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Sunday, 8 February 2026

Rua Augusta com a Rua da Betesga — ou como “meter o Rossio na Betesga”

O prédio que faz gaveto para o velhinho rocio e fica entre as ruas Augusta e da Betesga ocupado pela «Camisaria Confiança», e pelo Hotel Internacional, não pertence ao Rossio, mas sim às ruas Augusta e da Betesga. No antigo edifício havia há cento e cinquenta anos (c. 1880) uma tabacaria que ficou celebre por ser o poiso certo de João de Deus e de alguns dos melhores espíritos d'essa época. [Castilho: 1935]

Rua Augusta com a Rua da Betesga: cena de rua |1922-08-20|
Confluência da Praça de D. Pedro IV com as Ruas da Betesga e Augusta).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A «Camisaria Confiança», sucursal da Fábrica Confiança, foi fundada em 1883, com sede na Rua de Santa Catarina, Porto. Actualmente é um hotel de charme, o Internacional Design Hotel, antes «Hotel Internacional» que sucedeu a um antigo «Hotel Camões», do qual aproveitou a belíssima fachada. Este edifício foi projectado pelo arq. J. C. P. Ferreira da Costa em 1909.

Rua Augusta com a Rua da Betesga: cena de rua |1932-03-28|
Na confluência da Praça de D. Pedro IV, vulgo Rossio, com as Ruas da Betesga e Augusta (da Figura do Rei), um sinaleiro tenta orientar o trânsito numa manhã de segunda-feira soalheira, alegre, barulhenta e de gente sempre agitada. 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto está erradamente identificado no arquivo: «Na rua da Prata, os automóveis voltando para a rua da Conceição»

N.B. No que à «Betesga (rua)» diz respeito», sem se saber ao certo quando este topónimo se fixou na memória de Lisboa, a sua origem está ligada à configuração do arruamento, pois Betesga, palavra de origem obscura, designa uma rua muito estreita, uma ruela ou viela. Por isso surgiu a expressão popular “Meter o Rossio na Rua da Betesga” – aludindo ao contraste entre a amplitude da Praça de D. Padro IV, vulgo do Rossio, e a estreiteza da Rua da Betesga.

Rua Augusta com a Rua da Betesga: cena de rua |c. 1951|
 O ângulo E. do Rossio dá passagem para a R. da Betesga, antigamente muito estreita (de onde o prolóquio meter o Rossio na Betesga), mas alargada e regularizada após 1755, e a qual, limitando ao S. a Praça da Figueira, vai ter, pelo lado E., ao Poço de Borratém.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 16 November 2025

Profissões de antanho: o cauteleiro

— Quem é que se habilita à sorte, é o 1469 que anda amanhã a roda!

É profissão que jamais acabará. É vê-los por aí, sobretudo pela Baixa, oferecendo a fortuna a toda a gente. No nosso tempo, a cautela, cremos que a vigésima parte do bilhete inteiro, vendia-se por três vinténs!
E não havia barbeiro que, pelo Natal ou Páscoa, não tivesse colado no espelho, em frente do freguês, o bilhete da sorte, para que bem o observasse e comprasse enquanto lhe escanhoava os queixos.
O grande actor Estêvão Amarante, criador admirável de tantos tipos populares de Lisboa, também fez o cauteleiro num quadro de revista, cantando um fado que ficou, como todas as suas criações, na alma do povo, imitando um cauteleiro que era muito conhecido pelo pregão harmonioso e nostálgico com que oferecia a Sorte Grande!

— Quem é que se habilita à sorte, é o 1469 que anda amanhã a roda!

Profissões de antanho: o cauteleiro |entre 1908 e 1914|
Largo de Dom João da Câmara, antigo «de Camões».
Ao fundo observa o afamado Café Suisso.
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente

Nesse tempo, e hoje também, os cauteleiros apregoam por Lisboa e por todo o País, mas sem a cantoria de então.
A dada altura apareceu pelas ruas da Baixa, sem apregoar, um cauteleiro fardado, que oferecia o jogo quase sempre pelos estabelecimentos. Exibia boné agaloado a ouro, sobrecasaca preta com botões amarelos, galões dourados na gola e pasta debaixo do braço, cautelosamente segura por corrente. Era um indivíduo gordo, à volta dos quarenta anos e que, no seu jeito amável, aconselhava, como quem conversa, a jogar na lotaria. Hoje os cauteleiros usam boné de pala e a profissão, aparentemente, deve ser rendosa. Haja em vista o desafogo de certas casas de lotaria! 

— Quem é que se habilita à sorte, é o 1469 que anda amanhã a roda!

