo livrinho sobre as ruas de Lisboa:
Domingos (travessa nova de S.) primeira á esquerda na rua nova do Amparo, indo da rua do Amparo e finda na rua nova de S. Domingos, freguezia de Santa Justa 2 a 56 e 1 a 69. [Velloso: 1869]

A este topónimo foi inicialmente acrescentada a legenda «Ilustre cidadão, vereador da 1ª Câmara Municipal Republicana de Lisboa - 1926». Mais tarde, por parecer da Comissão Municipal de Toponímia em reunião de 19/05/1950, retiraram-se dos letreiros as palavras “Ilustre Cidadão – Vereador da 1ª Câmara Municipal de Lisboa – 1926” e acrescentou-se a partícula “de”.

Rua de Barros Queirós que foi Tv. de S. Domingos (até 1926) |1970|
Perspectiva tomada da R. Dom Duarte com a R. da Palma.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Friday, 19 June 2026

Rua Viriato, 5

Prémio Valmor de 1917


O Prémio Valmor de 1917 foi atribuído a um edifício de habitação, composto por cinco pisos, na Rua Viriato, 5 que pertencia a António Macieira Júnior e cuja arquitetura se deve a Ernesto Korrodi. Apesar de o júri ter hesitado, referindo que "parte dos materiais empregados na fachada (...) estão mascarados com argamassa, do qual resulta não se conhecer logicamente a função da parte estrutural da obra", considerou que este seria um "belo edifício (...) quanto à composição da fachada, como (...) da planta (...) com detalhes felizes". [patrimonio.pt]

Rua Viriato, 5 |1952|
Prémio Valmor de 1917
Antiga R. Rua Barros Gomes (1913)
Gustavo de Matos Sequeira, in Lisboa de Antigamente


N.B. Viriato foi um Chefe militar lusitano, crê-se que terá vivido no século II a. C., tendo sido um dos mais importantes chefes que liderou o povo contra o domínio que Roma exerceu na Península Ibérica.

Sunday, 14 June 2026

Rua dos Anjos e a Avenida que também o foi

Anjos (rua direita dos) principia no largo do Intendente, indo da rua do Bemformoso e finda no largo de Santa Barbara, freguezia dos Anjos 2 a 244 e 1 a 215. [Velloso: 1869]

Luís Pastor de Macedo, na sua obra Lisboa de Lés-a-lés, descreve do seguinte modo o remoto historial deste topónimo:
Nome por que actualmente é conhecida parte da antiga estrada de Santa Bárbara. Em 1712 Carvalho da Costa designa-a por rua acima da Igreja até o lugar de Arroios, incluindo também nesta designação a actual rua de Arroios. Passando depois a ser denominada rua Direita dos Anjos, fixou-se a sua extensão por edital do governador civil de 1 de Setembro de 1859, a qual ficou compreendida entre os largos do Intendente e de Santa Bárbara. (...).

Rua dos Anjos |1907-07|
Antiga Rua Direita dos Anjos; ao fundo vislumbra-se a Av. Almirante Reis [vd 2º imagem]
onde continuavam os trabalhos de desmantelamento da antiga igreja dos Anjos. 

Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): A primeira referência que se faz a uma Avenida que "ligasse a Igreja dos Anjos (a antiga) e as portas de Sacavém (em Arroios)" pertence a Ressano Garcia, numa sessão da Comissão de obras da Câmara no ano de 1877.
Assim, em 1903, foi aberta a Avenida dos Anjos (1895) — troço da Palma até à Alameda — depois Avenida Dona Amélia (1903-1910), que viria a ser mais tarde designada por Avenida Almirante Reis (05/11/1910). Foram destruídos vários quarteirões nesta área permitindo por outro lado, a construção de novos e mais modernos edifícios o longo da recente e ampla avenida. (Unidade Projecto Mouraria, 2009).

