Sunday, 5 September 2021

Largo e Convento do Carmo

Este topónimo remete para a existência do Convento do Carmo no local. A propósito deste Largo refere o olisipógrafo Norberto de Araújo o seguinte:

O Largo, na sua configuração, é bem diverso do que era há cento e oitenta anos [c. 1750], antes da urbanização pombalina, e então mais estreito, mais baixo, em nível, cerca de um metro (o que bem se comprova pelo rebaixamento que faz a Igreja-ruína do Carmo), e também mais nobre, mais senhor de si, mais «Bairro do Marquês» (de Vila Real), «Bairro de Vila Nova» (de Santa Catarina), Bairro do Carmo, alfim — designação que teve no decorrer dos séculos.
Principia por observar este gracioso Chafariz, que não existia ao tempo do Terramoto. O Chafariz do Carmo data de 1796, ou de pouco antes, integrado na obra das Águas Livres, pois recebe água das Amoreiras; se antes existia outro — e é verosímil que assim tivesse sucedido — não to posso assegurar cu, embora Júlio de Castilho o admita e escrito esteja em várias obras. [...]

Largo do Carmo [c. 1910]
Chafariz do Carmo; à esq. vê-se a Igreja da Ordem Terceira do Carmo, a frontaria do quartel da GNR e fachada arruinada da Igreja- Convento do Carmo; destaque para os urinóis públicos, que por esta época, eram 
Artur Benarus, in AML

Quanto às origens do Convento do Carmo, adianta o mesmo autor:
Contempla-une exteriormente o Carmo de Nuno Álvares. É a evocação material espiritualizada dos séculos da piedade e do heroísmo; é a única ruína em Lisboa que tem vida, e que nos oferece ainda a visão rasgada de um passado distante, de um mundo diverso do mundo de hoje.
Uma ruína — que não quere morrer.
Quando da batalha de Aljubarrota, Nuno Álvares Pereira fez à Virgem um voto: o de lhe erguer um grandioso templo. Foi isto a 14 de Agosto de 1385. Passados quatro anos Nuno Álvares começou a cumprir aquilo a que se votara (...).==

O Convento e as ruínas da Igreja do Carmo vistas do Rossio (Praça de D. Pedro IV [post. 1850]
Fotógrafo não identificado, in AML

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VI, pp. 75-76, 1938.
ibid. p. 82
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