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Sunday, 26 July 2020

Estação do Rossio: rampa para o Largo do Duque do Cadaval

Na noite de sete de Março de 1914, Fernando Pessoa, poeta e fingidor, sonhou que acordava. Tomou o café no seu pequeno quarto alugado, fez a barba e vestiu-se com esmero. Enfiou a gabardina, porque lá fora chovia. Quando saiu faltavam vinte minutos para as oito, e às oito em ponto estava na estação do Rossio, na plataforma de comboios com destino a Santarém.
(Antonio Tabucchi. «Sonho de Fernando Pessoa, poeta e fingidor». Sonho de Sonhos, 1914)

Estação do Rossio:  rampa para o Largo do Duque do Cadaval  [c. 1900]
A Estação Central da C. P. do Rossio — traço do arq.º Luiz Monteiro — começada a construir em 1887 é inaugurada em 1888.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Palmilhei a rampa que leva à Estação. Por entre o tropel de passageiros golfados do último comboio, proveniente lá do calcanhar de Judas, enxerguei ao alto, para as Escadinhas do Duque, uma lanterna vermelha que me acenava com quartos de pernoitar.
(RIBEIRO, Aquilino, Lápidees Partidas, 1969)

Rampa da Estação do Rossio [c. 1940]
Calçada do Carmo; Calçada Duque
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Calçada Duque (de Cadaval) Esta via pública começou a chamar-se Calçada do Duque — recorda Vieira Silva— , até à Rua da Condessa, depois que o Duque de Cadaval tomou de aforamento em 1699 uma extensa propriedade, que descrevemos, cuja frente sul confinava com a calçada. Da Rua da Condessa para cima chamava-se Rua do Postigo de S. Roque, ou Calçada de S. Roque. Em 1780 ainda assim acontecia, como pode ver-se na planta da Freguesia do Sacramento que faz parte do Plano de Divisão e Translação das Parochias de Lisboa, aprovado pelo alvará régio de 19 de Abril desse ano. Actualmente o nome Calçada do Duque aplica-se à via pública em escadaria que começa na Calçada do Carmo, no alto da segunda rampa de acesso à estação de Caminho de Ferro do Rossio [vd. imagem abaixo], e termina no Largo Trindade Coelho antigo de S. Roque.
(VIEIRA DA SILVA, Augusto, A Cerca Fernandina de Lisboa, 1987)

Estação do Rossio: acesso superior virado ao Largo do Duque de Cadaval  [1928]
A Estação Central da C. P. do Rossio — traço do arq.º Luis Monteiro — começada a construir em 1887 é inaugurada em 1888.
Legenda da foto no arquivo: «Romenos vindos do Brasil, acampados na estação do Rossio»
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Thursday, 15 December 2016

Estação do Rossio

Acordei um pouco antes do meio-dia, quase a chegar a Lisboa. Era impossível pensar em almoçar e mal tive tempo de me aproveitar rapidamente do meu gabinete de toilette e do belo equipamento da minha mala de crocodilo. Não voltei a ver o professor Kuckuck na confusão da descida, nem na praça em frente do edifício da estação, de inspiração mourisca, onde segui o carregador até uma tipóia descoberta.¹

Esta Estação Central da C. P. foi começada a construir em 1887, e assenta em terrenos que foram, do lado sul e poente, do Duque do Cadaval; derrubaram-se uns prédios que aqui existiam, com feitio lisboeta rudimentar, e pôs-se de pé o edifício decorativo que vemos.

Estação do Rossio, em construção [c. 1888]
Largo D. João da Câmara; Largo do Duque de Cadaval; Calçada do Carmo
Panorâmica tirada do Jardim de S. Pedro de Alcântara

Huber Vaffiert, in Lisboa de Antigamente
Estação do Rossio, em construção [c. 1889]
Largo D. João da Câmara; Largo do Duque de Cadaval; Calçada do Carmo

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Um comboio saindo da estação do Rossio [1932]
Largo D. João da Câmara; Largo do Duque de Cadaval; Calçada do Carmo

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O arquitecto deste edifício — cuja fachada é um pastiche dos monumentos manuelinos, na variante dos pórticos em ferradura [vd. 4ª imagem] — foi José Luiz Monteiro [1848-1942], veneranda relíquia da arte, professor aposentado, e que conta hoje [em 1939] 83 anos; o engenheiro assistente foi Cândido Xavier Cordeiro.
No último pavimento superior abre-se o vestíbulo, que conduz à gare. pequena para o movimento de uma estação central, terminus de linha internacional. 
Enquanto se construía a Estação, ia-se perfurando o túnel, que tem 2.610 metros, trabalho de engenharia dirigido pelo francês Bartissol, e dado de arrematação, por troços, a vários engenheiros, e cuja obra começou em Abril de 1887; fizeram-se aberturas em vários pontos do trajecto, pelas quais a perfuração se fez em partes, verificando-se a junção das galerias em 24 de Maio de 1888

