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Friday, 7 June 2024

Sítio de São Paulo

Segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo, o sítio de São Paulo «Foi de seu princípio ribeirinho, sítio mercadejador, piedoso e turbulento. É coevo do Cata-que-farás e dos Remolares, vizinho actual da Ribeira Nova. (...) Remonta ao quinhentismo, extramuros. Em 1550 não contava como freguesia; existia como formigueiro de mareantes. (...)» [Araújo: 1939]

Rua de São Paulo |1963-07|
Junto à Calçada da Bica Grande
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente

freguesia de S. Paulo foi fundada em 1412 reedificada em 1512 e arruinada pelo terremoto do 1755 foi novamente reedificada em 1757.

Paulo (praça de S.) fica entre as ruas de S. Paulo, nova do Carvalho, travessas do boqueirão da Ribeira Nova, de S. Paulo e beco do Carvalho, freguezia de S. Paulo 1 a 22.
Paulo (rua de S.) principia na rua do largo do Corpo Santo e finda na calçada de S. João Nepomuceno e rua da Boa-Vista, freguezia de S. Paulo 36 à 260 e 21 a 129, Martyres 2 a 34 e 1 a 19.
Paulo (travessa de S.) segunda á esquerda no largo de S. Paulo, indo da rua nova do Carvalho e finda na rua da Ribeira Nova, freguesia de S. Paulo 2 a 14 e 1 a 13. [Velloso: 1869]

Praça de São Paulo (lado S.) |c. 1930|
Esquina com a Tv. de S. Paulo
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

No meio da Praça está um pequeno chafariz mandado fazer pela Camara Municipal e concluído no ano de 1849. A igreja (arq-º Remígio Abreu) tem na fachada as imagens de S. Pedro e S. Paulo feitas pelo insigne escultor António Machado. 

Rua e Praça de São Paulo (lado S.) |c. 1911|
Igreja de São Paulo
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Monday, 27 July 2015

Rua Nova do Carvalho

Carvalho (Beco do) — Ou Rua Nova do Carvalho. Anteriormente ao terramoto de 1755, havia na freguesia de S. Paulo um beco denominado «da Carvalha».¹ Corria na direcção N. S., e ficava «entre a rua direita de S. Paulo e a da Praia [de S.Paulo?]». Tinha de comprimento 79 varas, 2 p. e 7/10, e de largura 2 varas, 4 p. e 9/10 [vd. N. do A.]. É provável reminiscência desta denominação transmudado o género, a da actual «Rua Nova do Carvalho», a qual, conquanto lançada na orientação oposta, deve avizinhar o poiso do antigo beco referido.
¹ «Que antigamente chamavam do Varão» , diz Carvalho da Costa [1712].
(BRITO, Gomes de) Ruas de Lisboa. Notas para a história das vias públicas, 1935)

N. do A. A «vara» correspondia a 110cm e o «pé» a 0.33cm.

Rua Nova do Carvalho, lado nascente.|c. 1940|
Denominado Arco Pequeno, sendo  o Arco Grande o da Rua de S. Paulo; Rua do Alecrim
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
 
A Rua Nova do Carvalho, que liga a Travessa do Corpo Santo à Praça de São Paulo, na zona do Cais do Sodré, tal como a Travessa do Carvalho, evoca a família do Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo, responsável político pela reconstrução de Lisboa após o Terramoto de 1755 e, sobretudo o seu irmão Paulo de Carvalho e Mendonça.
O plano urbanístico de Pombal resolveu a forte inclinação da vertente da Rua do Alecrim, prolongando-a numa espécie de ponte em dois grandes arcos sobre a Rua de São Paulo e a Rua Nova do Carvalho e, este projecto mereceu especial atenção do Marquês de Pombal (1699-1782) que encarregou o seu irmão Paulo de Carvalho e Mendonça (1702-1770), que foi Monsenhor da Patriarcal de Lisboa, Inquisidor-mor e Presidente do Senado da Câmara (1764), da administração das obras da Praça, a par de outras obras de primeira importância para a cidade, como os Paços do Concelho, o Depósito Público e o Cais da Ribeira.
 