Profissões de antanho: o cauteleiro |1922-3-8|
Calçada do Duque com a Rua da Condessa.
Legenda no arquivo: «O coxo das cautelas na Escadinhas do Duque»
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O cauteleiro coxo que me maçava inutilmente? Questiona-se o Desassossegado Bernardo Soares. O velhote redondo e corado do charuto à porta da tabacaria? O velho sem interesse das polainas sujas que cruzava frequentemente comigo às nove e meia da manhã? O dono pálido da tabacaria? O que é feito de todos eles, que, porque os vi e os tornei a ver, foram parte da minha vida? Amanhã também eu me sumirei da Rua da Prata, da Rua dos Douradores, da Rua dos Fanqueiros, [e das Escadinhas do Duque, porque não?]. Amanhã também eu me sumirei da Rua da Prata, da Rua dos Douradores, da Rua dos Fanqueiros. Amanhã também eu — a alma que sente e pensa, o universo que sou para mim — sim, amanhã eu também serei o que deixou de passar nestas ruas, o que outros vagamente evocarão com um “o que será dele?”. E tudo quanto faço, tudo quanto sinto, tudo quanto vivo, não será mais que um transeunte a menos na quotidianidade de ruas de uma cidade qualquer.
(Fernando Pessoa / Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 1931)

Profissões de antanho: o cauteleiro |início séc. XX|
Aguadeiro e cauteleiro junto ao fontanário do Largo Trindade Coelho, antigo de S. Roque. 
Ao centro vê-se a Coluna mandada erguer pela colónia italiana, comemorando o casamento do 
Rei Dom Luís I com Dona Maria Pia de Sabóia em 1862.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
(DINIS, Calderon, Tipos e Factos da Lisboa do meu tempo (1900-1974), p. 276, 1986).

Sunday, 1 June 2025

Rua da Boavista

A origem do nome do sítio é projecção toponímica do Alto da Boa Vista, ou seja, ou Alto do Belver ou Belveder actual Alto de Santa Catarina. Não quero deixar de observar-te — recorda o ilustre Norberto de Araújo — que as edificações desta artéria da Boa Vista, do lado Sul, não levam cem anos (c. 1840). O edifício da Companhia do Gás sucedeu ao antigo Quartel da Brigada Real de Marinha. Foi aqui a primeira Fábrica do Gás, cujo privilégio concedido a Claudio Adriano da Costa e ao francês José Detry, datava de 3 de Maio de 1846

Rua da Boavista |ant. 1914|
O edifício do lado esq., até à esquina com o Boqueirão dos Ferreiros pertencia à «Companhia Lisbonense de Iluminação a Gaz»; em ampliando a foto observam-se, ao fundo, os sete arcos do do prédio nº 67 erguido pelo industrial Ferreira Pinto em meados do séc. XIX para «palacete de família, e constitui ainda a única nota decorativa urbana da Rua da Boa Vista.» [Araújo, 1939]
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no abandalhado amL

De facto, foi junto ao rio, meio de transporte privilegiado, que a «Companhia Lisbonense de Iluminação a Gaz» instalou, em 1846, a sua primeira fábrica de Gás; e, dois anos depois, em 1848, já Lisboa inaugurava a iluminação a gás, com 28 candeeiros, nas ruas da Baixa (Rua dos Capelistas, Rua do Ouro e Rua da Prata), no Chiado, na Rua do Alecrim, no Cais do Sodré, em S. Paulo e na Boavista.

Rua da Boavista |1940|
Companhias Reunidas de Gás e Electricidade: fachadas Norte e OesteBoqueirão dos Ferreiros.
Kurl Pinto, in Lisboa de Antigamente

Em 1914 deu-se na fábrica a formidável explosão que originou dezanove mortes, e o fabrico do gás passou então, inteiramente, para o Bom Sucesso — vizinhança da Torre de Belém — , onde ase manteve até 1949.

Rua da Boavista |1914|
Topónimo anterior ao terramoto de 1755, como vem mencionado nas Memórias Paroquiais.
Incêndio no edifício da Companhia de Gás.
Anselmo Franco, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 16 March 2025

Rua dos Ourives da Prata

À rua que em 1755 subia do Largo do Pelourinho, e que então “trifurcava, depois de percorridos os seus quatrocentos e oitenta e quatro palmos”, nas ruas das Pedras Negras, da Correaria e do Arco de Nossa Senhora da Consolação, designava-se, então, de Rua dos Ourives da Prata

Assim descreve Luís Pastor de Macedo a rua que, por alvará de D. Manuel I, de 19 de Abril de 1514, relativo ao arruamento dos ofícios, estabelecia que do dia de São João em diante, passassem para a Rua Nova d’El Rei [actual R. do Comércio] os ourives do ouro, ficando a designada Rua da Ourivesaria à disposição dos “prateiros”, para nela abrirem as suas oficinas. 
Rua (dos Ourives da Prata) |séc. XIX|
Os «carros americanos» um dos mais famosos meios de transporte lisboetas. Mais confortáveis que os «Choras», serão substituídos gradualmente pelos carros eléctricos que a Carris começa a comprar durante a última década de oitocentos.
Emílio Biel, in Lisboa de Antigamente

