Sunday, 17 May 2026

Desmontagem do Arco da Rua de São Bento

Construído em 1758, este arco estava integrado na Galeria da Esperança do Aqueduto das Águas Livres. Foi desmontado em 1938-39 em consequência das obras de remodelação do espaço em frente do Palácio de São Bento.
Esteve desmontado durante décadas, primeiro nos jardins do Palácio da Ajuda e depois na Praça Espanha, onde foi finalmente reconstruído em 1998.

 Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1938-12-15|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O Arco de S. Bento é de ordem dórica e conduzia a água para o chafariz da Esperança. É, tal como o das Amoreiras, seu gémeo, mas sem a imponência  deste que celebra, triunfalmente, a entrada das águas na cidade.

  Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1938-12-15|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

De acordo com o olisipógrafo Matos Sequeira a parte da moderna rua deste nome, desde o entroncamento dos Poiais até onde depois se ergueu o Arco, foi conhecida por diversos nomes até à sua inclusão no arruamento.
Em 1626, pela designação: defronte de São Bento-o-Novo; em 1639, volta de São Bento, ou defronte da horta; em 1650, simplesmente volta de São Bento; em 1656 e 1657, defronte da horta de São Bento; e, em 1668 e 1669, por frontaria da horta de São Bento ou só frontaria de São Bento. [Sequeira: 1917]

Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1939-02-16|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1939-03-26|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Friday, 15 May 2026

Rua do Arco do Cego que foi Estr.

Entre o Campo Pequeno e Arroios existiu um arco de pedra, — e esse arco, chamado, não se sabe porquê «Arco do Cego» deu o seu nome a esse troço de estrada que, nos subúrbios da Lisboa setecentista, ia do largo ou terreiro de S. Jorge até ao Palácio Galveias. [Araújo: 1939]

Rua do Arco do Cego |1961|
Junto ao jardim sito na Rua Costa Goodolfim.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Enquanto topónimo, o Arco do Cego surge na cartografia de Filipe Folque, em 1858, como Estr. do Arco do Cego,

Rua do Arco do Cego |1966-03|
Prédios (ainda existentes) defronte do edifício-sede da CGD.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 10 May 2026

Beco da Formosa e Pátio do Prior

Formoza (beco da) segundo à esquerda na rua de S. Miguel, indo do largo de S. Miguel e finda no beco das Cruzes, freguezia de S. Miguel 2 a 20 e 1 a 19.
Prior (pateo do) fica no beco da Formosa, freguezia de S. Miguel 1 a 11. Nota: A entrada é no beco da Formosa n. 15. [Velloso: 1869]

O casal que, mão na mão, vem a sair do Beco da Formosa, que desemboca à nossa esquerda, são Karl Faller e a sua misteriosa acompanhante, do romance «Parlando (2001)», de Bodo Kirchhoff .
Os dois chegaram em breve à rua que ficava por cima da esbranquiçada confusão de vielas de Alfama e no cimo de uma escadaria fortemente inclinada, que levava à barafunda de casas e ruelas, ela disse subitamente «Eu vou por aqui», como se aquele atalho fosse só dela, agradeceu o almoço e logo, logo, desatou a correr escada abaixo. Não pude fazer nada, só pude segui-la com o olhar, até ela, lá em baixo, virar para o interior de um beco, como se nunca ali tivesse estado, e eu arranjar forças ou ânimo para voltar a segui-la. 

