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Friday, 1 April 2016

Rua de São Paulo, Arco de São Paulo

Segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo, o sítio de São Paulo «Foi de seu princípio ribeirinho, sítio mercadejador, piedoso e turbulento. É coevo do Cata-que-farás e dos Remolares, vizinho actual da Ribeira Nova. (...) Remonta ao quinhentismo, extra-muros. Em 1550 não contava como freguesia; existia como formigueiro de mareantes. (...)

Rua de São Paulo (nascente), Arco de São Paulo [séc. XIX]
Carro «Americano», anterior à electrificação da linha que só ocorreu c. 1901.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Peço-te, antes de encerrarmos este passo de jornada, que atentes bem na fisionomia dos prédios do lado Norte da Rua de S. Paulo, na ala paralela à linha do eléctrico. Têm ainda qualquer cousa de pitoresco e de ingénuo, integrada na fisionomia pura pombalina desta área; são relíquias modestas do primeiro período da reedificação da Rua de S. Paulo, cuja artéria, como aliás a Praça, não correspondem à topografia da primeira metade do século XVIII. E já agora, contempla o semblante das lojas dos adelos, em série, como em «rua direita» da provincia. Aspecto único em Lisboa. Pois bem curioso é este sítio de S. Paulo — lisboetazinho puro
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, pp. 59-62, 1939)

Rua de São Paulo (nascente), Arco de São Paulo [190-]
Posterior à electrificação da linha, são visíveis os postes das catenárias junto ao arco.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Friday, 7 June 2024

Sítio de São Paulo

Segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo, o sítio de São Paulo «Foi de seu princípio ribeirinho, sítio mercadejador, piedoso e turbulento. É coevo do Cata-que-farás e dos Remolares, vizinho actual da Ribeira Nova. (...) Remonta ao quinhentismo, extramuros. Em 1550 não contava como freguesia; existia como formigueiro de mareantes. (...)» [Araújo: 1939]

Rua de São Paulo |1963-07|
Junto à Calçada da Bica Grande
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente

freguesia de S. Paulo foi fundada em 1412 reedificada em 1512 e arruinada pelo terremoto do 1755 foi novamente reedificada em 1757.

Paulo (praça de S.) fica entre as ruas de S. Paulo, nova do Carvalho, travessas do boqueirão da Ribeira Nova, de S. Paulo e beco do Carvalho, freguezia de S. Paulo 1 a 22.
Paulo (rua de S.) principia na rua do largo do Corpo Santo e finda na calçada de S. João Nepomuceno e rua da Boa-Vista, freguezia de S. Paulo 36 à 260 e 21 a 129, Martyres 2 a 34 e 1 a 19.
Paulo (travessa de S.) segunda á esquerda no largo de S. Paulo, indo da rua nova do Carvalho e finda na rua da Ribeira Nova, freguesia de S. Paulo 2 a 14 e 1 a 13. [Velloso: 1869]

Praça de São Paulo (lado S.) |c. 1930|
Esquina com a Tv. de S. Paulo
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

No meio da Praça está um pequeno chafariz mandado fazer pela Camara Municipal e concluído no ano de 1849. A igreja (arq-º Remígio Abreu) tem na fachada as imagens de S. Pedro e S. Paulo feitas pelo insigne escultor António Machado. 

Rua e Praça de São Paulo (lado S.) |c. 1911|
Igreja de São Paulo
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Monday, 27 July 2015

Rua Nova do Carvalho

Carvalho (Beco do) — Ou Rua Nova do Carvalho. Anteriormente ao terramoto de 1755, havia na freguesia de S. Paulo um beco denominado «da Carvalha».¹ Corria na direcção N. S., e ficava «entre a rua direita de S. Paulo e a da Praia [de S.Paulo?]». Tinha de comprimento 79 varas, 2 p. e 7/10, e de largura 2 varas, 4 p. e 9/10 [vd. N. do A.]. É provável reminiscência desta denominação transmudado o género, a da actual «Rua Nova do Carvalho», a qual, conquanto lançada na orientação oposta, deve avizinhar o poiso do antigo beco referido.
¹ «Que antigamente chamavam do Varão» , diz Carvalho da Costa [1712].
(BRITO, Gomes de) Ruas de Lisboa. Notas para a história das vias públicas, 1935)

N. do A. A «vara» correspondia a 110cm e o «pé» a 0.33cm.

Rua Nova do Carvalho, lado nascente.|c. 1940|
Denominado Arco Pequeno, sendo  o Arco Grande o da Rua de S. Paulo; Rua do Alecrim
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
 