Estação do Rossio, em construção [c. 1889]
Largo D. João da Câmara; Largo do Duque de Cadaval; Calçada do Carmo

Fotografia anónima, in Lisboa de Antigamente

O túnel foi inaugurado em 11 de Junho de 1890, mas já em 8 de Abril de 1889 pelas 6 da tarde chegava ao Rossio a primeira máquina, com um vagon, vinda de Campolide, ou seja do sítio famoso da Rabicha.²

Estação do Rossio [1927]
Largo D. João da Câmara; Largo do Duque de Cadaval; Calçada do Carmo

Legenda: «Os operários procedendo a obras de reparação da estação do Rossio»,
Autor não mencionado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ MANN, Thomas (1875-1955). As Confissões de Félix Krull. 1895.
² ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 84, 1939.

Friday, 4 April 2025

Estação do Rocio que foi «da Avenida»

Acordei um pouco antes do meio-dia, quase a chegar a Lisboa. Era impossível pensar em almoçar e mal tive tempo de me aproveitar rapidamente do meu gabinete de toilette e do belo equipamento da minha mala de crocodilo. Não voltei a ver o professor Kuckuck na confusão da descida, nem na praça em frente do edifício da estação, de inspiração mourisca, onde segui o carregador até uma tipoia descoberta. [Thomas Mann (1875-1955). As Confissões de Félix Krull. 1895]

Estação do Rossio que foi «da Avenida» ou «de Cintra» |c. 1889|
A Estação Central da C. P. do Rossio — traço do arq.º Luiz Monteiro — começada a construir em 1887 é inaugurada em 11 de Junho de 1890, mas já em 8 de Abril de 1889 pelas 6 da tarde chegava ao Rocio a primeira máquina com um vagão, vindo de Campolide.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Na noite de 7 de Março de 1914 Fernando Pessoa, poeta e fingidor sonhou que acordava. Tomou o café no seu pequeno quarto alugado, fez a barba e vestiu-se com esmero. Enfiou a gabardine, porque lá fora chovia. Quando saiu faltavam vinte minutos para as oito, e às oito em ponto estava na Estação do Rossio, na plataforma do comboio com destino Santarém.
[António Tabucchi. «Sonho de Fernando Pessoa, poeta e fingidor» Sonho de Sonhos, 1914]

Estação do Rocio que foi «da Avenida» |1899|
Em frente do edifício da estação de inspiração mourisca.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Estação do Rocio que foi «da Avenida» |194-|
Cais de Orsay-Rossio» é que ele devia chamar-se...
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Neste comboio toda a gente vai a Paris ou para lá regressa e, mais que Sud-Express ou Paris-Lisboa, «Cais de Orsay-Rossio» é que ele devia chamar-se como comboio que é, o belo comboio-cama que tomamos nas imediações do Palácio da Legião de Honra e deixamos à entrada do Rossio, a grande praça central de Lisboa a dois passos da Avenida da Liberdade, a dez minutos do Terreiro do Paço cujas escadarias descem à água do Tejo. 
[Valery Larbaud. «Escrito numa carruagem do sud-express». in Portugal de fora para dentro, 1927]

Estação do Rossio |c. 1950|
Praça Dom João da Câmara, antigo Largo de Camões.
Os autocarros AEC Regal III da Carris começaram a circular em 1948-49.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Friday, 25 December 2015

Hotel Avenida Palace

O Hotel Avenida Palace — o único Palace no centro de Lisboa — foi projectado nos finais do séc. XIX (1890-1892), pelo arq.º José Luís Monteiro, um dos mais distintos arquitectos portugueses, que também projectou a Estação do Rossio (ao fundo). Foram utilizados na sua construção os mais avançados conhecimentos da técnica e os melhores materiais à época. Foi construído para apoio à estação de comboios do Rossio por encomenda Real Companhia dos Caminhos-de-Ferro Portugueses. Inaugurado em 1892 com o nome de Grande Hotel Internacional, só no ano seguinte se passou a chamar Avenida Palace Hotel.