Mais tarde, em 1551, de acordo com descrição de Cristóvão Rodrigues de Oliveira, surge esta rua já designada por Rua da Ourivesaria da Prata, ou, também, por Rua dos Ourives da Prata, nome apresentado por João Brandão em 15527, embora a antiga denominação de Rua da Ourivesaria perdurasse até finais do terceiro quartel do século XVI. 
A 20 de Fevereiro de 1588, uma provisão de Filipe I, relativa ao arrua- mento do ofício dos ourives da prata, refere que “os ourives morassem, e estivessem suas tendas no arruamento”, tendo os vereadores elaborado uma postura para que não pudessem os ditos ourives morar, nem possuir as suas oficinas, fora do respectivo arruamento, na Rua da Ourivesaria da Prata.

Rua (dos Ourives da Prata) |1917|
Antiga Bella da Rainha, junto à Igreja de São Nicolau na Rua da Vitória
Venda da Flor, iniciativa da escritora Genoveva da Lima Mayer Ulrich a favor das vítimas da I Grande Guerra.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente


Na Lisboa erguida após o terramoto de 1755, a Rua dos Ourives da Prata, juntamente com a dos Ourives do Ouro, evidenciava-se pelas preciosidades expostas aos olhares de quem por elas passava e pasmava. Assim descrevia Carl Ruders, aludindo às referidas ruas, nas quais “havia sempre muita gente pasmada”, porque “todas as lojas das casas (...) são ocupadas por estabelecimentos onde se vem expostas as alfaias e jóias mais preciosas”. Obras de ouro e prata “de toda a espécie”, que se revelavam em armários envidraçados, suspensos dos dois lados das portas”-

Rua (dos Ourives da Prata) |1917|
A Rua da Prata nasceu em 1910 como topónimo da Baixa pombalina, por via da publicação do Edital camarário de 5 de Novembro, o 1º relativo a toponímia após a implantação da República em Portugal, substituindo a Rua Bela da Rainha que havia sido atribuída em 1760, pela Portaria de 5 de Novembro, a 1ª sobre toponímia. 
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente


Bibliografia
MACEDO, Luís Pastor – A Igreja de Santa Maria Madalena de Lisboa. Lisboa: Solução Editora, p. 5.1930,.
RUDERS, Carl Israel – Viagem em Portugal: 1798-1802. Lisboa: B.N.P., p. 35, 1981.
CARLOS, Rita, Da Rua dos Ourives da Prata à Rua Bela da Rainha: as lojas dos ourives da prata em Lisboa na segunda metade do século XVIII, 2015.

Sunday, 24 November 2024

Rua da Prata, 257: Ourivesaria da Moda

Ourivesaria fundada em 1906 por António Esteves de Araújo, mantém-se na mesma família há 4 gerações. No interior, o ex-libris da casa, uma fonte em prata maciça com 2 metros de altura, dá-nos as boas-vindas. Especialistas em peças tradicionais portuguesas, o destaque vai para as jóias em filigrana, feitas artesanalmente com fios muito finos em ouro ou prata.
António Esteves de Araújo viera do Minho aos 11 anos à procura de melhores condições, tendo trabalhado numa mercearia até aos 16 anos altura em que passou a trabalhar na Ourivesaria do torreão do Mercado da Praça da Figueira. Depois disso entrou na Ourivesaria da Moda passando a decidir os seus destinos. Nos anos quarenta expandiram o espaço ocupando uma manteigaria na Rua da Prata [na dir. baixa] e uma loja de vidros na Rua de Sta. Justa, ficando assim com 4 montras para a Rua da Prata e 2 para a Rua de Sta. Justa. Nos finais dos anos 50 adquiriram um deposito de tabacos o que permitiu nova ampliação do lado da Rua de Sta. Justa. Chegou-se assim à loja actual. [circulolojas.org]

Rua da Prata, 257: Ourivesaria da Moda |191-|
Esquina com a Rua de Santa Justa, 34
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 29 September 2024

Igreja de São Domingos

S. Domingos — Dilecto — é uma crónica viva de Lisboa, com as suas imediações da Praça da Figueira, com o seu trânsito obrigatório, pela Rua Barros Queiroz e Calçada do Garcia, formigueiros de gente, que desce dos Anjos, dos bairros novos, ou de Sant'Ana velha. [...]

Junto do templo dominicano, assentava, crê-se que já antes de se erguer o Convento, a pequenina ermida de N. Senhora da Purificação, da Escada, de grande nomeada na Lisboa velha; o seu lugar era onde está a Casa de Candeeiros, que foi de Tomé de Barros Queiroz, bom cidadão de Lisboa (...)»

