Saturday, 4 March 2017

Convento dos Arrábidos ou de S. Pedro de Alcântara

Nestes limites e extremos do Bairro Alto, raros documentos citadinos oferecem um interêsse tão simpático como êste Recolhimento das Órfãs, dependente da Misericórdia de Lisboa, aqui na curva e esquina da Rua Luíza Todi, antiga Travessa da Estrêla; é mesmo uma das mais antigas instituições de assistência moral e educativa da velha Santa Casa.
O pequeno edifício, aliás gracioso, foi o do antigo Convento de S. Pedro de Alcântara, que deu nome ao local. Aí estás a ver a Casa, com seu portal agradável, com seu painel de azulejo, logo na frente do patim, à vista da Rua, e que representa S. Francisco, com sua escadaria que se desdobra, com seu adro simples e a galilé pequenina, que abre de três arcadas singelas e decorativas.


Convento de São Pedro de Alcântara  [1966]
Rua de São Pedro de Alcântara, 85 (Igreja); Rua da Rosa, S/N (Convento de São Pedro de Alcântara);
Travessa de São Pedro, 2-8; Rua Luísa Todi, 1-11
Armando Serôdioin Arquivo Municipal Lisboa

Erigido no Largo de S. Pedro de Alcântara, no local onde foi o Palácio dos Condes de Avintes, e nos outros tempos, uma nobre morada de casas de Marcos Tinoco (Secretário da Mesa da Consciência e Ordens), este convento foi fundado pelo 1.° Marquês de Marialva, D. António Luís de Meneses, em 1680, para os religiosos Arrábidos, em cumprimento de um voto feito na Batalha de Montes Claros
O edifício tinha inicialmente uma pequena igreja, e a cerca abrangia todo o quarteirão entre a Rua da Rosa, a Travessa do Sacramento e a Rua do Príncipe Real. 
Os frades Arrábidos tomaram posse do terreno e das casas em 1672, mas apenas em 1680 seria lançada a primeira pedra na igreja, mudando-se os religiosos para lá só em 1685. Eram pouco mais de 40 frades.
Vivia esta Ordem em austeridade na Serra da Arrábida, conforme as regras iniciadas por Frei Martinho e Frei Pedro de Alcântara.
Em 1707, possuía a Congregação, na chamada Província de Portugal, cerca de 22 conventos, dos quais 20 pertenciam ao Bispado de Lisboa.
Com o terramoto de 1755 ficou bastante deteriorado. A igreja caiu inesperadamente, esmagando muitos seculares e especialmente algumas mulheres que assistiam ao culto do dia. 
Foi posteriormente restaurada. 
A Casa do Capítulo (da autoria de Manuel da Maia), o refeitório e os dormitórios (restaurados em tempos de D. João V), resistiram ao sismo.
Na igreja jaz o grande General da Restauração, que foi ao mesmo tempo fundador do convento, e no adro o Arcebispo de Évora, D. Veríssimo de Lencastre. 
O 2.° Marquês de Marialva, D. Pedro António de Meneses, viria a promover o aumento da igreja com a reconstrução da capela-mor. 

Convento de São Pedro de Alcântara  [entre 1901 e 1910]
Rua de São Pedro de Alcântara, 85 (Igreja); Rua da Rosa, S/N (Convento de São Pedro de Alcântara);
Travessa de São Pedro, 2-8; Rua Luísa Todi, 1-11
Autor desconhecidoin Arquivo Municipal Lisboa

De referir no seu interior: 
A escadaria com painéis de azulejos Setecentistas; 
A entrada sob uma galilé de 3 arcos
A célebre Capela dos Lencastres, com tectos de Pierre Bordes [tecto pintado em trompe l’oeile] telas atribuídas a Pedro Alexandrino [A Pregação de São João Baptista], Wolkmar Machado e Quillard [A Coroação da Virgem]. 
A igreja foi restaurada em 1878, já depois da extinção das Ordens Religiosas.
Serviu depois para recolhimento de raparigas desamparadas, com o nome de Asilo da Apresentação de Maria (Assistência Social), estando actualmente dependente da Misericórdia de Lisboa [por decreto de D. Pedro, Duque de Bragança, ex-imperador do Brasil, a 31 de Dezembro de 1833].

Convento de São Pedro de Alcântara, fachada lateral  [séc. XIX]
Rua de São Pedro de Alcântara, 85 (Igreja); Rua da Rosa, S/N (Convento de São Pedro de Alcântara);
Travessa de São Pedro, 2-8; Rua Luísa Todi, 1-11
Autor desconhecidoin Arquivo Municipal Lisboa

Em 1943 passou a ser administrado, em acordo de cooperação, pelas Irmãs da Província Portuguesa da Congregação da Apresentação de Maria. Actualmente designa-se por Instituto de S. Pedro de Alcântara. Este imóvel insere-se no tecido consolidado do Bairro Alto, classificado Conjunto de Interesse Público.

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, p. 73, 1938
CAEIRO, Baltazar Mexia de Matos, Os conventos de Lisboa, p. 145, 1954

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