sábado, 26 de março de 2016

Semana Santa, a Semana Maior, Largo do Chiado

A Semana Santa é para os cristãos a Semana maior. E diz-se assim não porque seja cronologicamente maior do que as outras, como se tivesse mais dias, mas porque nela os cristãos celebram com intensidade o mistério mais profundo e mais importante a partir do qual toda a realidade adquire sentido. Mais ainda: cada dia da Semana Santa, e muito especialmente o tríduo pascal, tem uma tal densidade que concentra em si todo o sentido da história.
A tradição de visitar sete igrejas na Quinta-feira Santa é uma prática antiga originada provavelmente em Roma. Em diversos países da América Latina, a visita às sete igrejas geralmente ocorre à noite.

Largo do Chiado [1907]
Em segundo plano a Casa  Vista Alegre
Joshua Benoliel, in AML

« (...) Sem repousar, correndo pelas ruas, esbaforido, eu ia à missa das sete a Santana, e à missa das nove da Igreja de São José, e à missa do meio-dia na ermida da Oliveirinha. Descansava um instante a uma esquina, de ripanço debaixo do braço, chupando à pressa o cigarro; depois voava ao Santíssimo exposto na paroquial de Santa Engrácia, à devoção do terço no convento de Santa Joana, à bênção do Sacramento na capela de Nossa Senhora, às Picoas, à novena das Chagas de Cristo, na sua igreja, com música. Tomava então a tipóia do Pingalho, e ainda visitava, ao acaso, de fugida, os Mártires e São Domingos, a igreja do convento do Desagravo e a Igreja da Visitação das Salésias, a capela de Monserrate, às Amoreiras e a Glória ao Cardal da Graça, as Flamengas e as Albertas, a Pena, o Rato, a Sé!»
(Eça de Queirós, A Relíquia, 1887)

Largo do Chiado esquina com a Rua Nova da Trindade [1907]
Em segundo plano a Joalharia Leitão & Irmão, inaugurada em 1877
Joshua Benoliel, in AML

«O Largo das Duas Igrejas, designação municipal desaparecida em 1925, mas que o povo ainda mantém pela força do realismo – a presença dos templos –, foi o lugar da Porta (ou Portas) de Santa Catarina, construída na cerca de D. Fernando, entre 1373 e 1375, cuja demolição estava resolvida em 1702, e se realizava ainda em 1705, prolongando-se a 1707. Trezentos e trinta anos de existência justificam a teimosia do dístico que por aqui correu.»
(ARAÚJO, Norberto de. Peregrinações em Lisboa», vol. V, p. 12)

Largo do Chiado esquina com a Rua Nova da Trindade [1907]
Em segundo plano a Joalharia Leitão & Irmão, inaugurada em 1877
Joshua Benoliel, in AML
 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Web Analytics