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Wednesday, 30 December 2015

Convento de Santa Joana (Princesa)

Sobre este antigo convento, sito na Rua de Santa Marta, refere o olisipógrafo Norberto de Araújo o seguinte: 
Agora encontramos, à direita, um enorme casarão, em cujos baixos está instalada a esquadra da policia de Santa Marta (vd. 3º imagem), edifício que corresponde ao Convento de Santa Joana (Princesa), que bastante nomeada teve em Lisboa.  
No século XVII por estes sítios campeavam as casas e quintas de D. Álvaro de Castro, senhor do Paúl de Boquilobo, que em seu testamento deixara uma boa parte da propriedade destinada à construção de um hospício para Missionários da Índia. Fundou-se nela, porém, em Novembro de 1699, um convento de frades dominicanos. Meio século andado, poucos religiosos restavam em clausura, e, assim, e porque o Terramoto destruíra os conventos das dominicanas da Anunciada e da Rosa, estas religiosas vieram ocupar este convento «ao Andaluz», que pouco sofrera com o cataclismo, e que o Rei D. José fez restaurar.

Convento de Santa Joana (Princesa) [1927]
Rua de Santa Marta

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Extintas as ordens religiosas, o convento subsistiu até à morte da última freira; depois ficou ao abandono até que a Câmara Municipal e a Repartição respectiva do Ministério da Fazenda se entenderam (1884) para que a cerca fosse retalhada para urbanização, poupando-se o casarão, que foi aproveitado pelas Juntas de Paróquia vizinhas para serviços de assistência pública
Depois de 1910 começou a casa, bastante decrépita, a servir de arquivo de vários serviços públicos. Desde há anos estão nela instalados parte do Arquivo da Contabilidade Pública e do Arquivo Histórico do Ministério das Finanças, as Inspecções dos Fósforos e dos Tabacos, o Arquivo da Inspecção do Comércio Bancário, algumas repartições das Obras Públicas, vários serviços de beneficência da Misericórdia, a 16.ª esquadra da polícia (Santa Marta), e uma garagem da polícia de Lisboa.
Para muito deu o Convento de Santa Joana (Princesa de Portugal)
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 87, 1939)

Convento de Santa Joana (Princesa [1927]
Pátio e fachada principal da igreja.
Rua de Santa Marta
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente


E «para muito mais dará» — dizemos nós, parafraseando o insigne olisipógrafo Norberto de Araújo, senão vejamos:
O «Grupo Hoti» comprou ao Estado o Convento por 11,2 milhões de €uros e vai converter o edifício do século XVIII num hotel que deverá ter a marca Meliá.
O projecto no Convento de Santa Joana integra uma passagem pública entre as ruas Camilo Castelo Branco e Santa Marta, sendo a sua área total de 18,7 mil metros quadrados. É neste espaço que ainda funciona a PSP. «A parte virada para a Rua de Santa Marta é para reabilitar, e o objectivo é construir neste espaço 40 apartamentos, fundamentalmente para venda a compradores estrangeiros que queiram ter os serviços de apoio do hotel».»
A entrada principal do hotel — de 5*, «ou de 4* superior» — , será feita a partir da Rua Camilo Castelo Branco e deverá contar com 160 quartos, de acordo com o projectado. Segundo as previsões da Hoti, a obra deverá começar em 2015, para o hotel inaugurar em 2017.

Convento de Santa Joana (Princesa) [1961]
Rua de Santa Marta, esquadra da P.S.P.

Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 29 May 2019

Antiga Igreja do Coração de Jesus

Quási defronte do antigo Convento de Santa Marta temos a Igreja do Coração de Jesus — recorda-nos Norberto de Araújo — , cuja paroquial foi criada em 1770 com o orago de Santa Joana, na Igreja do vizinho Convento de Santa Joana, passando depois (1780) para o Hospício das Carmelitas, na Rua de Santa Marta.


O templo paroquial do Coração de Jesus só foi erguido neste local em 1790 a esforços, sobretudo, do Conde de Redondo; foi arquitecto Manuel Caetano de Sousa. A inauguração realizou-se a 30 de Maio. Entre 1877 e 1880 a Igreja recebeu restauros. 

Rua de Santa Marta |1944|
Ao fundo vê-se a antiga Igreja do Coração de Jesus, situava-se em frente ao Convento de Santa Marta, hoje Hospital de Santa Marta.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

A paroquial do Coração de Jesus é pobre, embora simpática. Possue no corpo da Igreja duas capelas por lado; à direita as de N. Senhora de Fátima e da Sagrada Família, à esquerda de N. Senhora das Dores e de S. Miguel. No altar da Capela-mór vêem-se sobre o sacrário do SS. as imagens do Sagrado Coração de Jesus e o S. Coração de Maria; nela se ostenta um quadro do orago da freguesia devido a Cirilo Wolkmar  Machado. O teto é de Pedro Alexandrino.



