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domingo, 3 de maio de 2026

Largo de São Carlos que foi «do Directório»

[...] Desçamos a Travessa dos Teatros, cortemos a Rua da «Lucta» [hoje Rua dos Duques de Bragança/ Largo do Picadeiro] — convida Norberto de Araújo — e, pelas Escadinhas, entremos no antigo Largo de S. Carlos, desde 1911 chamado Largo do Diretório, em comemoração do facto de neste grande prédio, n.º 4 [vd. 3º imagem N.B.], ter estado instalada nos anos que precederam a proclamação da República, e algum tempo depois de 1910, a sede do Partido Republicano Português, e seu Directório.==

Largo de São Carlos que foi «do Directório» |c. 1900|
Ao fundo vêem-se as Escadinhas que levam à Rua Paiva de Andrada onde se observa a cerca do Palácio do Loreto e a torre sineira da Igreja de N. S. da Encarnação.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Neste Largo de S. Carlos que foi «do Directório» ergue-se o imponente teatro do mesmo nome, cujas fachadas laterais se prolongam pelas Ruas de Serpa Pinto e da Rua dos Duques de Bragança/Largo do Picadeiro. Foi construído no final do século XVIII, obedecendo ao risco do arquitecto José Costa e Silva, sob a inspiração do velho San Carlo, de Nápoles. Destinado à ópera lírica e bailados, a récita inaugural celebrou-se em 30 de Junho de 1793 com La Ballerina Amante, de Cimarosa.

Largo de São Carlos que foi «do Directório» |1911|
Descerramento da placa toponímica do antigo Largo do Directório.
Nota(s): Por edital de 1956, voltou a denominar-se Largo de São Carlos. passando o topónimo ao espaço envolvente.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. Foi nesta pequena Praça, no 4º esquerdo do nº 4, que nasceu a 13 de Junho de 1888 o escritor Fernando Pessoa. Situada na colina ocidental de S. Francisco, ao pé da zona do Chiado e um pouco mais abaixo da elegante Igreja dos Mártires, esta praça pequena e recôndita é uma síntese da Lisboa provinciana, se não aldeia — ainda que anos mais tarde o nosso poeta lhe chamasse «A minha aldeia» — e da Lisboa cosmopolita, pois num dos seus lados, paralelamente à não distante corrente do Tejo, fora construído o atrás mencionado Teatro de São Carlos.

Largo de São Carlos que foi «do Directório» |1925-07-25|
Praça sita entre as Ruas Serpa Pinto (dir., antiga Nova dos Mártires, 1885) e Paiva de Andrada (antiga do Outeiro, 1890).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, P
eregrinações em Lisboa, vol. XIII, 1939.
CRESPO,  Ángel, A vida plural de Fernando Pessoa, 1990.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Vendedeira ambulante de bolos

Chegada com seu burrico às ruas da Baixa Pombalina, a vendedora de bolos começa a preparar o equipamento necessário para montar o estaminé para a venda.

A Baixa de Lisboa, também chamada Baixa Pombalina ou Lisboa Pombalina por ter sido edificada por ordem do Marquês de Pombal, na sequência do terramoto de 1755, cobrindo uma área de cerca de 255 ha. Situa-se entre o Terreiro do Paço, junto ao rio Tejo, Rossio e a Praça da Figueira, e longitudinalmente entre o Cais do Sodré, o Chiado e o Carmo, de um lado, e a Sé e a colina do Castelo de São Jorge, do outro.

Vendedeira ambulante de bolos |1922-02-22|
Rua Augusta esquina com a Rua de Sao Nicolau. As portadas em ferro que se vêem ao fundo pertenciam ao antigo edifício do Banco Português do Atlântico, entretanto demolido.
Nota(s): local da foto não está identificado no arquivo.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Rua Garrett que foi «do Chiado»

Saiamos da freguesia dos Mártires — sugere Mestre Castilho — , não sem deitar uma vista de olhos à célebre rua dos elegantes lisbonenses, ao nosso Boulevard de Gand, à nossa Regent Street, ao nosso velho e falador Chiado, hoje crismado (bem mal a propósito, quanto a mim, salvo melhor juízo) em Rua de Garrett.

Antigamente essa grande artéria, que seguia desde o convento do Espírito Santo (palácio Barcelinhos) até à frente do palácio do marquês de Marialva (praça de Luiz de Camões), tinha em cima o nome de rua das Portas de Santa Catarina, e só era Chiado para baixo da rua da Cordoaria Velha (a nossa rua de S. Francisco). Ultimamente chamava-se a tudo, em linguagem oficial, rua das Portas de Santa Catarina, mas a denominação de Chiado invadira, e dominava no uso. Os janotas da casa Havanesa estavam tanto no Chiado, como os fregueses da loja do José Alexandre. O edital do Governo Civil de Lisboa, de 1 de Setembro de 1859, incorporou nesse nome os dois nomes seguidos da mesma rua, passando a chamar-se em toda a sua extensão rua do Chiado.

