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domingo, 6 de novembro de 2022

Mercados do Bairro de Alvalade: Ruas Luís Augusto Palmeirim e José Duro e o novo Mercado de Alvalade Norte (actualizado)

Mercados que funcionam ao ar livre, sendo o sombreamento conseguido à custa de chapéus-de-sol. As bancas são montadas e desmontadas todos os dias (daí advém a designação de mercado de levante).
Luís Augusto Xavier Palmeirim (1825-1893) que trabalhou no Ministério das Obras Públicas e a partir de 1878 foi director do Conservatório de Lisboa, pertenceu à nova geração romântica do «Trovador» como poeta ultra-romântico. As suas principais obras são «Poesias» (1851), «O Sapateiro de Escada» (1856), «Como se Sobe ao Poder» (1856), «A Domadora de Feras» (1857), «Portugal e os seus Detractores» (1877), «Poesia Popular nos Campos» (1878), «Galeria de Figuras Portuguesas» (1879), «Os Excêntricos do Meu Tempo» (1891).
 
Rua Luís Augusto Palmeirim |1949|
Antiga Rua 12 do Sítio de Alvalade (até 1950)
Mercado de levante; ao fundo a Rua José Duro onde se situa o Mercado de Alvalade-Norte [vd. 2.ª imagem].
J. C. Alvarez, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): para não variar, o local da foto está, erradamente, identificado no abandalhado amL como «Mercado de levante de Alvalade Sul, inaugurado no bairro de Alvalade, Rua Antero de Figueiredo)

Com a legenda «Poeta/1875-1899», esta artéria homenageia José António Duro (1875-1899) que publicou o folhetim de versos «Flores» (1896) e o volume de poemas «Fel» (1898), o qual vale como documento humano de um jovem minado desde a adolescência pela tuberculose que vitimou o autor ainda enquanto aluno da Escola Politécnica. 

Rua José Duro |c. 1950|
Antiga Rua 12 do Sítio de Alvalade (até 1950)
Ao fundo, à dir., nota-se o antigo Mercado de Alvalade Norte.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
 
    "O presidente da Câmara inaugurou hoje o mercado de Alvalade"
O populoso bairro de Alvalade, dispõe desde hoje de um magnífico mercado coberto, melhoramento que há muito se fazia sentir e que vem beneficiar os moradores locais, como prova a sua comparência ao acto inaugural em número de alguns milhares. Pelas 10 horas, chegou ao local o sr. general França Borges [Presidente da CML (1959-1970] acompanhado do nosso prezado colega de. «O Século» [...] [in Diário de Notícias, 1 de Agosto de 1964]

Mercado de Alvalade Norte |1967|
Frente virada à Rua José Duro 
João Geraldes, in Lisboa de Antigamente

Em 31 de Julho de 1964, após a inauguração oficial com expressiva participação dos moradores, a população de Alvalade passou a dispor de um mercado coberto: o Mercado de Alvalade Norte, localizado na Avenida Rio de Janeiro e Rua José Duro. Projectado como um “mercado modelar” pelo arquitecto Costa Belém, possui cerca de 3000 m², 219 postos de venda (hortícolas, frutas, carnes, peixes, ovos e flores), balcões frigoríficos e cantina, mantendo-se até hoje como referência de qualidade no comércio de víveres. Funcionava, à época, nas manhãs de segunda a sábado, sendo que, actualmente, abre de segunda a sexta-feira, das 07h30 às 14h00.
[SABER ALVALADE. Roteiro de um bairro]

Mercado de Alvalade Norte |1967|
Frente sobre a Avenida Rio de Janeiro
João Geraldes, in Lisboa de Antigamente

domingo, 13 de abril de 2025

Sítio de Alvalade: o Pequeno e o Grande

A Estr. de Jerabrigam ia, pois, ao Campo de Alvalade onde, à beira do caminho, surgiram duas povoações distintas, denominadas do Campo, sendo a maior o Campo Grande, e a menor o Campo Pequeno. Grande e Pequeno não são alusivos a campos distintos, mas a póvoas distintas em que uma era maior que a outra, e ambas no mesmo campo.