 

Beco da Formosa e Pátio do Prior em 1946 e 1962
À esq. vemos Alfama antes da remodelação realizada na década de 1960 e, à dir., depois daquela. Ao cimo nota-se o Beco das Cruzes.
Imagens por Fernando Pozal e Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

 

Lancei-me pela escada, a dois ou três degraus de cada vez, corri todo o beco, tão estreito que uma pessoa podia tocar em ambos os lados, mas ela já lá não estava, ali só estavam mulheres que vendiam avulso peixes com formas de serpentes, e eu corri ainda mais para o interior de Alfama – «onde há sempre alguém, em qualquer lugar, a martelar ou a serrar, como se o bairro inteiro fosse um nunca mais acabar de pessoas a fabricar ou consertar qualquer coisa; no cruzamento de duas vielas logo a seguir, uma delas com o nome de «da Formosa», inesquecível nome, apanhei-a finalmente, e ela disse «Pois bem, seja», deu-me a sua mala para que eu a levasse e em troca pegou na minha pasta e na minha mão.
De mão na mão, de forma estranhamente sensata, como se houvesse a modalidade de desporto «andar-de-mão-na-mão», percorremos o tortuoso Beco da Formosa e chegámos a uma praça que era uma espécie de pátio interior com uma igreja lá metida à pressão.==

Beco da Formosa e Pátio do Prior |1962|
Alfama antes da remodelação realizada
na década de 1960.

Salvador Fernandes, in Lisboa de Antigamente
Beco da Formosa e Pátio do Prior |1966|
Alfama depois da remodelação realizada
na década de 1960.

Eduardo Gageiro, in Lisboa de Antigamente












Friday, 8 May 2026

Praça de Alvalade

A Praça de Alvalade foi criada aquando da construção do Bairro de Alvalade, tendo inicialmente adoptado a designação de Largo Frei Luís de Sousa. Contudo, quando foi erigida no seu centro a estátua de Santo António, da autoria do escultor António Duarte, em 1972, evitaram-se as confusões, dando-lhe então a actual designação e alterando a designação do Largo de Alvalade para Largo Frei Luís de Sousa.

Praça de Alvalade |c. 1950|
Construção da Praça de Alvalade, surgindo á dir. a Av da Igreja e, para N., a Av. de Roma com parte do Hosp. Julio de Matos, ao fundo, na Av. do Brasil. A transversal à esq. é a Rua Violante do Céu.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. Monumento a Santo António foi erguido na rotunda do cruzamento das Avenidas de Roma e da Igreja, no bairro de Alvalade, representa a consagração oficial e pública do português ainda em nossos dias mais conhecido no mundo, mercê da sua eloquência e sabedoria. A estátua de bronze de 5,50 m de altura é da autoria do escultor António Duarte, que optou por retratar o Santo na postura de pregador, em vez da tradicional imagem com o Menino Jesus ao colo. A base, composta por quatro blocos de mármore, é da autoria do arquitecto Antero Ferreira.
Inaugurado em 4 de Outubro de 1972, o monumento tem 12 m de altura total e pesa 78 toneladas.

Praça de Alvalade
Em 1971 passou a denominar-se Praça de Alvalade e, integrando. 
desde 1972, o Monumento a Santo António.
Juan Rodriguez, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 3 May 2026

Largo de São Carlos que foi «do Directório»

[...] Desçamos a Travessa dos Teatros, cortemos a Rua da «Lucta» [hoje Rua dos Duques de Bragança/ Largo do Picadeiro] — convida Norberto de Araújo — e, pelas Escadinhas, entremos no antigo Largo de S. Carlos, desde 1911 chamado Largo do Diretório, em comemoração do facto de neste grande prédio, n.º 4 [vd. 3º imagem N.B.], ter estado instalada nos anos que precederam a proclamação da República, e algum tempo depois de 1910, a sede do Partido Republicano Português, e seu Directório.==

Largo de São Carlos que foi «do Directório» |c. 1900|
Ao fundo vêem-se as Escadinhas que levam à Rua Paiva de Andrada onde se observa a cerca do Palácio do Loreto e a torre sineira da Igreja de N. S. da Encarnação.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Neste Largo de S. Carlos que foi «do Directório» ergue-se o imponente teatro do mesmo nome, cujas fachadas laterais se prolongam pelas Ruas de Serpa Pinto e da Rua dos Duques de Bragança/Largo do Picadeiro. Foi construído no final do século XVIII, obedecendo ao risco do arquitecto José Costa e Silva, sob a inspiração do velho San Carlo, de Nápoles. Destinado à ópera lírica e bailados, a récita inaugural celebrou-se em 30 de Junho de 1793 com La Ballerina Amante, de Cimarosa.