Rua Nova do Carvalho, lado poente.|c. 1947|
Denominado Arco Pequeno, sendo  o Arco Grande o da Rua de S. Paulo; Rua do Alecrim
Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Para que a Rua do Alecrim descesse até à margem do Tejo e obtivesse assim uma formosa entrada — diz Pinho Leal no seu Portugal antigo e moderno — , foi preciso ao insigne arquitecto da nova Lisboa, Eugénio dos Santos Carvalho, vencer a grande dificuldade que lhe apresentava o terreno, na quebrada do Sul da rua.
Para isto concebeu, desenhou e executou arco (viaduto) que passa sobre a Rua de S. Paulo, por cuja circunstância se lhe deu o nome de Arco de S. Paulo (ou Arco Grande). Este arco, de ponto abatido e a ponte toda obliqua, a sua solidez e elegância, constituem esta obra um primor de arte neste género.
Pouco mais abaixo deste arco, há outro (denominado Arco Pequeno) que dá passagem à rua inferior (Nova do Carvalho). Estes arcos tinham primeiramente as guardas feitas de parede: hoje têm boas e solidas grades de ferro.
(PINHO LEAL, Augusto Soares de Azevedo de, Portugal antigo e moderno, 1874)

Sunday, 4 December 2022

Praça de São Paulo

Segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo, o sítio de São Paulo «Foi de seu princípio ribeirinho, sítio mercadejador, piedoso e turbulento. É coevo do Cata-que-farás e dos Remolares, vizinho actual da Ribeira Nova. [...] Remonta ao quinhentismo, extramuros. Em 1550 não contava como freguesia; existia como formigueiro de mareantes. [...]


Em 1742 começa a designação de Bairro dos Remolares, e nele estão S. Paulo e Mártires; em 1820 subsiste o bairro dos Remolares com a freguesia de S . Paulo. E faz agora [em 1939] aproximadamente um século que S. Paulo pertencia ao bairro do Rossio, para em 1852 pertencer a Alcântara.

Praça de São Paulo, poente [entre 1901 e 1910]
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

As voltas que a divisão administrativa dá! Finalmente, em 1867, é freguesia civil independente, com três paróquias eclesiásticas: S. Paulo, Mercês e Santa Catarina, para em 1885 deixar de ser a sede civil, que passou para Santa Catarina. Hoje é a freguesia civil do Marquês de Pombal [actualmente pertence à freg. da Misericórdia], qualificação post-República, por ter sido o Marquês quem reconstruiu o bairro, e nele foi importante senhorio. [Araújo; XIII, 1939]

Praça de São Paulo, sul [1935-03-13]
Chafariz de São Paulo
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente 

Friday, 1 April 2016

Rua de São Paulo, Arco de São Paulo

Segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo, o sítio de São Paulo «Foi de seu princípio ribeirinho, sítio mercadejador, piedoso e turbulento. É coevo do Cata-que-farás e dos Remolares, vizinho actual da Ribeira Nova. (...) Remonta ao quinhentismo, extra-muros. Em 1550 não contava como freguesia; existia como formigueiro de mareantes. (...)

Rua de São Paulo (nascente), Arco de São Paulo [séc. XIX]
Carro «Americano», anterior à electrificação da linha que só ocorreu c. 1901.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Peço-te, antes de encerrarmos este passo de jornada, que atentes bem na fisionomia dos prédios do lado Norte da Rua de S. Paulo, na ala paralela à linha do eléctrico. Têm ainda qualquer cousa de pitoresco e de ingénuo, integrada na fisionomia pura pombalina desta área; são relíquias modestas do primeiro período da reedificação da Rua de S. Paulo, cuja artéria, como aliás a Praça, não correspondem à topografia da primeira metade do século XVIII. E já agora, contempla o semblante das lojas dos adelos, em série, como em «rua direita» da provincia. Aspecto único em Lisboa. Pois bem curioso é este sítio de S. Paulo — lisboetazinho puro
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, pp. 59-62, 1939)

Rua de São Paulo (nascente), Arco de São Paulo [190-]
Posterior à electrificação da linha, são visíveis os postes das catenárias junto ao arco.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Saturday, 2 April 2016

Igreja e chafariz de São Paulo

A igreja de S. Paulo assenta sensivelmente no local da primitiva, mas com outra orientação, pois tem a  porta principal voltada ao Nascente e  a de templo anterior olhava o  Poente. O arquitecto foi Remígio Francisco de Abreu, que fez desaparecer o adro com o cruzeiro, o qual se situava defronte do Forte de S. Paulo, actual praça de D. Luís I. [Araújo: 1955]


A zona de São Paulo sempre foi uma zona comercial preferencial e por isso mereceu particular atenção após o terramoto de 1755. A primitiva igreja de São Paulo que ficou destruída pelo incêndio do sismo, teve o seu projecto de reedificação realizado pelo arqº Remígio Francisco (com início em 1768) que seguiu o traçado adoptado no Convento de Mafra. Aliás, aqui se formaram os principais engenheiros e arquitectos que foram responsáveis pela reconstrução da cidade após o terramoto.
A nova Igreja de São Paulo apresenta uma só nave com uma fachada virada para nascente [a primitiva estava voltada ao Poente]. O corpo central é limitado por pilastras dóricas e ladeado por torres. No frontão triangular, um medalhão apresenta a conversão de São Paulo.
No interior do templo encontramos oito capelas laterais, sendo a nave revestida de mármores polícromos.


