Sunday, 19 June 2016

Igreja de Santo António da Sé — a Casa de Santo António

  « Eis-nos deante da Igreja de Santo António da Sé — a Casa de Santo António da Câmara de Lisboa, e que sempre pertenceu ao povo. É, como vês, um edifício de certo interêsse arquitectónico, num estilo baroco vulgar, reconstruído pelo arquitecto Mateus Vicente — o que fêz a Basílica da Estrêla — depois do Terramoto, quási à custa dos "cinco rèizinhos" que as crianças pediam nas ruas para o Santo António, costumeira que ainda hoje perdura durante todo o mês de Junho.
    Foi sagrada em 15 de Maio de 1787, mas as obras só se concluíram vinte e cinco anos depois [1812]. 
   A primitiva Igreja e Casa de Santo António — talvez uma simples capela — data de 1431, embora haja quem afirme que existia já em 1321.

Igreja de Santo António da Sé, Gravura de madeira, desenho de Nogueira da Silva, gravura de Alberto
    
A razão da Igreja e Casa é, em síntese, a que te vou relatar. Em 15 de Agôsto de 1195, isto é: pouco menos de meio século depois da tomada de Lisboa, nasceu nasceu numas casas que havia neste lugar um menino que recebeu o nome de Fernando no baptismo realizado seis dias depois, ali na Sé episcopal; era filho de Martim de Bulhões e de D. Maria Teresa Taveira, gente de bom sangue. O pequeno veio a ser o nosso popular Santo António, que dos dez aos quinze anos tomou estudos na Sé, e dos quinze aos dezassete esteve em- S. Vicente, no Mosteiro dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, onde professou em Agôsto de 1211.  (...)
 
Igreja de Santo António da Sé, Largo de Santo António da Sé [ant. 1900]
Garcia Nunes, in AML
   
Ora a casa de moradia da família do Santo, e que alguns dizem que foi solar, pertenceu ao município de Lisboa, ou - o que é mais aceitável - estava situada cêrca da casa do Município. A verdade é que a capela de Santo António,  erecta neste local onde estamos, fazia parte do edifício camarário no qual o Senado reiinia pelo menos desde o comêço do século XIV até ao meado do século XVIII, e onde se efectuavam eleições paara cargos importantes da cidade.
   (...) Mas deu-se o Terramoto grande; destruiu tudo com excepção de parte da capela-mor e do quarto ou câmara, a um nível mais baixo, onde é tradição ter nascido o Santo, o que foi considerado milagre. O Provedor da Casa de Santo António, vereador Paulo de Carvalho, irmão do Marquês de Pombal, mandou em 1767 abrir os alicerces desta nova Igreja, concluída em 1812, e nela fez colocar interiormente um padrão comemorativo.
    Casa da Câmara — único templo de Lisboa nestas condições — a Igreja de Santo António esteve encerrada quási desde a proclamação da República, Maio de 1911, até 14 de Março de 1931.» [1]

Igreja de Santo António da Sé, Largo de Santo António da Sé [Início séc XX]
José Artur Bárcia, in AML

Monumento Nacional, é um edifício tardo-barroco de linhas sinuosas marcadas no desenho do frontão e da escadaria. Com planta longitudinal, em cruz latina, apresenta nave única, coberta por abóbada de berço, recorrendo à utilização abundante dos mármores.
Do recheio da igreja destacam-se: as telas de Pedro Alexandrino de Carvalho, localizadas no transepto; as grades neo-medievais do arq.º Vasco Regaleira a imitar a célebre grade da Sé de Lisboa; o programa azulezar da sacristia, da 2ª metade do séc. XVIII; a imagem de Santo António recuperada do templo inicial; e a pequena cripta que simboliza, segundo a tradição, o local de nascimento do Santo. Tem em anexo um museu, Museu Antoniano, dedicado à iconografia do Santo.

Igreja de Santo António da Sé, fachadas principal e sul [ant. 1973]
Estúdio Mário Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G.

[1] (ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 27-29)

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