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domingo, 21 de maio de 2023

Rua Marquês de Fronteira que foi Estr. da Circunvalação

Por decreto de Setembro de 1852 a cidade passaria a ser circundada por muro alto e contínuo, feito propositadamente, até junto ao rio, tendo por únicas passagens, portões de ferro. Chamava-se Estr. de Circunvalação e para efeitos aduaneiros estava guardada pela Guarda Fiscal.
A estrada passava pelo Arco do Carvalhão (Arco pertencente às Aguas Livres) Rua D. Carlos de Mascarenhas — Rua Marquês de Fronteira — actual Avenida Duque de Ávila — Rua Visconde de Santarém — Largo do Leão — Rua Carrilho — Rua Morais Soares — Alto de S. João — Avenida Afonso III (sendo novo o último troço, evitando-se a Calçada das Lajes) Xabregas.

Rua Marquês de Fronteira |1927|
Antiga Estrada da Circunvalação
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Legenda da foto no arquivo: «O carro celular com o preso (José Júlio da Costa), a caminho da Penitenciária de Lisboa»

A artéria perpetua a memória de D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto (180 –1881), 8º conde da Torre, 5º marquês de Alorna e 7º marquês da Fronteira. Após a Vilafrancada viveu exilado para depois fazer toda a campanha das lutas liberais, tendo-se reformado no posto de marechal-de-campo. Foi também governador civil de Lisboa (1846-1851), par do reino e deixou 5 volumes das suas «Memórias do Marquês da Fronteira e Alorna».

Eléctricos na Rua Marquês de Fronteira |1960|
Dístico de 1903. Paragem junto a Rua de Campolide.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Rua Morais Soares

Este arruamento nasceu em 1906 como Rua do Conselheiro Morais Soares, no troço da antiga Estrada de Circunvalação compreendido entre a rotunda (hoje, Praça do Chile) no término da Avenida da Dona Amélia (hoje Avenida Almirante Reis) e a Parada do Cemitério Oriental (hoje Parada do Alto de São João), e foi já após a implantação da República, pelo Edital Municipal de 27/11/1916, que passou a Rua Morais Soares, já que o título de "conselheiro" recordava o regime monárquico, por ser atribuído pelo soberano, tradicionalmente aos magistrados do Supremo Tribunal e por vezes, a pessoas que tinham prestado serviços honrosos.

Rua Morais Soares |195-|
Antiga Estrada de Circunvalação
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Rodrigo de Morais Soares (1811–1881), bacharel em Medicina pela Universidade de Coimbra, distinguiu-se como alto funcionário da Administração Pública e especialista em assuntos aduaneiros, agrícolas e financeiros. Quando em 1852 se criou a Secretaria das Obras Públicas foi nomeado chefe da repartição de Agricultura e mais tarde Director geral, tendo fundado a Quinta Regional de Sintra e o Instituto Agrícola. Em 1858 fundou o Arquivo Rural, importantíssimo jornal de agricultura e artes e ciências correlativas. A Escola de Regentes Agrícolas de Santarém teve o seu nome, passando em 1910 a Escola Prática de Agricultura. Ainda escreveu diversos opúsculos sobre temas agrícolas e financeiros.[cm-lisboa.pt]

Rua Morais Soares |1955|
Antiga Estrada de Circunvalação
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 11 de março de 2022

Rua António Pereira Carrilho

Os limites da antiga Estrada da Circunvalação foram estabelecidos em 1852  tendo sido a primeira vez que o Município de Lisboa ficou «demarcado por uma linha de limites contínua e nitidamente definida».

Rua do Conselheiro Pereira Carrilho |1953|
Notável Economista e Jornalista (1835-1903)
Topónimo atribuído por edital da CML em 1916; troço da antiga Estrada de Circunvalação; Cruzamento junto ao Largo do Leão.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

António Pereira Carrilho, a cujo topónimo acresceu mais tarde a legenda «Notável Economista e Jornalista 1835–1903» por parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 03/03/1960, antes de ser Rua do Conselheiro Pereira Carrilho era um troço da antiga Estrada de Circunvalação. O homenageado é António Maria Pereira Carrilho, Depois de uma carreira como empregado comercial, passa a funcionário público, ascendendo a director-geral da contabilidade pública e a secretário-geral do Ministério da Fazenda. Gozando de altas protecções maçónicas, torna-se um dos principais símbolos do burocrata do rotativismo liberal. Enfrenta Oliveira Martins, quando este é Ministro da Fazenda no governo de José Dias Ferreira, e, com o apoio do chefe do governo, torna-se um dos principais pretextos para a queda daquele. Premiado com o cargo de Presidente da Companhia dos Caminhos de Ferros Portugueses. Deputado em 1875-79; 1882-94 e em 1902. Par do reino em 1902-1903.[in Politipédia; cm-lisboa.pt]

