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Wednesday, 30 March 2016

Avenida António Augusto de Aguiar

Vamos, Dilecto — convida Norberto de Araújo — , dar volta pelo lado exterior nascente do Parque, subindo o primeiro lanço de Fontes Pereira de Melo, e tomando logo por António Augusto de Aguiar, Avenidas delineadas em 1899, que com lentidão se foram edificando por dez anos adiante.
(
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 51, 1939)

Avenida António Augusto de Aguiar [c. 1910]
Cruzamento junto do actual C. C. El Corte Inglés, em direcção à Av. Fontes Pereira de Melo (ao fundo): à esquerda a Rua Augusto dos Santos que leva ao sítio de S. Sebastião da Pedreira e a Travessa de S. Sebastião da Pedreira; à direita a futura Rua Eng. Canto Resende e acesso ao Parque da Liberdade, hoje Parque Eduardo VII.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

António Augusto de Aguiar (1838-1887) professor, investigador e político português. Formado em Ciências Naturais e Química pela Escola Politécnica, em 1860, passou a leccionar, um ano depois, nessa mesma escola, a disciplina de Química Mineral. Foi reitor em 1871.
Iniciou a sua actividade política em 1875. Foi eleito deputado em 1879... e par do reino em 1884. Fez parte do ministério presidido por Fontes, onde se dedicou especialmente ao ensino industrial. Foi ainda presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa, vogal do Conselho Superior das Alfândegas e grão-mestre da Maçonaria Portuguesa. (cm-lisboa.pt)

Avenida António Augusto de Aguiar  [c. 1960]
Antiga Rua António Augusto de Aguiar, até 1902
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Tuesday, 15 December 2015

Quinta e Palácio de Palhavã

Pois, companheiro paciente, aí temos um dos mais formosos espécimes palacianos lisboetas, em arquitectura nobre e equilibrada, documento seiscentista puro: o Palácio Azambuja, hoje [desde 1918] sede da Embaixada de Espanha.¹
O Palácio de Palhavã, conhecido por Palácio Azambuja ou Palácio dos «Meninos de Palhavã», remonta na sua feição senhorial a 1660, ano em que foi edificado sobre o núcleo e os chãos de casas nobres levantadas no começo do século XVI por Gomes Lourenço de Palhavã, da família Carvalhosas Palhavã, cujo solar se situava em Carvalhosa, no Concelho de Guimarães, onde esses fidalgos assistiam.²
 
Esta propriedade — lê-se no Archivo pittoresco — , ainda não há muitos anos, era célebre pela espessura de seus bosques, pela grandeza dos jardins e preciosa colecção das suas plantas, pela abundância de estátuas e vasos de mármore que a decoravam, dentre as quais algumas sobressaíam por excelência d'arte, e finalmente pela bondade e frescura de suas águas. 

Palácio de Palhavã [post. 1902]
Avenida António Augusto de Aguiar, 39, antiga estrada de Palhavã
Beatriz Chaves Bobone, in Lisboa de Antigamente
  
Esta quinta e palácio foram fundados na segunda metade do século XVII por D. Luiz Lobo da Silveira, segundo conde de Sarzedas. Seu filho, D. Rodrigo da Silveira, terceiro conde do mesmo título, fez-lhe muitos aumentos, entre outros o grande portão da entrada principal, onde avultam as armas desta antiga e ilustre família, que vindo a extinguir-se no século passado [XVIII], reverteram os seus bens para os condes da Ericeira, criados posteriormente marqueses de Louriçal; e pela extinção desta casa sucederam nos seus morgados os srs. condes de Lumiares. 

Palácio de Palhavã, portão brasonado [post. 1902]
Avenida António Augusto de Aguiar, 39
O Portal Nobre, no muro à esquerda do Palácio, de cantaria, com arco de volta
redonda, e coroado pela pedra de armas dos Mendoças, com a sua legenda
«Avé Maria», da casa Vale de Reis, adoptada pelos Loulés e Azambujas,
e que substitui a dos Sarzedas, que blasonou até 1861.
Beatriz Chaves Bobone, in Lisboa de Antigamente

No palácio de Palhavã morreu em 7 de Dezembro de 1663 a rainha D. Maria Francisca Isabel de Saboya, filha do duque de Nemours, e mulher d'el-rei D. Pedro II, tendo ido para ali convalescer. Serviu também aquele palácio de residência aos príncipes D. António, D. Gaspar, e D. José, filhos naturais mas reconhecidos d'el-rei D. João V, (o segundo veio a ser arcebispo de Braga, e o terceiro inquisidor geral de Lisboa), aos quais o povo apelidava Meninos de Palhavã, epíteto que lhes conservou ainda mesmo na velhice. 