Hotel Avenida Palace [entre 1906 e 1908]
Praça dos Restauradores
 Frequentado por individualidades do mundo da Finança, da Política, da Igreja e das Artes, assistiu à implantação da República Portuguesa, à Guerra Civil de Espanha e às duas Grandes Guerras, tendo então sido palco activo da intriga política e da espionagem.
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente

A Waggons Lits, companhia ligada à exploração ferroviária, apresentou à Real Companhia uma proposta para que o novo edifício fosse aproveitado para um grande hotel de estação, semelhante aos Palaces de outras capitais europeias. A exploração ficaria a seu cargo, tal como o direito de preferência, em caso de venda. 
Em vez de um novo edifício de linguagem neo-manuelina, que tanto polémica suscitou, surge uma construção de estilo boulevardier do Segundo Império, composição classizante influenciada pela arquitectura francesa tão ao gosto beaux-arts de José Luís Monteiro, traquejado nas construções de Paris. A fachada principal, por exemplo, apresenta um janelão que não deixa de evocar a arquitectura do ferro da Gare du Nord, em Paris. Nada é deixado ao acaso. A Praça D. Pedro IV, junto ao hotel, foi ornamentada em 1889 com duas fontes de bronze fabricadas em França.

Hotel Avenida Palace [1895]
Praça dos Restauradores e 
Rua do Príncipe  hoje 1.º de Dezembro
Augusto Bobobe, in Lisboa de Antigamente
Hotel Avenida Palace [post. 1911]
Rua 1.º de Dezembro; ao fundo entrevê-se a Praça dos Restauradores
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O objectivo é conseguir um hotel de luxo digno da melhor aristocracia europeia e da burguesia endinheirada de todo o mundo. Porque o Rossio se tornara já o ponto de encontro dos proeminentes e o centro político do país — o Café Martinho, das tertúlias políticas e literárias, ficava mesmo em frente.
O projecto original — com menos um piso — estabelecia uma interessante ligação directa entre a Estação e a Praça dos Restauradores, através de uma galeria interior, retirada mais tarde.
A vista era mágica: a Norte, a Avenida imensa, baptizada com o nome de Liberdade, seis anos antes, por altura do casamento do príncipe D. Carlos com D. Amélia de Orleães; a Sul, o Tejo e Baixa Pombalina; a Este o velho casario do Castelo a impor-se no recorte de uma colina.
 
Hotel Avenida Palace [1895]
Praça dos Restauradores
Este simbólico Hotel foi inaugurado em 1892, considerado, sobretudo na Belle Époque, um dos melhores hotéis da Europa pelo seu glamour, localização e serviço. 
Augusto Bobobe, in Lisboa de Antigamente
 
A decoração interior era requintada, estilo Belle Époque. Os tapetes, reposteiros e estofos das otomanas eram do mais distinto no mercado de qualidade. A mobília foi adquirida directamente da casa Maple, um dos armazéns mais elegantes de Londres. Os quartos primavam, quase todos, pelo forro de seda ou papel de couro. As paredes da sala de jantar estavam revestidas por um veludo de ramagens, interrompido por um lambri em madeira de carvalho. Todos os quartos dispunham de aparelhos de aquecimento e ventilação e, em quase todos, havia já uma casa de banho. Os hóspedes tinham à disposição um elevador hidráulico para se deslocarem de piso e a cozinha do Hotel era reconhecida como uma das melhores de Lisboa.
Uma orquestra privativa inundava os salões de música durante os célebres bailes de sábado e, enquanto os pares desafiavam amores, espiões de várias proveniências “espreitavam” conspirações. Um Serviço Especial de Noite, marcado por uma requintada cozinha francesa, “à la carte”, entretinha as horas e
“temperava” as emoções mais aguerridas. Os aromas das essências de Paris deixavam no ar um travo adocicado de uma monarquia decadente. [in hotelavenidapalace.pt]
 
Hotel Avenida Palace [1892]
Rua 1.º de Dezembro; Praça D. João da Câmara, Estação do Rossio e Café Martinho
Em 1893, o Grande Hotel Internacional passa a chamar-se Avenida Palace, tal como os seus congéneres europeus. Os Palaces simbolizavam o esplendor da corte, numa época em que a aristocracia de berço começava a ser ultrapassada pelo dinheiro da burguesia.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 29 March 2026

A Kermesse de Paris no Avenida Palace Hotel

No Largo D. João da Câmara — antigo de Camões — cujo nome se refere, não ao poeta dos Lusíadas, mas ao dr .Caetano José da Silva Souto Maior, o Camões, corregedor do bairro do Rossio no reinado de D. João V (séc.. XVIII), destacam-se a Estação do Rossio (1890) e o o Avenida Palace Hotel (1892), elegante construção em estilo francês, ambas do risco do arquitecto José Luiz Monteiro e com uma «passagem» entre eles.