Rua António Pereira Carrilho |1966-05|
Notável Economista e Jornalista (1835-1903)
Depois da da alteração toponímica e após remoção do separador central que se observa na imagem anterior.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

domingo, 2 de janeiro de 2022

Alameda de S. Pedro de Alcântara

Nos séculos velhos — recorda Norberto de Araújo —  estes campos, muito em declive para os lados da Avenida [Liberdade] de hoje, de semeadura e de olival, altaneiros sobre o esteio do rio Valverde, depois feito charco até enxugar de todo. Já o Bairro Alto oferecia certa pompa urbanista incipiente com casas, alguns palácios, igrejas, conventos e ruelas alinhadas, ainda verdejantes sobre os restos da Quinta dos Andrades — e isto , S. Pedro de Alcântara, era um arrabalde contemplativo.
Na lomba, aos pés das Taipas de hoje, elevava-se casario, e estava desenhada a encosta da Glória, depois Calçada formalizada nos roteiros. Mas cá em cima, num plano irregular, circundada de chãos que eram de particulares, desagregados dos prazos pertencentes a Santa Maria (Sé) e a Santa Justa, o «cômoro», planície que olhava, como hoje, a Lisboa velha, não tinha foros de alameda.

S. Pedro de Alcântara no primeiro terço do sé. XIX [1821]
Neste desenho observa-se, à direita, a torre ou cúpula da Mãe de Água (1) e o Chafariz de S. Pedro (2) (hoje sito na Cç. da Glória),  distinguindo-se igualmente a igreja e o Convento de S. Pedro de Alcântara (3), e o Palácio do Marquês de Santa Iria (4), assim como a velha  muralha e parte do terreno do antigo sequeiro de S. Roque (parte do actual largo Trindade Coelho) . Na parte inferior, do lado esquerdo, notam-se algumas casas do Bairro da Glória.
Desenho por Luiz Gonzaga Pereira, in Lisboa de Antigamente

Realizavam-se por aqui passeios domingueiros, e fazia-se uma feira ou arraial que durou do começo de setecentos precisamente a 1812, ano em que foi proibida.
Do lado edificado, este à nossa direita, levantavam-se dois palácios, algumas casas, um hospício de Clérigos e um Convento de Arrábidos. Em 1732, a Câmara Municipal comprou estes terrenos, onde hoje está a Alameda, a um Fernão Pais, que os adquirira de André Dias, por tal sinal genro do navegador João da Nova. E comprou-os para aqui fazer uma grande «Mãe de Água» — variante das Águas Livres – destinada, por um aqueduto, a abastecer a Cidade Oriental, aqueduto que passaria sobre o vale, a futura Avenida. Construiu-se, e não foi imediatamente. (1752), a muralha sobre as Taipas, e fez-se obra de alvenaria neste local, com aquele bem intencionado propósito. Mas a ideia do aqueduto, aliás esboçado, não prosseguiu.
É esta a origem da Alameda de S. Pedro de Alcântara.

Alameda de  São Pedro de Alcântara [1909]
O gradeamento, que ainda hoje ali se encontra, veio do Palácio da Inquisição do Rossio, ou dos Estaus, actual Teatro D. Maria.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A água, contudo, foi trazida desde Campolide para S. Pedro de Alcântara, e em 1754 já existia um chafariz de cinco bicas, defronte, pouco mais ou menos do Recolhimento [de S. Pedro de Alcântara] hoje de pé, à esquina curva. Este chafariz foi passado, em 1833, para o começo da Rua das Taipas – espécie de meia circunvalação de S. Pedro de Alcântara – e mais tarde arrumou-se onde está hoje [c. 1880], no princípio da Calçada da Glória.
Isto passou a ser um monturo de pedregulhos e de imundícies, vala de despejo de animais mortos, a contrastar com a bonita e verdejante encosta que caía mais para o lado de S. Roque, sobre o fundo de Valverde, depois Passeio Público, justamente a Quinta do Marquês de Castelo Melhor.
Finalmente, nas primeiras décadas do século passado — há cem [180] anos — a Câmara começou a pensar a sério em S. Pedro de Alcântara.
Aí por 1830 estava instalado nos baixos do Palácio Ludovice, defronte da Calçada da Glória, um Quartel da Guarda Real da Polícia, e as cavalariças situavam-se aqui no recanto da Alameda, hoje tabuleiro superior, encostado ao pátio do actual Park Hotel [Rua D. Pedro V, 2 actual edifício da SCML], e a cair sobre as Taipas. Foram os oficiais que promoveram a arborização do local, que os seus soldados terraplanaram.
A Alameda de S. Pedro de Alcântara data de 1840.

