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sexta-feira, 3 de abril de 2020

Abertura da Avenida de Roma

Antes era a Avenida nº 19 do plano de melhoramentos aprovado por deliberação camarária de 7 de Abril de 1928, compreendida entre a Rotunda a norte da Avenida de António José de Almeida (hoje, Avenida Guerra Junqueiro) e a Avenida Alferes Malheiro (hoje, Avenida do Brasil), que a partir do Edital de 27 de Dezembro de 1930 passou a ser a Avenida de Roma.

Abertura da Avenida de Roma |1945|
Ao fundo destaca-se o Hosp. Júlio de Matos
Fotografia anónima, in Lisboa de Antigamente

A Avenida de Roma, hoje pertença das Freguesias de Alvalade e do Areeiro, nasceu no último mês do ano de 1930 e nesta grandiosa artéria se ergueram sucessivamente, a partir do fim da II Guerra, três cinemas: o Alvalade, o Roma e o Londres.
Como existe uma Via Lisbona em Roma e embora se desconheça a sua data de atribuição, a Avenida de Roma em Lisboa pode ter sido atribuída apenas como retribuição. [cm-lisboa.pt]

Abertura da Avenida de Roma |1945|
A futura Avenida de Roma, ainda sem quaisquer construções, vista da porta do Hospital Júlio de Matos. À direita: terrenos de cultivo onde seria construído o Bairro de Alvalade.
Legenda da foto: «Vista tomada do Manicómio Júlio de Matos, do estado actual das obras da grande artéria que será rodeada de habitações colectivas e moradias unifamilares de renda não limitada.»
Ferreira da Cunha{?], in Revista Municipal Lisboa

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Avenida de Roma

A Avenida de Roma — espinha dorsal do Bairro de Alvalade — é um verdadeiro livro aberto da história da arquitectura e do urbanismo do século XX. Nela, encontramos edifícios de grande qualidade arquitectónica, projectados por alguns dos melhores arquitectos da época, como Cassiano Branco, Joaquim Bento de Almeida, José de Lima Franco, Licínio Cruz, Formosinho Sanches, Filipe Figueiredo e José Segurado.

Avenida de Roma |195-|
Perspectiva tomada da Praça Alvalade
Salvador de Almeida Fernandes, in Lisboa de Antigamente

A novíssima Avenida de Roma, topónimo que presta homenagem à capital da Itália, foi atribuído a 27 de Dezembro de 1930 à antiga Avenida nº 19 do plano de melhoramentos aprovado por deliberação camarária de 7 de Abril de 1928.

Avenida de Roma S→N |195-|
Perspectiva tomada junto ao extinto Cinema Roma (dir.) com a Av. Óscar Monteiro
Torres na primeira transversal á 
esquerda.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

sábado, 2 de janeiro de 2016

Avenida de Roma, Bairro de Alvalade

Em 1941, o jornal semanário A Acção, saudava uma «Lisboa nova e moderna», «aldeia grande que se transformava em grande e soberba cidade», «adeus à Lisboa provinciana de manjerico à janela».
O Bairro de Alvalade,
risco do arqº municipal Faria da Costa, é consequência do Plano Geral de Urbanização e Expansão de Lisboa (PGUEL) de 1938, que definiu as grandes linhas de desenvolvimento da cidade, das quais se destaca a expansão para norte, nomeadamente para a zona de Alvalade.

Avenida de Roma [1947]
Construção do Bairro de Alvalade e do último troço da Av. de Roma até à
Avenida do Brasil conhecida como Avenida Alferes Malheiro até 1948; ao fundo o Hospital Júlio de Matos

Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

Construído inicialmente pela Câmara Municipal de Lisboa, a urbanização do Bairro de Alvalade constitui uma intervenção pioneira criando uma nova parte da cidade edificada quase de raiz. O Município de Lisboa conseguiu conciliar a inovação urbanística, sobretudo no desenho e na gestão, com a utilização em larga escala de novos métodos construtivos, implicando a redução de custos de construção sem prejuízo da qualidade arquitectónica.