A Rua Nova do Carvalho, que liga a Travessa do Corpo Santo à Praça de São Paulo, na zona do Cais do Sodré, tal como a Travessa do Carvalho, evoca a família do Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo, responsável político pela reconstrução de Lisboa após o Terramoto de 1755 e, sobretudo o seu irmão Paulo de Carvalho e Mendonça.
O plano urbanístico de Pombal resolveu a forte inclinação da vertente da Rua do Alecrim, prolongando-a numa espécie de ponte em dois grandes arcos sobre a Rua de São Paulo e a Rua Nova do Carvalho e, este projecto mereceu especial atenção do Marquês de Pombal (1699-1782) que encarregou o seu irmão Paulo de Carvalho e Mendonça (1702-1770), que foi Monsenhor da Patriarcal de Lisboa, Inquisidor-mor e Presidente do Senado da Câmara (1764), da administração das obras da Praça, a par de outras obras de primeira importância para a cidade, como os Paços do Concelho, o Depósito Público e o Cais da Ribeira.
 
Rua Nova do Carvalho, lado poente.|c. 1947|
Denominado Arco Pequeno, sendo  o Arco Grande o da Rua de S. Paulo; Rua do Alecrim
Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Para que a Rua do Alecrim descesse até à margem do Tejo e obtivesse assim uma formosa entrada — diz Pinho Leal no seu Portugal antigo e moderno — , foi preciso ao insigne arquitecto da nova Lisboa, Eugénio dos Santos Carvalho, vencer a grande dificuldade que lhe apresentava o terreno, na quebrada do Sul da rua.
Para isto concebeu, desenhou e executou arco (viaduto) que passa sobre a Rua de S. Paulo, por cuja circunstância se lhe deu o nome de Arco de S. Paulo (ou Arco Grande). Este arco, de ponto abatido e a ponte toda obliqua, a sua solidez e elegância, constituem esta obra um primor de arte neste género.
Pouco mais abaixo deste arco, há outro (denominado Arco Pequeno) que dá passagem à rua inferior (Nova do Carvalho). Estes arcos tinham primeiramente as guardas feitas de parede: hoje têm boas e solidas grades de ferro.
(PINHO LEAL, Augusto Soares de Azevedo de, Portugal antigo e moderno, 1874)

Wednesday, 4 November 2015

Casas da Moeda

Falemos então da Casa da Moeda, que temos ainda à vista, e digo «ainda» porque não tarda (fins de 1940) que êste importante estabelecimento de Estado seja transferido para novo edifício, na Avenida António José de Almeida, no Arco no Arco do Cego. [Araujo, 1939]


A Casa da Moeda de Lisboa é talvez o mais antigo estabelecimento fabril do Estado português, com uma laboração contínua desde, pelo menos, o final do século XIII. As mais antigas notícias da sua existência como estrutura oficinal fixa datam do reinado de D. Dinis, quando ela se localizaria perto da «Porta da Cruz», a Santa Apolónia.

Casa da Moeda |c. 1910|
Rua de São Paulo
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

No século XIV foi mudada para o local onde mais tarde esteve a cadeia do Limoeiro, junto à Sé, e no reinado de D..João I vamos encontrá-la na Rua Nova [dos Ferros, hoje Rua de São Julião], defronte da ermida de Nossa Senhora da Oliveira.
Em meados do século XVI terá sido transferida um pouco mais para ocidente e funcionaria na Rua da Calcetaria [dos Calceteiros ou da Sapataria], não longe do Paço da Ribeira, onde permaneceu até 1720.

Casa da Moeda |séc. XIX|
Rua de São Paulo e Rua da Boavista
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Nessa data, mais precisamente em 16 de Setembro [de 1720], foi transferida para a Rua de São Paulo, conforme se lê numa «lembrança» registada a fls. 253 v do livro 2º do Registo Geral, que informa que nessa data «se fes mudança da fabrica e mais materiaes e o cofre da Caza da Moeda desta cidade de Lisboa a qual estava situada em a rua da Calsetaria pª o chão em q. estava situada a Junta do Comercio Geral, em o qual chão se adeficou noua Caza da Moeda.».

Casa da Moeda, entrada principal |c. 1941|
Rua Dona Filipa de Vilhena, 7  com a Av. João Crisóstomo
Paulo Guedes,
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

permaneceu até 1941, quando mudou para o novo edifício projectado pelo arq. Jorge Segurado, onde ainda hoje se encontra.
A Casa da Moeda viu os seus serviços reestruturados sucessivamente em 1911, 1920, 1929 e 1938, fundindo-se finalmente, em 1972, com a Imprensa Nacional. (in incm.pt)

Casa da Moeda |c. 1952|
Avenida António José de Almeida esquina com a Avenida Cinco de Outubro
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Friday, 22 July 2016

Ascensor da Bica

O Ascensor da Bica, também conhecido por “Elevador da Bica”fazendo a ligação entre a Rua de S. Paulo e o Largo do Calhariz (Calçada da Bica Pequena; Largo de Santo Antoninho; Rua de São Paulo)é um dos elementos mais pitorescos da cidade de Lisboa, atravessando o popular Bairro da Bica. Construído pela Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa, sob projecto do Eng.º Mesnier du Ponsard, foi inaugurado em 1892.