Largo de São Carlos que foi «do Directório» |1911|
Descerramento da placa toponímica do antigo Largo do Directório.
Nota(s): Por edital de 1956, voltou a denominar-se Largo de São Carlos. passando o topónimo ao espaço envolvente.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. Foi nesta pequena Praça, no 4º esquerdo do nº 4, que nasceu a 13 de Junho de 1888 o escritor Fernando Pessoa. Situada na colina ocidental de S. Francisco, ao pé da zona do Chiado e um pouco mais abaixo da elegante Igreja dos Mártires, esta praça pequena e recôndita é uma síntese da Lisboa provinciana, se não aldeia — ainda que anos mais tarde o nosso poeta lhe chamasse «A minha aldeia» — e da Lisboa cosmopolita, pois num dos seus lados, paralelamente à não distante corrente do Tejo, fora construído o atrás mencionado Teatro de São Carlos.

Largo de São Carlos que foi «do Directório» |1925-07-25|
Praça sita entre as Ruas Serpa Pinto (dir., antiga Nova dos Mártires, 1885) e Paiva de Andrada (antiga do Outeiro, 1890).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, P
eregrinações em Lisboa, vol. XIII, 1939.
CRESPO,  Ángel, A vida plural de Fernando Pessoa, 1990.

Friday, 1 May 2026

Rua de Martim Vaz

Martim Vaz (Rua de) É a segunda à direita, subindo pela calçada de Santa Ana e termina na mesma calçada, ensina o Itinerário Lisbonense de 1818. Derivou-lhe o nome de um célebre letrado que figura já na Estatística de 1552. Cristóvão Rodrigues de Oliveira dá na freguesia de Santa Justa um Beco de Martim Vaz, não mencionando rua com tal denominação. Por onde se poderá entender que seja o denominado Beco a actual Rua, mas mais ampla do que seria então tal artéria da cidade, por força de modificações locais posteriores. 

Rua de Martim Vaz, 1 |1923|
Letrado do Século XVI
Perspectiva tirada da Cç. de Sant'Ana.
Nota(s): Amália Rodrigues nasceu nesta artéria em 1920.

Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

É preciso porém advertir que houve nesta época outro indivíduo com igual nome, e também com tal qual notoriedade. Era juiz do Pezinho e como tal encontramos este outro Martim Vaz em 1565. Morava porém na Rua do Cura da Madalena, freguesia desta invocação. [Brito: 1565]

Rua de Martim Vaz N→S |1902-05|
Letrado do Século XVI
Perspectiva tomada junto ao Largo do Tabelião que se abre à dir. na imagem. 
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 26 April 2026

Beco de Santa Helena

Helena (beco de Santa) primeiro à esquerda na rua do Castello Picão, indo da calçadinha de S. Miguel e finda no largo das Portas do Sol, freguezias de S. Miguel 1 a 13, S. Vicente 2 a 12 e 15 a 25. [Velloso: 1869]

Enfiemos por este Beco de Santa Helena na companhia. mais uma vez, do olisipógrafo Norberto de Araújo.
No seu primeiro lanço este beco nada tem de especial, mas no seu segundo, de escadarias, passado o Beco do Garcês, a perspectiva é já repousada, com o ambiente que advém, à direita, dos jardins do Palácio do Conde de S. Miguel (dos Arcos ou do Salvador).