Igreja e chafariz de São Paulo |190-|
Praça de São Paulo
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente


O Chafariz de São Paulo, inaugurado a 29 de Outubro de 1849, era requisitado à muito pela população local, alegando que o Chafariz da Esperança era muito longe. O projecto deste chafariz deve-se ao arquitecto do Senado Malaquias Ferreira Leal, datando do ano anterior. Orçou em 3:204$895 réis. 

Igreja e chafariz de São Paulo |entre 1908 e 1914|
Praça de São Paulo
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente

A partir de 26 de Fevereiro de 1850, uma das suas bicas foi destinada aos marinheiros que tinham de trazer o barril identificado com a letra e número do seu respectivo navio. Tinha quatro bicas, duas Companhias de Aguadeiros, dois capatazes e cabos, sessenta e seis aguadeiros e um ligeiro em 1851.   [Velloso d' Andrade: 1851]

Igreja e chafariz de São Paulo, aguadeiros |1907|
Praça de São Paulo
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Friday, 22 July 2016

Ascensor da Bica

O Ascensor da Bica, também conhecido por “Elevador da Bica”fazendo a ligação entre a Rua de S. Paulo e o Largo do Calhariz (Calçada da Bica Pequena; Largo de Santo Antoninho; Rua de São Paulo)é um dos elementos mais pitorescos da cidade de Lisboa, atravessando o popular Bairro da Bica. Construído pela Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa, sob projecto do Eng.º Mesnier du Ponsard, foi inaugurado em 1892.

Ascensor da Bica [1933]
Os novos elevadores.
  A Rua (Calçada) da  da Bica constitem o eixo central do bairro da Bica, cujo topónimo procede de uma área abundante em água distribuída por fontes e chafarizes.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Trata-se de um equipamento de transporte urbano constituído por 2 carros, ligados por um cabo subterrâneo, que sobem e descem alternada e simultaneamente ao longo de duas vias paralelas de carris de ferro. Movido inicialmente a água e pelo sistema de tramway-cab, passou da locomoção por contrapeso de água à locomoção a vapor, em 1896, conhecendo a sua total electrificação, somente, em 1914. O Ascensor da Bica e o seu meio urbano envolvente estão classificados como Monumento Nacional.

Ascensor da Bica [1909]
O velho ascensor junto ao Largo do Calhariz.
Joshua Benoliel, in Illustração Portugueza

No 10 de Junho de 1882, na sala das sessões da Câmara Municipal de Lisboa, o presidente José Gregório da Rosa Araújo, leu um ofício do engenheiro-chefe da repartição técnica, Frederico Ressano Garcia, em que se indicavam as condições a impor para se conceder, a Raul Mesnier de Ponsard, engenheiro distinto, «licença para o estabelecimento e exploração de diversos planos inclinados no interior da cidade». A vereação concordou e resolveu lavrar o termo da concessão.

Ascensor da Bica [c. 1923]
Calçada da Bica Pequena; Largo de Santo Antoninho
Fotografia anónima, in Lisboa de Antigamente

Na Bica, o assentamento da linha começou em dia de finados deste mesmo ano [1890]. Durante meses houve dificuldades e atritos com a Câmara; umas pela estreiteza e diferentes declives da rua e os outros pela construção do colector de esgotos, atrasaram muito os trabalhos; em fins de Maio, um director, em telegrama a Mesnier, dizia : «Estou em braza»; não admira: era Verão ...
Finalmente, a vistoria foi requerida em Março de 1892; e a inauguração fez-se numa terça-feira, véspera de São Pedro. Cada viagem custava : 1 vintém para cima e 10 réis para baixo. Os bancos dos carros eram colocados «em plateia» e pensava-se instalar um restaurante à entrada pela Rua de S. Paulo.

Ascensor da Bica [1945]
Calçada da Bica Pequena; Largo de Santo Antoninho (Escadinhas)
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Depois de, em 1916, se ter dado um grave acidente na Bica, vindo um carro pela linha abaixo, em grande velocidade, romper o guarda-vento de S. Paulo e atravessar a rua, este elevador esteve anos sem funcionar. Em 1923, o senado municipal convida a empresa a pô-lo de novo em movimento. A direcção ainda tentou dissuadi-lo, alegando que durante muitos anos tinha conservado o elevador em circulação, apesar do prejuízo que sofria; mas a exploração dele era muito perigosa por ser a rua muito estreita e sempre cheia de crianças.
«De resto», acrescentava a Ascensores, «o elevador da Bica aproveita a tão diminuto número de passageiros que é preferível melhorar as condições de viação de outras linhas». Falta de previsão: a «Bica», em 1952, transportou nada menos que 1 milhão e 597 mil passageiros. [1]

Ascensor da Bica [1963]
Rua de S. Paulo
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

[1] Olisipo: boletim do grupo «Amigos de Lisboa", 1954.