Palácio de Palhavã, pátio [post. 1902]
Avenida António Augusto de Aguiar, 39
Entrada nobre do  Palácio de Palhavã-Azambuja na face Norte do pátio.

Beatriz Chaves Bobone, in Lisboa de Antigamente
Palácio de Palhavã, pátio [post. 1902]
Avenida António Augusto de Aguiar, 39
No centro do pátio, uma escultura com a representação figurativa de Hércules e 4 estátuas de temática alegorico-mitológica, da autoria do escultor genovês Bernardo Schiaffino.

Beatriz Chaves Bobone, in Lisboa de Antigamente

Durante a longa residência destes príncipes em Palhavã chegou a quinta ao seu maior esplendor, e mais esmerada cultura. Adornavam-se os seus jardins com a mais rica e bela colecção de plantas exóticas que então havia na capital. Depois da morte dos príncipes começou a decadência da quinta, que aumentou posteriormente á invasão francesa de 1808. Porém a grande ruína desta propriedade foi causada pelas lutas durante o cerco de Lisboa de 1833, na guerra da restauração da liberdade.
Foi teatro de um mortífero combate na tarde e noite de 5 de Setembro d'aquele ano. Palácio e quinta tudo foi assolado. Desde então progrediu a devastação até ao ponto de reduzirem a terras de trigo os seus bosques, pomares, e jardins. Passado tempo alguns dos seus vasos e as figuras de mármore mais pequenas vieram ornar a varanda do jardim que se prolonga com o palácio do sr. conde de Lumiares, ao Passeio Publico. 

Palácio de Palhavã, portão brasonado [1944]
Avenida António Augusto de Aguiar, 39
No centro do pátio, uma escultura com a representação figurativa de Hércules e 4 estátuas de temática alegorico-mitológica, da autoria do escultor genovês Bernardo Schiaffino.

António Passaporte, in Lisboa de Antigamente
  
Porém ainda lá se conservam algumas estátuas colossais, erguendo-se em meio de cearas, e lagos ornados de figuras, tudo feito em Itália, havendo entre estas obras de arte algumas produções do célebre escultor Bernini. Felizmente esta propriedade foi comprada há pouco pelos srs. condes de Azambuja, que se propõem a restaurar o palácio e quinta, conservando ao primeiro todas as suas feições primitivas.³

Enquadramento do Palácio de Palhavã na Praça de Espanha [1966]
Avenida António Augusto de Aguiar, 39; Av. Calouste Gulbenkian e Av. de Berna
O Palácio de Palhauã é constituído por um corpo principal, quadrado em planta,
rematado nos quatros ângulos por corpos destacados, coroados por agulha piramidal, e formando uma espécie de torreões. Assinala-se o edifico pela  simplicidade nobre do conjunto e gracilidade das fachadas.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

N.B. Actualmente, e desde 1939, é a residência oficial de Espanha em Portugal.  O Consulado funciona no Palácio Mayer na Rua do Salitre. Pode assistir aqui a uma visita guiada aos jardins do Palácio pela mão da Embaixadora de Espanha em Portugal — Marta Betanzos.
_____________________________________
Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 55, 1939.
² idem, Inventário de Lisboa, vol. VI, 1949.
³  Archivo pittoresco, vol. IV, pp. 81-82, 1863.

Sunday, 23 February 2025

Avenida António Augusto de Aguiar, 144: Casa Júlio de Andrade

No contexto do grande plano de desenvolvimento camarário da cidade de Lisboa em direcção a norte, entre 1897 e 1898 foi rasgada a Av. António Augusto de Aguiar que, contando com pouco mais de um quilómetro de extensão, finalmente concretizava (embora de forma enviesada) a ligação há muito pretendida entre a Avenida da Liberdade e a Estr. da Circunvalação (actual Rua Marquês da Fronteira). Apenas em 1903 foram disponibilizados os talhões do quarteirão triangular formado pela Av. António Augusto de Aguiar, Rua Marquês da Fronteira) e Estr. da Palhavã (actual Rua Nicolau Bettencourt), junto do local onde a primeira terminava.
Em Junho de 1903, Júlio de Andrade (1838-1906), acrescentaria ao seu pecúlio o lote nº 34 (também com frente para a estrada da Palhavã), no aludido quarteirão triangular no extremo norte da avenida. Para este último contratou Raul Lino para projectar o que terá sido outra casa de rendimento.
A 29 de Fevereiro de 1904, «foi celebrado o contrato para a construção da casa entre o proprietário e o construtor civil Manuel Joaquim de Oliveira, tendo o arq.º Raul Lino e Inocêncio Madeira como testemunhas. A empreitada foi dada por 18:100$000 a pagar em sete prestações, devendo a obra estar concluída num prazo máximo de 12 meses.