Beco de Santa Helena |c. 1960|
Perspectiva tomada das Portas do Sol antes da remodelação do sítio. Ao fundo
nota-se a 
Igreja de São Vicente de Fora.
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Não se desdenha de ser Alfama, mas uma Alfama tranquila, sem gatos nem mulherio, um sítio que não oferece pano para mangas aos escritores que só encontram gracilidade urbanista onde o carácter é plácido e onde não existe nem um cunhal, nem uma gelosia, nem um sinal de povo, nem uma garatuja de nobreza, nem um sopro religiosidade..==

Panorâmica sobre o Beco de Santa Helena |c. 1960|
Perspectiva tomada junto ao nª 21 onde se vêem os frades de pedra. Do lado esq. observa-se o muro do Palácio do Conde de S. Miguel (dos Arcos ou do Salvador) que desemboca no Beco do Garcês.
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Embora se desconheça a data de atribuição do topónimo sabe-se que esta designação é anterior ao Terramoto.
Na Idade Média e na Idade Moderna, os topónimos apareciam de forma natural, inspirados numa atividade, num acidente geográfico, numa propriedade, no nome do proprietário mais importante, numa direção ou, até, em nomes de santos, igrejas, conventos e ordens religiosas.

Beco de Santa Helena |962|
Perspectiva tomada junto ao nª 21 — próximo do Mural História de Lisboa (dir.).
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

N.B. Santa Helena, de família plebeia e pagã, nasceu em meados do século III na Turquia); essa cidade, mais tarde, foi chamada Helenópolis, em sua honra, pelo seu filho e futuro imperador Constantino, o primeiro imperador cristão. Muito piedosa, Santa Helena partiu em peregrinação para a Terra Santa, onde se diz que encontrou a verdadeira Cruz do Salvador.

Beco de Santa Helena |1945|
Perspectiva tomada da Rua do Castelo Picão na direcção do Beco do Garcês.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 59, 1939.
BACKHEUSER,Everardo, Toponímia: (Suas regras — Sua evolução), 1049.

Friday, 24 April 2026

Avenida de 24 de Julho: apeadeiro de Santos

Pela Avenida de 24 de Julho, bem-talhada, correm os veículos em paralelo com o comboio da linha de Cascais. Oficinas, estaleiros, o mercado do antigo Aterro, fábricas, com seus canos altos bordam a margem do Tejo que de ali se avista. [Martins: 1945]

Depois saiu para a luz ofuscante do meio-dia e encaminhou-se para o comboio. Comprou um bilhete para a Parede e perguntou quanto tempo demorava. O empregado respondeu que demorava pouco e ele sentiu-se satisfeito. Era o comboio da linha do Estoril, e levava sobretudo pessoas em férias. Pereira sentou-se do lado esquerdo do comboio porque tinha vontade de ver o mar. [Tabucchi: 1938]

Avenida Vinte e Quatro de Julho |c. 1900|
Comboio a vapor no apeadeiro de Santos
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 19 April 2026

O Sítio de Alcântara

Dizer Alcântara na toponímia lisboeta é, só por si, compor um quadro de movimento e de febril agitação bairrista — recorda Norberto de Araújo, o grande enamorado de Lisboa. Alcântara foi um lugar, um sítio; é um bairro, uma zona com individualidade e consciência. Tudo gira em Alcântara: fábricas, oficinas, linhas, ruas — vidas.
O que em Alfama é estático é, em Alcântara dinâmico. Este bairro tem azougue.
O seu pitoresco é de cosmograma. Não existe neste rincão da Cidade nada de contemplativo. Apenas nas Necessidades, com seu jardim, com seu obelisco, com o seu palácio e na sua tapada — mora o repouso. Persiste ali um pedaço de beleza e gracilidade de miradouro. É a mancha aristocrática e requintada do bairro. 