Thursday, 16 February 2017

Igreja de S. Francisco de Paula

E chegámos à Igreja conventual de São Francisco de Paula, agora considerada, no seu todo, monumento nacional. Foi aqui o convento dos Religiosos Mínimos de S. Francisco de Paula, fundado em 1719 por Fr. Ascenso Vaquero, um leigo andaluz, e engrandecido. em 1753, por assistência de D. Mariana Vitória, Rainha, mulher de D. José I, cuja igreja quási totalmente se lhe deve. O Terramoto em pouco ou nada danificou Convento e templo. Quando da extinção das Ordens já os frades mínimos aqui não estavam desde 24 de Julho do ano anterior; a igreja não foi profanada, mas a casa conventual, nova quási em folha, foi vendida a particulares.
A fachada de S. Francisco de Paula, como vês, tem elegância e certa imponência decorativa; é obra do arquitecto Inácio Oliveira Bernardes, sendo as formosas torres devidas a Diogo Azzolini. Duas portas laterais conduzem por uma escada dupla, coberta e já integrada no edifício, até ao adro no qual se abre a porta da igreja; nos patins superiores da escadaria há dois nichos por banda, vazios, coroados por ática.

Igreja de São Francisco de Paula |c. 1860|
Rua Presidente Arriaga¹
Amédée de Lemaire-Ternante, 
in Lisboa de Antigamente

O interior, forrado de ricos materiais, contém o túmulo da rainha, mulher de Dom José. O túmulo da rainha Dona Mariana Vitória, esculpido por Machado de Castro e existente na igreja, está classificado como Monumento Nacional.

Túmulo da rainha Dona Mariana Vitória

Nota(s):
¹ «Igreja de São Francisco de Paula» e não «Igreja de S. Paulo» como refere o arquivista do CPF. Infelizmente os dislates não se ficam por aqui, prossegue o dito cujo: «Nesta fotografia não estava ainda aberta a Rua Direita de S. Paulo ou a Travessa de S. Paulo. É possível ver as pessoas na varanda da casa ao lado, bem como um carro de bois à entrada da mesma». E o tuga paga ao incompetente funcionário e não bufa!
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII pp. 57-58, 1938.
monumentos.pt.

Wednesday, 27 September 2017

O sítio dos Remolares

Pois, dilecto, estamos de novo nos Remolares área de S. Paulo  e da Ribeira Nova. Entramos, outra vez, no movimento da Lisboa marítima, no pitoresco desfigurado.

Vale uma pausa.


Um dos sítios da nossa Peregrinação — afirma Norberto de Araújo — ao qual já ligeiramente me referi — os Remolares — perdura ainda em reminiscência viva nos dísticos de uma Rua e de uma Travessa. Mas em verdade a designação oral sucumbiu, como sítio. A Ribeira Nova, mais a poente, e em cujo Largo finda a Rua dos Remolares, tomou-lhe o lugar. Ninguém diz: «eu moro nos Remolares», tomando assim as serventias por sítio. Mas diz-se: «fui à Ribeira Nova» ou «ele é muito da Ribeira», sem que esta maneira de dizer queira referir-se ao Mercado.

Rua dos Remolares com a Travessa dos Remolares |1858|
Do lado esquerdo vê-se o antigo Mercado da Ribeira Nova¹ (actual Mercado 

da Ribeira) e, ao fundo, o extinto forte de S. Paulo onde hoje se situa 
a Praça de D. Luís I.
Amédée de Lemaire-Ternante (atrib.), 
in Lisboa de Antigamente

Neste sítio existiu [hoje ocupado pela Praça D. Luís I] o Forte de S. Paulo [vd. mapa abaixo], um dos teóricos baluartes seiscentistas de defesa marítima de Lisboa, e cujos restos começaram a ser demolidos em Janeiro de 1865, já depois de delineada, em plano, a Praça nova. Poucos anos depois o local estava arborizado.