Quase todos os dicionários de Língua Portuguesa trazem o artigo «alvalade» a que dão o sentido de «campo ou pátio murado». A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, além dessa acepção, que não sei onde se foi arranjar, dá ainda mais esta: «Estrado ou tablado erguido do chão e destinado a permitir que dele se veia (sic) solenidade ou espectáculo». Traz como abonação um passo do El-Rei Seleuco de Camões, que é, na íntegra, como segue: «Mas tornando ao que importa, vossas mercês he necessario que se cheguem hus para os outros, para darem lugar aos outros senhores que hào de vir, que doutra maneira, se todo o corro se ha de gastar em palanques, será bom mandar fazer outro alualade....» , p. 83 da admirável edição do prof. Marques Braga.¹

 

Fotografia aérea do bairro de Alvalade e jardim do Campo Grande |c. 1953|
O Campo Grande tem este topónimo fixado através da publicação do Edital municipal de 19 de Janeiro, de 1916, que assim juntou as Ruas Oriental e Ocidental num único topónimo.
Abreu Nunes, in Lisboa de Antigamente
Fotografia aérea do Campo Grande |1955|
Em 1869, durante o reinado de D. Luís I, arranca a construção do lago principal, para agradar às esposas e famílias dos amantes de cavalos. Nascem os passeios românticos de barco a remos, frequentados por nobres e realeza. 
Mário Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Julgo que o passo é bem claro: Alvalade não quer dizer nada do que se lhe atribui na Enciclopédia! Naquelas palavras a que oferece tal acepção é palanque. Camões pretendeu muito simplesmente dizer na sua o seguinte: se porventura os espectadores não se apertassem, quando se verificasse a chegada dos retardatários, para que todos ali coubessem, seria necessário mandar lá construir outro Alvalade, mas o Alvalade topónimo, o Alvalade sítio correspondente ao actual Campo Grande, naquela época fora do perímetro da Capital. Como esta designação moderna ainda o indica, a superfície dos terrenos desse local era extensa, de tal maneira que por vezes até lá se reuniam tropas para manobras. Alvalade, portanto, no citado passo camoniano tem de ser entendido, repita--se, como nome de sítio e não como nome comum, embora, por comparação, Camões o utilizasse, dada a referida extensão do local, para exprimir as ideias de «espaço vasto», «terreno extenso». Trata-se de topónimo já atestável em 933, não o de Lisboa, mas outro «in territorio conimbriense» («...de uilla de albalat per suos terminos», idem, p . 25), etc. A sua origem está no árabe al-balâT, «parte chata ou «plana», «prato chato», «chão», daí «terreno plano, planície».²


Campo Grande, antigo Campo 28 de Maio |séc. XIX|
O Lumiar tinha garantidas as suas carreiras, tomando os passageiros os veículos na Rua do Ouro, 265, por um tostão; pagavam-se quatro vinténs ate ao Campo Grande. (Martans, 1947)
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Campo Grande, antigo Campo 28 de Maio |1910|
Em 1816 alberga as primeiras corridas de cavalos, sendo que hoje em dia os concursos hípicos são realizados nas proximidades do jardim, por trás do Museu da Cidade (Palácio Pimenta).
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Campo Grande, antigo Campo 28 de Maio |1909-06-06|
Concurso de raça bovina no Campo Grande promovido pela Real Associação Central de Agricultura.
Nota(s): A Feira do Campo Grande (ou das Nozes, séc. XVI) remonta ao tempo de Dona Maria I. Foi transferida para o Lumiar em 1902, tendo estado posteriormente no Campo Pequeno e voltado novamente ao Campo Grande. Em 1932, regressa de novo ao Lumiar até à sua extinção.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

No século XX, Alvalade, até então topónimo não oficial, foi oficializado pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Álvaro Salvação Barreto ao determinar “[…] que o aglomerado habitacional que se está erguendo a sul da Avenida Alferes Malheiro [actual Av. Brasil], à beira do Campo 28 de Maio [hoje Campo Grande] tenha a denominação de Sítio de Alvalade.” (3 de Março de 1948). O moderno Bairro de Alvalade foi projectado por Faria da Costa, em 1940/1945, desenvolveu-se a partir da ideia de subunidades de vizinhança com espaços de comércio local, de educação, e de recreio, deixando as grandes vias para a circulação automóvel, que cruzava o bairro.