Praça General Domingos de Oliveira |1965|
Antigo Largo de Alcântara 
À dir. destaca-se o prédio setecentista — pombalino e altaneiro — referido mais à frente por Norberto Araújo,   
Artur I. Bastos, in Lisboa de Antigamente
Praça General Domingos de Oliveira |1965|
Remodelação da Rotunda de Alcântara, devido à construção do acesso à ponte sobre o Rio Tejo; à dir. observa-se o antigo Eden Cinema
Artur I. Bastos, in Lisboa de Antigamente

Alcântara urbanizada não leva duzentos anos: de arrabalde fez-se cidade em fins de setecentos. Mas é lisboeta de casco e sumo. Rescende alguma coisa de um passado evocativo. Já lá não está a ponte de Alcântara com S. João Nepomuceno. Mas o Prior do Crato resiste no letreiro da artéria principal do bairro. Do tempo velho ficaram e falam deliciosas legendas: Baluarte, Trabuqueta, o Arco, as Fontainhas, a Triste-Feia; a Horta Navia — saudade de Alcântara quinhentista, o Fiúza — reminiscência de Alcântara palaciana, o Sacramento — evocação de Alcântara conventual.
Foram-se os marinheiros rude golpe no coração do bairro! — ; ficou a Praça da Armada com seu Neptuno de tridente no Chafariz. O risonho vale de Alcântara vai-se sumindo, mas nas lombas do Alvito e da Cruz das Oliveiras demora-se a expressão popular campesina que ficou do rústico antigo.
O prédio setecentista cor-de-rosa da quina poente-sul do Largo — pombalino e altaneiro — é com a sua famosa adega do «Sete-e-Sete» — o padrão bairrista de Alcântara [vd. 1.º imagem à dir.]: cinco gerações o contemplaram — sequiosas.
Pequeno mundo alfacinha, vizinho do Calvário, da Pampulha, da Avenida da India — desentranha-se em vida. É o pregão cantante do trabalho. Contido entre a Serra e Tejo, possui a índole atávica de um poeta, a alma rude, nostálgica de um mareante.==

Praça General Domingos de Oliveira |1966|
Vista tomada da R. da Quinta do Jacinto — onde brincam os ganapos. Ao fundo nota-se o pináculo da torre sineira do Palácio das Necessidades.
Artur I. Bastos, in Lisboa de Antigamente
Praça General Domingos de Oliveira |1966|
Rua de Alcântara (esq-) e acesso à ponte sobre o Rio Tejo.
Artur I. Bastos, in Lisboa de Antigamente

N.B. A edilidade lisboeta, através  edital de 18/08/1966, presta homenagem ao General Domingos de Oliveira atribuindo o seu nome a um arruamento da cidade. [1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]
Domingos Augusto Alves da Costa Oliveira (1873–1957) foi presidente do Conselho de Ministros em 1920, ministro interino da Justiça, membro vitalício do Conselho de Estado (1949) e oficial-general do Exército. A sua carreira reúne inúmeros louvores e condecorações, incluindo a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis e a da Ordem Militar da Torre e Espada.

Fotografia aérea da zona industrial de Alcântara |1950-04|
Caminho de ferro; Palácio das Necessidades; Estação de Alcântara-Terra e Mercado de AlcântaraVale de Alcântara...
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, pp. 142-143, 1943.
idem, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, 1939.

Friday, 17 April 2026

Vendedeira ambulante de bolos

Chegada com seu burrico às ruas da Baixa Pombalina, a vendedora de bolos começa a preparar o equipamento necessário para montar o estaminé para a venda.

A Baixa de Lisboa, também chamada Baixa Pombalina ou Lisboa Pombalina por ter sido edificada por ordem do Marquês de Pombal, na sequência do terramoto de 1755, cobrindo uma área de cerca de 255 ha. Situa-se entre o Terreiro do Paço, junto ao rio Tejo, Rossio e a Praça da Figueira, e longitudinalmente entre o Cais do Sodré, o Chiado e o Carmo, de um lado, e a Sé e a colina do Castelo de São Jorge, do outro.