Igreja de São Domingos [c. 1910]
Rua Barros Queirós; Largo de S. DomingosGinjinha do Rossio
A velha Igreja de São Domingos ficava junto à ermida de Nossa Senhora da Escada, também conhecida por Nossa Senhora da Corredoura, por ficar próximo do sítio deste nome, actualmente a Rua das Portas de Santo Antão, e cuja construção datava dos princípios da monarquia.
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Tendo sido lançada a primeira pedra no ano de 1241, e alvo de sucessivas e diferentes campanhas de obras que lhe foram alterando e adicionando a traça primitiva, data de 1748 a reforma efectuada na capela-mor pelo arqº Ludovice, acabando por ser a única zona do templo poupada ao terramoto de 1755. Seguidamente, a igreja foi reconstruída por Manuel Caetano de Sousa, que reaproveitou o portal e a sacada sobrejacente pertencentes à Capela-Real do Paço da Ribeira.
Em termos formais, esta Igreja conventual denuncia uma arquitectura barroca, de planta em cruz latina. Enquanto que exteriormente é caracterizada pelas suas linhas simples, o interior ainda revela alguma da sua notória riqueza ecléctica. Assim, serão dignos de realce, não apenas o aspecto grandioso de todo o espaço interior, como os próprios mármores e pinturas, infelizmente hoje desaparecidos.

Era notável a sua riqueza em alfaias preciosas, havendo uma imagem de prata maciça, que saía em procissão num andor do mesmo metal, alumiada por lâmpadas também de prata. As pinturas dos altares, os paramentos, os tesouros, tudo desapareceu durante o terramoto de 1755, salvando-se unicamente a sacristia e a capela-mor, mandada fazer por D. João V e riscada pelo arquitecto João Frederico Ludovice, em 1748 - homem que projectou o colossal Convento de Mafra. A capela-mor, toda de mármore negro, e em cujas colunas se vêem, junto à base, medalhões delicadamente cinzelados, que também avultam sobre os nichos laterais.
 
Igreja de São Domingos |Inicio séc. XX|
Perspectiva longitudinal do interior da Igreja
A Capela-mor, edificada em 1748 por Ludovice e acabada por João António de Pádua é rematada
por um arco de volta perfeita que marca a outra extremidade da abóbada de berço e possui quatro
grandes colunas sem capitel que delimitam o receptáculo do Sacrário com porta de bronze. O conjunto
é rematado por formação escultórica ladeando o registo central, duas mísulas com as estátuas de
S. Domingos e S. Francisco. Nas paredes laterais, janelas ao nível do grupo escultórico superior.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Em 13 de Agosto de 1959, um violento incêndio destruiu por completo a decoração interior da igreja, onde constavam altares em talha dourada, imagens valiosas e pinturas de Pedro Alexandrino de Carvalho. A igreja recebeu obras e reabriu ao público em 1994, sem esconder as marcas do incêndio, como as colunas rachadas. Ainda que destruída, é uma igreja que sobressai pela policromia dos seus mármores. 
Actualmente é a igreja paroquial da freguesia de Santa Justa e Santa Rufina, em plena Baixa Pombalina e foi classificada como Monumento Nacional. Expõe metade do lenço usado por Lúcia no dia 13 de Outubro de 1917 (a outra metade encontra-se no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Fátima) e ainda o terço usado por Jacinta Marto no mesmo dia.

Igreja de São Domingos, abside e torre sineira |c. 1950|
Rua Dom Duarte cruzamento com a Rua da Palma  e Rua Barros Queirós
Numa passagem para a sacristia, com entrada pela Rua da Palma, encontram-se os túmulos do grande pregador dominicano Fr. Luís de Granada (m. 1588) e do reformador da ordem Fr. João de Vasconcelos (m. 1652). Esta igreja tem ainda uma cripta abobadada e dotada de lambris de azulejos, onde está o túmulo de D. João de Castro, capelão de D. João. 
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa», vol. XII, p. 80, 1939.
CARRIÇO, Hugo Miguel, Informação sobre igrejas de Lisboa, 2017.

Friday, 31 March 2023

Ascensor de Santa Justa

Desabalado, atravesso o Rossio, desço a Rua do Ouro e meto-me no ascensor de Santa Justa. Viagem curta ao ritmo do choro tolhido de um miúdo agarrado ao xaile da mãe, gorda de miséria.
— Tenho medo, mãe! Tenho medo. (É estranho. Também eu).
A porta do elevador escancarou-se e agora os passageiros atropelam-se, açodados, aos encontrões no viaduto para o Largo do Carmo.
(FERREIRA, José Gomes, O Irreal Quotidiano: histórias e invenções, 1976)

Ascensor de Santa Justa |post. 1902|
Postal ilustrado não circulado, edição de F. A. Martins & Silva, in Lisboa de Antigamente

A Rua de Santa Justa foi um dos 14 topónimos da Portaria pombalina de 5 de Novembro de 1760, diploma do rei D. José com que foi inaugurada em Lisboa a prática de atribuição de nomes de ruas por decreto e, no qual se estabeleceu a denominação dos arruamentos localizados da Baixa lisboeta reconstruída, entre a Praça do Comércio e o Rossio.
O elevador de Santa Justa — ou do Carmo — foi inaugurado no dia 10 Julho de 1902, sendo um dos dois ascensores verticais da cidade (o ouro era o elevador de S. Julião). O projecto é de Raoul Mesnier du Ponsard.

