Friday, 29 January 2021

Rua do Benformoso

Norberto Araújo caracteriza da seguinte forma este arruamento vizinho da Mouraria: 

Antes de existir a Rua (Nova) da Palma, que data de 1862, no trôço da Guia ao Socorro, e de há cêrca de setenta anos do Socorro ao Intendente era por aqui, pelo Bemformoso, que todo o trânsito se fazia.
Em verdade o sítio e a rua não são do Benformoso mas do 'Boy Formoso', designação primitiva, cuja origem deve estar, como em tôdas do velho tempo, num dêsses acidentes fortuitos ou vagas particularidades episódicas, mas que 'ficam'; numa das quintas ou restos por aqui existentes, teria havido um lindo boi, a que se poderia chamar uma 'estampa', e, corrida fama, já depois do animal haver desaparecido, o sítio ficou o de 'Boy Formoso'.

Rua do Benformoso [1950]
Antiga do Boy Formoso, antes Rua Direita da Mouraria (séc. XVI)
Eduardo Portugal, in AML

Quero dizer-te, apenas, que nos séculos velhos, antes de êste sítio ser chamado do «Boy Formoso» foi conhecido por «Benfica» — a razão não ta sei dar; talvez porque fôsse ridente de hortas e de boa situação. O Bemformoso ainda há trinta anos mostrava pitorescas casas, modestas, seiscentistas, de empena de bico, andar de ressalto, conjunto alfacinha velho e puro. Pedacinhos de Alfama limpa no Bemformoso, paredes meias com a Mouraria.

Rua do Benformoso |1902-05|
Antiga do Boy Formoso, antes Rua Direita da Mouraria (séc. XVI)
Machado & Souza, in AML
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 12, 1938.

Sunday, 24 January 2021

Rua de Sant'Ana à Lapa

O topónimo original do arruamento é Rua de Sant'Ana e assim figura na planta da cidade de 1856. Conforme consta no processo 1841/50 foi acrescentada a palavra "à Lapa" por parecer da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia na sua reunião de 19/05/1950.
A sua origem radica no culto popular a Santa Ana, muito divulgado na Lisboa antiga, como imagem catalisadora da grande devoção das mães portuguesas, padroeira do vendedores de objectos usados, das mulheres que fazem renda, das donas de casa, dos marceneiros, dos torneiros, dos moços de estrebaria e fabricantes de vassouras e de especial devoção em casos de pobreza e para se encontrarem objectos perdidos. [cm-lisboa.pt]

Rua de Sant'Ana à Lapa [1960]
Cruzamento com a Rua de Buenos Aires
Arnaldo Madureira, in AML
Nota(s): o local da foto não está identificado no AML

Friday, 22 January 2021

Chafariz do Socorro

Chafariz existente no antigo Largo do Socorro derribado na consequência do plano de demolições da Mouraria nos idos de 1940-50 e que deram lugar à actual Praça Martim Moniz. Ao fundo observam-se os prédios da Rua de S. Lázaro na esquina com a Rua da Palma.

Chafariz do Socorro [194-]
Antigo Largo do Socorro
Fernando Martinez Pozal, in AML

Sunday, 17 January 2021

Quiosque das Loterias

O «Quiosque das Loterias», em frente à rua do Amparo tabaco e fósforos nacionais por preços acessíveis a todas as bolsas. Amanhã Anda À Roda.

Quiosque das Loterias [1908]
Praça Dom Pedro IV
Quiosque de venda de lotarias situado no angulo E. do Rossio; ao fundo, o
«Internacional Design Hotel» na esquina das Ruas Augusta e Betesga.
Joshua Benoliel, in AML


Friday, 15 January 2021

Venda ambulante de gelados

A «água fresca» e a «água fresquinha» cederam lugar aos gelados, e só os pregões dela se ouvem nas feiras, omarias, arraiais, ajuntamentos previstos, e estações do caminho de ferro fora da Cidade; acabou, por isso, há muito, o pregão de «Fresquinha! É do Carmo! (do chafariz do Largo do Carmo) — Está como neve!». E também se ouvem no verão as campainhas dos vendedores de gelados, em carrinhas de três rodas, a chamarem a freguesia.

Vendedor ambulante de gelados [1960]
Praça da Estrela
Convento do Santíssimo Coração de Jesus da Estrela (IGC)
Arnaldo Madureira, in AML
 

Vendedora ambulante de gelados [1968]
Praça da Estrela
Jardim da Estrela
Casa Fotográfica Garcia Nunes, in AML

Sunday, 10 January 2021

Palacete Norton de Matos (Edifício da Quinta dos Ulmeiros)

A origem da propriedade remonta à 2ª metade do séc. XVI, nas mãos de Afonso Torres, um rico mercador da época dos Descobrimentos, nobilitado posteriormente. Parece plausível considerar que os edifícios das Quintas dos Ulmeiros e das Conchas formaram em tempos uma unidade, em virtude da idêntica tipologia de vãos e pelo facto de estarem adossados, desconhecendo-se, no entanto, quando terão sido autonomizados. Trata-se de um exemplar de arquitectura residencial barroca, que fazia parte das inúmeras quintas de produção e lazer da zona do Lumiar, memória viva de uma paisagem rural que constituiu uma das imagens mais significativas de Lisboa até meados do séc. XX.