Alameda de  São Pedro de Alcântara [1909]
Rua de S. Pedro de Alcântara e Rua das Taipas
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Do muito que haveria a dizer – isto basta a uma ideia rápida da evolução do sítio.
Fizeram-se dois terraplanos — o do Passeio, em cima , e o do jardim em baixo, sendo as grades colocadas em 1864, porque a muralha, com a altura de vinte metros sobre as Taipas era uma atracção dos suicidas (parte do gradeamento pertencera ao Palácio da Inquisição ao Rossio). O lago ou tanque da Alameda veio dos jardins do Paço da Bemposta. [...]
S. Pedro de Alcântara teve o seu período de moda. Era o «Passeio», a «Alameda», o «Jardim» de S. Pedro de Alcântara, com a sua ingenuidade alfacinha, e o seu traço espiritual de romantismo.

Fotografia aérea da zona do Bairro Alto e de  São Pedro de Alcântara [1950]
Igreja de São Roque; Rua de S. Pedro de Alcântara: Rua das Taipas
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, p. 114-115, 1938. 

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Rua Francisco Sanches esquina com a Rua Cavaleiro de Oliveira

A Rua Francisco Sanches (1550-1622) nasceu ainda no séc. XIX, através do Edital municipal de 18/12/1893 na «rua que parte da Travessa do Caracol da Penha ou Nascente da Avenida dos Anjos e que deve vir a findar na antiga Estr. de Circunvalação».

Médico, filósofo e professor universitário português, nasceu em 1551, na diocese de Braga e foi baptizado na Igreja de S. João do Souto. Quanto ao local do seu nascimento, existem três hipóteses: Braga, Tui ou Valença do Minho, mas a segunda hipótese é, de todas, a mais viável. Francisco Sanches, na sua matrícula da Universidade de Montpellier, declara ter nascido em Tui - natus in civitate tudensi.
Francisco de Oliveira (1702–1783), conhecido como Cavaleiro de Oliveira, funcionário da Coroa no século XVIII e escritor proibido pela Inquisição, é desde a publicação do Edital municipal de 17 de Outubro de 1924 o topónimo de uma Rua de Arroios que hoje une a Rua Morais Soares à Praça Olegário Mariano.
 
Rua Francisco Sanches esquina com a Rua Cavaleiro de Oliveira |195-|
Praça Olegário Mariano; ao fundo corre a Rua Morais Soares
A Praça Olegário Mariano, na freguesia de S. Jorge de Arroios, foi atribuída por Edital municipal de 4 de Maio de 1959 na então designada Praceta da Rua Pascoal de Melo. 
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Antigas Portas de Benfica

Seguindo a estr. de Benfica, vai-se ter às antigas portas fiscais e por aí é o caminho para a Amadora e Queluz. [Proença: 1924]
 
Os vários edifícios construídos ao longo da circunvalação da cidade destinavam-se a albergar unidades da Guarda Fiscal que cobravam o «Real da Água», isto é, impostos sobre o consumo de vários géneros alimentares que entravam e saíam dos limites físicos da cidade.

Os Castelinhos das Portas de Benfica [1970]
Estrada de Benfica/Estrada Militar
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

O nome «Real da Água» foi herdado dos impostos semelhantes que, no «Antigo Regime», eram cobrados com carácter extraordinário para fazer face a despesas de construção de aquedutos e chafarizes.
Foi esta uma das formas de financiamento da construção do Aqueduto Geral das Águas Livres e a sua cobrança prolongada em Lisboa, acabou por transformar este imposto temporário em permanente. O imposto eram particularmente pesado sobre as bebidas alcoólicas e, até à sua extinção em 1922, eram frequentes os episódios de contrabando de álcool nas barreiras da cidade.