Igreja do Coração de Jesus |195-|
Rua de Santa Marta
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente
 


Igreja do Coração de Jesus |1956|
Retábulo do capela-mor, de Volkmor Mochado
Fotografia anónima, in IL



A igreja foi demolida na década de 1960 e substituída de outra, com a mesma invocação, edificada na Rua Camilo Castelo Branco.

Igreja do Sagrado Coração de Jesus |195-|
Pormenor do tecto da autoria de Pedro Alexandrino
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

N.B. Esta zona da cidade era servida pela Carreira de eléctricos Nº 6 RESTAURADORES-PRAÇA DA FIGUEIRA. Foi inaugurada em 1905, com o percurso inicial entre o Rossio e a R. Gomes Freire. Foi suprimida em 1960.
Percurso: Praça dos Restauradores, Av. da Liberdade, Rua Barata Salgueiro, Rua de Santa Marta, Rua Conde Redondo, Rua Gomes Freire, Campo dos Mártires da Pátria, Rua de S. Lázaro, Rua da Palma (sentido inverso, Poço do Borratem), Largo Martim Moniz e Praça da Figueira.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 90-91, 1939.

Sunday, 4 October 2015

Rua de Santa Marta

Marta, em aramaico, significa "senhora". Era a irmã de Maria e de Lázaro. Por várias vezes Jesus hospedou-se em sua casa. Foi a seu pedido que Jesus ressuscitou a Lázaro, seu irmão (cf. João 11,21ss.). A devoção a Santa Marta remonta à época das Cruzadas. Originada em França, lugar onde, segundo uma lenda, Marta, Maria e Lázaro terminaram os seus dias. 

Rua de Santa Marta, 2-14 |c. 1910|
Antiga Rua Alexandre Braga e antes Rua de Santa Joana
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Santa Marta era muito popular na cidade de Tarrascon, onde, segundo a tradição, estrangulara Tarasca, um monstro que devorava animais domésticos e crianças. É considerada a patrona das cozinheiras. (cm-lisboa.pt)

Rua de Santa Marta |1915|
Grandes Armazéns de Santa Marta, 1-7
Antiga Rua Alexandre Braga e antes Rua de Santa Joana
Octávio Sedas Nunes, in Lisboa de Antigamente

Tuesday, 31 May 2016

Palácio dos Condes de Redondo (Bairro Camões)

O antigo palácio dos Condes de Redondo. na Rua de Santa Marta — uma sombra do que foi, a viver apenas do seu exterior repousado — é uma fundação que não deve recuar mais que ao terceiro quartel do século XVII.

 
Fê-lo erguer ou reedificar, um dos Condes de Redondo, talvez D. Duarte de Castelo Branco. 7.º do título, vedor da Casa de D. João IV, ou seu irmão e sucessor, 8.º Conde., D. Francisco de Castelo Branco, falecido em 1686 sem descendência nem ascendência masculinas, vagando então para a Coroa a Casa e o Condado de Redondo. É esta a razão por que se viu a Rainha D. Catarina, viúva de Carlos II de Inglaterra, residir neste palácio, «cedido por seu irmão D. Pedro II», quando regressou ao Reino, e antes de a mesma senhora ir habitar o seu Paço da Bemposta. D. Pedro II, em 1693, fez mercê dos bens e título de Redondo a D. Manuel Coutinho, 9.º Conde, filho segundo do Marquês de Marialva, e quarto neto de D. Vasco Coutinho, Conde de Borba, e l.º Conde de Redondo. Este 9.º Conde morreu sem sucessão e a varonia passou para os Sousas, sendo 10.º Conde D. Fernão de Sousa Coutinho; o 18.º Conde D. Tomé Xavier de Sousa Coutinho de Castelo Branco e Meneses foi feito, em 1811, 1.º Marqu4s de Borba.