Palacete Norton de Matos (Edifício da Quinta dos Ulmeiros) [1938]
Alameda das Linhas de Torres, 150-152A
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Deste edifício da Quinta dos Ulmeiros, também conhecido por Palacete Norton de Matos, em virtude desta figura política de destaque da História de Portugal aí ter residido, persistem actualmente as fachadas, que nos remetem para uma construção de finais do séc. XVIII. Estruturado em 3 pisos, separados por friso em cantaria, os panos de muro da fachada são revestidos por azulejo padronado de produção industrial ao nível do embasamento e em reboco pintado nos restantes pisos. A fachada é animada pela abertura, a ritmo regular, de vãos de verga recta com emolduramento em cantaria, rematados por painéis lavrados, ao nível do piso nobre, os quais surgem distribuídos por 5 corpos separados por pilastras em cantaria, rematadas por plintos. Colateralmente ao corpo central localizam-se os acessos principais através de portais de verga numa linguagem decorativa rococó, de finais do séc. XVIII. O conjunto é rematado por cornija e beiral, à excepção dos extremos, que apresentam corpos de dois pisos com vãos semelhantes ao do corpo central, rematados por terraço com gradeamento em ferro fundido, plintos e pináculos. Um outro corpo liga este edifício ao da Quinta das Conchas, apresentando-se mais recuado, destacando-se um acesso a pátio, através de vão emoldurado por cantaria e desenho manuelino. [DGPC]

Palacete Norton de Matos (Edifício da Quinta dos Ulmeiros) [1968]
Alameda das Linhas de Torres, 150-152A
Armando Serôdio, in A.M.L.

Friday, 8 January 2021

Rua de Marcos Marreiros

Desconhece-se a data de atribuição da Rua Marcos Marreiros (ou Barreiro ou Marreyro) mas surge já em documentos seiscentistas, mencionada à Rua da Cruz de São Bento que era então a Rua do Poço dos Negros que hoje conhecemos. [cm-lisboa.pt]

Rua de Marcos Marreiros [1960]
Esta artéria faz a ligação entre a Rua do Poço dos Negros e a Travessa do Terreiro a Santa Catarina.
Arnaldo Madureira, in AML
Nota(s): o local da foto não está identificado no arquivo

Sunday, 3 January 2021

Avenida da Igreja

Este arruamento dividia os grupos 1 e 2 do Sítio de Alvalade e mais tarde, será já como Avenida da Igreja que fará também de linha divisória entre as freguesias do Campo Grande e de São João de Brito, quando esta última freguesia for criada em 7 de Fevereiro de 1959, pelo Decreto-Lei nº 42142. Hoje, toda a Avenida da Igreja é pertença da Freguesia de Alvalade. [cm-lisboa.pt]

Avenida da Igreja, do nascente para o poente (Praça de Alvalade para Largo Frei Heitor Pinto) [ant. 1955]
A 1ª transversal é a Rua Marquesa de Alorna observando-se na esquina norte o Café Astória e na esquina sul o Café Nova Lisboa.
Estúdio Horácio Novais, in FCG

Friday, 1 January 2021

Avenida da República, 85, no cruzamento com a Avenida Júlio Dinis, 2

Infelizmente, pouco nada nos foi possível apurar sobre este curioso palacete, excepto que terá sido demolido por volta 1965/66.

Palacete na Avenida da República, 85, no cruzamento com a Avenida Júlio Dinis, 2 [1965]
Arnaldo Madureira, in AML

O topónimo Rua Júlio Dinis, atribuído por deliberação camarária de 04/02/1909, passou a Avenida Júlio Dinis por edital de 08/06/1925 e após deliberação camarária de 02/06/1925. O mesmo edital estipulou que as ruas António Serpa, Barbosa du Bocage, Elias Garcia, João Crisóstomo e Visconde de Valmor passassem a ser também identificadas como avenidas.
“Júlio Dinis", pseudónimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho (1839-1871), nasceu no Porto e foi entre esta cidade, Ovar e o Douro que passou grande parte da sua vida. Tirou o curso de medicina na Escola Médica do Porto, aliando a profissão de médico à de escritor. Os seus primeiros textos foram publicados em A Grinalda e em O Jornal do Comércio.  [cm-lisboa.pt]
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