Vendedeira ambulante de bolos 1922-02-22|
Baixa. Pombalina
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 12 April 2026

Divertimentos no Parque Mayer

Parque Mayer foi inaugurado em 15/6/1922, substituindo e incorporando a função lúdica da Feira de Agosto (criada em 1908, na Rotunda), uma das últimas "feiras típicas" da capital, com petiscos, comércio e diversões. Inicialmente, apresentou-se em instalações precárias de madeira (“barracas”), mas situava-se numa zona mais central e frequentada. Com o tempo, transformar-se-ia num moderno e popular recinto de diversões ao ar livre, pretendendo emular o que se fazia em Paris (Luna-Park, Magic-City), Madrid (Retiro), Barcelona (Grande Parque), Sevilha, etc. (...). Mais tarde, esta componente seria ampliada e aperfeiçoada pela Feira Popular de Lisboa (1943).

— Não deixem de ver a célebre Cadeira Eléctrica: Uma grande atracção internacional!..

Divertimentos no Parque Mayer |1943-05-02|
Começou por funcionar com  atracções várias, como a "Cadeira Eléctrica", o circo do El Dorado, e combates de boxe e luta-livre.”,
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Situado junto à Avenida da Liberdade, do lado ocidental — num espaço que pertenceu aos jardins e espaços adjacentes do Palácio Mayer — entre a Rua do Salitre e a Praça da Alegria, este recinto viveu o seu apogeu entre as décadas de 30 e de 70 do séc. XX.
Sobre o novel Avenida Parque, ou feira do Parque Mayer como também era designado, lia-se no Diário de Notícias: “Quando ontem entrámos na feira, lembraram-nos imediatamente alguns detalhes pitorescos das antigas feiras do Campo Grande e das Amoreiras, dos nossos melhores bons tempos. E lembrou-nos isso no meio daquele ruído moderno e caprichoso, num recinto onde as barracas têm todas, pelo menos, limpeza, algumas bom-gosto e muitas, se não a totalidade, um ar de sedução irresistível.” (15/6/1922)
 
Divertimentos no Parque Mayer |1943-05-02|
 Os cavalinhos ou carrossel.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Divertimentos no Parque Mayer |194-|
Tômbola dos cigarros, onde o objectivo era atirar argolas para que caíssem sobre os maços de cigarros expostos. À esq., ao fundo, ficava o chamado Estádio Mayer[Dias; 2007]
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Entre as diversões que passaram no Parque Mayer, destacam-se as "barracas dos tirinhos", os bailes (de fim-de-semana, ou de carnaval), os circos Royal, El Dorado e Luftman, as "barracas” do "Porto de Lisboa" (miniatura animada da Ribeira) ou de "fenómenos” como a "mulher transparente” e a "mulher-sereia" e as pulgas amestradas, o labirinto e a roleta diabólica, a laranjinha, a "Cadeira Eléctrica", as “variedades”, o jogo do quino, o jogo clandestino (para os mais aventureiros), os carrosséis e os fantoches, o Pavilhão Infantil, os "carrinhos de choque", a patinagem, os combates de boxe (Belarmino engraxava sapatos na Rua do Salitre), a luta greco-romana e a luta livre. 
[Expressões Artísticas Urbanas.Ferro,Lígia, ‎Raposo,Otávio, ‎Sá Gonçalves,Renata de, 2017]

Divertimentos no Parque Mayer |1943-05-02|
 Engenho de experimentar forças.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Friday, 10 April 2026

Rua de São Lázaro, 100: Maternidade Magalhães Coutinho

Data, pois, de há sete anos — escreve Norberto de Araújo em 1938 e a quem vamos sempre seguindo — a instituição «Maternidade Magalhães Coutinho», a primeira organizada, em linhas científicas, em Portugal.