Praça de Alvalade |195-|
Cruzamento das Avenidas de Roma e da Igreja
Naqueles terrenos baldios, ao centro, encontra-se hoje o Centro Comercial de Alvalade.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A Praça de Alvalade foi criada aquando da construção do Bairro de Alvalade (c. 1950), tendo inicialmente adoptado a designação de Largo Frei Luís de Sousa. Contudo, quando foi erigida no seu centro a estátua de Santo António em 1972, evitaram-se as confusões, dando-lhe então a actual designação e alterando a designação do Largo de Alvalade para Largo Frei Luís de Sousa.³
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Bibliografia
¹ SAA, Mário, As Grandes Vias da Lusitania: O Itinerário de Antonino Pio. Lisboa, 1957-1967.
² JOSÉ PEDRO MACHADO - Factos, Pessoas e Livros: comentários através dos tempos, vol. V. Lisboa: Livraria Portugal, 2006.
³ jornaldapraceta.pt.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Praça de Alvalade

A Praça de Alvalade foi criada aquando da construção do Bairro de Alvalade, tendo inicialmente adoptado a designação de Largo Frei Luís de Sousa. Contudo, quando foi erigida no seu centro a estátua de Santo António, da autoria do escultor António Duarte, em 1972, evitaram-se as confusões, dando-lhe então a actual designação e alterando a designação do Largo de Alvalade para Largo Frei Luís de Sousa.

Praça de Alvalade |c. 1950|
Construção da Praça de Alvalade, surgindo á dir. a Av da Igreja e, para N., a Av. de Roma com parte do Hosp. Julio de Matos, ao fundo, na Av. do Brasil. A transversal à esq. é a Rua Violante do Céu.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. O Monumento a Santo António foi erguido na rotunda do cruzamento das Avenidas de Roma e da Igreja, no bairro de Alvalade, representa a consagração oficial e pública do português ainda em nossos dias mais conhecido no mundo, mercê da sua eloquência e sabedoria. A estátua de bronze de 5,50 m de altura é da autoria do escultor António Duarte, que optou por retratar o Santo na postura de pregador, em vez da tradicional imagem com o Menino Jesus ao colo. A base, composta por quatro blocos de mármore, é da autoria do arquitecto Antero Ferreira.
Inaugurado em 4 de Outubro de 1972, o monumento tem 12 m de altura total e pesa 78 toneladas.

Praça de Alvalade
Em 1971 passou a denominar-se Praça de Alvalade e, integrando. 
desde 1972, o Monumento a Santo António.
Juan Rodriguez, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Cinema de Alvalade

Projectado pelos arquitectos Lima Franco e Filipe de Figueiredo em 1945, foi inaugurado no dia 8 de Dezembro de 1953 com o filme brasileiro de Lima Barreto, «O Cangaceiro», sessão a que esteve presente o embaixador do Brasil em Portugal. 
O Cinema de Alvalade, com capacidade para 1262 espectadores, distribuídos por uma plateia e dois balcões, foi durante décadas um dos símbolos do Bairro de Alvalade. No seu interior destacava-se uma das obras mais importantes da pintora Estrela Faria.
 
Cinema de Alvalade [c. 1953]
Avenida de Roma, 100
Salvador de Almeida Fernandes. in Lisboa de Antigamente
Cinema de Alvalade, foyer [c. 1953]
Avenida de Roma, 100
À dir. observa-se a pintura mural da autoria de Estrela Faria.
Esse mural, durante muitos anos tapado, quando da ocupação desse edifício pela IURD, foi recuperado, quando da reconstrução do edifício, e pode ser visto no actual Cinema City, inaugurado em 2008.
Estúdios Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Desde que foi encerrado, em 1985, foi arrendado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) até ao ano 2000. Depois de três anos votado ao abandono, foi iniciada a sua demolição em 2003. No seu lugar viria a ser erguido um empreendimento de luxo Hollywood Residence, de oito pisos destinado a habitação, escritórios e uma zona de lazer onde existem 4 mini-salas de cinema, Cinema City Classic Alvalade (CCCA). 