Avenida de Roma [195-]
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Espinha dorsal do Bairro de Alvalade a Avenida de Roma é um livro aberto da história da arquitectura e do urbanismo do século XX.  Aqui encontramos imóveis de grande qualidade arquitectónica, assinados por alguns dos melhores arquitectos da época, como Cassiano Branco, Joaquim Bento de Almeida, José de Lima Franco, Licínio Cruz, Formosinho Sanches, Filipe Figueiredo e José Segurado.

Avenida de Roma [195-]
António Passaporte, , in Lisboa de Antigamente

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Cinema Roma

«E Lisboa conta, desde ontem, com mais um agradável cinema a que deram o nome de Roma, certamente porque na Avenida de Roma se encontra,uma acolhedora casa de espectáculos de linhas simples mas elegantes. Não se trata de um cinema de Bairro, porque não fica mal numa cidade como a nossa e não destoa comparado com os outros que se encontram em vários pontos da nossa capital.»
(in Jornal República, 16 de Março de 1957)

Cinema Roma |c. 1957|
Avenida de Roma, 14
Salvador de Almeida Fernandes, in Lisboa de Antigamente

O Cinema Roma abriu portas em 1957, pela mão do empresário Joaquim Ribeiro Belga e segundo risco do arqº Lucínio Cruz. Tinha uma capacidade de 1107 lugares, sendo um dos maiores cinemas de Lisboa na década de 1950. Encerrou em 1988 e durante algum tempo foi utilizado como armazém até ser comprado pela Câmara Municipal.

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Av. dos Estados Unidos da América com a Av. de Roma

No período da República (Edital de 07/08/1911), a Câmara de Lisboa evocou na sua toponímia sobretudo, os estrangeiros que defenderam ideias liberais e republicanos. Por isso a homenagem ao país que é a maior potência económica, militar e cultural do mundo, para além de ter denominado também o Bairro América, de Stª Engrácia, onde, em 1924, perpetuou nas placas toponímicas os americanos Franklin — estadista preponderante na independência das 13 colónias norte-americanas em 1783 e também inventor do pára-raios e Washington — o 1º Presidente dos Estados Unidos da América.

Avenida dos Estados Unidos da América |1968|
No cruzamento com a Av. de Roma 
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Quanto à Avenida de Roma, hoje pertença das Freguesias de Alvalade e do Areeiro, nasceu no último mês do ano de 1930 e nesta grandiosa artéria se ergueram sucessivamente, a partir do fim da II Guerra, três cinemas: o Alvalade, o Roma e o Londres. Antes era a Avenida nº 19 do plano de melhoramentos aprovado por deliberação camarária de 7 de Abril de 1928.

Avenida dos Estados Unidos da América |1968|
No cruzamento com a Av. de Roma 
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Praça de Londres, 3-3E, esquina com a Avenida de Roma, 2-2E (actualizado)

Edifício destinado à Sociedade Industrial de Construções este remate entre a Avenida de Roma e a Praça de Londres foi desenhado pelo arquitecto Cassiano Branco, com projecto de estruturas do engenheiro Mário Rodrigues. Construído entre 1950/51.
Foi projectado um edifício de 7 pisos, no corpo principal, acrescido de três mais, noutro corpo, e de um piso recuado. O piso térreo foi destinado a 4 espaços comerciais distintos.