O Dr. Magalhães Coutinho (1815-1895) foi uma figura notável da medicina portuguesa, professor de obstetrícia, Director da Escola Médica, Director Geral da Instrução Pública, médico da Real Câmara, Biblotecário-mor do reino, amigo intimo do Rei D. Luiz e de Alexandre Herculano, homem de ciência, de espírito e de carácter. Morreu em 1895, com ostenta anos, pobríssimo e esquecido, e repousou no cemitério da Ajuda. As suas cinzas levou-as o vento; a sua memória está aqui: «Maternidade Magalhães Coutinho». [Araújo: 1938]

Maternidade Magalhães Coutinho |1931|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 5 April 2026

Rua (de Nossa Senhora) do Patrocínio, à Boa Morte

Patrocínio de Nossa Senhora do (Rua do) No testamento de Felix Antonio Castrioto feito em 15 de Julho de 1796 diz-se que o desembargador do Juiz dos Órfãos da Repartição do Meio, Domingos Monteiro de Albuquerque e Amaral, morava nesta rua, freguesia de Santa Isabel
No Almanach deste ano vem a simples indicação: Á Boa Morte». 
Já se anunciava assim na Gazeta de Lisboa, de 26 de Setembro de 1806:
 «Quem quizer comprar, ou tomar de venda, huma morada de casas, sitas na rua do Patrocinio, á Boa Morte, nas quaes estivera ha annos o Tribunal da Mesa da Consciencia , e posteriormente o Correio, falle com a dona das mesmas casas, nellas assistente...» 
Patrocinio: he a que passa pelo lado da Porta Travessa da Igreja da Boa Morte, e termina na Rua de S. Miguel, a Santa Isabel, elucida o Itinerário lisbonense, de 1804. [Brito: 1935]

Rua (de Nossa Senhora) do Patrocínio, à Boa Morte |1906-03|
À esq. nota-se a frontaria da Igreja de N. S. das Dores [vd. imagem abaixo] e à dir., tornejando a Rua de Santo António à Estrela, o edifício da Assistência Infantil da Freguesia Santa Isabel e, ao fundo, nota-se parte da Casa de Santa Zita da Estrela que foi da família Perestrelo e fora antes solar dos Aires de Ornelas.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Esta Rua do Patrocínio, à Boa Morte, — recorda o ilustre Norberto de Araújo, a quem vamos sempre seguindo — foi urbanizada na transição do século XVIII para o século XIX, mas data de antes do Terramoto, embora as casas dessa época tenham desaparecido. [...]
Ora, Dilecto, hemos agora de ver uma outra instituição de beneficência instalada na citada casa particular, que fora antes o Hospício da Boa Morte [antigo Convento da Boa Morte]. Intitula-se Associação da Assistência Infantil de Santa Isabel, internato de meninas, e tem entrada pela Rua do Patrocínio, n.º 3 [último prédio à dir. na 1ª imagem]; é dirigido pelas mesmas religiosas franciscanas missionárias de Maria, autorizadas a regressar a esta sua casa em Junho de 1937 [...]

Igreja de Nossa Senhora das Dores (ou Ermida do Patrocínio) |1934 e 1948|
Rua do Patrocínio, 8 (actualmente Igreja Católica de Língua Alemã de Lisboa)
in Lisboa de Antigamente

Já agora te aponto, nesta Rua do Patrocínio outra Igreja, a de Nossa Senhora das Dores, coeva da construção da Basílica da Estrela, fundada — diz-se que com materiais que do monumento de D. Maria I sobejaram — pelo Padre António Luiz de Carvalho, em honra das Sete Dores de Maria Santíssima. [Araújo: 1939]

Rua do Patrocínio, à Boa Morte, 94 |1906-10|
Palacete na esquina com a Travessa do Jardim, à Estrela, 28.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Friday, 3 April 2026

Inauguração do Metropolitano de Lisboa

Inauguração do Metropolitano de Lisboa em 1959, versão a cores, Tobis Portuguesa, com Artur Agostinho, realizador Arthur Duarte (duração aprox.13 min)