Rua Garrett que foi «do Chiado» |c. 1950|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): imagem sem data; local da foto não está identificado no arquivo

Esse nome do Chiado, destronado pelo do imortal Garrett, pelo edital de 14 de Junho de 1880, também tinha os seus foros, e não muito mesquinhos; foi injustiça desconhecer-lhos. Garrett presou-se de bom companheiro em letras; ¿porque o obrigou a Câmara Municipal a ser mau companheiro depois de morto? Tenham a certeza disto: se o pudessem consultar, pediria ele que deixassem quieto no seu lugar o velho Chiado, o poeta António Ribeiro Chiado, seu predecessor, e seu colega (se bem que muito somenos, é claro) na carreira literária. [Castilho: 1879]

Rua Garrett que foi «do Chiado» |c. 193-|
O Chiado durante Quinta-feira Santa.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 4 de janeiro de 2026

Elevador de Santa Justa e a formidável audácia do seu construtor

Quando há tempos se celebrou o centenário do nascimento de Eiffel, o famoso realizador de tantas obras de engenharia que assombraram o Mundo, no último quartel do século XIX, houve quem lhe atribuísse também a construção do elevador de Santa Justa.
Não é verdade.

O popular ascensor instalado no centro da Baixa é obra de um engenheiro português que, se não alcançou a fama de Eiffel, nem por isso é menos digno de ser recordado com simpatia e admiração por todos os portugueses.
Chamava-se ele Raúl Mesnier Ponsard (1848-1914). A origem francesa do seu apelido não invalida a sua qualidade de português. Embora descendendo de pais franceses, nasceu em Portugal (Porto) e aqui realizou toda a sua obra que é notável e merece ser lembrada.
Raúl Mesnier nascera com decidida vocação para a engenharia. Feitos os seus cursos com raro brilho, dedicou-se a pequenos inventos e aplicações mecânicas, tendo publicado diversas obras e realizado alguns aperfeiçoamentos em armas de fogo.
Mas, na realidade, ele nascera para dar vida às construções audaciosas que dominam o espaço, e essa tendência em breve se deveria manifestar.
Animado de ardor juvenil, traçou planos extraordinários, ideou construções grandiosas, tudo destinado a vencer as distâncias, a galgar as alturas.
Portugal, país montanhoso, acidentado, de grandes depressões e vertiginosas alturas, e Lisboa, em especial, construída sobre sobranceiras colinas, eram o campo em que a sua actividade e os seus projectos melhor podiam encontrar aplicação.
De princípio a sua energia, a sua audácia e o seu enorme espírito de iniciativa esbarraram contra a rotina, destino a que raramente são poupados os grandes inovadores. Consideraram-no doido, visto as suas concepções excederem a esfera das ideias de então.

Corte vertical do Elevador de Santa Justa, segundo projecto inicial do eng. Raúl Mesnier Ponsard

Mais tarde, quando a sua reputação já estava firmada, Raul Mesnier comprazia-se em recordar que tendo nesses primeiros tempos solicitado o auxílio do então poderoso banqueiro Moura Borges pouco faltara para que este lhe batesse.
Mesnier soube, porém, persistir e venceu. Os capitais, vencida a primeira desconfiança, começaram a afluír seduzidos pela audácia e clareza dos seus projectos. Assim se formou a base material indispensável à realização dos seus arrojados planos.
Em 1880 foi encarregado de dirigir a construção do elevador do Bom Jesus do Monte, em Braga, que foi o primeiro que se construiu no nosso País. Dois anos depois, as obras estavam terminadas, e eram feitas as experiências que alcançaram o mais lisonjeiro êxito, assegurando assim o futuro do novel engenheiro.
A seguir, em 1884, foi construído, sob o seu projecto, o elevador da Calçada da Glória. A este seguiram-se os do Lavra, da Estrela-Camões da Bica, e do Largo do Município, também conhecido como elevador da Biblioteca ou elevador de S. Julião,
Finalmente, no princípio deste século, Raul Mesnier empreendia a realização do elevador de Santa Justa ao Carmo que pode ser considerado o capítulo mais notável desta prodigiosa actividade desenvolvida no espaço de vinte anos apenas.