Rua de Santa Justa, ascensor |post. 1902|
A primeira transversal é a Rua da Prata, antiga Bela da Rainha; seguem-se as Ruas dos Correeiros, Augusta [da Figura do Rei], Sapateiros e, por fim, a Rua Áurea.
Autor não identificado, in Lisboa de Antigamente

Friday, 9 December 2022

Ermida de N. S. da Vitória

A ermida de Nossa Senhora da Vitória avulta entre dois prédios da rua da Vitória, na parte situada entre as ruas do Ouro e do Crucifixo, e está orientada ao Sul. O acesso ao templo faz-se por seis degraus que terminam em patamar formando um pequeno adro.


A actual ermida da Vitória foi construída entre 1765 e 1824 [atribuído o risco ao Arquitecto José Monteiro de Carvalho] para substituir a antiga, quinhentista, que se levantava, com o hospício anexo de Santana dos Caldeireiros, na Caldeiraria, onde hoje se cruzam as ruas do Ouro e da Assunção. Devia-se a uma recolhida, cega, desse hospício, devota daquela invocação, que introduziu o culto da Senhora da Vitória na capelinha do recolhimento então administrado pelo Hospital Real de Todos-os-Santos. A ermida fora edificada em 1556 passando a sua mantença à Irmandade dos Caldeireiros.

Ermida de Nossa Senhora da Vitória [1944]
Rua da Vitória
A Fachada, de um só corpo, ladeado por quatro pilastras, portas a par duas a duas, às quais
serve de remate a arquitrave, coroada de acrotérios flamejantes e frontão com tímpano, e nele
óculo iluminante.
J. C. Alvarez, in Lisboa de Antigamente

Foi inteiramente destruída pelo Terramoto. No final do século XIX entraram a administrá-la os representantes da antiga confraria dos Ourives, cuja capela da invocação de Santo Elói e da Senhora da Assunção (1697} queimada em 1755, se transportara para a rua da Prata (n.ºˢ 139-141) e acabara por desaparecer.
Em virtude da venda e demolição da igreja da Conceição Nova instalaram-se (a partir de 1951) os serviços paroquiais na ermida da Vitória.

Ermida de Nossa Senhora da Vitória [194-]
Rua da Vitória
Assinala-se o portal com moldura de cantaria e ática ornamentada. Por cima janelão com
ática, decorado com um vitral moderno.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Monumentos histórico, 1956.

Sunday, 24 October 2021

Rua da Prata que foi «Bela da Rainha»

As instruções do decreto de 12 de Junho de 1758 classificam as «ruas principais» da Baixa Pombalina e atribuem-lhes a largura máxima de sessenta palmos, com dez de cada lado para os passeios, e cloacas — cuja construção e conservação adviriam aos proprietários fronteiros. Passeios públicos também surgem nas ruas secundárias, de quarenta palmos, cuja utilidade "para a liberdade do ar e da luz" era sublinhada, numa consciência urbanística e sanitária nova.

A altura das casas era ali regulamentada, aferindo-a pela dos edifícios do Terreiro do Paço e já não com dois andares mas com o número deles que coubessem em tal pé direito; o desenho das fachadas, ainda não fixado, determinava, porém, janelas sacadas (ou «rasgadas») nos primeiros andares e janelas de peito (ou «de peitoril») nos outros, nas ruas principais , e só janelas de peito nas outras vias, prevendo portais especialmente tratados em ruas como as de S. Francisco e de S. Roque, de modo a distinguirem «casas nobres».

Rua da Prata (S→N) com a  Rua de São Julião [1930]
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

As «ruas principais» seriam aquelas que corriam no sentido S→N, ligando as duas praças — do Terreiro do Paço e do D. Pedro IV — , e que receberiam os nomes de «Augusta» — a do meio, «Áurea» — a sua paralela a poente, e (mais tarde) «Bela da Rainha»  — hoje da Prata, a nascente,  embora só as duas primeiras fossem mencionadas como «ruas nobres»; mas também seria considerada principal uma outra rua correndo transversalmente e que receberia o nome de Nova d'El-Rei — hoje do Comércio. Era, de certo modo, a antiga e tradicional Rua Nova dos Ferros, disciplinada na nova malha mas ressuscitada, e sempre paralela, afinal, à face norte do Terreiro do Paço, no ponto onde uma rua importante continuava a ser necessária à imagem urbana.