Palácio dos Condes de Redondo [1930]
Rua de Santa Marta, 56 a 56-E
A Fachada, em extensão, constituída por sete corpos contíguos,  divididos  por  pilastras, com duas ordens de vinte e duas janelas, sendo as do andar nobre de sacada, com varões seiscentistas, e coroadas de cornija.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
 
O Palácio sofreu pouco pelo Terramoto, dada a sua sólida construção, dando então albergue a muita gente; foi, contudo, objecto de restauros levados a efeito pelo 12.º Conde, D. Fernando.
A grande quinta dos Redondos e Borbas, que se estendia a Nascente do palácio, e era uma das maiores de Lisboa, foi retalhada em 1878. depois de haver sido comprada por uma empresa urbanizadora do bairro Camões, cujo principal influente foi o Conde de Burnay, era então senhor da Casa, D. Fernando Luís de Sousa Coutinho, 8.º Marquês de Borba, mas continuando o palácio na família Sousa Coutinho. Pertence hoje [em 1949] este antigo palácio — dado a inquilinato — à Condessa de Arnoso, ocupando-o. além de famílias humildes, a Assistência Infantil e a Cantina Escolar da freguesia do Coração de Jesus, duas escolas primarias, uma agência funerária e vários estabelecimentos comerciais.

Palácio dos Condes de Redondo [193-]
Rua de Santa Marta, 56 a 56-E
O Portal, sobrepujado  de tímpano emoldurado de cantaria, que dá acesso, sobre
um  pequeno  passadiço, ao pátio interior.

Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

De planta rectangular composta por quatro alas em torno de um pátio também rectangular, apresenta volumetria paralelepipédica. A extensa fachada principal, desenvolvida em dois pisos, é constituída por sete corpos contíguos delimitados por pilastras toscanas, encontrando-se rasgada a um ritmo regular por duas ordens de 22 janelas, sendo as do andar nobre de sacada com guardas de ferro forjado e encimadas por cornija. O portal, emoldurado a cantaria e coroado por um friso com tríglifos, sobrepujado por frontão triangular interrompido no vértice, dá acesso ao pátio interior, no centro do qual existe uma cisterna seiscentista com guarda de cantaria. 

Palácio dos Condes de Redondo, jardins [9 de Junho de 1880]
O Bairro Camões foi inaugurado em 9 de Junho de 1880, (compreendia as Freguesias do Coração de Jesus e de São Jorge de Arroios) por ocasião do 3º centenário da morte de Luís de Camões. Para a ocasião foi armado um coreto pavilhão nos jardins do Palácio dos Condes do Redondo.
Rua de Santa Marta, 56 a 56-E
José A. Bárcia,
in Lisboa de Antigamente
 
No interior merecem destaque a escadaria desenvolvida a partir do átrio situado ao fundo do pátio, assim como algumas salas com tectos apainelados e estuques pintados. Está ocupado actualmente pela Universidade Autónoma de Lisboa, que aí funciona desde os anos 80 do séc. XX.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, 1949.

Saturday, 15 August 2015

Rua de Santa Marta

O topónimo advém-lhe da vizinhança do Convento das religiosas de Santa Clara com o orago de Santa Marta aqui erigido em 1580.
A devoção a Santa Marta remonta à época das Cruzadas. Originada em França, lugar onde, segundo uma lenda, Marta, Maria e Lázaro terminaram os seus dias. Santa Marta era muito popular na cidade de Tarrascon, onde, segundo a tradição, estrangulara Tarasca, um monstro que devorava animais domésticos e crianças. É considerada a patrona das cozinheiras.

Rua de Santa Marta |1912|
Antiga de Alexandre Braga e antes Rua de Santa Marta (e Rua de Santa Joana)
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Friday, 28 September 2018

Travessa das Parreiras

Em suma — diz Mestre Júlio de Castilho — : a Rua do Carvalho, a Rua do Loureiro, a Rua dos Jasmins, a Rua da Era, a Travessa da Era (ou Hera), a Travessa das Chagas Velhas, a Travessa da Laranjeira, ou das Laranjeiras, como dantes se chamou, a Rua das Parreiras, a Rua das Flores, e talvez a Praça das Flores, são risonhas amostras de um quadro que se perdeu, um grande quadro variegado, painel muito florido, a que talvez se apegassem, aqui, ali, nalgum canteiro, nalgum alegrete, nalgum caramanchão, memórias desconhecidas das lindas mãos de Brites ou de Helena de Andrada; e digo lindas, porque Miguel Leitão lá confessa, com ar malicioso, que havia então parentas suas bem formosas.

Travessa das Parreiras [1908]
Perspectiva tomada da Calçada de Santo António na
direcção sa Rua de Santa Marta
Machado & Souza,
in Lisboa de Antigamente

Como refere Castilho, este topónimo de “parreiras” inscreve-se numa antiga tradição popular de designar topónimos indo buscar a sua identidade às disposições dos terrenos ou do local, às circunstâncias naturais, à fauna ou à flora.
Este arruamento — que era uma antiga zona rural — tem início na Calçada de Santo António e finda na Rua de Santa Marta.