Elevador de Santa Justa (ou do Carmo)
A Torre de Santa Justa, como soberbo Miradouro.
Postais ilustrados, post.1902, in Lisboa de Antigamente

De facto, a construção deste ascensor foi a que mais contribuiu para consagrar os inegáveis méritos deste ilustre engenheiro. Mais de trinta anos volvidos sobre a sua inauguração, a enorme construção metálica não manifestava o mais leve sinal de velhice. Ainda hoje, a sua enorme torre e o extenso viaduto que liga esta às ruínas do Carmo, suscitam de quem visita Lisboa um olhar de admiração pelas suas proporções grandiosas. Décadas de progressos mecânicos incessantes nada diminuíram ao ascensor a sua primitiva imponência.
Começaram as obras com a construção da enorme torre metálica que, partindo das Escadinhas de Santa Justa, junto à Rua Áurea, se havia de erguer até ao nível do Largo do Carmo, ou seja, a uma altura de 32 metros aproximadamente.
Realizada esta primeira parte da obra e de modo que honra a indústria portuguesa, uma outra não menos complexa restava fazer estabelecer a ligação entre o tabuleiro da torre e a faixa de terreno situado a par das ruínas do mosteiro do Carmo. Para tal, tornava-se necessário lançar entre os dois pontos um viaduto e essa operação fizera surgir uma série de incidentes que só o engenho e persistência de Raul Mesnier lograriam vencer.
Este viaduto, como é sabido, partindo do tabuleiro da torre, passa sobre a Rua do Carmo, mais adiante sobre um prédio que era ao tempo propriedade do conde de Tomar, e vai desembocar no terreno que contorna as ruínas do museu do Carmo e estabelece ligação com o largo do mesmo nome.
Ora o problema seria de solução relativamente fácil se sobre o prédio em questão se pudesse estabelecer um ponto de apoio para o viaduto.
Mas, ou por insuficiente resistência do edifício ou por oposição do proprietário, o certo é que essa ideia não pôde ser posta em prática. Necessário se tornou por isso construir os fortes pilares que se encontram situados ao começo das escadinhas, junto à Rua do Carmo.

Elevador de Santa Justa (ou do Carmo)
Na «enorme torre de metal pintado de cinzento, o grande elevador» que «tem qualquer coisa de impressionante, de juslesvernesca, um ar de máquina para visitar a lua»...
Postal ilustrado, post.1902, in Lisboa de Antigamente

Por outro lado, a Câmara Municipal opunha-se a que nas obras a realizar fossem empregados tapumes ou andaimes que prejudicassem o trânsito intenso das importantes artérias interessadas.
Nestas difíceis circunstâncias, Raul Mesnier lançou mão dum processo curioso, cuja extrema simplicidade mais põe ainda em evidência as admiráveis faculdades do ilustre engenheiro.
Fez em primeiro lugar construir os pilares sobre o local em que ainda hoje se encontram, mas montados sabre uma espécie de charneira provisória que, após as obras terminadas, desapareceu para dar lugar ao fundamento fixo que hoje têm.
Nesta altura, os pilares, repousando sobre o seu pedestal articulado, achavam-se inclinados sobre a Rua Áurea e apoiavam-se contra a torre metálica já construída.
No sentido da altura da torre e fixado pelo meio ao pilar foi então construído o viaduto ou ponte com 25 metros de comprimento e cerca de vinte toneladas de peso.
O lançamento do viaduto fazia-se então da forma mais fácil possível: os pilares, que como dissemos se achavam inclinados e apoiados à torre eram puxados do Largo do Carmo até atingirem a posição vertical. Ao mesmo tempo, o tabuleiro que se encontrava ligado pelo meio aos pilares no sentido vertical era puxado do alto da torre pela extremidade inferior o que o obrigava a descrever um arco de círculo até ficar na posição horizontal estabelecendo assim a ligação entre a torre e o Largo do Carmo.

Elevador de Santa Justa (ou do Carmo)
A ponte, com decoração neo-gótica, tem 25 metros de comprimento.
Postais ilustrados, post.1902 e 1950, respectivamente., in Lisboa de Antigamente