Rua da Prata (S→N), pavimentação [c. 1951]
Horácio Novais, 
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
FRANÇA, José Augusto  Reconstrução de Lisboa e a Arquitectura Pombalina , 1978.

Sunday, 5 September 2021

Largo e Convento do Carmo

Este topónimo remete para a existência do Convento do Carmo no local. A propósito deste Largo refere o olisipógrafo Norberto de Araújo o seguinte:

O Largo, na sua configuração, é bem diverso do que era há cento e oitenta anos [c. 1750], antes da urbanização pombalina, e então mais estreito, mais baixo, em nível, cerca de um metro (o que bem se comprova pelo rebaixamento que faz a Igreja-ruína do Carmo), e também mais nobre, mais senhor de si, mais «Bairro do Marquês» (de Vila Real), «Bairro de Vila Nova» (de Santa Catarina), Bairro do Carmo, alfim — designação que teve no decorrer dos séculos.
Principia por observar este gracioso Chafariz, que não existia ao tempo do Terramoto. O Chafariz do Carmo data de 1796, ou de pouco antes, integrado na obra das Águas Livres, pois recebe água das Amoreiras; se antes existia outro — e é verosímil que assim tivesse sucedido — não to posso assegurar cu, embora Júlio de Castilho o admita e escrito esteja em várias obras. [...]

Largo e Convento do Carmo |1910|
Chafariz do Carmo; à esq. vê-se a Igreja da Ordem Terceira do Carmo, a frontaria do quartel da GNR e fachada arruinada da Igreja- Convento do Carmo; destaque para os urinóis públicos, tipo guarita, que por esta época eram obras de arte.
Artur Benarus, 
in Lisboa de Antigamente

Quanto às origens do Convento do Carmo, adianta o mesmo autor:
Contempla-une exteriormente o Carmo de Nuno Álvares. É a evocação material espiritualizada dos séculos da piedade e do heroísmo; é a única ruína em Lisboa que tem vida, e que nos oferece ainda a visão rasgada de um passado distante, de um mundo diverso do mundo de hoje.
Uma ruína — que não quere morrer.
Quando da batalha de Aljubarrota, Nuno Álvares Pereira fez à Virgem um voto: o de lhe erguer um grandioso templo. Foi isto a 14 de Agosto de 1385. Passados quatro anos Nuno Álvares começou a cumprir aquilo a que se votara [...].

Convento do Carmo |c. 1920|
Largo do Carmo
Interior das ruínas da igreja vendo-se a fachada sul e, à esq., um arxo, ambos do séc. XIV.
Artur Benarus, in Lisboa de Antigamente

A traça arquitectónica da Igreja — ogival como vês — foi de rasgada concepção, assegurados os arquitectos, à terceira tentativa, da firmeza dos fundamentos. Aqui estão desenhadas as três naves, com seus cinco arcos ogivais, dois dos quais apenas, estes logo a seguir ao pórtico, são primitivos. O templo media 73 metros de comprimento, possuía no corpo das naves, de começo, oito capelas, mas outras havia além do cruzeiro e na abside; era formoso, mas era também opulento. As capelas vestiam-se de jaspe polido, os púlpito , igualmente de jaspe, guarneciam-se de embutidos de prata, e pedras finas; os retábulos eram de boa arte, e havia profusão de pintura, escultura em madeira e em pedra; os vitrais iluminantes, nos óculos, janelas e frestas, ostentavam-se como os mais belos de Lisboa. Depois da morte do fundador, em 1431, o Carmo ogival cada vez mais resplandecia na nobreza augusta que o tempo imprime aos monumentos, e enchia-se de mais riquezas, que a Índia e o Brasil, no século seguinte, começaram a fornecer.
Durante muitas dezenas de anos o povo fez do Carmo um motivo de peregrinação em louvor da memória de Fr. Nuno, e — no seu modo ainda medieval — cantava e dançava à roda do túmulo do fundador.

Convento do Carmo |c. 1930|
Largo do Carmo
Perspectiva nascente vendo-se à esq. o arcobotante e a ponte de acesso ao Elevador de Santa Justa.
Artur Benarus, in Lisboa de Antigamente

Mas veio o dia 1.º de Novembro de 1755. O Carmo ― Convento e Igreja — ruíram estrondosamente. Ficaram apenas de pé a fachada cortada ao alto e dois vãos de arcos que se seguem ao portal de entrada, as capelas absidais e a parte inferior da Capela-Mor.
Trataram os frades carmelitas de restaurar a sua Casa — mosteiro e templo. O Convento foi soerguido das ruinas, já sem a beleza antiga; a Igreja, ainda sobre a traça ogival, entrou a ser reconstruída, aliás sob defeituosa orientação, elevando-se então quatro arcos, rasgando-se novos janelões nas extremas das paredes, e enxertando-se pormenores na remendagem arquitectónica primitiva.
Mas os tempos eram outros; escasseavam dedicações, o dinheiro não avultava, esmorecera a fé.
Em 1834 a Igreja continuava... em obras. Ruínas lamentosas sobre a ruína respeitável de 1755.==

O Convento e as ruínas da Igreja do Carmo vistas do Rossio (Praça de D. Pedro IV |post. 1850|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VI, pp. 75-84, 1938.