Praça de Londres [195-] 
Edifício na Avenida de Roma, 2-2E, esquina com a Praça de Londres, 3-3E 
António Castelo Branco, in Lisboa de Antigamente

Trata-se de um edifício irónico e polémico, porque questiona a gramática da arquitectura do Estado Novo, através da profusão de elementos tradicionais da arquitectura portuguesa, numa escala deformada: varandas joaninas recreadas, chaminés algarvias muito superiores à normalidade, tal como o telhado em «pagode chinês» e o cata-vento de ferro que suporta o pára-raios. Este edifício traduz a charneira entre o moderno e o tradicional, representando, ao fim e ao cabo, ambas as tendências arquitectónicas onde Cassiano Branco desenvolveu o seu percurso, de igual modo bem. (cm-lisboa.pt)

Praça de Londres [c. 1960] 
Edifício na Avenida de Roma, 2-2E, esquina com a Praça de Londres, 3-3E 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 22 de abril de 2018

Igreja de São Roque: da Patriarcal à Capela Real de S. João Batista — a Encomenda Prodigiosa

Último passo da jornada de hoje — o lanço monumental e artístico desta Peregrinação: a Igreja de S. Roque, e o Museu de Arte Sacra, seu anexo. A influência da Casa professa dos jesuítas neste bairro, como ainda hoje a projecção da Misericórdia, foi grande, e disso te pudeste aperceber no passo anterior mais por tua atenção e bom aviso do que por minhas letras.

Toque! Toque! Toque!
Vamos a S. Roque.

Igreja de São Roque [Início séc. XX]
Largo Trindade Coelho antigo de S. Roque; Rua S. Pedro de Alcântara
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente

Ouviste já como de uma ermida, erguida em 1506, nasceu a Casa dos jesuítas e o seu formoso templo começado a erguer, em 1555. Não desejo forçar a nota, mas não quero privar-te de alguns elementos retrospectivos, resumidos ao máximo, segundo o nosso plano. 
Quando neste sítio se erguia apenas a pequenina Ermida de S. Roque, princípios do século XVI, assentou aqui o «Adro da Peste» (fôra a peste que originara a construção do templozito, como te disse), Adro «consagrado por mandado de El-Rei Nosso Senhor (D. João III) em 24 de Maio de 1527 pelo Bispo D. Ambrosío», — o que tudo se interpreta de uma lápide que no local existiu, e se encontra hoje colocada na parede do corredor do edifício da Misericórdia. Vieram os jesuítas; planeou-se o novo templo grandioso (cuja primeira pedra foi lançada pelo Padre jesuíta Nunes Barreto,  Patriarca da Etiópia, e do qual o risco inicial não sabemos ao certo de quem foi-talvez do Padre Diogo Miron —, conhecendo-se apenas que concebia cinco naves. Os trabalhos foram arrastados, até porque voltou a peste a Lisboa, mas em 1573 as paredes estavam de pé. A construção da abóbada constituiu um problema, que afinal Felipe Terzi, já depois de 1580, resolveu, fazendo-a construir em madeira. A fachada, pobre de linhas, austera, quási de construção civil, não diferia muito do que hoje é; tinha a mais uma varanda sôbre a cimalha, e um nicho de S. Roque no tímpano.
O adro era avançado, quási até ao meio da praça, e no ângulo, próximo da entrada da Misericórdia de hoje, abria-se a portaria conventual.  
A Igreja era rica, adornada de boas obras de arte, e constantemente objecto de generosidades régias, especialmente no tempo de D. João V, que fêz construir a opulenta Capela de S. João Baptista. 
O Terramoto causou em S. Roque bastantes estragos-principalmente na fachada, que caiu e arrastou uma parte extrema do tecto —, mas não arruinou sensivelmente o templo; as obras de restauro que se seguiram foram importantes, e, depois, em vários períodos, benefícios e melhoramentos têm sido levados a efeito, mormente em 1862 e 1892. Limpezas e arranjos têm continuado sempre, de resto, e ainda agora S. Roque está recebendo pequenas obras. 