Os Castelinhos das Portas de Benfica [1970]
Antigo posto da polícia de trânsito; Estrada de Benfica/Estrada Militar
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

O projecto, de autor desconhecido, data de 1886. Construidas em estilo neogótico, com ameias inspiradas nos castelos medievais, as Portas de Benfica foram recentemente requalificadas e reinseridas num arranjo paisagístico que conciliou a moderna rede viária com estes últimos sobreviventes dos antigos postos da Guarda Fiscal. (cm-amadora.pt)

Os Castelinhos das Portas de Benfica [1970]
Antigo osto da polícia de trânsito; Estrada de Benfica/Estrada Militar]
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Avenida António Augusto de Aguiar, 144: Casa Júlio de Andrade

No contexto do grande plano de desenvolvimento camarário da cidade de Lisboa em direcção a norte, entre 1897 e 1898 foi rasgada a Av. António Augusto de Aguiar que, contando com pouco mais de um quilómetro de extensão, finalmente concretizava (embora de forma enviesada) a ligação há muito pretendida entre a Avenida da Liberdade e a Estr. da Circunvalação (actual Rua Marquês da Fronteira). Apenas em 1903 foram disponibilizados os talhões do quarteirão triangular formado pela Av. António Augusto de Aguiar, Rua Marquês da Fronteira) e Estr. da Palhavã (actual Rua Nicolau Bettencourt), junto do local onde a primeira terminava.
Em Junho de 1903, Júlio de Andrade (1838-1906), acrescentaria ao seu pecúlio o lote nº 34 (também com frente para a estrada da Palhavã), no aludido quarteirão triangular no extremo norte da avenida. Para este último contratou Raul Lino para projectar o que terá sido outra casa de rendimento.
A 29 de Fevereiro de 1904, «foi celebrado o contrato para a construção da casa entre o proprietário e o construtor civil Manuel Joaquim de Oliveira, tendo o arq.º Raul Lino e Inocêncio Madeira como testemunhas. A empreitada foi dada por 18:100$000 a pagar em sete prestações, devendo a obra estar concluída num prazo máximo de 12 meses.

Avenida António Augusto de Aguiar, 144 |post. 1903|
Casa de Júlio de Andrade
; atrás e a dir. notam-se as antigas torres do Parque José Maria Eugénio sobre a Rua Dr. Nicolau Bettencourt.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

A fachada principal é definida pela configuração das coberturas, muito inclinadas e com beirado em madeira, à imagem dos chalets centro-europeus. Esta fachada era composta por volumes discretamente desencontrados, num jogo de vãos e varandas, cujas guardas de ferro apresentavam um intrincado desenho plenamente imbuído do estilo Arte Nova.
A casa de Júlio de Andrade não sobreviveu às alterações do tempo, tendo sido demolida em 2003, em vésperas de cumprir o primeiro centenário. [DGPC]

Avenida António Augusto de Aguiar, 144 |1966-04|
Casa de Júlio de Andrade; atrás e a dir. notam-se as antigas torres do Parque José Maria Eugénio sobre a Rua Dr. Nicolau Bettencourt.
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

N.B. Júlio de Andrade, (?-1906), apaixonado zoófilo, não foi só um ilustre membro da abastada burguesia lisboeta do final do séc. XIX. A sua acção destaca-se pelo seu papel enquanto membro fundador da Sociedade Protectora dos Animais em 1875.Em 1882 Júlio de Andrade teve a ideia de oferecer à cidade de Lisboa em nome da S.P.A. fontanários-bebedouro para animais. Foi director do Banco de Portugal (fundado a 19 Nov. 1846) e do Banco Lisboa & Açores (fundado a 22 Mar. 1875), tendo-se no entanto destacado pelos seus actos de benemerência.
Através de edital de 12/05/1910 a Câmara Municipal de Lisboa  homenageou-o com atribuição do seu nome à rua entre o Campo dos Mártires da Pátria e a Travessa da Cruz do Torel.  

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Praça de touros do Campo de Sant'Ana

No sítio onde assenta a Escola [Médica, actual Faculdade de Ciências Médicas] existiu a Praça de Touros do Campo de Sant'Ana, de tradições na vida alfacinha, com a sua aura fidalga e popular a um tempo. Foi aquela Praça inaugurada em 3 de Julho de 1831 — recorda-nos Norberto de Araújo — tempos do Senhor D. Miguel, que assistiu à «festa», sendo corridos dezasseis touros das manadas reais; à noite, com motivo no acontecimento tauromáquico, houve «luminárias» e «fogo de vistas». A Praça do Campo de Sant'Ana era pequena e quase toda de madeira, sem o tipo clássico dos redondéis hispano-árabes, uma arena muito para «brinco de touros», mas que fez as delícias dos nossos avós.

