Sunday 9 June 2024

Avenida do Brasil: Hospital Júlio de Matos

A construção do então chamado «Novo Manicómio de Lisboa ou do Campo Grande», ficou em grande parte a dever-se ao entusiasmo e influência do psiquiatra Júlio de Matos (1856-1922) - que acabou justamente por dar o nome ao hospital, tendo sido considerado um dos melhores da Europa, na época da sua inauguração em 1942.
A edificação, em Lisboa, de um hospital psiquiátrico moderno, capaz de satisfazer as necessidades de assistência, do ensino e da investigação científica foi possível graças ao grande prestígio de Júlio de Matos junto dos primeiros governantes do regime republicano e ao valor testamentário do empresário António Hygino Salgado d’Araújo, falecido em 24 de Junho de 1911.
Em Testamento, de 16 de Abril de 1910, este benemérito legou prédios, urbanos e rústicos. O valor destes legados foi avaliado, ao tempo, em cerca de cento e quarenta contos de réis, verba destinada à construção, na cerca de Rilhafoles, de um Pavilhão (cujo custeio foi calculado em cerca de vinte contos de réis) destinado à observação de doentes mentais, antes da sua admissão definitiva no Hospital.
Contrariamente  ao  que  se  tem  veiculado,  António Hygino Salgado d’Araújo  nunca  esteve hospitalizado no Manicómio Bombarda. (Rilhafoles).

Vista panorâmica dos edifícios e da Avenida do Brasil |c. 1942|
A Avenida do Brasil foi anteriormente designada como Avenida do Parque (1906) e Avenida Alferes Malheiro (até 1948), o revoltoso esquecido do 31 de Janeiro de 1891.
Horácio Novaisin Lisboa de Antigamente

Em concordância com o seu pensamento e o dos arquitectos Leonel Gaia e Carlos Chambers Ramos, o tipo de hospital escolhido foi o de pavilhões (em número de 33), de côr rosa, dispostos de forma funcional numa área de 14,5 hectares. Nestes, os doentes seriam agrupados em pequenas unidades de 8 a 10 doentes, para evitar a influência de uns sobre os outros. Numa área de 22 hectares, a ornamentação arbórea foi cuidadosamente planeada, graças à inclusão, entre 1942 e 1943, numa vasta equipa técnica, de um arquitecto paisagista, Prof. Caldeira Cabral e de um engenheiro agrónomo e silvicultor, Prof. Azevedo Gomes.

Avenida do Brasil: Hospital Júlio de Matos |1944|
Júlio de Matos terá adquirido (…) uma parte substancial dos terrenos (…)
[ao preço de] três tostões o metro quadrado (…).
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Panorâmica sobre o Hospital Júlio de Matos |191-| 
A  construção compreende o período de 1914, Julho. O início da primeira fase de construção, Julho de 1914 (a 1932), foi marcado pelo eclodir da Primeira Guerra Mundial, na qual Portugal esteve envolvido a partir de 1916. Este facto contribuiu para que o ritmo das obras e a qualidade da construção decaíssem.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

A primeira fase de construção compreende o período de 1914, Julho, a 1932. Tem como Presidente, da Comissão, o professor Júlio de Matos e, como vogais, o engenheiro D. Luís de Melo Correia, e, o arquitecto Leonel Gaia.
A segunda fase, compreende o período de 1933 a 1942. Tem como Presidente da Comissão, o professor Sobral Cid, sucessor de Júlio de Matos, o neurologista Almeida Dias, o arquitecto Carlos Chambers Ramos, o engenheiro Leote Tavares e o coronel Ricardo Amaral, representante da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.
Aqui se realizaram algumas cirurgias de lobotomia pré-frontal no seguimento do trabalho do Nobel professor Egas Moniz. O hospital é um projecto muito ambicioso no sentido do melhoramento das condições da medicina psiquiátrica em Portugal.

Fotografia aérea de Alvalade |195-|
Vermelho: Hospital Júlio de Matos 
Verde:  Av. Gago Coutinho
Azul
Avenida do Brasil antiga Alferes Malheiro
Amarelo: Av. D. Rodrigo da Cunha
Judah Benolielin Lisboa de Antigamente
 
Bibliografia
chpl.min-saude.pt
trienaldelisboa.com

4 comments:

  1. Apesar da (habitual) qualidade do apresentado, há nesta publicação, algo que não consigo entender na última fotografia: parece-me que o que é referido como Avenida Estados Unidos da América (a amarelo) parece ser a Rua Dom Rodrigo da Cunha. Será assim?
    Obrigado pelas publicações

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  2. Muito interessante.
    Conceição Gouveia

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  3. artigo por sinal interessante

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