Sunday, 16 February 2020

Rua da Conceição vulgo dos Retroseiros

Sobre a Rua da Conceição refere a Portaria pombalina de 5 de Novembro de 1760 que «Assim se denominará a segunda das referidas seis traveças, e nella se acommodorão os Mercadores de logens de retroz.». A escolha do topónimo deriva da proximidade à [Igreja da Conceição (Nova), demolida].

Encontrou-se uma inscrição, que ainda em 1883 existia, e eu vi — diz mestre Castilho — , numa parede do armazém de retroseiro de Manuel Pereira Bastos [em 1909, Fernandes & Cardoso], na rua dos Retroseiros (ou da Conceição), com porta para a escada n.° 83 [11ª porta à esq.]; (...) Diz assim : SSACRVM / AESCVLAPIO / M[arcus] . AFRANIVS . EVPORIO / ET / L[ucius] . FABIVS DAPHNVS / AVG[ustales] / MVNICIPIO . D(ono) . D(ederunt) »
(CASTILHO, Júlio de, Lisboa antiga:Segunda parte: Bairros orientais, Vol. 1, 1884, pp.154-155)

Rua da Conceição vulgo dos Retroseiros |1915|
Esquina com a Rua da Prata, antiga Bella da Rainha [vd. N.B.]
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Esta dedicatória na lápide de mármore dedicada AESCVLAPIVS (deus da Medicina) não está necessariamente associada ao culto imperial, apesar dos cargos religiosos nesse âmbito desempenhados por Marcus Afranius Euporio e por Lucius Fabius Daphnus.
Tradução: «Consagrado a Aesculapio. Marco Afranio Euporio e Lúcio Fábio Daphno, augustais do município, deram e dedicaram»

N.B. A «Rua da Prata» foi chamada durante os anos de 1760 a 5 de Novembro de 1910 de «Rua Bella da Rainha» em memória da Rainha «D. Mariana Vitória (1718-1781)», mulher do Rei D. José I, e filha de Filipe V de Espanha. A «Rua da Prata» adquiriu este nome porque no período que antecedeu o terramoto de 1755 existiu próximo a «Rua Dos Ourives Da Prata», ou ainda dos «Prateiros» rua muito característica e concorrida na época.
Em Reunião na Câmara Municipal de Lisboa, em 6 de Outubro de 1910, presidida por Anselmo Braamcamp Freire, [...] a Rua Bela da Rainha passa a denominar-se Rua da Prata;[...]

Wednesday, 11 December 2019

Escadinhas da Liberdade (actualizado)

O Bairro da Liberdade, na chamada En­costa de Campolide, formou-se a partir de um conjunto de habitações que foram surgindo em finais do século XIX prolongando-se pelas primeiras décadas do século XX, no âmbito de um processo de industrialização que tinha como pólo principal o Vale de Alcântara. O acréscimo de população do Bairro verificou-se em meados da década de 60, motivada pela migração de população rural para Lisboa na procura de melhores condições de vida.

Escadinhas da Liberdade |1945|
Este topónimo advém da sua proximidade ao Bairro da Liberdade
Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Quer pelo facto de irmos carregados e termos subido as duzentas e oitenta e seis escadas (número que continuo a reter, por posteriormente as ter contado muitas vezes a título de passatempo para me parecerem menos ...) que ligam o Vale de Campolide ao Bairro da Liberdade. [...] (Prata: 1985)

Escadinhas da Liberdade |s.d. (meado séc. XX)|
Este topónimo advém da sua proximidade ao Bairro da Liberdade; Estação ferroviária de Campolide.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Escadinhas da Liberdade |1937|
Imagem do filme A Rvolução de Maio (1937), realizado por António Lopes Ribeiro.
 Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Aquando da construção do Aqueduto das Águas Livres, no séc. XVIII (1732-1748), já aqui tinha existido um chamado Bairro da Liberdade para acolher os mi­lhares de operários daquele grandioso empreendimento, tendo-se então multiplicado as habitações precárias, e que precárias e degradadas permaneceram ao longo de décadas.