Vista da cidade tirada do Largo de Nª. Sª. do Monte para o lado do hospital do Desterro e Campo de Sant'Ana [ant. 1888/1891]
A Praça de touros do Campo de Sant'Ana é o edifício mais escuro e arredondado que se pode ver em cima à esquerda; em baixo, à direita, o Hospital do Desterro na Rua Nova do Desterro; ao fundo, correndo entre muros, a Avenida Dona Amélia (1903) e antes Avenida dos Anjos (1895), ainda antes Avenida no prolongamento da Rua da Palma até à Estrada da Circunvalação, e desde 1910, Avenida Almirante Reis.
Estúdio Novais, in Lisboa de Antigamente


Além de corridas de touros, realizaram-se nesta Praça espectáculos de circo e ascensões aeronáuticas — lê-se num Guia do Viajante publicado em 1863. Esta distracção popular, com quanto não abone a civilização dos amadores do divertimento, não produz ordinariamente aspecto repugnante de mortes, e dilacerações de membros, porque as armas dos touros são previamente impossibilitadas de poder furar, e não é permitida a matança dos touros, nem o suplicio das garrochas de fogo [ferro farpado], como noutro tempo. Há geralmente, grande concorrência ao espectáculo.
Preços: — Trincheiras à sombra 500 réis, ao sol 240 réis. — Camarotes de 1.ª ordem de 3$000 a 6$000 réis, — Camarotes de 2.ª ordem de 1$800 a 3$600 réis. Estes preços variam conforme as empresas.
(SULLEMAN, François , Novissimo guia do viajante em Lisboa e seus suburbios, 1863)
 

Vista parcial de Lisboa tirada do Castelo S. Jorge  [c. 1870]
Panorâmica de Lisboa tirada da Sra do Monte
Destacam-se na imagem a Praça de touros do Campo de Sant'Ana, o Hospital de S. José e a Igreja da Pena na Cç. de Sant'Ana.
Francesco Rocchini (1822-1895), in Lisboa de Antigamente


Até 1915 uma «maquette» desta Praça encontrava-se no Club Tauromáquico, ao Chiado; foi por essa época destruída num assalto político àquele Club, e dela resta, apenas, a memória numa fotografia feita um pouco antes pelo Sr. J. A. Barcia. A Praça do Campo de Sant'Ana, que sucedera á do Salitre, esta inaugurada em 4 de Junho de 1790, foi demolida em 1891¹, para dar lugar à do Campo Pequeno, inaugurada em 18 de Agosto de 1892.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p 33, 1938)

A Maquette da Praça de Touros do Campo de Sant'Ana encontrava-se no Club Tauromáquico, ao Chiado [ant. 1915]
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

¹ Outros autores referem o ano de 1888 como data de demolição, na sequência de uma vistoria que interditou o edifício por questões de segurança relacionadas com a má conservação do mesmo.

Praça de touros do Campo de Sant'Ana, com os touros ao centro da mesma [ant. 1888/1891]
Espólio Cassiano Branco, in Lisboa de Antigamente

domingo, 21 de julho de 2024

Escadinhas da Costa do Castelo

Retempera uns momentos a tua vista no trecho de panorama que daqui já se desfruta e prossigamos, Dilecto companheiro, deixando à direita as escadinhas que levam ao Largo da Rosa.

Assentou aqui a casa nobre quinhentista de Luís de Brito de Nogueira — prossegue Norberto de Araújo — , senhor dos morgados de S. Lourenço, de Lisboa, e de Santo Estêvão, de Beja, e descendente do cavaleiro, alcaide-mor de Lisboa, Afonso Ennes Nogueira, já no local proprietário da casa nobre no século XIV. 
Foi Luís de Brito o fundador (1619) do Convento da Rosa das religiosas dominicanas, que avultou à direita das actuais Escadinhas da Costa do Castelo, e que, destruído pelo Terramoto, caldo em ruínas, desapareceu de todo no começo do século passado [XIX].==

Escadinhas da Costa do Castelo |c. 1960|
Perspectiva tomada da Costa do Castelo; ao fundo vê-se o Largo da Rosa; a dir. avulta o
Palácio da Rosa (Castelo Melhor).

Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto está mal identificado no abandalhado amL.