Travessa das Parreiras [1908]
Ao fundo a Rua de Santa Marta
Machado & Souza,
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
CASTILHO, Júlio de, Lisboa Antiga, vol. I, p.28.
cm-lisboa.pt.

Wednesday, 23 January 2019

Ermida da Cruz das Almas

Pois estamos outra vez na Cruz das Almas
O sítio da Cruz das Almas — diz Gustavo de Matos Sequeira — aparece-nos pela primeira vez citado em 1719, no registo de óbito de uma Inez, filha de Manuel de Sequeira e de Catarina Maria, feito na freguesia de São José. Noutros, em 1730 e 1732, surge- nos a designação ao «Canto das Almas». A não ser que a referência seja a outro local — à «Cruz de Santa Marta» talvez — temos que assentar que esta denominação topográfica só se fixou muito mais tarde, tanto mais que a «cruz do Padrão» não pertencia à paróquia de São José. O que é certo, também, é que em 1731, o bispo de Lamego D. Nuno Alvares Pereira de Melo faleceu à «Cruz das Almas» em 8 de Março deste ano, e já se sabe que os Cadavais tinham aqui casa e propriedades rústicas e que foi um Cadaval o fundador da ermida de que já vamos falar. [...] ¹

Ermida da Cruz das Almas |c. 1940|
Rua de Campolide
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

A Ermida que aqui vês — recorda-nos, por seu turno, Norberto de Araújo — pequeno prédio que se segue, já na Rua de Campolide, à esquina da Rua das Amoreiras, foi fundada em 1756 por D. Nuno Álvares Pereira de Melo, 3º Duque do Cadaval, e um dos dezóito filhos ilegítimos que êste Duque teve. Os Cadavais tinham aqui perto uma casa sua, junto do Palácio Anadia, mas já na Rua do Portal de S. João dos Bemcasados, isto é: na, depois, das Amoreiras.
A Ermida foi dedicada à Imaculada Conceição Maria Santíssima, como estás lendo, em inscrição gravada na verga do portal. 

Ermida da Cruz das Almas |1945|
Rua de Campolide, à esquina da Rua das Amoreiras
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Esta Ermida da Cruz das Almas interiormente possue um belo silhar de azulejos do Rato, policromo, um teto estucado e pintado, e, no altar-mór, um Cristo, de marfim, e algumas imagens (S. Domingos e Santa Tereza) além de um retábulo de N. Senhora da Conceição.²

Sítio da Cruz das Almas |1857|
Vermelho: Ermida da Cruz das Almas
Azul: troço da antiga Rua das Amoreiras, que corresponde actualmente à Rua Prof. Sousa da Câmara
Laranja: Rua de Campolide (antiga Estr. de Campo Lide

Verde: Rua do Arco do Carvalhão
Levantamento da Planta de Lisboa (excerto), 1857 por  Filipe Folque, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Depois do terramoto: subsídios para a história dos bairros ocidentais de Lisboa, Volumes 3-4, p. 489, 1967.
² ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 81-82, 1939.

Friday, 6 July 2018

Rua Alexandre Herculano (Palacete da Condessa de Edla)

Sobre esta zona da cidade relembra-nos o olisipógrafo Norberto de Araújo que «Aqui, no começo de Conde Redondo e Santa Marta, do lado poente, existiu, no fundo de um jardim, o Palacete da Condessa de Edla [vd. 2.ª foto], a esposa morganática de D. Fernando, marido de Maria II; foi tudo demolido para dar lugar (1938) ao prolongamento da Rua Alexandre Herculano, que ai tens, já terraplanada, inaugurada em 25 de Outubro deste ano de 1939».

Rua Alexandre Herculano [1940]
Observa-se  à dir. a Rua Camilo Castelo Branco e, à esq., a Rua Rodrigues Sampaio; em último plano a Avenida da Liberdade
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N.B.: Alexandre Herculano de Carvalho Araújo (1810-1877) nasceu no Pátio do Gil, na Rua de São Bento. Foi poeta, romancista, historiador e ensaísta. Juntamente com Almeida Garrett, é considerado o introdutor do Romantismo em Portugal. Foi o renovador do estudo da História de Portugal. 

Rua Alexandre Herculano [1938]
Palacete da Condessa de Edla
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Palacetee (terrenos, a azul) da Condessa d'Edla (demolido em 1938)
Legenda:
Vermelho (cheio): Rua Alexandre Herculano; Vermelho (tracejado) Prolongamento da Rua Alexandre Herculano (1939); Amarelo: Rua de Santa Marta; Verde: Rua do Conde Redondo
Levantamento topográfico de 1910, autor: Pinto, Júlio António Vieira da Silva [pormenor], 
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 88-89, 1939.