Rua dos Anjos no cruzamento Avenida Almirante Reis |1940|
A antiga igreja dos Anjos situava-se na esquina da Rua dos Anjos e em parte do leito onde assenta hoje a Av. Almirante Reis [onde se vêem os carros eléctricos]. À dir. nota-se parcialmente o edifice que albergou a afamada Pharmácia Bezelga.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Friday, 12 June 2026

Avenida Dom Vasco da Gama

Em 8 de Abril de 1948, a Comissão de Toponímia reuniu-se para avaliar uma lista de personalidades a serem homenageadas nos arruamentos da Encosta da Ajuda, entre elas Vasco da Gama. Após visita aos arruamentos, as designações foram aprovadas em 12 de abril de 1948. O topónimo Avenida Dom Vasco da Gama foi oficializado por edital em 29 de Abril de 1948, substituindo a antiga “avenida A.B.”. [1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Avenida Dom Vasco da Gama |195-|
Perspectiva tomada da Av. do Restelo na direcção do rio.
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Vasco da Gama nasceu em Sines por volta de 1468, foi filho do marinheiro de D. João II Estêvão da Gama, e entrou para a História de Portugal como o navegador a quem se ficou a dever a descoberta do caminho marítimo para a Índia.
Vasco da Gama (1468?-1524) repousa no Mosteiro dos Jerónimos juntamente com os reis D. Manuel I e D. João III, Luís de Camões, Alexandre Herculano e Fernando Pessoa. Uma estátua sua, em conjunto com as de Nuno Álvares Pereira, Viriato e Marquês do Pombal, encima o Arco da Rua Augusta, terminado em 1875.

Avenida Dom Vasco da Gama, na direcção da Av. do Restelo |1961|
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 7 June 2026

Rua da Palma, esquina com o Largo do Intendente Pina Manique

Esta Rua [da Palma], desafogada, hoje constituindo uma única artéria, das traseiras de S. Domingos ao Intendente, divide-se em dois troços — recorda o ilustre Norberto de Araújo. O primeiro chega só à Guia e é muito antigo, havendo sido nos séculos velhos arruamento dos comerciantes alemães que cultivavam religiosamente a lenda da palma que florira na sepultura do cavaleiro cruzado Henrique, sacrificado na Tomada de Lisboa, em 1147; [...]

Rua da Palma, esquina com o Largo do Intendente Pina Manique |1944|
Em segundo plano observam-se os edifícios na Rua do Benformoso.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O segundo troço, «Rua Nova da Palma», data de 1862, e chegava até aqui ao Socorro, começando gradualmente a prolongar-se até ao Intendente; a Câmara começara a comprar terrenos de hortas e campos, que por aqui existiam, desde o ano de 1776.==
(ARAÚJO, Norberto de, «Peregrinações em Lisboa», vol. IV, pp. 24-25)

Rua da Palma, entrada para o Largo do Intendente Pina Manique |1969-12|
 João Goulart, in Lisboa de Antigamente

Friday, 5 June 2026

Rua do Instituto Dona Amélia

Antigo "arruamento sem nome que começa na Avenida 24 de Julho e finda na Rua da Ribeira Nova, entre o Mercado 24 de Julho e o edifício da A.N.T." fundada pela Rainha Dona Amélia de Orleães e Bragança em Junho de 1899.

A Comissão de Toponímia, no dia 22 de Maio de 1946, realizou uma visita a alguns arruamentos da cidade, a fim de estudar a respectiva nomenclatura, no decurso da qual foi resolvido propor “que o arruamento sem nome que começa na Avenida Vinte e Quatro de Julho e finda na Rua da Ribeira Nova, entre o Mercado vinte e quatro de Julho e o edifício da Assistência Nacional aos Tuberculosos, tenha a denominação de Rua do Instituto Dona Amélia”.

