Sunday, 8 November 2015

Chafariz do Carmo - O chafariz das pombas

« O chafariz das pombas ma singularidade nesta cidade de fontes e de chafarizes — e que tanta sede passou — é o Chafariz do Carmo. Nenhum em Lisboa com este feitio de «camarim de imagem de círio», as suas quatro colunas, a sua cúpula rasgada de arcos — e as pombas.» [1]
Chafariz do Carmo, Largo do Carmo [Séc. XIX]
 [chafariz nº 2]
Mário Novais, in AML

   De acordo com oxolisipógrafo Júlio de Castilho existiu neste local um outro chafariz que foi substituído pelo actual: «O chafariz central da pequena praça, emfim, já o vejo mencionado por um viajante francez em 1796, mas parece me que tinha outro feitio. «É este largo — diz o auctor — de mediana extensão, e tem ao centro um chafariz que se ergue acima de uma grande bacia de mármore.» Hoje, não sei desde quando, recobre-o um baldaquino de pedra composto de quatro arcos redondos sobre pilares.» [2]

   Pensa-se que o projecto do actual chafariz poderá ter sido do engenheiro militar genovês, o marechal de campo D. Miguel Ângelo de Blasco, as obras foram concluídas já sob a gestão de Reinaldo Manuel dos Santos. Imediatamente após a sua entrada em funcionamento tornou-se um dos chafarizes mais procurados pelos aguadeiros, dado encontrar-se na paróquia de Sacramento onde residia a maior parte dos mesmos.
   No século XIX tinha quatro bicas, sete Companhias de Aguadeiros, sete capatazes, duzentos e trinta e um aguadeiros e dois ligeiros. A Câmara de Lisboa, em Outubro de 1875, chegou a aprovar uma proposta prevendo a demolição do chafariz, ao qual não era reconhecido qualquer interesse, em virtude dos frequentes conflitos entre os aguadeiros e os habitantes dos prédios próximos.

Chafariz do Carmo, Largo do Carmo [Início séc. XX]
 [chafariz nº 2]
Fotógrafo não identificado, in AML

   Trata-se de um chafariz com uma característica forma de relicário ou baldaquino, cujo bloco fontanário, de 4 frentes, cada qual com a respectiva bica que jorra água para um tanque, é encimado por uma pirâmide composta por 4 golfinhos. Esta fonte surge inserida num recinto formado por 4 pilastras ligadas entre si lateralmente de apoio em apoio e cruzando-se na diagonal, formando um quádruplo pórtico. A rematar este conjunto surgem pirâmides no topo das pilastras e uma urna ao centro. Destaca-se, ainda, o escudo nacional, coroado, num dos arcos.

Chafariz do Carmo, Largo do Carmo [1929]]
 [chafariz nº 2]
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

[1] (ARAÚJO, Norberto de , Legendas de Lisboa, p. 156, 1943)
[2] CASTILHO, Júlio de. Lisboa Antiga, vol. I, p. 378, 1902)

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