A Kermesse de Paris, considerada durante muitos anos a melhor e mais cara loja de brinquedos de Lisboa, foi fundada nos finais do século XIX por Thomaz J. Sá Dias. A loja sita na então Rua do Principie — depois 1º de Dezembro (1911) — estabeleceu-se no piso térreo do recém-inaugurado edifício do Hotel Avenida Palace.

Hotel Avenida Palace |c. 194-|
Praça D. João da Câmara, Estação do Rossio e Rua 1.º de Dezembro
Inaugurado em 1892 com o nome de Grande Hotel Internacional, só no ano seguinte se passou a chamar Avenida Palace Hotel.
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Algumas lojas imprescindíveis da minha infância, todas de brinquedos, eram a Biaggio Flora, na Rua Áurea, a Panchito na Av. Guerra Junqueiro, o Bazar do Parque, Arcadas do Estoril, o Pinóquio, nos Restauradores, que, no Natal, tinha um Pai Natal à porta com um cavalinho de peluche que se podia montar e tirar fotografias, e a Kermesse de Paris, que ficava na base do edifício do Hotel Avenida Palace, entre os Restauradores e o Teatro Nacional D. Maria II, com uma selecção incrível de marionetas. [Memória de uma Epifania e outras histórias, Maria João Vaz, 2023]

 

Kermesse de Paris |1912|
Praça D. João da Câmara
A loja de brinquedos funcionava nas arcadas do piso térreo do Avenida Palace Hotel.
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

N.B. Por Edital municipal de 7 de agosto de 1911 a Rua do Príncipe e Largo da Rua do Príncipe passaram a denominar-se Rua Primeiro Dezembro, a data da Restauração em 1640.
Quanto ao Largo D. João da Câmara, até 1924, era o Largo de Camões, já assim denominado em 1858 no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque.

Hotel Avenida Palace |1961|
Grupo de turistas junto à entrada S. do Hotel Avenida Palace e à Kermesse de Paris.
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente

Friday, 26 February 2021

Calçada do Duque

Sobre a origem do topónimo «Calçada do Duque» e da «Rua do Duque», diz o olisipógrafo Júlio de Castilho o seguinte: 

Esta íngreme calçada teve vários nomes: o mais antigo que lhe conheço é o de calçada do Postigo do Condestável, tomado da denominação da porta que lhe ficava ao cim0, porta assim chamada em honra do fundador do próximo convento do Carmo. Depois chamou-se calçada do Postigo do Carmo; depois calçada do Postigo de S. Roque, quando àquela porta, ou postigo, deu nome a imagem de S. Roque colocada na sua parte superior. Este nome durou até 1715. [...] Entre esse ano e o de 1745 trocou-se o nome no de calçada do Duque. Esse Duque é o do Cadaval, cujo palácio existia dentro de um grande pátio na rua do Príncipe, ao Rossio, onde veio a construir-se a estação do caminho de ferro. [...] Depois do terremoto este ultimo titulo acabou. 

Calçada do Duque [1941]
Castelo de S. Jorge
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O edital do Governo Civil de 1 de Setembro de 1859 incorporou sob a denominação de calçada do Duque a linha que principiava no Rossio e seguia á direita até S. Roque. Com os desaterros feitos para a estação do caminho de ferro tudo isso mudou. 
E houve ainda mais; o nome do Duque alastrou, depois que a Camara demoliu o palácio dele. Os habitantes da próxima rua dos Galegos requereram a mudança dessa designação para rua do Duque! Porquê não se percebe; os Galegos são uns cidadãos como os outros, e mais úteis que muitos Portugueses. Para que foi expungir o antigo letreiro? Apesar de absurdo sem razão plausível, a Câmara aprovou-o, o Governador Civil sancionou-o, e desde Maio de 1867 a rua dos Galegos é a rua do Duque. Seja assim.==

Calçada do Duque [1946]
Ao cimo, a Rua da Condessa e o antigo Palácio Aulete depois Escola Académica.
Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente
 
Bibliografia
CASTILHO, Júlio de, Lisboa antiga: O bairro alto de Lisboa, p. 8, 1879.

Monday, 4 January 2016

Praça Dom João da Câmara que foi Largo de Camões

Foi neste arruamento próximo do Teatro D. Maria II que a edilidade decidiu perpetuar como Praça, o nome do dramaturgo D. João da Câmara, com a legenda «Figura Gloriosa do Teatro Português, 1852–1908», embora o edital de 1924 tenha por lapso mencionado Largo e, durante décadas, se tenha mantido a duplicação de referências, ora como Largo ora como Praça.