Travessa dos Remolares com a Rua dos Remolares |c. 1913|
Perspectiva tirada da  Rua Nova do Carvalho (N→S)
Joshua Benoliel, 
in Lisboa de Antigamente

«Sítio dos Remolares» — Rua e Travessa dos Remolares (cor laranja) |1856|
Da dir. para a esq.: antigo Mercado da Ribeira Nova (vermelho), antigo Forte  de S. Pauulo (azul), futura Praça D. Luís (verde) e antiga Fábrica de Gás da Boavista (negro)-
Levantamento topográfico de Lisboa, sob direcção do Eng.º Filipe Folque, 
in Lisboa de Antigamente

Nota(s):
¹ «Ribeira Nova» e não da «Ribeira Velha» como refere o arquivista do CPF. O mercado da «Ribeira Velha» ocupava terrenos em frente à Casa dos Bicos vulgo Campo das Cebolas. Mas os disparates não se ficam por aqui. Acrescenta o autor: «Nesta fotografia pode ver-se ao fundo uma praça que deu abertura para o mítico Cais do Sodré. Pode ver-se ao fundo a Sé Catedral (sic)». É caso para dizer «nem sabes para onde estás virado», já que a imagem é voltada a poente, e não a nascente, como é sugerido; de qualquer modo seria de todo impossível ver a «Sé Catedral» a partir da Rua dos Remolares, quando muito, poder-se-ia ver a Basílica da Estrela. O que se consegue observar distintamente, isso sim, são as chaminés da antiga Fábrica de Gás da Boavista.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, pp. 55-58, 1939.

Sunday, 2 January 2022

Alameda de S. Pedro de Alcântara

Nos séculos velhos — recorda Norberto de Araújo —  estes campos, muito em declive para os lados da Avenida [Liberdade] de hoje, de semeadura e de olival, altaneiros sobre o esteio do rio Valverde, depois feito charco até enxugar de todo. Já o Bairro Alto oferecia certa pompa urbanista incipiente com casas, alguns palácios, igrejas, conventos e ruelas alinhadas, ainda verdejantes sobre os restos da Quinta dos Andrades — e isto , S. Pedro de Alcântara, era um arrabalde contemplativo.
Na lomba, aos pés das Taipas de hoje, elevava-se casario, e estava desenhada a encosta da Glória, depois Calçada formalizada nos roteiros. Mas cá em cima, num plano irregular, circundada de chãos que eram de particulares, desagregados dos prazos pertencentes a Santa Maria (Sé) e a Santa Justa, o «cômoro», planície que olhava, como hoje, a Lisboa velha, não tinha foros de alameda.

S. Pedro de Alcântara no primeiro terço do sé. XIX [1821]
Neste desenho observa-se, à direita, a torre ou cúpula da Mãe de Água (1) e o Chafariz de S. Pedro (2) (hoje sito na Cç. da Glória),  distinguindo-se igualmente a igreja e o Convento de S. Pedro de Alcântara (3), e o Palácio do Marquês de Santa Iria (4), assim como a velha  muralha e parte do terreno do antigo sequeiro de S. Roque (parte do actual largo Trindade Coelho) . Na parte inferior, do lado esquerdo, notam-se algumas casas do Bairro da Glória.
Desenho por Luiz Gonzaga Pereira, in Lisboa de Antigamente

Realizavam-se por aqui passeios domingueiros, e fazia-se uma feira ou arraial que durou do começo de setecentos precisamente a 1812, ano em que foi proibida.
Do lado edificado, este à nossa direita, levantavam-se dois palácios, algumas casas, um hospício de Clérigos e um Convento de Arrábidos. Em 1732, a Câmara Municipal comprou estes terrenos, onde hoje está a Alameda, a um Fernão Pais, que os adquirira de André Dias, por tal sinal genro do navegador João da Nova. E comprou-os para aqui fazer uma grande «Mãe de Água» — variante das Águas Livres – destinada, por um aqueduto, a abastecer a Cidade Oriental, aqueduto que passaria sobre o vale, a futura Avenida. Construiu-se, e não foi imediatamente. (1752), a muralha sobre as Taipas, e fez-se obra de alvenaria neste local, com aquele bem intencionado propósito. Mas a ideia do aqueduto, aliás esboçado, não prosseguiu.
É esta a origem da Alameda de S. Pedro de Alcântara.

Alameda de  São Pedro de Alcântara [1909]
O gradeamento, que ainda hoje ali se encontra, veio do Palácio da Inquisição do Rossio, ou dos Estaus, actual Teatro D. Maria.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A água, contudo, foi trazida desde Campolide para S. Pedro de Alcântara, e em 1754 já existia um chafariz de cinco bicas, defronte, pouco mais ou menos do Recolhimento [de S. Pedro de Alcântara] hoje de pé, à esquina curva. Este chafariz foi passado, em 1833, para o começo da Rua das Taipas – espécie de meia circunvalação de S. Pedro de Alcântara – e mais tarde arrumou-se onde está hoje [c. 1880], no princípio da Calçada da Glória.
Isto passou a ser um monturo de pedregulhos e de imundícies, vala de despejo de animais mortos, a contrastar com a bonita e verdejante encosta que caía mais para o lado de S. Roque, sobre o fundo de Valverde, depois Passeio Público, justamente a Quinta do Marquês de Castelo Melhor.
Finalmente, nas primeiras décadas do século passado — há cem [180] anos — a Câmara começou a pensar a sério em S. Pedro de Alcântara.
Aí por 1830 estava instalado nos baixos do Palácio Ludovice, defronte da Calçada da Glória, um Quartel da Guarda Real da Polícia, e as cavalariças situavam-se aqui no recanto da Alameda, hoje tabuleiro superior, encostado ao pátio do actual Park Hotel [Rua D. Pedro V, 2 actual edifício da SCML], e a cair sobre as Taipas. Foram os oficiais que promoveram a arborização do local, que os seus soldados terraplanaram.
A Alameda de S. Pedro de Alcântara data de 1840.