Avenida António Augusto de Aguiar, 144 |post. 1903|
Casa de Júlio de Andrade
; atrás e a dir. notam-se as antigas torres do Parque José Maria Eugénio sobre a Rua Dr. Nicolau Bettencourt.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

A fachada principal é definida pela configuração das coberturas, muito inclinadas e com beirado em madeira, à imagem dos chalets centro-europeus. Esta fachada era composta por volumes discretamente desencontrados, num jogo de vãos e varandas, cujas guardas de ferro apresentavam um intrincado desenho plenamente imbuído do estilo Arte Nova.
A casa de Júlio de Andrade não sobreviveu às alterações do tempo, tendo sido demolida em 2003, em vésperas de cumprir o primeiro centenário. [DGPC]

Avenida António Augusto de Aguiar, 144 |1966-04|
Casa de Júlio de Andrade; atrás e a dir. notam-se as antigas torres do Parque José Maria Eugénio sobre a Rua Dr. Nicolau Bettencourt.
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

N.B. Júlio de Andrade, (?-1906), apaixonado zoófilo, não foi só um ilustre membro da abastada burguesia lisboeta do final do séc. XIX. A sua acção destaca-se pelo seu papel enquanto membro fundador da Sociedade Protectora dos Animais em 1875.Em 1882 Júlio de Andrade teve a ideia de oferecer à cidade de Lisboa em nome da S.P.A. fontanários-bebedouro para animais. Foi director do Banco de Portugal (fundado a 19 Nov. 1846) e do Banco Lisboa & Açores (fundado a 22 Mar. 1875), tendo-se no entanto destacado pelos seus actos de benemerência.
Através de edital de 12/05/1910 a Câmara Municipal de Lisboa  homenageou-o com atribuição do seu nome à rua entre o Campo dos Mártires da Pátria e a Travessa da Cruz do Torel.  

Sunday, 19 November 2017

Hotel Ritz

A construção do hotel Ritz, projectado pelo arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, teve início em 1952 e  foi inaugurado em 1959. Para a distinção do Ritz, ainda hoje uma referência no quadro da hotelaria nacional, muito contribuíram consagrados artistas, entre os quais Almada Negreiros, Sarah Afonso, Barata Feyo ou Carlos Botelho. Por indicação do regime de então, ansioso por ter na capital uma unidade de luxo com todos os requisitos da hotelaria moderna, foi constituída, especialmente para este efeito, uma Sociedade de Investimentos Imobiliários (Sodim), da qual fazia parte, entre outros, o banqueiro Ricardo Espírito Santo. Refira-se que em 1959 — quer modernos quer conservadores — não gostaram do que viram, tendo sido muito criticadas as opções artísticas adoptadas para o hotel. Consta, até, que o próprio Salazar — que só visitou o Ritz uma única vez, numa pré-inauguração exclusiva —, não apreciou nada do que lhe foi dado ver no hotel, tendo permanecido em silêncio durante a visita acabando por sair pela porta de serviço das cozinhas, não tendo mais lá sido visto, nem sequer para inaugurarão oficial, à qual, aliás, se recusou a comparecer.
A publicidade ao Ritz dava-o como «O Grande Hotel de Lisboa». Estava equipado com trezentos quartos, todos com sala de banho privativa revestida de mármore, e anunciava-se ambiente climatizado e ventilação garantida por aparelhagem silenciosa. Um must daquele tempo.

Hotel Ritz [1959]
Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca; Rua Joaquim António de Aguiar; Rua Marquês de Subserra
Obras do metropolitano, vendo-se à esquerda a estátua do Marquês de Pombal e, em baixo, os terrenos do antigo Palácio Sabrosa; ao fundo vê-se o hotel Ritz
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Situado no topo de uma colina no coração de Lisboa, a quinze minutos do aeroporto e a dez minutos da baixa e zona histórica de Lisboa, o hotel reflecte o encanto e história de Portugal na sua arquitectura e interiores espaçosos. Trata-se de uma construção de grande monumentalidade, acentuada pela sua dimensão, pela sua perfeita geometria e pelo revestimento integral das fachadas a mármore. Oferece 284 amplos quartos, com luxuosos quartos de banho em mármore, varandas debruçadas sobre o Parque Eduardo VII, com vistas fabulosas sobre a cidade. O (agora) Four Seasons Ritz Hotel detém mais de 600 obras de arte, desde tapetes e carpetes artesanais, pinturas e esculturas que ornamentam os halls de mármore do hotel. Os seus hóspedes têm ao seu dispor o centro de negócios, 'fitness centre' muito bem equipado, spa e a piscina interior. Do restaurante 'Varanda'' desfruta-se de excelente vista para o Parque Eduardo VII e para os terraços do hotel e oferece o melhor da cozinha portuguesa e internacional. O 'Ritz Bar'' com decoração onde predominam as cores vermelho e preto, tem música ao vivo em piano.