Friday, 7 January 2022

Rua Barata Salgueiro

A Rua Barata Salgueiro, sita nas freguesias de Coração de Jesus e São Mamede, foi atribuída por deliberação camarária de 06/05/1882 no arruamento perpendicular à Avenida da Liberdade, em direcção à antiga Azinhaga do Vale de Pereiro.
As ruas Barata Salgueiro e Castilho foram calcetadas e iluminadas em 1886, ano da inauguração oficial da Avenida da Liberdade. Do mesmo plano de urbanização faziam parte, os bairros Barata Salgueiro a ocidente e Bairro Camões, a leste. Barata Salgueiro cedeu gratuitamente e a preços reduzidos terrenos para a o projecto de urbanização da Avenida da Liberdade.

Rua Barata Salgueiro |1932|
Anterior ao alinhamento e rectificação da rua e à demolição dos prédios ao centro; ao fundo vêem-se os prédios da Rua de Santa Marta.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Nesta artéria perpendicular à Avenida da Liberdade foi homenageado o Dr. Adriano Antão Barata Salgueiro (1814-1895), advogado em Lisboa, por decisão unânime na 19ª Sessão Extraordinária da Câmara Municipal de Lisboa, em 6 de Maio de 1882, à qual presidia José Gregório da Rosa Araújo, o presidente responsável pela construção da Avenida da Liberdade entre 1879-1886.
Curiosamente, a Rua Rosa Araújo é paralela à Rua Barata Salgueiro. [cm-lisboa.pt]

Rua Barata Salgueiro |1939|
Alinhamento e rectificação depois da demolição dos antigos prédios; ao fundo vêem-se os prédios da Rua de Santa Marta.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 3 September 2017

O Colyseo dos Recreios e o Elevador de S. Sebastião

O Colyseo dos Recreios  —  no dizer de Alfredo Mesquita  —  é a maior casa de espectáculos que se tem construído em Lisboa. Está situado na Rua das Portas de Santo Antão, próximo da Igreja de S. Luiz Rei de França [refere-se à Igreja de São Luís dos Franceses]. Para a realização do projecto do architeto Goulard, foi necessário fazer naquelles terrenos um desaterro de 16 metros de altura, construindo-se muralhas de suporte que têm 6 metros de espessura
O circo apresenta um grandioso aspecto, podendo comportar 8.000 pessoas, em 110 camarotes, 1.500 cadeiras, duas enormes galerias, um vasto promenoir, e uma muito espaçosa geral em toda a volta do circo. Cobre o edifício uma formidável cúpula de ferro, construída por Hein Lehmann, de Berlim. O palco é de amplas dimensões, e presta-se a ser explorado com peças de grande espectáculo. Em parte do edifício, á frente, está instalada a Sociedade de Geographia de Lisboa, com o seu muito interessante museu colonial e a sua grande sala de conferencias. A inauguração do Coliseo dos Recreios foi no dia 14 de Agosto de 1890, com a opera cómica de SuppéBoccacio, cantada por uma companhia italiana.

Coliseu dos Recreios [entre 1899 e 1901]
 Rua das Portas de Santo Antão
Nesta imagem são visíveis as «calhas» do antigo «Elevador de S. Sebastião».
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Hoje — prossegue o mesmo autor em 1903 —. a grande afluência do povo converge para o Colyseo dos Recreios. De inverno, são os cavallinhos, os acrobatas, os clowns, os animaes sábios, os palhaços excêntricos, as pantomimas, as cantoras de café-concerto, que constituem os atrativos d’aquelle circo. No verão, são as companhias italianas e hespanholas de opera e de zarzuela que lhe proporcionam as enchentes. O alfacinha teve sempre uma viva sympathia pelos circos de cavallinhos, e pelos theatros de canto.

Coliseu dos Recreios, fachada e interior [c. 1890]
 Rua das Portas de Santo Antão
  in Lisboa de Antigamente
Coliseu dos Recreios, cúpula de ferro [c. 1890]
 Rua das Portas de Santo Antão
  in Lisboa de Antigamente

Vem a-propósito lembrar que, episodicamente, correu aqui há quarenta anos [c. 1900] uma linha dupla de viação por cabo subterrâneo» — escreve Norberto de Araújo nas suas Peregrinações — referindo que «Lisboa conheceu ainda uma «Companhia de Viação Funicular» que montou uma única linha — o «Elevador de S. Sebastião» [vd. 1ª foto].
Esta linha dupla de viação por cabo subterrâneo saía do Largo de S. Domingos, junto à caixa do Teatro D. Maria II, e seguia por Santo Antão, S. José, Santa Marta, Largo do Andaluz, Rua de S. Sebastião, até às «portas» de S. Sebastião da Pedreira. Esta iniciativa teve, porém, a duração das rosas: inaugurada a carreira em 15 de Janeiro de 1899, a companhia abria falência em 1901.