Cinema de Alvalade, Sala de Projecção [c. 1953]
Avenida de Roma, 100
Salvador de Almeida Fernandes. in Lisboa de Antigamente

sábado, 2 de janeiro de 2016

Avenida de Roma, Bairro de Alvalade

Em 1941, o jornal semanário A Acção, saudava uma «Lisboa nova e moderna», «aldeia grande que se transformava em grande e soberba cidade», «adeus à Lisboa provinciana de manjerico à janela».
O Bairro de Alvalade,
risco do arqº municipal Faria da Costa, é consequência do Plano Geral de Urbanização e Expansão de Lisboa (PGUEL) de 1938, que definiu as grandes linhas de desenvolvimento da cidade, das quais se destaca a expansão para norte, nomeadamente para a zona de Alvalade.

Avenida de Roma [1947]
Construção do Bairro de Alvalade e do último troço da Av. de Roma até à
Avenida do Brasil conhecida como Avenida Alferes Malheiro até 1948; ao fundo o Hospital Júlio de Matos

Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

Construído inicialmente pela Câmara Municipal de Lisboa, a urbanização do Bairro de Alvalade constitui uma intervenção pioneira criando uma nova parte da cidade edificada quase de raiz. O Município de Lisboa conseguiu conciliar a inovação urbanística, sobretudo no desenho e na gestão, com a utilização em larga escala de novos métodos construtivos, implicando a redução de custos de construção sem prejuízo da qualidade arquitectónica.

Avenida de Roma [195-]
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Espinha dorsal do Bairro de Alvalade a Avenida de Roma é um livro aberto da história da arquitectura e do urbanismo do século XX.  Aqui encontramos imóveis de grande qualidade arquitectónica, assinados por alguns dos melhores arquitectos da época, como Cassiano Branco, Joaquim Bento de Almeida, José de Lima Franco, Licínio Cruz, Formosinho Sanches, Filipe Figueiredo e José Segurado.

Avenida de Roma [195-]
António Passaporte, , in Lisboa de Antigamente

domingo, 3 de janeiro de 2021

Avenida da Igreja (actualizado)

Este arruamento dividia os grupos 1 e 2 do Sítio de Alvalade e mais tarde, será já como Avenida da Igreja que fará também de linha divisória entre as freguesias do Campo Grande e de São João de Brito, quando esta última freguesia for criada em 7 de Fevereiro de 1959, pelo Decreto-Lei nº 42142. Hoje, toda a Avenida da Igreja é pertença da Freguesia de Alvalade. [cm-lisboa.pt]

Avenida da Igreja, do poente para o nascente (Praça de Alvalade para Largo Frei Heitor Pinto) [ant. 1955]
A 1ª transversal é a Rua Marquesa de Alorna observando-se na esquina norte o Café Astória e na esquina sul o Café Nova Lisboa.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Notas: O conjunto urbano desta avenida, entre os números 1 e 31 e 2 e 34, é da autoria do arquiteto Fernando Silva, com projeto de 1948 {vd. 2ª imagem]. A Igreja de S. João de Brito foi inaugurada em 2 de Outubro de 1955, tendo sido projetada pelo arquiteto Vasco Morais Palmeira (Regaleira) em 1951.

Avenida da Igreja, do poente para o nascente [post. 1955]
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

domingo, 13 de dezembro de 2015

Rua do Arco do Cego

Entre o Campo Pequeno e Arroios existiu um arco de pedra, — e esse arco, chamado, não se sabe porquê «Arco do Cego» deu o seu nome a esse troço de estrada que, nos subúrbios da Lisboa setecentista, ia do largo ou terreiro de S. Jorge até ao palácio Galveias.
Diz-se que comemorava as pazes feitas naquele sítio por intermédio da Rainha Santa, entre D. Diniz e seu filho Afonso (1323). Era este arco de pedra, de fortes aduelas, com um nicho gradeado ao alto, e que pela sua estreiteza dificultava a passagem dos coches e carruagens de maior porte. Nenhuma das obras, antigas e modernas, publicadas acerca da velha Lisboa e dos seus arredores, se refere a este arco, nem mesmo por incidente. Desconhece-se a data da sua construção e o seu autor. 