Igreja de São Roque [ant. 1900]
Largo Trindade Coelho antigo de S. Roque
Coluna mandada erguer pela colónia italiana, comemorando o casamento do 

Rei Dom Luís I com Dona Maria Pia de Sabóia em 1862
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente

A Casa de S. Roque deixou de pertencer à Companhia de Jesus desde a confiscação dos bens dos jesuítas — 19 de Janeiro de 1759 — após a sua expulsão de Portugal. Em 1768, como atrás te disse, todo o edifício, seus bens e terrenos, passaram à Misericórdia, excepto uma parte da cerca arborizada, que chegava aos Restauradores de hoje, e que foi doada em 1765 ao 4.° Conde, l.° Marquês de Castelo Melhor. 
E apesar de os Padres de Santo Inácio terem sido autorizados a regressar em 1830 (D. Miguel), para serem novamente expulsos em 1833 (D. Pedro IV) — a verdade é que a Casa de S. Roque acabara para a Companhia de Jesus.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Capela de Santo Amaro

A ermida de Santo Amaro é um caso único: renascentista, com planta centrada, uma galilé decorada com belos panos de azulejos do Rato, portais de ferro arrendados com vista para o Tejo. O terreno da base termina em quilha, qual proa de navio pretendendo soltar-se da colina e navegar mar fora atrás dos mareantes que a fundaram, segundo a lenda iconografada num dos painéis de azulejo. Historicamente sabe-se que em 1542 já existia uma ermida da Ordem de Cristo, que pagava foro à Basílica de S. João de Latrão, em Roma.¹
 
Reza a lenda que uma capela foi fundada no Alto de Santo Amaro por alguns frades da Ordem de Cristo que, no regresso de Roma (no século XVI), apanharam temporal no mar e, perante o receio de perecerem no naufrágio, prometeram a Santo Amaro levantar uma ermida no local onde dessem à costa, sãos e salvos. A capela referida na lenda foi, ao que se julga, transformada em sacristia da actual ermida, representativa do estilo renascentista, embora incorpore soluções estruturais góticas.³

Ermida de Santo Amaro, datada de 1549
Vista de Santo Amaro e Perspectiva do Lugar de Belém
 Vue du Port &de l'Eglise de Bellem [Mosteiro dos Jerónimos.]& de celle de S.Amat, Les Delices De l'Espagne & du Portugal, 1707
COLMENAR, Juan Alvarez de; Aa, Pieter van der (1659-1733)

 
Implantada numa colina sobranceira ao Rio Tejo, perto do vale de Alcântara, a Capela de Santo Amaro foi edificada em 1549, conforme indica a inscrição colocada sobre a porta principal do templo. O projecto desta ermida de planta centralizada, única na cidade de Lisboa, é atribuído a Diogo de Torralva, um dos grandes arquitectos do século XVI português, que tão bem explorou e entendeu o novo gosto do Maneirismo, nomeadamente as vias da tratadística italiana da época.

Capela de Santo Amaro, Alto de Santo Amaro, traseiras [entre 1962 e 1966]
Portal de pedra no adro da Ermida de Santo Amaro
Ao fundo nota-se a Ponte 25 de Abril em construção.
Artur Inácio Bastos, in Lisboa de Antigamente

Na verdade, a Capela de Santo Amaro destaca-se pela singular, e erudita, estrutura centralizada, composta por "(...) dois cilindros secantes de inspiração serliana, a que se agrega uma original galilé de planta semicircular (...)" (CORREIA, 1991). Espaço ímpar no panorama arquitectónico português, este templo terá sido inspirado numa gravura do tratadista Sebastiano Serlio, que representa o mausoléu dos Crescenzi, na Via Appia, em Roma (MOREIRA, 1995, p. 352).

Capela de Santo Amaro, Alto de Santo Amaro, fachada [ant. 190-]
Portal de pedra no adro da Ermida de Santo Amaro
Paulo Guedes,in Lisboa de Antigamente

A par com a capelinha de Bom Jesus de Valverde, em Évora, e a capela do Paço de Salvaterra de Magos, é um dos poucos espaços religiosos quinhentistas a explorar a planta centralizada, que voltará ao panorama arquitectónico português apenas na segunda metade da centúria seguinte.
O núcleo da estrutura é o espaço circular do oratório, envolvido em metade da sua área pela galilé semicircular, que compõe a fachada, à qual corresponde, do lado oposto, a pequena capela-mor, também cilíndrica.