Fixou-se o dia 31 de Agosto de 1901 — um sábado para a realização da difícil manobra. Foi de sensação em Lisboa o acontecimento. A complexa operação teve início às duas horas da tarde, presenciada por uma multidão ansiosa que de todos os pontos da Baixa e sobre os telhados vizinhos seguiu atenta as diversas fases da manobra.
Tudo correu como o grande engenheiro previra, demonstrando-se, assim, a justeza dos seus cálculos.
Durante cerca de três horas e meia a pesada massa de ferro descreveu os movimentos previstos até que a ligação se fizesse.
Pouco passava das cinco horas e meia da tarde quando a comunicação se estabeleceu. Foi um operário de nome Luiz Pinto de Oliveira a primeira pessoa que atravessou o viaduto, calcorreado depois por algumas gerações de passageiros desejosos de se furtarem às fadigas duma subida a pé pelo Chiado.
Para que nada faltasse a este espectáculo, que teve a assisti-lo alguns milhares de curiosos, foi ele interrompido por um incidente que, sem ter consequências, produziu enorme emoção. Foi o caso que em determinada altura da trajectória da ponte se notou que um fio eléctrico interceptava a passagem desta, de tal modo que o movimento não poderia continuar sem quebrar o fio, o que não se faria sem riscos para os que assistiam à manobra.
Uma extraordinária cena teve então lugar ante o pasmo de quantos acompanhavam as diversas fases do lançamento do tabuleiro. Viu-se dois aprendizes de cerca de quinze anos de idade saltarem para o tabuleiro que oscilava no espaço e, apoiando-se nas réguas metálicas que o formavam, treparem em direcção à extremidade superior a fim de desembaraçarem a ponte do imprevisto obstáculo. O fio eléctrico, porém, ficava nesse momento sob a face inferior do tabuleiro e, portanto, fora do alcance dos audaciosos aprendizes.
Um deles retrocedeu com o fim de buscar ferramenta, mas o outro mais destemido, passou o cinto em volta duma das réguas da ponte e fazendo dele apoio, debruçou-se no espaço, colheu o fio com as mãos e fê-lo passar para o lado oposto do tabuleiro, deixando desimpedido o caminho à enorme massa metálica que em breve retomava o seu vagaroso movimento. Chamavam-se os dois heróis desta aventura Luiz Pinto e Luiz Burra, «dois luízes de bom quilate», como então dizia o Diário de Notícias comentando o facto. Bem possível é que ainda vivam e que se ufanem dessa temerária proeza que deixou suspensa de emoção durante alguns momentos quási toda a Lisboa de há trinta anos.

Elevador de Santa Justa (ou do Carmo)
O último piso ergue-se a uma altura de 41 mt.
Postal ilustrado, post.1902, in Lisboa de Antigamente

Uma única nota discordante se registou neste surpreendente espectáculo de que Lisboa inteira falou durante muito tempo. Foi o protesto dos lojistas da Rua Nova do Carmo contra a escolha da hora para a manobra que em seu entender deveria ter-se realizado durante a madrugada. A enorme afluência de curiosos fizera paralisar, por completo o trânsito nas imediações do ascensor, dificultando o comércio e justificando esta "aclamação" a que os jornais da época fizeram referência.
Como dissemos, o lançamento da ponte realizou-se, no meio de grande pompa, em Outubro de 1901, na presença de el-rei D. Carlos. Em Junho do ano de 1902, teve Raul Mesnier a alegria de ver inaugurar-se o elevador que de então para cá tantos serviços tem prestado. E a caranguejola, como ele se comprazia em chamar-lhe, funcionou sempre às mil maravilhas.

Elevador de Santa Justa (ou do Carmo) quando ainda funcionava a vapor
 Um dos mais interessantes atractivos de Lisboa, de onde se abrange uma panorâmica que foge à vista do observador.
Postais ilustrados, post.1902, in Lisboa de Antigamente

N.B. Raúl Mesnier Ponsard (1848-1914), o homem que mais elevadores construiu em Portugal, é uma figura curiosa que mereceu ser recordada e que tem jus à nossa admiração.
O sonho de toda a sua vida foi sempre construir esses engenhos destinados a vencer as alturas. E morreu levando consigo o projecto, admiravelmente utópico, de reunir as sete colinas da cidade por gigantescos transportadores aéreos que passeassem no espaço, entre uma e outra extremidade da capital, os que assim pretendessem deslocar-se...==

Elevador de Santa Justa (ou do Carmo)
Autoria do engenheiro Raoul Mesnier du Ponsard e do arquitecto Louis Reynaud, foi inaugurado na tarde de 10 de Julho de 1902, fazia a ligação entre as Rua do Ouro e de Santa Justa e o Largo do Carmo. 
Postal ilustrado, post.1902, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
Arquivo nacional, 1940. Gazeta dos Caminhos de Ferro, 1902.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, 1939
JANEIRO, Maria João, Lisboa: histórias e memórias, 2006.
COSTA, Mário, O Chiado pitoresco e elegante, 1987
Guia de Portugal: 1924.

domingo, 1 de junho de 2025

Rua da Boavista

A origem do nome do sítio é projecção toponímica do Alto da Boa Vista, ou seja, ou Alto do Belver ou Belveder actual Alto de Santa Catarina. Não quero deixar de observar-te — recorda o ilustre Norberto de Araújo — que as edificações desta artéria da Boa Vista, do lado Sul, não levam cem anos (c. 1840). O edifício da Companhia do Gás sucedeu ao antigo Quartel da Brigada Real de Marinha. Foi aqui a primeira Fábrica do Gás, cujo privilégio concedido a Claudio Adriano da Costa e ao francês José Detry, datava de 3 de Maio de 1846. 