Alameda de  São Pedro de Alcântara [1909]
Rua de S. Pedro de Alcântara e Rua das Taipas
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Do muito que haveria a dizer – isto basta a uma ideia rápida da evolução do sítio.
Fizeram-se dois terraplanos — o do Passeio, em cima , e o do jardim em baixo, sendo as grades colocadas em 1864, porque a muralha, com a altura de vinte metros sobre as Taipas era uma atracção dos suicidas (parte do gradeamento pertencera ao Palácio da Inquisição ao Rossio). O lago ou tanque da Alameda veio dos jardins do Paço da Bemposta. [...]
S. Pedro de Alcântara teve o seu período de moda. Era o «Passeio», a «Alameda», o «Jardim» de S. Pedro de Alcântara, com a sua ingenuidade alfacinha, e o seu traço espiritual de romantismo.

Fotografia aérea da zona do Bairro Alto e de  São Pedro de Alcântara [1950]
Igreja de São Roque; Rua de S. Pedro de Alcântara: Rua das Taipas
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, p. 114-115, 1938. 

Sunday, 30 July 2023

Rua de São Julião (ou S. Gião) que foi dos «Algibebes»

Já agora, duas palavras, Dilecto, acerca desta tão alfacinha — tão olisiponense, o que empresta à frase um sentido mais elevado — Rua de S. Julião. Foi das mais antigas, como sítio ao menos — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , desta Lisboa, da Ribeira, e chegou ao século XVI enfeixada de pitoresco e de carácter. «S. Gião» ficou na literatura e no teatro [vd. Nota(s)], certo como é a sua paróquia advir pelo menos de 1222 — alguns recuam a 1201— , «uma das primeiras e mais opulentas da cidade»..

O sítio de S. Julião deveu o nome à Igreja medieval, onde é tradição que recebeu baptismo Pedro Julião— eleito Papa João XXI em 1276— , e que foi a paróquia do Paço da Ribeira. [...,] O Terramoto deu cabo dela. O Largo de S. Julião, que caía sobre o chão que deu a Rua dos Retroseiros [Conceição] — sumiu-se. Mas esta Rua ficou de S. Julião até hoje, embora o povo lhe chamasse «Algibebes», pois aos algibebes foi destinada quando se rompeu depois de 1755.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa,vol. XII, pp. 49-50, 1939)

Rua de São Julião, poente |190-|
«Vulgo dos Algibebes, porque quase todas as suas lojas são ocupadas por vendedores
de fato feito».  [F.M.Bordalo: 1863]
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

À cidade de Lisboa confirmação do acordo que fizeram sobre os aljibebes, pelo qual estes não mandem fazer um vestido de pano novo, salvo de galez, entre outros, que se especificam.
Esta concessão é feita em virtude dos vereadores, procurador em câmara e os procuradores dos mesteres alegarem que os aljibebes faziam roupas de panos finos e de sortes de panos em que o povo podia ser enganado, vendendo uns pelos outros, entre outros malefícios. Álvaro Fernandes a fez.==
(Chancelaria de D. Manuel I, liv. 17, fl. 97v,1496-152, in ANTT)

Rua de São Julião, nascente |190-|
O Decreto de 5 de Novembro de 1760 determinou os arruamentos da Baixa lisboeta,
distribuindo as diferentes classes de mercadores em diversas ruas. 
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Vem referenciada no Pranto de Maria Parda (1522), de Gil Vicente, como rua de «San Gião».

Sunday, 25 October 2020

Praça Dom Luís

Poucos passos » mais à frente e eis-nos na «Praça de D. Luiz, um terreiro bordejado e encrustado de canteiros de relva, atufado de ramaria», e no meio da praça, «o monumento ao velho Marquês de Sá», que data de 1882. A praça, delineada em 1864, no local onde existiu o Forte de S. Paulo, foi construída em 1865, ano em que começaram a ser demolidos os restos do forte.