Rua do Instituto Dona Amélia |post. 1910|
À esq. notam-se os prédios na Rua e Praça da Ribeira Nova e na R. dos Remolares com parte do edifício da Assistência Nacional aos Tuberculosos à dir..
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

O topónimo Rua do Instituto Dona Amélia foi oficializado pela Câmara Municipal de Lisboa através de Edital de 18/12/1947. [1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Rua do Instituto Dona Amélia |1960|
Perspectiva tirada da Rua da Ribeira Nova observando-se à dir. o actual Mercado 24 de
Julho rendo defronte o antigo edifício da extinta A.N.T..

Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 31 May 2026

Beco dos Fróis (ou do Froes)

Froes (beco do) fica à esquerda da egreja do Menino de Deus e finda no largo de Santo André, freguezia de Santo André 2 a 10 e 1 a 27. [Velloso: 1869]

Este beco, ao Menino de Deus, parece ter ficado gravado na memória de Lisboa desde tempos antigos, sobretudo porque ainda abriga casas quinhentistas. O topónimo já constava na freguesia de Santo André nas descrições paroquiais anteriores ao Terramoto, e a explicação mais provável para a sua origem é que venha de uma família Fróis que tenha vivido por ali. [Machado: 1998]

Beco dos Fróis |1968-10|
Vista tomada do Largo Rodrigues de Freitas antigo de Santo André.
João Goulart, in Lisboa de Antigamente

[...] o Beco do Froes, em cotovelo, recanto humilde, do tipo pitoresco inocente, que guarda flores a espreitar das gelosias. [Araújo:1943]

 

Beco dos Fróis (ou do Froes), dístico toponímico |1968-10|
João Goulart, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): imagem de baixa qualidade com os cumprimentos do abandalhado amL - pago
com o dinheiro dos contribuintes. A imagem pode ser observada aqui em todo o seu
incompetente e ignominioso esplendor (agora acrescida do ilegal borrão camarário).

Friday, 29 May 2026

Estr. de Benfica, 674: Vila Ana e Vila Ventura

Vila Ana e Vila Ventura são duas vilas (Chalets) centenárias mandadas construir por uma família portuguesa regressada do Brasil, situadas no nº 674 da Estr. de Benfica. Os seus projectos datam de 1890 e 1910, respectivamente.
São os últimos vestígios históricos e arquitectónicos (apelidado como “Casas do Brasileiro”) das casas apalaçadas e quintas que existiam na freguesia de Benfica. Ali viveu o General Spínola e o escritor Luiz Pacheco.

Estr. de Benfica, 674: Vila Ana e Vila Ventura |1968|
Vila Ana, cujo nome homenageia a mãe da promotora - D. Maria Gertrudes da Conceição Macedo de Barros, e Vila Ventura, cujo nome homenageia o pai daquela. 
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Alinhadas em espelho, dois andares de cinco janelas por piso, ladeadas cada uma por um torreão de quatro águas e outro de duas. Toques de gosto de quem construiu para servir ou fazer inveja a quem passa: os torreões têm janelas redondas, em óculo, e as telhas das cumeeiras são rematas por friso de elementos decorativos.

Campo de futebol da Quinta da Feiteira |1911-05-21|
Ao fundo, na Estr. de Benfica, vislumbram-se as Vilas Ana (1890) e Ventura (em construção). À dir. vê-se a igr. de Benfica.
Legenda no abandalhado amL «Equipa da Associação de Futebol de Lisboa que jogou com os estudantes de Bordéus e ganhou por 5-1»
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 24 May 2026