Rua do Arco do Cego [c. 1950]
Jardim do Bairro Social do Arco do Cego, também denominado Jardim das Estátuas.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Sabe-se apenas que a 10 de Maio 1742, D. João V adoecera, e os médicos da sua câmara resolveram que o enfermo tomasse os banhos das Caldas da Rainha. Pretendendo passar por ali com o seu coche real, para se dirigir às Caldas da Rainha verificou-se que não poderia de modo algum caber por um arco tão estreito e que não só os tapadoiros das rodas, mas a própria caixa esbarrariam de encontro aos pilares laterais e assim, mandou demolir o arco.
O velho arco foi derribado em 7 ou 10 de Setembro de 1742 para D. João V passar, mas o sacrifício dos seus braços de pedra foi inútil. A estrada alargou-se mas o coche real nunca passou. A jornada das Caldas era definitivamente ordenada — mas pelo rio acima, em bergantim até Vila Nova da Rainha.
(DANTAS, Julio, Figuras de ontem e de hoje.1876, pp. 153-154)

Rua do Arco do Cego [1942]
Jardim do Bairro Social do Arco do Cego, também denominado Jardim das Estátuas.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

 Norberto Araújo refere que foi aqui levantado um padrão em 1928, guardado em depósito, e de novo colocado nesta rua, um pouco mais a norte do primitivo local, no jardim junto ao edifício-sede da CGD, em 1934. ode ler-se na inscrição: "Santa Izabel, Rainha de Portugal, mandou colocar este padrão neste lugar, em memória da pacificação que nele fez entre seu marido, El-Rei D. Deniz, e seu filho D. Afonso IV, estando para se darem batalha, na era de 1323".

Rua do Arco do Cego [c. 1950]
Jardim do Bairro Social do Arco do Cego, também denominado Jardim das Estátuas.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O mesmo Norberto Araújo questiona se foi aqui o local onde esteve para se dar a batalha e diz ainda "Alvalade", por extensão, chegava mais longe; no século XIV, o Campo de Alvalade não tinha os limites que nós - ao passearmos no Campo Grande - podemos supor. Cremos que a colocação do padrão neste sítio, no século XVII, obedeceu apenas a uma circunstância de comodidade.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 73, 1939)

Transcrição:
"Este Padrão, que é Património do Estado, recorda a acção pacificadora da Raínha Santa Isabel, na primavera de 1323, quando duas facções de portugueses iniciavam um combate fratricida, ela acorreu ao lugar de Alvalade e, caminhando entre as fileiras inimigas foi onde el rei estava, e donde el rei estava tornou ao infante, e por vezes, vindo de uma parte para outra tratou entre eles por tal maneira que o infante fosse beijar as mãos de seu pai, e el-rei benzesse seu filho, e partiram dali amigos."

N.B. Este monumento em pedra lioz encontrava-se anteriormente no muro da Rua do Arco Cego, tendo sido conservado e restaurado em 1904 e em 1994-95, onde foi nessa data valorizado. É um padrão composto por uma lápide com a inscrição e uma coluna que a encima e que inicialmente teria no topo uma esfera armilar e frente do monumento para a sua protecção haveria um gradeamento de ferro. Na coluna podia observar-se uma cruz gravada no «Rainhas de Portugal» de Francisco da Fonseca Benevides. Há uma referência ao monumento que foi classificado de «Monumento Nacional». Foi a Rainha Santa Isabel de Portugal que mandou construir este padrão em memória da pacificação que nela fez entre seu marido el-rei D. Dinis e seu filho D. Afonso IV, estando para se darem uma batalha.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Abertura da Avenida de Roma

Antes era a Avenida nº 19 do plano de melhoramentos aprovado por deliberação camarária de 7 de Abril de 1928, compreendida entre a Rotunda a norte da Avenida de António José de Almeida (hoje, Avenida Guerra Junqueiro) e a Avenida Alferes Malheiro (hoje, Avenida do Brasil), que a partir do Edital de 27 de Dezembro de 1930 passou a ser a Avenida de Roma.