Coliseu dos Recreios [1960]
 Rua das Portas de Santo Antão
Arnaldo Madureira, i
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
MESQUITA, Alfredo. Lisboa, p. 622, 1903.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 104, 1939.

Friday, 4 January 2019

Travessa da Horta da Cera

Ainda existe o nome de travessa da Horta-da-cera —  recorda-nos mestre Castilho — ; era ha poucos annos uma viella quasi deserta, tortuosa, que levava desde a calçada [hoje Rua] do Salitre até á rua de S. José [vd. carta topográfica]. A Avenida [da Liberdade] cortou-a ao meio, como se corta uma cobra, por fórma que o principio occidental d'essa antiga serventia é a 5.ª travessa á esquerda no Salitre, para quem vai do Rato, e finda na Avenida; e o outro troço oriental da cobra é a 3.ª travessa á esquerda, na rua de S. José, indo da rua das Pretas, e finda na mesma Avenida.¹

Travessa da Horta da Cêra [1944]
Ao fundo, a Avenida da Liberdade.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Espreita-me, à direita, em desnível o que resta da antiga Travessa da Horta da Cera —  diz, por seu lado, Norberto de Araújo. Olha quanto é curioso esse prédio, n.ºˢ 3 a 13 [à esq. na 1ª foto e à dir. na 2ª], do lado norte da serventia quási a entrar na Avenida; é em toda esta larga zona moderna o mais vetusto espécime urbano do tempo velho.²

Travessa da Horta da Cêra [1944]
Ao fundo, a Rua do Salitre.

Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Este topónimo deve a sua existência a um conjunto de hortas - denominadas «da Cera» no séc. XVIII - localizadas entre as antigas Rua de Santa Marta/Rua de S.José e a Calçada do Salitre, as quais resistiram no local até à abertura da Avenida da Liberdade em 1880-1886.

Travessa da Horta da Cera, extracto da Carta topográfica de Filipe Folque, 1857
Legenda: a Vermelho a antiga Travessa da Horta da Cera (antes de ser cortada pela Av. da Liberdade); a Verde a antiga Calçada do Salitre (hoje Rua); a Azul, a Rua de S. José.
in Lisboa de Antigamente
(clicar para ampliar)

Bibliografia
¹ CASTILHO, Júlio de, Amores de Vieira Lusitano: apontamentos biographicos, p 215, 1901.
² ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, p. 38, 1938.

Friday, 20 September 2024

Cruzamento formado pelas Ruas Nova de São Mamede, Salitre, Barata Salgueiro e Rodrigo da Fonseca

No final do século XII, e sob a autoridade do Bispado de Lisboa, surgem na capital as dez primeiras freguesias (terreno delimitado, na cidade ou no campo, em que habitavam indivíduos que seguiam o mesmo culto, tendo como ponto principal o templo ou a igreja matriz). Em 1247, nasce São Mamede, famosa por albergar o Jardim Botânico de Lisboa e o Edifício da Imprensa Nacional. É a mais antiga das freguesias que hoje formam a de Santo António.

A Rua Nova de São Mamede é assim designada por se encontrar nas proximidades da Igreja Paroquial de São Mamede. Esta paróquia remonta ao século XIV (1312), Anteriormente designada Travessa de São Mamede, este arruamento foi renomeado  pelo Edital do Governo Civil de 5 de Abril de 1945, tendo o seu início no Largo de São Mamede e término na Rua do Salitre.

Salitre. O local em que se encontra foi mencionado pela primeira vez em 1665 nos Livros dos Óbitos da freguesia de São José: “Pátio do Salitre”, designação que se manteve até 1746. Este topónimo nasceu das nitreiras ou salitrais que os frades de São Bruno – conhecidos como Cartuxos ou Brunos – tinham nas suas hortas, nos terrenos que detinham nesta artéria, já que salitre é o nome vulgar do nitrato de potássio, um adubo. Este arruamento inicia-se na Avenida da Liberdade, terminando na Rua Rodrigo da Fonseca.