Hotel Ritz [1959]
Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca; Rua Joaquim António de Aguiar; Rua Marquês de Subserra
António Passaporte, 
in Lisboa de Antigamente
Hotel Ritz vista tomada do Parque Eduardo VII [c. 1960]
Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca; Rua Joaquim António de Aguiar; Rua Marquês de Subserra
António Passaporte (Loty), 
in Lisboa de Antigamente

O interior, luxuosamente desenhado, acolhe mobiliário fabricado expressamente nas oficinas da Fundação Ricardo Espírito Santo, assim como obras de arte moderna dos mais consagrados artistas da época, como Almada Negreiros, Querubim Lapa, Martins Correia, Lagoa Henriques, Sara Afonso e Carlos Botelho contribuíram para a decoração com valiosas obras. Carlos Calvet e Lino António criaram motivos para tapeçarias, produzidas na fábrica de Portalegre.
O Hotel, incluindo o seu património integrado, encontra-se classificado como Monumento de Interesse Público.

Hotel Ritz [c. 1959]
Neste sala estão presentes tres tapeçarias "Centauros" do mestre Almada Negreiros inspiradas na mitologia grega
Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca; Rua Joaquim António de Aguiar; Rua Marquês de Subserra
Amadeu Ferrari
in Lisboa de Antigamente
Hotel Ritz, restaurante 'Varanda'' [c. 1959]
Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca; Rua Joaquim António de Aguiar; Rua Marquês de Subserra
Amadeu Ferrari, in Lisboa de Antigamente

Também digna de admiração é a principal escadaria de acesso ao Salão Nobre com um mural lacado de Pedro Leitão e madrepérola de Arnaldo Louro de Almeida e, ao descer, chega-se junto da coluna do mestre ceramista Querubim Lapa, um verdadeiro totem artístico.

Hotel Ritz
Coluna do mestre ceramista Querubim Lapa e mural lacado de Pedro Leitão e madrepérola por António Louro de Almeida.
 
N.B. Caso esteja interessado e disponha de 30 minutos, aconselhamos ao prezado leitor  uma visita guiada, pela mão da RTP, a este edifício icónico da cidade de Lisboa. Vale bem a pena, acreditem.
__________________________
Bibliografia
BRASÃO, Inês, Hotel, os Bastidores, 2017.

Friday, 25 March 2022

Avenida António Augusto de Aguiar

Vamos, Dilecto — convida Norberto de Araújo — , dar volta pelo lado exterior nascente do Parque [Eduardo VII], subindo o primeiro lanço de Fontes Pereira de Melo, e tomando logo por António Augusto de Aguiar, Avenidas delineadas em 1899, que com lentidão se foram edificando por dez anos adiante.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 51, 1939)

Avenida António Augusto de Aguiar [c. 1910]
O prédio de gaveto com a Av. Fontes Pereira de Melo já não existe [vd. imagem abaixo]; sublinhe-se que até 1 de Junho de 1928, a circulação de viaturas em Portugal fazia-se pela esquerda, como se pode constatar nesta imagem; à esquerda o Parque Eduardo VII (antes de ser rasgada a Av.  Sidónio Pais).

Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Avenida António Augusto de Aguiar, 2
O prédio de gaveto com a Av. Fontes Pereira de Melo foi demolido em 2014.
Postal ilustrado, in Lisboa de Antigamente

Monday, 25 January 2016

Avenida António Augusto de Aguiar e Rua Filipe Folque

Esta rua homenageia Filipe Folque (1800-1874), doutorado em Matemática desde 1826 e que nesse mesmo ano foi nomeado ajudante do director das obras do Mondego, e no seguinte, ajudante do Observatório da Universidade de Coimbra. A partir de 1840 foi lente de Astronomia e Geodesia na Escola Politécnica de Lisboa e professor de matemática dos filhos da rainha D. Maria II.

Avenida António Augusto de Aguiar e Rua Filipe Folque [1959]
Dístico atribuído em 1902; Palacete Bensaúde [demolido]
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Depois, entre 1844 e 1870, Filipe Folque foi Director-geral dos Trabalhos Geodésicos do Reino e assim dirigiu entre 1856 e 1858 um levantamento topográfico de Lisboa (a Carta topographica da cidade de Lisboa, editada em 1878) e publicou diversos estudos como «Colecção de Tábuas para facilitar vários cálculos astronómicos e geodésicos» (1865) ou «Rapport sur les travaux géodésiques du Portugal et sur l’état actuel de ces mêmes travaux pour être présenté à la Comission Permanente de la Confèrence Internationale» (1868). (cm-lisboa.pt)

Rua Filipe Folque e Avenida António Augusto de Aguiar [1959]
Palacete Bensaúde [demolido]
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 3 April 2022

Avenida António Augusto de Aguiar: cigana com burros

Os ciganos representam a maior minoria da Europa. São cerca de 11 milhões — mais do que a população de Portugal — mas não possuem registos escritos da sua história nem tão-pouco das suas andanças pelo mundo. A diáspora dos ciganos começou há 1500 anos no Noroeste da Índia e, uma vez chegados à Europa via Balcãs (mais precisamente à Bulgária), os ciganos começaram a espalhar-se por todo o continente, até à Península Ibérica. A Portugal, os primeiros ciganos terão chegado em 1462.