Ascensor da Bica [1933]
Os novos elevadores.
  A Rua (Calçada) da  da Bica constitem o eixo central do bairro da Bica, cujo topónimo procede de uma área abundante em água distribuída por fontes e chafarizes.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Trata-se de um equipamento de transporte urbano constituído por 2 carros, ligados por um cabo subterrâneo, que sobem e descem alternada e simultaneamente ao longo de duas vias paralelas de carris de ferro. Movido inicialmente a água e pelo sistema de tramway-cab, passou da locomoção por contrapeso de água à locomoção a vapor, em 1896, conhecendo a sua total electrificação, somente, em 1914. O Ascensor da Bica e o seu meio urbano envolvente estão classificados como Monumento Nacional.

Ascensor da Bica [1909]
O velho ascensor junto ao Largo do Calhariz.
Joshua Benoliel, in Illustração Portugueza

No 10 de Junho de 1882, na sala das sessões da Câmara Municipal de Lisboa, o presidente José Gregório da Rosa Araújo, leu um ofício do engenheiro-chefe da repartição técnica, Frederico Ressano Garcia, em que se indicavam as condições a impor para se conceder, a Raul Mesnier de Ponsard, engenheiro distinto, «licença para o estabelecimento e exploração de diversos planos inclinados no interior da cidade». A vereação concordou e resolveu lavrar o termo da concessão.

Ascensor da Bica [c. 1923]
Calçada da Bica Pequena; Largo de Santo Antoninho
Fotografia anónima, in Lisboa de Antigamente

Na Bica, o assentamento da linha começou em dia de finados deste mesmo ano [1890]. Durante meses houve dificuldades e atritos com a Câmara; umas pela estreiteza e diferentes declives da rua e os outros pela construção do colector de esgotos, atrasaram muito os trabalhos; em fins de Maio, um director, em telegrama a Mesnier, dizia : «Estou em braza»; não admira: era Verão ...
Finalmente, a vistoria foi requerida em Março de 1892; e a inauguração fez-se numa terça-feira, véspera de São Pedro. Cada viagem custava : 1 vintém para cima e 10 réis para baixo. Os bancos dos carros eram colocados «em plateia» e pensava-se instalar um restaurante à entrada pela Rua de S. Paulo.

Ascensor da Bica [1945]
Calçada da Bica Pequena; Largo de Santo Antoninho (Escadinhas)
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Depois de, em 1916, se ter dado um grave acidente na Bica, vindo um carro pela linha abaixo, em grande velocidade, romper o guarda-vento de S. Paulo e atravessar a rua, este elevador esteve anos sem funcionar. Em 1923, o senado municipal convida a empresa a pô-lo de novo em movimento. A direcção ainda tentou dissuadi-lo, alegando que durante muitos anos tinha conservado o elevador em circulação, apesar do prejuízo que sofria; mas a exploração dele era muito perigosa por ser a rua muito estreita e sempre cheia de crianças.
«De resto», acrescentava a Ascensores, «o elevador da Bica aproveita a tão diminuto número de passageiros que é preferível melhorar as condições de viação de outras linhas». Falta de previsão: a «Bica», em 1952, transportou nada menos que 1 milhão e 597 mil passageiros. [1]

Ascensor da Bica [1963]
Rua de S. Paulo
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

[1] Olisipo: boletim do grupo «Amigos de Lisboa", 1954.

Sunday, 28 May 2023

Rua Bartolomeu de Gusmão: o Paço de D. Leonor

E já agora, duas palavrinhas acerca do Paço de D. Leonor, de Santo Elói ou S. Bartolomeu (pois não houve senão lindos Lolós um com duas designações locais). A solução do problema da sua localização — adianta Norberto de Araújo — deu-a o historiador Anselmo Braamcamp Freire, em termos irremissíveis, e ante uma argumentação documentada. Assentava no extremo deste Largo dos Lóios, num triângulo contido pelas antigas e desaparecidas Rua da Amargura, Rua de Jerusalém (que corria ao meio longitudinal do actual Largo) e Adro de S. Bartolomeu. Isto é: a ponta extrema do Paço ou Casas entrava pela actual Rua Bartolomeu de Gusmão (até há pouco de S. Bartolomeu), e que é esta que aqui corre subindo para o Castelo, correspondendo sensivelmente a setecentista Rua Direita das Portas da Alfofa.
Do Paço da Rainha, mulher de D. João II, [o Príncipe Perfeito], a excelsa fundadora das Misericórdias, residência que teve larga história realenga, tocada de certa poesia e envolta em relativa grandeza, que não ostentação  — nada existe.