Praça Dom João da Câmara [Início do séc. XX]
Antigo
Largo de Camões;

Confluência da Rua 1º de Dezembro, Praça D. Pedro IV e Largo do Regedor.
Estação do Rossio; Hotel Avenida Palace
Alexandre Cunha, in Lisboa de Antigamente

Dom João Gonçalves Zarco da Câmara (1852-1908), alfacinha do nascimento à morte, viveu no Palácio Ribeira Grande, à Junqueira, (vide artigo anterior) e embora fosse engenheiro dos caminhos-de-ferro dedicou-se à escrita, sobretudo a de teatro, tendo-se estreado em 1876 no teatro D. Maria com a comédia «Ao Pé do fogão». Como seus êxitos maiores destacam-se as operetas «O burro do Sr. Alcaide» (1891) e «Cocó, reineta e facada» (1893), bem como as peças «Bernarda no Olimpo» (1874), «Meia-Noite» (1890), «D. Afonso VI» (1890), «Alcácer Quibir» (1891), «Os Velhos» (1893), «A Toutinegra Real» (1894), «O Amigo das mulheres» (1896), «Triste Viuvinha» (1897), «Rosa Enjeitada» (1901) e «Ali-babá» (1904). Dom João da Câmara publicou também poemas, romances e contos para além da sua colaboração na revista «O Occidente» e de ensinar Arte de Representar no Conservatório de Lisboa.[cm-lisboa.pt]


Praça Dom João da Câmara [Início do séc. XX] 
Antigo Largo de Camões;
Confluência da Rua 1º de Dezembro, Praça D. Pedro IV e Largo do Regedor
Café Suisso; Teatro D. Maria; Castelo São Jorge; Café da Gare; Praça Dom Pedro IV
Alexandre Cunha, in Lisboa de Antigamente

Esta artéria era o Largo de Camões, já assim denominado em 1858 no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque.
Há quem suponha que este Camões é o nosso épico Luiz de Camões. Errada suposiçãoJoão Paulo Freire  — jornalista, poeta, ensaísta, novelista — esclarece o motivo das trocas e baldrocas com este topónimo:
O Camões do Rossio nada tem que ver com o Camões das Duas Igrejas [actual Praça de Luís de Camões]. Este é o épico. Aquele é apenas o seu homónimo por antonomásia — Caetano José da Silva Souto Mayor, poeta epigramático, muito espirituoso, e que foi corregedor da corte de D. João V, juiz do Crime do Bairro da Mouraria, e corregedor do Bairro do Rossio, onde morava, pois residiu sempre no prédio onde mais tarde se construiu o actual que é ocupado pela Brasileira. A Câmara do tempo, querendo perpetuar-lhe a memória e galardoar-lhe os serviços teve a péssima ideia de dar ao Largo que resultou das construções e rectificações de 1840 o nome que os condiscípulos de Caetano José lhe haviam aplicado nos bons tempos de Coimbra, e a vereação que já no nosso tempo mudou o nome para D. João da Câmara, supondo que este Camões era o das Duas Igrejas, foi igualmente estúpida porque o célebre Corregedor merecia bem que o seu nome figurasse no pequenino Largo que foi quasi que ideia sua, entusiasmo seu e seu prazer.
Assim é que estava certo e ficava bem, mas para isto era preciso que quem fez a mudança soubesse primeiramente quem era o Camões que tinha dado nome ao Largo. Porque foi desta ignorância primária que partiu aquela asneira de palmatória.
(FREIRE, João Paulo, Lisboa do meu tempo e do passado, Lisboa, 1931-1939)

Atlas da Carta Topográfica de Lisboa, sob orientação de Filipe Folque, [1858]
Assinalado a vermelho, o largo de Camões, hoje Praça Dom João da Câmara
in Lisboa de Antigamente

Saturday, 23 January 2016

Palácio dos Duques de Cadaval

No extremo noroeste do Rossio existiam até c. 1880, o palácio, jardins e terrenos da Casa de Cadaval, dentro de um grande pátio na Rua do Príncipe (actual Rua 1º de Dezembro). Depois do Terramoto de 1755, em que foi completamente arrasado, foi reconstruido, ficando com a frente para a Rua do Príncipe (cf. 1ª foto), e a fachada principal voltada ao sul, para o Pátio do Duque (cf. 2ª foto), ou do Duque de Cadaval (v. Carta Topográfica). Foi demolido em 1880 para permitir a construção da estação do caminho de ferro do Rossio e do seu anexo, destinado originariamente a hospedaria e botequim.