Portal de pedra no adro da Capela de Santo Amaro  [ant. 1966]
Portal de pedra no adro da Ermida de Santo Amaro
Artur Inácio Bastos,in Lisboa de Antigamente

Aberta por uma arcada de cinco vãos, dois dos quais são cegos, a galilé é coberta por abóbada de nervuras abatida, com fechos decorados com símbolos alusivos ao santo padroeiro, cruzes de Cristo, florões e estrelas. Os três arcos principais foram fechados, no século XVIII, com portões de ferro forjado.
As paredes deste espaço estão totalmente revestidas por azulejos polícromos tardo-maneiristas, organizados em dois registos, cujas figurações centrais, alusivas a Santo Amaro, são envoltas por ferroneries, putti, motivos de grutesco e pendurados. Nos vãos cegos da arcada foram erigidos dois altares de estrutura maneirista, em trompe l'oeil, executados em azulejo policromo.

Escadinhas e Cruzeiro de Santo Amaro [c. 1940]
Portal de pedra no adro da Ermida de Santo Amaro
Fernando Martinez Pozal,in Lisboa de Antigamente

O acesso ao interior é feito através de três portas, abertas na galilé, estando gravada sobre a porta principal uma inscrição alusiva à data de fundação da capela. A nave circular é coberta por cúpula semi-esférica com lanternim, possuindo coro-alto, ao qual se acede pelo terraço. Um arco de volta perfeita, sem qualquer decoração, abre para a capela-mor, também coberta por cúpula semi-esférica, que ao centro alberga retábulo de talha azul e dourada em estilo nacional. Contígua à capela-mor foi construída a sacristia.
Celebrada a 15 de Janeiro, a romaria de Santo Amaro era uma das mais concorridas da cidade, tendo sido realizada pela última vez em 1911. Com o advento da República, a ermida foi abandonada e saqueada, chegando a servir de carvoaria. Em 1927 foi entregue à Irmandade do Santíssimo Sacramento, e no ano seguinte o espaço foi reabilitado para o culto.³
  
Cruzeiro de Santo Amaro [s.d.]
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
 
Bibliografia
¹ ADRAGÃO, José Victor; PINTO (Natália); RASQUILHO, Rui, Lisboa, 1985.
³ Bonneville, Maria do Rosário Santos, Bellem/Belém, Reguengo da Cidade, 1991
³ "IGESPAR)

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Cinema de Alvalade

Projectado pelos arquitectos Lima Franco e Filipe de Figueiredo em 1945, foi inaugurado no dia 8 de Dezembro de 1953 com o filme brasileiro de Lima Barreto, «O Cangaceiro», sessão a que esteve presente o embaixador do Brasil em Portugal. 
O Cinema de Alvalade, com capacidade para 1262 espectadores, distribuídos por uma plateia e dois balcões, foi durante décadas um dos símbolos do Bairro de Alvalade. No seu interior destacava-se uma das obras mais importantes da pintora Estrela Faria.
 
Cinema de Alvalade [c. 1953]
Avenida de Roma, 100
Salvador de Almeida Fernandes. in Lisboa de Antigamente
Cinema de Alvalade, foyer [c. 1953]
Avenida de Roma, 100
À dir. observa-se a pintura mural da autoria de Estrela Faria.
Esse mural, durante muitos anos tapado, quando da ocupação desse edifício pela IURD, foi recuperado, quando da reconstrução do edifício, e pode ser visto no actual Cinema City, inaugurado em 2008.
Estúdios Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Desde que foi encerrado, em 1985, foi arrendado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) até ao ano 2000. Depois de três anos votado ao abandono, foi iniciada a sua demolição em 2003. No seu lugar viria a ser erguido um empreendimento de luxo Hollywood Residence, de oito pisos destinado a habitação, escritórios e uma zona de lazer onde existem 4 mini-salas de cinema, Cinema City Classic Alvalade (CCCA). 