O primeiro projecto de um sistema de caminhos-de-ferro subterrâneo para Lisboa data de 1888, é da autoria do engenheiro militar Henrique de Lima e Cunha. Publicado na revista “Obras Públicas e Minas”, previa já um sistema completo de linhas, formando uma rede. Mais tarde, nos anos 20 do século XX, dão entrada na Câmara Municipal de Lisboa dois projectos, respectivamente, de Lanoel d’Aussenac e Abel Coelho (1923) e de José Manteca Roger e Juan Luque Argenti (1924), que não tiveram seguimento.
Somente a partir da 2ª Guerra Mundial com a retoma da economia e no seguimento das políticas de electrificação e aproveitamento dos fundos do Plano Marshall, surge com plena vitalidade a decisão de se construir um metropolitano para Lisboa.

Os trabalhos de construção iniciaram-se em 7 de Agosto de 1955 e, quatro anos depois, em 29 de Dezembro de 1959, o novo sistema de transporte foi inaugurado. A rede aberta ao público consistia numa linha em Y constituída por dois troços distintos, Sete Rios (actualmente, Jardim Zoológico) – Rotunda (actualmente, Marquês de Pombal) e Entre Campos – Rotunda (Marquês de Pombal), confluindo num troço comum, Rotunda (Marquês de Pombal) – Restauradores.

Sunday, 29 March 2026

A Kermesse de Paris no Avenida Palace Hotel

No Largo D. João da Câmara — antigo de Camões — cujo nome se refere, não ao poeta dos Lusíadas, mas ao dr .Caetano José da Silva Souto Maior, o Camões, corregedor do bairro do Rossio no reinado de D. João V (séc.. XVIII), destacam-se a Estação do Rossio (1890) e o o Avenida Palace Hotel (1892), elegante construção em estilo francês, ambas do risco do arquitecto José Luiz Monteiro e com uma «passagem» entre eles.

A Kermesse de Paris, considerada durante muitos anos a melhor e mais cara loja de brinquedos de Lisboa, foi fundada nos finais do século XIX por Thomaz J. Sá Dias. A loja sita na então Rua do Principie — depois 1º de Dezembro (1911) — estabeleceu-se no piso térreo do recém-inaugurado edifício do Hotel Avenida Palace.

Hotel Avenida Palace |c. 194-|
Praça D. João da Câmara, Estação do Rossio e Rua 1.º de Dezembro
Inaugurado em 1892 com o nome de Grande Hotel Internacional, só no ano seguinte se passou a chamar Avenida Palace Hotel.
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Algumas lojas imprescindíveis da minha infância, todas de brinquedos, eram a Biaggio Flora, na Rua Áurea, a Panchito na Av. Guerra Junqueiro, o Bazar do Parque, Arcadas do Estoril, o Pinóquio, nos Restauradores, que, no Natal, tinha um Pai Natal à porta com um cavalinho de peluche que se podia montar e tirar fotografias, e a Kermesse de Paris, que ficava na base do edifício do Hotel Avenida Palace, entre os Restauradores e o Teatro Nacional D. Maria II, com uma selecção incrível de marionetas. [Memória de uma Epifania e outras histórias, Maria João Vaz, 2023]

 

Kermesse de Paris |1912|
Praça D. João da Câmara
A loja de brinquedos funcionava nas arcadas do piso térreo do Avenida Palace Hotel.
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

N.B. Por Edital municipal de 7 de agosto de 1911 a Rua do Príncipe e Largo da Rua do Príncipe passaram a denominar-se Rua Primeiro Dezembro, a data da Restauração em 1640.
Quanto ao Largo D. João da Câmara, até 1924, era o Largo de Camões, já assim denominado em 1858 no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque.

Hotel Avenida Palace |1961|
Grupo de turistas junto à entrada S. do Hotel Avenida Palace e à Kermesse de Paris.
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente

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