Rua da Boavista |ant. 1914|
O edifício do lado esq., até à esquina com o Boqueirão dos Ferreiros pertencia à «Companhia Lisbonense de Iluminação a Gaz»; em ampliando a foto observam-se, ao fundo, os sete arcos do do prédio nº 67 erguido pelo industrial Ferreira Pinto em meados do séc. XIX para «palacete de família, e constitui ainda a única nota decorativa urbana da Rua da Boa Vista.» [Araújo, 1939]
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no abandalhado amL

De facto, foi junto ao rio, meio de transporte privilegiado, que a «Companhia Lisbonense de Iluminação a Gaz» instalou, em 1846, a sua primeira fábrica de Gás; e, dois anos depois, em 1848, já Lisboa inaugurava a iluminação a gás, com 28 candeeiros, nas ruas da Baixa (Rua dos Capelistas, Rua do Ouro e Rua da Prata), no Chiado, na Rua do Alecrim, no Cais do Sodré, em S. Paulo e na Boavista.

Rua da Boavista |1940|
Companhias Reunidas de Gás e Electricidade: fachadas Norte e Oeste. Boqueirão dos Ferreiros.
Kurl Pinto, in Lisboa de Antigamente

Em 1914 deu-se na fábrica a formidável explosão que originou dezanove mortes, e o fabrico do gás passou então, inteiramente, para o Bom Sucesso — vizinhança da Torre de Belém — , onde ase manteve até 1949.

Rua da Boavista |1914|
Topónimo anterior ao terramoto de 1755, como vem mencionado nas Memórias Paroquiais.
Incêndio no edifício da Companhia de Gás.
Anselmo Franco, in Lisboa de Antigamente

domingo, 18 de maio de 2025

Rua António Maria Cardoso que foi «do Tesouro Velho» e «do Picadeiro das Portas de Santa Catarina»

Entremos pela Rua António Maria Cardoso — convida Norberto de Araújo — dístico que celebra o explorador africano do final do século passado [1890], e substituí o de «Tesouro Velho», designação anterior da artéria. 
Além Chiado, pelo lado Sul, as ruas tomaram, quási todas, os nomes dos exploradores dos sertões de África; assim por aqui se perpetuam Roberto Ivens, Hermenegildo Capêlo, Serpa Pinto, Paiva de Andrada, Vitor Cordon, figuras de sábios pioneiros africanistas. Diga-se, em abono da verdade, apesar de sermos pouco votados à substituição dos dísticos das ruas: se a Câmara um belo dia não houvesse determinado a colocação dos nomes daqueles homens nestas esquinas - talvez já ninguém se lembrasse deles. [Araújo: XI, 1939]

Rua António Maria Cardoso, antiga do Tesouro Velho [c. 1912|
A caminho do Animatógrafo Chiado Terrasse. Ao fundo vê-se a Rua Nova da Trindade.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

No final do ano de 1908, aparece o Salão Terrasse (depois Chiado Terrasse), "o novo animatógrapho, ao ar livre" na chiquérrima António Maria Cardoso (1890). Com a remodelação (1911) “de uma elegância extraordinária”, enceta a ideia dos cinemas feitos de raiz e torna-se a sala da moda.

Rua António Maria Cardoso, antiga do Tesouro Velho [c. 1912|
Em exibição o filme mudo "A Desterrada", no original "The Unwilling Bride", uma "coboiada" americana produzida pela "Pathé Frères" no longínquo ano de 1912.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O sr. Augusto, de maré, dá-lhes dinheiro e eles levam-na ao Chiado Terrasse. A Ryala, que nunca imaginou que tal coisa pudesse existir, enche a sala de brados de assombro e risos descompassados. Há uma comédia de Max Linder e uma fita de peles-vermelhas. Ao ver surgir pela frente em pleno Far-West, entre cavalgadas, frechadas e tiros, uma locomotiva que avança a todo o vapor sobre a audiência, não há quem a segure: um grito de terror, um salto de cabra, e a Ryala abala a fugir, para não ser esmagada pelo trén! Esta noite foi ela a heroína do Far-West ao alto do Chiado.
(Miguéis, José Rodrigues (1901-1980), A Escola do Paraíso, 1960)

Rua António Maria Cardoso, antiga do Tesouro Velho |c. 1912]
À dir. observa-se o Teatro S. Luis e, à esq., o muro do Palácio Quintela. 
O topónimo Rua António Maria Cardoso foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa, através de Deliberação Camarária de 06/02/1890 e Edital de 6/02/1890, à antiga Rua do Tesouro Velho.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. António Maria Cardoso, (1849—1900) foi um oficial da Marinha, deputado e explorador em África, na segunda metade do século XIX.1 Em 1882, na companhia de outros explorador, João de Azevedo Coutinho, realizou uma expedição cujas conclusões foram publicadas pela Sociedade de Geografia de Lisboa. Foi eleito deputado em 1890.