Rua de São Bartolomeu, actual Bartolomeu de Gusmão |1903|
«Inventor dos Aeróstatos 1675–1724» (legenda de 1911)
Os Paços de D. Leonor eram situados, pouco mais ou menos, no local onde hoje assenta o prédio aqui se vê e que da Rua Bartolomeu de Gusmão esquina para o Largo dos Lóios
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

A Rua de São Bartolomeu passou pelo Edital de 13 de Dezembro de 1911 a denominar-se Rua Bartolomeu de Gusmão, com a legenda «Inventor dos Aeróstatos 1675–1724», em homenagem ao criador da Passarola Voadora, embora mais de 40 anos depois a legenda tenha passado a «Precursor da Aeronáutica 1675–1724» de acordo com o parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 24 de Julho de 1958.
Este arruamento homenageia Bartolomeu Lourenço de Gusmão (1685–1724), filho dum modesto cirurgião-mor de presídio, Francisco Lourenço, e de sua mulher, Maria Álvares.
Nascido em Santos, S. Paulo, no Brasil, fez estudos no Seminário jesuíta de Belém, na freguesia de Cachoeira, Capitania da Baía, onde se ordenou. Desde muito cedo se interessou pelo estudo da Física, tendo concebido uma máquina de elevação de água a 100 metros de altura, no Seminário de Belém. Em 1701 veio para Portugal. 

Rua de São Bartolomeu |1903|
«Inventor dos Aeróstatos 1675–1724»
Em 1911, este arruamento passou a denominar-se Bartolomeu de Gusmão (com a legenda acima), antes Direita das Portas da Alfofa.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Quando se matriculou na Faculdade de Cânones de Coimbra, em 1 de Dezembro de 1708, com o nome de Bartolomeu Lourenço, já como sacerdote, desconhecia-se, ainda, a célebre figura em que se tornaria, no ano seguinte, devido ao prodigioso invento de um aeróstato, recebendo, por isso, o epíteto de “padre voador”. Era o primeiro balão de papel que se ergueria no ar, sem fazer grande voo, tendo recebido do Rei D. João V a exclusividade da construção de “máquinas voadoras”. A primeira apresentação pública, feita em Lisboa, no Palácio Real, não teve sucesso e o balão ardeu, sem ter feito qualquer voo. Só numa segunda tentativa, em 8 de Agosto de 1709, se ergueu no ar, em voo de 4 metros de altura. A ”passarola voadora”, de que se conhecem diversos desenhos e gravuras, não seria mais do que um projecto que o engenhoso inventor nunca chegou a construir.

Rua Bartolomeu de Gusmão |1949|
Precursor da Aeronáutica [1685-1724] (legenda de 195-)
Antiga de São Bartolomeu antes Direita das Portas da Alfofa.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Durante a segunda metade do século XVIII difundiu-se a ideia de que o próprio Bartolomeu de Gusmão teria efectuado um voo num aeróstato por ele construído, entre o Castelo de S. Jorge e o Terreiro do Paço, mas trata-se de uma lenda, não há documentos que registem esse acontecimento e as suas experiências teriam avivado a imaginação popular a tal ponto que ele seria alvo de chacota.
____________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. II, pp. 65-66, 1938.
Olisipo : boletim do Grupo "Amigos de Lisboa", 1948.

Sunday, 30 July 2023

Rua de São Julião (ou S. Gião) que foi dos «Algibebes»

Já agora, duas palavras, Dilecto, acerca desta tão alfacinha — tão olisiponense, o que empresta à frase um sentido mais elevado — Rua de S. Julião. Foi das mais antigas, como sítio ao menos — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , desta Lisboa, da Ribeira, e chegou ao século XVI enfeixada de pitoresco e de carácter. «S. Gião» ficou na literatura e no teatro [vd. Nota(s)], certo como é a sua paróquia advir pelo menos de 1222 — alguns recuam a 1201— , «uma das primeiras e mais opulentas da cidade»..