Cruzamento formado pelas Ruas Nova de São Mamede, Salitre, Barata Salgueiro e Rodrigo da Fonseca |ant. 1928|
Autor desconhecido, in Lisboa de Antigamente

A Rua Barata Salgueiro homenageia o Dr. Adriano Antão Barata Salgueiro (1814-1895) que cedeu gratuitamente e a preços reduzidos terrenos para a o projecto de urbanização da Avenida da Liberdade. Denominação atribuída por Deliberação Camarária de 6 de Maio de 1882. Este arruamento tem início na Rua de Santa Marta e termina Rua Rodrigo da Fonseca.

A Rua Rodrigo da Fonseca — anteriormente designada Azinhaga do Vale do Pereiro — foi renomeada pela Deliberação Camarária de 28 de Fevereiro de 1884 e respectivo Edital do Governo Civil de 4 de Março do mesmo ano, iniciando-se na Rua do Salitre e terminando na Rua Marquês de Fronteira. 
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Bibliografia
jfsantoantonio.pt

Sunday, 6 August 2023

Chafariz do Largo de Andaluz

As aguas do Chafariz de Andaluz brotam no largo de Andaluz, do lado do norte do convento de Santa Joanna. São salobras e frias, marcando 22° quando a temperatura exterior é de 26°,5°. O snr. Agostinho Vicente Lourenço opina que, bem aproveitadas, estas aguas seriam uteis no tratamento de molestias cutaneas. [Otigão: 1875]

O Chafariz do Andaluz é apenas uma longa bacia rectangular, de pequena profundidade, com uma simples torneira de latão. Primitivamente era alimentado por nascente situada no logradouro de um prédio da Rua de São Sebastião da Pedreira. Encontra-se hoje escondido, no recanto formado pelo ângulo das Ruas de Santa Marta e do Actor Tasso, perto do Largo de Andaluz, à sombra de uma bela árvore. 

Chafariz do Largo de Andaluz |1965|
Em segundo plano, a Rua Actor Tasso (1909) antiga Travessa de Lázaro Verde.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
Chafariz do Largo de Andaluz |1961|
Em segundo plano, a Rua Actor Tasso (1909) antiga Travessa de Lázaro Verde.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Apesar das apregoadas virtudes da sua água original e da longa idade que já conta, pois data de 1336 (Era de 1374), o Chafariz do Andaluz não chamaria a nossa atenção se não fora a existência, no seu espaldar, da pedra de armas de D. Afonso IV sobre uma lápide bipartida, tendo, à esquerda, a nau vicentina das armas do Brasão da Cidade e, à direita, a inscrição:
NA ERA DE 1374 (data corresponde ao ano de 1336 da Era Cristã), O CONCELHO DE LISBOA MANDOU FAZER ESTA FONTE A SERVIÇO DE DEUS E DO NOSSO SENHOR REI DOM AFONSO POR GIL ESTEVES, TESOUREIRO DA DITA CIDADE, E AFONSO SOARES, ESCRIVÃO. A DEUS GRAÇAS, segundo a leitura de Cordeiro de Sousa (M. A.).
(Monumentos e edifícios notáveis do distrito de Lisboa, Volume 5, 1962)

Chafariz do Largo de Andaluz |1939|
Destaque para Pedra de armas de D. Afonso IV sobre uma lápide bipartida, tendo, à esquerda, a nau vicentina das armas do brasão da Cidade e, à direita, a inscrição atrás referida.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Tuesday, 7 July 2015

Bairro Barata Salgueiro

Em 1880, concluía-se um acordo com o capitalista Antão Barata Salgueiro (1814-1895) que, libertando terrenos entre a rua do Salitre e a Avenida permitia a urbanização de um novo bairro, com um traçado de ruas regulares será edificado com habitações destinadas à alta burguesia lisboeta. [...]
A edilidade, como reconhecimento, atribuiu o nome do doador a uma artéria perpendicular à Avenida da Liberdade e em direcção à antiga Azinhaga do Vale Pereiro: a Rua Barata Salgueiro, assim designada pela deliberação camarária de 6 de Maio de 1882, que hoje se delimita entre a Rua de Santa Marta, a nascente, e a Rua Rodrigo da Fonseca, a poente. Também na mesma deliberação camarária de 1882 foram nomeadas as outras artérias incluídas no perímetro do novo bairro: Alexandre Herculano, Passos Manuel (reno meada Rosa Araújo, em 1887), no sentido pente-nascente, e as ruas Castilho e Mouzinho da Silveira, na orientação norte-sul. [Santos: 2010]


Avenida da Liberdade com a Rua Barata Salgueiro |1902|
Palacete de Cipriano Ribeiro Caleia (esq), Palacete de Barata Salgueiro (dir), demolido em 1970.
Bilhete postal antigo circulado de Lisboa para Clermont-Ferrand (França), em 1902. 
Edição F.A. Martins (Faustino António Martins, BP n°63. 
Colecção particular Hugo de Oliveira. 