Rua do Carrião

Em 1567, com a construção da ermida de S. José de Entre-as-Hortas, se começou a povoar toda a área dessa parte da cidade, que então se dilatava por entre cardais e terras de cultivo. A Rua do Carrião era das mais antigas da freguesia de S. José criada em 1567, devendo o nome ao apelido de familia abastada, estabelecida por esses sitios talvez desde meados do século XVI. Um João de Carrião, acaso o que denominou a rua deixou certas obrigações de missas à irmandade do Santíssimo da paróquia.
O vocábulo "Carrião" parece ser a adaptação portuguesa do castelhano "Carrion", nome de várias povoações espanholas, e nomeadamente daquela perto da qual se feriu, em 1037, a batalha que acabou com a dinastia de Leão, pela morte de um dos contendores, Bernardo III. Não é improvável que os «de Carrião» fossem provindos de descendência castelhana.
No «Livro das Plantas» figura esta rua como do Carreão, na freguesia de S. José [...]. [BRITO: 935]

Rua do Carrião |1908|
Cruzamento com a R. do Cardal de S. José (dir.) vendo-se a R. de São José ao fundo.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

N.B. A 17 de Novembro de 1907, Aquilino Ribeiro veio a ser preso como anarquista em resultado da explosão verificada no número 3 da Rua do Carrião quando rebentaram no seu quarto engenhos de fabrico artesanal que tinha acedido em guardar por apenas dois ou três dias e em que morreu inclusive um carbonário. A revolução estava em marcha.
Em 12 de Janeiro evade-se da esquadra do Caminho Novo (R. das Francesinhas), vivendo escondido em Lisboa, durante algum tempo.
A 1 de Fevereiro de 1908 dá-se o regicídio.

Rua do Cardal de S. José com a Rua do Carrião |1908|
Ao fundo corre a R. da Fé onde observa portal e fachada lateral da
Igreja de S. José dos Carpinteiros.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Friday, 22 May 2026

Calçada de São Francisco

Deste alto do Monte Fragoso — recorda Norberto de Araújo — , depois Alto de S. Francisco, dominava o mar e parte da Baixa, como ainda hoje, a despeito das altas construções urbanas. O sítio era ideal, na expressão de hoje.
A edificação da Igreja dos Mártires (1147-48), e, depois, a do Convento de 5. Francisco (1217), [e que emprestou o nome a esta serventia] logo nobilitaram o local através do espírito religioso, e da sua consequente projecção social.
Pelo decorrer dos séculos XIII e XIV S. Francisco engrandeceu-se, e os palácios nobres surgiram, timidamente, aqui e ali.
O Terramoto varreu tudo, e nas reedificações e urbanização nem vestígios ficaram desse «Bairro de S. Francisco. [Araújo: 1939]

Calçada de São Francisco, 17 |c. 1957|
Encimando a imagem nota-se o Palácio dos Condes de Vila Franca (ou Bessone). À esq., detrás
Nota(s): Inaugurada em 1914, a carreira 28 teve várias versões e desdobramentos. 
 Entre 1947 e 1973 - R. CONCEIÇÃO (Rossio, no serviço nocturno, domingos e feriados) - PRAZERES (na foto).
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 17 May 2026

Desmontagem do Arco da Rua de São Bento

Construído em 1758, este arco estava integrado na Galeria da Esperança do Aqueduto das Águas Livres. Foi desmontado em 1938-39 em consequência das obras de remodelação do espaço em frente do Palácio de São Bento.
Esteve desmontado durante décadas, primeiro nos jardins do Palácio da Ajuda e depois na Praça Espanha, onde foi finalmente reconstruído em 1998.

 Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1938-12-15|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O Arco de S. Bento é de ordem dórica e conduzia a água para o chafariz da Esperança. É, tal como o das Amoreiras, seu gémeo, mas sem a imponência  deste que celebra, triunfalmente, a entrada das águas na cidade.

  Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1938-12-15|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

De acordo com o olisipógrafo Matos Sequeira a parte da moderna rua deste nome, desde o entroncamento dos Poiais até onde depois se ergueu o Arco, foi conhecida por diversos nomes até à sua inclusão no arruamento.
Em 1626, pela designação: defronte de São Bento-o-Novo; em 1639, volta de São Bento, ou defronte da horta; em 1650, simplesmente volta de São Bento; em 1656 e 1657, defronte da horta de São Bento; e, em 1668 e 1669, por frontaria da horta de São Bento ou só frontaria de São Bento. [Sequeira: 1917]

Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1939-02-16|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1939-03-26|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Friday, 15 May 2026

Rua do Arco do Cego que foi Estr.