O sítio de S. Julião deveu o nome à Igreja medieval, onde é tradição que recebeu baptismo Pedro Julião— eleito Papa João XXI em 1276— , e que foi a paróquia do Paço da Ribeira. [...,] O Terramoto deu cabo dela. O Largo de S. Julião, que caía sobre o chão que deu a Rua dos Retroseiros [Conceição] — sumiu-se. Mas esta Rua ficou de S. Julião até hoje, embora o povo lhe chamasse «Algibebes», pois aos algibebes foi destinada quando se rompeu depois de 1755.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa,vol. XII, pp. 49-50, 1939)

Rua de São Julião, poente |190-|
«Vulgo dos Algibebes, porque quase todas as suas lojas são ocupadas por vendedores
de fato feito».  [F.M.Bordalo: 1863]
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

À cidade de Lisboa confirmação do acordo que fizeram sobre os aljibebes, pelo qual estes não mandem fazer um vestido de pano novo, salvo de galez, entre outros, que se especificam.
Esta concessão é feita em virtude dos vereadores, procurador em câmara e os procuradores dos mesteres alegarem que os aljibebes faziam roupas de panos finos e de sortes de panos em que o povo podia ser enganado, vendendo uns pelos outros, entre outros malefícios. Álvaro Fernandes a fez.==
(Chancelaria de D. Manuel I, liv. 17, fl. 97v,1496-152, in ANTT)

Rua de São Julião, nascente |190-|
O Decreto de 5 de Novembro de 1760 determinou os arruamentos da Baixa lisboeta,
distribuindo as diferentes classes de mercadores em diversas ruas. 
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Vem referenciada no Pranto de Maria Parda (1522), de Gil Vicente, como rua de «San Gião».

Sunday, 22 August 2021

Rua de São Mamede e o antigo Largo do Correio-Mor

Deve o seu nome à Paróquia de São Mamede que aqui se situava — recorda-nos Norberto de Araújo.
Depois do Terramoto este local ficou sendo conhecido por "monturos de S. Mamede" [...]
Este largo, fazendo parte da Rua de S. Mamede, e defronte do edifício Penafiel, foi construído com sua rotunda e cortina há relativamente pouco tempo — 1864 — pela Câmara Municipal com o auxilio financeiro do Conde de Penafiel, descendente dos antigos Correios Mores, de apelidos Gomes da Mata. Compreende-se, assim, a denominação Travessa da Mata (melhor seria "do” Mata) que sobe, pelo nossa esquerda, em cotovelo, desde o Largo até entroncar na Calçada do Conde de Penafiel. O letreiro pomposo desta artéria foi mandado fazer pelo próprio Conde em 1867.

Rua de São Mamede e o antigo Largo do Correio-Mor, dístico  tradicional  que provinha  do  século  XVIII |190-|
Antes Rua Nova de São Mamede (1889); Calçada Conde Penafiel e, ao fundo, a Travessa do Mata.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Observa daqui aquele renque de casitas modestas, defendidas da Calçada por cortina de ferro — antigo pátio do Lindim [ou Landim] — , e que oferecem certo pitoresco. Debruçam-se, jeitosamente, sobre a serventia em curva; tal como aquela outra casa pequenina, na Travessa da Mata, pitoresca pela lei dos contrastes, estão certamente condenadas a desaparecer.==

Rua de São Mamede e o antigo Largo do Correio-Mor, dístico  tradicional  que provinha  do  século  XVIII |190-|
Antes Rua Nova de São Mamede (1889); Calçada Conde Penafiel
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Em meados do séc. XX foi colocado neste Largo o pano de fachada do antigo Chafariz das Mouras.
___________________________
Bibliografia
ARAUJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. II, pp. 23-24, 1938.

Sunday, 2 January 2022

Alameda de S. Pedro de Alcântara

Nos séculos velhos — recorda Norberto de Araújo —  estes campos, muito em declive para os lados da Avenida [Liberdade] de hoje, de semeadura e de olival, altaneiros sobre o esteio do rio Valverde, depois feito charco até enxugar de todo. Já o Bairro Alto oferecia certa pompa urbanista incipiente com casas, alguns palácios, igrejas, conventos e ruelas alinhadas, ainda verdejantes sobre os restos da Quinta dos Andrades — e isto , S. Pedro de Alcântara, era um arrabalde contemplativo.
Na lomba, aos pés das Taipas de hoje, elevava-se casario, e estava desenhada a encosta da Glória, depois Calçada formalizada nos roteiros. Mas cá em cima, num plano irregular, circundada de chãos que eram de particulares, desagregados dos prazos pertencentes a Santa Maria (Sé) e a Santa Justa, o «cômoro», planície que olhava, como hoje, a Lisboa velha, não tinha foros de alameda.