A não ser um ou outro cigano abastado que se domicilia, geralmente os da sua raça levam a vida errante por feiras e excursões, marchas longas, a pé ou a cavalo, com galgos para a caça. Vagueando, recolhem de noite às tendas e palheiros e, ao encontrarem nova povoação, orientam-se passeando os arredores a ver onde há gado ou aves para roubarem. Comem carne, peixe e couves misturadas, toucinho cru, porco desenterrado; e alguns há que justificam plenamente a quadra que compuseram lá em Espanha:
Un gitano se murió
Y dejó em el testamento
Que le enterrasen en viña Para chupar los sarmientos.

Avenida António Augusto de Aguiar |1909|
Cigana com burros próximo da Rua Augusto Santos.
Joshua Benoliel, iin Lisboa de Antigamente

Cigano em Portugal, gitano em Espanha, boémio em França e zíngaro na Itália, o cigano tem conservado, através do tempo e do espaço, os traços étnicos mais característicos de um povo ao qual as emigrações, com o seu ar de uma penitência eterna a remir um pecado imperdoável, em pouco lograram alterar os fundamentos. Do seu país de origem nada explicam e nada sabem ; a língua vai-se-lhes alterando mais ou menos profundamente e a ponto de serem já relativamente numerosos os dialectos ou sub-dialectos que eles falam. Mas caldarari na Hungria, ursari os da Bulgária, contratadores de gado os de Portugal, há traços dominantes que distinguem este povo nómada e disperso, notável sequer por semelhante persistência, pelos seus processos industriais quase proto-históricos e pela maneira primitiva das suas relações internacionais.

Avenida António Augusto de Aguiar |1909|
Cigana com burros; à esq. nota-se a vegetação do Parque Eduardo VII.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
F. Adolpho Coelho, Os ciganos de Portugal, 1892

Sunday, 14 January 2018

Palacete da Praça Marquês de Pombal, 8

Considera-se que o palacete, correspondente ao nº 8 da Praça do Marquês de Pombal, construído no arranque de Joaquim António de Aguiar era na sua implantação e articulação com os arruamentos, o menos conseguido da Rotunda. Pela sua estrutura classicizante de memória seiscentista e o seu frontão. ou mega ática, em segmento circular, que inscrevia ornatos de volutas barroquizantes, pretendia inequivocamente uma afirmação arquitectónica significativa. O gradeamento e os pilares de suporte acentuavam a sua presença no lugar.

Palacete da Praça do Marquês de Pombal, 8 [1910]
Esquina com a Rua Joaquim António de Aguiar
Aqui esteve instalado o Quartel-General da Região Militar de Lisboa e depois foi sede da Obra das Mães pela Educação Nacional. Desde 1957 existe no seu lugar o Hotel Fénix.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Em 1955 surge um projecto para a construção de um prédio de rendimento da responsabilidade dos arquitectos D. De Lima Franco e de Manolo Gonzales Potier (CML,A. O., processo n.º 32.934).
Dois anos depois, os mesmos arquitectos responderam a uma outra encomenda de um novo programa, desta vez um hotel, que se passou a designar Hotel Fénix. Ainda hoje existe no lugar, não sem ter sofrido um processo de beneficiações orientadas pelo arquitecto Miguel Nobre Leitão.

Enquadramento do Palacete na Praça Marquês de Pombal, 8 [1934]
Esquina com a Rua Joaquim António de Aguiar
Pinheiro Correia, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
(TEIXEIRA, José de Monterroso, Rotunda do Marquês:«a cidade em si não cabia já» ou a monumentalidade (im)possível)

Wednesday, 18 September 2019

Colégio Valsassina / Palácio Lousã

À época — por volta dos anos 30 do século passado — existiam em Lisboa vários locais onde os filhos de gente abastada estudavam: o Colégio Vasco da Gama, que viria da Travessa das Freiras a Arroios à actual Alameda; a Escola Académica, situada na quinta de S. João de Monte Agudo, à Penha de França, cuja publicidade elogiava os seus vastos jardins e os campos de jogos escolares e desportivos; a Escola Valsassina, instalada no antigo Palácio Lousã.