Abertura da Avenida de Roma |1945|
Ao fundo destaca-se o Hosp. Júlio de Matos
Fotografia anónima, in Lisboa de Antigamente

A Avenida de Roma, hoje pertença das Freguesias de Alvalade e do Areeiro, nasceu no último mês do ano de 1930 e nesta grandiosa artéria se ergueram sucessivamente, a partir do fim da II Guerra, três cinemas: o Alvalade, o Roma e o Londres.
Como existe uma Via Lisbona em Roma e embora se desconheça a sua data de atribuição, a Avenida de Roma em Lisboa pode ter sido atribuída apenas como retribuição. [cm-lisboa.pt]

Abertura da Avenida de Roma |1945|
A futura Avenida de Roma, ainda sem quaisquer construções, vista da porta do Hospital Júlio de Matos. À direita: terrenos de cultivo onde seria construído o Bairro de Alvalade.
Legenda da foto: «Vista tomada do Manicómio Júlio de Matos, do estado actual das obras da grande artéria que será rodeada de habitações colectivas e moradias unifamilares de renda não limitada.»
Ferreira da Cunha{?], in Revista Municipal Lisboa

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Avenida dos Estados Unidos da América com a Rua Guilhermina Suggia (actualizado)

A 30 Janeiro de 1941 é apresentado o «Projecto da Avenida dos Estados Unidos da América do Norte», elaborado pelo Engenheiro Manuel Botelho da Costa para a Direcção de Serviços de Urbanização e Obras (DSUO) da CML. A avenida começaria a ser contruída no início da década de 1950.
Entre 1949 e 1952, são erguidos os primeiros edifícios de de 4 pavimentos na avenida e na Rua Guilhermina Suggia [vd. 2.ª imagem], segundo projecto da autoria dos arquitectos Joaquim Ferreira e Orlando Azevedo.
 
Avenida dos Estados Unidos da América [1951]
Esquina com a Rua Guilhermina Suggia; foto tirada da Avenida Almirante Gago Coutinho.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Cinco anos após o seu falecimento, Guilhermina Suggia, a primeira mulher a fazer carreira de violoncelista a solo, entrou na toponímia alfacinha pelo Edital de 20/10/1955, na anteriormente designada Rua 59 do sítio de Alvalade, por sugestão do Vice-Presidente da Câmara, Luís Pastor de Macedo.

Rua Guilhermina Suggia [c. 1952]
Antiga Rua 59 do sítio de Alvalade; perspectiva tirada da Av. dos Estados Unidos da América.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. Guilhermina Augusta Xavier de Medim Suggia (1885–1950) foi uma violoncelista que desde cedo fez uma carreira internacional absolutamente extraordinária que além de grande reconhecimento lhe granjeou discípulas como Thelma Reiss ou Raya Garbousova.

Rua Guilhermina Suggia (S→N) |c. 1952|
Antiga Rua 59 do sítio de Alvalade; perspectiva tirada da Av. dos Estados Unidos da América.
Eduardo Portugal,, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Campos de Futebol de Antanho: antigo Estádio do Sporting Clube de Portugal

O primeiro campo do Sporting Clube de Portugal foi inaugurado em 8 de Maio de 1906, no nº 73 da Alameda do Lumiar (atualmente Alameda das Linhas Torres), num local conhecido como Sítio ou Quinta das Mouras. Os terrenos foram doados pelo Visconde de Alvalade, atendendo ao desejo do neto, José Alvalade, de fundar um novo clube após a cisão do Campo Grande Football Club. A doação incluiu também um edifício na mesma Alameda, que serviu como a primeira sede do S.C.P..
No ano seguinte, a 4 de julho de 1907, ocorreu uma remodelação que melhorou bastante as condições desportivas: além de um segundo campo de futebol, passou a contar também com uma pista de atletismo.

Antigo Estádio do Sporting Clube de Portugal |c. 1917|
Designado Estádio do Lumiar ou Stadium de Lisboa.
Em segundo plano, ao centro, a «Villa Sousa» sita na Alameda das Linhas de Torres, 22. Campo Grande.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Antigo Estádio do Sporting Clube de Portugal |c. 1917|
Exercícios de ginástica no antigo estádio do Sporting Clube de Portugal.
Ao fundo, na zona N. do Campo Grande e da dir. para a esq,, veem-se as traseiras do o Restaurante do Campo Grande e do Palácio Valência-Vimioso. A esq. obervam-se alguns dos edifícios na 
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O Sporting Clube de Portugal. deixou o Sítio das Mouras e, em 1917, mudou-se para o número 412 do Campo Grande, data em que foi inaugurado. com a designação de Stadium de Lisboa, também conhecido como Estádio do Lumiar. [sporting.pt]