E assim foi existindo até há coisa de 35 anos (de permeio houve intervenções de nomeada em alguns palacetes, com adaptações modernistas, feitas por Cassiano Branco, entre outros, mas sem nunca se adulterar sobremaneira a unidade do conjunto), altura em que o bairro entrou em perda: perda no rendimento dos proprietários à omnipresença do automóvel, de escritórios e serviços, e dos acrescentos, a construção nos logradouros das moradias dos Carvalhos/Cinemateca e de Medeiros e Almeida, por ex.) e perda no número de moradores, o que aliado à venda sucessiva de palacetes e prédios de rendimento a imobiliárias (muitas delas estrangeiras), ao crescente estado de abandono do edificado, à crónica fraqueza de quem de direito não fez o que lhe competia - classificar o bairro e zelar pela observância dos regulamentos para a conservação de edifícios -, ao boom especulativo, às primeiras demolições para a construção de bancos (BNU, BES...) e hotéis (Hotel Altis à cabeça); levaria a que hoje o bairro esteja irreconhecível, sem graça, alçados espelhados, "cabeçudos", que encimam muitos dos prédios de antanho, coroando fachadas agora "para inglês ver" (Heron Castilho, Allianz, Hotel Vintage, etc.).

Panoramica sobre a R Barata Salgueiro  |c. 1910|
A urbanização dos terrenos adjacentes à parte ocidental da Avenida da Liberdade só avançou a partir de 1880, depois de acordo entre a Câmara e o capitalista e advogado Antão Barata Salgueiro, proprietário de uma larga área de terrenos nessa zona.
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 2 August 2020

Profissões de antanho: o engraxador

Lisboa tem o privilégio de possuir os mais artistas engraxadores do mundo — escreve Maria Archer num artigo publicado em 1945 na Revista municipal de Lisboa. A fama duns sapatos lustrados em Lisboa dá que falar. Sei dum escritor espanhol que passa horas nas praças, a rondar Os nossos engraxadores ambulantes, de tal forma se extasia com a perfeição e o ardor do seu trabalho. Dir-se-ia que os estuda, que os admira. Um dia confidenciou-me o resultado das suas observações:
— Nada mas que esto... Les gusta, a ellos hacerlos luzir.

Profissões de antanho: o engraxador [1977]
Largo de S. Domingos
Abrigos destinados aos engraxadores, instalados por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa: ao fundo, observa-se o Palácio Almada.
Fernando Gonçalves, in Lisboa de Antigamente

That is the question... É que o engraxador de Lisboa gosta do seu trabalho e um trabalho de que se gosta faz-se com mira na obra prima. Ele gosta de ver o velho sapato enlameado, poeirento, desboto, retomar cor e lustro sob a aguada colorida de anilina e a untadela de pomada. Depois, com pano e escova, apura-se em realçar as graças do cabedal rejuvenescido. A escova e o pano macio, felpudo, giram lestos nas suas mãos e o sapato lustrado já reflecte a luz como um espelho, já se destaca, sabre o basalto escuro da calçada ou no mármore britado dos passeios, como coisa nova, bonita, agradável de ver e de usar.

Profissões de antanho: o engraxador [1926]
Rua de S. Marta junto ao Convento de Santa Joana (Princesa)
Pequenos engraxadores, à saída da Esquadra da Polícia Cívica de Lisboa (actual PSP), depois de assistirem a uma palestra sobre comportamento cívico dada pelo comandante Ferreira do Amaral.: ao fundo, o Palácio Almada.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O engraxador ambulante, de Lisboa, é pobre. Vive mal da sua profissão mas mesmo assim, gosta dela porque ela o deixa viver na doçura da rua, em contacto directo com o grande teatro popular da rua. E gosta dela porque ela o deixa ser livre, viver sem patrão, sem horário de trabalho, sem regulamentos. Ordens, imposições, só as recebe da necessidade. A fantasia pode andar com o artista que ninguém a afugenta da sua beira. Vem o domingo... Domingo, dia de catitismo para o homem da rua, já se sabe que rende ao engraxador. Mas se há, nesse domingo, desafio de nomeada, quem é que pensa nos cobres? O engraxador gosta da «bola». Aperta um furo no cinto e compra o bilhete do «peão», que a vida são dois dias e o Benfica é merecedor, isso é que é...  ==

Profissões de antanho: o engraxador [1911]
Arcadas da Praça do Comércio
 Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARCHER , Maria, Revista municipal Lisboa, 1945.
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