A chamada Costa do Castelo — diz o Guia de Portugal — constitui parte da antiga estr. de circunvalação que, anteriormente à conquista de Lisboa, corria a meia altura da encosta do monte do Castelo, partindo das portas de Alfofa (no cruzamento das ruas do Milagre de Santo António e S, Bartolomeu [de Gusmão]), rodeando a antiga cerca visigótica, passando a S. Lourenço e Santo André, e vindo terminar no Largo das Portas do Sol. Paralelamente a ela e na base do monte corria na mesma época outra estr., que começava na Porta do Ferro (Largo de Santo António da Sé) e findava na de S. Vicente (arco do Marquês de Alegrete).
A Costa do Castelo termina no lugar onde se erguiam as Portas de Santo André, e onde há pouco se via o arco do mesmo nome, demolido para passagem dos eléctricos.==
 
Escadinhas da Costa do Castelo |1946|
Perspectiva tomada do Largo da Rosa com 
o Palácio da Rosa à esq..
Fernando Pozal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III,p. 16,  1938.
idem, Inventário de Lisboa, 1950.
Guia de Portugal: Generalidades. Lisboa e arredores, p. 272, 1924.

domingo, 1 de setembro de 2024

Antigo Largo de Alcântara: Ruas Prior do Crato e Maria Pia

Alcântara urbanizada não leva duzentos anos: de arrabalde fez-se cidade em fins de setecentos. Mas é lisboeta de casco e sumo. Rescende alguma coisa de um passado evocativo. Já lá não está a ponte de Alcântara com S. João Nepomuceno — recorda o ilustre Norberto de Araújo. Mas o Prior do Crato resiste no letreiro da artéria principal do bairro. 
(ARAÚJO, Norberto de, «Legendas de Lisboa», p. 143, 1943)

Originalmente, o topónimo foi aprovado como Rua Prior do Crato (Dom António) e passou a ter a grafia actual após uma decisão da reunião de Câmara de 14/12/1943. Também apesar de não constar na placa toponímica, foi o topónimo aprovado com a legenda «O Glorioso vencido da Ponte de Alcântara em 25 de Agosto de 1580»-

Antigo Largo de Alcântara: Ruas Prior do Crato e Maria Pia |1966|
Cruzamento das Ruas Prior do Crato e Maria Pia
A velha ribeira pode ter sido encanada. A vetusta ponte pode ter desaparecido, mas eis que logo outra surge, lá ao fundo, no horizonte.
Artur Inácio Bastos, in Lisboa de Antigamente

Foi pelo Edital de 07/11/1901 que parte da Estr. de Circunvalação, do lado sul da antiga ponte de Alcântara e até ao cruzamento com a Rua do Arco do Carvalhão, se passou a denominar Rua Maria Pia, mas segundo Norberto Araújo, já desde o final do séc. XIX que o povo a chamava assim.

Antigo Largo de Alcântara: Ruas Prior do Crato e Maria Pia |1949|
Largo de Alcântara [sítio da ponte de Alcântara], cruzamento das ruas Maria Pia e Rua Prior do Crato.
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Igreja Paroquial N. S. do Amparo, de Benfica

A igr. paroquial de Nossa Senhora do Amparo, de Benfica, é uma edificação do século passado [XIX], embora começada no meado do século XVIII. Com efeito por ocasião do Terramoto já se andava levantando «a igreja nova», cujos trabalhos realizados o cataclismo quase inteiramente destroçou. A edificação ficou então suspensa, não se cuidando da conclusão dos trabalhos senão em 1802, o que se compreende, pois os encargos eram cobertos por esmolas, as quais na segunda metade do século XVIII deviam ser muito escassas.

Igreja Paroquial Nossa Senhora do Amparo, de Benfica [1970]
Fica situada no fim da antiga Estr. de Benfica, em plano elevado e voltada a Poente.
João Brito Geraldes, in Lisboa de Antigamente

A paróquia é, pelo menos, seiscentista, pois consta. que existia em 1620, instalada em ermida ou igr. situada no local onde se ergueu o templo actual, a Sul da capela-mor, sobre o chamado «Adro da Igreja», e a qual se conservava de pé, como relíquia, ainda em 1868. Esse templo, se não outro mais antigo ainda, vinha pelo menos do final do século XIV, com a mesma invocação de Nossa Senhora do Amparo pois foi então doado ao mosteiro do Salvador, de Lisboa, pelo bispo do Porto D. João Esteves.

Igreja Paroquial Nossa Senhora do Amparo, de Benfica [195-]
Estr. de Benfica
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Em 1881 a igreja paroquial de Benfica foi objecto de largos restauros, e são dessa época as pinturas que· o templo ostenta. O território da freguesia de Benfica foi incorporado no da cidade de Lisboa em Julho de 1881, mas a parte para além da estrada da Circunvalação passou para o Concelho de Oeiras, em 1895 foi anexada à freguesia de Belas e em 1898 à de Carnaxide.