Panorâmica sobre o Campo Grande e Lumiar |c. 1947|
Antigos campos do SLB — [1940-70] Campo Grande, em baixo — e do SCP — Stadium de Lisboa ou do Lumiar [1914] em obras — depois primitivo Estádio José de Alvalade [1947].
No topo N. do Campo Grande destaca-se o Palácio Valência-Vimioso que torneja para a Alameda das Linhas de Torres (dir.) e o Restaurante do Campo Grande. Na esq. baixa nota.se o Palácio Pimenta (Museu de Lisboa). 
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Corridas dos Ofícios em Alvalade

A «Corrida dos Ofícios» foi um dos eventos marcantes de Alvalade — que teve início nos anos 50 do século XX e decorreu durante largos anos — , ocorria no fim do mês de Junho e integrava-se nas festas da cidade.. Como o próprio nome indica, a corrida era uma amostra das profissões mais tradicionais da altura, onde se incluíam ofícios já hoje extintos ou em vias de extinção — engraxadores, boletineiros, varinas, entre outros— , que competiam entre si, num percurso que tinha início no Largo Heitor Pinto e prolongava-se pela Avenida da Igreja. Uma corrida com história que, para além de valorizar as profissões da época, ainda dinamizava todo o bairro, deixando saudades e memórias em Alvalade: «Eram milhares de pessoas que se apinhavam na avenida para verem cantoneiros, engraxadores, varinas, ardinas, empregados dos cafés, carteiros, a disputarem as provas que os fariam reis, por um ano, da sua actividade profissional».
A Corrida dos Ofícios contava com 8 profissões distintas: Padeiro, Cantoneiro, Empregado de Mesa, Peixeira, Engraxador, Galinheira, Leiteiro e Costureira.
Festejo que se perdeu ao longo dos tempos, o último acontecimento foi nos anos 90.

Avenida da Igreja [1953]
Corrida dos ofícios: galinheiras
Ao fundo, em construção, a Igreja de São João de Brito no Largo de Frei Heitor Pinto.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente
Avenida da Igreja [1954]
Largo Frei Heitor Pinto; ao fundo, a Igreja de S. João de Brito em construção
Corrida dos ofícios, boletineiros
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

O topónimo "Avenida da Igreja" deriva da Igreja de S. João de Brito que foi inaugurada em 2 de Outubro de 1955. O projecto foi concebido pelo arquitecto Vasco Morais Palmeira (Regaleira), no ano de 1951. A construção iniciou-se em 1952, dirigida pelos engenheiros Pinheiro da Silva e Marques da Silva e pelo construtor Diamantino Tojal.
A fachada principal, em forma de empena muito pronunciada, tem no cimo a torre sineira e uma cruz de ferro forjado, com 5 metros de altura. Ao centro apresenta uma grande janela com vidros em losango, que tem à sua frente a estátua de orago, de granito, esculpida por Joaquim Correia. No cimo desta janela estão as armas do Cardeal Patriarca de Lisboa.

Avenida da Igreja [1954]
Corrida dos ofícios: cantoneiros
Ao fundo, em construção, a Igreja de São João de Brito no Largo de Frei Heitor Pinto.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente
Avenida da Igreja [1958]
Corrida dos ofícios: varinas
Ao fundo vê-se a Igreja de São João de Brito no Largo de Frei Heitor Pinto.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
agendalx.pt.
cm-lisboa.pt.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Avenida de Roma

A Avenida de Roma — espinha dorsal do Bairro de Alvalade — é um verdadeiro livro aberto da história da arquitectura e do urbanismo do século XX. Nela, encontramos edifícios de grande qualidade arquitectónica, projectados por alguns dos melhores arquitectos da época, como Cassiano Branco, Joaquim Bento de Almeida, José de Lima Franco, Licínio Cruz, Formosinho Sanches, Filipe Figueiredo e José Segurado.

Avenida de Roma |195-|
Perspectiva tomada da Praça Alvalade
Salvador de Almeida Fernandes, in Lisboa de Antigamente

A novíssima Avenida de Roma, topónimo que presta homenagem à capital da Itália, foi atribuído a 27 de Dezembro de 1930 à antiga Avenida nº 19 do plano de melhoramentos aprovado por deliberação camarária de 7 de Abril de 1928.

