O Palácio Figueira, a Santo André, de sólidos cunhais nas prumadas extremas das suas faces, mas que não atingem toda a altura do edifício, assinala-se pela sua primitiva fachada principal orientada a Sul, e pelo robusto portal que a domina, caracterizadamente seiscentista, constituindo no exterior um curioso monumento de fisionomia lisboeta.
O Palácio Figueira, a Santo André, situado entre o alto da calçada desta denominação e o começo da Calçada da Graça, é uma construção pesada, acentuadamente seiscentista (c. 1563), na qual avulta o portal nobre da fachada principal.
O seu núcleo fundamental remonta aos fins do século xv, e foi erigido por um fidalgo, João de Memdoça, cognominado «Cação», a quem D. João II, cerca de 1490, deu licença para que construísse casa junto à muralha da cerca e postigo de Santo André. A casa solarenga fora já reedificada, quasi desde os fundamentos, no meado do s4culo XVII, apenas com um andar, e em 1676, quando do casamento da senhora Mendoça com o 2.ª Montebelo, o palácio foi acrescido de um andar nobre, recebendo ainda ampliações e beneficias. É este o actual Palácio de Santo André, que pouco dano sofreu pelo Terramoto [...]Em 1822, D. Maria Amália Machado de Mondoça casa-se com o 1º Conde da Figueira, D. José de Castelo Branco Correia e Cunha de Vasconcelos e Sousa. Assim, o Palácio dos Mendoças entra na Casa Figueira.
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Palácio dos Condes da Figueira |194-| Largo Rodrigues de Freitas antigo de Santo André com a Calçada da Graça A Fachada Poente, no começo da Calçada da Graça, com dois corpos distintos, sendo, o de baixo, com quatro janelas de sacada, correspondente ao edifício primitivo, e o que lhe fica contíguo, mais alto e avançado, e de uma feição diferente do palácio seiscentista, enobrecido por portal nobre, da fundação do edifício e actual acesso ao palácio) de tipo setecentista. Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente |
Em 1913 foi demolido o pitoresco Arco de Santo André, da Cerca de D. Fernando, contiguo ao palácio, e que, superiormente, punha este em ligação com as casas da entrada da Costa do Castelo.==
Nota(s): O desaparecido Elevador da Graça, semelhante ao da Estrela-Camões, percorria o trajecto Largo da Graça, Largo e Calçada de Santo André (contornando o Palácio Figueira), Calçada dos Cavaleiros, Rua da Mouraria, Carreirinha do Socorro e Rua Nova da Palma, surgindo a maior dificuldade na transposição do velho Arco de Santo André.
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Calçada da Graça |c. 191-| Palácio Figueira, portal setecentista. José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente |
A Calçada da Graça — onde se encontra a Fachada Poente com seu portal setecentista — deve o nome do antigo Convento de N. S. da Graça, começado a construir em 1271 no local conhecido por Almofala, que era um pequeno arrabalde mourisco extramuros quando as tropas de D. Afonso Henriques aí acamparam durante o cerco de Lisboa. A Almofala mourisca tornou-se no bairro da Graça lisboeta repetida na Rua, Largo e demais topónimos que invocam aquele convento.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, pp. 12-14, 1938.
idem, Inventario de Lisboa, Fasc. VI, 1949.
idem, Inventario de Lisboa, Fasc. VI, 1949.



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