Colégio Valsassina / Palácio Lousã [1934]
Avenida António Augusto de Aguiar, 148
Palácio Lousã; à dir. a Casa José Joaquim Miguéis, projectada pelo arq. Miguel Ventura Terra (1902).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
 
As origens do Colégio remontam a 1898, altura em que a Professora Susana Duarte fundou uma pequena escola primária na Rua de Santa Marinha, na parte antiga da cidade de Lisboa. Tendo casado com o Professor Frederico César de Valsassina em 12/12/1907, a então Escola Primária foi alargada ao Ensino Liceal para a preparação individual de alguns alunos.
Em Outubro de 1934 a então "Escola Valsassina", transferiu-se para o Palácio Lousã sito na Avenida António Augusto de Aguiar, 148, onde começou a verdadeira existência do Colégio Valsassina. Dispondo de magníficas instalações para a altura, permitiu o lançamento de um projecto educativo inovador, com todos os tipos de Ensino - Infantil, Primário e Liceal – para cerca de 300 alunos e com regime de internato para cerca de 80 alunos a partir dos finais dos anos 40 e até Setembro de 1959.
O Palácio Lousã foi demolido na década de 1960.

Palácio Lousã [1960]
Avenida António Augusto de Aguiar, 148
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
MADUREIRA, Arnaldo, Salazar e a Igreja (1928-1932), 2008.

cvalsassina.pt.

Sunday, 28 June 2026

Rua Carlos Testa

Passada a pequena Rua Carlos Testa, à direita, chegamos ao cruzamento da Avenida António Augusto de Aguiar com a Rua Marquês de Fronteira. [Araújo: 1939]

Essa serventia, anunciada por edital em 1903, já consta na planta topográfica de 1909, elaborada por Júlio António Vieira da Silva Pinto. |Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, 2000|

Rua Carlos Testa |1958|
Ao fundo nota-se a Av. Antonio Augusto Aguiar. Perspectiva tirada do Largo de S. Sebastião  da Pedreira onde os eléctricos da circulação davam a volta para Duque de Ávila.
Legenda no abandalhado amL: «Mudanças de linha dos eléctricos em São Sebastião da Pedreira»
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

N.B. O topónimo homenageia Carlos André Testa (1823–1891) que seguiu a carreira naval até alcançar o posto de contra-almirante, sendo responsável pela renovação da frota portuguesa na segunda metade do século XIX.

Rua Carlos Testa |191-|
Perspectiva tomada da Av. Antonio Augusto Aguiar no sentido do Largo de S. Sebastião da Pedreira. O prédio de gaveto encontra-se demolido
Alberto Carlo Lima, in Lisboa de Antigamente

Tuesday, 23 February 2016

Avenida Fontes Pereira de Melo, coberta de neve

A Avenida Fontes Pereira de Melo integra-se no projecto de crescimento da Cidade para Norte, aprovado em 1888, plano intitulado: «Avenida das Picoas ao Campo Grande» da autoria do Engenheiro Ressano Garcia. As terraplanagens nas ruas Fontes Pereira de Melo e António Augusto de Aguiar, iniciam-se cerca de 1897.

Avenida Fontes Pereira de Melo, coberta de neve |193-|
À esquerda, o Parque Eduardo VII e a Av. António Augusto de Aguiar; ao fundo, à direita, o Palácio Sotto Mayor (1905)
Ferreira da Cunha, 
in Lisboa de Antigamente

Arruamento de 1900 que homenageia o chefe do partido Regenerador, António Maria Fontes Pereira de Melo (1819-1887), que presidiu ao Conselho de Ministros na década de 1876 e 1886, período que ficou conhecido como Fontismo

Friday, 30 March 2018

Avenida Fontes Pereira de Melo: solar Mayer e Palácio Sotto Mayor

A Avenida Fontes Pereira de Melo integra-se no projecto de crescimento da Cidade para Norte, aprovado em 1888, plano intitulado: "Avenida das Picoas ao Campo Grande" da autoria do Engenheiro Ressano Garcia. As terraplanagens nas ruas Fontes Pereira de Melo e António Augusto de Aguiar, iniciam-se cerca de 1897. Em 1900, a canalização de água para esta zona da Cidade, está praticamente concluída. A partir de 1902 começaram a circular os primeiros carros eléctricos — aqui descendo a avenida pela direita. Refira-se que o sentido da circulação em Portugal passou a fazer-se pela direita em 1 de Junho de 1928.