Avenida de Roma S→N |195-|
Perspectiva tomada junto ao extinto Cinema Roma (dir.) com a Av. Óscar Monteiro
Torres na primeira transversal á 
esquerda.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Palácio Linhares: Calçada de Arroios, 58

Instituto Militar de Arroios para a Reeducação dos Mutilados de Guerra, Palácio dos Condes de Linhares e antigo Convento dos Padres Lazariscas.


«Nos princípios do século XVIII denominavam-na Calçada de Alvalade (Corogr. Port., vol. III, pág.293), denominação ainda em uso ao tempo do terremoto. O nome era-lhe dado em razão da calçada comunicar com Alvalade (Campo Grande e Campo Pequeno).»
(Luís Pastor de Macedo, «Lisboa de Lés-a-Lés», vol. I, p. 180, 1940)

Na Calçada de Arroios ficava a Capela de Nossa Senhora do Pópulo, pertença do Palácio dos Condes de Linhares. Por morte do último titular, foi vendido este edifício, à Casa Palmela, que o cedeu aos Padres da Congregação da Missão de São Vicente de Paulo, mais conhecidos por «Padres Lazariscas», que, na Páscoa de 1902, instalaram ali, provisoriamente, o seu colégio de preparatórios (Escola Apostólica). Por ocasião do movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910, estes padres foram bastante maltratados. Dois deles, O Estado tomou conta do edifício que albergou, por algum tempo, o Instituto Militar de Arroios dos Inválidos da Grande Guerra, e foi demolido em 1937, para dar lugar a uma rua e a construções modernas.
Por altura de obras efectuadas na igreja paroquial (1895-1897 ), celebraram-se lá, os actos de culto da freguesia.
Depois, na posse dos padres da mencionada congregação, a capela passou a ser dedicada a Nossa Senhora das Graças ou, melhor, à Virgem da Medalha Milagrosa, cuja Imagem estava na capela-mor. Nos altares laterais foram colocadas as de São Luís, Rei de França e da Virgem Poderosa, respectivamente do lado do Evangelho e da Epístola.

Calçada de Arroios, 58 [c. 1900]
Portão brasonado do antigo Palácio dos Condes de Linhares; ao fundo, a Rua Visconde de Santarém.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

O Instituto Militar de Arroios foi fundado em 11 de Abril de 1917 pela Comissão de Assistência aos Militares Mobilizados, da Cruzada das Mulheres Portuguesas. Regulamentado no mesmo ano e entregue à direcção do capitão-médico Alfredo Tovar de Lemosue fez a “modificação mais radical de esse labirinto de estreitos corredores, quartos, quartinhos em pisos diversos, verdadeiros remendos de construção, num edifício moderno, confortável, cheio de ar e luz”. O instituto destinava-se a receber, tratar e reeducar profissionalmente os mutilados de guerra, por forma a facilitar a sua reintrodução social e laboral. Concebido como organismo temporário, seria extinto em 1922. [Revista municipal Lisboa, 1960]

Calçada de Arroios, 58 [1917]
Portão brasonado do antigo Palácio dos Condes de Linhares; ao fundo, a Rua Visconde de Santarém.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Av. dos Estados Unidos da América com a Av. de Roma

No período da República (Edital de 07/08/1911), a Câmara de Lisboa evocou na sua toponímia sobretudo, os estrangeiros que defenderam ideias liberais e republicanos. Por isso a homenagem ao país que é a maior potência económica, militar e cultural do mundo, para além de ter denominado também o Bairro América, de Stª Engrácia, onde, em 1924, perpetuou nas placas toponímicas os americanos Franklin — estadista preponderante na independência das 13 colónias norte-americanas em 1783 e também inventor do pára-raios e Washington — o 1º Presidente dos Estados Unidos da América.

Avenida dos Estados Unidos da América |1968|
No cruzamento com a Av. de Roma 
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Quanto à Avenida de Roma, hoje pertença das Freguesias de Alvalade e do Areeiro, nasceu no último mês do ano de 1930 e nesta grandiosa artéria se ergueram sucessivamente, a partir do fim da II Guerra, três cinemas: o Alvalade, o Roma e o Londres. Antes era a Avenida nº 19 do plano de melhoramentos aprovado por deliberação camarária de 7 de Abril de 1928.

Avenida dos Estados Unidos da América |1968|
No cruzamento com a Av. de Roma 
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

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