Igreja Paroquial Nossa Senhora do Amparo, de Benfica [195-]
Estr. de Benfica
Adro e Cruzeiro da Igreja de Benfica.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. À ilharga do templo, no antigo «Adro da Igreja», ergue-se um Cruzeiro, composto de cruz sobre coluna redonda de mármore, assente sobre uma base escultórica de pedra, com elementos simbólicos da Paixão e alegorias animais desgas­tadas pelo tempo, servido por dois degraus cir­culares; na base vê-se uma data (1911), corres­pondente a um restauro.
__________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, 1956.

domingo, 21 de julho de 2019

Chafariz da Meia-Laranja (actualizado)

A Rua Maria Pia — assim chamada pelo povo desde o final do século passado, antiga «Estrada da Circunvalação», designação ainda municipal em 1894 — começa do lado sul da antiga Ponte de Alcântara e vai até ao cruzamento com a Rua do Arco do Carvalhão.

Chafariz da Meia-Laranja, aguadeiras [1907]
Rua Maria Pia
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A «Meia-Laranja» fica exactamente na Rua Maria Pia, entre o Arco de Carvalhão e Alcântara, na confluência da Estr. dos Prazeres com a Rua Maria Pia. Penso que se chama Meia-Laranja pelo feitio da rua que é cortada como se fosse uma laranja cortada ao meio criando um espaço em forma de semicírculo.
No centro há um Chafariz que, naquele tempo, era usado pelos aguadeiros, servindo de bebedouro aos cavalos e burros dos vendedores ambulantes.

Chafariz da Meia-Laranja [1964]
Rua Maria Pia junto ao antigo Casal Viúva Teles
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
Chafariz da Meia-Laranja [1964]
Rua Maria Pia junto ao antigo Casal Viúva Teles
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
NEVES, Ernesto, Uma tela igual às outras: um metro por oitenta e um, 2005.

domingo, 11 de agosto de 2024

A Rua que foi do Conselheiro Moraes Soares

Este arruamento nasceu em 1906 como Rua do Conselheiro Morais Soares, no troço da antiga Estr. de Circunvalação compreendido entre a rotunda (hoje, Praça do Chile) no término da Avenida da Dona Amélia (hoje, Avenida Almirante Reis) e a Parada do Cemitério Oriental (hoje Parada do Alto de São João), e foi já após a implantação da República, pelo Edital Municipal de 27/11/1916, que passou a Rua Morais Soares, já que o título de conselheiro recordava o regime monárquico, por ser atribuído pelo soberano, tradicionalmente aos magistrados do Supremo Tribunal e por vezes, a pessoas que tinham prestado serviços honrosos.

Rua Morais Soares |195-|
Cruzamento com as Ruas Francisco Sanches e Carlos Mardel; mais acima vê-se a Praça do Chile e a R. António Pereira Carrilho.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Rodrigo de Morais Soares (1811–1881), formou-se bacharel em Medicina pela Universidade de Coimbra. Foi professor e comissário de estudos. Desempenhou diversas funções na Administração Pública, como especialista em assuntos aduaneiros, agrícolas e financeiros. Foi chefe da repartição de Agricultura da Secretaria das Obras Públicas e mais tarde Director geral, tendo fundado a Quinta Regional de Sintra e o Instituto Agrícola. Fundou o jornal “Arquivo Rural” e publicou diversos textos sobre temas agrícolas e financeiros. Foi deputado, eleito em várias legislaturas. 
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 2 de Novembro de 1865.

Rua Morais Soares |1960|
Esquina com a Rua Carlos Mardel.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Casal da Viúva Teles à Rua Maria Pia

O Casal da Viúva Teles (Casal Ventoso), já demolido, situava-se a ocidente da Rua Maria Pia, junto ao chafariz da Meia-Laranja.
 
Casal da Viúva Teles à Rua Maria Pia (ao fundo) |1968|
João Hermes Goulart, in Lisboa de Antigamente

Foi pelo Edital de 07/11/1901 que parte da Estr. de Circunvalação, do lado sul da antiga ponte de Alcântara e até ao cruzamento com a Rua do Arco do Carvalhão, se passou a denominar Rua Maria Pia, mas segundo Norberto Araújo, já desde o final do séc. XIX que o povo a denominava assim.

