Tuesday, 3 November 2015

Cemitério dos Ingleses

« (...) o Cemitério dos Ingleses, cujo chão foi concedido aos súbditos britânicos de Lisboa em 1771 por efeito de uma das cláusu-las do Tratado de 1655 entre Portugal e a Inglaterra; os enterramentos começaram em 1725. O cemitério tem ingresso pelo portão n.° 2 da Rua, e também pela Rua Saraiva de Carvalho, em cujo prédio, n.° 49, contíguo ao cemitério, existe um Hospital Britânico. O Cemitério dos Ingleses é o mais antigo de Lisboa, e assim se compreende a exuberância de vegetação, em verdadeiro parque que, a despeito da característica fúnebre, constitue uma mancha vegetal a quebrar a monotonia da Rua Saraiva de Carvalho.» (in Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 54)

Rua da Estrela, Cemitério dos Ingleses [c. 1910]
Joshua Benoliel, in AML

O túmulo  mais famoso do cemitério, é o de Henry Fielding (1707-1754), considerado o fundador da tradição realista que predominou no romance inglês até o fim do século XIX. Com a saúde arruinada por excesso de trabalho e  por várias maleitas, Fielding apanha em 1754 um veleiro com destino a Lisboa, na esperança de que um clima mais ameno lhe devolva a saúde perdida. Esta viagem foi a última que fez, já que aqui viria a morrer passados dois meses.

Igreja do Cemitério dos Ingleses [c. 1900]
Após a ampliação do recinto, nasceu na nova parcela, a igreja de São Jorge em 1822 entretanto encerrada.
Autor não identificado, in AML

Publicado postumamente, «Diário de Uma Viagem a Lisboa» descreve a sua viagem à capital, rematando com um parágrafo final onde ele diz que foi transportado para «a cidade mais nojenta da Terra» e onde lhe foi cobrado por um jantar «uma conta tão longa como a mais comprida das estradas.».

Jazigo do escritor Henry Fielding (1707-1754) [ant. 1895]
Francesco Rocchini, in AML

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