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Rua Garrett, antiga do Chiado

O topónimo Rua Garrett, foi atribuído no âmbito das Comemorações do tricentenário da morte de Camões em 1880 à velhinha Rua do Chiado.

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett (1799-1854). Iniciador do Romantismo, refundador do teatro português, criador do lirismo moderno, criador da prosa moderna, jornalista, político, legislador, Garrett é um exemplo de aliança inseparável entre o homem político e o escritor, o cidadão e o poeta. É considerado, por muitos autores, como o escritor português mais completo de todo o século XIX, porquanto nos deixou obras-primas na poesia, no teatro e na prosa, inovando a escrita e a composição em cada um destes géneros literários.

Rua Garrett, antiga do Chiado |1926-09-09|
Lojas na esquina da Cç. do Sacramento: Ao Último Figurino fund. 1910; a Antiga Casa José Alexandre fund. 1840; ao fundo os Armazéns do Chiado fund. 1894.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Legenda no arquivo: «Bando precatório a favor das vítimas do terramoto no Faial»

De origem irlandesa, a grafia do seu último apelido «garet» foi por ele próprio alterada na sua assinatura para «garrett» com o objectivo que as pessoas lessem a letra tê para pronunciar correctamente o seu nome como «garrete».

Rua Garrett, antiga do Chiado |1951|
Na imagem merecem destaque a antiga Tabacaria Estrela Polar , o Café Chiado à dir,  a Basílica dos Mártires e, encimando a foto, a Igreja de Encarnação.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Drogaria Progresso, à Polytechnica com a Rua da Penha de Fança

Penha de França (rua da) quarta á direita na rua da Escola Polytechnica, indo do largo do Rato e finda na travessa de Nossa Senhora da Conceição, freguezias de S. Mamede 1 a 61 e 28 a 82, Santa Izabel 2 a 26. [Velloso: 1869]

Drogaria Progresso |c. 1911|
Rua da Escola Politécnica, 109-113, com a Calçada Engenheiro Miguel Pais — dístico de 1948.
Antiga Calçada de João do Rio, antes Calçada da Penha de França e antes Rua da Penha de França.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Correia Pais (1825-1888) foi um engenheiro militar que alcançou a patente de Tenente- Coronel em 6 de Junho de 1868.
Trabalhou nas linhas do Caminho de Ferro do Sul e Sueste Em 1876 apresentou um projecto de uma ponte entre o sítio do Grilo - no Beato - e o Montijo, com um tabuleiro duplo para circulação ferroviária e rodoviária e na sua obra «Melhoramentos de Lisboa e Seu Porto» (1883-84) defendeu projectos como um túnel entre o Largo do Município e o Largo do Corpo Santo, um viaduto metálico entre o Largo do Caldas e o Chiado, uma avenida de 800 m entre a Rua da Misericórdia e o Palácio de S. Bento, um grande viaduto metálico entre o Monte da Graça e o Monte da Estrela ou uma linha de túneis entre o Largo do Intendente a Rua de S. Bento.

Drogaria Progresso (s/d) |c. 1905|
Fachada sobre a  Calçada Engenheiro Miguel Pais — dístico de 1948.
Antiga Calçada de João do Rio, antes Calçada da Penha de França e antes Rua da Penha de França.
"Especialidade de artigos para Photographia, Analyses e Embalsamamentos"
Arquivo MTD

domingo, 24 de março de 2024

Rua Nova do Almada, à Boa Hora

À direita, sul, desce a Rua Nova do Almada, artéria já existente desde 1665 — recorda Norberto de Araújo — ainda que, precisamente, não arruada e rectificada, como depois de 1755 o foi. Deu o nome à Rua Rui Fernandes de Almada, que foi presidente do Senado Municipal.

À semelhança das outras ruas do Chiado, também esta artéria foi conhecida pelas suas magnificas lojas de que se destacavam o «Eduardo Martins», a «Casa Batalha» e a «Pastelaria Ferrari», desaparecidas aquando do incêndio de Agosto de 1988.
Até aos anos 50, do século XX, também ali esteve a Igreja da Conceição Nova construída em 1698 e restaurada depois do Terramoto de 1755. O arquitecto da reconstrução foi Remígio Francisco de Abreu.

Largo da Boa Hora |1908|
Cruzamento das ruas Nova do Almada e de São Nicolau (esq.)
Vendedor ambulante de gelados
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): Foto erradamente catalogada no abandalhado amL como Rua do Loreto.
Rua Nova do Almada |1918|
Junto ao Largo da Boa-Hora
Luís Pastor de Macedo adianta que a Rua Nova do Almada foi criada por carta de lei de 17 de Junho de 1787.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Aqui temos o Largo da Boa Hora, com seu sinistro casarão do Tribunal, o repulsivo Tribunal da Comarca de Lisboa, actualmente em obras, mas que continuará. a ser, mesmo asseado e limpo, um aleijão, simulacro ridículo de um vago Palácio da Justiça — que, parece, nunca veremos de pé.==
(ARAÚJO, Norberto de, «Peregrinações em Lisboa», vol. XII, p. 90, 1939)

N.B. O topónimo Boa-Hora provém do Convento da Boa-Hora que hoje conhecemos no local como Tribunal da Boa-Hora.
A designação São Nicolau deriva da proximidade à antiga Igreja de S. Nicolau que foi reedificada pela primeira vez em 1280 e após o Terramoto, quase foi construída toda de novo, com obras que decorreram de 1780 a 1850.

