Thursday, 24 November 2016

Chafariz da Esperança

Dilecto, podes observar o mais belo chafariz de tôda a Lisboa, pela sua graça e harmonia que não pela sua grandeza. O Chafariz integra-se na grande obra das Águas Livres, e para o erguer houve que comprar às freiras do Mosteiro da Esperança (então aqui ao lado, e senhoras desta parte do sítio) o terreno necessário, por 297 mil réis, e não se pode dizer que houvesse ficado caro.


Convento da Esperança e chafariz da Esperança, no bairro da Madragoa, gravura
Largo da Esperança; Avenida D. Carlos I
in AML

Localizado no antigo Largo da Esperança, viu alterada a sua envolvência com o arranjo urbanístico resultante da abertura da Av. D. Carlos I, em 1889, ficando encostado a um prédio, construído por essa altura, cuja fachada foi concebida como pano de fundo para o chafariz. Traduzindo uma arquitectura civil, de equipamento, barroca e rococó, é um dos mais interessantes, cenográficos e monumentais de Lisboa, que fazia parte de uma das principais linhas de abastecimento de água à cidade alimentadas pelo Aqueduto das Águas Livres.

Chafariz da Esperança [c. 1940]
Largo da Esperança; Avenida D. Carlos I
Eduardo Portugal, in AML

Projectado pelo arquitecto húngaro Carlos Mardel em 1752, a sua obra teve início no ano seguinte, sob orientação do mesmo, sendo terminada, em 1768, já por Miguel Ângelo Blasco.
Classificado como Monumento Nacional, obedece a um esquema vertical, apresentando, num plano inferior, um tanque largo, destinado a bebedouro dos animais, que recebe a água de carrancas de cantaria. Através de 2 lanços de escada laterais acede-se a um largo balcão, do tipo «varanda de pavilhão solene», onde um segundo tanque recebe a água de carrancas de bronze.

Chafariz da Esperança [c. 1900]
Largo da Esperança; Avenida D. Carlos I
in AML

Neste balcão destaca-se o corpo central do chafariz, ladeado por 2 pilastras dóricas, cujo espelho central, definido por 2 colunas, sustenta um pequeno frontão curvo aberto, onde avulta em estilo «rocaille» o escudo de D. João V, mutilado na coroa. A rematar este volume surgem, ao meio e nos cantos, 3 pináculos em forma de vaso, com decorações folhosas, terminando em alcachofra.
José Sérgio de Andrade refere, em 1851, que o cano que levava a água ao chafariz tinha 1433 palmos, e os sobejos corriam para um tanque-lavadouro, existente na Rua Nova do Cais do Tojo, com acesso pelo n.º 29; tinha 3 Companhias de Aguadeiros, 3 Capatazes e Cabos, 99 Aguadeiros e 1 Ligeiro.

Chafariz da Esperança [entre 1903 e 1908]
Largo da Esperança; Avenida D. Carlos I
Charles Chusseau-Flaviens, in GEH

Bibliografia
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII
(ANDRADE, Velloso, Memoria sobre chafarizes, bicas, fontes, e poços públicos de Lisboa, Belem e muitos logares do termo, 1851)
(cm-lisboa.pt; monumentos.pt)

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