Entre o Campo Pequeno e Arroios existiu um arco de pedra, — e esse arco, chamado, não se sabe porquê «Arco do Cego» deu o seu nome a esse troço de estrada que, nos subúrbios da Lisboa setecentista, ia do largo ou terreiro de S. Jorge até ao Palácio Galveias. [Araújo: 1939]

Rua do Arco do Cego |1961|
Junto ao jardim sito na Rua Costa Goodolfim.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Enquanto topónimo, o Arco do Cego surge na cartografia de Filipe Folque, em 1858, como Estr. do Arco do Cego,

Rua do Arco do Cego |1966-03|
Prédios (ainda existentes) defronte do edifício-sede da CGD.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 10 May 2026

Beco da Formosa e Pátio do Prior

Formoza (beco da) segundo à esquerda na rua de S. Miguel, indo do largo de S. Miguel e finda no beco das Cruzes, freguezia de S. Miguel 2 a 20 e 1 a 19.
Prior (pateo do) fica no beco da Formosa, freguezia de S. Miguel 1 a 11. Nota: A entrada é no beco da Formosa n. 15. [Velloso: 1869]

O casal que, mão na mão, vem a sair do Beco da Formosa, que desemboca à nossa esquerda, são Karl Faller e a sua misteriosa acompanhante, do romance «Parlando (2001)», de Bodo Kirchhoff .
Os dois chegaram em breve à rua que ficava por cima da esbranquiçada confusão de vielas de Alfama e no cimo de uma escadaria fortemente inclinada, que levava à barafunda de casas e ruelas, ela disse subitamente «Eu vou por aqui», como se aquele atalho fosse só dela, agradeceu o almoço e logo, logo, desatou a correr escada abaixo. Não pude fazer nada, só pude segui-la com o olhar, até ela, lá em baixo, virar para o interior de um beco, como se nunca ali tivesse estado, e eu arranjar forças ou ânimo para voltar a segui-la. 

 

Beco da Formosa e Pátio do Prior em 1946 e 1962
À esq. vemos Alfama antes da remodelação realizada na década de 1960 e, à dir., depois daquela. Ao cimo nota-se o Beco das Cruzes.
Imagens por Fernando Pozal e Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

 

Lancei-me pela escada, a dois ou três degraus de cada vez, corri todo o beco, tão estreito que uma pessoa podia tocar em ambos os lados, mas ela já lá não estava, ali só estavam mulheres que vendiam avulso peixes com formas de serpentes, e eu corri ainda mais para o interior de Alfama – «onde há sempre alguém, em qualquer lugar, a martelar ou a serrar, como se o bairro inteiro fosse um nunca mais acabar de pessoas a fabricar ou consertar qualquer coisa; no cruzamento de duas vielas logo a seguir, uma delas com o nome de «da Formosa», inesquecível nome, apanhei-a finalmente, e ela disse «Pois bem, seja», deu-me a sua mala para que eu a levasse e em troca pegou na minha pasta e na minha mão.
De mão na mão, de forma estranhamente sensata, como se houvesse a modalidade de desporto «andar-de-mão-na-mão», percorremos o tortuoso Beco da Formosa e chegámos a uma praça que era uma espécie de pátio interior com uma igreja lá metida à pressão.==

Beco da Formosa e Pátio do Prior |1962|
Alfama antes da remodelação realizada
na década de 1960.

Salvador Fernandes, in Lisboa de Antigamente
Beco da Formosa e Pátio do Prior |1966|
Alfama depois da remodelação realizada
na década de 1960.

Eduardo Gageiro, in Lisboa de Antigamente












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