Cinema de Alvalade, Sala de Projecção [c. 1953]
Avenida de Roma, 100
Salvador de Almeida Fernandes. in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Praça de Londres, antes e depois do ajardinamento (actualizado)

Esta Praça, situada entre as Avenidas do México e de Roma — confluência da Avenida Manuel da Maia, Avenida de Roma, Avenida Guerra Junqueiro e a Avenida de Paris — era, até 1948, vulgarmente conhecida por Praça do México.

Praça de Londres [c. 1952] 
 Antes do ajardinamento
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Refira-se que na mesma freguesia foram atribuídos, por edital da CML de 1948, mais nomes de cidades europeias ou brasileiras e de personalidades estrangeiras, procurando a edilidade lisboeta da década de quarenta vincar na cidade um certo cosmopolitismo.

Praça de Londres [c. 1953] 
 Depois do ajardinamento
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

 Assim, as escolhas foram a Avenida de Madrid, a Avenida de Paris, a Avenida Rio de Janeiro, bem como para homenagens a escritores — a Rua Cervantes, a Rua Vítor Hugo, a Praça Afrânio Peixoto, a Praça João do Rio — e a cientistas — a Praça Pasteur, a Rua Edison, a Avenida Marconi para além da Avenida João XXI (o único Papa português).  [Machado: 1998]

Praça de Londres [c. 1960] 
Edifício na Avenida de Roma, 2-2E, esquina com a Praça de Londres, 3-3E 
Amadeu Ferrari, in Lisboa de Antigamente

domingo, 9 de maio de 2021

Largo Dr. Afonso Pena, actual Campo Pequeno (actualizado)

Do Largo Afonso Pena, pelo nascente, saem as Avenidas recentes de Sacadura Cabral e Óscar Monteiro Torres, que são atravessadas pelas transversais Ruas Capitão Ramires, David de Sousa e Augusto Gil, A Avenida de Berna [actual João XXI] será prolongada até à futura Avenida de Roma. [Araujo: 1939]

 
O sítio do Campo Pequeno no início do século XVI era um logradouro público, espaço a descoberto na periferia da cidade, no qual se realizavam exercícios militares, por vezes paradas e feiras improvisadas (onde se treinou o exército de D. Sebastião antes de ir para Alcácer-Quibir). Teve também, no século XVIII, uma Praça de Touros provisória.
Em 18 de Agosto de 1892 foi inaugurada a Praça de Touros definitiva, arquitectada por António José Dias da Silva. No Campo Pequeno existe também um edifício seiscentista de arquitectura civil portuguesa, o Palácio Galveias. [cm-lisboa.pt]
 
Largo Dr. Afonso Pena, actual Campo Pequeno [1939]
Campo Pequeno com a Rua do Arco do Cego; anterior ao prolongamento da Avenida João XXI — entre o Campo Pequeno e a Av. de Roma— concluído na por volta de 1950; Palácio Galveias. Actualmente, temos, à esq., o Hotel Alif e, à dir., o edifício da Caixa Geral de Depósitos.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Na sessão de 1 de Outubro de 1908, ainda antes da vitória republicana da Câmara Municipal de Lisboa, o vereador Augusto César Clara da Rica, professor liceal que viria a falecer no ano seguinte, propôs que se passasse a chamar Largo Afonso Pena ao Campo Pequeno. O fundamento da proposta era de homenagem e agradecimento aos Estados Unidos do Brasil na pessoa do seu Presidente. . Afonso Pena, natural de Minas Gerais, candidato do Partido Republicano Mineiro, foi Presidente do Brasil, entre 1906 e 1909, não tendo completado o mandato. [MELO, Ana Homem de do Gabinete de Estudos Olisiponenses]