S. Pedro de Alcântara no primeiro terço do sé. XIX [1821]
Neste desenho observa-se, à direita, a torre ou cúpula da Mãe de Água (1) e o Chafariz de S. Pedro (2) (hoje sito na Cç. da Glória),  distinguindo-se igualmente a igreja e o Convento de S. Pedro de Alcântara (3), e o Palácio do Marquês de Santa Iria (4), assim como a velha  muralha e parte do terreno do antigo sequeiro de S. Roque (parte do actual largo Trindade Coelho) . Na parte inferior, do lado esquerdo, notam-se algumas casas do Bairro da Glória.
Desenho por Luiz Gonzaga Pereira, in Lisboa de Antigamente

Realizavam-se por aqui passeios domingueiros, e fazia-se uma feira ou arraial que durou do começo de setecentos precisamente a 1812, ano em que foi proibida.
Do lado edificado, este à nossa direita, levantavam-se dois palácios, algumas casas, um hospício de Clérigos e um Convento de Arrábidos. Em 1732, a Câmara Municipal comprou estes terrenos, onde hoje está a Alameda, a um Fernão Pais, que os adquirira de André Dias, por tal sinal genro do navegador João da Nova. E comprou-os para aqui fazer uma grande «Mãe de Água» — variante das Águas Livres – destinada, por um aqueduto, a abastecer a Cidade Oriental, aqueduto que passaria sobre o vale, a futura Avenida. Construiu-se, e não foi imediatamente. (1752), a muralha sobre as Taipas, e fez-se obra de alvenaria neste local, com aquele bem intencionado propósito. Mas a ideia do aqueduto, aliás esboçado, não prosseguiu.
É esta a origem da Alameda de S. Pedro de Alcântara.

Alameda de  São Pedro de Alcântara [1909]
O gradeamento, que ainda hoje ali se encontra, veio do Palácio da Inquisição do Rossio, ou dos Estaus, actual Teatro D. Maria.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A água, contudo, foi trazida desde Campolide para S. Pedro de Alcântara, e em 1754 já existia um chafariz de cinco bicas, defronte, pouco mais ou menos do Recolhimento [de S. Pedro de Alcântara] hoje de pé, à esquina curva. Este chafariz foi passado, em 1833, para o começo da Rua das Taipas – espécie de meia circunvalação de S. Pedro de Alcântara – e mais tarde arrumou-se onde está hoje [c. 1880], no princípio da Calçada da Glória.
Isto passou a ser um monturo de pedregulhos e de imundícies, vala de despejo de animais mortos, a contrastar com a bonita e verdejante encosta que caía mais para o lado de S. Roque, sobre o fundo de Valverde, depois Passeio Público, justamente a Quinta do Marquês de Castelo Melhor.
Finalmente, nas primeiras décadas do século passado — há cem [180] anos — a Câmara começou a pensar a sério em S. Pedro de Alcântara.
Aí por 1830 estava instalado nos baixos do Palácio Ludovice, defronte da Calçada da Glória, um Quartel da Guarda Real da Polícia, e as cavalariças situavam-se aqui no recanto da Alameda, hoje tabuleiro superior, encostado ao pátio do actual Park Hotel [Rua D. Pedro V, 2 actual edifício da SCML], e a cair sobre as Taipas. Foram os oficiais que promoveram a arborização do local, que os seus soldados terraplanaram.
A Alameda de S. Pedro de Alcântara data de 1840.

Alameda de  São Pedro de Alcântara [1909]
Rua de S. Pedro de Alcântara e Rua das Taipas
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Do muito que haveria a dizer – isto basta a uma ideia rápida da evolução do sítio.
Fizeram-se dois terraplanos — o do Passeio, em cima , e o do jardim em baixo, sendo as grades colocadas em 1864, porque a muralha, com a altura de vinte metros sobre as Taipas era uma atracção dos suicidas (parte do gradeamento pertencera ao Palácio da Inquisição ao Rossio). O lago ou tanque da Alameda veio dos jardins do Paço da Bemposta. [...]
S. Pedro de Alcântara teve o seu período de moda. Era o «Passeio», a «Alameda», o «Jardim» de S. Pedro de Alcântara, com a sua ingenuidade alfacinha, e o seu traço espiritual de romantismo.

Fotografia aérea da zona do Bairro Alto e de  São Pedro de Alcântara [1950]
Igreja de São Roque; Rua de S. Pedro de Alcântara: Rua das Taipas
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, p. 114-115, 1938. 

Sunday, 27 May 2018

Calçada da Bica Pequena e Rua da Bica de Duarte Belo

A designação «Bica do Belo» — recorda-nos Norberto de Araújo — já existia no meado do século XVI (em 1554, pelo menos), como um sítio, que podia até não ser regularmente urbanizado, e se localizava à beira rio.
Um certo Duarte Belo, pessoa de situação ao que se supõe, dispunha por aqui- — Boa Vista —, em local que se chamava Portas do Pó, de umas casas e de um chão, no qual existia uma bica, mais tarde desviada uns metros para o alinhamento da Rua da Boa Vista; é a Bica dos Olhos a que adente me referirei.

Calçada da Bica Pequena [1915]
Tem início Rua de São Paulo e termina Rua da Bica de Duarte Belo;
Travessa do Cabral.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

 Nos tempos antigos eram muito mais latas as referências toponímicas locais, fosse onde fosse. O certo que à vertente das encostas entre Santa Catarina e as Chagas se passou a chamar Rua da Bica do Duarte Belo, por extensão.

