Saturday, 15 October 2016

Palácio Penafiel ou do Correio-Mor

O serviço de correios públicos foi estabelecido por D. Manuel I que mandou passar carta de Correio-Mor a Luís Homem, cavaleiro de sua casa, em 1520. O ofício de correio-mor manteve-se na família Gomes da Mata, entre 1606 e 1797. Extinto o ofício de Correio Mor do Reino em 1797, foram dados ao 8.º e último Correio Mor, Manuel José da Mata de Sousa Coutinho, várias compensações, entre as quais o título de Conde de Penafiel.


Aí temos agora a entrada do Palácio Penafiel — escreve Norberto de Araújo — constituindo com a antiga casa do Correio Mor — esta anterior a 1755 numa nova estrutura urbana — um único edifício. O Palácio, ao fundo de um pátio nobre, abre num átrio sob três arcarias de volta redonda; a frente, na rua, é guarnecida por três portões nobres gradeados, sendo o do centro armoriado, e impraticável. À nossa esquerda, num nível superior, está o jardim da antiga propriedade do Correio, para o qual se entra por um portão.

Palácio Penafiel ou do Correio-Mor, fachada norte [1901]
Rua de São Mamede (ao Caldas), 21; antigo Largo do Correio Mor; Travessa do Almada, 32-32A; Calçada do Correio Velho, 17-19; Rua das Pedras Negras, 10-20
Fotógrafo não identificado, in AML

   Há setenta anos [c. 1865] as festas do Palácio Penafiel davam brado em Lisboa, tal como as do Conde de Carvalhal dos Marqueses de Viana, ao Rato, do Conde de Farrobo, às Laranjeiras, ainda que sem o cunho artístico e literário de qualquer destas.
   Este soturno edifício inundava-se de luz e de flores; para um baile, em 1865, vieram do Porto 16.000 camélias. Os bailes dos Condes de Penafiel — o ultimo foi em 1867 — eram um deslumbramento, e o número de convidados excedia, em regra, um milhar.
   As mais belas mulheres de Lisboa do romantismo aristocrático (era o tempo das cabeleiras em anéis) davam aqui prédios de beleza e de elegância. O interior do Palácio era rico; as salas adornavam-se de um brilhantismo singular. 
   Afinal, em 1871, todo o recheio foi à praça. As festas Penafiel, como todas as dos salões de Lisboa, tinham acabado...
Palácio Penafiel ou do Correio-Mor, fachada nascente [1901]
Calçada do Correio Velho, 17-19
Fotógrafo não identificado, in AML

O edifício foi adquirido pelo Estado ao último Conde de Penafiel em 1919, funcionando no seu espaço o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.
   Quando em 1772 neste sítio se procedia à abertura de alicerces para levantamento do Palácio e reconstrução da sua parte nascente (a do Correio), apareceram as ruínas das famosas Termas Romanas dos Cássios, muito completas e de excelente material, com piscina, nichos, tanque, escadarias, e ainda uma lápide de tijolo que não deixava dúvidas
àcerca da natureza da descoberta, .
   Também nesta Rua de S. Mamede, mais acima, já a tocar a Rua da Saudade foram encontradas em 1798 ruínas preciosas de um Teatro romano, que datava do ano 57 antes de Cristo; as inscrições nas pedras atestam que o teatro fora dedicado a Nero (Nero Cláudio César Augusto) pelo augustal Caio Haio Primo.

Palácio Penafiel ou do Correio-Mor, portão armoriado [1932]
Rua de São Mamede (ao Caldas), 21
Entre os portões e sobre porção de muro gradeado, 2 anjos tenentes apoiados nos pilares 
 apresentam a pedra de armas dos condes de Penafiel, encimada por coroa.
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Num outro passo das suas Peregrinações, Norberto de Araújo refere que "(...) na Calçada do Correio Velho, vês uma face do citado Palácio, e na qual, no n.º 19 da numeração policial, encontras êste curioso letreiro em pedra: CORREYO GERAL DO REINO MDCCLXXVI.
Esta legenda lembra o tempo em que o correio era privilégio da família Gomes da Mata,na qual estava o titulo e seu rendoso usufruto de Correio-Mor."

Palácio Penafiel ou do Correio-Mor, portão com letreiro em pedra [1949]
Calçada do Correio Velho, 19
Eduardo Portugal, in AML

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. II, pp. 24-25, 1938.
cm-lisboa.pt; monumentos.pt.

1 comment:

  1. Pesquisa fantastica! Interessantissimo.

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