Friday, 26 August 2016

Santa Justa

Rua de Santa Justa. Assim se denominará a sexta, e ultima das referidas travessas, e nella se alojaráõ os mercadores de lã, e seda, que naõ tiveram bastante accomodaçaõ na Rua Augusta. [1]

A remodelação paroquial de 1770 menciona esta artéria ora como Travessa ora como Rua, já que a descrição da Freguesia de Nª Srª da Conceição e a de Santa Justa a referem como «nova traveça de S. Justa» e nas plantas dessas mesmas freguesias surge como «Rua de S. Justa». E finalmente, o Edital municipal de 12 Novembro de 1892 retomou as nomenclaturas pombalinas e passou as Travessas de Santa Justa, da Assunção, de São Nicolau e da Vitória a Ruas.
Luís Pastor de Macedo sublinha ainda que «os nomes de S. Julião, da Conceição, de S. Nicolau, da Vitória e de Santa Justa, foram dados às ruas que mais perto passavam das igrejas e ermidas que com aquela invocação, segundo o plano estabelecido, se haviam de erguer ou se estavam já construindo.» [3]

Rua de Santa Justa [c. 1906]
Ao fundo, O elevador de Santa Justa ou do Carmoinaugurado em 10 de Julho de 1902

Fotógrafo não identificado

De acordo com Norberto Araújo existiu aqui, à entrada das Escadinhas de Santa Justa na esquina da Rua dos Fanqueiros (vd. 2.ª imagem), a «paroquial de Santa Justa, uma das primeiras de Lisboa, fundada — crê-se — em 1166». Por sua vez, o Pe. João Baptista de Castro escreve, em 1870, que «Uma das tres freg«ezias primitivas, que formou, e instituiu n'esla cidade o bispo D. Gilberto, logo que o inclyto D. Afonso Henriques a conquistou aos mouros, foi a de Santa Justa: e segundo consta das nossas Historias correndo o anno de 1173, a primeira igreja, para onde foi conduzido o sagrado corpo do invicto martyr S. Vicente, assim que chegou do Promontório sacro do Algarve a este porto, foi para esta de Santa Justa, para cuja lembrança permanecia na porta principal da igreja um nicho de pedra da parte do Evangelho com a imagem do santo.»  [2]

Rua de Santa Justa [c. 1930]
Ao fundo, na Rua dos Fanqueiros antiga Nova da Princesa o prédio da «Companhia do Papel do Prado», mais tarde edifício da «Pollux», casa fundada em 1936

Paulo Guedes, in AML

A igreja sofreu um incêndio aquando do Terramoto. Pensou-se em construir outra, precisamente onde se ergueu depois o prédio da «Companhia do Papel do Prado», mais tarde edifício da «Pollux» (casa fundada em 1936),  mas com a transição da paroquial para igreja de S. Domingos a ideia gorou-se. Ainda segundo Norberto de Araújo, o edifício «converteu-se em teatro, o «Teatro de D. Fernando›, que existiu até 1860. Só depois se realizou a urbanização do local (1863-1864).» [4]
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Bibliografia:
[1] (CASTRO, João Baptista, Mappa de Portugal antigo e moderno, 1870, Vol. 3, Parte V, p. 57)
[2] (idem, p. 182
[3] (cm-lisboa.pt)
[4] (ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, pp. 40-41)

3 comments:

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  2. Boa tarde. Grato pelo seu artigo que acabo de consultar, à procura que estava da identificação da igreja de Santa Justa. Na verdade, um dos meus antepassados foi aí baptizado nos finais do séc XV, no âmbito da conversão forçada dos judeus portugueses. Há notícia de que esta igreja tenha sido particularmente usada para este fim? Muito, muito obrigado pelas suas informações. Américo Oliveira

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    1. Na literatura de que dispomos não se encontra evidência nesse sentido. Cumps

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