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1902 e 1905]
Junto ao viaduto sobre a Rua de S. Sebastião da Pedreira/Largo Andaluz. O viaduto da Avenida Fontes Pereira de Melo começou a construir-se em 1898 e concluiu-se em 1900. À direita, o solar oitocentista da família Mayer que ali existia, até c. 1900, altura em que começou a demolir-se, para construção do Palácio Sotto Mayor.
Alberto Carlos Lima, 
in Lisboa de Antigamente

O topónimo foi atribuído como Rua Fontes, por deliberação camarária de 31/12/1887 e Edital de 10/01/1888. Mais tarde, o Edital municipal de 11/12/1902 mudou-lhe a categoria para Avenida, já como Fontes Pereira de Melo.  Tributo a um dos principais políticos portugueses e várias vezes primeiro-ministro António Maria Fontes Pereira de Melo (1819-1887) — cuja dinâmica de desenvolvimento e políticas públicas ficou conhecida como «Fontismo». — deu um grande impulso à criação de estradas e caminhos de ferro e montou a primeira linha telegráfica do País, tendo criado então pela primeira vez o Ministério das Obras Públicas que ele próprio assumiu.

Avenida Fontes Pereira de Melo [1912]
O edifício, à esquerda, no gaveto com a Avenida António Augusto de Aguiar já não existe, assim com, a moradia do lado nascente da avenida. Os dois prédios de rendimento, ao fundo, na esquina com Rua Martens Ferrão, foram recentemente reabilitados. O que ainda vai conferindo alguma elegância à avenida desenhada pelo eng.º Ressano Garcia é o
imponente e sumptuoso Palácio Sotto Mayor, edificado em 1902/06, segundo o risco inicial do arq. Ezequiel Bandeira, com a colaboração do arq. Carlos Alberto Correia Monção. Já nem o eléctricoque ali se vê a descer avenida pela mão esquerdalá passa.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 29 August 2018

Palácio Lavre ou «Lavra»

Do palácio seiscentista original apenas resta a fachada, onde se destaca o portal de cantaria, de gosto tardo-barroco, com volutas que enquadram um pequeno entablamento com um escudo em alto-relevo.


O Palácio primitivo pertenceu no século XVI ao Doutor Damião de Aguiar Ribeiro — recorda-nos o olisipógrafo Norberto de Araújo — , conselheiro de El-Rei e desembargador do Paço, vereador que foi de Lisboa, e que se bandeou com os espanhóis, como tantos. Passou o solar mais tarde, no século XVIII para os descendentes de Manuel Lopes de Lavre ou «Lavra» um dos quais veio a entroncar na Casa dos Morgados de Oliveira, antepassados dos Marqueses de Rio Maior.

Palácio Lavre ou «Lavra» [1933]
Antiga Escola Nacional
Rua de São José, 10; Calçada do Lavra, 1-3
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A propriedade foi à praça em 1800, sendo reedificada. Nela está instalada, desde 1869, a magnifica Escola Nacional, fundada pelo professor Barros Proença, e que funcionou, nos primeiros meses, no Palácio [Foz] então Castelo Melhor, aos Restauradores.
De Manuel Lopes Lavre, de que falei, resultou para esta rampa, caminho de Sant'Ana, a designação de Calçada do Lavra, que sucedeu à de Calçada de Damião Aguiar, nome do primeiro dono do palácio referido.[vd. 2ª foto]
O Ascensor do Lavra, obra de Raúl Mesnier [Du Ponsard], foi inaugurado em Abril de 1884.¹

Palácio Lavre ou «Lavra» [1960]
Rua de São José, 10; Calçada do Lavra, 1-3
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa,, vol. XIV, pp. 96-97, 1939.

Sunday, 15 April 2018

Bairro Azul

Começou por escolher o bairro onde mais gostaria de morar. Pensou em vários, e às suas preferências nunca era alheia a recordação dos tempos, ainda tão próximos, em que fora criada de servir. Gostaria, por exemplo, de ir pôr casa no Bairro Azul, só para «fazer ver» [...]¹


Estando embora em presença de uma Arquitectura civil, o Bairro Azul — Ruas Fialho de Almeida, Ramalho Ortigão e Avenida Ressano Garcia — constitui um conjunto arquitectónico que se reveste de uma homogeneidade ímpar, datado da década de 30 do Século XX com prédios dotados de esquerdo-direito ao gosto Art Deco e burguês, destinado a servir uma classe média que culminaria a sua ascensão no período salazarista, e que se procurava rodear de algum luxo e dignidade.

Rua Marquês de Fronteira |1967|
Edifícios do Bairro Azul; esta designação devia-se à aparente  «mancha azul» formada pela cor das persianas, das portas e das caixilharias.
Artur Bastos, in Lisboa de Antigamente

O ângulo estranho do plano do bairro resultava do desenho de Cristino da Silva para uma vasta urbanização inicial que, cerca de 1930, deveria ter sido o remate do prolongamento da Avenida da Liberdade. Devia apresentar-se com arruamentos em simetria, nos dois lados do Parque Eduardo VII. Contudo, o bairro ficou isolado, pois o restante projecto não se realizou, repetindo-se a vocação lisboeta para os tecidos incompletos e para a justaposição de bairros de origens diversas, característicos do início do Séc. XX. Trata-se, ainda assim, de um projecto e de uma ideia subjacente de Cidade.