Palácio dos Duques de Cadaval, Rua do Príncipe, actual Rua 1º de Dezembro [ant. 1880]
Estúdio Horácio Novais in Lisboa de Antigamente
Palácio dos Duques de Cadaval, Rua do Príncipe, fachada virada a Norte, actual Largo Duque de Cadaval [ant. 1880]
Estúdio Horácio Novais in Lisboa de Antigamente
Palácio dos Duques de Cadaval, Rua do Príncipe, fachada virada a Norte, actual Largo Duque de Cadaval [ant. 1880]
Estúdio Horácio Novais in Lisboa de Antigamente
Atlas da Carta Topográfica nº 36 de Lisboa de Filipe Folque, 1858, [fragnento]
Legenda:
- Vermelho: terrenos do palácio, jardins virados a Norte
- Azul: fachada principal voltada a Sul, para o Pátio do Duque, ou do Duque de Cadaval
- Verde: frente para a Rua do Príncipe (v. 1ª foto)

Sunday, 14 May 2023

Panorâmica de Lisboa tomada do Jardim de S. Pedro de Alcântara

Para lá do vale da Baixa, a colina de S. Pedro de Alcântara, «varanda do Bairro Alto», «janela de Lisboa aberta sobre Lisboa». «Grande panorama», diz-nos Norberto de Araújo, e exclama também o conselheiro Acácio. O conselheiro e Luiza «foram encostar-se às grades» e, «através dos varões, viam, descendo n'um declive, telhados escuros, intervalos de pátios, cantos de muro com uma ou outra magra verdura de quintal ressequido [...]»
Varanda dos amores românticos — prossegue o autor das Legendas—  do tempo em que era alameda — S. Pedro de Alcântara é um dos mais ternos miradouros naturais da cidade. [...]
Para nascente e sul, o Castelo, recortado sobre a peanha pintalgada da cidade velha; as torres alvíssimas de S. Vicente espreitando da linha do horizonte, acima do casario; a Graça, generosa, entregando-se toda; S. Gens, minúsculo, pousado no outeiro que cai sobra as Olarias; a , flanqueada de torres, morena, muito severa...

Panorâmica de Lisboa tomada do Jardim de S. Pedro de Alcântara
Fotografia anónima s.d., ant. a 1887

São identificáveis na fotografia (ant. a 1887): logo abaixo do gradeamento — proveniente em parte do Palácio da Inquisição (ou dos Estaus) no Rossio — o tabuleiro inferior do Jardim e miradouro de S. Pedro de Alcântara (com os bustos dos notáveis de Portugal); na extrema esquerda baixa, observa-se o Palácio dos Castello-Melhor, hoje Palácio Foz, e a antiga torre sineira da capela de N. S. da Pureza (demolida em 1902 após incêndio no palácio) virada à Calçada da Glória; acima, o Monumento dos Restauradores, em construção e com os andaimes ainda montados; para nascente do monumento ainda são visíveis os portões e a cerca do antigo Passeio Público (poente) (demolido c. 1885); no recanto ocidental dos Restauradores, onde hoje se encontra a Estação do Rossio (1890) e o Éden (1914), vê-se a cúpula do antigo Circo Whyttoyne, erguido em 1875 e demolido em 1887
Acima do obelisco vê-se o Palacete Anjos (hoje CTT), atrás deste nota-se a torre sineira da Igreja dos Franceses e acima desta a Cerca do Convento da Encarnação na Calçada de Sant'Ana e, à esquerda deste, o ingreme Beco de São Luís da Pena; em último plano, o Convento da Graça e as torres de S. Vicente de Fora e, ao centro o Castelo de S. Jorge e à direita a Sé de Lisboa.
_____________________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 114.
QUEIROZ, Eça de, O Primo Basílio, 1878.

Sunday, 12 January 2025

Lisboa Vista do Cimo dos Montes

O Castelo de São Jorge — tal como o conhecemos na actualidade — leva pouco mais de 80 anos. Sim. leu bem.

Sob o ponto de vista de fortificação — recorda Norberto de Araújo — o primitivo castelo cimeiro (a partir do começo do século XVII por «Castelejo»), que dos romanos foi, passou pelos godos e árabes, e chegou aos portugueses, resumia-se ao chamado Castelejo, numa área faceada de 50 metros aproximadamente. Este recinto era, por sua vez, circundado de muralhas, de dez torres, e aberto para o exterior nalgumas partes.