Observa, Dilecto, quanto é curiosa essa lomba de casario sobre a Praça — as encostas de Santa Catarina e da Bica — a contrastar severamente com a orla oposta, do lado do rio, pejada de armazéns e de docas. Podes visionar o quadro deste local — e tão diverso seria ele há menos de noventa anos com o desmantelado Forte de S. Paulo, e o mar a bater-lhe no parapeito; a dois passos de nós, para nascente e para poente, não existiam cais nem prédios: apenas areia, casotas de madeira, e, encalhadas, as fragatas do peixe e das melancias pelo Agosto cálido . Não restam desse quadro documentos ou estampas.[Araújo: 1939]

Praça Dom Luís [190-]
Monumento ao Marquês Sá da Bandeira
Paulo Guedes, 
in Lisboa de Antigamente
 
A Praça Dom Luís, localizada na confluência da Avenida 24 de Julho, Rua D. Luís I, Rua da Ribeira Nova, Rua da Moeda e Travessa do Carvalho, possui um pequeno jardim, comum a algumas praças da capital. Esta praça é uma homenagem a Dom Luís I, conhecido como O Popular, devido à adoração pelo povo. Este jardim conta com frondosas e imponentes árvores.
No centro da praça fica a estátua do Marquês Sá da Bandeira, fidalgo da Casa Real e ministro de Estado, nascido em Santarém em 1795.

Praça Dom Luís [c. 1900]
Monumento ao Marquês Sá da Bandeira
Chaves Cruz, 
in Lisboa de Antigamente
 
N.B. Em 1942 foi construído o antigo palácio da comunicações dos CTT (hoje denominado Edifício Central Station) projecto do arquitecto Adelino Nunes.
Nas escavações, feitas em 2012, para a construção do parque de estacionamento, foram encontrados importantes vestígios de um fundeadouro Romano usado entre os séculos I a.c. e V d.c. e restos de embarcações do séculos XVI ou XVII.

Praça Dom Luís [1960]
Monumento ao Marquês Sá da Bandeira; Edifício dos CTT
Arnaldo Madureirain Lisboa de Antigamente

Sunday, 10 October 2021

Palácio ou Paço das Necessidades

O Palácio ou Paço das Necessidades, com seus corpos de edifícios na parte Norte, e com sua fachada elegante e discreta, e da qual olhando o Tejo, avança a frontaria da Igreja, é, Dilecto, como observas, de um conjunto gracioso, e, como expressão arquitectónica, muito equilibrado.


Dilecto: o Palácio das Necessidades, como o de Belém constitui uma página viva da história política e realenga dos últimos cem anos. Escuso de te reavivar a memória. Não é indiferentemente que nos quedamos a olhar a sua fachada. Glórias e tragédias, alegrias e dores, confiança e certeza, fausto e penumbra — passaram por ele.
Não temos que o olhar com saudade, mas com um certo respeito comovido: não será do seu tempo aquele que for insensível às cousas do passado.

Palácio das Necessidades, pórtico da Capela, vendo-se o pináculo de Torre |c. 1900|
Largo das Necessidades
A Frontaria, sobre o Largo das Necessidades, em três corpos de edifício,  contínuos, adornados de vinte e quatro janelas de sacada, coroadas de ática; e  nela, como parte integrante, a frontaria da Capela.
Fotógrafo não identificadoin Lisboa de Antigamente

Deve-se a D. João V o Paço das Necessidades, hoje Palácio Nacional, e sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Desde 1607 que existia neste sitio do Alto de Alcântara uma ermidinha da invocação de N.ª Senhora das Necessidades, cuja irmandade foi constituída por marítimos da carreira da Índia. Meio século depois (1659) Pedro Castilho, servidor de D. João IV, comprou umas casas contiguas à Ermida, ampliando o piedoso sacelo [pequeno templo ou santuário] das Necessidades; no meado do século XVIII a Ermida e um largo prazo de terreno da Lapa (ou Cova) da Moura e da Ribeira de Alcântara pertenciam a um descendente daquele Pedro Castilho, Gaspar (ou Baltasar) Pereira Lago de Castilho. Foi a este que o Rei D. João V, que atribuiu a intercessão da Senhora das Necessidades à cura de uma grave doença (1742), comprou terrenos e casas com o tríplice objectivo de erguer uma nova igreja condigna, de edificar um paço real e de construir uma grande casa para os padres da Congregação do Oratório. O arquitecto Caetano Tomás de Sousa traçou o projecto, ficando a Igreja de N.ª Senhora das Necessidades integrada no Paço, e este contiguo ao convento e à sua larga quinta. As obras principiaram logo em 1748 e estariam concluídas em 1750.