Rua Nova do Almada |1967|
Junto ao Largo da Boa Hora
Vasco Gouveia de Figueiredo, in Lisboa de Antigamente
Rua Nova do Almada |1965-03|
Junto ao Largo da Boa Hora com a Rua de S. Nicolau
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Cais da Rocha Conde de Óbido: o "Hidenburgo" em Lisboa

Em 1936, pelas 12H330, o dirigível Hindenburg chega a Lisboa onde lançou cabos para recolher o correio destinado ao Rio de Janeiro. Horas antes, um avião Heinkel da Lufthansa deixara os sacos de correio vindos de Frankfurt. Lisboa já antes tinha sido visitada pelo "Graf Zeppelin" em 24 de Abril de 1929 [vd. 2ª imagem].
O dirigível Hindenburg, o maior e mais moderno dirigível do mundo, tinha 245 metros, era impulsionado por quatro motores Mercedes-Benz de 1.200HP cada e hélices de 6mt; possuía uma gôndola de 2 andares, com biblioteca, bar com piano, varanda, camarotes e restaurante para 80 pessoas. Era um luxo!

O "Hidenburgo" em Lisboa |7 de Setembro de 1936|
Cais Rocha Conde de Óbidos, junto à Ponte Giratória 
Fotografia DN, in Lisboa de Antigamente

Os dirigíveis alemães Zeppelins, designadamente o LZ 127 (Graf Zeppelin) e o LZ 129 (Hindenburg) realizaram voos notáveis que muito prestigiaram a indústria alemã. Todavia, o sucesso foi interrompido após a catástrofe que destruiu totalmente este último, em Maio de 1937, em Lakehurst (Nova Jérsia, EUA), durante uma violenta trovoada que provocou a explosão do dirigível pela electricidade estática acumulada. O dirigível estava cheio de hidrogénio, embora tivesse sido construído para actuar com hélio. Porém a escassez deste levou a que se optasse pela utilização de hidrogénio.
(in Grande enciclopédia portuguesa e brasileira, vol. VI, 1981)

O dirigível Conde Zeppelin sobrevoa Lisboa |24 de Abril de 1929|
Largo do Chiado 
Fotografia DN, in Lisboa de Antigamente

domingo, 24 de dezembro de 2023

A tracção eléctrica: o carro do fio e os guarda-fios

A tracção eléctrica — registava Alfredo Mesquita em 1903 — serve já hoje a cidade de Lisboa em todas as direcções. É um dos seus mais importantes e mais recentes melhoramentos. 

As nossas ruas estreitas não justificam de certo o emprego exclusivo dos condutores aéreos para a transmissão da energia eléctrica, sendo naturalmente indicado o sistema misto de condutores aéreos e subterrâneos como o mais adequado ás condições em que se encontram os arruamentos. Sob o ponto de vista estético, não se enriqueceu também a cidade com o emaranhado dos fios, que em muitos locais atingem o aspecto de verdadeiras redes, em outros o de enxugadouros.
 
Largo do Chiado |1926|
A tracção eléctrica:  o  "carro do fio" e os "guarda-fios". Igreja de Nossa Senhora da Encarnação.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Não é menos certo que os acanhados passeios das principais ruas comerciais, reservados ao trânsito dos peões, foram prejudicados com o pejamento á circulação que lhes resulta de terem sido destinados a alicerces das desgraciosas colunas a que se prendem os fios da rede. Mas é grande verdade, também, que o regímen da tracção eléctrica fez esquecer em absoluto, e com incontestável satisfação dos habitantes de Lisboa, o antigo regímen das mulas dos americanos, dos solavancos dos Ripert, das molas desconjuntadas do Jacinto, do Florindo, do Salazar e da Luzitana. . . E hoje a vista de alguma d'essas já raras carriolas, que ainda se arrastam pelas ruas da cidade, oferece um contraste deplorável a par d'um carro eléctrico comodo e veloz.