Panorâmica da encosta do Castelo |195-|
Perspectiva tirada da Estação do Rossio. Notem-se os edifícios do aquartelamento militar demolidos depois da reconstrução.
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Esta Fortaleza, recebeu, durante oito séculos os insultos do tempo, dos sismos, dos próprios homens. A verdade é que já no século XVI o seu, vértice Sudoeste servia de apoio, e se integrava no Paço Real da Alcáçova, acabando por se ocultar, durante o século XIX, nas construções de aquartelamentos. [Araújo: 1938 e 1945]
O nome actual deriva da devoção do castelo a São Jorge, santo padroeiro dos cavaleiros e das cruzadas, feita por ordem de D. João I no século XIV.  

Panorâmica do Castelo de São Jorge |c. 193-|
Vista tomada do Miradouro da Senhora do Monte. Igreja de Santa Cruz do Castelo.
Note-se, ao centro, a Torre do Observatório, cuja denominação deriva da circunstância de nela haver sido construído, c. de 1788, o Observatório Geodésico, se é que, já antes, 1779, não esteve nela instalado o primeiro observatório astronómico visto em Lisboa, estabelecido no Castelo pelo matemático José Anastácio da Cunha.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Na década de 1940 foram empreendidas monumentais obras de reconstrução, levantando-se grande parte dos muros e alteando-se muitas das torres. Por esse motivo, ao contrário do que se poderia pensar à primeira vista, o "carácter medieval" deste conjunto militar deve-se a esta campanha de reconstrução, e não à preservação do espaço do castelo desde a Idade Média até aos nossos dias. [Gaspar]

Panorâmica do Castelo de São Jorge |1957|
Vendedeira ambulante de leite no Miradouro da Senhora do Monte.
O monumento foi entregue à Câmara Municipal de Lisboa pelo Ministério das Obras Públicas, em 31 de Maio de 1942.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 28 February 2021

A Escola Académica e o antigo Palácio Caldas Aulete

Foi o sr. Francisco José de Caldas Aulete — recorda o ilustre Júlio de Castilho — , cavalheiro inteligente, enérgico, e activo, quem tomando de aforamento em 1835 aquelas ruínas, começou com ousadia e bom gosto o despejamento e arborização do pequenino largo que fica no topo da Rua da Condessa, e a edificação do palácio, hoje afogado nas informes construções da Escola Académica. A iniciativa do sr. Caldas se deve exclusivamente a completa metamorfose daquela encosta. Das obras dele pouco se pode já apreciar, porque a Escola demoliu em parte, e em parte recobriu, o que havia.

Escola Académica [c. 1900]
Calçada do Duque; entrada lateral da Estação do Rossio.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O largozinho a meio da calçada, onde desemboca a Rua da Condessa, era antes das obras últimas um sitio lindo, com um quid de nobreza e distinção, que em poucas paragens desta Lisboa se encontrava. Ao fundo, com umas heras pendentes, aqui, ali, um farto lanço da muralha guerreira d'el-rei D. Fernando. Lembra-me que havia lá no alto uma pequena porta ogival [vd. 2ª imagem], puro moyen age, e para que levava uma escadaria estreita, de lanços, ao rés da parede. Aquela linha extravagante e inesperada quebrava a extensão do muro, e compunha.
O pátio ajardinado e sombrio era o digno átrio de tão recatada residência, dominada pitorescamente pelas ameias da muralha feudal.

… Tour vieille, et maison neuve.

Aos lados da entrada, dentro do pátio, dois leões colossais, de pedra, que tinham pertencido á quinta do marquês de Ponte de Lima em Mafra. Todo o muro exterior junto ao portão fora pintado pelo nosso insigne e fantasioso Cinatti; eram rosaças e ornamento a claro escuro, e do mais apurado gosto.
Por dentro, que vivenda luxuosa e elegante! os belos salões caíam sobre uma densa mata chilreada, e desfrutavam, como pano de fundo, através da rota cortina verde florida dos arvoredos, a nobre vista da Alcáçova. O arquitecto foi o cenógrafo italiano Luiz Chiari, já então velhíssimo. O vestíbulo, que era oitavado, pintou-o o nosso André Monteiro, assim como a casa de jantar, adornada de caçadas e paisagens; finalmente foi o brilhante pincel de José Francisco de Freitas, que encheu de flores as paredes das salas, cujos magníficos espelhos tinham pertencido á rainha a senhora D. Carlota, e vindo do Ramalhão.
No palácio do sr. Caldas varias pessoas conhecidas habitaram, além dos proprietários que ali estiveram muitos anos.¹

Portão do antigo Palácio Caldas Aulete 
Largo formado pela Calçada do Duque com a Rua da Condessa
Desenho conjectural por J. Castilho