Largo Dr. Afonso Pena, actual Campo Pequeno [1965]
Campo Pequeno com a Rua do Arco do Cego; anterior ao prolongamento da Avenida João XXI — entre o Campo Pequeno e a Av. de Roma— concluído na por volta de 1950; Palácio Galveias. Actualmente, temos, à esq., o Hotel Alif e, à dir., o edifício da Caixa Geral de Depósitos.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Cinema Londres

Inaugurado a 30 de Janeiro de 1972 — com o filme «Morir d'aimer», do francês André Cayatte — originalmente possuía 440 lugares. O Cinema Londres, projecto concebido pelo arq.º Eduardo Goulart de Medeiros, nasceu das cinzas de uma boite chamada «Tropical», na Av. de Roma, pouco depois do cruzamento com Avenida João XXI. O grupo português «Os Sheiks» tocaram pela última vez ao vivo nessa boite, no dia 28 de Outubro de 1967, onde existia também uma pista de automóveis de seu nome «Bólide». 

Cinema Londres |1977|
Avenida de Roma, 7A
Foi considerada a «mais luxuosa sala-estúdio de Lisboa».
Vasques, in Lisboa de Antigamente

Permanecem na memória as fantásticas cadeiras hidráulicas, que baixavam consoante o peso do espectador. 
Adoptando a célebre fórmula com que se anunciara e que se traduzia na possibilidade de oferecer «3 coisas no mesmo sitio», ou seja, «ver cinema na sala», «jantar no snack-bar» e «conversar no 'Pub  The Flag'», o Cinema Londres afirmava-se como uma alternativa única no panorama dos cinemas de Lisboa.
Possuía ainda um Café-Bar, o «Magnólia» [vd. 2ª foto], com os seus confortáveis e convidativos sofás, onde se relaxava antes do início de uma sessão. Na tentativa de se adaptar aos novos tempos, e em busca de maiores receitas, a sala principal foi dividida, dando origem a uma segunda mais pequena — a sala 2 — para 114 espectadores, acomodando a sala 1, 219 espectadores. Viria a encerrar em 2013.

Cinema Londres,  Interior com o 'Pub  The Flag' e Café-Bar Magnólia |1977|
Avenida de Roma, 7A
Vasques, in Lisboa de Antigamente

sábado, 5 de novembro de 2016

E Tudo o Terramoto Levou: a Grande Capela ou Igreja Patriarcal de D. João V

Já disse que o edifício municipal ocupa o espaço que era o do Pátio da Capela Real, pátio com suas arcadas e galerias, nas quais se ostentavam «capelas e tendas, ou tendas da Capela.


   A primeira Capela Real do Paço — que tinha a invocação de S. Miguel, e que fazia parte do Paço da Ribeira —, ficaria neste lado sul do Pátio, que olha para a Rua do Arsenal defronte dos Correios. Só em 1531 passou mais para Norte — onde está o abandonado templo de S. Julião, vendido pela Aqui-confraria ao Banco de Portugal [actual Museu do Dinheiro] em 7 de Julho de 1933 —; foi ampliada em 1610 e 1619.
   Em 1716 a Capela Real foi elevada, por esforços de D. João V, a Catedral Metropolitana e Patriarcal de Lisboa Ocidental, e logo o rei pensou na sua reedificação; em 1746 estava de pé a Grande Capela ou Igreja Patriarcal, do orago de N. Senhora da Assunção.
   O pequeno Largo fronteiro, antepassado dêste. onde estamos, chamou-se por isso «da Patriarcal».
   O Terramoto reduziu tudo a cinzas; a riqueza da Patriarcal desapareceu, e tudo em redor, incluindo o vasto e imponente Paço da Ribeira.