Praça do Comércio |1927-03-30|
Guarda-fios levantando as linhas.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A fábrica geral da electricidade está situada em Santos, nos terrenos conquistados ao Tejo. Tem uma área de 6.200 metros quadrados adquiridos ao Estado em hasta publica, por 62:000^000 réis. Sendo o terreno formado por aterro moderno, as fundações foram dispendiosíssimas. Está tudo assente em estacaria e num monólito de cimento que suporta os edifícios e máquinas.==

Avenida 24 de Julho |c. 1927|
À esq. nota-se a Estação geradora de Santos.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
MESQUITA, Alfredo. Lisboa, pp. 526-527, 1903.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Rua Garrett: a «ladeira vaidosa»

Chiado às quatro horas da tarde, quando os amanuenses vêm para cima e as cocottes vão para baixo. [Ortigão: 1889]


Afinal ele não é uma designação — é um código de costumes. Não é uma rua — é um índice de Lisboa». As palavras são de Norberto de Araújo, das Legendas de Lisboa, e definem o Chiado, a tal «ladeira vaidosa» de Ramalho Ortigão ou a «personificação de Lisboa elegante» de Júlio de Castilho. Quantos não foram os poetas e escritores que ao Chiado se referiram em termos semelhantes? Estamos, pois, num dos «píncaros do mundo» e quem o afirma é Guerra Junqueiro. No Chiado, «instituição profundamente gomosa», se «exibem as raridades do sport e a fina essência da elegância», e Fialho de Almeida sabia-o. O conselheiro Acácio, este, «aprumava a estatura» ao descer o Chiado e Artur Corvelo, que deixava a Capital, «ia devorando com os olhos os lugares que amava: a Casa Havanesa, a janela do seu quarto, lá em cima no [hotel] Universal [prédio dos Armazéns do Chiado] — que ferro ir-se!»

Rua Garrett |1912|
Antiga do Chiado: a "Ladeira Vaidosa"
A elegância das modistas; Tabacaria Estrela Polar na esquina com a Rua Ivens.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Rua Nova da Trindade

A Rua Nova da Trindade de hoje [rasgada em 1836 após demolição do antigo Convento da Trindade], no lanço do Chiado até aqui defronte do Teatro [do Gimnásio], do lado da bilheteira, chamava-se — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , Rua Tv. do Secretário da Guerra; esse troço corresponde ao antigo, que se prolongou até S. Roque, abrindo-se a Rua Nova da Trindade (1836). [...]
Por aqui erguiam-se vários palácios, de que hoje não há vestígios; o Terramoto no Carmo e na Trindade, como nas Pedras Negras, para não falar na Baixa, rasoirou tudo, nivelou, terraplanou, depois de haver reduzido a cisco riquezas e curiosidades.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa», vol. VI, p. 70, 1938)

Rua Nova da Trindade [c. 1900]
À esquerda, a seguir ao estaminé «Depósito de Vinhos», vêem-se as fachadas do «Teatro do Gymnasio (1846)» e do «Teatro da Trindade (1867)», respectivamente; à direita, a Travessa da Trindade e, encimando a imagem,
 nota-se o Palácio Trindade.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): Esta foto encontra-se, errada e incompetentemente, catalogada no abandalhado amL como Rua da Oliveira ao Carmo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Rua de Entrecampos, passagem de nível

Pela Rua de Entrecampos — diz Norberto de Araújo — antiga Estr., que ligava o Campo Grande e o Anco do Cego, vai seguir a nossa jornada.
Antes da linha férrea encontramos, à direita, o primeiro Chafariz da Peregrinação de hoje, uma meia rotunda discreta. [...] Defronte corre uma Travessa Henrique Cardoso, dístico de Junho de 1926.
À esquina, e contigua ao apeadeiro de Entrecampos — em verdade uma pequena estação, ampliada e alindada em 1918 — está ainda uma velha «Adega Arco do Cego» [hoje é lá um restaurante], que data de 1892, último abencerragem dos retiros a par da Praça de Touros.

 Rua de Entrecampos (S→N), passagem de nível |c. 1950|
Refira-se que esta passagem de de nível e o apeadeiro se situavam junto à Travessa Henrique Cardoso (antiga Azinhaga  da Ceboleira) actualmente encurtada e passando, neste troço junto à  Rua de Entrecampos, a designar-se Rua Infante Dom Pedro.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Esta artéria que se estende pelas freguesias de Nossa Senhora de Fátima, de São João de Deus e de Alvalade, do Campo Pequeno à Avenida dos Estados Unidos da América, era a antiga Estr. de Entrecampos, quando esta zona era extramuros da Lisboa Antiga.
No n.º 1 deste arruamento viveu e faleceu em 13 de Julho de 1885, Matias Ferrari, o dono da Pastelaria Ferrari e arrendatário do Marrare do Polimento, ambos estabelecimentos do Chiado. [cm-lisboa.pt]

Rua de Entrecampos(N→S), passagem de nível |c. 1960|
Observe-se, à dir,. o muro em forma de meia-laranja do citado Chafariz de Entrecampos.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 67-68, 1939.
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