Em 1863António Florêncio dos Santos adquiriu toda a propriedade a Francisco Júlio de Caldas Aulete (1826—1878) — professor, lexicógrafo e solicitador da Casa Real, autor de diversos livros didácticos e iniciador do Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa —  que foi completamente transformada para nela instalar a Escola Académica (1847-1977).
A Escola Académica, inaugurava a 8 de Janeiro de 1865 na Calçada do Duque, com a presença da família Real, um edifício de quatro andares construído de raiz.
Esta Escola foi pioneira no nosso país ao reunir valências de instrução primária, secundária e profissional, num mesmo estabelecimento de ensino.
Desde 1927 pertence à CP (Comboios de Portugal).²

Largo formado pela Calçada do Duque com a Rua da Condessa [1946]
Portão do antiga Escola Académica, hoje C.P. (Comboios de Portugal).
Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ CASTILHO, Júlio de, A Lisboa Antiga, pp. 148-149, 1893.
² Revista universal Lisbonense.

Wednesday, 25 May 2016

Avenida Fontes Pereira de Melo: obras do Metropolitano de Lisboa

O primeiro projecto de um sistema de caminhos-de-ferro subterrâneo para Lisboa data de 1888, é da autoria do engenheiro militar Henrique de Lima e Cunha. Publicado na revista Obras Públicas e Minas, previa a um traçado que ligasse Santa Apolónia a Algés, com passagem pelo Rossio, São Bento, Janelas Verdes e Alcântara. O custo do empreendimento estava orçado em 500$000 réis por metro corrente de túnel. A proposta não avançou. 
Mais tarde, nos anos 20 do século XX, dão entrada na Câmara Municipal de Lisboa dois projectos, respectivamente, de Lanoel d’Aussenac e Abel Coelho (1923) e de José Manteca Roger e Juan Luque Argenti (1924), que não tiveram seguimento.

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1955 e 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa; Palácio Sotto-Mayor
Judah Benoliel,in Lisboa de Antigamente

Somente a partir da 2ª Guerra Mundial com a retoma da economia e no seguimento das políticas de electrificação e aproveitamento dos fundos do Plano Marshall, surge com plena vitalidade a decisão de se construir um Metropolitano para Lisboa. A sociedade é constituída a 26 de Janeiro de 1948 e tinha como objectivo o estudo técnico e económico, em regime de exclusivo, de um sistema de transportes colectivos fundado no aproveitamento do subsolo da cidade. A concessão para a instalação e exploração do respectivo Serviço Público veio a ser outorgada em 1 de Julho de 1949.

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1955 e 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

 Em Setembro de 1954, o Eng.º Francisco de Mello e Castro é nomeado presidente do Metro (cargo que desempenhou até ao final de Agosto de 1972). E no dia 18 é aberto o concurso para adjudicação das obras, material circulante e instalações fixas. As propostas são abertas em Dezembro e conduzem a um encargo total de 196 mil contos. 

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1955 e 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Os trabalhos de construção iniciaram-se em 7 de Agosto de 1955 e, quatro anos depois, em 29 de Dezembro de 1959, o novo sistema de transporte foi inaugurado. No dia seguinte, por volta das três horas da manhã, existiam filas intermináveis à porta das estações para utilizar o novo meio de transporte. A afluência foi tanta que algumas estações foram obrigadas, por motivos de segurança, a cancelar temporariamente a venda de bilhetes de forma a que os passageiros não invadissem o cais. Entre as principais atracções estavam as escadas rolantes da estação do Parque
A rede aberta ao público consistia numa linha em Y, com uma extensão de 6,5 quilómetros, percorridos por 24 comboios, e 11 estações, com dois troços distintos, Sete Rios (actualmente, Jardim Zoológico) – Rotunda (actualmente, Marquês de Pombal) e Entrecampos – Rotunda (Marquês de Pombal), confluindo num troço comum, Rotunda (Marquês de Pombal) – Restauradores.

Avenida Fontes Pereira de Melo [c. 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa; Praça do Duque de Saldanha
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A estação Rotunda (Marquês de Pombal) permitia a correspondência entre os dois primeiros troços. Foi um importante acontecimento para a cidade e constituiu um enorme êxito, tendo-se elevado a 15,3 milhões o número de passageiros transportados no primeiro ano de exploração. O Metropolitano de Lisboa era, ao tempo da sua inauguração, o 14.º da Europa e o 25.º no mundo. O pioneiro fora o Metropolitano de Londres, em 1863, a partir da ideia de Charles Pearson, o inventor deste meio de transporte.

Avenida Fontes Pereira de Melo [c. 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa; Palacete  Gabriel José Ramires; Rotunda  Praça Marquês de Pombal
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente
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