Palácio das Necessidades |post. 1910|
Largo das Necessidades
O p6rtico da Capela, aberto por três arcos laterais entre quatro colunas, e por dois arcos laterais, e, nele, um vestíbulo ou galilé.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente
Palácio das Necessidades |1908|
Largo das Necessidades
A Guarda no Palácio das Necessidades após o Regicídio.
Alberto Carlos Limain Lisboa de Antigamente

O irmão de D. João V, infante D. Manuel, aventureiro militar da Europa, dado camo pretendente ao trono da Polónia, e que regressara à Pátria em 1784, foi o primeiro morador do novo Paço, ainda que por pouco tempo, e depois o seu irmão D. António. Até D. Maria, porém, os soberanos não residiram senão eventualmente nas Necessidades, servindo este Paço para hospedar príncipes estrangeiros (o príncipe de Gales, depois Jorge I V, por exemplo, e seus irmãos) ou algum infante da Casa de Bragança. D. Maria II é que fez das Necessidades residência habitual, assim como D. Pedro V e D. Estefânia (que nele morreram), D. Manuel II, que no Paço residia quando da revolução de 8 de Outubro de 1910.
Proclamada a República, o Palácio das Necessidades, como outros paços reais, entrou no património da Nação; esteve alguns anos encerrado até que em 1916 para ele se transferiu da ala Nascente da Praça do Comércio o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Palácio das Necessidades |c. 1870|
Largo das Necessidades
A varanda superior da Capela, e nela, as estátuas de S. Felipe Nery e de S. Francisco de Şales, obra de Alexandre Giusti, e ainda a estátua de S. Pedro, a um lado da porta, do mesmo escultor italiano, e a de S. Paulo, do outro lado, trabalho do escultor português António de Almeida.
Francesco Rocchini, 
in Lisboa de Antigamente

Interiormente, nas salas e mesmo nos pátios, foi, em várias épocas, o Palácio beneficiado, restaurado e transformado, nomeadamente em 1836 quando do casamento de D. Maria II com D. Fernando, cujas iniciais subsistiam entrelaçadas em muitos motivos decorativos, e em 1886 quando do casamento de D. Carlos com D. Maria Amélia de Orleans. Pode afirmar-se, porém, que a estrutura do Palácio é a original, pois o Terremoto de 1755 nenhuns danos lhe causou. De 1910 até à data variaram, porém, quási totalmente, as utilizações das salas e câmaras, adaptadas a repartições e gabinetes, sendo o recheio substituído e realizadas algumas transformações decorativas. A capela não tem culto desde 1910 e muitas das suas alfaias e imagens encontram-se no Palácio da Ajuda, em depósito. A antiga «Casa Forte das Necessidades» onde se guardava o «Tesouro», está vazia, havendo sido transferidas as suas preciosidades de ourivesaria para o Museu de Arte Antiga.

Fotografia aérea da zona de Alcântara, vendo-se na esquerda alta, o Palácio e a Tapada das Necessidades |1971|
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Do antigo Convento da Congregação do Oratório apenas restam silhares de azulejos. Quanto ao Palácio, cujo recheio quási inteiramente desapareceu daqui para outros palácios nacionais, conserva ainda o seu ar palaciano, um certo ambiente austero de beleza fria, e salas que mal fazem lembrar a opulência antiga.
Nota, Dilecto, a torre da antiga Igreja, recuada à esquerda da frontaria do edifício. Parece uma sentinela de Nossa Senhora das Necessidades.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Paços e  palácios nacionais, 1946.
idem, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, p. 18-19, 1939.

Wednesday, 16 December 2015

Calçada (Escadinhas) da Bica Grande

Quanto às designações de Calçada da Bica Grande e Calçada da Bica Pequena julgo que corresponderiam a Bicas, de serventia particular, ou pública, por aqui existentes, como aquela a que atrás aludi, no Pátio do Brôas. Mas pode suceder que «Bica Grande» e «Bica Pequena» estejam por «Calçada Grande» e «Calçada Pequena», no sitio da Bica, o que se ajusta às largura e extensão das serventias.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, p. 68, 1939)

Calçada da Bica Grande |c. 1900|
Note-se no cunhal do prédio que vira para a Rua de S. Paulo, um nicho com baldaquino, de delicada escultura do séc. XVI
.

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Olha-me esse gracioso nicho, com forma de baldaquino vazio, em lavra Manuelina, no cunhal do prédio da esquina Oriental da Calçada (escadinhas) da Bica Grande.»
(ibid., vol. XIII, p. 65)

Calçada da Bica Grande |c. 1945|
Note-se no cunhal do prédio que vira para a Rua de S. Paulo, um nicho com baldaquino, de delicada escultura do séc. XVI.

Fernando Martinez Pozal, 
in Lisboa de Antigamente

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