domingo, 13 de março de 2022

Panorâmica do sítio de Arroios

Eis uma fotografia deveras interessante e com mais de cem anos. Se o leitor observar atentamente, verá no canto inferior esquerdo, um troço da antiga «Avenida Dona Amélia»¹, actual Almirante Reis (já arborizada), que termina abruptamente no muro que circunda o «Convento e Igreja (Hospital) de Nossa Senhora da Conceição de Arroios»²; o seu prolongamento — paralelo ao casario da velha Estr. de Sacavém (actual Rua Quirino da Fonseca) — irá conduzir, anos mais tarde, à «Praça do Areeiro». Identificada pela letra "C" observa-se a antiga «Capela da Azinhaga das Freiras».
No local junto ao muro do hospital de Arroios nascerá a rotunda da «Praça do Chile»³, para a direita temos a «Rua Moraes Soares» e para a nossa esquerda o começo da «Rua António Pereira Carrilho»⁵ (troço da antiga Estrada da Circunvalação) na direcção do «Largo do Leão» — os edifícios assinalados com as letras "A" e "B" ainda existem.

Panorâmica do sítio de Arroios [c. 1919]
Terrenos da Avenida Almirante Reis, vendo-se ao fundo, os torreões da praça de Touros do Campo Pequeno.
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Em último plano, podem ver-se os quatro torreões da «Praça de Touros do Campo Pequeno»; à direita deste vêm-se as chaminés da antiga «Fábrica de Cerâmica Lusitânia» situada defronte do Palácio Távora Galveias na velhinha Estr. do Arco do Cego, localização actual do edifício-sede da Caixa Geral Depósitos e onde ainda se pode ver uma chaminé de um dos seus fornos.

Levantamento topográfico do sítio de Arroios, 1909
Legenda (clicar na imagem para ampliar):
¹ Avenida Dona Amélia actual Almirante Reis² Convento e Igreja (Hospital) de Nossa Senhora da Conceição de Arroios³ Praça do Chile Rua Moraes Soares Rua António Pereira Carrilho Largo do Leão Estr. de Sacavém.
"A" e "B" edifícios que ainda existem; "C" Capela da Azinhaga das Freiras.
Planta de Lisboa [fragmento]: Vieira da Silva Pinto, 1909, in Lisboa de Antigamente

terça-feira, 1 de março de 2016

Cinema Pathé-Imperial

O Pathé Cinema abriu ao público em 1 de Outubro de 1925 na Rua Francisco Sanches, 154, no bairro de Arroios. Era composto por 737 lugares, distribuídos por 132 nos balcões; 69 fauteils; 504 cadeiras na plateia e 8 camarotes com 4 lugares cada.
Em 1931 são feitas obras de beneficiação, nomeadamente na estrutura da sala, actualizado o equipamento e instalado um sistema que iria permitir a exibição de filmes sonoros, passando a denominar-se Imperial Cinema.
 
Cinema Imperial [1932]
Rua Francisco Sanches, 154
Em cartaz, o filme «Daddy Long Legs» estreado em Portugal no dia 6 de Janeiro de 1932 com o título «O Papá das Pernas Altas».
Fotógrafo não identificado, 
in Lisboa de Antigamente

Foi reconstruído em 1956 pelo arq.º Fernando Silva — autor do projecto do Cinema São Jorge — tendo mudado nessa altura o seu nome para Imperial Cinema. Em 1973, passa de sala de 'reprise' a 'cinema de estreia', recuperando a designação original de Pathé. Na década de 80 começou a perder público progressivamente até ter encerrado as portas em 1987. Actualmente encontra-se entaipado e ao abandono.

Cinema Pathé--Imperial [1977]
Rua Francisco Sanches, 154
Vasques, 
in Lisboa de Antigamente

A Rua Francisco Sanches nasceu ainda no séc. XIX, através do Edital municipal de 18/12/1893 na «rua que parte da Travessa do Caracol da Penha ou Nascente da Avenida dos Anjos e que deve vir a findar na antiga Estrada de Circunvalação».
 
N.B. Francisco Sanches nasceu no início da década de cinquenta do século XVI (1550 ou 1551-1623), no território então abrangido pela diocese de Braga, tendo neste última cidade efectuado os seus primeiros estudos, após o que se ausentou com seus pais para França, onde escreveu a sua obra e exerceu a actividade de médico e professor na Universidade de Toulouse. 
Segundo Moreira de Sá, “Francisco Sanches, astrónomo, geómetra, filósofo e médico, observador infatigável da Natureza, autêntico protótipo do homem do Renascimento, legou-nos uma obra que foi o arauto da revolução filosófica dos séculos XVII e XVIII.” [+ info]
 
Cinema Pathé--Imperial [1960]
Rua Francisco Sanches, 154
Arnaldo Madureira, 
in Lisboa de Antigamente
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