Maqueta de reconstituição da cidade de Lisboa antes do Terramoto de 1755
Planta da primeira Igreja Patriarcal a vermelho (clicar para ampliar)
in Museu de Lisboa, núcleo instalado no Palácio Pimenta ao Campo Grande

D. João V, O Magnânimo — cuja corte beneficiava de excepcional desafogo financeiro, graças ao ouro do Brasil — engrandeceu bizarramente a Capela Real. Sob a orientação de João Frederico Ludovice, o arquitecto e ourives alemão ao serviço do rei, inicia-se a transformação da capela adjacente ao Paço da Ribeira em  Patriarcal, uma das mais magníficas igrejas de então, réplica miniatural do Vaticano, cujo esplendor era alimentado por constantes encomendas a artistas estrangeiros, sobretudo romanos, uma vez que Roma era o mais conceituado centro de produção artística da Europa. 

Ruínas da  Igreja Patriarcal de D. João V [1755]
Antiga Praça (Largo) da Patriarcal, actual Praça do Município

Jacques Philippe Le Bas (1707-1783), gravura

As prodigalidades deste monarca eram extraordinárias; enriqueceu os conventos, deu dinheiro ilimitado aos fidalgos; nos últimos anos da sua vida mandou rezar para cima de 700.000 missas; por urna imagem que o papa benzeu, de prata dourada, deu 120.000 cruzados; para Jerusalém mandou 1.377 cruzados; fundou o convento do Louriçal dotando-o com 6.000 cruzados, e deu-lhe muitas alfaias e pratas; ceou dois bispados no Brasil; mandou para diferentes igrejas do estrangeiro alfaias e adornos de incalculável valor; em indulgências e canonizações enviou para Roma perto de 1,38 milhões de cruzados; na missão que foi a Roma assistir a um conclave gastou-se para cima de dois milhões de cruzados; ao núncio Bichi, quando se retirou de Lisboa, mandou dar-lhe 1.000 moedas para ajuda da viagem; ao cardeal Oddi deu-lhe uma caixa de brilhantes no valor de 20.000 cruzados, etc. Apesar da sua exagerada devoção, não tinha escrúpulo em profanar a clausura das virgens do Senhor, o que lhe adquiriu o titulo de rei freirático, transformando, por exemplo, o convento de Odivelas, sustentando escandalosamente os seus amores com a madre Paula, freira sua predilecta.

Planta da Igreja Patriarcal [c. 1775?]
Planta feita depois do terramoto de 1755, mostrando o local onde se encontrava a Patriarcal ao lado do Paço da Ribeira, assim como todas as acomodações do Patriarca, os Principais, o tribunal da Congregação Camarária, etc., que se encontram descriminados à margem da planta.
Título: «Planta Geometrica pella qual se mostra a formalidade e grandeza, que tinha a S.ta Igreja Patriarchal, abrazada junto aos Passos da Ribeira das Naos; (...)»
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, pp. 13-14 [1939])
(arqnet.pt)

domingo, 13 de outubro de 2024

Avenida de Roma

Topónimo atribuído a 27 de Dezembro de 1930, presta homenagem à capital da Itália. A atribuição está inserida num contexto de Estado Novo, onde o nacionalismo era contrabalançado com uma ambicionada dimensão internacional.

Avenida de Roma (em construção) |c. 1954|
Cruzamento com a Avenida Frei Miguel Contreiras (dístico de 1955)
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente
 
O cosmopolitismo formal, a ideia do mundo dentro de Lisboa, mais do que a modernidade das ideias e valores subjacente também a uma abertura para a Europa, está no âmago desta atribuição e de outras que se seguiram, nomeadamente, em 1948, Avenida de Madrid, Paris, Londres, entre outras.

Avenida de Roma [195-]
Perspectiva tomada da Praça de Londres junto a Avenida João XXI.
Claudino Madeira, in Lisboa de Antigamente

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