Panorâmica sobre o Bairro Azul e zonas circundantes |c. 1950|
Av. António Augusto de Aguiar
Edifícios do Bairro Azul; esta designação devia-se à aparente ‘mancha azul’ formada pela cor das persianas, das portas e das caixilharias.
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Apresenta-se com uma hierarquia estabelecida e está dotado de aparatosos pórticos de entrada no Bairro. O seu isolamento apenas lhe veio confirmar a sua integridade e a sua autenticidade, patente no grande enriquecimento formal de fachadas e átrios de entrada, ganhando simplicidade formal ou opulência consoante a categoria social dos espaços o ditava. Baixos-relevos em estuque ou cimento, painéis policromados de mosaico cerâmico, ornatos salientes, pilastras e frisos, balaustradas, frontões e alpendres são motivos que aparecem com abundância neste vocabulário decorativo, de leitura complexa.

Avenida Ressano Garcia |1935|
Ressano Garcia (1847–1911) que enquanto engenheiro da CML foi responsável pela expansão de Lisboa para norte, a partir do eixo da Avenida da Liberdade com o projecto das Avenidas Novas integrou a toponímia de Lisboa ainda em vida, no ano de 1897, na artéria que hoje conhecemos como Avenida da República e, depois, no ano de 1929, regressou para uma Avenida no Bairro Azul.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Tratando-se de um conjunto particularmente notável quanto à sua Arquitectura e aos motivos decorativos nela integrados, faz sentido classificar o conjunto com estas características estilísticas, pois manteve uma relação de sentido com os seus moradores, uma relação de autenticidade e integridade, o que se veio a verificar até à actualidade. É de realçar a autenticidade que o conjunto manteve ao longo dos tempos, pois é o conjunto, patente nas suas íntimas relações estilísticas que se mantiveram intactas e podem ser observadas.²

Bairro Azul |194-|
Perspectiva tomada da Rua Marquês de Fronteira vendo-se Avenida Ressano Garcia, ao centro, e a Av. António Augusto de Aguiar à dir..
Amadeu Ferrari, 
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ANÍBAL Nazaré, Maria, uma Sua Criada. capa e ilust. Stuart. Lisboa, 1958.
² Carlos Cabaço e João Reis, lisboapatrimoniocultural.pt

Tuesday, 2 June 2015

Quinta e Pátio do(s) Geraldes

Da Rua de Artilharia Um, pela a Travessa da Fábrica dos Pentes à Rua Castilho


«Vamos descer a Rua de Artilharia Um, dístico aposto em Agosto de 1911, e que sucedeu ao da velha Rua de Entremuros, esta por sua vez, e desde 1768, modificação designativa da antiga Estrada. Com efeito, esta comprida artéria de Campolide velho descia ao Rato entre muros de quintas; havia, porém, uma quinta chamada de Entremuros, e que teria dado o nome à serventia rústica de setecentos. Esta Rua, antiga, de Entremuros foi designada, simultaneamente quási, na voz do povo e nos escritos dos cartórios, por Rua dos Ciprestes, Rua dos Quentais e Rua dos Geraldes, isto pelos fundamentos de assimilação de que mais adente falarei. [...]

Quinta e Pátio do(s) Geraldes [c. 1900]
 Rua de Artilharia 1, Rua Castilho e Rua Rodrigo da Fonseca
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente
Pátio do(s) Geraldes [1888]
Rua de Artilharia 1, Rua Castilho e Rua Rodrigo da Fonseca
Exposição Pecuária Nacional em 1888 no Valle de Pereiro (depois Parque Eduardo VII).
Augusto Bobone, in BNP

 
Aqui defronte da Travessa da Fábrica dos Pentes existiu no século passado [séc. XIX] a Quinta e Pátio dos Geraldes, com tanto renome no sítio, e desaparecido há meia dúzia de anos [c. 1933] para urbanização do local. O Palácio, com suas chaminés cónicas (das quais ainda há os vestígios da base (Maio de 1939) no quarteirão por edificar entre as Ruas Castilho e Rodrigo da Fonseca), com sua frontaria armoriada, sua capela de belo pórtico e seu agradável conjunto solarengo, teve história alfacinha, fidalga e política, que aqui não tem lugar.»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 94 e 97, 1939)

Quinta e Pátio do(s) Geraldes [1915]
 Legenda: Em cima, a Rua de Artilharia 1; a vermelho a Rua Castilho; a laranja a Rua Rodrigo da Fonseca; a azul Rua Joaquim Augusto de Aguiar (por terminar)
Projecto das ruas Castilho, Rodrigo da Fonseca, Artilharia Um, Joaquim António de Aguiar e Parque Eduardo VII.
in Lisboa de Antigamente
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