Escadinhas da Liberdade |s.d. (meado séc. XX)|
Este topónimo advém da sua proximidade ao Bairro da Liberdade. Estação de Campolide.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 30 October 2019

Convento de N. S. da Encarnação : «O Mosteiro da Infanta»

O Convento da Encarnação foi mandado construir pela Infanta D. Maria (1521-1577). É um convento de freiras beneditinas, uma das belas jóias da arquitectura religiosa a ver em Lisboa, pouco conhecida, talvez, pela sua localização. E porque sua igreja só abre uma vez por semana, aos domingos. É um tesouro bem guardado.

Vicissitudes várias, relacionadas com o contexto histórico das décadas seguintes, levaram a que o Convento de Nossa Senhora da Encarnação, só viesse a ser fundado em 1614, sob a égide de Filipe III.


Convento de Nossa Senhora da Encarnação: «O Mosteiro da Infanta» [c. 187-]
Largo do Convento da Encarnação
Panorâmica tirada de São Pedro de Alcântara, vê-se o Convento da Encarnação, a Igreja de São Luís dos Franceses, e, em último plano, a Igreja e Convento da Graça.
Franccsco Rocchini, 
in Lisboa de Antigamente

Viveu a Senhora Infanta [D. Naria] — recorda o ilustre Norberto de Araújo — entre artistas, latinistas e teólogos. Devota como seu irmão, D. João III, não esqueceu nunca a filha de D. Manuel, o «Venturoso», os hábitos da corte do Paço da Ribeira, onde nascera em 1521. Era riquíssima. A sua vida de sempre menina decorreu, deslizou entre mesuras paçãs e perfumes de incenso. [...]
Diz-se que foi amada por Camões, e que talvez lhe tivesse dado asas para o Poeta voar a tão «alto pensamento». Era uma linda senhora, de nariz um tudo nada imperfeito, o que lhe imprimia um ar de malícia excelsa, e lhe aumentava o picante da expressão, misto de sensualidade e idealismo, como no desenho de Chantilly, cópia de Gregório Lopes. [...]

Convento de Nossa Senhora da Encarnação: «O Mosteiro da Infanta» [ant. 1880]
Largo do Convento da Encarnação. 
Perspectiva da Praça D. Pedro IV, observando-se em cima, à dir., o Convento da Encarnação.
Fotografia anónima, in Lisboa de Antigamente

E eis-nos, Dilecto, no Largo, e defronte do Convento da Encarnação. É o edifício enorme que de todos os altos de Lisboa se avista,
É um casario soturno, quase misterioso, debruçado sobre o Rossio. Na sobreporta da Igreja ostenta-se o brasão daquele infantado virginal. Por todo o edifício, pelos claustros e terraços, esconsos e escadarias, pejadas de oratórios, de altares, de mistérios místicos — passa ainda, apesar de no mosteiro nunca ter vivido, o talhe esbelto da Senhora Infanta, vestida com o hábito branco de S. Bento, ornado da cruz verde de Avis, tal qual cai ainda hoje dos reposteiros moles.
No exterior, em pleno Largo do Convento, uma casinha setecentista de um pitoresco inverosímil, milagre de arquitectura ingénua e popular, reúne-se à ostentação artística da Igreja, repousada nos seus azulejos, pinturas de bom pincel e lavores de prata.

Convento de Nossa Senhora da Encarnação: «O Mosteiro da Infanta» [c. 1940]
Largo do Convento da Encarnação

Do lato esq. vê.se o portal nobre do convento e à dir., a entrada da Igreja Igreja ostentando o brasão daquele infantado.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente
Convento de Nossa Senhora da Encarnação: «O Mosteiro da Infanta» [c. 1940]
Largo do Convento da Encarnação, claustro

A Encarnação ligada à Ordem de S. Bento de Aviz, e, assim, de seu começo, com sigla militar — é um documento monumental do século XVII.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Um grande incêndio ocorrido em 1734, e os danos provocados pelo Terramoto de 1 de Novembro de 1755 obrigam a grandes intervenções no edifício conventual.
Após a extinção das ordens religiosas, a 30 de Maio de 1834, as condições de vida no convento decaem consideravelmente por ter cessado a entrada dos rendimentos provenientes da Ordem de Avis. O Convento da Encarnação é extinto em Março de 1896 após a morte da última religiosa e integrado na Fazenda Nacional. Já no início do século XX passa a integrar os «Recolhimentos da Capital», conjunto que desde 2011 está sob gestão da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Convento de Nossa Senhora da Encarnação, interior da igreja [c. 1900]
Largo do Convento da Encarnação

Alberto Carlos Lima, 
in Lisboa de Antigamente

Convento de Nossa Senhora da Encarnação, coro [c. 1900]
Largo do Convento da Encarnação

Alberto Carlos Lima, 
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de Araújo, Legendas de Lisboa, pp. 60-61, 1943.
ALMEIDA, Fernando de, Monumentos e edifícios notáveis do Distrito de Lisboa, Volume 5, Segundo Tomo, 1975.
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