Calçada da Bica Pequena [1945]
Tem início Rua de São Paulo e termina Rua da Bica de Duarte Belo
 Rua dos Cordoeiros e Largo de Santo Antoninho (dir.); Ascensor da Bica.
Martinez Pozal, Lisboa de Antigamente

Êste sítio da Bica corresponde a um vale de encosta, um como que desfiladeiro, cavado mais acentuadamente, por efeito de um desmoronamento de terras das encostas laterais. Esse cataclismo, localizado ao sítio, sucedeu às 11 da noite de 22 de Julho de 1597; foram destruídas nada menos de 110 casas, em três ruas. Precisamente vinte e cinco anos depois repetiram-se os desabamentos, mas em menor escala.

Rua da Bica do Belo [1915]
Tem início na Travessa do Cabral e termina no Largo do Calhariz (ao cimo); 
Travessa da Portuguesa.
Joshua Benoliel, Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, p. 67, 1939.

Friday, 26 March 2021

Rua das Taipas

Na lomba, aos pés das Taipas de hoje, elevava-se casario, e estava desenhada a encosta da Glória, depois Calçada formalizada nos roteiros. Mas cá em cima, num plano irregular, circundada de chãos que eram de particulares, desagregados dos prazos pertencentes a Santa Maria (Sé) e a Santa Justa, o «cômoro», planície que olhava, como hoje, a Lisboa velha, não tinha foros de alameda.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, p. 71, 1938)

Rua das Taipas |c. 190-|
Antiga de São Sebastião vulgo de São Sebastião das Taipas
Panorâmica tirada de São Pedro de Alcântara; Colina de Santana
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

A travessa das Taipas já em 1778, na citada relação manuscrita do tenente coronel Monteiro de Carvalho, aparece com o actual nome de rua de São Sebastião das Taipas. Tinha, então, de risco pombalino, dezasseis propriedades do lado nascente e duas do lado do poente.
(MATOS SEQUEIRA, Gustavo de, Depois do Terremoto, 1933)

Rua das Taipas |c. 190-|
Antes de São Sebastião vulgo de São Sebastião das Taipas
Palacete Gama Pinto (1853-1945), médico-oftalmologista.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

N.B. Em 1885, Gama Pinto regressou a Lisboa e, três anos depois, fundou o Instituto de Oftalmologia sito na Rua do Passadiço, o primeiro centro de formação de oftalmologistas do país que, hoje, tem o seu nome. Gama Pinto foi certamente o primeiro especialista em oftalmologia em Portugal.

Friday, 29 April 2016

Profissões de antanho: o moço de fretes

O moço de fretes ou moço de esquina, como também era conhecido, foi uma instituição de Lisboa. Normalmente eram homens oriundos da Galiza, embora entre eles se contassem muitos elementos das nossas Beiras. Gente pacífica, honrada e mansa no tracto, a esses homens podia entregar-se, utilizando os seus serviços, uma carta confidencial que, pressurosos, iam levar ao seu destino; valores ao penhor, de gente de bom-tom que se escondia; transporte de mobílias e outros carregos e até puxar as pequenas bombas de incêndio pelas ruas estreitas dos bairros populares. 

Profissões de antanho: o moço de fretes |1912|
Largo do Chiado, esquina com a Rua Nova da Trindade
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Todavia, a sua maior actividade era transportar mobílias, de casa para casa, nas mudanças que os lisboetas então faziam com frequência, porque havia casas para alugar! Era vulgar ver-se escritos nas janelas, sinal de que as casas estavam devolutas, e os alfacinhas, sobretudo as senhoras, adoravam mudar de domicílio. Bons tempos!

Profissões de antanho: o moço de fretes |1907|
Calçada do Combro
Joshua Benoliel, iin Lisboa de Antigamente

Os moços de fretes, os galegos como eram conhecidos, encarregavam-se desses serviços, desarmando em casa os móveis e acomodando-os nas padiolas, amarrados com boas cordas. Depois de tudo empoleirado, dois ou quatro homens, consoante o volume e o peso, a passo certo, cadenciado, mas alternado, seguiam com a tralha para a nova residência onde rearmavam tudo com muito cuidado, no que eram mestres. Só que quando algo se partia, logo tinha justificação: — Tenha paxiêrixia, acontexe!...

Profissões de antanho: o moço de fretes |1908|
Rua Rodrigo da Fonseca com a Rua Barata Salgueiro
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Profissões de antanho: o moço de fretes |entre 1908 e 1914|
Calçada do Carmo
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente

Era curiosa a forma como se auxiliavam no transporte com a padiola: dois à frente e dois atrás, com um grosso pau de carga que eles suportavam aos ombros, adoçando o incómodo com chinguiços  — pequenas almofadas em forma de ferradura que ajustavam ao pescoço — e assim aguentavam o peso bem equilibrado.

Profissões de antanho: o moço de fretes |1910|
 Rua do Comércio com a Rua dos Fanqueiros
Joshua Benoliel,in Lisboa de Antigamente
Profissões de antanho: o moço de fretes |c. 1930|
Rua de São Lázaro
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

Os moços de fretes ou de esquina agrupavam-se em vários locais da cidade nas praças principais, como o como o Rossio, Terreiro do Paço, Chiado, Graça, Alcântara e outros, e também pelas esquinas das ruas, onde eram procurados para ajustar os serviços que deles se pretendia

Profissões de antanho: o moço de fretes |1908|
 Largo do Chiado: A Ilha dos Galegos
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Profissões de antanho: o moço de fretes |post. 1902|
Rua do Arco do Marquês de Alegrete, Palácio do Marquês de Alegrete (Martim Moniz)
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

É de salientar um serviço que era sempre muito bem pago porque obrigava a discrição: levar cartas confidenciais, naquele tempo em que ter telefone era um luxo!
Leva esta carta e entrega-a só à própria. Entendido?
Xagrado! respondia o Xoaquim.
 E pelo serviço cauteloso pagava-se cinco tostões de boa prata!

Profissões de antanho: o moço de fretes |190-|
 Largo de São Domingos
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
DINIS, Calderon , Tipos e Factos da Lisboa do meu tempo (1900-1974), p. 216.

Friday, 26 August 2016

Santa Justa

Rua de Santa Justa. Assim se denominará a sexta, e ultima das referidas travessas, e nella se alojaráõ os mercadores de lã, e seda, que naõ tiveram bastante accomodaçaõ na Rua Augusta.1


A remodelação paroquial de 1770 menciona esta artéria ora como Travessa ora como Rua, já que a descrição da Freguesia de Nª Srª da Conceição e a de Santa Justa a referem como «nova traveça de S. Justa» e nas plantas dessas mesmas freguesias surge como «Rua de S. Justa». E finalmente, o Edital municipal de 12 Novembro de 1892 retomou as nomenclaturas pombalinas e passou as Travessas de Santa Justa, da Assunção, de São Nicolau e da Vitória a Ruas.
Luís Pastor de Macedo sublinha ainda que «os nomes de S. Julião, da Conceição, de S. Nicolau, da Vitória e de Santa Justa, foram dados às ruas que mais perto passavam das igrejas e ermidas que com aquela invocação, segundo o plano estabelecido, se haviam de erguer ou se estavam já construindo.» 3

Rua de Santa Justa [c. 1906]
Ao fundo, O elevador de Santa Justa ou do Carmoinaugurado em 10 de Julho de 1902.

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

De acordo com Norberto Araújo existiu aqui, à entrada das Escadinhas de Santa Justa na esquina da Rua dos Fanqueiros (vd. 2.ª imagem), a «paroquial de Santa Justa, uma das primeiras de Lisboa, fundada — crê-se — em 1166». Por sua vez, o Pe. João Baptista de Castro escreve, em 1870, que «Uma das tres freg«ezias primitivas, que formou, e instituiu n'esla cidade o bispo D. Gilberto, logo que o inclyto D. Afonso Henriques a conquistou aos mouros, foi a de Santa Justa: e segundo consta das nossas Historias correndo o anno de 1173, a primeira igreja, para onde foi conduzido o sagrado corpo do invicto martyr S. Vicente, assim que chegou do Promontório sacro do Algarve a este porto, foi para esta de Santa Justa, para cuja lembrança permanecia na porta principal da igreja um nicho de pedra da parte do Evangelho com a imagem do santo.» 2

Rua de Santa Justa [c. 1930]
Ao fundo, na Rua dos Fanqueiros antiga Nova da Princesa o prédio da «Companhia do Papel do Prado», mais tarde edifício da «Pollux», casa fundada em 1936
.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

A igreja sofreu um incêndio aquando do Terramoto. Pensou-se em construir outra, precisamente onde se ergueu depois o prédio da «Companhia do Papel do Prado», mais tarde edifício da «Pollux» (casa fundada em 1936),  mas com a transição da paroquial para igreja de S. Domingos a ideia gorou-se. Ainda segundo Norberto de Araújo, o edifício «converteu-se em teatro, o «Teatro de D. Fernando», que existiu até 1860. Só depois se realizou a urbanização do local (1863-1864).» 4
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Bibliografia:
1 CASTRO, João Baptista, Mappa de Portugal antigo e moderno, 1870, Vol. 3, Parte V, p. 57.
2 idem, p. 182.
3 cm-lisboa.pt.
4 ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, pp. 40-41, 1939.
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